segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Chorões vs Iludidos

O jogo da Taça entre Sporting e Porto foi uma bela jogatana. Emoção, luta, algum futebol.
Eu, bom chefe de família, até estava a torcer pela lagartagem, pela simples razão de ter, do outro lado, os azuis. E vi um grande Sporting na primeira parte, e uma segunda parte equilibrada, em que o Porto voltou a meter os trincos todos.
E depois entrou o árbitro em cena e, em conjunto com o descontrolo dos jogadores, lixou o jogo.
No final, passou o Porto, sem merecer, e ficou o Sporting pelo caminho, porque não soube aproveitar o facto de estar muito melhor no jogo.
Mas, ouvindo os portistas e os sportinguistas no final do jogo, parece-me que andam todos a fumar coisas estranhas.
Os sportinguistas queixam-se do árbitro. Têm toda a razão, foi uma exibição miserável de um árbitro miserável, e alguém há de me explicar por que raio este incompetente encartado continua a apitar. Mas foi miserável para os dois lados. Deixou por marcar um penalti para cada lado: mão do Rolando e paragem cerebral do Rui Patrício sobre o Hulk, o resto foram lances marados que podiam ou não ser marcados. Expulsou dois gajos do Porto, e bem, e expulsou um do Sporting, e bem. Podiam ter ido mais para a rua, mas o árbitro a certa altura desligou a mão dos cartões. Os lagartos queixam-se da expulsão do Caneira. É simples: ele tinha um cartão, decidiu armar-se em maroto, primeiro, dando uma patada "inocente" e "casual" na boca do Hulk; e a seguir decidiu armar-se em mau, de cabeça espetada para o outro, que fez o mesmo. Amarelo para os dois, o Caneira já tinha. Azar, não tinha nada que se ir armar ao pingarelho.
Se os sportinguistas desempenham o habitual papel do bébé-chorão, os portistas alinham pela cantiga do Jesualdo, que no final do jogo teve a suprema lata de dizer que "o Porto foi um justo vencedor". Só pode ser piada. O Porto, tal como em 90% dos jogos esta época, não jogou um charuto. Por mim tudo bem: quanto mais tempo os portistas acreditarem que têm uma grande equipa e um grande treinador, melhor.
Em suma: Sporting melhor mas não quis matar o jogo quando pôde, preferiu "controlar", que é uma cena que o Sporting adora fazer mas não sabe como. O Porto teve sorte, mostrou o seu péssimo momento de forma, mas teve alguma atitude a seguir à primeira parte. O árbitro foi uma nódoa mas não prejudicou ninguém em especial. Esperemos que nunca mais apite, ele e o seu amigo Xistra.
Eu sou suspeito, mas fico contente por ter um treinador como Quique Flores que, até aqui, sempre disse o correcto, não buscando alibis nem tapando o sol com a peneira. Seria bom que outros treinadores fizessem o mesmo.

Nota benfiquista: saudação para Aimar, que começa a mostrar os pormenores geniais que fazem dele um verdadeiro craque. Saudação muito especial para David Luiz, um míudo que é um grande jogador e que finalmente regressa à competição.
Devagar faremos o nosso caminho. Pior que os anos anteriores não deve ser.

sábado, 8 de novembro de 2008

Desculpem, mas que merda vem a ser esta?

