terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

And the Oscar goes to...

Em todo o lado se lê que Martin Scorcese ganhou finalmente um Óscar, mas com um filme que não merece. Este "mas" é que me incomoda, para mim o Scorcese podia ter ganho até com o Desaparecido em Combate se numa realidade absurda o tivesse realizado, o que importa, de facto, é que finalmente resolveram distinguir o trabalho de um dos maiores realizadores de sempre. Se os critérios de avaliação, a importância ou timming das escolhas da Academia podem ser questionáveis, não nos podemos esquecer que para quem trabalha na indústria cinematográfica americana os Óscares são realmente importantes.

Devemos por isso ver esta consagração pelo ponto de vista de Scorcese. Alguém que como ele faz parte da máquina gigantesca de Hollywood, espera que o seu trabalho seja distinguido, talvez um punhado de realizadores independentes se esteja completamente a borrifar para os prémios, mas Scorcese é um realizador comercial e como tal há muito que esperava que o seu trabalho fosse recompensado. Ao perguntar aos amigos Spielberg, Lucas e Coppola se não queriam confirmar o nome no envelope mostrou de forma sarcástica o que realmente pensava.

Deveria sem dúvida ter ganho com o Raging Bull e Goodfellas, duas obras primas absolutas do cinema, mas foi com uma obra dita menor que acabou por ganhar. Mas o que é isso de uma obra menor, é óbvio que Scorcese não vê o seu último filme como tal, é de certeza o filme que pensou e quis fazer, talvez com menos liberdade criativa, talvez com mais pressões dos estúdios, não se sabe, isso são sempre factores inerentes a um processo criativo com objectivos comerciais mas no fim o trabalho feito é sempre uma vitória profissional e pessoal e por isso merecedor como qualquer outro de um prémio destes. Este é o único ponto de vista que interessa.

De salientar, ainda, nesta cerimónia a homenagem a Ennio Morricone um dos maiores compositores para cinema de sempre e o óscar para Gustavo Santaolalla pela banda sonora de Babel, depois de em 2006 ter ganho na mesma categoria com a banda sonora do Brokeback Mountain. Não vi o Babel, mas a banda sonora do Brokeback e a do filme Motorcycle Diaries que podia muito bem ter sido nomeada em 2005 são, sem dúvida, das melhores dos últimos anos. Embora o cinema seja essencialmente uma linguagem de imagens estes dois excelentes compositores demonstram que uma boa banda sonora é tão, ou por vezes mais, inesquecível que a experiência visual.

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