sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carta aberta a Funafunanga, o nosso atónito monárquico



Caro Funafunanga,

Sendo eu viciado em tubos de cola e querelas intelectuais, e tendo cometido o erro de me auto-censurar em relação à pancadaria ideológica com o Bastard, vejo-me obrigado a recorrer a uma metadona conceptual de substituição, discutindo a monarquia contigo.

Por mais que um monárquico moderno se distancie do absolutismo, defendendo uma monarquia liberal e constitucional (como tu defendes), há 4 características intrinsecamente anti-democráticas em qualquer forma de monarquia:

1- Contrariamente à República, o Chefe de Estado não é escolhido democraticamente pelo povo, mas sim imposto por descendência da família real.

2- Numa República qualquer pessoa pode candidatar-se à Chefia do Estado. Numa monarquia só um membro da família real poderá ascender à Chefia do Estado. É violado o princípio da igualdade, sendo um resquício anacrónico e inaceitável das sociedades de castas que existiam antes da Revolução Francesa.

3- Numa República o poder do Chefe de Estado é transitório. Numa monarquia, uma só família (a família real) procura eternizar-se no poder, de geração em geração. Uma das consequências deste ponto é que se um presidente for mau, há uma forma simples e não violenta de correr com ele: basta não votar nele nas eleições seguintes. Se um rei for mau, não há nenhuma forma não violenta de nos livrarmos dele (e da sua descendência).

4- Os monárquicos tendem a usar bigodes de monárquicos.

Com os melhores cumprimentos republicanos,

o homem do estupefacto amarelo

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Armistício



O Bastard não gosta do Sócrates, eu também não. Eu não gosto do PS, o Bastard também não. O Bastard é de esquerda, eu também. Para mim, a liberdade de imprensa é um valor fundamental, para o Bastard também. O Bastard despreza o clientelismo endémico do PS e do PSD, eu também. Eu desprezo a mentira e o populismo na política, o Bastard também. Divergimos, contudo, na nossa opinião sobre as relações que devem existir entre Justiça, Política e os Media. É isso razão suficiente para andarmos sempre às turras neste tasco? Claro que não. Estando cansado desta guerra entre irmãos, declaro publicamente que não irei mais criticar o Bastard neste tasco em relação a esta polémica, nem responder às suas eventuais novas críticas. Perdoem-me a minha falta de carácter, mas num dilema entre a amizade e a liberdade de expressão, escolho sempre os inglorious bastards dos meus amigos.

Entre a Alegria e a Nobreza



Estava aqui o amarelo já sem angústia eleitoral nenhuma, convencidíssimo do seu voto no pomposo Alegre, quando vem esse patifório do Fernando Nobre apresentar a sua candidatura presidencial. Fico baralhado. Com certeza que fico baralhado. Aqui vai então a minha estupefacta opinião. Em primeiro lugar, considero que esta candidatura serve sobretudo para dividir a esquerda. A direita agradece. Em segundo lugar, tudo indica que há aqui a mão singela do Soares: para o pai da nossa democracia, mais uma punhaladazinha nas costas do seu antigo amigo é muito mais importante do que evitar a reeleição do candidato da direita. Posto isto, não há nada a fazer: a candidatura já está lançada e é preciso tomar decisões. No meu dilema entre o Nobre e o Alegre, pesam 3 critérios: personalidade, cálculo político e simbologia política. No primeiro critério, o Nobre ganha destacadíssimo: tenho muito mais admiração pelo humanismo e carácter do fundador do AMI do que pela gabarolice inconsequente do Alegre. No segundo critério, preciso de sondagens, mas aparentemente parece que o Alegre tem melhores condições para vencer a direita do que o Nobre. No terceiro critério, inclino-me mais para o Alegre, por ele simbolizar a possibilidade de toda a esquerda se unir à volta de um projecto comum. Ainda a procissão das presidenciais vai no adro e já tenho uma certeza: detesto fazer escolhas difíceis.

Novilíngua



O Bastard tem razão. Os meios de comunicação social nunca erram, nunca são tendenciosos e nunca cometem ilegalidades: apenas "enquadram jornalisticamente".

A amizade serve-se num prato frio

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Descubra as Diferenças

O efeito Sporting

O nosso amigo Amarelo é como o Sporting. É repetidamente goleado, às vezes em casa, depois perde 2-1 com uma equipa que levou 7 do Benfica e ainda canta vitória.

Esse ser Amarelo é uma espécie de Santos Silva de barba (muito bem lembrado, caro Papousse), um Pacheco Pereira que clama contra a televisão enquanto admira a sua pureza no espelho, um pequeno burocrata obcecado com o respeitinho e com as regrazinhas.

Visto que, mesmo após se ter espalhado repetidamente ao comprido, insiste na sua senda anti-comunicação social, vendo nesta a responsável por todos os males deste mundo, cá vou eu cansar-me mais um pouco. Tal como o Benfica na casa de banho, metade da equipa é suplentes, mas bacalhau basta.

Primeiro, faz uma posta irrelevante, em que gasta as suas preciosas pontinhas do dedos, para na última frase chegar, finalmente, ao que lhe interessa: quem vigia os abusos dos jornalistas? Sim, esses talibans de laptop, esses perigosos meliantes, que vigia os seus abusos? Os seus perigosos abusos, que tanto mal têm feito à nossa sociedade? Quem vai compensar cidadãos exemplares como José Sócrates, Armando Vara, Paulo Penedos ou Rui Pedro Soares? Como vão esses cidadãos exemplares, como todos nós, que trabalham duramente pela vida, impolutos, que não subiram na vida à custa de roubar o NOSSO dinheiro e o NOSSO esforço? Isto é gravíssimo, de facto.

Depois, causou-lhe uma profunda comichão (no traseiro? no mindinho? no cerebelo? não sabemos) o facto de, com um criminoso título, o Expresso dizer que  "Polémicas envolvendo Sócrates ainda não beliscam a sua popularidade". Ele diz que cita de memória, e talvez a sua memória amarela já não seja o que era dantes. O problema é que o título, diz ele, é opinativo, porque sugere (ou até afirma!, meu deus!) que o jornalista espera que venha a afectar. Espera ele, espero eu e espera toda a gente que não escolheu desligar o cérebro, parece-me evidente. Isto não é opinar, é editorializar. É enquadrar JORNALISTICAMENTE. A percepção clínica, de um jornalista de bata, que não bebe, não fode e não respira, não existe em lado nenhum no mundo. Esse jornalismo por que o Amarelo tanto anseia existe na forma de um diário: chama-se Diário da República, é feito de factos, e não nos diz grande coisa.
O que não preocupa o Amarelo, e devia preocupar, não é os que editorializam. É os que amocham, fazem o jogo oficial, dão a bela da inauguração da escola primária que só abre 10 dias depois, porque ainda não estava pronta a tempo de eleições.
Está preocupado com as regras. Claro. Não dá valor ao facto de, graças ao suor e ao trabalho desses perigosos talibans, os jornalistas, nós todos sabermos que o nosso PM é um corruptor desavergonhado.

