quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Última posta idiota de 2009



Boris Vian, apesar dos problemas de coração, insistia em tocar trompete. Guevara, apesar da asma, insistia em fumar os seus charutos cubanos. Eu próprio, apesar dos pequenos cancros que tenho alojados em cada um dos meus dedos, insisto em escrever estas idiotices. Bom ano, pessoal.

Que venha o próximo

Na ausência dos espectaculares balanços que, em tempos idos, ocupavam este tasco no lindo mês de Dezembro, aqui fica uma singela mensagem de final de ano.

2009 foi mau. Podia dizer que foi desafiante, interessante, complexo, bla, bla, bla. Não é verdade. Foi um ano miserável e felizmente o senhor calendário já avança, de caçadeira em punho, para o abater sem misericórdia. Foi uma merda. Triste, deprimente, injusto. Tudo aquilo que um ano decente nunca seria.

Para além da crise, do estado deste lindo e pobre país, a nível pessoal também não foi brilhante. Foi, aliás, duríssimo.
O único consolo é que, no fundo, ainda aqui estou, ainda sou rodeado pelas pessoas que amo, e que vai ser preciso realmente mais para me derrubar.

De qualquer forma, acredito que 2010 será, de facto, um ano extraordinário. Não sei porquê. Chamem-lhe um feeling, uma estúpida crença no karma, no equilíbrio cósmico. Sinto que, de alguma forma, a vida me deve algo. Estou à espera.

Aqui ficam os meus votos pessoais para 2010:

1 - mudar de emprego

2 - tentar deixar de fumar

3 - acabar o livro que estou a escrever há ano e meio

4 - que o Glorioso seja campeão

5 - saúde para todos os amigos e família

6 - continuar a alimentar este tamagotchi malnutrido chamado Vodka Atónito

7 - que venha um very little bastard.

Boas entradas e um bom ano para todos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Esclarecimento



A mulher do estupefacto amarelo sonhou esta noite que eu a traía com uma bailarina chinesa. Para que não haja qualquer equívoco, venho por este meio declarar publicamente que é tudo mentira.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

La nostalgie, camarade

Muitas vezes aquilo que entendemos como progresso acaba por nos tornar prisioneiros de uma falsa facilidade que, em tempos, não nos fazia falta para nada.

Um pequeno exemplo: 

1 - 1991; um colega leva para a escola um exemplar da Gina surripiado ao pai. Um mundo novo abre-se de repente, e durante anos o maravilhoso universo porno esteve ali, tranquilo, companheiro, do quiosque ao pé do Pingo Doce da Rebelva para o conforto da parte de baixo do colchão.

2 - fast forward para 2002; a internet faz a sua entrada tímida na casa do mesmo rapaz.

3 - fast forward para 2004; o dito rapaz entende que é hora de se livrar do seu património de porno acumulado, já não com medo de ser catado pela mãe, mas de ser catado pela namorada. Afinal já havia internet ou, como ele gostava de lhe chamar, a máquina do porno.

4 - fast forward para 2009 - o rapaz, já de barba rija, fica várias semanas sem internet em casa. E o colchão sem nada, nem uma revista, nem um posterzito maroto, nem um calendário de oficina. Nada.

Digam o que disserem, uma Gina é uma Gina.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Upgraded & ready to rock

Depois de um problema técnico mais complicado do que o esperado - e que ainda não está resolvido - estou de volta ao vosso convívio.
Obviamente tenho acompanhado a evolução do nosso querido tasco, entregue às mãos inexperientes mas bem intencionadas do nosso camarada amarelo. Mas, se bem que tenha apreciado o seu contributo (nomeadamente a foto do post chamado Little Christmas em que a tipa tem umas mamas realmente bestiais), a verdade é que fiquei todo roído por, devido à falta de computador em casa, não poder comentar pequenos nacos da realidade deste país que não cessa de me surpreender.

Desde os deputados a chamarem-se de palhaços, ao meu grande Benfica, às tricas do Socras com o senhor do bolo-rei, passando pela jogada de mestre de roubar o rébu er raisse do porto para lisboa, tanta coisa haveria para dizer.

Surpreendo-me até como foi possível ao mundo interpretar tudo isto, e até continuar a girar direitinho no seu eixo, sem os meus fabulosos comentários.

Enfim, o vosso martírio terminou.

Continuo a apelar aos antigos frequentadores deste tasco que regressem do seu exílio dourado. Ainda assim, com a inteligência do amarelo e com os meus looks, o vodka está bem e recomenda-se.

Boas festas para todos.

I'm back, motherfuckers!

Ó ié.

