quinta-feira, 18 de março de 2010

Um amigo meu extra-terrestre...


... perguntou-me no outro dia porque é que os humanos festejam anualmente o facto de ficarem um ano mais próximo da morte. Já um bocado irritado com a sua petulância cultural, perguntei-lhe se o piço de um extra-terrestre também era verde, mole, viscoso e nojento. Foi então que o meu amigo pegou na sua pistola de neutrões e me desintegrou instantaneamente.

o homem do estupefacto encarnado


Carrega Marselha Carrega Benfica Carrega Benfica

Chiça que o tipo já tinha mau feitio quando era pequeno

quarta-feira, 17 de março de 2010

Zona N


Paulo Portas estava claramente perdido. Do pára-brisas do seu Jaguar só via caixas de fósforos gigantes onde moravam seres que ao longe lhe pareciam quase humanos. Zona N de Chelas, viu numa placa. Detestava gente pobre, sempre detestara. Odiava aquele repugnante hábito de tentarem disfarçar as suas bocas desdentadas com berrantes fatos de treino da Nike. Desprezava aquela repulsiva tendência de tentarem esconder as suas cabeças subescolarizadas com grotescos bonés da Adidas. Repugnava-lhe aquela indolência endémica e parasitária, apetecendo-lhe partir-lhes a coluna vertebral com as suas unhas como se faz com as pulgas. Na rua brincavam putos pequenos, para aí com 4 anos. Jogavam à bola. Paulo achou estranho as espantosas semelhanças que aqueles putos tinham com as crianças normais (um até lhe pareceu o seu sobrinho, de quem tanto gostava). Se se esquecesse por instantes das argolas que alguns tinham nas orelhas, dos rostos sujos, dos bonés de marca virados para trás, via naquelas caras bolachudas o mesmo aspecto engraçado e felpudo de urso de peluche que todas as crianças do mundo devem ter. Mas Paulo era uma pessoa racional. Sabia perfeitamente que aquelas crias aparentemente inocentes iriam crescer, tornando-se em machos adultos rudes, duros, boçais, ignorantes, violentos. Foi com dificuldade que conseguiu conter um vómito de bílis que insistia em lhe subir pelo esófago acima. Paulo não hesitou. As razões do Estado devem estar sempre em primeiro lugar. Carregou a fundo no pedal do acelerador e ouviu o estalar de pequenos ossinhos a quebrarem com o passar dos pneus grossos do Jaguar. Não teve remorsos. Tinha acabado de fazer mais pela prevenção da delinquência do que três décadas de inúteis programas de intervenção social.

Teste de basófia


Caro leitor do sexo masculino,

Responda sinceramente o que é que preferiria:

a) andar com a Angelina Jolie só durante a noite, podendo desfrutá-la plenamente, mas sem que nenhum dos seus amigos lá no bairro pudesse ter o mínimo conhecimento sobre o assunto;

b) andar com a Angelina Jolie só durante o dia, fazendo furor lá no bairro junto do pessoal, mas nunca tendo oportunidade para passar a vias de facto.

Não me importava nada...


...de passar oito horas por dia a comer torradas frias e a subir escadas rolantes avariadas e a descer escadas rolantes avariadas e a comer outra vez torradas frias se no final do mês me dessem dinheiro por isso.

terça-feira, 16 de março de 2010

So Rock and Roll

Paradise Found


O que é espontâneo na natureza humana é a religiosidade e a crença na vida além da morte. O ateísmo é uma construção social muito recente que se opõe às nossas inclinações naturais. Descobri isso quando o meu puto perguntou-me para onde é que as pessoas vão depois de morrer. Respondi-lhe honestamente, dizendo-lhe que depois da morte as pessoas vão para dentro de caixões e são enterradas em cemitérios. O meu puto respondeu, "e dentro do caixão, há um computador onde posso continuar a jogar contigo, não há, pai?". O meu puto, que nunca tinha sido exposto em lugar nenhum aos malefícios da educação religiosa, acabara de expressar espontaneamente a sua noção inata de paraíso. Respondi-lhe que ele tinha de se vestir depressa. As aulas estavam quase a começar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Here comes our man

Para quem, como eu, se tornou num fanático dos Pixies praticamente desde que os ouvi, a carreira de Frank Black (ou Black Francis) a solo estava destinada a ser uma desilusão. A verdade é que, hoje em dia, tenho mais cds dele do que dos Pixies (e tenho todos) e Frank Black é, provavelmente, o músico vivo que mais ouço e admiro hoje em dia. Qualquer disco dele, qualquer um dos 15 discos a solo, é bom. Normalmente é óptimo. Vários são sublimes.
E agora, no início de Abril, chega mais um, "Nonstoperotik".
Portanto, mais uma dose de rock do bom, slide guitar com toques de country, um sentido pop como há poucos e aquela voz de eterno adolescente.
Há uns bons anos fui com o Amarelo à Aula Magna ver o Frank Black. Para mim e para 99% dos presentes, o que interessava é que era o gajo dos Pixies, e a casa veio abaixo quando tocou duas ou três músicas da sua antiga banda (lembro-me particularmente da explosão de entusiasmo da sala aos primeiros acordes de Mr. Grieves). Tinha três guitarras em palco, nenhum baixo, e quando acabou estive três dias a ouvir mal. Na altura, praticamente não conhecia as músicas, e é por isso que hoje em dia adoraria ver de novo um concerto seu.
Vi os Pixies no Superbock, mas cheguei no fim, portanto quase não contou.

Anyway, "Nonstoperotik" está a chegar às lojas. Não ouvi nem preciso. É comprá-lo assim que aterrar.

Entrevista do grande senhor aqui.

Orangina

No último fim de semana, todo o PSD se juntou ao já tradicional passeio dos tristes, e decidiu ir até Mafra.
Ao contrário do resto das pessoas, que passa quatro horas no trânsito por um objectivo - comprar queijadas de sintra - o PSD fez o mesmo penoso percurso, sem qualquer objectivo.
Fui espreitando na televisão, e aquilo, na minha opinião, devia ter bolinha. Tudo devido ao Ricardo Costa, o comentador de serviço da SIC e viciado em congressos. A sério, nunca tinha visto um monhé ter orgasmos consecutivos ao longo de um dia inteiro. E eu já vi muito, muito porno.