Depois volta às regras e à justiça, que claramente tem funcionado muito bem. Diz ele, na sua santa inocência, que "o respeito pelas formas e procedimentos de um processo jurídico (iguais para todos, previsíveis, constantes, objectivos e não arbitrários) são a única maneira possível de garantir aos arguidos o direito de defesa, o direito de contraditório e a presunção da sua inocência em relação aos conteúdos da acusação".

"Iguais para todos"?!

"Não arbitrários"?!

De facto, o Chapeleiro Louco ao pé deste Amarelo não passa de um muito são fabricante de bonés sem pala.

Para os ricos e poderosos (sobretudo políticos), o segredo de justiça não existe. Sabem sempre de tudo. A violação do segredo de justiça limita-se a dar a todos o acesso à mesma informação, que até aqui tem sido exclusiva de uns poucos (e dos mais perigosos, ainda por cima). É por isso que vem dos poderosos todo o barulho acerca do segredo de justiça.

E mais uma vez noto que esse pequeno Amarelo, numa série de 20 postas e 500 comentários, dedicou três linhas a dizer que bem, talvez o Sócrates não tenha sido muito correcto.

Isto sim é tapar o sol com a peneira.

Et tu, Vieira?

Isto está a ficar engraçado e melhor


The strange case of Dr. Jekyl and Dr. Jekyl



Sem o respeito pela forma, não há qualquer garantia sobre a validade do conteúdo



O Estado de Direito (com a sua justiça formal) é o pior de todos os Estados com excepção de todos os outros. A justiça formal permite que os culpados sejam sempre condenados? Evidentemente que não, mas o respeito pelas formas e procedimentos de um processo jurídico (iguais para todos, previsíveis, constantes, objectivos e não arbitrários) são a única maneira possível de garantir aos arguidos o direito de defesa, o direito de contraditório e a presunção da sua inocência em relação aos conteúdos da acusação. Substituir a justiça formal pela arbitrariedade da pseudo-justiça mediática é um gigantesco retrocesso civilizacional.

Nem os insectos gostam de nós



Se há insectos esquisitíssimos por todo o lado que comem as coisas mais estranhíssimas como madeira, roupa ou papel, porque é que não há uma única espécie de insecto em todo o planeta que goste de comer défices orçamentais e dívidas públicas?

Objectivamente subjectivos



No Expresso desta semana, na apresentação das sondagens sobre as preferências eleitorais, é colocado o seguinte título (que cito de memória): "Polémicas envolvendo Sócrates ainda não beliscam a sua popularidade". Este título não se limita a descrever os factos relativos às últimas sondagens, porque a subtileza da palavra "ainda" confere à notícia o seguinte juízo de valor implícito: as sondagens não reflectem os recentes escândalos envolvendo o Sócrates, mas deveriam reflecti-lo e estou certo que mais tarde reflectirão". Os jornalistas que escreveram esta notícia sabem melhor do que ninguém que a sua função enquanto jornalista não é opinar e emitir juízos de valor (essa é a função do leitor ou do opinion maker) mas sim simplesmente descrever os factos. Porque é que será que fingem não sabê-lo?

Quem vigia os vigilantes?



Os polícias vigiam os abusos dos criminosos. E quem vigia os abusos dos polícias?

As Agências de Rating vigiam o risco (financeiro) das empresas e Estados. E quem vigia o risco de promiscuidade de interesses das Agências de Rating?

Os jornalistas vigiam os abusos do Poder. E quem vigia os abusos dos jornalistas?

Portuguêsmente

O que é bom num fim-de-semana prolongado de Carnaval não são os quatro dias insuportáveis de chuva e shopping centers, mas sim a subsequente micro-semana de trabalho de 3 dias que passa no instante para nos metermos rapidamente outra vez num fim-de-semana insuportável de chuva e shopping centers.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Omo lava mais branco

E pronto, o Polvo contra-ataca.

Nos últimos dias, todo o Estado -Maior socialista saiu em defesa do corrupto-mor do reino.
À frente de todos eles o velho Soares, que mais uma vez desvaloriza o conteúdo da corrupção e valoriza a forma. É a estratégia oficial escolhida, e todos a seguem à risca.

Os jornais são estranhamente inundados de crónicas e artigos de opinião que passam todos, exclusivamente, por branquear a actuação do ainda primeiro-ministro de Portugal.

Começa amanhã uma comissão de inquérito no parlamento, para discutir a liberdade de imprensa em Portugal. Dali não vai sair nada, a não ser escandaleira televisiva. Os queixosos vão repetir as queixas, das quais não têm provas, e os supostos especialistas vão dizer que está tudo normal. Estou particularmente ansioso pelo depoimento de alguns directores de jornal que estão no bolso do Sócrates. Pior do que o que corrompe é aquele que, como é o caso, não precisa sequer de ser pressionado para fazer o trabalho sujo. Faz de moto próprio, oferece-se de perna aberta, na esperança de receber benesses. E alguns desses serão ouvidos no parlamento.

No meio de tudo isto, há um silêncio que começa a ser ensurdecedor.
O de Manuel Alegre. O "a mim ninguém me cala", o "Senhor liberdades de Abril", o "Senhor anti-censura". Estará a preparar um dos seus belos poemas?

Missão duvidosamente cumprida

"Dei à minha filha o nome de Nuna Rosa, porque queria que fosse um nome original e ao mesmo tempo feminino" - Solange F.

É Carvalhal, ninguém leva a mal

Um ponto prévio: o Carnaval deixa de ter piada aos 13 anos. A partir daí, há algo de seriamente errado contigo. Um latagão vestido de Zorro ou de bombeiro já faz levantar o sobrolho de gente séria e a pila aos homosexuais/pedófilos (riscar o que não interessa).

O Carnaval à tuga é, de facto, uma coisa estranhíssima. Estão menos 3 e neva, mas em Viseu há um tal de corso com meninas roliças meio despidas dançando ao som do samba. Mas enfim, gajas são gajas, e quem não gosta não come.
Mas depois há os gajos, e isso é um campeonato à parte. Basicamente, não há terra parola em Portugal que não tenha o seu belo Carnaval, e normalmente mete gajos vestidos de gaja. E isto, lamento dizê-lo aos nossos leitores transformistas, é um bocado bizarro.

