Jornalismo de Sarjeta
O Expresso, esse jornal que faz gala de ser um semanário sério, continua a descer o nível. Na ausência de notícias, faz capa inteira com o primo do Leyrielton, ou Sidneilson, ou lá como se chama o assaltante do balcão do BES que levou um balázio da bófia. O Expresso é o jornal que os portugueses leem pela mesma razão que comem bitoque, porque sim. Dá estilo ir à bomba lavar o carrito e trazer o Expresso, para estarem informados. O nível deste semanário anda a descer há vários meses, mas agora a vergonha parece ter acabado de todo. Esse senhor que morreu é irrelevante. Se tivesse vivido mereceria tal destaque? O seu primo teria uma citação gigante na capa do Expresso? Qual é a informação relevante que têm para o leitor? Nada. É só cavalgar a onda da merda mediática. Dá menos trabalho do que procurar notícias, que era o que deviam estar a fazer.
Por outro lado, o DN continua o seu caminho em direcção ao esgoto. Uma revista que publica às sextas, a Notícias TV, está cheia de fotos de gajas em topless e do cu da Carolina Patrocinio (não nego os seus atributos). Já o nome da revista me parece estranho, já que notícia não tem nenhuma. É mexericos, morangada, namoros e desamoros. Tudo bem, porque esse meio das novelas à portuguesa alimenta-se do fenómeno, numa relação toma lá/dá cá em que todos beneficiam. Para o meu gosto é uma merda mas, para além disso, às vezes vai-se longe demais. Há algumas semanas publicaram umas fotos de Santana Lopes, na praia, com duas gajas novas. Num texto a atirar para o malandrote, dizia-se que era evidente a proximidade de Santana com uma delas, e terminava dizendo que Santana tinha passado toda a tarde "em boa companhia...", e acabava assim, com os três pontinhos marotos.
Azar dos azares, a moça é filha do Santana.
Ele escreveu uma carta ao DN, protestando e com razão, no meu entender. Terminou a sua missiva dizendo que "por estarmos na silly season não se criou o direito de escreverem silly things".
E tem razão.
O director da Notícias TV, com quem por acaso trabalhei há uns sete anos, respondeu, dizendo que não fez nada de mal, que não é incorrecto dizer que Santana passou a tarde em boa companhia, já que a passou com a filha. É uma resposta de uma criança de 5 anos, porque o senhor "jornalista" sabe muito bem o que foi implicado naquela peça em que, mais uma vez, o foco foi o rabo da menina que mostrou muita intimidade com Santana, a filha.
Mais, o "jornalista" volta à carga e diz o seguinte: "Por estes dias, o Algarve está cheio de gente ilustre que o leitor bem conhece. De Margarida Vila-Nova a Rita Ferro Rodrigues. De Rita Pereira a Pedro Granger. Todos são figuras públicas e todos sabem que atrás de cada toldo há um jornalista; que atrás de um poste há sempre um fotógrafo; que atrás deles próprios há sempre uma boa história".
Permita-me discordar. Atrás dos toldos não há jornalistas, há estagiários e tarefeiros de merda que mais não fazem que mexericar na vida dos pseudo-famosos da TV; não há sempre uma boa história, aliás não há história nenhuma. São fotos de gente na praia, a sair de festas. E vocês escrevem, e chamam-se jornalistas. Vivem de merda, como as moscas. E se há muitos que se alimentam disso, como todos os nomes que o "jornalista" cita no seu texto, isso não implica que o vosso trabalho seja mais relevante, ou que possam dar-se ao luxo de o intitularem de jornalismo.
É merda.
O sentido é cada vez mais descendente na comunicação social portuguesa. E só vai ficar pior.
domingo, 10 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
A televisão portuguesa, esse pequeno balde de pus
Parece que a next big thing é uma mini-série da SIC chamada "A vida privada de Salazar". Parece que é Diogo Morgado, o canastrão que gosta de plagiar merdas, quem vai fazer o papel do ditador. Na revista Notícias TV desta sexta-feira, apareceram fotos do tipo caracterizado a la Salazar, e o meu único pensamento foi "Are you fucking kidding me?!", assim, em inglês, tem mais força para expressar uma singela mistura de asco, repugnância, cólicas e estupefacção. Procurei incessantemente essas imagens na net para meter aqui, mas infelizmente não encontrei (embora isso tenha evitado que este blog descesse ainda mais o nível), pelo que se alguém encontrar algum link, trate-o com cautela e envie.
E que mais?
Ah, é verdade, parece que entra a Soraia Chaves. A fazer de gaja que o Salazar comeu ou queria comer, o que é compreensível. Esta grande "actriz" continua a sua fulgurante carreira, o que não espanta dadas as suas mamas perfeitas.
Mais ainda, é claro que, Salazar ou não Salazar, a Soraia e as outras moçoilas que entram, "actrizes" da morangada, tinham de aparecer em cenas "íntimas". Claro, faz todo o sentido. Salazar, cenas íntimas, Soraia Chaves, abacate, é evidente, faz todo o sentido.
PS - não descobri a foto do Salazar/Morgado, mas descobri um fantástico blog dedicado a esse "actor"/modelo da La Redoute. Está aqui, e as sequências têm títulos como "200 Segundos Marcantes", "Cenas Incríveis de Desespero" e, o meu preferido, "Santiago confronta Rodrigo (na prisão)". Vale ainda a pena ler a entrevista publicada no blog, que tem alguns dos seguintes excertos:
Qual é a pergunta que nunca lhe fizeram, e que gostava de responder?
Não sei… para já responder a perguntas, gosto de conversar, há várias conversas que eu gostava de ter com as pessoas, e as conversas não são identificáveis.
Existem semelhanças entre o Santiago [personagem desempenhada pelo "actor" numa novela qualquer] e o Diogo Morgado?
Muito poucas, semelhanças a nível de personalidade, não, mas há algumas características físicas, algumas atitudes.
E qual era um sítio de sonho para passar férias?
Ontem o Sérgio dos Anjos falava-me na Costa Rica, e ele falou tão bem, tão bem, que eu comecei a projectar-me na Costa Rica.
ENJOY!
Parece que a next big thing é uma mini-série da SIC chamada "A vida privada de Salazar". Parece que é Diogo Morgado, o canastrão que gosta de plagiar merdas, quem vai fazer o papel do ditador. Na revista Notícias TV desta sexta-feira, apareceram fotos do tipo caracterizado a la Salazar, e o meu único pensamento foi "Are you fucking kidding me?!", assim, em inglês, tem mais força para expressar uma singela mistura de asco, repugnância, cólicas e estupefacção. Procurei incessantemente essas imagens na net para meter aqui, mas infelizmente não encontrei (embora isso tenha evitado que este blog descesse ainda mais o nível), pelo que se alguém encontrar algum link, trate-o com cautela e envie.
E que mais?
Ah, é verdade, parece que entra a Soraia Chaves. A fazer de gaja que o Salazar comeu ou queria comer, o que é compreensível. Esta grande "actriz" continua a sua fulgurante carreira, o que não espanta dadas as suas mamas perfeitas.
