quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Paga, Zé!

Entre todos os assuntos importantes que os nossos excelentes deputados têm entre mãos, há um que tem passado despercebido.
Uma das comissões parlamentares vai discutir a situação da actriz-deputada socialista Inês de Medeiros (é a gira das duas irmãs, não é a outra que entrou no Pulp Fiction e tem cara de ovo).
E a situação é esta:
A senhora deputada tem residência em Paris, coitada. E como é deputada da República, diz que de vez em quando tem que estar no parlamento, nomeadamente quando o PS precisa, nas votações importantes, de todos os deputados presentes.
Ora qual é a solução em cima da mesa? Obviamente, a senhora terá direito a um bilhete de ida e volta, em primeira classe, todas as semanas, entre a fossa de Lisboa e a cidade das luzes. Mais, terá também direito a ajudas de custo de valor superior, para lhe compensar o sacrifício de vir à pátria-mãe dizer umas patacoadas de vez em quando.

Eu, que estou sempre a clamar contra os partidos e os deputados de carreira, sempre defendi que o parlamento devia contar com mais gente diferente, da sociedade civil, e de preferência com uma cultura cívica mais robusta que os pequenos caciques que por lá dominam.
Mas não basta não ser político de carreira para ser bom. Aliás, se há coisa que esta senhora mostrou é que aprende depressa, e já se comporta como uma veterna de São Bento.

Basta ver que aprendeu bem a cartilha, de tal forma que, das suas intervenções, não ressalta nada de diferente do que saíria da boca de qualquer outro deputado. Basta ver que, há dois dias, recusava liminarmente a necessidade de que o caso TVI/Sócrates fosse analisado na assembleia. Já ontem, depois da mudança do ditame oficial do PS, afinal veio dizer que sim, que era boa ideia.

Quanto às viagens...PAGA, ZÉ!!!


Não há nem a puta de uma cadeira de Deontologia nos cursos de comunicação social em Portugal?

Pronto, está bem, admito-o. O Bastard até é capaz de ter um bocadinho de razão. Mas porque raio é que o jornalismo que denuncia os atentados que o governo permanentemente perpetra contra o Estado de Direito tem que ser sempre feito através de práticas contrárias ao Estado de Direito?

Mais coisa menos coisa...

Noiva árabe escondia barba debaixo do véu
Um árabe descobriu que a noiva escondia barba quando a tentou beijar. Ao levantar o véu constatou, ainda, que era vesga.

É mais ou menos a mesma coisa que aconteceu ao Carvalhal quando levantou o véu do Sporting, só não encontrou foi a barba.

Consolidação Orçamental



Considerando que o nosso défice orçamental e a nossa dívida pública atingiram níveis insustentáveis, e que a dependência alimentar do nosso país tem contribuido em muito para esse situação (representando uma fatia muito significativa das nossas importações), os funcionários públicos (cujos salários representam uma parcela também significativa das despesas do Estado), especialmente aqueles que ganham 480€ por mês (uma vez que são mais propensos a um consumo alimentar voraz), deveriam ser proibidos de comprar mais alimentos, sendo obrigados a alimentar-se exclusivamente da comida vomitada pelos investidores na bolsa, que, muito justamente, como forma de compensar o enorme risco que assumem a cada transacção, não pagam qualquer imposto sobre os seus dividendos.

Apesar do taxista "Bastard" não ter razão na nossa controvérsia sobre a divulgação ilegal das escutas, ofereço-lhe esta posta para fazermos as pazes

Para agradar ao fanático do Bastard, poderia oferecer-lhe absolutamente qualquer coisa que tivesse a mínima relação com o Gainsbourg, por mais longínqua que fosse: poderia ser uma foto do seu canário, um cinzeiro usado uma vez pela sua avó, poderia até ser o último rolo de papel higiénico usado por ele. Como prova da minha magnanimidade, ofereço-lhe algo bem melhor: a sua deliciosa filha a cantar, ainda por cima com o Beck como produtor (outro dos fetiches do Bastard). Esta tem sido a minha fraqueza desde pequeno: por mais que as opiniões de alguém sejam turvadas pela emoção (em vez de guiadas pela razão), é impossível para mim zangar-me com alguém com um tão apurado gosto musical.