Quanto ao congresso em si, teve uma utilidade. Serviu para enterrar o ciclo Ferreira Leite. Acredito que a velhota foi das políticas mais injustiçadas da última década. O problema dela foi exactamente esse, não ser política. E avisar as pessoas do que aí vinha (já cá estava, de facto), apontar o dedo ao Socras e sugerir medidas difíceis para resolver a situação. Como é óbvio, pagou cara a desfaçatez de tratar os eleitores como adultos.

Quanto aos candidatos, são fraquíssimos. Atenção, em termos políticos há lá dois que são meninos para correr com o Socras - Passos Coelho e Rangel - mas são fraquíssimos em termos de respostas que tenham para dar aos problemas do país. Já o Aguiar Branco não ganharia sequer o concurso para modelo do ano para o Vidal Sassoon sénior (obviamente que o título ia para o Bettencourt).

Por último, aquilo que sobrou para a comunicação social. Naturalmente, agarraram na lei da rolha. Para quem não sabe, é uma regra que diz que a malta do partido não pode discordar nem criticar a direcção até 60 dias antes de eleições. Claro que o PS - que anda há anos a ignorar a realidade e a fugir às questões - decidiu botar faladura sobre o assunto. É claro que o PS critica, porque no PS não é preciso nada disso. É um partido unipessoal, é Sócrates e nada mais, e isso vai ser a sua perdição.
Também achei engraçado o Ruben de Carvalho fazer piadolas acerca do assunto, já que a pluralidade de opiniões é algo tradicionalmente muito acarinhado no PC.

De qualquer forma, uma coisa ficou clara para mim. Daqueles três, dois podem vir a ser primeiro-ministro. E esses dois, mais o Socras, é a escolha que será, mais tarde ou mais cedo, colocada aos portugueses.

Tudo na mesma, portanto.

Masoquismo existencialista


Os ordenados exercem sobre nós um estranhíssimo efeito: o de desejarmos que o tempo de vida que ainda nos resta passe rapidamente.

Make it stupid


Quando olho para um anúncio do Media Markt, tenho a certeza que foram precisos meses e meses de trabalho intensivo dos mais brilhantes criativos do mundo do marketing e publicidade, corrigindo obsessivamente as mais ínfimas imperfeições, até se chegar por fim àquele produto absolutamente perfeito em que a estupidez já não pode ser mais optimizada.

Resultados clinicamente testados: basta aplicar 60 gotas por minuto


domingo, 14 de março de 2010

Help the aged


Não tenho nenhum preconceito à partida contra os preconceitos. É verdade que há preconceitos idiotas como julgar as pessoas pela quantidade de melanina que têm na pele (o que é mais ou menos tão racional como avaliar o valor das pessoas em função do ph do seu mijo). Mas é também verdade que há preconceitos extremamente úteis: o preconceito que tenho contra pessoas que calçam sapatos com berloques (que me leva a estugar o passo logo que avisto um ao longe) já me salvou várias vezes de ser acossado violentamente por fanáticos religiosos do Movimento Pró-Vida. Para o bem ou mal, os preconceitos são parte integrante da condição humana, como a mortalidade e a cera dos ouvidos. Julgo que tudo começou no tempo das cavernas, com o preconceito contra os tigres dentes-de-sabre. É claro que isso pode ser muito injusto para os tigres dentes-de-sabre que detestam carne humana, mas o que é certo é que não sobrou até os dias de hoje nem um único gene dos homens pré-históricos sofisticados que consideravam incorrecto fazer julgamentos rápidos e estereotipados sobre estes bichos: morriam sempre antes de terem tempo de violarem a primeira mulher.
Se a propensão para o preconceito é transversal à espécie humana, a forma que assumem é, pelo contrário, muito diversa. Por exemplo, há preconceitos inatos como a aversão ao esforço (que mais tarde se transforma em aversão ao trabalho) e há preconceitos aprendidos como o racismo (que mais tarde se transforma em nazismo e genocídio). Há uns anos atrás, o meu puto demonstrou-me porque é que o racismo não é inato. Mostrei-lhe um livro sobre diferenças. Numa das páginas, havia um menino branco e um menino preto. Perguntei-lhe qual era a diferença entre os dois: respondeu-me que o primeiro tinha uma camisola verde e que o segundo tinha uma camisola azul.
O racismo pode ser um preconceito estúpido e aprendido, mas como ninguém comete a parvoíce de querer mudar de raça (a não ser os pedófilos esquisitos que cantam "it doesn't matter if you're black or white) ao menos o racismo não se vira contra o racista. O mesmo não se passa com o velhismo: preconceito que consiste em julgar as pessoas pela quantidade de dentaduras postiças e de embalagens de viagra que têm em casa. O velhismo é um autêntico preconceito boomerang: a não ser que um gajo cometa a idiotice de se enforcar aos vinte e quatro anos só para vender mais alguns álbuns, tudo indica que um gajo vá, efectivamente, morrer velho. Ser velhista é por isso tão inteligente como cuspir contra o vento, com a diferença que a saliva só nos bate na cara quarenta anos depois. Eu, pelo contrário, nunca discrimino as pessoas em função da idade: nos transportes públicos, nunca cedo o meu lugar a alguém só porque tem noventa e quatro anos, três AVCs e sete hérnias discais. Oferecer descanso a um velho é uma ironia demasiado cruel até para os meus padrões.

sábado, 13 de março de 2010

0 comentários


Ele estava por cima dela, fazendo movimentos ritmados para cima e para baixo como se enchesse um pneu de uma bicicleta. Ela estava por debaixo dele, como se fosse um pipo de um pneu de uma bicicleta a ser enchido. Às tantas ele parou a meio e disse-lhe, desculpa a interrupção mas tive agora uma ideia muito boa para um post e se não apontar esqueço-me. Ela disse, deves estar a brincar, meu filho da puta. Ele disse, desculpa, já escrevi, já podemos continuar. Ela disse, está tudo acabado entre nós, mete o teu blog de merda no cu, meu paneleiro do caralho. Ele levantou-se, foi para o computador e escreveu um post quase tão mau como este. Passados alguns dias, continuava a ler-se, 0 comentários.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Os avatares

E pronto, lá foi aprovado o orçamento e o PEC. A esquerda, naturalmente, votou contra. A direita, estranhamente absteve-se. Cortes no investimento público e nos apoios sociais, e viva as privatizações: hão de explicar-me como raio o PSD faria algo de diferente se estivesse no poder.
Mas enfim, apesar de Sócrates estar a fazer tudo o que a direita sempre defendeu, abstiveram-se.
Faz sentido.