Mais ainda, é claro que, Salazar ou não Salazar, a Soraia e as outras moçoilas que entram, "actrizes" da morangada, tinham de aparecer em cenas "íntimas". Claro, faz todo o sentido. Salazar, cenas íntimas, Soraia Chaves, abacate, é evidente, faz todo o sentido.
PS - não descobri a foto do Salazar/Morgado, mas descobri um fantástico blog dedicado a esse "actor"/modelo da La Redoute. Está aqui, e as sequências têm títulos como "200 Segundos Marcantes", "Cenas Incríveis de Desespero" e, o meu preferido, "Santiago confronta Rodrigo (na prisão)". Vale ainda a pena ler a entrevista publicada no blog, que tem alguns dos seguintes excertos:
Qual é a pergunta que nunca lhe fizeram, e que gostava de responder?
Não sei… para já responder a perguntas, gosto de conversar, há várias conversas que eu gostava de ter com as pessoas, e as conversas não são identificáveis.
Existem semelhanças entre o Santiago [personagem desempenhada pelo "actor" numa novela qualquer] e o Diogo Morgado?
Muito poucas, semelhanças a nível de personalidade, não, mas há algumas características físicas, algumas atitudes.
E qual era um sítio de sonho para passar férias?
Ontem o Sérgio dos Anjos falava-me na Costa Rica, e ele falou tão bem, tão bem, que eu comecei a projectar-me na Costa Rica.
ENJOY!
Respect
Sócrates e Cavaco combinaram, entre eles, que nenhum compareceria à abertura dos jogos olímpicos, na China. Não revelaram o motivo, não vale a pena chatear os chineses. No entanto, aposto que isto tem a ver com o respeito dos governantes portugueses pelos direitos humanos.
Só pode.
Eat shit, Mr. Geldoff!
Sócrates e Cavaco combinaram, entre eles, que nenhum compareceria à abertura dos jogos olímpicos, na China. Não revelaram o motivo, não vale a pena chatear os chineses. No entanto, aposto que isto tem a ver com o respeito dos governantes portugueses pelos direitos humanos.
Só pode.
Eat shit, Mr. Geldoff!
Coisas que me irritam III
Eu gosto de publicidade. Gosto muito. Especialmente na televisão, gosto mais do que da esmagadora maioria dos programas. Mas há uma coisa que me irrita muito: são os anúncios que tentam lançar modas ou, sobretudo, lançar termos. Há muitos exemplos, mas acabei de ver dois na televisão, ambos à volta dessa importação milagrosa chamada caipirinha.
Um é a "Caipi com Bacardi", a outra é o "Caipirão".
1 - O anúncio da Bacardi tem como slogan "Caipi? Só com Bacardi!". Caipi. Sim, Caipi, um diminutivo pseudo-cool para os tipos que saem para as discotecas do Montijo. Ninguém diz Caipi. Ninguém vai alguma vez chegar ao balcão e pedir uma Caipi, o barman vai pensar que o tipo é gago. E não gosto que os publicitários inventem palavras para mim que eu, como o cão do Pavlov, vou repetir quando for gastar os meus euros em qualquer coisa estúpida.
2 - O Caipirão não é tão grave, porque eles efectivamente "inventaram" uma coisa, uma bebida. Mas, mesmo que se goste daquilo, é um bocado ridículo pedir um caipirão.
Dica para os publicitários: metam gajas boas nos anúncios. Isso basta.
Eu gosto de publicidade. Gosto muito. Especialmente na televisão, gosto mais do que da esmagadora maioria dos programas. Mas há uma coisa que me irrita muito: são os anúncios que tentam lançar modas ou, sobretudo, lançar termos. Há muitos exemplos, mas acabei de ver dois na televisão, ambos à volta dessa importação milagrosa chamada caipirinha.
Um é a "Caipi com Bacardi", a outra é o "Caipirão".
1 - O anúncio da Bacardi tem como slogan "Caipi? Só com Bacardi!". Caipi. Sim, Caipi, um diminutivo pseudo-cool para os tipos que saem para as discotecas do Montijo. Ninguém diz Caipi. Ninguém vai alguma vez chegar ao balcão e pedir uma Caipi, o barman vai pensar que o tipo é gago. E não gosto que os publicitários inventem palavras para mim que eu, como o cão do Pavlov, vou repetir quando for gastar os meus euros em qualquer coisa estúpida.
2 - O Caipirão não é tão grave, porque eles efectivamente "inventaram" uma coisa, uma bebida. Mas, mesmo que se goste daquilo, é um bocado ridículo pedir um caipirão.
Dica para os publicitários: metam gajas boas nos anúncios. Isso basta.
domingo, 3 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Coisas que me irritam II
Aquele truque dos empregados de mesa fingirem que não nos vêem. Como é que é possível que, num restaurante com 100 metros quadrados, cinco empregados consigam andar a cirandar alegremente, por entre trinta pedidos diferentes, sem ouvirem um ou virarem a cabeça para qualquer dos clientes?
Andarão eles assim tão absortos?
O seu trabalho é simples: ir às mesas perguntar o que os clientes querem, ir à cozinha pedir, e depois trazer. How fucking hard can it be?
Mas não, eles estão sempre a contemplar alguma coisa no chão, ou no outro lado da sala, e estão tão concentrados que nada ou ninguém os pode tirar daquela espécie de transe.
É o seu trabalho ouvir os clientes, olhar para ver se alguém levanta a mão (e faz o ridículo gesto de pedir a continha), ou seja o que for. Eles estão lá para isso! Não fazerem isso é como um piloto de fórmula um se esquecer de meter as mudanças.
Acreditem, meus amigos, é técnica. É de propósito. É uma xico-espertice transversal a 90% da classe profissional dos empregados de mesa. Ninguém é tão distraído assim.
E esta merda, entre outras, irrita-me.
Aquele truque dos empregados de mesa fingirem que não nos vêem. Como é que é possível que, num restaurante com 100 metros quadrados, cinco empregados consigam andar a cirandar alegremente, por entre trinta pedidos diferentes, sem ouvirem um ou virarem a cabeça para qualquer dos clientes?
Andarão eles assim tão absortos?
O seu trabalho é simples: ir às mesas perguntar o que os clientes querem, ir à cozinha pedir, e depois trazer. How fucking hard can it be?
Mas não, eles estão sempre a contemplar alguma coisa no chão, ou no outro lado da sala, e estão tão concentrados que nada ou ninguém os pode tirar daquela espécie de transe.
É o seu trabalho ouvir os clientes, olhar para ver se alguém levanta a mão (e faz o ridículo gesto de pedir a continha), ou seja o que for. Eles estão lá para isso! Não fazerem isso é como um piloto de fórmula um se esquecer de meter as mudanças.
Acreditem, meus amigos, é técnica. É de propósito. É uma xico-espertice transversal a 90% da classe profissional dos empregados de mesa. Ninguém é tão distraído assim.
