quinta-feira, 1 de abril de 2010

Está provado cientificamente


Ler posts no dia das mentiras provoca cancro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Vodka Atónito sugere que esta interessante publicidade da Triumph seja extensível a todo o género de roupa interior

Echo and the bunnymen


Nas próximas eleições legislativas votarei Passos Coelho porque com ele os portugueses e as portuguesas ficarão mais bonitos e bonitas. Nas próximas eleições legislativas votarei Passos Coelho porque entre dois candidatos igualmente liberais escolho sempre aquele que tem o nariz menos proeminente. Nas próximas eleições legislativas votarei Passos Coelho porque com o dinheiro que arrecadará da privatização da Caixa Geral de Depósitos pagará uma operação plástica a todos os portugueses e portuguesas e cinco operações plásticas à Manuela Ferreira Leite. Nas próximas eleições legislativas votarei Passos Coelho porque estou há imenso tempo a querer emigrar mas ainda não tinha conseguido encontrar uma razão suficientemente boa para deixar de comer polvo à lagareiro e pataniscas de bacalhau. Nas próximas eleições legislativas votarei Passos Coelho sobretudo porque sim.

Descubra as sete diferenças


terça-feira, 30 de março de 2010

Serviço Mínimo de Democracia

A população de Valença, gente rija, ocupou o centro de saúde da terra.Valença, juntamente com mais três povoações do norte do país, acabou de ficar sem urgências médicas. Na prática, isto quer dizer que as populações ficam sem um local de atendimento próximo durante a noite, em caso de emergência. Esta é apenas mais uma leva da ofensiva - iniciada por Sócrates e Correia de Campos - contra os serviços de saúde a nível local, sobretudo no interior. A ofensiva é mais ampla, já que passou pelo encerramento também de dezenas e dezenas de escolas. Tudo parte desta lógica de merceeiro deste governo pseudo-socialista, que mostra que, de social, tem apenas a fachada, e bem publicitada.
O argumento é simples, e nunca se admite que tudo é feito para poupar: o objectivo é que as pessoas passem a ir para centros mais bem equipados, com melhor atendimento e melhores condições.
A questão é que, se o problema é esse, que equipem como deve ser os centros. Todos os centros, sobretudo aqueles que ficam em locais mais isolados e que, tendencialmente, têm uma população mais idosa. Não podemos cortar aí. Há limites para tudo.
A presença de atendimento médico 24 horas por dia é, em muitos casos, um conforto psicológico fundamental para as populações. Para além do pequeno pormenor de poderem salvar vidas. Vidas de cidadãos portugueses, que não têm todos de morar no Porto ou em Lisboa. Que têm o direito de morar onde desejam, no território nacional, e que devem ser respeitados como os outros.
E, mesmo que este desumano governo assuma o critério economicista que o move, também isso é uma falácia: cortam sempre onde não devem, enquanto os amigos continuam a viver à grande.
Estamos cada vez pior, e a nossa democracia atinge mínimos históricos.
Mas devia haver um Serviço Mínimo de Democracia. Já chega de desrespeito.
Mando aqui, em nome do Vodka, um abraço à brava gente de Valença do Minho, e a todos aqueles que, de alguma maneira, decidiram dizer não e lutar por aquilo a que têm direito.

Apenas


Não sou um gajo rancoroso, por isso acho que cada um merece depois da morte apenas aquilo em que acredita. Um ateu, por mais canalha que tenha sido, merece, depois de morrer, apenas pó e silêncio. Um padre que prefira apenas as ovelhas mais tenrinhas do seu rebanho, e os seus colegas que apenas o encobriram, merecem, depois de morrer, apenas a eternidade e a retribuição justa. Que os piços dos demónios pederastas sejam apenas do tamanho de tacos de baseball.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O paternalismo é o fascismo dos pequeninos