Atenção, isto é o Vodka Atónito, e como tal aplaudimos de forma veemente qualquer cerimónia que tenha como objectivo beber até cair. Mas isto do Carnaval lembra-me um bocado as tunas: passam tanto tempo a cantar sobre beber que, quando levam o copo à boca, já eu despejei três garrafas de palheto.

Não é necessário entrar numa de traveca em part-time. Graças a Deus e à hipocrisia da sociedade, em cada esquina há um supermercado, a abarrotar de bebida.

Beber é uma coisa séria. Tratem-no com o respeito que merece.

Em defesa de Rangel



Muitas das críticas apontadas a Paulo Rangel são injustas porque omitem um facto importantíssimo, conhecido por poucos: o seu estado líquido. Devido a esta sua propriedade física, Rangel não tem uma forma constante, ajustando-se à forma do recipiente em que é colocado. Desta forma, não existe qualquer contradição entre o seu discurso há uns meses (quando se recusava terminantemente a violar o compromisso que fizera com os seus eleitores de cumprir até ao fim o seu mandato no Parlamento Europeu) e o actual discurso em que assume essa possibilidade para se candidatar à liderança do PSD: como líquido que é, Rangel limitou-se simplesmente a obedecer à tendência natural do seu estado físico, acomodando-se à forma de duas circunstâncias políticas diferentes. Consta até que Paulo Rangel é tão líquido, tão líquido, que quando toma banho escorre pelo ralo da banheira abaixo primeiro do que a água do banho.

Conheci...



... uma vez uma tipa tão optimista, tão optimista, que no dia em que teve de amputar as pernas pensou: não faz mal, ao menos já não tenho de fazer a depilação.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Entre os meus filhos e a vida não existem mal-entendidos



1.

- Pai, sabes como eu gostava de ser?
- Diz, filho.
- Gostava de ser como sou.

2. Enquanto descíamos a Rua da Escola Politécnica, a minha filha disse, sou a mais bonita desta rua, por isso, quem manda nesta rua sou eu.

Descubra as 7 diferenças


Essa (malandrice) de Queirós: a sua pátria é também a sua língua



Num artigo da Y desta semana sobre o sexo e a literatura portuguesa, vem a seguinte citação do "Primo Basílio" do Eça:

"Basílio achava-a irresistível ; quem diria que uma burguesinha podia ter tanto chique, tanta queda? Ajoelhou-se, tomou-lhe os pezinhos entre as mãos, beijou-lhos; depois, dizendo muito mal das ligas "tão feias, com fechos de metal", beijou-lhe respeitosamente os joelhos; e então faz-lhe baixinho um pedido. Ela corou, sorriu, dizia: "não! não!" E quando saíu do seu delírio tapou o rosto com as mãos, toda escarlate; murmurou repreensivamente:
- Oh, Basílio!
Ele torcia o bigode, muito satisfeito. Ensinara-lhe uma sensação nova; tinha-a na mão!"

Tenho a certeza de que se houvesse um maior cuidado na escolha dos clássicos da literatura a constar nos currículos escolares obrigatórios, haveria certamente muito mais portugueses interessados pela leitura.

Sócrates volta a atacar

Edição portuguesa da FHM vai acabar

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Não sei se alguma vez vos disse isso mas não gosto lá muito do Facebook



Make blogs not friendships.

52 segundos de Them Crooked Vultures só para vos abrir o apetite

É verdade que o próprio conceito de super-banda é idiota e pretensioso: bora juntar vários gajos muita bons vindos de várias bandas muitas boas para formar a melhor banda do mundo. É evidente que esta visão infantil da pop dá quase sempre em merda, já que o todo é quase sempre menor que a soma das partes. Os exemplos de super-bandas falhadas são inúmeros, mas vou-vos dar apenas três exemplos: juntas gajos porreiros dos Soundgarden e dos Rage Agains the Machine numa super-banda, dá a super-merda dos Audio-Slave; juntas gajos dos Stone Temple Pilots com gajos dos Guns numa só hiper-mega-banda dá a hiper-mega-merda dos Velver Revolver; juntas malta dos Nine Inch Nails com malta dos Smashing Pumpkins na suposta melhor banda do mundo, dá origem aos tenebrosos "A Perfect Circle". No entanto, como não podia deixar de ser, todas as regras têm a sua excepção: se juntarmos o lendário baixista dos Led Zeppelin, John Paul Jones, com o Dave Grohl (ex-Nirvana) e o Josh Homme dos Queens of the Stone Age numa só banda, damos origem ao excelente power trio dos Them Crooked Vultures. É claro que o álbum não atinge o génio de um Led Zeppelin II ou de um Nevermind. Mas também não é justo compararmos o álbum com essas duas gigantescas obras primas. Pode-se dizer, talvez sem exagero, que o álbum não se deve envergonhar muito da comparação com qualquer álbum dos QOTSA (e são todos muito bons), muito também pelo facto da personalidade do Josh Homme nitidamente dominar o trio. Mas sabe bem ouvir as piscadelas de olho revivalistas que o álbum lança a bandas vintage como os Led Zepp e os Cream, muito provavelmente por influência do ex-baixista da melhor banda rock and roll de todos os tempos. Ramble on.

Este ano...



... vou mascarar-me de uma pessoa não sexista, não batendo uma única vez na minha mulher durante todo o Carnaval.

O que o Bastard não disse mas poderia ter dito



O semanário "Sol" divulga hoje escutas ilegais de conversas ao telemóvel entre José Sócrates e um aparatchik da juventude socialista com um nome bizarro, que demonstram inequivocamente o maquiavélico plano do primeiro ministro para controlar o inconveniente "Vodka Atónito" (blog marcadamente incómodo para o primeiro ministro, com um impacto mediático cada vez mais crescente, estando já muito perto das 200 mil visualizações), através da infiltração no mesmo do cão de fila socialista: "o homem do estupefacto amarelo".

Hoje nas bancas


Quanto a ti, Amarelo, podes sempre ler o Borda D'Água.

Descubra as diferenças

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O espírito do tempo



Um faquir encontra o seu filho adolescente em flagrante a ser sodomizado pelo seu melhor amigo e diz-lhe: "Não reconheço em ti o filho que criei. Eu sou faquir tal como o teu avô o era, e tal como o teu bisavô antes dele também o era. Durante gerações e gerações sempre seguimos esta nobre tradição dos nossos antepassados, e agora vejo-te deitado num colchão. Num repugnante e repulsivo colchão. Gerei um monstro."