35 anos depois, terminou o caso de Fátima Felgueiras, a única autarca portuguesa a ter o nome da terra que governa, pelo menos até o saudoso basquetebolista Carlos Lisboa se candidatar à capital.
O resultado? Condenação por três crimes, peculato, peculato de uso e abuso de poder. A pena? Prisão por três anos e três meses, com pena acessória de perda de mandato.
O que vai efectivamente acontecer? Nada. Niente. Rien.
Pois.
É que a pena de prisão é pena suspensa, e a perda de mandato refere-se a um crime que prescreveu há 15 meses.
Qual a reacção da senhora? Saiu sorridente do tribunal, esfuziante, aplaudida por todos aqueles azeiteiros que odeiam os de fora e por isso amam a mulher que andou a enriquecer com o seu dinheiro, e com o nosso. Afirmando-se "satisfeita" com o veredicto, ainda assim disse que vai recorrer. E conseguiu, apesar de tudo, dizer que não foi condenada. Não sei a que julgamento estava ela a prestar atenção, mas enfim.
"Aquilo que existiu foi uma monstruosidade mas a justiça funcionou. Sinto-me satisfeita, foi-me reposta a dignidade a mim e a Felgueiras", afirmou a autarca. Fátima Felgueiras disse ainda que a perda de mandato "não está em causa", sem se alongar sobre as acusações. "Não fui condenada, fui ilibada de uma condenação que durou 10 anos".
A senhor foge para o Brasil, atrasa o processo, volta e concorre às eleições, consegue que o crime que lhe custaria o lugar prescreva, e tem a suprema lata de sair do tribunal com uma vencedora. Não perde o mandato, não vai dentro, não passa nada. E a imprensa dá eco destes factos, do que disse à saída, e não há um único juízo crítico acerca disto, todos escondidos por detrás da capa hipócrita da objectividade. É uma completa vergonha e deve envergonhar este país.
Um dos arguidos, que colaborou com a PJ e denunciou todo o esquema, disse a única coisa que poderia dizer: "Estou arrependido de colaborar com a Justiça. Aconselho toda a gente que, se souber de alguma coisa, não diga nada à Justiça".

Valentins Loureiros, Carmonas, Felgueiras. Toda a gente sabe, toda a gente vê, às vezes até os tribunais o dizem, e tudo continua como dantes.
Quando vamos perceber que a corrupção e a impunidade são os maiores cancros da nossa democracia? Até quando não se vai passar nada?
Abriu a época de caça. Espécie venatória: Barack Obama

Sim, está na hora. Não pensavam que íamos deixar o homem chegar à Casa Branca e efectivamente fazer alguma coisa para o começarmos a criticar, pois não?
Bom, o futuro presidente dos EUA começa a formar a sua equipa, e há coisas que se podem retirar daqui. Estou a falar do seu chefe de gabinete, um senhor chamado Rahm Emanuel.
Este senhor, conhecido como "Cão de ataque" ou "Rambo", é um congressista e foi um dos conselheiros de Bill Clinton enquanto presidente. É visto com um homem do aparelho, um executante férreo do que tem que ser feito. Passou pela banca de investimento de Wall Street, tendo ganho 16 milhões de dólares em três anos. Tem 48 anos, é judeu e, como todos os judeus americanos - os Silver Jews - leva isso demasiado a sério. Exemplo: em 1991 fez uma pausa, um momento Kit Kat, na sua carreira política, para ser voluntário numa base militar norte-americana, em Israel.
Misture-se Wall Street e Israel, e começa a perceber-se que, talvez, Obama traga pouca diferença ao mundo.

Obama é, provavelmente, o animal político mais perfeito que vi surgir durante a minha vida. Tudo nele bate certo: a voz, o tom, o aspecto, o discurso, a radicalidade polida e simples, o background familiar e pessoal perfeito para uma nação multicultural. Ah, e é bastante diferente de Bush.
Sei que se lhe pede o impossível. Que mude tudo. Que faça com que o mundo deixe de odiar a América. Que traga mais igualdade ao país alimentado pelo indivudualismo e materialismo mais primários do mundo. Se fizer metade ou um terço disto, será um sucesso, pelos menos aos meus olhos.
Mas os primeiros sinais são algo inquietantes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um sentido adeus