E esta merda, entre outras, irrita-me.
Coisas que me irritam
Aqueles sites (ou blogs, é a mesma merda) em que um gajo faz return, ou carrega naquela seta para voltar para trás, ele finge que vai obedecer, e depois abre de novo a mesmíssima página. O blog do Markl, por exemplo, é assim, não sei se o objectivo é ter mais pageviews, ou para que raio serve a não ser irritar as pessoas. E também me irrita aqueles blogs em que abres e abre logo uma janela a oferecer um iPhone. Eu não quero essa merda para nada.
Aqueles sites (ou blogs, é a mesma merda) em que um gajo faz return, ou carrega naquela seta para voltar para trás, ele finge que vai obedecer, e depois abre de novo a mesmíssima página. O blog do Markl, por exemplo, é assim, não sei se o objectivo é ter mais pageviews, ou para que raio serve a não ser irritar as pessoas. E também me irrita aqueles blogs em que abres e abre logo uma janela a oferecer um iPhone. Eu não quero essa merda para nada.
Dr. Spock in Campo Pequeno
Realizou-se ontem um jantar, no Campo Pequeno, de uma espécie de associação chamada Star Trackers. A ideia é, basicamente, incluir talentos portugueses por esse mundo fora, como forma de, eventualmente, mostrar que, afinal, somos os maiores.
No encontro de ontem, o Spock de serviço foi Cavaco Silva, o mesmo que, minutos antes, tinha deixado o país suspenso, na abertura dos telejornais, para anunciar que estava com uma cólica. No encontro, dizem-me, falaram várias pessoas, entre elas um velejador que já deu a volta ao mundo sozinho. Uma amiga que esteve presente contou-me que se emocionou com os relatos dele, e que aquilo deve ser muito difícil. A minha resposta, naturalmente cínica, foi: "eu trabalho 12 horas por dia a aturar atrasados mentais. Foda-se, emociona-te comigo, se fazes favor, e não com um betinho que anda de barquito". Pois.
O Cavaco incentivou os Star Trackers a continuarem o bom trabalho, a mostrarem que é possível atingirmos a excelência.
E é aqui, sobretudo, que isto me causa alguma confusão.
1 - Aquilo é suposto ser uma rede de talento, mas parece-me ser mais um lobby disfarçado. Se és da rede, és cá dos nossos, let's do a deal. Típico, portuga, mas muito pouco modernaço, mesmo que através da Internet.
2 - Stars, talento, etc. É preciso um gajo ser um bocado armado ao pingarelho ou ter algumas profundas necessidades de afirmação para ser agarrado a esta coisa. Caguem nisso.
3 - Na prática, isto mais não é que a transposição do conceito parolo nacional de que o que está lá fora é que é bom. Adoramos os tuguinhas que se dão bem lá por fora, para mostrarem a raça dos tugas! Os que vão lá para fora, sobretudo os que vão para trabalhos mais qualificados, entristecem-me, na sua grande maioria. Falam em coisas como progressão, carreira, capacidade, blá blá blá. Deixar o melhor país do mundo (copos baratos, sol, gajas cada vez mais giras e o Benfica) para "investir na carreira" é coisa que me faz um bocado de confusão. Se fodessem mais e trabalhassem menos, aposto que isso passava rapidamente.
4 - É outra forma do discurso do Sócrates e de muitos opinion-makers de, como diz Pedro Lomba no DN, defenderem que "o país precisa" disto ou daquilo. Qualificação, esforço, sacrifício, qualidade, produtividade e etc e tal. Pois, e aquilo de que as pessoas precisam? Será isto irrelevante? Isto não é mais que conversetas de "Compromisso Portugal", de empresariosecos e futuros patrões que nos embalam com estas merdas enquanto continuam a encher os bolsos. Eu não estou em corrida alguma para fazer de Portugal um país moderno. A minha corrida é para viver da forma mais feliz possível, e são coisas muito, muito diferentes.
PS - Eu até sou membro do Star Trackers, fruto de um convite de um amigo. Já passei pelo site algumas vezes, mas aquele roxo mete-me um bocado de impressão. E o conceito de Hi5 para tótós e gajos muita talentosos dá-me vontade de rir. Começou por ser uma coisa para Portugueses Talentosos Que Dão Cartas no Estrangeiro, mas agora o nível está a descer, se até eu lá estou. Quem sabe, um dia seremos maioritários. Então, em vez de merdas pomposas no Campo Pequeno com o Cavaco, teremos piqueniques oficiais ali para os lados de Aljezur, bem regados com medronho.
Ainda há esperança.
Continuem o bom trabalho. Portugal precisa de vós.
Realizou-se ontem um jantar, no Campo Pequeno, de uma espécie de associação chamada Star Trackers. A ideia é, basicamente, incluir talentos portugueses por esse mundo fora, como forma de, eventualmente, mostrar que, afinal, somos os maiores.
No encontro de ontem, o Spock de serviço foi Cavaco Silva, o mesmo que, minutos antes, tinha deixado o país suspenso, na abertura dos telejornais, para anunciar que estava com uma cólica. No encontro, dizem-me, falaram várias pessoas, entre elas um velejador que já deu a volta ao mundo sozinho. Uma amiga que esteve presente contou-me que se emocionou com os relatos dele, e que aquilo deve ser muito difícil. A minha resposta, naturalmente cínica, foi: "eu trabalho 12 horas por dia a aturar atrasados mentais. Foda-se, emociona-te comigo, se fazes favor, e não com um betinho que anda de barquito". Pois.
O Cavaco incentivou os Star Trackers a continuarem o bom trabalho, a mostrarem que é possível atingirmos a excelência.
E é aqui, sobretudo, que isto me causa alguma confusão.
1 - Aquilo é suposto ser uma rede de talento, mas parece-me ser mais um lobby disfarçado. Se és da rede, és cá dos nossos, let's do a deal. Típico, portuga, mas muito pouco modernaço, mesmo que através da Internet.
2 - Stars, talento, etc. É preciso um gajo ser um bocado armado ao pingarelho ou ter algumas profundas necessidades de afirmação para ser agarrado a esta coisa. Caguem nisso.
3 - Na prática, isto mais não é que a transposição do conceito parolo nacional de que o que está lá fora é que é bom. Adoramos os tuguinhas que se dão bem lá por fora, para mostrarem a raça dos tugas! Os que vão lá para fora, sobretudo os que vão para trabalhos mais qualificados, entristecem-me, na sua grande maioria. Falam em coisas como progressão, carreira, capacidade, blá blá blá. Deixar o melhor país do mundo (copos baratos, sol, gajas cada vez mais giras e o Benfica) para "investir na carreira" é coisa que me faz um bocado de confusão. Se fodessem mais e trabalhassem menos, aposto que isso passava rapidamente.