Deve haver alguma razão para isso mas não sei exactamente qual



Até hoje nunca nenhum dos aparatchiks que se cruzaram comigo conhecia o significado da palavra "aparatchik".

Para quando a puta de um jornalismo de investigação sério, isento e desinteressado em Portugal?



Antes que o velho e rezingão do "Bastard" morra de um ataque de coração, venho por este meio retratar-me, reconhecendo publicamente que existem de facto indícios fortíssimos de que Sócrates tem andado a arquitectar um "vergonhoso plano para controlar a comunicação social e limitar a liberdade de imprensa", já para não falar de "ter mentido descaradamente". Apesar de tudo, continuo a chamar a atenção para a notória falta de autoridade moral dos meios de comunicação social que o denunciam. Vejamos alguns exemplos. Comecemos pela Manuela Moura Guedes e o seu defunto "Jornal de Sexta". Sobre este caso, nem há muito a argumentar, porque a falta de objectividade é de tal forma gritante e o sensacionalismo de tal forma obsceno, que nenhuma pessoa séria poderá qualificar essa aberração mediática de jornalismo. Continuemos pelo ex-director do Público, José Manuel Fernandes. É imoral compará-lo com o apêndice infectado do José Eduardo Moniz, porque, mesmo no seu reinado, o jornal "Público" foi o único a não ceder um milímetro ao sensacionalismo (não se podendo dizer o mesmo de supostos jornais de referência como o "Expresso", muito menos do "Correio da Manhã- Parte II) em que se transformou o DN). No entanto, no que diz respeito à cruzada cega e facciosa que o ex-director montou contra o Sócrates, sofria da mesmíssima falta de objectividade jornalística que a sua congénere televisiva. Continuemos pelo senhor Mário Crespo. Admiro muito o profissionalismo deste velho senhor da televisão, mas caramba, fazer notícias a partir de escutas de conversas privadas em restaurantes, ainda por cima supostamente ouvidas por terceiras pessoas, e ainda para mais sem garantir qualquer contraditório, viola ao mesmo tempo tantas e tão elementares regras deontológicas do jornalismo, que me escuso a fazer mais quaisquer comentários. Terminemos então no Jornal Sol, no seu director, José António Saraiva, e na polémica da divulgação ilegal de escutas telefónicas mandadas destruir pelo Supremo Tribunal de Justiça. Para mim, repugna-me essa cumplicidade obscena que existe entre operadores de justiça e jornalistas, onde, na maior impunidade, se viola permanentemente a lei e o segredo de justiça, com o mesquinho propósito de vender mais uns quantos jornais e de servir agendas políticas secretas e obscuras. Agora, tenho que dar o braço a torcer ao Bastard, reconhecendo como muito suspeito o facto de dos quatro exemplos que citei, três deles terem misteriosamente perdido espaço mediático (Jornal de sexta suprimido, José Manuel Fernandes afastado da direcção do "Público" e Mário Crespo afastado do "Jornal de Notícias"). Mas, caralho: para quando a puta de um jornalismo de investigação sério, isento e desinteressado em Portugal?

O Óbito

Rangel promete "libertar o futuro"



Paulo Rangel anúncia candidatura à liderança(???) do PSD e regressa à Terra Média.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tão amigos que eles são

Ontem, no parlamento, presenciámos um momento de tal forma enternecedor que me levou às lágrimas. E ao vómito, mas isso agora não interessa.

Ora foi quando se falava daquela coisa sobre a qual não podemos falar porque uns tipos decidiram branquear o Sócrates e decidiram arquivar.

Passo a citar a notícia:

"Num outro momento do debate, o líder bloquista Francisco Louçã colocou-se ao lado de Sócrates ao condenar a divulgação de escutas e ao criticar as declarações do eurodeputado do PSD Paulo Rangel, que afirmou em Bruxelas estar em causa o Estado de Direito em Portugal

«Recusamos transformar a justiça num comissariado político», afirmou Louçã. «Sabemos que há gente que quer conhecer as escutas. O Bloco repete: as escutas ou servem à justiça ou não servem a ninguém», declarou, defendendo no entanto a necessidade de uma comissão de inquérito sobre o tema trazido a público pelo SOL.
Sócrates agradeceu a intervenção de Louçã: «Registo aquilo que disse sobre a matéria da justiça. É o primeiro líder político, depois de mim, a sublinhá-lo. Lamento que ninguém em Portugal tenha dito o que o senhor e eu dissemos».

Foi enternecedor ver aquela demonstração de compreensão por parte de Louçã. Também gostei muito de ver o Rosas a falar, com a sua bela Lacoste. Felizmente não consegui ouvir nada do que ele estava a dizer.

Mas Sócrates enganou-se. Não foi só Louçã a única pessoa a atacar o aspecto formal da matéria, e a impedir-se de pensar no fundamental.

Também neste blog há pelo menos um adepto dessa espécie de fora de jogo mental. Quando sobe a bandeirinha....toca a desligar o cérebro.

Paga, Zé!

Entre todos os assuntos importantes que os nossos excelentes deputados têm entre mãos, há um que tem passado despercebido.
Uma das comissões parlamentares vai discutir a situação da actriz-deputada socialista Inês de Medeiros (é a gira das duas irmãs, não é a outra que entrou no Pulp Fiction e tem cara de ovo).
E a situação é esta:
A senhora deputada tem residência em Paris, coitada. E como é deputada da República, diz que de vez em quando tem que estar no parlamento, nomeadamente quando o PS precisa, nas votações importantes, de todos os deputados presentes.
Ora qual é a solução em cima da mesa? Obviamente, a senhora terá direito a um bilhete de ida e volta, em primeira classe, todas as semanas, entre a fossa de Lisboa e a cidade das luzes. Mais, terá também direito a ajudas de custo de valor superior, para lhe compensar o sacrifício de vir à pátria-mãe dizer umas patacoadas de vez em quando.

Eu, que estou sempre a clamar contra os partidos e os deputados de carreira, sempre defendi que o parlamento devia contar com mais gente diferente, da sociedade civil, e de preferência com uma cultura cívica mais robusta que os pequenos caciques que por lá dominam.
Mas não basta não ser político de carreira para ser bom. Aliás, se há coisa que esta senhora mostrou é que aprende depressa, e já se comporta como uma veterna de São Bento.

Basta ver que aprendeu bem a cartilha, de tal forma que, das suas intervenções, não ressalta nada de diferente do que saíria da boca de qualquer outro deputado. Basta ver que, há dois dias, recusava liminarmente a necessidade de que o caso TVI/Sócrates fosse analisado na assembleia. Já ontem, depois da mudança do ditame oficial do PS, afinal veio dizer que sim, que era boa ideia.