Um crime ao pequeno-almoço



Hoje de manhã fui buscar um crime ao frigorífico, olhei para a embalagem e deitei-o fora: estava prescrito.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Composição



Eu gosto muito do Natal porque recebo muitas prendas. Eu não gosto nada do Natal porque tenho que gastar muito dinheiro para oferecer muitas prendas aos outros e depois fico sem dinheiro para comprar coisas para mim. Por causa disso, eu engano os outros, recebendo prendas, mas não oferecendo nenhuma prenda. Os outros são muito inteligentes e percebem logo e para o ano não me oferecem prenda nenhuma e eu fico triste a achar que ninguém gosta de mim. Eu volto a oferecer prendas aos outros para oferecerem prendas a mim e voltarem a gostar de mim. Eu volto a enganar os outros oferecendo prendas que custam poucas moedas e recebendo prendas dque custam muitas, muitas moedas. Os outros são muito inteligentes e percebem logo e para o ano só me oferecem prendas que custam poucas moedas e eu fico triste a achar que ninguém gosta de mim. Este ano eu pedi ao Pai Natal para o Natal e a vida não serem coisas tão complicadas. Ontem à noite eu recebi muitas meias brancas, muitas meias brancas, mas o Natal e a vida continuam a ser coisas muito complicadas. Cá para mim eu acho que o Pai Natal não existe e que são os outros a tentarem enganar a mim.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Little Christmas



Pessoal, vamos todos fazer uma vaquinha para oferecer um computador novo ao Bastard neste Natal. Vi uns Magalhães porreiros na Feira da Ladra a 30€.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É revoltante, antidemocrático e anticonstitucional

Tanta gente que foi presa, torturada e morta para que fosse possível o 25 de Abril para agora virem censurar a pornografia no meu local de trabalho. Fico revoltado. Com certeza que fico revoltado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O que não mata fortalece



Um gajo que eu sempre admirei foi o Orwell, por ter compreendido antes de todos que talvez a prioridade central da esquerda (e Orwell arriscou a sua própria vida num país estrangeiro em nome das causas da esquerda) deve ser a de denunciar os vícios e imperfeições da própria esquerda, nomeadamente as do chamado socialismo real. Parece-me óbvio que se a esquerda quer ter autoridade moral na apresentação de uma alternativa ao capitalismo, tem de apresentar um projecto com menos vícios e imperfeições que o próprio capitalismo. Ora foi precisamente o contrário que aconteceu com o Socialismo Real. Quando os soviéticos criticavam (e com razão) o capitalismo pela sua profunda desiguldade, minavam a sua própria credibilidade quando mostravam ao mundo que nas suas fronteiras "todos são iguais mas há alguns mais iguais do que outros" (como Orwell muito lucidamente denunciou no Animal Farm), nomeadamente a elite política e militar que detinha o monopólio do poder. E como alguém disse, (e não é preciso termos visto no cinema a triologia do "Senhor dos Anéis" para o compreender), o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Da mesma forma, quando os soviéticos criticavam (mais uma vez com razão) o capitalismo pela falta de liberdade que decorre da sua profunda desigualdade (quem é extremamente pobre tem uma liberdade de escolha profundamente menor do que quem é extremamente rico), minavam a sua própria credibilidade quando conseguiam alcançar a proeza de superar o próprio capitalismo no atentado às liberdades fundamentais: a liberdade do voto, a liberdade de expressão, a liberdade de associação, a liberdade de emigração e talvez a mais importante das liberdades, a liberdade da dissidência. Foi assim que milhões de pessoas foram presas, torturadas e mortas pelo socialismo real, simplesmente por terem ousado exercer as mais básicas das liberdades. Quando a esquerda não consegue apresentar uma alternativa mais benigna que o capitalismo, sucede o que sucedeu na Alemanha dividida, em que milhares de alemães de leste arriscavam a própria vida a saltar o muro em direcção à Alemanha Ocidental, quando nenhum alemão ocidental tentava saltar o muro rumo à RDA. E o problema é que estes não só vícios do passado, uma vez que os partidos actuais de esquerda e extrema-esquerda insistem em reproduzir muitas das práticas pouco democráticas do passado. Só quando a esquerda retomar plenamente o projecto de Orwell, ultrapassando em primeiro lugar as suas vulnerabilidades para enfrentar com mais força e autoridade o capitalismo, é que haverá novamente esperança de instituir uma alternativa credível ao capitalismo. O que não mata fortalece.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

We've got a file on you


o departamento de qualidade está a observar-te, fumas demasiado para os nossos padrões, mijas de mais para os nossos padrões, sabem-se coisas, andas ultimamente com um olhar pensativo, faltas aos jantares de natal, chegas atrasado depois do break, não te ris das piadas do supervisor, olhas de vez em quando para as pernas da colega, abusas claramente do teu sentido de humor, envias mails muito pouco consentâneos com a cultura da empresa, a tendência é ainda subtil mas percebe-se que o gráfico da produtividade está ligeiramente em recta descendente, colas macacos no monitor, colas demasiados macacos para os nossos padrões

domingo, 20 de dezembro de 2009

Music is our radar


Podem-nos arrancar os olhos, a boca, o nariz, as mãos, e, ainda assim, encontraremos sempre o que procuramos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O nosso semanário de referência não cede nem um milímetro ao fenómeno de "tabloidização" da imprensa