Uma breve mensagem

Obrigado João Pereira. Eu sabia que podia contar contigo.

PS: CARREGA BENFICA!!!

Há gajos anormais, e depois há isto

Kowalski diz:
temos que fazer uma party
impõe-se

O Homem-Esplanada diz:
uma party?

Kowalski diz:
claro

O Homem-Esplanada diz:
eehehe

Kowalski diz:
é absolutamente essencial

O Homem-Esplanada diz:
eheheheh
e a modos de q?
q se comemora?

Kowalski diz:
o país está à beira de se afundar no atlântico, há que desbundar enquanto resiste
comemora-se o fim da pátria lusitana
vamos todos ganhar guelras e viver na atlântida

O Homem-Esplanada diz:
YUHUUUUUUUUUUUUU!!!!

Kowalski diz:
vai ser espectacular
aquilo das sereias é que é tramado
há que arranjar maneira
só broches é coisa para ficar aborrecida passado algum tempo
tipo 3 anos
mas enfim, tudo se há de arranjar

O Homem-Esplanada diz:
ehehehe

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Disco da Minha Vida XIX

Estamos de volta ao estranho, excitante e angustiante mundo da adolescência.


Não me recordo exactamente o ano em que ouvi o “Angel Dust”, dos Faith no More. Terá sido em 93 ou 94. Mas lembro-me muito bem das circunstâncias.

Foi o meu amigo Zé quem mo mostrou. Nessa altura, pré-pré-pré-internet, a música nova descobria-se na rádio ou lia-se sobre ela no Blitz, que eu já comprava religiosamente. O Zé era, de nós todos, o único que tinha antena parabólica no prédio pelo que, para além do campeonato inglês na Sky Sports, papava horas seguidas de MTV. Foi assim que foi falando de coisas novas e estranhas para mim: Fishbone, Alice in Chains, Green Day e, claro está, Faith no More.

Passávamos horas no seu quarto, a jogar CM e a ouvir música. Ele tinha uma aparelhagem espectacular da Tecnics, que ainda hoje possui, e aquela máquina era, para mim, o melhor e mais cool sistema de som que alguma vez tinha visto.

De início mostrei alguma resistência ao disco. A capa era bizarra, não parecia de uma banda rock. O primeiro single, que já conhecia da rádio, era o “Small Victory”, ainda hoje a música que menos gosto no álbum, e isso afastou-me um bocado.

Mas aquilo ia rodando na aparelhagem, e ia entrando. Às vezes o som agressivo do disco gerava reacções da mãe do Zé, a senhora Eduarda, e isso só nos fazia gostar mais dele. Era estranho, violento, transgressor, variado. Tinha sempre melodia, mas ao mesmo tempo parecia uma coisa apocalíptica. Para além de letras mordazes, irónicas e duras. Era todo um mundo novo, e quando vi pela primeira vez os vídeos, com animais à solta, cenas maradas e aqueles gajos de ar cool e duro a berrar, fiquei apanhado.

O Zé, quando se fartou, emprestou-se o cd. Duas semanas depois estava a devolvê-lo e a estourar a mesada na minha cópia.

É um disco que tem tudo. Hard-rock agressivo, música infantil e demente, funk e hip-hop sempre latentes. Na altura, as minhas músicas preferidas eram a primeira, estranha e apropriadamente chamada “Land of Sunshine”, “Everything’s ruined”, “Kindergarten” e “Be agressive”. Havia também o “Easy”, claro, que ajudou a vender o disco, e é uma bela baladeca. Depois, como sempre acontece com os bons discos, fui deixando as primeiras paixões que andavam “on repeat” e fui ouvindo o resto. Algumas músicas estranhas, maradas, “Crack Hitler” e “Jizzlobber”, por exemplo. E tudo encaixou.