Quanto às viagens...PAGA, ZÉ!!!


Não há nem a puta de uma cadeira de Deontologia nos cursos de comunicação social em Portugal?

Pronto, está bem, admito-o. O Bastard até é capaz de ter um bocadinho de razão. Mas porque raio é que o jornalismo que denuncia os atentados que o governo permanentemente perpetra contra o Estado de Direito tem que ser sempre feito através de práticas contrárias ao Estado de Direito?

Mais coisa menos coisa...

Noiva árabe escondia barba debaixo do véu
Um árabe descobriu que a noiva escondia barba quando a tentou beijar. Ao levantar o véu constatou, ainda, que era vesga.

É mais ou menos a mesma coisa que aconteceu ao Carvalhal quando levantou o véu do Sporting, só não encontrou foi a barba.

Consolidação Orçamental



Considerando que o nosso défice orçamental e a nossa dívida pública atingiram níveis insustentáveis, e que a dependência alimentar do nosso país tem contribuido em muito para esse situação (representando uma fatia muito significativa das nossas importações), os funcionários públicos (cujos salários representam uma parcela também significativa das despesas do Estado), especialmente aqueles que ganham 480€ por mês (uma vez que são mais propensos a um consumo alimentar voraz), deveriam ser proibidos de comprar mais alimentos, sendo obrigados a alimentar-se exclusivamente da comida vomitada pelos investidores na bolsa, que, muito justamente, como forma de compensar o enorme risco que assumem a cada transacção, não pagam qualquer imposto sobre os seus dividendos.

Apesar do taxista "Bastard" não ter razão na nossa controvérsia sobre a divulgação ilegal das escutas, ofereço-lhe esta posta para fazermos as pazes

Para agradar ao fanático do Bastard, poderia oferecer-lhe absolutamente qualquer coisa que tivesse a mínima relação com o Gainsbourg, por mais longínqua que fosse: poderia ser uma foto do seu canário, um cinzeiro usado uma vez pela sua avó, poderia até ser o último rolo de papel higiénico usado por ele. Como prova da minha magnanimidade, ofereço-lhe algo bem melhor: a sua deliciosa filha a cantar, ainda por cima com o Beck como produtor (outro dos fetiches do Bastard). Esta tem sido a minha fraqueza desde pequeno: por mais que as opiniões de alguém sejam turvadas pela emoção (em vez de guiadas pela razão), é impossível para mim zangar-me com alguém com um tão apurado gosto musical.

Uma breve mensagem

Obrigado João Pereira. Eu sabia que podia contar contigo.

PS: CARREGA BENFICA!!!

Há gajos anormais, e depois há isto

Kowalski diz:
temos que fazer uma party
impõe-se

O Homem-Esplanada diz:
uma party?

Kowalski diz:
claro

O Homem-Esplanada diz:
eehehe

Kowalski diz:
é absolutamente essencial

O Homem-Esplanada diz:
eheheheh
e a modos de q?
q se comemora?

Kowalski diz:
o país está à beira de se afundar no atlântico, há que desbundar enquanto resiste
comemora-se o fim da pátria lusitana
vamos todos ganhar guelras e viver na atlântida

O Homem-Esplanada diz:
YUHUUUUUUUUUUUUU!!!!

Kowalski diz:
vai ser espectacular
aquilo das sereias é que é tramado
há que arranjar maneira
só broches é coisa para ficar aborrecida passado algum tempo
tipo 3 anos
mas enfim, tudo se há de arranjar

O Homem-Esplanada diz:
ehehehe

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Disco da Minha Vida XIX

Estamos de volta ao estranho, excitante e angustiante mundo da adolescência.


Não me recordo exactamente o ano em que ouvi o “Angel Dust”, dos Faith no More. Terá sido em 93 ou 94. Mas lembro-me muito bem das circunstâncias.

Foi o meu amigo Zé quem mo mostrou. Nessa altura, pré-pré-pré-internet, a música nova descobria-se na rádio ou lia-se sobre ela no Blitz, que eu já comprava religiosamente. O Zé era, de nós todos, o único que tinha antena parabólica no prédio pelo que, para além do campeonato inglês na Sky Sports, papava horas seguidas de MTV. Foi assim que foi falando de coisas novas e estranhas para mim: Fishbone, Alice in Chains, Green Day e, claro está, Faith no More.

Passávamos horas no seu quarto, a jogar CM e a ouvir música. Ele tinha uma aparelhagem espectacular da Tecnics, que ainda hoje possui, e aquela máquina era, para mim, o melhor e mais cool sistema de som que alguma vez tinha visto.

De início mostrei alguma resistência ao disco. A capa era bizarra, não parecia de uma banda rock. O primeiro single, que já conhecia da rádio, era o “Small Victory”, ainda hoje a música que menos gosto no álbum, e isso afastou-me um bocado.

Mas aquilo ia rodando na aparelhagem, e ia entrando. Às vezes o som agressivo do disco gerava reacções da mãe do Zé, a senhora Eduarda, e isso só nos fazia gostar mais dele. Era estranho, violento, transgressor, variado. Tinha sempre melodia, mas ao mesmo tempo parecia uma coisa apocalíptica. Para além de letras mordazes, irónicas e duras. Era todo um mundo novo, e quando vi pela primeira vez os vídeos, com animais à solta, cenas maradas e aqueles gajos de ar cool e duro a berrar, fiquei apanhado.

O Zé, quando se fartou, emprestou-se o cd. Duas semanas depois estava a devolvê-lo e a estourar a mesada na minha cópia.

É um disco que tem tudo. Hard-rock agressivo, música infantil e demente, funk e hip-hop sempre latentes. Na altura, as minhas músicas preferidas eram a primeira, estranha e apropriadamente chamada “Land of Sunshine”, “Everything’s ruined”, “Kindergarten” e “Be agressive”. Havia também o “Easy”, claro, que ajudou a vender o disco, e é uma bela baladeca. Depois, como sempre acontece com os bons discos, fui deixando as primeiras paixões que andavam “on repeat” e fui ouvindo o resto. Algumas músicas estranhas, maradas, “Crack Hitler” e “Jizzlobber”, por exemplo. E tudo encaixou.

É um disco que, devido à sua qualidade e variedade, não envelheceu um dia. Ainda hoje, como agora, o ouço do princípio ao fim. Hoje em dia gosto de o ouvir no carro, e apetece-me acelerar e arranjar merda, como é suposto acontecer com um bom e velho disco de rock n roll.