No fim de semana passado, enquanto o país andava, estupidamente, preocupado com a nacionalização de um banco, morreu o grande Badaró. Comentei isto com um colega, de 23 anos, que reagiu como se eu lhe estivesse a falar do Comodore Amiga.
E, para mim, o Badaró é isto. Para o bem e para o mal, o Badaró é um bocadinho da minha infância. O tipo do Chinezinho Limpópó, o do Abreu dá cá o meu, o do "É política!", enfim, o tipo que eu via quando a televisão só tinha dois canais e num deles estava a dar ciclismo, seguido da Telescola e do "Follow Me".
Era bom porque era o que havia, e isso diz tudo acerca da minha geração. Podíamos ter saído bem pior.
Badaró tentou fazer um comeback há uns anos atrás, quando apareceu no Big Show Sic vestido de Sangoku e a cantar o Dragon Ball. Volto a fazer um apelo a quem quer que tenha imagens desse momento. Partilhem, por favor.
E agora foi-se. Ah, e doou o corpo à ciência (verídico).
Neste momento está a feliz a fazer o que gosta, a mandar piadas secas no céu.
Até sempre, Badaró!
Opus Gay

Em recente entrevista ao Diário Económico (?), D. José Policarpo, o cardeal patriarca de Lisboa, fala sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em relação à homossexualidade, diz que "Eu próprio ajudei muitos a equacionar esse problema, e bem".

Algo bastante adequado numa entrevista que termina com a brilhante questão: "Ainda se sente papável"?
Parabéns, Obama!

E agora, já podemos começar a odiá-lo?

sábado, 1 de novembro de 2008

O belo sonho lusitano
José Sócrates tem um sonho, 'god bless him': que Portugal volte a ser, como há 500 anos, o farol do mundo. Teve foi o azar de lhe sair na rifa este povo mandrião e 'bon vivant', que parece convencido, estupidamente, que é mais fixe e mais agradável e muito melhor divertir-se e andar na balda do que produzir e trabalhar.
Guterres tinha a paixão pela educação, mas não era um amante fiel, porque fez muita merda. Sócrates é um amante frio, eficaz, glacial. Por que razão havemos de gastar milhões e milhões de euros a melhorar a educação em Portugal, para que os frutos se vejam quando ele já não estiver no poder e não puder colher os louros de tal feito, se dá para fazer a coisa de borla, e automaticamente?
É esperto, este tipo.
E foi assim que, de repente, todos os alunos portugueses passaram a ser fabulosos. Toda a gente tem grandes notas, todas as escolas sobem as suas médias, tudo é lindo. Estamos, finalmente, na vanguarda do mundo moderno. Terá já sido efeito do Magalhães?
Não sabemos. Sabemos apenas que, fazendo testes apenas competitivos para atrasados mentais, temos, de um dia para o outro, alunos em barda que fazem o burro Bill Gates corar de vergonha.
E agora surge outro projecto fabuloso, totalmente coerente com a linha que este governo tem seguido: ninguém pode chumbar no ensino obrigatório.
É espectacular, pá! E com um argumento genial: as crianças e os jovens não devem ficar com "o estigma da reprovação". Fantástico.
Depois de transformar os professores em burocratas e contínuos, impedindo-os de perder tempo com essa coisa chamada de Ensino, o governo quer um exército de avaliadores positivos, optimistas, patetas alegres. É o estilo modernaço de Sócrates, do pensamento positivo, do tocador de lira enquanto Roma arde.
Só há aqui uma coisa. Eu sou do Benfica. Gosto mesmo muito do Benfica. Mas, anos e anos de sofrimento depois, eu estou a ficar com o "estigma da derrota". É chato, pá. O Porto ganha sempre, o Sporting papa umas taças, e a gente nada. Sinto-me estigmatizado. Será que o senhor nosso primeiro ministro pode fazer algo acerca disso?
E depois há os pobres, senhor nosso primeiro ministro. Alguns são pobres há muitos anos, foram pobres toda a vida, alguns vêm de uma família que é pobre há uma data de gerações. Vamos acabar com o "estigma da pobreza" e dar dinheiro a todos eles?
E o "estigma do desemprego"?
E o "estigma de vermos o país ser governado por uma classe política e empresarial nojenta e sem a mínima qualidade"?
Podemos fazer algo acerca disso?
Conto consigo, senhor nosso primeiro ministro.