4 - É outra forma do discurso do Sócrates e de muitos opinion-makers de, como diz Pedro Lomba no DN, defenderem que "o país precisa" disto ou daquilo. Qualificação, esforço, sacrifício, qualidade, produtividade e etc e tal. Pois, e aquilo de que as pessoas precisam? Será isto irrelevante? Isto não é mais que conversetas de "Compromisso Portugal", de empresariosecos e futuros patrões que nos embalam com estas merdas enquanto continuam a encher os bolsos. Eu não estou em corrida alguma para fazer de Portugal um país moderno. A minha corrida é para viver da forma mais feliz possível, e são coisas muito, muito diferentes.
PS - Eu até sou membro do Star Trackers, fruto de um convite de um amigo. Já passei pelo site algumas vezes, mas aquele roxo mete-me um bocado de impressão. E o conceito de Hi5 para tótós e gajos muita talentosos dá-me vontade de rir. Começou por ser uma coisa para Portugueses Talentosos Que Dão Cartas no Estrangeiro, mas agora o nível está a descer, se até eu lá estou. Quem sabe, um dia seremos maioritários. Então, em vez de merdas pomposas no Campo Pequeno com o Cavaco, teremos piqueniques oficiais ali para os lados de Aljezur, bem regados com medronho.
Ainda há esperança.
Continuem o bom trabalho. Portugal precisa de vós.
domingo, 27 de julho de 2008
A Dúvida
Os ciganos - ou os membros da comunidade de etnia cigana - que bazaram da Quinta da Fonte, não querem lá voltar, querem novas casas e ameaçam, se tal não acontecer, fazer uma grande manifestação nacional de ciganos. Começo agora a perceber a demora do Quaresma em ir para o Inter, não deve querer perder o evento.
E já agora, se a manifestação não funcionar, vão fazer o quê? Greve?
Não, por favor, não, isso o país não aguentaria...
Os ciganos - ou os membros da comunidade de etnia cigana - que bazaram da Quinta da Fonte, não querem lá voltar, querem novas casas e ameaçam, se tal não acontecer, fazer uma grande manifestação nacional de ciganos. Começo agora a perceber a demora do Quaresma em ir para o Inter, não deve querer perder o evento.
E já agora, se a manifestação não funcionar, vão fazer o quê? Greve?
Não, por favor, não, isso o país não aguentaria...
Minho ou fenómeno do Entroncamento?
Ali para acima do Mondego, há um estranho mundo. Para além da concentração de azeiteiros e parolos ali na zona do Porto, as coisas estão a ficar ainda mais maradas lá mais para cima.
Primeiro foi esta belíssima ideia:

E não é que este ano, os parolos do Vitória lá de cima e os seus rivais (?) do Sporting de Braga, tentaram - mas não conseguiram, claro - fazer pior.
Vide exemplos em baixo.

E agora este:

Sou só eu, ou os gajos do Minho andam a beber água marada?
Ali para acima do Mondego, há um estranho mundo. Para além da concentração de azeiteiros e parolos ali na zona do Porto, as coisas estão a ficar ainda mais maradas lá mais para cima.
Primeiro foi esta belíssima ideia:

E não é que este ano, os parolos do Vitória lá de cima e os seus rivais (?) do Sporting de Braga, tentaram - mas não conseguiram, claro - fazer pior.
Vide exemplos em baixo.

E agora este:

Sou só eu, ou os gajos do Minho andam a beber água marada?
A forma sobre a substância
João Cravinho cometeu a ousadia, mais uma vez, de criticar a proposta contra a corrupção aprovada recentemente pelo PS. Disse o senhor que a legislação abre as portas à corrupção e que, em alguns casos, vamos ter "juízes em causa própria", o que, digo eu, me soa um bocado a...corrupção.
Enfim.
Esqueçamos por um momento que Cravinho está no Banco Europeu de Investimento a gozar o seu tacho, e que gosta de armar em Manuel Alegre mas continuar a mamar na teta. A verdade é que ele tem razão.
O que me traz aqui é a fabulosa reacção do PS. Perante as críticas concretas de Cravinho, a resposta oficial do PS é a seguinte: "o Partido Socialista não recebe lições de combate à corrupção do engenheiro João Cravinho". E pronto.
Ah, ok, se é assim estamos conversados.
Nem uma palavra acerca das críticas concretas, nada, zero.
Shame on you, Mr. Cravinho, que te atreves a dizer mal do sacrossanto PS!
Esta resposta, aliás, não deve ter demorado muito tempo a criar. Foi a mesma que deram a Manuel Alegre, ao PC e ao BE para aí umas 50 vezes, relembrando todos os portugueses distraídos que "o PS não recebe lições de esquerda de ninguém".
Ficamos bastante mais descansados.
Mas, na verdade, o Cravinho deve estar parvo. Por que carga de água havia o PS - ou qualquer partido entrincheirado historicamente na máquina do poder - de aprovar uma lei anti-corrupção eficaz?
Mr. Cravinho, goze lá o seu tachinho e deixe de ser inconveniente.
João Cravinho cometeu a ousadia, mais uma vez, de criticar a proposta contra a corrupção aprovada recentemente pelo PS. Disse o senhor que a legislação abre as portas à corrupção e que, em alguns casos, vamos ter "juízes em causa própria", o que, digo eu, me soa um bocado a...corrupção.
Enfim.
Esqueçamos por um momento que Cravinho está no Banco Europeu de Investimento a gozar o seu tacho, e que gosta de armar em Manuel Alegre mas continuar a mamar na teta. A verdade é que ele tem razão.
O que me traz aqui é a fabulosa reacção do PS. Perante as críticas concretas de Cravinho, a resposta oficial do PS é a seguinte: "o Partido Socialista não recebe lições de combate à corrupção do engenheiro João Cravinho". E pronto.
Ah, ok, se é assim estamos conversados.
Nem uma palavra acerca das críticas concretas, nada, zero.
Shame on you, Mr. Cravinho, que te atreves a dizer mal do sacrossanto PS!
Esta resposta, aliás, não deve ter demorado muito tempo a criar. Foi a mesma que deram a Manuel Alegre, ao PC e ao BE para aí umas 50 vezes, relembrando todos os portugueses distraídos que "o PS não recebe lições de esquerda de ninguém".
Ficamos bastante mais descansados.
Mas, na verdade, o Cravinho deve estar parvo. Por que carga de água havia o PS - ou qualquer partido entrincheirado historicamente na máquina do poder - de aprovar uma lei anti-corrupção eficaz?
Mr. Cravinho, goze lá o seu tachinho e deixe de ser inconveniente.
Dr. Jekyll & Mr. Corrupto
Freitas do Amaral, que era considerado o senhor mais douto do mundo, pronunciou-se sobre a cóboiada do conselho de justiça da FPF. E o que disse o ex-fascista? Que a reunião era válida - logo tornando lei as condenações a Pinto da Costa e Boavista - e que boa parte do sistema de justiça desportiva em Portugal deve ser bem investigada.
Ora bem.
