quarta-feira, 10 de março de 2010

Desculpem-me a má educação mas metam a introdução de 5 minutos do Shine On Your Crazy Diamonds pelo cu acima

Adoro o campo, as árvores e as flores


O campo é o sítio ideal para viver (na perspectiva de um insecto). Para um humano, o campo é igual a um gulag só que com muitas árvores e flores. Quando almoço no campo, prefiriria mil vezes que o violador de Telheiras andasse à volta do meu prato que o caralho das moscas gigantes e abelhas assassinas. O campo é o maior dos mitos urbanos. Os campos de concentração nazis eram maus não porque fossem "de concentração" mas sim porque eram "campos". No campo, a civilização não chegou: as pessoas mijam ao ar livre, fodem atrás dos canaviais e não existe a puta de uma caixa multibanco no raio de pelo menos vinte quilómetros. No campo, quando um gajo está a comer a bela de uma bifana, os porcos nos matadouros começam de propósito a guinchar mais alto só para nos provocarem problemas de consciência. Há o mito de que o campo é silencioso, mas prefiro mil vezes o barulho dos carros da segunda circular à puta do barulho dos cães das aldeias todos a ladrarem ao mesmo tempo. Se o campo não fosse um lugar sinistro, as pessoas do campo não estariam sempre a fugir para a cidade. Se o campo fosse um lugar maravilhoso, os principais passatempos dos velhos não seriam o dominó e o suicídio por enforcamento. No campo as pessoas são psicopatas que adoram cortar cabeças a galinhas e como se riem ao vê-las correrem sem nada em cima do pescoço. Na cidade, as pessoas para se entreterem dão festas nos seus animais de estimação; no campo, as pessoas para se entreterem dão pancadas secas nas nucas dos seus coelhos. No campo não existem salas de cinema, existem cafés centrais. No campo, não existem livrarias, existem cafés centrais. No campo, não existem tabacarias, existem cafés centrais. Urbanos de todo o mundo, uni-vos. Nada terão a perder a não ser as vossas inúteis casas de campo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Esta é dedicada à mulher mais bonita da minha rua

O Junkie da minha rua


O Junkie da minha rua era o puto mais popular no Secundário. Eu era tão estupidamente discreto que nem o meu melhor amigo se lembrava do meu nome.

Todas as miúdas do Secundário estavam apaixonadas pelo Junkie da minha rua. Os meus discos e livros também gostavam bastante de mim.

O Junkie da minha rua tinha uma LC. Eu andava para todo o lado com uma bicicleta ridícula daquelas que só se vêem nos videoclips dos Smiths.

O Junkie da minha rua tomava drunfos, speeds, ácidos e todos os químicos que conseguia gamar em farmácias e hospitais. Eu adorava beber batido de morango.

O mundo onde habitava o Junkie da minha rua era o mundo da rua, onde ele era rei e senhor. No reino do meu quarto quem mandava era eu.

Hoje, da varanda do meu quarto, de mão dada com a mulher mais bonita da minha rua, enquanto bebo devagar um batido de morango e ouço um velho disco dos Smiths, vejo lá em baixo um pobre farrapo sujo e pestilento que quase juraria ser o Junkie da minha rua.

O PEC mora ao lado


As privatizações propostas por este PEC pecam por insuficientes. O défice orçamental é de tal forma elevado que é absolutamente necessário privatizar também a EPAL, a CP, o Serviço Nacional de Saúde, as Escolas Públicas, a Segurança Social, a Caixa Geral de Depósitos na sua totalidade, os Tribunais, as Polícias e as Forças Armadas. O Governo da República não é preciso que esse há muito que já foi privatizado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pensamento assustador



E se nunca mais parar de chover?....












PS - Saramago, se transformas esta merda num livro tens que me pagar royalties.

O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)

E pronto.
Apesar de o documento não ter sido oficialmente apresentado, ficámos a conhecer as linhas gerais do PEC que vai ser apresentado a Bruxelas, na nossa tentativa de mostrar que somos, mais uma vez, bons alunos.
O que sabe pode resumir-se nos seguintes tópicos:

1 - Congelamento dos salários da função pública nos próximos anos

2 - Privatizações em barda, incluindo os CTT, os seguros da Caixa, e as posições ainda detidas na EDP e na Galp. Curiosamente, sobre a golden share na PT, nem uma palavra.

3 - Limitação das deduções fiscais, como as despesas com a educação e com a saúde, por exemplo.