Yes, we can!
Por falar em Porto e em Sousa Tavares...

...cá vai uma piada roubada ao Bruno Nogueira:

"Sousa Tavares? Esse gajo não é do Porto? Então é bem feito que lhe tenham roubado o computador, para o gajo sentir o que é ser gamado em casa".

Nem mais.
O Porto em Lisboa

Confesso que não percebo o poder que o Porto de Lisboa (PL) tem sobre o resto da cidade. Toda a gente sabe que são responsáveis pelo divórcio entre a cidade e o rio. Que fazem edifícios absurdamente desproporcionados, enormes, tapando a cidade, tornando-a mais feia. Que enchem de contentores uma área completamente irrazoável para o que fazem. Que não deviam estar onde estão, mas noutro lado qualquer, no Barreiro, onde quer que seja.
E é do Estado. É por isso que não percebo por que razão o Estado não mete ordem naquilo, e os senhores da administração do PL continuam a tratar a cidade e a Câmara Municipal como a sua coutada privada. É claro que os Júdices desta vida não ajudam, sempre a comer de todos os pratos ao mesmo tempo.
O Sousa Tavares, esse arrogante, tripeiro e romancista amador, chamou-os de bando de malfeitores. E tem razão.
Eles vão fazer o que querem, lixar mais um pouco a cidade, tapando o rio com uma charmosa parede de contentores Evergreen. Mas pronto, isto ao menos serviu para ver o Sousa Tavares ser insultado publicamente por dezenas de trabalhadores braçais. E para ver que, para além do seu 'bravado' habitual, não foi à cara a ninguém. É pena.

sábado, 25 de outubro de 2008

At the movies

Sexta-feira, sessão da meia noite no Saldanha Residence.
Alguns cafés ainda abertos, e em todos a mesma resposta: não podem tirar cafés porque já desligaram a máquina. É daquelas coisas que me irritam. E que tal ligar a máquina? É uma máquina, faz o que nós mandamos, right?
Adiante.
Não sei há quanto tempo não ia ao cinema, mas cuspir 6 euros para ver um filme, parece-me excessivo. Talvez isto explique o sucesso dos dvds.
Vou cada vez menos ao cinema, mas vou sempre à sessão da meia noite, e normalmente não ao fim de semana. Desta feita, a sala estava mais composta. Um grupo de três raparigas e um rapaz (a atirar para o gaja) passou todas as apresentações em amena cavaqueira. Estou mal habituado a salas vazias, que adoro. Se querem falar, que tal ver um dvd em casa? O tipo à minha frente queixa-se que estou "a dar toques na cadeira", o que me parece ser difícil evitar quando o espaço entre as cadeiras é de 12,5 cm. Curiosamente, o senhor das costas hipersensíveis não se incomodou com a conversa incessante das gajas.
Passou o trailer de "Entre os dedos", um filme português que até me suscitava alguma curiosidade. Como habitualmente nos filmes portugueses, o objectivo do trailer é ser incompreensível, arty e, basicamente, dizer às pessoas "não venham ver este filme, por favor". Objectivo alcançado, génios.
Depois, o filme, "Destruir depois de ler", de Joel e Ethan Cohen. Tem bonecos engraçados, Brad Pitt, Clooney e McDormand vão muito bem, mas é claramente um filme menor. Não por ser uma comédia parva - como dizem aqueles críticos para quem "Este país não para velhos" é o melhor filme da dupla de irmãos - mas porque, em termos de comédia, já fizeram muito melhor. Talvez eu estivesse cansado, mas há alturas em que chega a ser um bocado secante. Um tiro ao lado, mas vê-se.
Em termos de Cohen, este filme está a anos-luz de "Fargo" e de "Barton Fink".
E, sobretudo, a uma galáxia muito distante de "O Grande Lebowski", esse filme absolutamente genial que, para mim, continua a ser a melhor comédia negra dos últimos 20 anos.
Fica aqui a sugestão. Todos deviam ver "o Grande Lebowski" pelo menos uma vez por ano. Esqueçam as novidades. O ouro é este.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Embora ali matar uns pretos que eles magoam muito