O que é engraçado é que tanto o Boavista como o FCP vieram - claro está - atacar a decisão, lembrando que é "apenas a opinião de uma pessoa". Indeed. Acontece é que, quando foi anunciado que o caso seria entregue a Freitas do Amaral, nenhuma destas partes se mostrou contra. Ou seja, se a decisão é desfavorável, é apenas uma opinião. Mas não seria sempre "apenas a opinião de uma pessoa", qualquer que fosse o sentido da decisão?
Pois.
E já agora ouçamos o senhor Gonçalves Pereira, o tal presidente suspenso do conselho de justiça que tinha tudo feitinho para safar Pinto da Costa e Boavista: "Isto não é um parecer, é uma autêntica descoberta científica. O Direito é uma ciência que, tal como todas as outras, evolui, por isso talvez estejamos perante uma dessas inovações". E agora ouçamos o senhor logo depois de Gilberto Madaíl ter anunciado que ia entregar o caso a Freitas: "tem um percurso de vida e uma dignidade que aprendi a respeitar".
Estaremos perante um caso de dupla personalidade, ou de pura e simples cara de pau?
Freitas do Amaral, que era considerado o senhor mais douto do mundo, pronunciou-se sobre a cóboiada do conselho de justiça da FPF. E o que disse o ex-fascista? Que a reunião era válida - logo tornando lei as condenações a Pinto da Costa e Boavista - e que boa parte do sistema de justiça desportiva em Portugal deve ser bem investigada.
Ora bem.
O que é engraçado é que tanto o Boavista como o FCP vieram - claro está - atacar a decisão, lembrando que é "apenas a opinião de uma pessoa". Indeed. Acontece é que, quando foi anunciado que o caso seria entregue a Freitas do Amaral, nenhuma destas partes se mostrou contra. Ou seja, se a decisão é desfavorável, é apenas uma opinião. Mas não seria sempre "apenas a opinião de uma pessoa", qualquer que fosse o sentido da decisão?
Pois.
E já agora ouçamos o senhor Gonçalves Pereira, o tal presidente suspenso do conselho de justiça que tinha tudo feitinho para safar Pinto da Costa e Boavista: "Isto não é um parecer, é uma autêntica descoberta científica. O Direito é uma ciência que, tal como todas as outras, evolui, por isso talvez estejamos perante uma dessas inovações". E agora ouçamos o senhor logo depois de Gilberto Madaíl ter anunciado que ia entregar o caso a Freitas: "tem um percurso de vida e uma dignidade que aprendi a respeitar".
Estaremos perante um caso de dupla personalidade, ou de pura e simples cara de pau?
sábado, 26 de julho de 2008
Salvem o cigano
Pois é.
Depois de aparentemente ter insultado todos os ciganos do mundo e de me ter inadvertidamente metido numa discussão acerca da Quinta da Fonte, agora tenho de dar razão a quem defende esta etnia discriminada e perseguida.
Acabaram com o Cigano Mágico.
Para quem não sabe do que estou a falar, é o segundo link para blogs alheios, ali do lado direito (não vale a pena clicarem lá agora, porque, como eu disse, ele foi exterminado). Por acaso, o link até tá mal metido, sinal de que eu não sou o único vodkiano que sofre de intolerância aos ciganos. Mas agora, nem sequer inserindo a morada certa, se chega a lado algum. Aparece uma mensagem do blogger, a dizer que na sei quê, o blog já não consta.
Filhos duma ganda puta.
Para quem não conhece, o Cigano Mágico é uma personagem mítica que ocupava o topo de um solitário e poético lugar chamado Mastros ao Alto. Com o único defeito de ser um tripeiro sem vergonha, era um dos tipos que ainda me fazia perder tempo com esta treta dos blogs. É o autor da frase que eu gostaria de ter inventado, qualquer coisa como "quando compro um caderno não escrevo logo nele. Deito-lhe cerveja por cima, mando-o ao chão, deixo-o na merda. Para começarmos em pé de igualdade".
E agora foi-se.
Se foram os pretos da Quinta da Fonte, não sei. Se calhar foi só um suicídio cibernético, como já tinha ameaçado fazer.
De qualquer das formas, caro Cigano, se me estás a ler: volta. Tu tás lá.
Pois é.
Depois de aparentemente ter insultado todos os ciganos do mundo e de me ter inadvertidamente metido numa discussão acerca da Quinta da Fonte, agora tenho de dar razão a quem defende esta etnia discriminada e perseguida.
Acabaram com o Cigano Mágico.
Para quem não sabe do que estou a falar, é o segundo link para blogs alheios, ali do lado direito (não vale a pena clicarem lá agora, porque, como eu disse, ele foi exterminado). Por acaso, o link até tá mal metido, sinal de que eu não sou o único vodkiano que sofre de intolerância aos ciganos. Mas agora, nem sequer inserindo a morada certa, se chega a lado algum. Aparece uma mensagem do blogger, a dizer que na sei quê, o blog já não consta.
Filhos duma ganda puta.
Para quem não conhece, o Cigano Mágico é uma personagem mítica que ocupava o topo de um solitário e poético lugar chamado Mastros ao Alto. Com o único defeito de ser um tripeiro sem vergonha, era um dos tipos que ainda me fazia perder tempo com esta treta dos blogs. É o autor da frase que eu gostaria de ter inventado, qualquer coisa como "quando compro um caderno não escrevo logo nele. Deito-lhe cerveja por cima, mando-o ao chão, deixo-o na merda. Para começarmos em pé de igualdade".
E agora foi-se.
Se foram os pretos da Quinta da Fonte, não sei. Se calhar foi só um suicídio cibernético, como já tinha ameaçado fazer.
De qualquer das formas, caro Cigano, se me estás a ler: volta. Tu tás lá.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O Entradote de Ouro
João Pinto, o menino de ouro, pendurou as chuteiras. Aos 36 anos, é o fim da carreira de um jogador que, independentemente do clube de cada um, marcou uma época no futebol português. Eu, como benfiquista, idolatrei-o, naquelas épocas em que João Pinto levava a equipa às costas e era a minha única esperança de algo surpreendente, por entre uma floresta de Kings, Paulos Pereiras, Pringles e Tauments de pacotilha.
Pessoalmente, o João Pinto nunca chegou a ser o meu jogador preferido. No Benfica, o meu grande ídolo de infância era o grande Vítor Paneira e, de certa maneira, o Isaías, o profeta. Fora do Benfica, o meu grande ídolo era o Paulo Futre, o do penteado ridículo e do Porsche amarelo, o jogador que, em forma, foi o mais entusiasmante que alguma vez vi jogar (alguém disse que Futre era o único jogador que conseguia fintar quatro italianos numa cabine telefónica).
Já João Pinto era uma coisa diferente. Para mim, ele era esperança. E, na medida do seu talento que nunca chegou - na minha opinião - perto dum Rui Costa ou dum Figo, sempre fez, por nós, o que pôde.
Aquele 6-3 fez por uma geração de benfiquistas aquilo que, desde os tempos dos Diamantinos, dos Nénés, dos Valdos e dos Carlos Manuéis ninguém conseguiu fazer. Deu-nos a dignidade, e um título que, depois daquele Verão quente, precisávamos mais do que nunca.