4 - Criação de um novo escalão de IRS de 45% para os rendimentos mais elevados.

5 - Política de entrada de um funcionário público por cada dois que saiam (onde já ouvimos isto antes?).

6 - Tributação das mais-valias em bolsa (até agora só eram tributadas as mais-valias realizadas com as operações de duração inferior a um ano).

7 - Limitação, não especificada, dos apoios sociais.

Em termos gerais, não tenho grande coisa contra a maioria das medidas. O problema não está necessariamente nas medidas.

No que toca às privatizações, como tipo de esquerda, sou por princípio contra. No entanto, e visto que em Portugal PS e PSD não sabem estar no poder sem partidarizar as empresas, gerando ineficiências (porque metem lá os amigos e não profissionais competentes) pagas por todos nós, talvez a venda seja, de facto, a melhor solução.

Nas medidas fiscais, a taxa para os ricos não terá grande receita: é demasiado fácil, para quem tem dinheiro, enganar o Estado e fingir que ganha pouco. A medida que terá mais impacto é a das deduções. Como é óbvio, tem impacto em termos de receita porque afecta muita gente; afecta muita gente logo afecta muitos dos mais pobres, e a classe média.

No que toca aos salários da função pública, também não tenho grande coisa a opor. Sei que vão perder poder de compra. É a vida. Considero que um trabalho que garanta emprego para toda a vida deve ser menos bem pago do que outro que, de um momento para o outro, pode desaparecer. Quem não está contente com este panorama, que tente mudar para o privado, arriscando e podendo ganhar mais. O Estado agradece.

O problema não está no salário em si. O problema não está nos funcionários de base, muitos deles bons trabalhadores que, com certeza, mereceriam ganhar mais. O problema está na ineficiência da máquina. Chefias incompetentes, colocadas através de cunhas e filiações partidárias, durante décadas, só podia dar este resultado. É bastante óbvio. É claro que o mexilhão é que se lixa.

É a mesma coisa que a conversa de que os trabalhadores portugueses têm de ser mais produtivos. Se não o são, lá está, a culpa é dos trabalhadores. Não de quem não sabe gerir, não sabe motivar, não quer pagar salários justos.

Isto é uma questão endémica da economia portuguesa. É o verdadeiro cancro da sociedade portuguesa. Não temos qualquer tipo de meritocracia. Todos os lugares de topo, em quase todo o lado e não só no Estado, estão e são ocupados por medíocres. Sobem por amiguismos, corrupção, tráfico de influências. Numa sociedade que há muitas décadas funciona assim, é óbvio que a economia não funciona. Quem está no topo não merece estar, não tem competência para tal. E os outros, os assalariados que podem ter competência para tal, pura e simplesmente cagam. Vão esforçar-se para quê? Para encher ainda mais o cu ao patrão?

E depois há outro problema, mais geral, que tenho em relação a este PEC. É que não enfrenta nem procura resolver qualquer problema estrutural da economia portuguesa. Qual é o modelo económico para o país? O que queremos ser? O que queremos produzir? O que vamos fazer, em concreto, para mudar o nosso tecido económico no sentido de termos qualquer valor acrescentado a dar a quem queira comprar os nossos produtos (que não sabemos quais serão)?

Por outro lado, vai, mais uma vez, dar cabo da própria economia. Foi assim que chegámos a este défice, não foi só a crise internacional. A crise tem costas largas. Até 2008, para reduzir o défice, fizemos contas de merceeiro: preciso de arrecadar mais x e gastar menos y. Gastámos o mesmo, pelo que reduzimos o défice ao aumentar a receita. Aumentámos a receita ao ir ao bolso à classe média. Tirámos lucro às empresas, sobretudo às PME, levando muitas a fechar. Levámos assim as pessoas ao desemprego. Os que mantiveram o emprego viram salários congelados e/ou pagaram mais impostos.
Resultado: o Estado encheu o bolso durante um bocado, mas retirou o dinheiro da economia, do bolso das pessoas. Ou seja, acabou por ver-se, agora, sem sítio onde consiga ir cobrar os impostos de que precisa.

E agora vamos fazer o mesmo, espremendo ainda mais quem já pouco ou nada tem. Daqui a uns anos, se tivermos sorte, voltamos ao mesmo.

O PEC não é apenas de Estabilidade. Eles também meteram Crescimento no nome, mas obviamente que foi só para disfarçar. Nada foi previsto em termos de Crescimento. Este Governo, tal como muitos outros, está sem ideias. Sem um modelo. Aposta numas coisas aparvalhadas tipo Magalhães, e mais nada. Porque, também no Governo, quem está são os medíocres.