Sucessor de Joerg Haider confessou que era seu amante.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Botem na agenda

Próximo sábado, 25 de Outubro, há festa na Academia de Recreio Artístico, na baixa lisboeta. Little Bastard e amigos estarão encarregues da música e do mais que houver.
Apareçam.
The real McCoy

Na quinta-feira, se tiverem um tempinho livre e quiserem estimular a vossa mente estupidificada com alcool e coisas mais fortes, dêem um saltinho ao Londres. É às 20h30, uma sessão do festival Doc Lisboa, e chama-se "Gonzo: The life and works of Dr. Hunter S. Thompson".
Para quem não sabe, Hunter Thompson foi um jornalista americano que estilhaçou por completo o paradigma do que um jornalista deve ser. Inventou o estilo Gonzo, em que o jornalista está no centro da acção, e o leitor vê tudo através dos seus olhos, e não como se estivesse a ver uma coisa neutra e objectiva. Tudo isto num estilo cortante, hilariante e carregado de drogas. Era um génio, e é o meu herói.
Escreveu alguma ficção boa, mas o seu grande talento estava sobretudo no seu trabalho, naquele estilo jornalismo/ficção que tanto gozo dá a ler. Escreveu sobre tudo, desde os Hell Angels ao rock n roll, de Nixon (o seu ódio de estimação) ao Vietname, tudo à procura do American Dream (que, concluiu ele, é podre até ao âmago).

Para quem estiver interessado, recomendo quase tudo dele, mas saliento "Hells Angels", o seu primeiro livro, "Fear and Loathing in Las Vegas" ou qualquer um dos capítulos do seu trabalho compilado (a Fnac do Chiado acabou de receber, finalmente, um carregamento fresquinho).

Este foi o tipo que deixou como desejo, para quando morresse, que disparassem as suas cinzas de um supercanhão de mais de 20 metros de altura. O seu amigo Johnny Depp financiou a construção do canhão, e isso também aparece no documentário. Isso e muito mais.

Façam-me um favor: vão ver o filme, e leiam o homem.
A sério.
Respect

Eu não gostava do Penafiel. Eu não gosto de equipa nenhuma acima do Mondego. O final da minha infância, toda a minha adolescência e boa parte da minha idade adulta foi passada a ver o Benfica perder e empatar em campos de batatas de 5 metros de comprimento, contra equipas em que metade dos jogadores eram emprestados pelo Porto, e em que os árbitros nos roubavam desavergonhadamente enquanto o Nicolau de Melo tinha orgasmos com golos do Feirense na baliza do Glorioso. Tremo só de me lembrar da conjugação Nicolau de Melo/ gajo do trompete do Porto/ o Folha a celebrar golos à toureiro.
Adiante.
Depois do jogo com o Benfica, eu agora já gosto do Penafiel. Grande jogo, grandes jogadores, grande alma, grande humildade, tudo. Tiveram azar. Pelo que fizeram, pela atitude, pelo futebol, pela simplicidade, mereciam ter eliminado o meu Benfica em plano Estádio da Luz.
Um Benfica sem chama, apático, com claros erros de casting, a ver a banda passar, não merecia seguir em frente. Para além de muitos jogadores de merda, o grande problema do Benfica nos últimos anos tem sido psicológico. E essa grande fraqueza, viu-se com o Leixões e voltou a ver-se ontem, continua lá, e isso leva-nos a poder perder qualquer jogo, seja contra quem for.
Tal como salientou o comentador da TVI, no único comentário não imbecil que fez durante mais de duas horas, nos penaltis, o treinador do Penafiel contou o que disse aos jogadores: "que metam a bola lá dentro"; entretanto, Luisão discutia com o árbritro porque queria os penaltis na outra baliza. Por tudo, os pequeninos mereciam ter ganho. Foram homens, foram grandes.

