sábado, 31 de julho de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mais um pedaço da minha infância cruelmente arrancado. Até sempre, Becas e Repelão.

Homenagem

Sentida homenagem ao António Feio, que nos deixou esta noite. Pelo talento, pela simplicidade, pelo amor à cultura e ao teatro, em particular.

Deixo-vos um excerto dum episódio de "Paraíso Filmes", a melhor série portuguesa de sempre para ver depois de fumar umas brocas.

Respect, ma man.










quinta-feira, 29 de julho de 2010

Meus amigos...

...estamos salvos!!!!

O Candidato Vieira está de volta!


Se conseguir, desta vez, a merda das assinaturas necessárias, terá o meu voto. Sem dúvidas, sem hesitações, sem meias palavras.






"Quero uma democracia toda aberta", diz ele.

Quem não quer?

A bebida oficial do Verão...

...não é o Caipirão, que é uma bela merda.

Para quem quer desenjoar da magnífica jola, o Vodka Atónito cumpre aqui a sua quota mensal de serviço público alcoólico e desvenda a última descoberta deste vosso camarada.

Isto
















Mais Isto



















dá a SEVENINJA! Foi-me sugerida pelo tipo do restaurante à frente do trabalho, e baptizei-a de imediato. A primeira tentativa deu em GINJANUP, mas depois de muito matutar registei a única, a inimitável, a verdadeira bomba deste verão, a SEVENINJA!!

Gelo com fartura, 1 terço ginja, dois terços seven up.

À vossa!

Freeport 2.0

Depois de termos achado que a novela Freeport tinha finalmente chegado ao fim, do nada surge um spin-off que promete aquecer ainda mais este escaldante Verão.
Os senhores procuradores encarregues da investigação no último ano e meio queixam-se, através de despacho, que teria sido importante ouvir José Sócrates, e que não o fizeram porque o prazo marcado para a conclusão do seu trabalho não o permitiu.

Isto levanta uma série de questões.

1 - Não houve tempo? Tanta notícia, os próprios acusados invocaram várias vezes o nome de Sócrates, e este não é ouvido? Não houve tempo? Andam nesta merda há anos e foram deixando para depois?

2 - Se houve entraves à sua audição, estes senhores só têm um remédio: explicar quais, tintim por tintim. Assim, isto vale zero.

3 - Se houve entraves, tudo tem de ser apurado. Depois de branquearem Sócrates no caso TVI - ao destruírem as poderosas escutas - não me espantaria que tivesse sucedido o mesmo aqui. Mas é preciso, em algum momento e de alguma forma, ter o mínimo de fé na Justiça, e isto está a tornar-se insustentável.

Ou seja, ou têm alguma coisa a dizer, e é bom que o digam depressa, ou isto é mais uma guerrinha corporativa. A verdade é que a confiança na Justiça é a grande vítima de toda esta palhaçada.

Censura II

Oliver Stone - o tipo que sempre terá um cantinho no meu coração por ter feito "Natural Born Killers" - está na berlinda.
Em declarações ao Sunday Times, defendeu que: o interesse dos media norte-americanos no Holocausto é causado pelo domínio que o lobby judeu exerce sobre essa indústria; que Hitler fez muito pior aos russos (matou mais gente) que aos judeus; e que a relação com Israel atrasou a política externa norte-americana muitos anos.

Tudo normal, e tudo verdade.

Mas logo vieram os grupos de pressão judaicos, os tais lobbys, acusando Stone - que tem raízes judaicas - de ser anti-semita, limitando-se a repetir "clichés tóxicos e grotescos".

Bem, o cliché vem da resposta, e isto só podia ser num país tão obcecado com o politicamente correcto como os EUA. E, lá está, o senhor Stone já veio pedir desculpas. Apesar de ter dito apenas a verdade, e de forma branda. É que tem um filme a estrear dentro em pouco...