Foi injustiçado pela troupe de Gilberto Madaíl, que conseguiu fazer dele o bode expiatório para tudo o que correu mal na Coreia-Japão. Tal como Vítor Baía, claramente o melhor guarda-redes português dos últimos 15 anos, teve um passado brilhante de dedicação às várias selecções, e foi injustiçado, politicamente, pelo escorregadio Madaíl.
João Pinto, o verdadeiro artista. O Menino de Ouro.
Obrigado pela magia.
João Pinto, o menino de ouro, pendurou as chuteiras. Aos 36 anos, é o fim da carreira de um jogador que, independentemente do clube de cada um, marcou uma época no futebol português. Eu, como benfiquista, idolatrei-o, naquelas épocas em que João Pinto levava a equipa às costas e era a minha única esperança de algo surpreendente, por entre uma floresta de Kings, Paulos Pereiras, Pringles e Tauments de pacotilha.
Pessoalmente, o João Pinto nunca chegou a ser o meu jogador preferido. No Benfica, o meu grande ídolo de infância era o grande Vítor Paneira e, de certa maneira, o Isaías, o profeta. Fora do Benfica, o meu grande ídolo era o Paulo Futre, o do penteado ridículo e do Porsche amarelo, o jogador que, em forma, foi o mais entusiasmante que alguma vez vi jogar (alguém disse que Futre era o único jogador que conseguia fintar quatro italianos numa cabine telefónica).
Já João Pinto era uma coisa diferente. Para mim, ele era esperança. E, na medida do seu talento que nunca chegou - na minha opinião - perto dum Rui Costa ou dum Figo, sempre fez, por nós, o que pôde.
Aquele 6-3 fez por uma geração de benfiquistas aquilo que, desde os tempos dos Diamantinos, dos Nénés, dos Valdos e dos Carlos Manuéis ninguém conseguiu fazer. Deu-nos a dignidade, e um título que, depois daquele Verão quente, precisávamos mais do que nunca.
Foi injustiçado pela troupe de Gilberto Madaíl, que conseguiu fazer dele o bode expiatório para tudo o que correu mal na Coreia-Japão. Tal como Vítor Baía, claramente o melhor guarda-redes português dos últimos 15 anos, teve um passado brilhante de dedicação às várias selecções, e foi injustiçado, politicamente, pelo escorregadio Madaíl.
João Pinto, o verdadeiro artista. O Menino de Ouro.
Obrigado pela magia.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
O Grande Esgalho do Pessegueiro, em Stereo
Estava de férias quando, aparentemente o velho circo desceu à cidade. Leonard Cohen e Lou Reed em Lisboa, nas mesma noite. Não vi outra grande carcassa, o Bob Dylan, mas dizem-me que foi um secador descomunal; apanhei o Neil Young, e redescobri a fé no Rock n' Roll.
Não fui nem ao Cohen nem ao Lou Reed. Dito isto, aqui vai uma opinião de alguém que só os conhece dos discos.
O Cohen é um tipo realmente talentoso, mas praticamente conseguiu arruinar uma carreira à pala dos piores arranjos alguma vez vistos na história da música, superados apenas pelos arranjos dos primeiros albuns do Jorge Palma. E é um chato do caraças. Talentoso, mas muito, muito, chato.
Já o Lou Reed é um arrogante de merda. Também tem talento, mas nem de perto nem de longe o quanto ele acha. Comporta-se como se todo o mundo lhe devesse beijar os pés, apesar de não fazer um album de jeito desde Transformer (já lá vão mais de 30 anitos).
Depois, não faltaram as queixas, de "como é possível estes senhores estarem agendados para a mesma noite?", meu deus!!
Isto, se calhar, é sinal de que a capital da metrópole está a começar a ser um bocadinho menos periférica, ainda que não menos parola.
E, é claro, todos os intelectuais deste calhau à beira do charco bateram grandes píveas com os senhores. Estão no seu direito. Eu, calhau que sou, preferi ver o Estoril- Benfica C. São opções.
Estava de férias quando, aparentemente o velho circo desceu à cidade. Leonard Cohen e Lou Reed em Lisboa, nas mesma noite. Não vi outra grande carcassa, o Bob Dylan, mas dizem-me que foi um secador descomunal; apanhei o Neil Young, e redescobri a fé no Rock n' Roll.
Não fui nem ao Cohen nem ao Lou Reed. Dito isto, aqui vai uma opinião de alguém que só os conhece dos discos.
O Cohen é um tipo realmente talentoso, mas praticamente conseguiu arruinar uma carreira à pala dos piores arranjos alguma vez vistos na história da música, superados apenas pelos arranjos dos primeiros albuns do Jorge Palma. E é um chato do caraças. Talentoso, mas muito, muito, chato.
Já o Lou Reed é um arrogante de merda. Também tem talento, mas nem de perto nem de longe o quanto ele acha. Comporta-se como se todo o mundo lhe devesse beijar os pés, apesar de não fazer um album de jeito desde Transformer (já lá vão mais de 30 anitos).
Depois, não faltaram as queixas, de "como é possível estes senhores estarem agendados para a mesma noite?", meu deus!!
Isto, se calhar, é sinal de que a capital da metrópole está a começar a ser um bocadinho menos periférica, ainda que não menos parola.
E, é claro, todos os intelectuais deste calhau à beira do charco bateram grandes píveas com os senhores. Estão no seu direito. Eu, calhau que sou, preferi ver o Estoril- Benfica C. São opções.
Lellada ou Little Bastard, o facho
Estava ausente, de férias, quando o faroeste saiu à rua, algures em Loures. Desde então já ouvi de tudo: a culpa é de uns, de outros, do Governo, da Câmara, de nós, do aquecimento global. Já não tenho é saco para o discurso do politicamente correcto e dos coitadinhos. Lamento.
1 - afinal os outros que não brancos também são racistas. É refrescante sabê-lo.
2 - a polícia serve para apanhar gajos que andam aos tiros. É suposto ser esse o seu trabalho, serem especializados, terem meios, etc. Neste caso, HÁ UM VÍDEO de gajos aos tiros de caçadeira, e nada. Foram ouvidos dois, e saíram em liberdade. Fantástico.
3 - Os ciganos já não querem aquelas casas. Querem outras. Noutro sítio. Presumo que melhores. Também eu. Eu também não gosto dos meus vizinhos, mas foda-se, cometi o erro estúpido de suportar, eu mesmo, a minha casa. Que tanso!
4 - Um dos ciganos, com ar anafado, levou os jornalistas num tour pela sua casa delapidada. Mostrou os espaços vazios de onde lhe roubaram o PLASMA, a PLAYSTATION, o DVD, a OUTRA PLAYSTATION. Não há direito, de facto. O facto de os senhores viverem do rendimento mínimo e terem um património melhor que o meu não parece ter causado qualquer estranheza.
5 - Alguns dos que reclamam uma nova casa nem sequer deviam ter a anterior, que simplesmente ocuparam.