Há uns anos atrás, levei o meu puto ao desfile do 25 de Abril. Para explicar a um miúdo de 4 anos o que tinha sido o 25 de Abril, simplifiquei um pouco a história e disse-lhe que antes desse dia havia um senhor muito mau que se chamava Salazar que não deixava as crianças brincarem e lhes roubava os brinquedos, o que levou o povo a ficar muito zangado, mandando-lhe cravos aos cornos para as crianças poderem enfim voltar a brincar e comerem livremente os seus macacos do nariz. Nessa tarde, enquanto descíamos a Avenida da Liberdade, o meu puto esteve sempre muito macambúzio, e ainda hoje tenho uma foto dele, com uma camisa às riscas, suspensórios vermelhos, um cravo na mão, carregando toda a tristeza do mundo nos seus pequenos olhos sorumbáticos. Já no Rossio, perguntei-lhe porque é que ele estava tão tristonho. Respondeu-me quase a chorar que não gostava do 25 de Abril porque ali não o deixavam brincar. A partir desse episódio aprendi uma enorme lição: mesmo quando tentamos ser apenas paternais, o paternalismo é sempre a mais estúpida das ideologias, na melhor das hipóteses uma forma benigna de fascismo.

domingo, 28 de março de 2010

Uma mão cheia de nada

E pronto, a malta laranja jé tem novo presidente.
Passos Coelho ganhou de forma inequívoca e está, agora, em condições de se virar para o país. O senhor é político para aí desde os 12 anos, está em campanha há dois, e até escreveu um livro, em cuja capa os seus olhos surgem tratados com photoshop. Não obstante, não fazemos puto de ideia do que quer para o país. Até aqui, limitou-se a portar-se como um taliban alaranjado. É contra o PEC, é contra isto, é contra aquilo. Está na hora de dizer qualquer coisa acerca do que é a favor.
O seu desafio é simples: tem de escolher o momento certo para jogar a cartada decisiva, de deitar abaixo o governo e tentar derrotar Sócrates.
Ah, claro, e tentar inventar alguma coisa em que acredita. Sempre gostava de ver como será possível defender uma política mais de direita do que a que tem feito José Sócrates.

PS - adorei ver, na televisão, uns laranjinhas a gritar "Assim, se vê, a força do PPC". PPC vem de Pedro Passos Coelho, embora eles pareçam apenas sofrer de extrema gaguez.

Eu estive lá

Vítória difícil mas indiscutível, contra um adversário complicado. O Braga, ou FC Porto B, como quiserem, trouxe para a Luz a mesma estratégia da primeira volta: porrada, truques baixos, fita, pressão sobre o árbitro. Futebol é que teve pouco, e desta vez não houve um Jorge Sousa para dar à equipa de Choramingas Paciência os pontinhos que, de facto, nunca mereceu.
E escola deste aprendiz de feiticeiro é conhecida: é a mesma de Pinto da Costa, Pedroto, Bruno Alves, Paulinho Santos, etc. Ou seja, gente pacóvia e complexada, habituada a navegar nas águas turvas do futebol português. Choramingos continua a mandar bocas e a incendiar o ambiente. Não teve a lata de dizer que o Benfica não mereceu ganhar, mas como frouxo que é, lá o foi indiciando. O que é fabuloso no treinador de uma equipa que teve 39% de posse de bola. Tanto teatro, tanta porrada, tanta permissividade por parte do árbitro, só faltou que a equipa se lembrasse que futebol se joga com a bola, não é com as pernas dos adversários, com teatro de revista ou bocas ao árbitro.
Temos pena.
Estive no estádio, e como foi bom ver mais de 63 mil pessoas a vibrar com o desporto mais lindo que existe. E mais de 60 mil a gritar pelo Glorioso, a empurrar a equipa, a partilhar a fé que nos move.
Enquanto os bastidores e as secretarias do futebol português mostram que o polvo ainda está bem vivo - e usa todos os mecanismos para recuperar, fora de campo, o poder que perdeu dentro dele - o Glorioso vai passeando a sua classe, a sua entrega, a sua garra e a sua humildade.
Contra este rolo compressor, nem os esquemas do costume resultam.
Contra tudo e contra todos...

...CARREGA BENFICA.