Seguem-se tempos muito duros, num país que está, há demasiado tempo, a viver tempos muito duros.
Seria preciso mudar tudo. Sobretudo o que considero ser o problema central da nossa sociedade e da nossa economia: a corrupção e a completa ausência de meritocracia.
Mas é claro que, a quem manda e a quem está bem na vida, não interessa mudar absolutamente nada.

Vão ser os outros, mais uma vez, a pagar.

Tenho grande estima e admiração por este senhor

Parabéns, gaijas

Apesar de ser um espaço no qual a testosterona corre mais forte que no corpo da Solange F., o Vodka Atónito é um espaço aberto à liberdade e à igualdade, contra a discriminação e os estereótipos sexuais.
Associamo-nos, desta singela forma, ao Dia Mundial da Mulher, que hoje se comemora.
Sem vós não éramos nada de jeito.

Porque é que eu não ando na rua com uma t-shirt do Che?


Já tinha escrito sobre a El-Ché Cola mas a bela posta lá em baixo do meu arqui-rival cá do tasco deu-me vontade de escrever sobre a pessoa por detrás da El-Ché Cola. Por mais defeitos que Che Guevara tenha (e tinha bastantes), é preciso desde logo reconhecer que não se trata de um homem vulgar, que sempre pairou sobre si uma aura de transcendência que o elevou muito acima da pequena humanidade média onde eu confortavelmente me situo. Não digo que eu até não seja um gajo bem intencionado e que não esteja sinceramente indignado com as injustiças filhas da puta cometidas permanentemente nesta bola absurda que continua a girar sem parar. Digo apenas que expresso essa minha indignação de uma forma comodista e inconsequente, no ambiente acolhedor de um sofá, de um café ou de um blog, e exercendo o meu dever de voto de 4 em 4 anos com o mesmo espírito de rotina e de obrigação com que os jeovás têm relações sexuais às quintas-feiras. O Che, pelo contrário, expressou a sua indignação num combate total que o levou à morte, e que ele sempre soube que o levaria à morte (certa ocasião, numa reunião com o Allende, Che disse ao companheiro para não sairem os dois ao mesmo tempo, para que, se houvesse um atentado, só morresse um deles). Há uma segunda razão pela qual o Che não era um homem como os outros: nunca foi corrompido pelo poder. Ao contrário do triunfo dos porcos de muitos dos heróis da Sierra Maestra (Fidel, incluído), que rapidamente se aproveitaram dos imensos privilégios passíveis de ser aquiridos pelo poder político quase absoluto detidos por essa elite, Che manteve-se sempre impoluto e incorruptível, desprezando o dinheiro e as honrarias, nunca vendendo os seus ideais humanistas por nenhum prato de hipócritas regalias. Quantos de nós resistiriam ao extraordinário poder corruptor do exercício do poder absoluto? Além do mais, teve sempre a coragem de criticar abertamente a política externa da União Soviética.
Mas, apesar da profunda admiração que tenho pela autenticidade, coragem, humanismo e heroicidade do ícone, nunca andaria na rua com uma t-shirt do Che vestida.
Primeiro, porque era demasiado dogmático nas suas convicções, sendo completamente intolerante para quem pensasse de uma forma diferente (era bem gajo de me dar um murro nos cornos só por causa desta posta).
Segundo, porque tinha um pensamento político maquiavélico, considerando que os fins (alegadamente nobres) de uma revolução socialista justificavam os meios revolucinários mais draconianos. Só assim se explica que Che tenha um dia escrito que "se a única maneira de defender a revolução fosse através da execução dos seus inimigos, não seria sensível a argumentos políticos e humanitários". E não são só palavras (em Che, a correspondência entre as palavras e os actos é quase sempre total). Che foi o primeiro a mandar fuzilar todos os que tivessem alegadamente ligados aos crimes de Batista, em processos sumários inaceitáveis para quaisquer padrões mínimos de um Estado de Direito.
Terceiro, porque considerava ingenuamente que era possível mudar a natureza humana, construindo uma sociedade toda ela feita de santos revolucionários abnegados como ele. Daí que quando ele foi ministro cubano da economia e da indústria (e presidente do Banco de Cuba) substitui todos os incentivos económicos por incentivos morais, o que naturalmente se traduziu numa diminuição abrupta da produtividade e num aumento exponencial do absentismo. A pessoa média não é, nem nunca será, da mesma natureza de um ser absolutamente excepcional como foi o Che.
Quarto, era demasiado ortodoxo no seu marxismo, concretizando uma política económica completamente centralizada e estatizada (quando foi ministro em Cuba), que se revelou um enorme fracasso.
Mas, para mim, a principal razão pela qual não ando vestido com uma t-shirt do Che nem na Festa do Avante foi o facto do homem mais autêntico e humanista do século XX, que denunciou todas as hipocrisias e iniquidades do mundo (viessem elas de onde viessem), ter sempre se calado perante as mentiras e crimes políticos de Fidel Castro, já bem evidentes no tempo em que era vivo, e, como o Bastard muito bem denunciou na sua posta, cada vez mais intoleráveis.