É um disco que, devido à sua qualidade e variedade, não envelheceu um dia. Ainda hoje, como agora, o ouço do princípio ao fim. Hoje em dia gosto de o ouvir no carro, e apetece-me acelerar e arranjar merda, como é suposto acontecer com um bom e velho disco de rock n roll.

Mais tarde comprei outros discos, vi os concertos no Campo Pequeno e no Coliseu. Não fui ao Sudoeste no ano passado, mas dizem-me maravilhas, e eu acredito.

De uma carreira longa e impecável, este “Angel Dust” fica como a obra maior. Para mim são os anos em que, por causa de miúdas ou de outra coisa qualquer, sentia que era eu contra o mundo. E, com estes tipos ao meu lado, a coisa parecia-me ficar um pouco mais equilibrada.

Não consigo dizê-lo de uma forma mais eloquente. Só sei que o Tom Waits é uma gaja ao pé deste gajo e que a Carla Bruni é um gajo ao pé desta gaja.

Gostaria que...



... os meus filhos fossem protegidos da pornografia estética que domina a indústria musical, através da publicação da seguinte advertência: "Parental Advisory: Explicit Lack of Taste".

Teoria da Conspiração



Ninguém me consegue convencer que a extrema pobreza não foi uma invenção premeditamente arquitectada por casais ricos inférteis para poderem facilmente recrutar crianças para adopção a essa reserva permanente de famílias miseráveis.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

E não é que...

...o nosso Idle Consultant voltou à vida. É verdade, está demasiado ocupado para trabalhar aqui no tasco, mas lá conseguiu escarrar qualquer coisita no Homens-Esplanada, o primo realmente beberolas do Vodka Atónito.

Façam o favor de confirmar o brilhantismo do costume.

2010

"Everywhere we hang onto the walls of the world, and in the darkest part of the hangover, I think of two friends who advise me on various methods of suicide. What better proof of loving camaraderie? one of my friends has razor scars running all along his left arm. the other jams pills by the bucketloads into a mass of black beard. they both write poetry. there is something about writing poetry that brings a man close to the cliff's edge. probably, though, all three of us will live into our nineties. can you imagine the world in 2010 a.d.? of course, the way it will look will depend a lot on what is done with the Bomb. I suppose men will still eat eggs for breakfast, have sex problems. write poetry. commit suicide".

Charles Bukowski, "Notes of a dirty old man".

Algo bastante grave...

...é eu ter 31 anos e, na verdade, não saber bem a diferença entre vinho verde e vinho branco.

Por outro lado, não percebo a ponta de um corno de castas, douros ou bairradas.

Gosto muito de vinho, não vou à bola com licores, visque é cada vez mais um preferido e as aguardentes continuam a ser irresistíveis.

Ah, e bebidas brancas no Tokyo são ressaca garantida.

Basicamente, toda a sabedoria acumulada ao longo de 17 anos esgota-se nas linhas acima.

De qualquer das formas, presumo que para um alcoólico haja alguma vantagem em não ser selectivo.

Old Soul Music

Alguém me consegue explicar a razão pela qual, num momento em que saem 50 mil discos por mês e o Y bate píveas descontroladas com merdas como Beach House, eu continuo a ouvir convictamente Eels de 96 e Neu! de 75?

Uma pequena pergunta inocente



Se Portugal tem 70% da produtividade média da União Europeia, mas só 50% do seu salário médio, quem é que será que se apropria dessa diferença?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Guerra Santa



Não é que eu ache que haja algo de intrinsecamente fundamentalista e violento nas religiões, mas sempre achei um pouco suspeito nunca se ter ouvido falar de quaisquer sinais de ódio e de intolerância no relacionamento entre ateus e agnósticos.