Depois, é proposto à votação o apelo à garantia dos direitos e à libertação dos presos políticos em Cuba, na sequência da morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo.
Toda a gente votou a favor, excepto o PCP (que ainda assim, a contorcer-se todo, votou favoravelmente o lamento pela morte de Tamayo). Quanto ao resto, votou contra. E fê-lo com argumentos, bem, vou transcrever parte do take da Lusa sobre o assunto:

" O líder da bancada comunista, Bernardino Soares, quis demarcar-se "da operação em curso, coordenado e dinamizado pelos Estados Unidos, na sua sanha persecutória de sempre contra Cuba e o seu povo".O deputado do PCP considerou que "alguns destes votos" - sem especificar quais - pretendem "inserir-se em mais uma operação de pressão e ingerência num país soberano, que há décadas está sujeito a um criminoso bloqueio e a todo o tipo de ataques, sabotagens, ações terroristas e atos violentos", criticando as restantes bancadas por "não dizerem uma palavra sobre as atrocidades de Guantanamo".

Estou-me cagando para as motivações ou para estes ou outros argumentos. Quando se defende a liberdade, a todos os níveis, não pode haver excepções mais ou menos embaraçosas e embaraçadas.
E isto veio do PCP, o partido no qual voto há alguns anos. E voto conscientemente, mesmo que não concorde com tudo. Mas, também pelo PC, cada vez tenho menos escolha. Aliás, cada vez me sinto mais alienado de todos aqueles que, num menu que é uma farsa, nos propõem.

Os nossos partidos, infelizmente todos eles, são os verdadeiros extraterrestres. Vivem noutro planeta, alimentam-se de nós e, pouco a pouco, vão acabar por nos exterminar.

O meu voto em Fernando Nobre ganha cada vez mais convicção, e  não o conheço de lado nenhum.
Mas é cada vez mais preciso passar a mensagem. De que isto, assim, não pode continuar.

O Povo gosta, o Povo merece

Roubei o título desta posta a uma mensagem escrita por um dos camaradas deste tasco, na noite das eleições que consagrou a reeleição de Sócrates.

Socrates ganhou apelando a algumas coisas, e colocando-as mesmo no seu programa de Governo:

- investimento público em barda, nomeadamente um TGV entre todas as residências e o café da esquina mais próximo

- reforço do papel do Estado

- não ao aumento de impostos

- reforço dos apoios sociais, como forma de lidar com a crise

Acredito que já ninguém se lembre (afinal foi há longínquos seis meses), mas Ferreira Leite defendeu algumas coisas diferentes: cortes nas obras públicas - nomeadamente o TGV - , redução do peso do Estado, regresso à disciplina orçamental, inúmeros alertas acerca do défice e da insustentabilidade do endividamento externo.

Sócrates, ao contrário de todos os economistas que não do PS, jurava a pés juntos que tudo estava bacano, que o défice estava controlado, ia ficar nos dois e tal por cento (ficou nos 9). Tudo jóia.

E agora, depois de gozar descaradamente com a velha, está a fazer tudo, mas tudo, o que ela defendeu.

Discute-se no parlamento se Sócrates mentiu aos deputados. Isso é relativamente indiferente. É indesmentível que mentiu aos portugueses.

E, com tudo isto, e com o que se sabe da Face Oculta (estou a falar para pessoas normais, não o Amarelo, que não se permite saber nada), saem as sondagens e, voilá, se fosse hoje Sócrates ganharia de novo.

Portanto: O Povo gosta, o Povo merece.

Drugs & Drugs & Rock and Roll

Teste de ocidentalização da sua mente


Vamos supor que com uma foice um gajo demora oito horas a ceifar o trigo suficiente para garantir o pão que precisa para a sua subsistência. Vamos supor que com uma nova invenção (uma debulhadora) se consegue uma produtividade quatro vezes superior.

O que é que fariam?

a) trabalhariam o mesmo número de horas, produzindo quatro vezes mais trigo, para acumular pão, vendê-lo e ganhar dinheiro para comprar mais trigo para acumular mais pão para vendê-lo outra vez;

b) produziriam exactamente o mesmo trigo em apenas duas horas, ficando o resto do dia de papo para o ar a fumar brocas e a beber aguardente produzida pelo Bastard.

Se calhar o campo não é tão mau assim


Conheci uma vez um gajo que já estava de tal forma fodido de nunca conseguir arranjar a puta de um lugar sentado nos transportes públicos, que um dia chegou a casa e vazou os seus dois olhos com um compasso.

Para um gajo...


... humanista como eu, para quem todos os seres humanos são essencialmente iguais em dignidade, sempre me chocou a atitude sobranceira e petulante com que os condutores de ambulâncias insistem em tratar os outros condutores.

Foda-se, é finalmente sexta-feira!!!

O povo falou

Encerrada que está a nossa votação, há ali coisas que me surpreendem.
Sempre achei que a equipa do Benfas ganhasse, foi uma borla que ali meti para os gajos dos outros clubes descarregarem a dor de cotovelo. Mas aparentemente só lampiões é que cá vêm.
Depois, a corrida foi renhida entre Hulk e fantasias com lésbicas, para ganhar o ceptro de coisa mais sobrevalorizada. Eu votei nas lésbicas.
E isto que sirva de lição para as gajas.
Sim, nós somos tarados.
Sim, nós pensamos em gajas e sexo a toda a hora.
Não, não é preciso nada de elaborado.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O meu vizinho do terceiro esquerdo...


... é um gajo tão irónico, tão irónico, que ainda hoje está na escola primária por ser incapaz de passar no exame da terceira classe.