6 - Realojar as famílias ciganas noutro lugar significa duas coisas: dar-lhes uma casa à qual, muitos deles, não têm qualquer direito; e significa a cedência ao racismo. O argumento de que não podem voltar porque os pretos os vão matar até poderia fazer sentido, mas o Estado não pode ir nessa cantiga. Isso seria o Estado demitir-se, mais uma vez, da sua responsabilidade, de assegurar a segurança para todos os cidadãos, de todas as origens. É simples. Tem que ser feito.
Li num lado qualquer uma ideia interessante. Se a pobreza e a exclusão justificam totalmente o recurso ao crime e ao tiroteio na via pública, por que raio não vemos mais gente a fazê-lo? Não faltam pobres e excluídos, cada vez mais, em Portugal. Recuso a ideia lírica da esquerda de pacotilha de que a Sociedade, esse monstro, é culpada de tudo, e tudo deve a quem, na verdade, apenas a pretende parasitar. É altura de, caso a caso, analisar as coisas. O que já não serve é a cantiga de que não há emprego, logo há a desculpa para haver crime. Para pessoas não qualificadas - a esmagadora maioria daquele bairro - não falta emprego, é só andar na rua e ver os anúncios nas montras. Pois, mas isso não paga os plasmas e as playstations, não é?
Deixemo-nos de brincadeiras.
E agora, bring it on...
Estava ausente, de férias, quando o faroeste saiu à rua, algures em Loures. Desde então já ouvi de tudo: a culpa é de uns, de outros, do Governo, da Câmara, de nós, do aquecimento global. Já não tenho é saco para o discurso do politicamente correcto e dos coitadinhos. Lamento.
1 - afinal os outros que não brancos também são racistas. É refrescante sabê-lo.
2 - a polícia serve para apanhar gajos que andam aos tiros. É suposto ser esse o seu trabalho, serem especializados, terem meios, etc. Neste caso, HÁ UM VÍDEO de gajos aos tiros de caçadeira, e nada. Foram ouvidos dois, e saíram em liberdade. Fantástico.
3 - Os ciganos já não querem aquelas casas. Querem outras. Noutro sítio. Presumo que melhores. Também eu. Eu também não gosto dos meus vizinhos, mas foda-se, cometi o erro estúpido de suportar, eu mesmo, a minha casa. Que tanso!
4 - Um dos ciganos, com ar anafado, levou os jornalistas num tour pela sua casa delapidada. Mostrou os espaços vazios de onde lhe roubaram o PLASMA, a PLAYSTATION, o DVD, a OUTRA PLAYSTATION. Não há direito, de facto. O facto de os senhores viverem do rendimento mínimo e terem um património melhor que o meu não parece ter causado qualquer estranheza.
5 - Alguns dos que reclamam uma nova casa nem sequer deviam ter a anterior, que simplesmente ocuparam.
6 - Realojar as famílias ciganas noutro lugar significa duas coisas: dar-lhes uma casa à qual, muitos deles, não têm qualquer direito; e significa a cedência ao racismo. O argumento de que não podem voltar porque os pretos os vão matar até poderia fazer sentido, mas o Estado não pode ir nessa cantiga. Isso seria o Estado demitir-se, mais uma vez, da sua responsabilidade, de assegurar a segurança para todos os cidadãos, de todas as origens. É simples. Tem que ser feito.
Li num lado qualquer uma ideia interessante. Se a pobreza e a exclusão justificam totalmente o recurso ao crime e ao tiroteio na via pública, por que raio não vemos mais gente a fazê-lo? Não faltam pobres e excluídos, cada vez mais, em Portugal. Recuso a ideia lírica da esquerda de pacotilha de que a Sociedade, esse monstro, é culpada de tudo, e tudo deve a quem, na verdade, apenas a pretende parasitar. É altura de, caso a caso, analisar as coisas. O que já não serve é a cantiga de que não há emprego, logo há a desculpa para haver crime. Para pessoas não qualificadas - a esmagadora maioria daquele bairro - não falta emprego, é só andar na rua e ver os anúncios nas montras. Pois, mas isso não paga os plasmas e as playstations, não é?
Deixemo-nos de brincadeiras.
E agora, bring it on...
Serviço cívico
Afinal, ler o Público sempre nos diz coisas interessantes. Na página 13 (curioso número, como diria o outro), surge um anúncio da responsabilidade da Assembleia Municipal de Lisboa, com o seguinte conteúdo: "Convocatória. Leva-se ao conhecimento dos Srs. Deputados Municipais, que a Sessão Extraordinária iniciada no dia 15 de Julho de 2008 prosseguirá no próximo dia 22 de Julho pelas 15 horas, no Fórum Lisboa - Avª de Roma, nº14, com a restante Ordem de Trabalhos. Assembleia Municipal de Lisboa, em 15 de Julho de 2008", e depois assinado por A Presidente, Paula Teixeira da Cruz.
Well, well, well.
Não sei o que gosto mais: se a bizarra utilização de maiúsculas, se a preocupação em referir que a reunião interrompida decorreu em 15 de Julho de 2008 - não fosse pensar-se que tinha mais anos.
A minha dúvida é a seguinte: estes senhores, estes Deputados Municipais, não têm...sei lá...um e-mail? Um telemóvel, um iPhone, até? A Assembleia Municipal não sabe onde eles estão? Serão assim tantos e tão fugidios? E depois há a hipótese, rebuscada, é certo, de os Senhores Deputados, ao menos unzinho, não tenham comprado hoje O Público. Sei que só uma conspiração monstruosa levaria a que tal acontecesse, mas ainda assim é possível. Então os Senhores Deputados faltariam à Reunião? E se o quiosque fechou, o dono de férias, etc? Meu Deus, o Horror!
Este anúncio, que até não é grande, é coisa para ter custado uns euricos, digo eu...
Mas enfim, eles lá saberão o que fazem. Como os impostos municipais e as multas da polícia municipal são baratuxos, tá-se bem.
Gastem à vontade. Prossigam.
Afinal, ler o Público sempre nos diz coisas interessantes. Na página 13 (curioso número, como diria o outro), surge um anúncio da responsabilidade da Assembleia Municipal de Lisboa, com o seguinte conteúdo: "Convocatória. Leva-se ao conhecimento dos Srs. Deputados Municipais, que a Sessão Extraordinária iniciada no dia 15 de Julho de 2008 prosseguirá no próximo dia 22 de Julho pelas 15 horas, no Fórum Lisboa - Avª de Roma, nº14, com a restante Ordem de Trabalhos. Assembleia Municipal de Lisboa, em 15 de Julho de 2008", e depois assinado por A Presidente, Paula Teixeira da Cruz.
Well, well, well.
Não sei o que gosto mais: se a bizarra utilização de maiúsculas, se a preocupação em referir que a reunião interrompida decorreu em 15 de Julho de 2008 - não fosse pensar-se que tinha mais anos.