Human Nature


O que mais me impressiona na natureza humana não é a sua violência intrínseca, mas a cobardia quase sempre associada a essa violência. Porque é que as pessoas são violentas? Porque podem, porque conseguem, porque as vítimas são mais fracas. É claro que esta equação é demasiado simplista, mas ainda assim ajuda a clarificar uma série de coisas. Porque é que os Estados Unidos invadiram o Iraque e Portugal não? Porque, ao contrário de Portugal, os Estados Unidos podem fazê-lo, conseguem fazê-lo e o Iraque é mais fraco. Se Portugal tivesse o mesmo poder económico e militar que os EUA têm faria os mesmíssimos abusos. Porque é que os pais batem nos filhos? Porque podem fazê-lo, conseguem fazê-lo e os seus filhos são mais fracos. Quando uma criança é idiota com um adulto, o adulto dá-lhe frequentemente uma estalada. Se os adultos tivessem o mesmo tamanho e a mesma força física do que as crianças, teriam a mesma predisposição para lhes bater? A violência é desprezível não por ser violenta mas por ser cobarde.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tuga Pride


Nunca percebi a histeria que os tempos modernos têm com a produtividade, a eficiência e a organização. Pelo contrário, orgulho-me muito de ser português. Graças à sua extraordinária eficiência, o povo alemão conseguiu no tempo do nazismo optimizar a produção da morte, gerando 6 milhões de cadáveres judeus em pouquíssimos anos. Em Portugal bem tentámos fazer a mesma coisa, e os gajos da PIDE não eram menos filhos da puta, mas eram também tugas pelo que em 48 anos apenas conseguiram uma mísera produção de algumas dezenas de mortos. E ainda há quem se atreva a dizer mal do nosso endémico défice de produtividade? Os exemplos são inúmeros. Darei apenas um. Quanto mais um país é produtivo, mais fode o planeta com a poluição que produz. Se todo o mundo não fizesse a ponta como os tugas, não haveria o problema do aquecimento global e assim todas as atenções estariam concentradas no Benfica-Braga de amanhã. Poderiam rebater o meu argumento alegando que mesmo com o problema do aquecimento global todas as atenções dos tugas estão concentradas no jogo de amanhã (os 6 milhões de tugas benfiquistas mais os 4 milhões de tugas anti-benfiquistas, para quem é muito mais importante que o Benfica perca do que os seus pequenos clubes regionais ganhem). Mas essa não é a questão essencial. O que é realmente essencial é que os tugas deixem de provincianamente adular a produtividade dos outros, e que afirmem o orgulho nacional nas duas características que mais têm unido o nosso fantástico povo desde há pelo menos 850 anos: a falta de produtividade e a escarra lusitana.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Daria o meu terceiro testículo em troca de ter ter sido eu a escrever isto


"Ora muito bem, eu sou um gajo com uma data de problemas, e a maior parte deles sou eu quem os cria, quer dizer, com as mulheres, e o jogo, e essa coisa de sentir hostilidade por certos grupos de pessoas e quanto maiores os grupos mais hostilidade sentir. As pessoas dizem que eu sou pessimista e sombrio, que sou intratável.
Nunca me hei-de esquecer duma garina que certa vez se pôs a gritar:
- Tu és tão pessimista, porra! A vida pode ser uma coisa muito bela!
Ai, pois pode, acho que pode, sobretudo se gritarem mais baixo." (Bukowski, South of no North, Dr. Nazi)

Se Maomé não vai até Brooklyn, Brooklyn vai até Maomé

quarta-feira, 24 de março de 2010

There's no other way


Bukowski tem uma visão extremamente optimista sobre as escolhas possíveis da humanidade: ou se escolhe andar sempre de barba bem feita, usar gravata, ter um bom emprego e ser-se um grande filho da puta ou se escolhe ser um vagabundo, ter os dentes estragados, estar sempre bêbado e ser-se um grande filho da puta.

terça-feira, 23 de março de 2010

À grande e à francesa

Well, well, well.

Há coisas tão boas, que nos caem no colo com tamanha felicidade, que parece o Benfica a espetar três no cu dos corruptos.
Mas agora fala-se de política. Da verdadeira, da pura, da rasteirinha.
Falamos da deputada socialista Inês de Medeiros. Essa menina privilegiada tem andado nas bocas do mundo por causa da sua exigência de que o Parlamento, isto é, o Zé, isto é, todos nós, lhe pague uma viagem semanal a Paris, a cidade onde a senhora reside.
Para se defender, disso e de relações perigosas com os meninos da PT, deu uma espectacular entrevista à Sábado, e teve uma prestação tão brilhante como um tal de Nuno Espírito Santo da última vez que visitou o Algarve.