A condição humana


A angústia que sinto quando tomo consciência de que me poderia suicidar de infinitas maneiras possíveis mas que apenas poderia concretizar uma só dessas possibilidades infinitas faz-me perder logo a vontade de me matar.

Positivity


A esperança média de vida em Portugal é de 78 anos. Cerca de vinte e seis anos são gastos a dormir. Outros vinte e seis anos são desperdiçados a trabalhar. Cerca de dezoito anos, são deitados fora a fazer coisas interessantíssimas como despejar o lixo, pagar as facturas da luz, ir comprar areia para o gato ou procurar o comando da televisão. Na melhor das hipóteses, sobra-nos oito anos de uma vida propriamente dita. Porquê então tanta histeria nas sociedades ocidentais modernas em relação ao valor da vida humana?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Desculpem-me a má educação mas metam a introdução de 5 minutos do Shine On Your Crazy Diamonds pelo cu acima

Adoro o campo, as árvores e as flores


O campo é o sítio ideal para viver (na perspectiva de um insecto). Para um humano, o campo é igual a um gulag só que com muitas árvores e flores. Quando almoço no campo, prefiriria mil vezes que o violador de Telheiras andasse à volta do meu prato que o caralho das moscas gigantes e abelhas assassinas. O campo é o maior dos mitos urbanos. Os campos de concentração nazis eram maus não porque fossem "de concentração" mas sim porque eram "campos". No campo, a civilização não chegou: as pessoas mijam ao ar livre, fodem atrás dos canaviais e não existe a puta de uma caixa multibanco no raio de pelo menos vinte quilómetros. No campo, quando um gajo está a comer a bela de uma bifana, os porcos nos matadouros começam de propósito a guinchar mais alto só para nos provocarem problemas de consciência. Há o mito de que o campo é silencioso, mas prefiro mil vezes o barulho dos carros da segunda circular à puta do barulho dos cães das aldeias todos a ladrarem ao mesmo tempo. Se o campo não fosse um lugar sinistro, as pessoas do campo não estariam sempre a fugir para a cidade. Se o campo fosse um lugar maravilhoso, os principais passatempos dos velhos não seriam o dominó e o suicídio por enforcamento. No campo as pessoas são psicopatas que adoram cortar cabeças a galinhas e como se riem ao vê-las correrem sem nada em cima do pescoço. Na cidade, as pessoas para se entreterem dão festas nos seus animais de estimação; no campo, as pessoas para se entreterem dão pancadas secas nas nucas dos seus coelhos. No campo não existem salas de cinema, existem cafés centrais. No campo, não existem livrarias, existem cafés centrais. No campo, não existem tabacarias, existem cafés centrais. Urbanos de todo o mundo, uni-vos. Nada terão a perder a não ser as vossas inúteis casas de campo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Esta é dedicada à mulher mais bonita da minha rua

O Junkie da minha rua


O Junkie da minha rua era o puto mais popular no Secundário. Eu era tão estupidamente discreto que nem o meu melhor amigo se lembrava do meu nome.

Todas as miúdas do Secundário estavam apaixonadas pelo Junkie da minha rua. Os meus discos e livros também gostavam bastante de mim.

O Junkie da minha rua tinha uma LC. Eu andava para todo o lado com uma bicicleta ridícula daquelas que só se vêem nos videoclips dos Smiths.

O Junkie da minha rua tomava drunfos, speeds, ácidos e todos os químicos que conseguia gamar em farmácias e hospitais. Eu adorava beber batido de morango.

O mundo onde habitava o Junkie da minha rua era o mundo da rua, onde ele era rei e senhor. No reino do meu quarto quem mandava era eu.

Hoje, da varanda do meu quarto, de mão dada com a mulher mais bonita da minha rua, enquanto bebo devagar um batido de morango e ouço um velho disco dos Smiths, vejo lá em baixo um pobre farrapo sujo e pestilento que quase juraria ser o Junkie da minha rua.

O PEC mora ao lado


As privatizações propostas por este PEC pecam por insuficientes. O défice orçamental é de tal forma elevado que é absolutamente necessário privatizar também a EPAL, a CP, o Serviço Nacional de Saúde, as Escolas Públicas, a Segurança Social, a Caixa Geral de Depósitos na sua totalidade, os Tribunais, as Polícias e as Forças Armadas. O Governo da República não é preciso que esse há muito que já foi privatizado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pensamento assustador



E se nunca mais parar de chover?....












PS - Saramago, se transformas esta merda num livro tens que me pagar royalties.

O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)

E pronto.
Apesar de o documento não ter sido oficialmente apresentado, ficámos a conhecer as linhas gerais do PEC que vai ser apresentado a Bruxelas, na nossa tentativa de mostrar que somos, mais uma vez, bons alunos.
O que sabe pode resumir-se nos seguintes tópicos:

1 - Congelamento dos salários da função pública nos próximos anos

2 - Privatizações em barda, incluindo os CTT, os seguros da Caixa, e as posições ainda detidas na EDP e na Galp. Curiosamente, sobre a golden share na PT, nem uma palavra.

3 - Limitação das deduções fiscais, como as despesas com a educação e com a saúde, por exemplo.

4 - Criação de um novo escalão de IRS de 45% para os rendimentos mais elevados.

5 - Política de entrada de um funcionário público por cada dois que saiam (onde já ouvimos isto antes?).

6 - Tributação das mais-valias em bolsa (até agora só eram tributadas as mais-valias realizadas com as operações de duração inferior a um ano).

7 - Limitação, não especificada, dos apoios sociais.

Em termos gerais, não tenho grande coisa contra a maioria das medidas. O problema não está necessariamente nas medidas.

No que toca às privatizações, como tipo de esquerda, sou por princípio contra. No entanto, e visto que em Portugal PS e PSD não sabem estar no poder sem partidarizar as empresas, gerando ineficiências (porque metem lá os amigos e não profissionais competentes) pagas por todos nós, talvez a venda seja, de facto, a melhor solução.

Nas medidas fiscais, a taxa para os ricos não terá grande receita: é demasiado fácil, para quem tem dinheiro, enganar o Estado e fingir que ganha pouco. A medida que terá mais impacto é a das deduções. Como é óbvio, tem impacto em termos de receita porque afecta muita gente; afecta muita gente logo afecta muitos dos mais pobres, e a classe média.