Mais tarde comprei outros discos, vi os concertos no Campo Pequeno e no Coliseu. Não fui ao Sudoeste no ano passado, mas dizem-me maravilhas, e eu acredito.

De uma carreira longa e impecável, este “Angel Dust” fica como a obra maior. Para mim são os anos em que, por causa de miúdas ou de outra coisa qualquer, sentia que era eu contra o mundo. E, com estes tipos ao meu lado, a coisa parecia-me ficar um pouco mais equilibrada.

Não consigo dizê-lo de uma forma mais eloquente. Só sei que o Tom Waits é uma gaja ao pé deste gajo e que a Carla Bruni é um gajo ao pé desta gaja.

Gostaria que...



... os meus filhos fossem protegidos da pornografia estética que domina a indústria musical, através da publicação da seguinte advertência: "Parental Advisory: Explicit Lack of Taste".

Teoria da Conspiração



Ninguém me consegue convencer que a extrema pobreza não foi uma invenção premeditamente arquitectada por casais ricos inférteis para poderem facilmente recrutar crianças para adopção a essa reserva permanente de famílias miseráveis.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

E não é que...

...o nosso Idle Consultant voltou à vida. É verdade, está demasiado ocupado para trabalhar aqui no tasco, mas lá conseguiu escarrar qualquer coisita no Homens-Esplanada, o primo realmente beberolas do Vodka Atónito.

Façam o favor de confirmar o brilhantismo do costume.

2010

"Everywhere we hang onto the walls of the world, and in the darkest part of the hangover, I think of two friends who advise me on various methods of suicide. What better proof of loving camaraderie? one of my friends has razor scars running all along his left arm. the other jams pills by the bucketloads into a mass of black beard. they both write poetry. there is something about writing poetry that brings a man close to the cliff's edge. probably, though, all three of us will live into our nineties. can you imagine the world in 2010 a.d.? of course, the way it will look will depend a lot on what is done with the Bomb. I suppose men will still eat eggs for breakfast, have sex problems. write poetry. commit suicide".

Charles Bukowski, "Notes of a dirty old man".

Algo bastante grave...

...é eu ter 31 anos e, na verdade, não saber bem a diferença entre vinho verde e vinho branco.

Por outro lado, não percebo a ponta de um corno de castas, douros ou bairradas.

Gosto muito de vinho, não vou à bola com licores, visque é cada vez mais um preferido e as aguardentes continuam a ser irresistíveis.

Ah, e bebidas brancas no Tokyo são ressaca garantida.

Basicamente, toda a sabedoria acumulada ao longo de 17 anos esgota-se nas linhas acima.

De qualquer das formas, presumo que para um alcoólico haja alguma vantagem em não ser selectivo.

Old Soul Music

Alguém me consegue explicar a razão pela qual, num momento em que saem 50 mil discos por mês e o Y bate píveas descontroladas com merdas como Beach House, eu continuo a ouvir convictamente Eels de 96 e Neu! de 75?

Uma pequena pergunta inocente



Se Portugal tem 70% da produtividade média da União Europeia, mas só 50% do seu salário médio, quem é que será que se apropria dessa diferença?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Guerra Santa



Não é que eu ache que haja algo de intrinsecamente fundamentalista e violento nas religiões, mas sempre achei um pouco suspeito nunca se ter ouvido falar de quaisquer sinais de ódio e de intolerância no relacionamento entre ateus e agnósticos.

Prémio "Sentido de Oportunidade" 2001: lançar em pleno 11 de Setembro um álbum com a letra: "New York City Cops, they ain't too smart"

Como raio se ensina o conceito de tabu do incesto a uma criança de 3 anos?



- Pai, sabes quem é o meu namorado?
- Quem?
- O mano.
- Mas os irmãos não podem ser namorados.
- Podem, podem. Se quiserem, podem. Só se não quiserem é que não podem. E eu quero.

What's the time, Mr. Socrates?

Well, well, well.

A última edição do jornal Sol lançou finamente uma das bombas que andava para aí a rondar (há mais e é uma questão de tempo até saírem).

Na prática, e tendo por base as escutas a alguns arguidos do Face Oculta (nomeadamente Paulo Penedos e Armando Vara) ficaram a conhecer-se os contornos do plano de Sócrates para tomar conta da comunicação social portuguesa, afastando as vozes incómodas.

É uma teia extensa e complexa, mas que funciona de forma simples. Do lado económico, há o apoio do BCP (com Armando Vara na vice-presidência), da PT (controlada de forma directa pelo Estado apesar de este ter apenas uma golden-share), do BES (que está sempre bem com o Governo e tem entre os seus quadros um tal de Manuel Pinho); depois, comunicação social "amiga": toda a Controlinveste (DN, JN, TSF, etc) e a Ongoing (Diário Económico e posições relevantes na Impresa e na Media Capital).

Depois os incómodos: a TVI (sobretudo Moniz e sua esposa), o Público e o Correio da Manhã.

O problema destas escutas é que mostram tudo da forma mais transparente e crua possível. Os grandes pivôs são Paulo Penedos (arguido do Face Oculta e boy do PS) e Rui Pedro Soares. Este último é um menino de 32 anos, administrador da PT por indicação do accionista BES (concertado com Sócrates). Este menino, vindo do viveiro da JS e com um currículo medíocre até entrar na PT, ganha qualquer coisa como 2,5 milhões de euros por ano. Do seu percurso anterior, uma passagem pelo gabinete de marketing de Sócrates e a montagem e coordenação do site que lançou a candidatura do nosso PM. As conversas escabrosas entre Rui Pedro Soares e Paulo Penedos são riquíssimas; gosto particularmente quando o primeiro pede ao segundo que aceda ao seu computador e lhe dá, pelo telefone, a password: Socrates2009.

Confesso que, destas escutas, nada me surpreende. Sei há muito, por experiência própria, que tudo isto é verdade. Que estes boys são os operacionais de um polvo controlado directamente por Sócrates. Em determinada altura, um deles diz mesmo que a compra da Prisa tem mesmo de ser pela PT e não de forma encapotada. Isto porque "o chefinho diz que tem que ser mesmo a PT". Isto apesar de ter mentido no parlamento, ao dizer que não sabia de nada. Não só sabia com tinha sido ele mesmo a mandar.

Sócrates vai cair. Tem de cair. Em qualquer país civilizado, isso já teria acontecido há muito. É uma questão de tempo, e acredito que isto não vai durar muito. É claro para mim que o governo vai cair nas mãos dessa nulidade chamada Pedro Passos Coelho, mas nesta fase nem isso me preocupa. Isto foi longe de mais. Isto não é a Venezuela. Já chega.