Quanto às suas peculariedades de viagem, insiste e até explica.

Diz a senhora que as pessoas devem pensar que ela quer viagens à borla "para ir passear para o Louvre ou para a Torre Eiffel". É claro que não, minha cara. Isso é para os papalvos como eu que lá vão muito de vez em quando, fazer turismo de camionete. Para vomecê, a Torre Eiffel é como a pila do Cutileiro ou a mona do Sá Carneiro para mim, não interessa nada.
A senhora quer que a gente lhe pague uma viagem EM CLASSE EXECUTIVA TODAS AS SEMANAS, IDA E VOLTA, para, e passo a citar, "Vou fazer compras, vou ver se os meus filhos fizeram os trabalhos de casa, vou arrumar a casa, vou preparar a ementa para a semana".

Para complementar, comentou ainda a hipótese de Sócrates ter mentido aos deputados quando disse que nada sabia do negócio PT/TVI. "Se Sócrates mentiu, nem acho que seja muito grave", disse a senhora.
E mai nada. Isto é que é cultura política. Da boa. Vê-se que vem da França, pá. Ca categoria.

Recomendo vivamente que vejam excertos desta fabulosa entrevista. É um fartote.

Ah, e só mais três detalhes irrelevantes. Esta senhora foi eleita por Lisboa, é vice-presidente da bancada parlamentar socialista e membro da comissão...de Ética.

Paga Zé!

A chata da Constituição

Há uns dias falei aqui de um triunvirato asqueroso de xuxas, mas a trupe não cessa de aumentar. Este merdas aqui ao lado é um tal de Ricardo Rodrigues, deputado socialista que fala com sotaque açoreano, embora pareça simplesmente que tem um piço na boca.
Ontem, o PSD teve a desfaçatez de convocar José Sócrates para ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre o caso TVI. Já aqui disse que considero que esta comissão servirá para muito pouco, mas enfim, já que existe parece-me que faz todo o sentido que o Engenheiro (?) seja ouvido, nem que seja para se defender.
E o que disse o bom do Ricardo Rodrigues? Ora aí vai:
"É primeira vez que na história da democracia um grupo parlamentar ousa chamar um primeiro ministro a uma comissão parlamentar de inquérito". Utilizou a expressão "ousa", que na sua voz de abocanhador de bacamartes soa a "usa". É uma ousadia, portanto.
O facto de a Constituição da República Portuguesa estabelecer o direito/obrigação de o Parlamento fiscalizar a acção do Governo parece-lhe, presumo, um mero detalhe.

Crise existencial

Cada vez tenho menos certezas, e as minhas convicções profundas vão sendo abaladas com cada vez mais intensidade.


Enquanto indivíduo, estou limitado a ter como referências para mostrar ao mundo o facto de não ter Facebook e de considerar, sem ter de perder tempo a pensar nisso, que Maradona foi e sempre será o melhor jogador de todos os tempos. Quanto ao resto, não sei.

O cabrão do Messi não demonstra qualquer respeito pela estrutura de valores de uma pessoa.