A minha dúvida é a seguinte: estes senhores, estes Deputados Municipais, não têm...sei lá...um e-mail? Um telemóvel, um iPhone, até? A Assembleia Municipal não sabe onde eles estão? Serão assim tantos e tão fugidios? E depois há a hipótese, rebuscada, é certo, de os Senhores Deputados, ao menos unzinho, não tenham comprado hoje O Público. Sei que só uma conspiração monstruosa levaria a que tal acontecesse, mas ainda assim é possível. Então os Senhores Deputados faltariam à Reunião? E se o quiosque fechou, o dono de férias, etc? Meu Deus, o Horror!
Este anúncio, que até não é grande, é coisa para ter custado uns euricos, digo eu...
Mas enfim, eles lá saberão o que fazem. Como os impostos municipais e as multas da polícia municipal são baratuxos, tá-se bem.
Gastem à vontade. Prossigam.
O Público
O Público é o meu jornal preferido, basicamente porque é o único empenhado em fazer diferente do que todos os outros estão a fazer. Ainda assim, há diferente e há diferente. Nos últimos tempos, tenho visto vários exemplos de um mau trabalho. Por um lado são as incompreensíveis opções editoriais - vide Ypsélon, ou que raio é, dedicado à oferta cultural no Allgarve (like I give a fuck) - por outro são as gralhas. Textos que começam e não acabam, paginações artísticas que ficam incompreensíveis, etc. E depois há os títulos, aquelas cenas em cima das notícias, que é suposto dizerem alguma coisa às pessoas que compram o matutino. Na edição de hoje (página 4), aquilo que está no sítio do título diz assim: "Caos do minifúndio do mundo rural paralisa a ZIF da Beira Serra". Se alguém perceber What the fuck o senhor André Jegundo (assina a peça) está a falar, levante a mão. Pois, bem me parecia.
Para o senhor Jegundo, auguro um grande futuro na burocracia da função pública. Nas Finanças, por exemplo.
O Público é o meu jornal preferido, basicamente porque é o único empenhado em fazer diferente do que todos os outros estão a fazer. Ainda assim, há diferente e há diferente. Nos últimos tempos, tenho visto vários exemplos de um mau trabalho. Por um lado são as incompreensíveis opções editoriais - vide Ypsélon, ou que raio é, dedicado à oferta cultural no Allgarve (like I give a fuck) - por outro são as gralhas. Textos que começam e não acabam, paginações artísticas que ficam incompreensíveis, etc. E depois há os títulos, aquelas cenas em cima das notícias, que é suposto dizerem alguma coisa às pessoas que compram o matutino. Na edição de hoje (página 4), aquilo que está no sítio do título diz assim: "Caos do minifúndio do mundo rural paralisa a ZIF da Beira Serra". Se alguém perceber What the fuck o senhor André Jegundo (assina a peça) está a falar, levante a mão. Pois, bem me parecia.
Para o senhor Jegundo, auguro um grande futuro na burocracia da função pública. Nas Finanças, por exemplo.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Faíscas
Na noite de domingo, como saberão, arderam dois prédios em plena Avenida da Liberdade. É só a avendida mais cara de Lisboa, em termos de preço do metro quadrado e onde se encontraram as lojas pretensamente mais exclusivas. O prédio onde começou o incêndio estava devoluto, vazio, abandonado, servindo de local de pernoita a alguns agarrados e sem abrigo. Há 4.600 edifícios devolutos em Lisboa, que dariam para a habitação de 25 mil pessoas. Só na avenida da Liberdade, são 65 km quadrados de espaço devoluto. Os bombeiros estiveram bem (foi impressionante vê-los a arriscar a vida empoleirados no edifício em chamas), as autoridades responderam depressa.
Mas o problema está lá, e é uma bomba relógio. Não apenas pelos incêndios, que qualquer dia se poderão tornar um problema pior, mas sim pelo que o centro da cidade (e não apenas o centro) vive, ou não vive. Ninguém lá mora. Há lojas, escritórios e prédios vazios, a cair de podre. Continuamos a expulsar pessoas para a periferia, esvaziando a cidade (parece um museu, só trabalha em horário de expediente), provocando em Lisboa e nos arredores engarrafamentos gigantes, com os custos associados ao nível da poluição, do tempo perdido e do dinheiro gasto em combustíveis por quem acha que fica muito mais barato ir morar para o subúrbio.
A resposta tem sido básica: taxar, a preços exorbitantes, o estacionamento em Lisboa, e a construção de cada vez mais estradas que tragam as pessoas, nos seus carros, para dentro de Lisboa.
A terceira travessia sobre o Tejo, cuja utilidade, de facto, desconheço por completo, vai trazer mais 2.500 carros por dia para a cidade, e isto não parece estranho a ninguém. A resposta é sempre penalizar quem traz o carro, os contribuintes, sacar-lhes mais umas massas. Quanto a resolver o problema, e fazer de Lisboa uma cidade realmente moderna, nem uma ideia.
Foi um só prédio, mas foi mais que isso.
Lisboa está devoluta.
Na noite de domingo, como saberão, arderam dois prédios em plena Avenida da Liberdade. É só a avendida mais cara de Lisboa, em termos de preço do metro quadrado e onde se encontraram as lojas pretensamente mais exclusivas. O prédio onde começou o incêndio estava devoluto, vazio, abandonado, servindo de local de pernoita a alguns agarrados e sem abrigo. Há 4.600 edifícios devolutos em Lisboa, que dariam para a habitação de 25 mil pessoas. Só na avenida da Liberdade, são 65 km quadrados de espaço devoluto. Os bombeiros estiveram bem (foi impressionante vê-los a arriscar a vida empoleirados no edifício em chamas), as autoridades responderam depressa.
Mas o problema está lá, e é uma bomba relógio. Não apenas pelos incêndios, que qualquer dia se poderão tornar um problema pior, mas sim pelo que o centro da cidade (e não apenas o centro) vive, ou não vive. Ninguém lá mora. Há lojas, escritórios e prédios vazios, a cair de podre. Continuamos a expulsar pessoas para a periferia, esvaziando a cidade (parece um museu, só trabalha em horário de expediente), provocando em Lisboa e nos arredores engarrafamentos gigantes, com os custos associados ao nível da poluição, do tempo perdido e do dinheiro gasto em combustíveis por quem acha que fica muito mais barato ir morar para o subúrbio.
A resposta tem sido básica: taxar, a preços exorbitantes, o estacionamento em Lisboa, e a construção de cada vez mais estradas que tragam as pessoas, nos seus carros, para dentro de Lisboa.
A terceira travessia sobre o Tejo, cuja utilidade, de facto, desconheço por completo, vai trazer mais 2.500 carros por dia para a cidade, e isto não parece estranho a ninguém. A resposta é sempre penalizar quem traz o carro, os contribuintes, sacar-lhes mais umas massas. Quanto a resolver o problema, e fazer de Lisboa uma cidade realmente moderna, nem uma ideia.
Foi um só prédio, mas foi mais que isso.
Lisboa está devoluta.
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