No que toca aos salários da função pública, também não tenho grande coisa a opor. Sei que vão perder poder de compra. É a vida. Considero que um trabalho que garanta emprego para toda a vida deve ser menos bem pago do que outro que, de um momento para o outro, pode desaparecer. Quem não está contente com este panorama, que tente mudar para o privado, arriscando e podendo ganhar mais. O Estado agradece.

O problema não está no salário em si. O problema não está nos funcionários de base, muitos deles bons trabalhadores que, com certeza, mereceriam ganhar mais. O problema está na ineficiência da máquina. Chefias incompetentes, colocadas através de cunhas e filiações partidárias, durante décadas, só podia dar este resultado. É bastante óbvio. É claro que o mexilhão é que se lixa.

É a mesma coisa que a conversa de que os trabalhadores portugueses têm de ser mais produtivos. Se não o são, lá está, a culpa é dos trabalhadores. Não de quem não sabe gerir, não sabe motivar, não quer pagar salários justos.

Isto é uma questão endémica da economia portuguesa. É o verdadeiro cancro da sociedade portuguesa. Não temos qualquer tipo de meritocracia. Todos os lugares de topo, em quase todo o lado e não só no Estado, estão e são ocupados por medíocres. Sobem por amiguismos, corrupção, tráfico de influências. Numa sociedade que há muitas décadas funciona assim, é óbvio que a economia não funciona. Quem está no topo não merece estar, não tem competência para tal. E os outros, os assalariados que podem ter competência para tal, pura e simplesmente cagam. Vão esforçar-se para quê? Para encher ainda mais o cu ao patrão?

E depois há outro problema, mais geral, que tenho em relação a este PEC. É que não enfrenta nem procura resolver qualquer problema estrutural da economia portuguesa. Qual é o modelo económico para o país? O que queremos ser? O que queremos produzir? O que vamos fazer, em concreto, para mudar o nosso tecido económico no sentido de termos qualquer valor acrescentado a dar a quem queira comprar os nossos produtos (que não sabemos quais serão)?

Por outro lado, vai, mais uma vez, dar cabo da própria economia. Foi assim que chegámos a este défice, não foi só a crise internacional. A crise tem costas largas. Até 2008, para reduzir o défice, fizemos contas de merceeiro: preciso de arrecadar mais x e gastar menos y. Gastámos o mesmo, pelo que reduzimos o défice ao aumentar a receita. Aumentámos a receita ao ir ao bolso à classe média. Tirámos lucro às empresas, sobretudo às PME, levando muitas a fechar. Levámos assim as pessoas ao desemprego. Os que mantiveram o emprego viram salários congelados e/ou pagaram mais impostos.
Resultado: o Estado encheu o bolso durante um bocado, mas retirou o dinheiro da economia, do bolso das pessoas. Ou seja, acabou por ver-se, agora, sem sítio onde consiga ir cobrar os impostos de que precisa.

E agora vamos fazer o mesmo, espremendo ainda mais quem já pouco ou nada tem. Daqui a uns anos, se tivermos sorte, voltamos ao mesmo.

O PEC não é apenas de Estabilidade. Eles também meteram Crescimento no nome, mas obviamente que foi só para disfarçar. Nada foi previsto em termos de Crescimento. Este Governo, tal como muitos outros, está sem ideias. Sem um modelo. Aposta numas coisas aparvalhadas tipo Magalhães, e mais nada. Porque, também no Governo, quem está são os medíocres.

Seguem-se tempos muito duros, num país que está, há demasiado tempo, a viver tempos muito duros.
Seria preciso mudar tudo. Sobretudo o que considero ser o problema central da nossa sociedade e da nossa economia: a corrupção e a completa ausência de meritocracia.
Mas é claro que, a quem manda e a quem está bem na vida, não interessa mudar absolutamente nada.

Vão ser os outros, mais uma vez, a pagar.

Tenho grande estima e admiração por este senhor

Parabéns, gaijas

Apesar de ser um espaço no qual a testosterona corre mais forte que no corpo da Solange F., o Vodka Atónito é um espaço aberto à liberdade e à igualdade, contra a discriminação e os estereótipos sexuais.
Associamo-nos, desta singela forma, ao Dia Mundial da Mulher, que hoje se comemora.
Sem vós não éramos nada de jeito.

Porque é que eu não ando na rua com uma t-shirt do Che?