O sítio do caralho mais velho

Quem só conhece um bairro social a partir dos media pensa que é um local onde tiroteios, rixas e rusgas se sucedem numa velocidade estonteante. E como normalmente nunca tem de passar por um bairro social para ir a algum sítio (já que estes bairros raramente estão integrados na malha urbana, sendo normalmente chutados para o caralho mais velho), e como evitamos sequer aproximarmo-nos destes espaços que nos metem medo (pensando que se o fizessemos imediatamente uma bala perdida se alojaria no nosso testículo esquerdo), o que é certo é que raramente temos a oportunidade de pôr à prova a pertinência do nosso estereótipo. Se finalmente sairmos das nossas zonas civilizadas e entrarmos nessas zonas selvagens, verificamos com espanto que os bairros sociais são afinal muito parecidos com aldeias. De resto quase tudo é igual: o tempo que corre lento, a centralidade da vivência de rua, a coscuvilhice entre vizinhos, a ausência de privacidade e de anonimato, o pessoal a assar bifanas num grelhador na rua, as senhoras a passearem na rua de avental e de chinelos, os estendais montados na rua, as pequenas hortas, os velhos a jogarem dominó, e sobretudo a enorme pasmaceira daquele espaço onde habitualmente nada acontece, (e onde até as transacções desviantes são feitas com uma enorme discrição, habitualmente invisível para os olhares de fora), em total contraste com o estereótipo habitual. E a diferença fundamental entre uma aldeia e um bairro social não são os dealers que existem nestes últimos mas sim a imensa tolerância que lá existe face aos mesmos: a maior parte do pessoal que vive num bairro social não se envolve em comportamentos desviantes (trabalham honestamente), mas não se importa nada de jogar dominó no café com o seu amigo de infância que é dealer ou com o seu vizinho que vende telemóveis roubados na Avenida do Brasil. Os bairros sociais são iguais à aldeia da minha avó só que com dealers em vez de tractores.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Back in the USSR


O capitalismo português treme perante o socialismo subversivo deste PEC, todo ele um perigoso manifesto anti-capitalista.
Tudo começa com o anúncio das privatizações, demonstração inequívoca de que o Partido Socialista pretende extirpar do seio do Estado todas as empresas públicas irremediavelmente contaminadas pelo nojo do lucro- essência da ganância suja do capitalismo. Não é por acaso que a pátria-mãe do capitalismo obsceno (EUA) insiste em manter na órbita do Estado os seus Correios (USPS), numa antítese absoluta com as práticas progressistas da nossa República Socialista.
O carácter revolucionário deste PEC é também visível no congelamento até 2013 do valor do Rendimento Social de Inserção: o governo Socialista recusa-se a alinhar com a fetichização capitalista do dinheiro e quer proteger os nossos pobres do efeito corruptor inevitavelmente produzido pelo vil metal.
Em terceiro lugar, o PEC mostra também a sua matriz revolucionária ao congelar os salários dos funcionários públicos, de forma a que estes não apodreçam com o calor do Verão que se aproxima, o que conduziria a uma dramática perda de poder de compra das classes trabalhadoras.
Por tudo isto, apelo a que todos os leitores de esquerda deste Blog votem nas próximas eleições no PS, único partido do nosso espectro político a defender um socialismo verdeiramente revolucionário e emancipador.

Benfica 3 - Marines das tripas 0


Sim, o campeonato é a prioridade. Sim, temos alguns jogadores cansados. Sim, jogámos sem quatro titulares.
E porém, apesar disso, uma grande vitória. Sem espinhas, com grande controlo emocional, com enorme confiança e querer.
As finais não são para se jogar, são para se ganhar, disse o grande JJ. E esta, contra o clube corrupto, teve um sabor ainda mais especial.
O Porto jogou dentro do seu esquema habitual. Porrada, fitas, vitimizações. Basicamente, o mesmo esquema que durante anos e anos foi suficiente para ganhar. E ainda por cima, com o ex-Super Dragão Jorge Sousa a apitar. Mas, temos pena. Contra uma equipa destas, contra um Benfica destes, isso já não chega. É preciso jogar, é preciso ser melhor. E isso vocês não são, e não é de agora.
O jogo correu sempre de feição ao Benfica. O Nuno, o melhor suplente crónico do mundo, deu uma grande ajuda, e fez-me lembrar a sua cara de bandido da favela a dizer "Somos Porto, e agora com licença que eu vou dar um peru do tamanho do mundo". E, a partir daí, controlámos totalmente os adversários corruptos.
Estes imitaram o exemplo dos seus selvagens adeptos e, desesperados por os velhos truques não funcionarem, decidiram partir para o jogo sujo. Cada vez que perdiam a bola, atiravam-se para o chão. Cada vez que faziam falta (com o árbitro a só marcar metade) intimidavam o árbitro. Quando já não conseguiam contrariar a superioridade do adversário, começaram a funcionar as agressões, as cotoveladas, as pisadelas.
É que, no grémio corrupto, a violência, a intimidação e os esquemas são mais do que ferramentas: são o seu modo de vida, desde que um mentecapto tacanho chamado Pedroto se lembrou de declarar guerra ao resto do país. Por falar nisto, gostei bastante de, antes do jogo, ter visto o Jesualdo queixar-se do jogo ser no Algarve "o que obriga os nossos adeptos a fazer muitos quilómetros". De uma penada, assumiu, sem querer, que o clube corrupto não passa de uma organização regional, que não tem adeptos relevantes forma do tripanário.
Este ano tentaram de tudo. De tudo menos jogar à bola. Antigamente funcionava, desta vez tá difícil.