Deixem-me sonhar


                                       CARREGA BENFICA!!!

Se não tivesse havido o Che...

...as coisas teriam sido diferentes. Veríamos Fidel apenas como um barbado excêntrico, bom orador, e pouco mais. Outro ditador. Mas houve Che, e as t-shirts, e os livros, e aquele momento em que aprendemos sobre a revolução cubana e acreditámos, mesmo que por pouco tempo, que havíamos descoberto a verdade. A verdade de que havia algo lindo e poético, que valia a pena seguir.
Se não tivesse havido os EUA, e a amadora tentativa de invasão, e o absurdo bloqueio económico que é, tantos anos depois, o último símbolo de uma guerra já gelada. Sim, se não tivesse havido os EUA não teríamos de escolher lados, e como é óbvio, perante o panorama, Cuba seria sempre, mas sempre, o nosso lado. Se não houvesse os EUA, não teríamos de escolher, e Cuba seria uma outra coisa na nossa mente. Uma Guatemala. Uma Nicarágua. Qualquer coisa, mas não Cuba.
Se não houvesse Zapata, se não houvesse Bolívar, as coisas seriam diferentes. Cuba, Fidel, Che e Camilo não seriam continuadores de uma linha de revolucionários que, de uma forma ou de outra, não podia deixar de nos fascinar.
Se não houvesse Chavez, as coisas poderiam ser diferentes. Porque aí talvez, apenas talvez, nos pudéssemos esquecer que qualquer ditadura é uma má ditadura.
Se não houvesse Maradona, mergulhando para a piscina, entre as sessões de recuperação, gritando "Te Quiero, Cuba!", e "Te Quiero, Fidel", as coisas podiam ter sido diferentes. Deus é Deus, mesmo que da bola, e acreditaria em Maradona mesmo que me dissesse ter vindo de outro planeta (é óbvio que veio).
Se não houvesse Mano Negra e Manu Chao e a vontade que me dá de estar desse lado, sempre, haja o que houver.
Se não houvesse a multidão daquela gente que, mesmo na miséria, grita com a certeza de, pelo menos, ter conquistado o direito à sua dignidade, contra os donos do mundo e aquilo que todo o mundo diz ser o caminho.
Se não houvesse Vitor Jara, se não houvesse Silvio Rodriguez.
Se não houvesse Pinochet e as tiras da Mafaldinha.
Aí sim, tudo podia ter sido diferente.

Se não houvesse gente torturada, gente perseguida, gente morta. Gente a morrer porque quer falar.
Se não houvesse nada disso, talvez eu continuasse a ter, fundo no meu peito, o amor romântico que aquela ilha e o seu velho líder me inspira. E do qual me envergonho.

Mas houve tudo isso. Houve Kennedy, houve Camilo Cienfuegos, houve o Quino, houve Pinochet. Houve Fidel, o sempre lúcido Fidel. E houve Che, o fascinante, poético e frio Che.

E com tudo isto, o desgosto de aquele sonho lindo não ter sabido impedir-se de se transformar no que é. Não há nada pior que a traição de um sonho lindo.

E agora, não há maneira de as coisas serem diferentes.

domingo, 7 de março de 2010

Apesar de me sentir ateu até à medula, certas ocorrências obrigam-me à prudência de me assumir apenas como agnóstico

1,7% dos islandeses votaram sim


Referendar na Islândia um acordo financeiro para indemnizar os investidores estrangeiros lesados pela falência de um banco islandês é mais ou menos a mesma coisa que referendar, no universo de psicopatas violadores, se eles pretendem que as mulheres potencialmente violadas sejam obrigadas a vestir sempre cuecas lavadas.