Censura

Anda por aí alguma malta muito chateada, porque a TVI "censurou" parte de um episódio de "Morangos com Açúcar", esse pote de superficialidade e merda televisiva, em que dois moçoilos davam uma beijoca na boca.
"Censura!", gritam.
"Ainda bem!", digo eu.
Bem melhor era que censurassem aquela bosta toda de uma vez.
A TVI é o melhor repositório de toda a merda, estupidez, idiotice, baixo nível, parolice  - ou, em apenas duas palavras - Júlia Pinheiro, de Portugal.
Dá ao povo o que pensa que o povo quer - merda. Não tem qualquer interesse em pessoas inteligentes, porque aí teria de ter programas com conteúdo, e não lhe bastaria o Goucha a fazer de paneleiro - being himself - e a Júlia Pinheiro, bem, a ser a Júlia Pinheiro.
E isto de cima abaixo: entretenimento, informação, filmes, etc.

A TVI não sabe nem quer ser provocadora: quer ser brejeira. E os velhinhos e as sopeiras e os putos estúpidos a beijarem.se, naaa, isso não pode ser. Por debaixo de toda aquela capa marada de gente a falar com o além, velhos gaiteiros e fofocas, é a coisa mais conservadora deste país.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Manda vir a corda, os comprimidos, a caçadeira e o cianeto

Depois do nosso amigo Amarelo ter lançado o desafio de encontrar uma música mais triste que aquela pieguice do Morrissey, bem, bastou-me 10 minutos para lá chegar. Em dose dupla.





Junte-se o inacreditável talento deste senhor com o facto de ter morrido aos 26 anos e...foda-se, até o mais empedernido Chuck Norris se sente a lacrimejar.

Algo me diz que não sou só eu a achar que este Sócrates...

Regresso à normalidade

Depois de, lá mais abaixo, termos sido brindados com a foto de uma criança a morrer à fome, tomei a liberdade de tentar restabelecer o equilíbrio cósmico no universo.

Assim está bem.

Justiça

Tanto tempo depois, hoje foi finalmente conhecida a acusação do caso Freeport. E o que interessa aqui é que José Sócrates não foi acusado. Depois de anos e anos a ser enxovalhado, com mais insinuações que informações, este foi o desfecho. Esta devia ser a manchete dos jornais de amanhã. E sabemos que não vai ser. Não é acusado, deixou de ser notícia. O senhor fez questão de convocar uma conferência de imprensa para salientar o fim deste capítulo, no que lhe toca. Fez muito bem, porque só assim conseguirá espaço na imprensa para este importante facto.

E eu, que acho Sócrates um bandido, um mentiroso e um sacana, acho justo salientar isto, mesmo neste tasco que sempre lhe recusou servir qualquer bebida. 

terça-feira, 27 de julho de 2010

A quem encontrar uma canção mais triste do que esta, o Vodka Atónito oferece uma lâmina, uma corda e uma caixa de comprimidos


"I was a good kid
I wouldn't do you no harm
I was a nice kid
With a nice paper round
Forgive me any pain
I may have brung to you
With God's help I know
I'll always be near to you
But Jesus hurt me
When he deserted me, but

I have forgiven Jesus
For all the desire
He placed in me when there's nothing I can do
With this desire

I was a good kid
Through hail and snow I'd go
Just to moon you
I carried my heart in my hand
Do you understand?
Do you understand?
But Jesus hurt me
When he deserted me, but

I have forgiven Jesus
For all of the love
He placed in me
When there's no-one I can turn to with this love

Monday - humiliation
Tuesday - suffocation
Wednesday - condescension
Thursday - is pathetic
By Friday life has killed me
By Friday life has killed me

(Oh pretty one, Oh pretty one)

Why did you give me
So much desire?
When there is nowhere I can go
To offload this desire
And why did you give me
So much love
In a loveless world
When there's no one I can turn to
To unlock all this love
And why did you stick me in
Self-deprecating bones and skin
Jesus - do you hate me?
Why did you stick me in
Self-deprecating bones and skin
Do you hate me? do you hate me?
Do you hate me? do you hate me?
Do you hate me?"

Mozambique


Na linguagem política e mediática bem educada dos dias de hoje, há muito que se deixou de qualificar de subdesenvolvido um país como Moçambique só porque tem um rendimento anual per capita de 268 euros e uma esperança média de vida de 37 anos. Felizmente, existe hoje um amplo consenso em relação ao facto de este nosso país irmão se tratar, logicamente, de um país em vias de desenvolvimento. Verifico, porém, consternado, que este salutar projecto linguístico - que consiste em enfatizar sempre o potencial de evolução mesmo nas realidades sociais mais catastróficas, esconjurando assim o perigo subversivo de se ter mesmo que as alterar - se encontra incompreensivelmente incompleto. Serve o presente post o propósito de suprir algumas dessas inexplicáveis lacunas.