PS: gosto muito de ver os caceteiros de serviço do PS a taparem o sol com a peneira. Lellos, Santos Silvas e afins. O problema são as escutas, a violação do segredo de justiça. O próprio Sócrates clama contra o "jornalismo de buraco de fechadura", não se pronunciando nunca sobre o fundamental do que toda a gente já sabe. É um corruptor, que atenta contra a liberadade de imprensa. E que se serve das suas profundas ligações ao poder económico para o fazer. Todo o seu exército de boys começa a ser desmascarado.
Que isto não passe despercebido como tantos escândalos recentes. Que a nossa falta de crença e a nossa já crónica desilusão não nos faça tomar tudo isto como "mais uma".
É altura de acabar com a palhaçada.

Pleonasmo

Diz o 24 Horas que a Júlia Pinheiro vai falar com os mortos.

Olhando para a assistência do seu programa, confesso que não estou bem a ver a novidade...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Desabafos de um depressivo para quem o suicídio é a sua inclinação natural mas cuja vida tem insistido em reprimi-la



Se não fossem os dias de sol de inverno, as tiras de milho, o Benfica a jogar como o caralho este ano, o arroz doce que a minha avó fazia, os olhos da mulher do estupefacto amarelo, os estranhos bonecos de plasticina de Vasco Granja a crescerem comigo, eu a sair da escola primária a correr esbaforido para casa para chegar a tempo de ver o Dartacão, o quarto do meu irmão no sótão onde eu ia às escondidas mexer nos seus discos e na sua guitarra eléctrica, o escorrega vermelho da INATEL que me parecia o maior escorrega do mundo, a segunda melodia que o Johny Marr faz com a sua guitarra nas canções dos Smiths, o meu puto a dizer "eu nasci do colo do meu pai", eu a aquecer as minhas mãos numa caneca de cevada quente no inverno, a euforia com que eu recebi dos meus pais o meu primeiro walkman, as caipirinhas a 2 aéreos na Festa do Avante, o prazer com que eu com 10 anos descobria as cassetes estranhas do meu irmão no tempo em que ele ouvia boa música (primeiros álbuns de Xutos, Joy Division, Echo and the Bunnymen, Jesus & Mary Chain, etc.), a minha filha a dizer que ela é a princesa Fiona e eu o Shrek e que quer casar comigo, a alegria com que depois do segundo toque corríamos depressa para ir jogar à bola antes da professora ter tempo de chegar, a minha paixão doentia, irracional e descontrolada por música, a primeira ganza fumada com amigos mais velhos debaixo de uma arcada escura na Rebelva, os jogos intermináveis de Risco na casa vazia de Carcavelos, de tal forma que a vizinha de baixo nos telefonava às cinco da manhã a ameaçar que ia chamar a polícia, a alegria da minha primeira bebedeira numa festa de Carnaval em Paço de Arcos (com Vodka, curiosamente), o FMI do Zé Mário Branco, o Só do Palma, os livros do tio Patinhas em edições brasileiras que eu devorava quando era puto de tal forma que trocava a ordem dos pronomes pessoais como os brasileiros, a minha obsessão fanática de adolescência com o Jim Morrison (partilhada com o meu amigo Bastard) e o seu poster gigante sempre a cair-me nos cornos, aquela erva adulterada que fumei na faculdade e que me fez sentir que eu tinha aumentado de tamanho como a Alice no País das Maravilhas, o bacalhau com grão, ovo e batatas que a minha avó me fazia, as azeitonas verdes e amargas, o Led Zeppelin II, o disco mais brilhante de todos os tempos e que eu já ouvi mais de 14 mil vezes, a alegria que sentia quando na minha adolescência encontrava um vinil raro de Mão Morta ou Pop Dell'Arte na feira da ladra, a minha gata a ronronar no meu colo no inverno enquanto eu leio um bom livro, os duches quentes que eu desejaria que durassem para sempre, o prazer infantil de marcar um golo, o meu primeiro CD, o Led Zeppelin IV, comprado no Continente de Alfragide e para mim tão precioso como a moeda nº 1 do Tio Patinhas, a felicidade simples de comer um bitoque, os livros que eu levo desde sempre para a casa de banho, marcando-os com folhas de papel higiénico, a alegria de réptil que sinto sempre que me aqueço ao sol, e principalmente, se não fosse a felicidade animal que sinto quando, aflito, finalmente posso mijar, matava-me.

Um gajo sente-se velho quando...

...tem a seguinte conversa.

Ela: Atão, vais ver os Sonic Youth?
Eu: Eh pá, não sei. Gosto deles, mas da vez que os vi odiei, deram-me 45 minutos de distorção e fui-me embora.
Ela: Isso foi quando?
Eu: Na sei, foi no Sudoeste.
Ela: Ah, já sei. Foi em 1998.

E aí fui-me embora.

Um pouco de memória, se me permitem

Há uns dias, foi revelado o resultado de um importante inquérito no Reino Unido.
Analisados documentos e ouvidas testemunhas, foi concluído que a invasão do Iraque e a deposição de Saddam foi decidida, ao mais alto nível, entre a Inglaterra e os EUA. Isto aconteceu em 2001, anos antes da invasão.
Isto é, parece-me claro, um escândalo absoluto, mas passou quase despercebido entre nós.
Engraçado foi o Tony Blair que, confrontado, afirmou que faria tudo igual. Se isto não significa o equivalente a um crime de guerra, então tenho a cabeça mais lixada do que pensava.
Blair, o mentor da famigerada terceira vida. A realpolitik no seu pior. E a indiferença do mundo perante a forma como foi manipulado.
Não nos devemos esquecer disto, em nome das milhares de vítimas.

PS: Portugal não participou nesse planeamento prematuro. Durão foi mesmo só o mordomo da cimeira das Lajes.

Who the fuck's Arctic Monkeys

Para além da música propriamente dita (concerto demasiado curto, som manhoso mas uma noite bastante fixe ainda assim), uma coisa me ficou do concerto. Havia lá muitos putos. Alguns alcoolizados. Mas, só de ver, percebe-se que lhes falta o comprometimento, a militância necessária. Não fumam, são saudáveis, só se embebedam em festas e concertos, porque é assim que é suposto ser.

Lamento dizer que é uma geração falhada. É incapaz de, das suas fileiras, gerar um único verdadeiro alcoolico. E isso diz muito acerca de tudo o resto.

Momento de rara beleza

Com um país mergulhado numa crise profunda, vejo-me obrigado a fazer algo que me desagrada profundamente: dar razão ao Governo.