Isto não é como a cara da Manuela Moura Guedes- é mesmo absolutamente verídico


Eu pensava que Portugal integrava pessimamente os seus imigrantes até ao dia em que ouvi um ucraniano todo fodido por ter pisado merda de cão dizer "cona da tia".

sexta-feira, 5 de março de 2010

As portas do paraíso


12h51. Abdul Nasser comia tranquilamente uma tâmara enquanto ouvia o lento tic-tac da bomba- relógio que daqui a poucos segundos o faria rebentar em mil pedaços no meio do shopping center mais frequentado de Tel Aviv. Quem morre por Alá tem as portas do céu abertas e Abdul só pensava no harém de vinte mil belas e insaciáveis mulheres que esperavam por si. O dinamite explodiu no momento exacto, estilhaçando juntamente consigo mais de trinta infiéis. Alá é grande e justo pois, imediatamente após a sua morte, as suas vinte mil mulheres (mais atraentes do que alguma vez imaginara) arrastaram-no para dentro do portão do paraíso. Abdul ardia de desejo, pelo que foi imediatamente direito ao assunto, despindo a mais atrevida das suas mulheres. Mas Abdul grita horrorizado. As lindas e insinuantes mulheres que o acompanharão para toda a eternidade, as lindas e insinuantes mulheres por quem Abdul sacrificou tão jovem a sua vida terrena, não têm qualquer sexo no meio das pernas. Subitamente, Abdul compreende tudo. Esquecera-se por completo que o Ramadão tinha comeaçado esta manhã, cometendo o sacrilégio de comer uma tâmara antes do sol posto. Afinal, Abdul nunca viu, e Abdul nunca verá, as portas douradas do paraíso.

I'm happy when it rains


Quando eu finjo que consigo abrir as janelas do meu carro à distância apenas com palavras mágicas (enquanto carrego às escondidas nos botões do vidro eléctrico), a minha filha (de 3 anos) fica realmente convencida que o seu pai é um poderoso feiticeiro e que o mundo é realmente um lugar mágico, bom e inocente onde tudo pode acontecer. Quando eu fizer o mesmo passo de magia daqui a um ano, a minha filha vai olhar desconfiada para todo o lado até encontrar o botão em que estou a carregar. Estará finalmente preparada para compreender que a vida não é mais que um breve e patético intervalo.

Agradeço a generosidade de homem-bomba do Bastard, oferecendo-me mais um magnífico exemplo de objectividade jornalística

quinta-feira, 4 de março de 2010

Talk to the hand


Eu percebo que a malta quer acção, e ver um belo debate entre mim e o Amarelo. Bom, sejamos honestos, a malta quer é ver-me, de novo, a espancar brutalmente o Amarelo. Não se preocupem. Em breve lançarei uma nova discussão.
Mas procurar ressuscitar um assunto morto é como discutir a monarquia (ok, mau exemplo).
O Amarelo lembra-me o Cavaleiro Negro, do Holy Grail, dos Monty Python, o gajo que perde os dois braços e as duas pernas e, quando o vencedor se afasta, desata a chamar-lhe cobarde e a querer luta.
Enfim.
Para contrapor à capa do Metro, esse grande folheto do Media Markt com 3 notícias lá dentro, deixo-vos aqui a melhor capa de jornal dos últimos, pelo menos, 10 anos.

Adeus e até ao meu regresso.

Política de Verdade


Quanto mais artificial é uma sociedade mais existe o culto da pseudo-naturalidade. Os exemplos são inúmeros, desde os ridículos riachos que brotam nos shopping centers até às lojas natura com produtos naturais, repletos de cds new age com sintetizadores a vomitarem cantos de pássaros. Um sumo de laranja natural (isto é, três laranjas mal espremidas para dentro de um copo) adquire um preço irracionalmente exorbitante por causa desta estúpida obsessão dos tempos modernos com os produtos naturais. Daí que eu rejeite este hipócrita dogma contemporâneo da suposta superioridade do natural sobre o artificial. E julgo não ser o único. Imaginem a seguinte experiência mental. Num centro comercial têm que escolher entre o Menu "Artificial" (uma mousse instantânea, uma lata de Coca-Cola e uma relação sexual gratuita com uma boneca insuflável) e o Menu "Natural" (uma mousse caseira, um néctar de alperce e uma relação sexual gratuita com a Manuela Ferreira Leite). Sejam sinceros, qual menu é que escolheriam?