Uma vitória clara, de uma equipa que joga um futebol bonito, solto, positivo. Que não perde tempo com esquemas acessórios, e que encara cada lance com uma seriedade louvável. Que troca titulares por miúdos, sem perder identidade ou qualidade. Uma vitória à Benfica.

Mais algumas notas:

David Luiz - mais um grande jogão. Faz-me confusão como conseguem sequer compará-lo, enquanto jogador, ao Bruno Alves. Tem potencial mais que suficiente para ser o melhor central do mundo em poucos anos. Deu continuidade à magnífica época que está a fazer.

Luisão - sério no seu papel de capitão, ajudando a impedir que alguns jogadores mais massacrados respondessem à letra aos corruptos deseperados. Marcação quase sempre perfeita a Falcao, o jogador corrupto mais perigoso.

Ruben Amorim - está feito um grande jogador. Entra e sai da equipa e está sempre em grande nível. Está no primeiro e no terceiro golos, sempre com grande entrega, inteligência, jogo colectivo e simplicidade de processos.

Carlos Martins - pela primeira vez na sua carreira, está a conseguir aliar qualidade a consistência exibicional. A sua importância nesta equipa cresce de jogo para jogo.

Airton - um menino de 20 anos. Confirmou-se a primeira impressão: temos jogador.

Maxi Pereira - um jogador à Benfica.

Kardec - passou o jogo sozinho e a levar porrada de Bruno Alves, perante a complacência de Jorge Sousa. Fez bem o seu trabalho e tem sangue de barata. Qualquer outro jogador teria respondido, e dado a oportunidade ao Dragão Sousa de o meter na rua.

Jorge Sousa - Fez o que pôde, mas não chegou. Conseguiu deixar em campo Meireles e , sobretudo, Bruno Alves, o que para qualquer árbitro normal teria sido impossível. Para alguém que, enquanto jovem, foi membro dos SuperDragões e sócio do Porto, esteve à sua altura. 

Falcao - um grande jogador, sempre demasiado isolado. O melhor dos corruptos.

Ruben Micael - tal como mostrou passados poucos dias, aprendeu depressa a cartilha da fruta e dos chocolatinhos. Queixinhas, adorei a birra que fez quando sofreu a primeira falta do jogo. Não jogou a ponta. No lance do primeiro golo do Benfica, perdeu a bola e atirou-se para a piscina. Esquece-se que, apesar de estar no Porto, isso já não chega. Passou o jogo todo a amuar, a tentar perceber o que se passava, a dar pau e a mandar vir com o árbitro. Magnífico.

Bruno Alves - Absolutamente descontrolado. Sem recorrer a faltas (e Jorge Sousa deixou passar muitas) não consegue ganhar uma bola. Massacrou Kardec, tentou partir a espinha a Aimar (que levou amarelo nesse lance!!!) e conseguiu agredir Cardozo na primeira vez que este disputou a bola. Cotoveladas, joelhadas, pisadelas, Bruno Alves demonstrou todo o seu arsenal de grande jogador, já para não falar do facto de ter passado o jogo todo a mandar o seu consócio Jorge Sousa para o caralho. Que grande jogador, pá.

Jorge Jesus - o grande mestre da época fantástica que o Glorioso está a fazer. Aquele momento emotivo, ao dedicar a vitória ao seu pai, tocou no coração de todos os benfiquistas. Porque o Benfica é também, e sobretudo, isso.