Já tinha escrito sobre a El-Ché Cola mas a bela posta lá em baixo do meu arqui-rival cá do tasco deu-me vontade de escrever sobre a pessoa por detrás da El-Ché Cola. Por mais defeitos que Che Guevara tenha (e tinha bastantes), é preciso desde logo reconhecer que não se trata de um homem vulgar, que sempre pairou sobre si uma aura de transcendência que o elevou muito acima da pequena humanidade média onde eu confortavelmente me situo. Não digo que eu até não seja um gajo bem intencionado e que não esteja sinceramente indignado com as injustiças filhas da puta cometidas permanentemente nesta bola absurda que continua a girar sem parar. Digo apenas que expresso essa minha indignação de uma forma comodista e inconsequente, no ambiente acolhedor de um sofá, de um café ou de um blog, e exercendo o meu dever de voto de 4 em 4 anos com o mesmo espírito de rotina e de obrigação com que os jeovás têm relações sexuais às quintas-feiras. O Che, pelo contrário, expressou a sua indignação num combate total que o levou à morte, e que ele sempre soube que o levaria à morte (certa ocasião, numa reunião com o Allende, Che disse ao companheiro para não sairem os dois ao mesmo tempo, para que, se houvesse um atentado, só morresse um deles). Há uma segunda razão pela qual o Che não era um homem como os outros: nunca foi corrompido pelo poder. Ao contrário do triunfo dos porcos de muitos dos heróis da Sierra Maestra (Fidel, incluído), que rapidamente se aproveitaram dos imensos privilégios passíveis de ser aquiridos pelo poder político quase absoluto detidos por essa elite, Che manteve-se sempre impoluto e incorruptível, desprezando o dinheiro e as honrarias, nunca vendendo os seus ideais humanistas por nenhum prato de hipócritas regalias. Quantos de nós resistiriam ao extraordinário poder corruptor do exercício do poder absoluto? Além do mais, teve sempre a coragem de criticar abertamente a política externa da União Soviética.
Mas, apesar da profunda admiração que tenho pela autenticidade, coragem, humanismo e heroicidade do ícone, nunca andaria na rua com uma t-shirt do Che vestida.
Primeiro, porque era demasiado dogmático nas suas convicções, sendo completamente intolerante para quem pensasse de uma forma diferente (era bem gajo de me dar um murro nos cornos só por causa desta posta).
Segundo, porque tinha um pensamento político maquiavélico, considerando que os fins (alegadamente nobres) de uma revolução socialista justificavam os meios revolucinários mais draconianos. Só assim se explica que Che tenha um dia escrito que "se a única maneira de defender a revolução fosse através da execução dos seus inimigos, não seria sensível a argumentos políticos e humanitários". E não são só palavras (em Che, a correspondência entre as palavras e os actos é quase sempre total). Che foi o primeiro a mandar fuzilar todos os que tivessem alegadamente ligados aos crimes de Batista, em processos sumários inaceitáveis para quaisquer padrões mínimos de um Estado de Direito.
Terceiro, porque considerava ingenuamente que era possível mudar a natureza humana, construindo uma sociedade toda ela feita de santos revolucionários abnegados como ele. Daí que quando ele foi ministro cubano da economia e da indústria (e presidente do Banco de Cuba) substitui todos os incentivos económicos por incentivos morais, o que naturalmente se traduziu numa diminuição abrupta da produtividade e num aumento exponencial do absentismo. A pessoa média não é, nem nunca será, da mesma natureza de um ser absolutamente excepcional como foi o Che.
Quarto, era demasiado ortodoxo no seu marxismo, concretizando uma política económica completamente centralizada e estatizada (quando foi ministro em Cuba), que se revelou um enorme fracasso.
Mas, para mim, a principal razão pela qual não ando vestido com uma t-shirt do Che nem na Festa do Avante foi o facto do homem mais autêntico e humanista do século XX, que denunciou todas as hipocrisias e iniquidades do mundo (viessem elas de onde viessem), ter sempre se calado perante as mentiras e crimes políticos de Fidel Castro, já bem evidentes no tempo em que era vivo, e, como o Bastard muito bem denunciou na sua posta, cada vez mais intoleráveis.

Deixem-me sonhar


                                       CARREGA BENFICA!!!

Se não tivesse havido o Che...

...as coisas teriam sido diferentes. Veríamos Fidel apenas como um barbado excêntrico, bom orador, e pouco mais. Outro ditador. Mas houve Che, e as t-shirts, e os livros, e aquele momento em que aprendemos sobre a revolução cubana e acreditámos, mesmo que por pouco tempo, que havíamos descoberto a verdade. A verdade de que havia algo lindo e poético, que valia a pena seguir.
Se não tivesse havido os EUA, e a amadora tentativa de invasão, e o absurdo bloqueio económico que é, tantos anos depois, o último símbolo de uma guerra já gelada. Sim, se não tivesse havido os EUA não teríamos de escolher lados, e como é óbvio, perante o panorama, Cuba seria sempre, mas sempre, o nosso lado. Se não houvesse os EUA, não teríamos de escolher, e Cuba seria uma outra coisa na nossa mente. Uma Guatemala. Uma Nicarágua. Qualquer coisa, mas não Cuba.
Se não houvesse Zapata, se não houvesse Bolívar, as coisas seriam diferentes. Cuba, Fidel, Che e Camilo não seriam continuadores de uma linha de revolucionários que, de uma forma ou de outra, não podia deixar de nos fascinar.
Se não houvesse Chavez, as coisas poderiam ser diferentes. Porque aí talvez, apenas talvez, nos pudéssemos esquecer que qualquer ditadura é uma má ditadura.
Se não houvesse Maradona, mergulhando para a piscina, entre as sessões de recuperação, gritando "Te Quiero, Cuba!", e "Te Quiero, Fidel", as coisas podiam ter sido diferentes. Deus é Deus, mesmo que da bola, e acreditaria em Maradona mesmo que me dissesse ter vindo de outro planeta (é óbvio que veio).
Se não houvesse Mano Negra e Manu Chao e a vontade que me dá de estar desse lado, sempre, haja o que houver.
Se não houvesse a multidão daquela gente que, mesmo na miséria, grita com a certeza de, pelo menos, ter conquistado o direito à sua dignidade, contra os donos do mundo e aquilo que todo o mundo diz ser o caminho.
Se não houvesse Vitor Jara, se não houvesse Silvio Rodriguez.
Se não houvesse Pinochet e as tiras da Mafaldinha.
Aí sim, tudo podia ter sido diferente.

Se não houvesse gente torturada, gente perseguida, gente morta. Gente a morrer porque quer falar.
Se não houvesse nada disso, talvez eu continuasse a ter, fundo no meu peito, o amor romântico que aquela ilha e o seu velho líder me inspira. E do qual me envergonho.

Mas houve tudo isso. Houve Kennedy, houve Camilo Cienfuegos, houve o Quino, houve Pinochet. Houve Fidel, o sempre lúcido Fidel. E houve Che, o fascinante, poético e frio Che.

E com tudo isto, o desgosto de aquele sonho lindo não ter sabido impedir-se de se transformar no que é. Não há nada pior que a traição de um sonho lindo.

E agora, não há maneira de as coisas serem diferentes.

domingo, 7 de março de 2010

Apesar de me sentir ateu até à medula, certas ocorrências obrigam-me à prudência de me assumir apenas como agnóstico

1,7% dos islandeses votaram sim


Referendar na Islândia um acordo financeiro para indemnizar os investidores estrangeiros lesados pela falência de um banco islandês é mais ou menos a mesma coisa que referendar, no universo de psicopatas violadores, se eles pretendem que as mulheres potencialmente violadas sejam obrigadas a vestir sempre cuecas lavadas.