Notícia publicada no Expresso em 12-12-2009: "O Lado feio de Tiger Woods: Onze mulheres, entre empregadas de bar e actrizes porno, terão tido um caso com o golfista"

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A melhor forma de homenagear o "príncipe do mau gosto" é o mau gosto deste memorial: "Always look on the bright side of life"

"Ele era o príncipe do mau gosto. Ele adorava chocar. De facto, mais do que ninguém que eu conheça, o Gray encorporava e simbolizava tudo o que era mais ofensivo e juvenil nos Monty Python. E o seu prazer em chocar pessoas levava-o a feitos cada vez maiores."

Os verdadeiros aristocratas



Há quem diga que existem três formas de aristocracia: a do sangue, a do dinheiro, a da inteligência. Desprezo as três pelo menosprezo pedante que demonstram para com o resto da humanidade. Contudo, tenho uma sincera admiração pela aristocracia do falhanço. Por mais esforços que os comuns dos mortais façam para os salvar, esta casta demonstra ostensivamente a sua superioridade através da recusa sistemática de qualquer ajuda (por mais sedutora que seja), entregando-se inteiramente à vertigem e volúpia da auto-destruição. Julgo ser a mais elevada e inacessível forma de aristocracia pelo questionamento absoluto que exercem em relação às convenções dominantes do que é uma vida normal e bem sucedida. Pelo glamour da sua decadência, pela nobreza do seu fatalismo e pela poesia do seu abandono, os falhados demonstram inequivocamente ser os únicos e verdadeiros aristocratas do nosso tempo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cúmulo do racismo: a única banda de hip hop que um gajo gosta ser os Beastie Boys

A meritocracia será imoral



A meritocracia é injusta. O mérito de cada um não depende das nossas escolhas mas sim da lotaria de oportunidades que nos coube em vida. O merecimento nunca deve der baseado no acaso. Ninguém merece os genes com que nasce. Ninguém merece os pais com que nasce. Ninguém merece o bairro onde nasce. Há desigualdades de base na distribuição das capacidades das pessoas, que não dependem da nossa vontade e do nosso esforço. Se Einstein tivesse nascido na Musgueira não seria Einstein, apesar de a probabilidade de vir a ser um delinquente extraordinariamente inteligente ser bastante elevada. Se Einstein tivesse nascido num bairro rico em Portugal também não seria Einstein: ninguém merece sequer o país onde nasce. A igualdade de oportunidades é uma mentira. Logo, a distribuição de bens escassos numa dada sociedade (como os salários e o reconhecimento social) não deve ser baseado no mérito (meritocracia) mas sim no esforço de cada um ("esforçocracia"?). Eu sei que os patrões me vão arremessar um qualquer objecto para cima dos meus dentes definitivos, mas considero que se alguém menos produtivo se esforçar até ao seu potencial máximo, deverá receber mais do que um colega mais produtivo que, devido à sua indolência, aplica apenas uma fatia mínima das suas potencialidades. Claro que têm razão, é quase obsceno criticar a meritocracia num país que despreza a cultura de mérito e que a substitui pela cultura de favorecimento, cunha e clientelismo (especialmente no sector público). Proponho então que parem imediatamente a leitura desta posta e que voltem a lê-la só daqui a muitos, muitos anos (séculos?), quando a distribuição do poder na nossa sociedade for baseada essencialmente no mérito de cada um e não nos seus amigos. A meritocracia será imoral.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O bom, o mau e o vilão



Não acreditem no Master Yoda. O Mal é sempre mais forte do que o Bem. Quando o bom vê o Berlusconi todo esmurrado, apesar do bom considerá-lo um fascista-populista-racista-xenófobo-corrupto cuja fonte de poder quase absoluto advém da concentração promíscua quase absoluta de múltiplos poderes na sua mão (além de primeiro ministro, Berlusconi é dono de um império poderoso que inclui meios de comunicação social, clubes de futebol e outras empresas importantes), fica com compaixão do Berlusconi, porque empatiza para com o sofrimento de alguém cujo nariz e dentes foram partidos por um estatueta dura arremessada com força contra a sua cara. O mau é mais forte do que o bom porque os seus interesses nunca são limitados por este tipo de pruridos humanistas. Para o bom vencer o mau, resta-lhe o paradoxo da imitação maquiavélica: tornar-se igual ao mau porque os seus fins nobres justificam os meios mais perversos. Mas é claro que neste processo o bom deixou de o ser. O mal é sempre mais forte.

Encontrei no outro dia o Jerórimo de Sousa a entrar neste estabelecimento com vinte e sete gravatas vermelhas nas mãos