Sem-Abrigo: Indivíduo em vias de adquirir habitação

Bandido: Indivíduo em vias de se reinserir socialmente

Bandido Gay: Indivíduo em vias de se divertir imenso no Estabelecimento Prisional

Corrupto: Indivíduo em vias de enriquecer licitamente

Político: Indivíduo em vias de se expressar honestamente

Arguido culpado mas rico e influente: Indivíduo em vias do seu processo prescrever

Arguido inocente com a sua reputação pública fornicada para todo o sempre através de um lento e eficaz julgamento mediático que o leva a estar prestes a enforcar-se com o fio do comando da X-Box do seu filho mais novo: Indivíduo em vias de deixar de pagar IRS e de comer caracóis estragados


Pronto, era só isto.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O que têm em comum os Pavement e os grandes Silver Jews?

Stephen Malkmus, é claro.

Parabéns, menino

Na primeira convocatória de Mano Menezes, sucessor de Dunga à frente da Selecção brasileira, é chamado finalmente um dos jogadores mais entusiasmantes do futebol português em muitos anos. David Luiz, que já é internacional brasileiro pelas camadas jovens, tem agora a oportunidade de estrear-se na equipa principal do escrete.
É um prémio justíssimo para um grande jogador que, se brincar um pouco menos e resistir à tentação de fazer sempre tudo bonito, se poderá tornar, a médio-prazo, um dos melhores centrais do mundo.
E ainda por cima um jogador que ama o Glorioso, e que recebe dos seus milhões de adeptos todo o carinho que merece, pela forma como veste a camisola vermelha.
Mérito de Jorge Jesus, que o fez crescer, mérito do Luisão que o ajudou a "criar", mas sobretudo método dele prórpio, da sua qualidade e da sua humildade.

Que tenha sorte, brilhe e continue a ser chamado. E que continue a espalhar magia e classe ao serviço do Glorioso, é o que desejo.

Porto sai do armário


Esta belíssima imagem que aqui temos é da festa de apresentação do Futebol Corrupto do Porto. Podemos ver aqui uns senhores, vestidos como árbitros, mas cuja presença no relvado do Dragão era participar na festa do Porto.

Nada de novo, portanto....

Mais uma reflexão filosófica da estranha criatura de 3 anos que habita em minha casa.


"Agosto é a mesma coisa do que lagosta, só que diferente".

O micro-ondas do Flak

O gene hipócrita


O aparecimento do gene hipócrita foi um facto tão relevante para a evolução da nossa espécie como a postura bípede e a invenção do papel higiénico. Contrariamente a esta última aquisição, a hipocrisia apareceu provavelmente nos primórdios da humanidade, logo que o primeiro homem das cavernas se apercebeu que ninguém conseguia espreitar para dentro dos seus pensamentos, podendo então ocultar dos outros as suas reflexões mais inconvenientes (do tipo, "a minha mulher ficaria mesmo chateada se descobrisse que eu tenho um fraquinho pelo nosso mamute").

Para percebermos o quanto a hipocrisia é um atributo inseparável da nossa espécie, pensemos por um momento em como seria o mundo se os nossos pensamentos pudessem ser directamente escrutinados pelos outros. Responda siceramente. Quanto tempo conseguiria manter o seu emprego se tudo o que pensa sobre o seu patrão fosse tão transparente como os vestidos da ex-deputada Cicciolina e a inépcia política do Passos Coelho? Quanto tempo duraria a sua tia velha com problemas cardíacos se ao lhe oferecer pelo trigésimo Natal seguido outra vez aquelas meias brancas que tão profundamente odeia, o sorriso amarelo que tentasse esboçar fosse imediatamente denunciado pelo seu verdadeiro desejo assassino totalmente escancarado? Nenhum sistema humano (nem sequer a sólida díade genro-sogra) poderia perdurar sem uma dose mínima de hipocrisia. Quem disser o contrário, está a ser, evidentemente, hipócrita.

domingo, 25 de julho de 2010

Há festa na aldeia

Durante a maior parte do ano, conseguimos ir fingindo.