Isto não é como a cara da Manuela Moura Guedes- é mesmo absolutamente verídico


Eu pensava que Portugal integrava pessimamente os seus imigrantes até ao dia em que ouvi um ucraniano todo fodido por ter pisado merda de cão dizer "cona da tia".

sexta-feira, 5 de março de 2010

As portas do paraíso


12h51. Abdul Nasser comia tranquilamente uma tâmara enquanto ouvia o lento tic-tac da bomba- relógio que daqui a poucos segundos o faria rebentar em mil pedaços no meio do shopping center mais frequentado de Tel Aviv. Quem morre por Alá tem as portas do céu abertas e Abdul só pensava no harém de vinte mil belas e insaciáveis mulheres que esperavam por si. O dinamite explodiu no momento exacto, estilhaçando juntamente consigo mais de trinta infiéis. Alá é grande e justo pois, imediatamente após a sua morte, as suas vinte mil mulheres (mais atraentes do que alguma vez imaginara) arrastaram-no para dentro do portão do paraíso. Abdul ardia de desejo, pelo que foi imediatamente direito ao assunto, despindo a mais atrevida das suas mulheres. Mas Abdul grita horrorizado. As lindas e insinuantes mulheres que o acompanharão para toda a eternidade, as lindas e insinuantes mulheres por quem Abdul sacrificou tão jovem a sua vida terrena, não têm qualquer sexo no meio das pernas. Subitamente, Abdul compreende tudo. Esquecera-se por completo que o Ramadão tinha comeaçado esta manhã, cometendo o sacrilégio de comer uma tâmara antes do sol posto. Afinal, Abdul nunca viu, e Abdul nunca verá, as portas douradas do paraíso.

I'm happy when it rains


Quando eu finjo que consigo abrir as janelas do meu carro à distância apenas com palavras mágicas (enquanto carrego às escondidas nos botões do vidro eléctrico), a minha filha (de 3 anos) fica realmente convencida que o seu pai é um poderoso feiticeiro e que o mundo é realmente um lugar mágico, bom e inocente onde tudo pode acontecer. Quando eu fizer o mesmo passo de magia daqui a um ano, a minha filha vai olhar desconfiada para todo o lado até encontrar o botão em que estou a carregar. Estará finalmente preparada para compreender que a vida não é mais que um breve e patético intervalo.

Agradeço a generosidade de homem-bomba do Bastard, oferecendo-me mais um magnífico exemplo de objectividade jornalística

quinta-feira, 4 de março de 2010

Talk to the hand


Eu percebo que a malta quer acção, e ver um belo debate entre mim e o Amarelo. Bom, sejamos honestos, a malta quer é ver-me, de novo, a espancar brutalmente o Amarelo. Não se preocupem. Em breve lançarei uma nova discussão.
Mas procurar ressuscitar um assunto morto é como discutir a monarquia (ok, mau exemplo).
O Amarelo lembra-me o Cavaleiro Negro, do Holy Grail, dos Monty Python, o gajo que perde os dois braços e as duas pernas e, quando o vencedor se afasta, desata a chamar-lhe cobarde e a querer luta.
Enfim.
Para contrapor à capa do Metro, esse grande folheto do Media Markt com 3 notícias lá dentro, deixo-vos aqui a melhor capa de jornal dos últimos, pelo menos, 10 anos.

Adeus e até ao meu regresso.

Política de Verdade


Quanto mais artificial é uma sociedade mais existe o culto da pseudo-naturalidade. Os exemplos são inúmeros, desde os ridículos riachos que brotam nos shopping centers até às lojas natura com produtos naturais, repletos de cds new age com sintetizadores a vomitarem cantos de pássaros. Um sumo de laranja natural (isto é, três laranjas mal espremidas para dentro de um copo) adquire um preço irracionalmente exorbitante por causa desta estúpida obsessão dos tempos modernos com os produtos naturais. Daí que eu rejeite este hipócrita dogma contemporâneo da suposta superioridade do natural sobre o artificial. E julgo não ser o único. Imaginem a seguinte experiência mental. Num centro comercial têm que escolher entre o Menu "Artificial" (uma mousse instantânea, uma lata de Coca-Cola e uma relação sexual gratuita com uma boneca insuflável) e o Menu "Natural" (uma mousse caseira, um néctar de alperce e uma relação sexual gratuita com a Manuela Ferreira Leite). Sejam sinceros, qual menu é que escolheriam?

Tens razão, Bastard, bora andar outra vez à pancada senão a ASAE ainda manda fechar o tasco

O nosso ilustre Bastard diz, e muito bem, que o jornalismo nunca incorre no erro de opinar. Como sempre, apenas e somente, "enquadra jornalisticamente".

quarta-feira, 3 de março de 2010

Morse

Peço desculpa pela falta de manutenção do tasco (da minha parte), mas apanhei uma constipação que só lá vai à custa de muito medronho. Curiosamente, isto acontece no exacto momento em que, dois anos depois, decidi que ia voltar a jogar à bola. Um jogo depois e já estou no estaleiro. Acho que a vida está a tentar dizer-me alguma coisa.
Por outro lado, o trabalho aperta, a paciência escasseia, a escrita não sai do sítio. E a merda da chuva que não desarma. É tempo de baixar a pulsação, guardar energias, entrar em modo stand by. Deixar passar a onda por cima, até tentar voltar à tona.

Por estes dias, a máquina está a ganhar. Mas já dei a volta muitas vezes, e voltará a acontecer.
Haja saúde e Benfica.

Stay cool.

PROCURA-SE...

...este Governo

Foi visto pela última vez em Moçambique, a cortar umas fitas numas fábricas de estores. Mede 1,50 metros, tem cabelo branco e, apesar de ter apenas cinco meses, ostenta uma face que sugere décadas de desgaste.
Segundo a família, nos últimos tempos andava escondido em restaurantes e patuscadas íntimas, que acabavam sempre com o seu líder a sacar da arma e a disparar para o tecto, vociferando contra os jornalistas, os portugueses em geral, e a Júlia Pinheiro.
Se o vir, pode alimentá-lo, mas não demonstre qualquer sinal de liberdade, pois pode enfurecê-lo.
Em caso de avistamento, é favor avisar as autoridades, Francisco Louçã, Manuel Alegre ou o Homem do Estupefacto Amarelo.