Só algumas notas individuais, ao estilo do Rui Santos:

Balboa - uma nódoa completa. Vê-se que não tem estofo psicológico, completamente desenquadrado do resto da equipa. Perdeu bolas atrás de bolas, muitas delas infantis. Se Quique o conseguir recuperar, é um mágico.

Makukula - Bom jogo. Esforço, dedicação, luta, e bons pormenores à frente. Merece jogar mais vezes.

Di Maria - tanto futebol naqueles pés, nada naquela cabeça. Quando aprender a jogar em equipa, vai ser fantástico. Pode é nunca lá chegar.

Reyes - a vedeta saiu do banco e comeu a relva. Muita entrega, dos poucos que decidiu levar o jogo a sério.

Sidnei - temos jogador. Espero que fique no Benfica até ser um jogador feito.

Léo - vítima da embirração incompreensível de Quique, não é o mesmo jogador, o Maradoninha que tanto gozo deu ver jogar. Quique parece querer que ele fique cá atrás, só a defender, mas com isso Léo perde o que tem de melhor.

Binya - Tem talento mas é um bronco. Um jogador do Benfica não pode ser tão precipitado e tomar tantas decisões erradas. Acho que não terá grande remédio.

PS - Aquela merda de ter música aos altos berros entre as grandes penalidades é completamente imbecil. Num momento de concentração, estar a levar com tecno é um bocado idiota. Ninguém toma conta destas merdas?...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Back to the past

Ele está de volta. Qual Terminator, qual Hulk Holgan, qual Rocky Balboa, o Santana está de volta!
Rejubilemos, irmãos.
Não vai faltar matéria cómica para animar as noites longas deste tasco infecto.
Entourage

O meu camarada Little Bastard deu nas orelhas do Sr. Queiróz e com muita razão. Mas grande parte da responsabilidade na miséria de exibição é das vedetas que povoam a selecção.

O CR7 trata a selecção como as gajas que engata, dá umas boas fodas de vez em quando mas depois caga para elas. Jogador que aspira a ser o melhor do mundo tem que marcar a diferença, no Europeu foi porque estava lesionado, agora é porque não recuperou totalmente. Não é preciso o Ronaldo dos malabarismos, das fintas desconjuntadas, é preciso um Ronaldo que aplique o que tem de bom em prol da equipa e para isso não é preciso estar a 100%. Mas será que o moço só joga bem no Manchester? Depois é aquela falta de humildade que sempre me meteu nojo, aquele gesto despropositado para o público a meio do jogo, o não ter dado a oportunidade uma vez sequer ao Bruno Alves de marcar um livre. Acha-se o maior do mundo, mas vou-me partir a rir quando o título de melhor jogador for para o Messi ou para um dos espanhóis que ganharam o Europeu, para aí o Torres ou o Casillas.

O Nani é um aprendiz de Ronaldo, o Quaresma precisa de tempo para aquecer, disseram os comentadores... sim, lá para o fim começou a fazer alguma coisa de jeito, mas nessa altura era o salve-se quem puder, mas também é um individualista que pouco trabalha para a equipa, no jogo contra a Suécia o Queiróz gritava para que fosse ajudar a equipa defensivamente.

Estes senhores tem um talento fora de série, é inegável e quando se lembram de jogar para a equipa realmente fazem a diferença, a pergunta é porque é que não o fazem sempre ou, vá lá, quase sempre?

Depois das vedetas, há os outros... o Hugo Almeida é um cepo, que venha o Postiga ou o Djaló, o Miguel esteve em coma profundo, enfim hoje todos cometeram erros, não se percebe a lentidão, a falta de empenho, a quantidade de passos falhados, de cruzamentos para a bancada...

O único que teve bem foi o Nuno Gomes, mas também gostei do Pepe, sempre empenhado e a tentar levar a equipa para a frente e do Paulo Ferreira que o que lhe falta em talento é compensado em esforço e trabalho.