Prémio "Sentido de Oportunidade" 2001: lançar em pleno 11 de Setembro um álbum com a letra: "New York City Cops, they ain't too smart"

Como raio se ensina o conceito de tabu do incesto a uma criança de 3 anos?



- Pai, sabes quem é o meu namorado?
- Quem?
- O mano.
- Mas os irmãos não podem ser namorados.
- Podem, podem. Se quiserem, podem. Só se não quiserem é que não podem. E eu quero.

What's the time, Mr. Socrates?

Well, well, well.

A última edição do jornal Sol lançou finamente uma das bombas que andava para aí a rondar (há mais e é uma questão de tempo até saírem).

Na prática, e tendo por base as escutas a alguns arguidos do Face Oculta (nomeadamente Paulo Penedos e Armando Vara) ficaram a conhecer-se os contornos do plano de Sócrates para tomar conta da comunicação social portuguesa, afastando as vozes incómodas.

É uma teia extensa e complexa, mas que funciona de forma simples. Do lado económico, há o apoio do BCP (com Armando Vara na vice-presidência), da PT (controlada de forma directa pelo Estado apesar de este ter apenas uma golden-share), do BES (que está sempre bem com o Governo e tem entre os seus quadros um tal de Manuel Pinho); depois, comunicação social "amiga": toda a Controlinveste (DN, JN, TSF, etc) e a Ongoing (Diário Económico e posições relevantes na Impresa e na Media Capital).

Depois os incómodos: a TVI (sobretudo Moniz e sua esposa), o Público e o Correio da Manhã.

O problema destas escutas é que mostram tudo da forma mais transparente e crua possível. Os grandes pivôs são Paulo Penedos (arguido do Face Oculta e boy do PS) e Rui Pedro Soares. Este último é um menino de 32 anos, administrador da PT por indicação do accionista BES (concertado com Sócrates). Este menino, vindo do viveiro da JS e com um currículo medíocre até entrar na PT, ganha qualquer coisa como 2,5 milhões de euros por ano. Do seu percurso anterior, uma passagem pelo gabinete de marketing de Sócrates e a montagem e coordenação do site que lançou a candidatura do nosso PM. As conversas escabrosas entre Rui Pedro Soares e Paulo Penedos são riquíssimas; gosto particularmente quando o primeiro pede ao segundo que aceda ao seu computador e lhe dá, pelo telefone, a password: Socrates2009.

Confesso que, destas escutas, nada me surpreende. Sei há muito, por experiência própria, que tudo isto é verdade. Que estes boys são os operacionais de um polvo controlado directamente por Sócrates. Em determinada altura, um deles diz mesmo que a compra da Prisa tem mesmo de ser pela PT e não de forma encapotada. Isto porque "o chefinho diz que tem que ser mesmo a PT". Isto apesar de ter mentido no parlamento, ao dizer que não sabia de nada. Não só sabia com tinha sido ele mesmo a mandar.

Sócrates vai cair. Tem de cair. Em qualquer país civilizado, isso já teria acontecido há muito. É uma questão de tempo, e acredito que isto não vai durar muito. É claro para mim que o governo vai cair nas mãos dessa nulidade chamada Pedro Passos Coelho, mas nesta fase nem isso me preocupa. Isto foi longe de mais. Isto não é a Venezuela. Já chega.

PS: gosto muito de ver os caceteiros de serviço do PS a taparem o sol com a peneira. Lellos, Santos Silvas e afins. O problema são as escutas, a violação do segredo de justiça. O próprio Sócrates clama contra o "jornalismo de buraco de fechadura", não se pronunciando nunca sobre o fundamental do que toda a gente já sabe. É um corruptor, que atenta contra a liberadade de imprensa. E que se serve das suas profundas ligações ao poder económico para o fazer. Todo o seu exército de boys começa a ser desmascarado.
Que isto não passe despercebido como tantos escândalos recentes. Que a nossa falta de crença e a nossa já crónica desilusão não nos faça tomar tudo isto como "mais uma".
É altura de acabar com a palhaçada.