Nesta história da lei das Finanças Regionais, para mim a coisa é bastante simples: é uma estupidez dar mais dinheiro à Madeira, é absurdo que a Oposição em peso precipite uma crise institucional destas por causa disto, o Governo deve manter-se firme como forma de passar a mensagem que está empenhado, em todos os campos, no equilíbrio das contas públicas.

Infelizmente, o comportamento da oposição só está a dar força ao argumento do governo, de que não é possível governar Portugal em minoria, devido à irresponsabilidade da oposição.

Se o governo aproveitar para dramatizar, é apenas aproveitar a deixa que todos os outros partidos lhe estão a dar.

O resto é conversa.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Blitz ou Um Problema Grave de Falta de Pilha no Relógio

A revista Blitz lançou um edição especial supostamente dedicada ao balanço musical dos primeiros dez anos do século XXI.

Como não poderia deixar de ser, entre os dez artistas colocados na capa estão o Michael Jackson e o António Variações. Duas figuras incontornáveis da música do século XXI. E do século XIX, acrescento eu.





Adenda: Ah, muito importante! A dita edição especial século XXI ainda nos reserva a oportunidade de por meros 3,90 euros (780 mil réis) levarmos para casa um CD do Elvis Presley (next big thing da pop americana).

Realpolitik

Ground Zero

O mundo acordou, e está a cozinhar-nos em lume cada vez menos brando.


A bolsa perde 4 milhões de euros por minuto (comendo os grandes investidores mas também o património de pequenos aforradores), o custo da dívida nacional não pára de aumentar (com consequências para as empresas e famílias). Basicamente, o nosso pequeno segredo, de que somos uns baldas e incompetentes, está à vista de todos. É claro que não somos os únicos, mas nesta altura isso é fraco consolo.

E, entretanto, o que fazem os responsáveis políticos deste país? Veja se acerta:


a) Reúnem de emergência para tomar medidas

b) explicam à comunidade financeira internacional o que estamos a fazer para inverter a situação

c) procuram um acordo alargado para refazer o orçamento de 2010 com um ataque credível ao défice das contas públicas

d) demitem-se, devido à sua responsabilidade na situação e manifesta incapacidade para o resolver

e) discutem a lei das Finanças Regionais



Quem disse e), por estranho que possa parecer, acertou.

Na prática, estamos a falar de 80 milhões para a Madeira.
Uma gota de água insignificante no mar dos gastos do Estado português embora, como é óbvio, nem que seja por uma questão de moralização, não deviam levar nem mais um tusto.
Mais, há ameaças de que, se o diploma for aprovado, o Governo pode demitir-se.

Ou seja, num momento em que a nossa credibilidade está debaixo de fogo da comunidade internacional, que mensagem estamos a passar lá para fora?
Que o Governo pode cair por causa de 80 milhões para a Madeira.

No parlamento, os deputados negoceiam e discutem alíneas. Outros, mais descarados ainda, pedem “seriedade”.

Chegámos ao ponto mais baixo. Ninguém sai limpo disto. A irresponsabilidade, a total inimputabilidade dos nossos governantes atingiu um novo nível de ridículo.

Quaisquer que sejam as consequências no curto prazo, só lhes resta sair.

Os responsáveis tocam lira, enquanto o país arde.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Conheci...



... um gajo que era tão contra a sociedade de consumo, tão contra a sociedade de consumo, que vinte e sete anos depois ainda mascava a mesma pastilha elástica.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Efeito borboleta



Às vezes, um pequeno incidente no Haiti (envolvendo apenas não caucasianos) pode provocar um grande problema noutra ponta do planeta, perturbando ligeiramente a hora de jantar de milhões de europeus e europeias.

Nota: A Autoridade para a Comunicação Social obrigou o Vodka Atónito a proceder a algumas alterações ao texto original deste post.

Haiti



Não faço a mínima ideia porquê mas ultimamente tenho alugado muito menos filmes porno e visto muito mais o telejornal.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Não percebo como é que ninguém foi buscar o homem




Má notícia 1: o Benfica não contratou este excelente defesa.

Má notícia 2: mantém-se no SC Braga.

Boa notícia: não foi para o Porto.

As novas aritméticas da amizade



1. Hoje em dia já não se fazem amigos: adicionam-se.

2. Quando reencontramos 22 anos depois um colega de carteira do 5º ano num centro comercial, desviamos a nossa trajectória para evitar o incómodo do encontro. Quando reencontramos o mesmo colega no Facebook, ficamos contentes com adição do nosso centésimo sexagésimo sétimo amigo.

3. Cúmulo do snobismo: ter 0 amigos no Facebook.

Miss Irão apela à paz no mundo



A proibição da proliferação nuclear é tão hipócrita e inconsequente como a probição da droga. Hipócrita, porque os tratados de não proliferação excluem o clube restrito de países que detêm arsenal nuclear (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França, Índia, Paquistão e Coreia do Norte), sendo que esta casta não tem qualquer autoridade moral para criticar a adesão de outros países ao seu clube (lembremo-nos, por exemplo, que o único país que até hoje usou o arsenal nuclear em combate foram os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial contra o Japão). Inconsequente, porque esta dualidade (países com armas nucleares vs países sem armas nucleares) não só não ajuda a prevenir novas guerras, como ainda as incentivam. Com efeito, praticamente todas as guerras ocorridas desde a Segunda Guerra Mundial ocorreram em dois contextos: (a) um dos países detém arsenal nuclear e o outro não; (b) nenhum dos dois países em guerra detém arsenal nuclear. A excepção a esta norma é completamente residual: só houve 2 combates directos entre nações com armamento nuclear: o conflito entre a China e a União Soviética em 1969 e o conflito entre a Índia e o Paquistão em 1999. E ambos os casos foram pequenas escaramuças fronteiriças que rapidamente se resolveram graças ao medo recíproco de fosse utilizado arsenal nuclear. Desta forma, o melhor contributo que se poderia dar para a paz no mundo seria abolir quaisquer tratados de proliferação nuclear, e permitir que qualquer país pudesse desenvolver livremente o programa militar nuclear que quisesse. Para garantir uma equidade entre países, deveria ser criado uma espécie de FMI nuclear destinado a conceder empréstimos aos países mais pobres que também quisessem aderir à causa atómica. Quando esta minha utopia atómica se concretizar, e todos os países do mundo sem excepção tiverem as suas ogivas nucleares, tenho a certeza de que o pânico permanentemente instalado de que a qualquer momento o mundo inteiro pudesse ser completamente aniquilado por um arsenal nuclear tão omnipresente, iria constituir o mais eficaz e poderoso dos incentivos para a paz no mundo.