Que falta faz o Deco, ou alguém de características semelhantes e por falar nisso porque é que o Sr. Queiróz não meteu o Carlos Martins no lugar do Deco?

E deixarem o outro Martins, o Sousa, especado à espera de alguém para entrevistar no fim do jogo? Imperdoável, pá!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Flop

Ora aí está.
Ao terceiro jogo oficial, Portugal tem 5 pontos em quatro jogos, e isto depois de termos defrontado colossos do futebol mundial como a Dinamarca, Suécia, a Albânia e Malta.
Carlos Queirós, o dom Sebastião que, como todos os dons sebastiãos deste mundo, não passa de uma ficção sem qualquer substância, está de novo a hipotecar a sua carreira enquanto treinador. Esteve no Sporting (obrigado pelo 6-3), foi corrido; esteve no Real Madrid, foi corrido; agora lá vai andando, fazendo os possíveis para ser corrido. Já no Manchester, foi espectacular. É um adjunto fabuloso.
Scolari era muita moralização e zero conhecimento de táctica. E era cobarde a montar a equipa.
Queirós tem moralização zero, fruto do facto de ter o carisma de uma amiba, e parece que de táctica afinal também não percebe muito. E é, tal como Scolari, um cobarde.
Tudo começou quando começou a defender o resultado frente à Dinamarca e perdeu depois da hora. Depois, vai jogar à Suécia e, em vez de tentar aí recuperar os pontos perdidos, foi dizendo que o empate não era mau. E esse jogo mostrou um Portugal tímido, receoso, cínico, a lutar pelo empate. Conseguiu, mas agora que perdemos dois pontos em casa, uma vitória na Suécia teria dado jeito. Só para lembrar, acabámos o jogo com a Suécia sem qualquer ponta de lança em campo.
Agora, esmagámos a poderosa Albânia - com 10 jogadores desde os 40 minutos - por 0-0.
Queirós faz lembrar o poeta Jorge Artur de má memória, e é o Philip Glass do futebol. Faz grandes obras eruditas ou minimalistas, mas nunca ganharia um Festival da Eurovisão.

PS - Quero ver o que vai dizer o pequeno grande Rui Santos agora. O homem que adora criticar tudo e todos, e que se desfez em elogios ao seu amigo pessoal Queirós depois do fabuloso empate com a Suécia, vai continuar a bater palminhas?
E vamos nós?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Misoginia depois de almoço

via MSN:

fatchary diz:
então e não juntamos aí uns trocos para comprar a Islândia? :D
raviolli_ninja diz:
podes crer
raviolli_ninja diz:
fazemos da islândia o nosso frigorífico
fatchary diz:
também um país quase totalmente governado por mulheres só podia dar nisto
raviolli_ninja diz:
:D
raviolli_ninja diz:
vêm-se com o cartão de crédito...
raviolli_ninja diz:
ah e tal, é saldos
raviolli_ninja diz:
estava mesmo a precisar de uma ponte a condizer com aquela estrada

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Tá mal

O nobel da literatura foi para um tipo francês e que não se chama Lobo Antunes.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Rejeição

Mais uma rejeição, a primeira em algum tempo. Mas esta doeu mais.
Nunca submeti os meus contos (em inglês fica melhor, 'short storys') a aprovação porque, dizem-me, ninguém arrisca publicar um livro de contos de um autor desconhecido. Mas, desta vez, concorri a um concurso especificamente dedicado a contos, área em que considero ter algum do meu melhor trabalho. Concorri eu e mais 65pessoas. Uma ganhou, outra levou uma menção honrosa, eu nem um sms a dizer para continuar a mandar postais.
Esta doeu, mas sei que não posso desistir.
Fiquei ainda mais lixado porque, do júri, fazia parte o João Aguiar, um dos meus escritores portugueses preferidos.
Mas nunca mais vou comprar um livro dele.
Ele que aprenda sobre a rejeição.