Ora aí está

Portugal é o país do desenrasca.
Até os cabrões dos gregos - os únicos mais tugas que os tugas - prometeram aumentar os impostos e cortar nos salários, e lá conseguiram convencer os mercados internacionais que, de um momento para o outro, viraram suecos.
Nós fomos mais comedidos, e ainda bem. Limitámo-nos a congelar os salários da função pública. Acontece é que, desde então, já há 3 empresas públicas a pedirem excepção: Caixa Geral de Depósitos, REN e CTT.
Na prática, vai haver uma orientação geral de congelar salários - o que vai ser aproveitado pelo sector privado para fazer o mesmo - mas muita gente da máquina do Estado terá o seu aumentozito.
We do it our way.

Alguém me explica...


... porque é que o Homem consegue ir à lua, pôr sondas em Marte, tornar possível que um antigo líder de uma juventude partidária possa ser o nosso próximo primeiro-ministro, mas não consegue inventar a merda de um aparelho que realmente nos proteja da chuva.

Vodka Anónimo


Boa noite, o meu nome é o homem do estupefacto amarelo, tenho 32 anos e também eu assumo que tenho um pseudónimo extremamente esquisito.

terça-feira, 2 de março de 2010

Simplex


O facto dos aumentos salariais na função pública serem percentuais (e não em valor absoluto) funciona como um mecanismo multiplicador da desigualdade, uma vez que vai aprofundando cada vez mais as desigualdades entre salários baixos e salários altos: um aumento de 10% sobre um salário de 480€ resume-se a uns míseros 48€ enquanto que o mesmo aumento percentual sobre um salário de 9800€ traduz-se em mais 980€ euros por mês, o que significa que o fosso (absoluto) entre os dois salários se agravou em 932€. Se os aumentos fossem iguais (em valor absoluto) para todos os salários, as assimetrias de rendimentos não se acentuariam a cada progressão salarial, e os mesmos 48€ fazem muito mais diferença a quem ganha muito pouco do que a quem ganha muito mais.

Sometimes I think that I love you, but I know it's only lust

Se, como alguém o disse, a originalidade consiste sobretudo na arte de esconder muito bem as fontes, aconselha-se vivamente a Mr. Kapranos (e a restantes apêndices dos Franz Ferdinand) um pouco mais de discrição nos seus próximos açambarcamentos de linhas de guitarra.

El Ché-Cola



No meio da miríade de produtos esquisitos que o Inter-marché disponibiliza aos seus clientes esquisitos, há um que me chamou particularmente a atenção: um refrigerante chamado "El Ché-Cola". Nada esclarece tanto sobre a natureza do capitalismo do que este insólito artigo. Em primeiro lugar, demonstra que o capitalismo pode ter muitíssimos defeitos, mas um deles não é com certeza a falta de um apuradíssimo sentido de ironia. Em segundo lugar, ilustra bem outra característica do capitalismo: a sua extrema flexibilidade e adaptabilidade. O capitalismo tem apenas uma só lógica: a maximização do lucro. Se o lucro for optimizado através da venda de armas para o Pinochet ou através da venda de um produto que presta homenagem ao mais anti-capitalista dos heróis (que morreu precisamente em nome da luta contra o capitalismo e foi morto pelas forças apoiantes do capitalismo), isso é completamente irrelevante. O capitalismo não é imoral, é somente amoral: o bem e o mal são, em si mesmos, categorias completamente estranhas a este sistema. Podem, contudo, servir como excelentes meios para atingir a finalidade do lucro. A escolha do bem e do mal enquanto instrumento de marketing não é nunca uma escolha ética: é simplesmente uma escolha económica. A pergunta que o capitalista faz é simplesmente essa: o que é que me ajuda mais a optimizar os meus lucros: o Himler no rótulo de uma garrafa de um refrigerante ou o Che Gevara? Um simples estudo de mercado dá a resposta às suas angústias filosóficas: parece que o nazismo não vende lá muito bem hoje em dia. É por isso que o capitalismo triunfou por todo o lado e esmagou por completo todas as alternativas anti-capitalistas. A resistência anti-capitalista é fraca porque fica prisioneira da sua coluna vertebral, da sua ideologia, dos seus princípios morais humanistas, não se regendo apenas por pragmatismo e calculismo político. O capitalista não tem quaisquer limites a não ser os da margem do seu lucro. O capitalista não se importa nada de fazer muito dinheiro vendendo t-shirts do Che Guevara e produzindo filmes do Michael Moore. o Che Guevara está morto e o capitalismo está bem vivo. E que bem que sabe a "El Ché-Cola".

segunda-feira, 1 de março de 2010

Wrong line

As mulheres tendem muito facilmente a confundir o meu egoísmo com machismo.
Ser gajo não interessa nada para a questão, apenas interessa, e muito, ser eu.

The meaning of life

A meu ver, a minha única possibilidade de não ter de vir a trabalhar é ser promovido a Deus.
É claro que seria um Deus bastante incompetente, uma vez que os meus dias seriam passados a ver episódios antigos dos Simpsons, a jogar FM, a fumar ganzas e a ouvir Johnny Cash (basicamente o que faço quando estou de folga, como hoje).
Começo a perceber a razão pela qual Deus é um incompreendido.

O penteado de Goebbels



A maior parte dos analistas políticos pensa ingenuamente que o que distingue a esquerda da direita são as respectivas atitudes perante a igualadade social. Nada mais errado. O traço mais distintivo da direita é a sua obsessão fascista pelo aprumo e higiene (até hoje nunca vi um skinhead despenteado nem um membro da juventude popular com a sua camisa de riscas amarrotada). A sua preferência pela desigualdade é um mero efeito colateral de não haver gel desinfectante suficiente para todas as classes sociais. A esquerda, pelo contrário, é muito mais tolerante com os freaks dos cães e não se importa nada de eleger como o seu maior ícone (Che Guevara) uma figura que gostava tanto de tomar banho como gostava do imperialismo americano. É por isso que o PS há muito tempo que não é um partido de esquerda: se havia alguma dúvida sobre a irreversibilidade do processo de arrumação do socialismo na gaveta, esta foi totalmente dissipada pelos fatos Hugo Boss impecavelmente passados a ferro que os militantes socialistas são há muito tempo obrigados a usar por disciplina partidária.