Fingindo que isto é um país, como os outros. Que temos um Governo e um parlamento. Que temos empresas líderes ou mais ou menos em qualquer coisa. Que temos problemas sérios para discutir e gente qualificada para o fazer. Que temos equipas de futebol capazes de ombrear com os grandes da Europa. Que somos modernos. Que já temos, digamos, o saneamento básico social e político.

Mas no Verão, quando se instala a silly season, regredimos inevitavelmente à aldeia que éramos no início dos anos 80. Homens de licra em cima de uma bicicleta, incêndios, um tipo que queima as filhas enquanto tenta assar uma xóriça, o rei dos gnomos.

Haja sol e cerveja, meus amigos (e que o Roberto se deixe de mariquices).

Straight to Hell, boy

Homenagem sentida deste tasco aos moços que se entalaram lá na coisa do "Love Parade".

sábado, 24 de julho de 2010

Porque é que a comunicação entre humanos não é sempre assim tão simples?

"I've noticed you're around
I find you very attractive
Would you go to bed with me?"

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Deep blue

Um gajo percebe que não tem condições para trabalhar quando nem tem tempo para andar a quadrilhar no Facebook.

Verão II

E agora, a musa (gaja boa, pronto) deste período estival.

Amanhã volto a bater no Governo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Verão I

Como lembrou o camarada Xuxidiva, é Verão. E, apesar da minha indignação, não há saco para coisas sérias e tristezas não pagam dívidas, o que era uma coisa que bastante jeito nos dava agora.

Como tal, tomem lá música, uma das canções que mais me lembra o Verão.

Mirrorball

Então não é que o vice-presidente da bancada socialista adorava a proposta de cortar nos feriados e dizia que o 25 de Abril podia ser festejado a 26 ou 27; e afinal as mudanças nos feriados foram chumbadas até pelo PS?

Eu até aplaudo vivamente que esta aberração tenha sido rejeitada, mas de facto este governo anda mais desgovernado que um idoso na auto-estrada...

Governo-sombra

Você sabia...que esta senhora é nossa Ministra?

Só uma pergunta...

Este tipo, que está há uma semana nos Angola, não foi o que aconselhou os portugueses a serem poupadinhos e não irem para o estrangeiro?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Paga, Zé!

Foi hoje apresentada a execução orçamental do primeiro semestre, e não é que o cabrão do défice voltou a aumentar.
E não é que a única coisa que correu bem foi o aumento dos impostos cobrados, que saem dos bolsos de todos nós?
E não é que a despesa do Estado continua a aumentar?
Mau...queres ver que a talhada que eu levei no ordenado, à pala do aumento do IRS, afinal não resolve porra nenhuma?...

Estes estranjas não percebem nada desta merda

Vi esta notícia no Público há uns dias, mas como estive sem internet, só agora a comento.

Parece que, ao contrário do que Sócrates - esse grande defensor do Estado Social do Litoral - está a fazer em Portugal, lá fora a tendência é o incentivo à criação de escolas mais pequenas.
Os alunos e os professores são mais felizes e os resultados são melhores. É claro que cá não é preciso nada disso: é só tornar impossível qualquer aluno chumbar e descer o nível dos exames para a preparação de um mentecapto para subirmos uns lugarzinhos no ranking.

É só mais um sinal de que todas as reformas neste sentido, na educação e na saúde, não têm por trás quaisquer motivos humanistas ou científicos. É uma questão puramente financeira e de afronta teimosa e preconceituosa à comunidade escolar. Eu até aceitaria que estas reformas fossem feitas com justificação financeira. E eu, ao contrário do que o PS demonstra todos os dias, acredito no Estado Social. O que não aceito é a mentira, a propaganda e a desinformação.

Quando nos pedem sacrifícios, no mínimo digam-nos a verdade. Ou mentiras um bocadinho mais pequenas, sff.

A revisão constitucional

Sim, claramente o país tem outras prioridades.
Mudar de Governo, por exemplo.
Mas tentando esquecer este pequeno facto, vou gastar um pouco do meu precioso latim com este assunto.

É um facto indesmentível que a Constituição está datada e ultrapassada. Não faz qualquer sentido aquela treta duma sociedade a caminho do socialismo, por exemplo. E porque não do comunismo? Ou do ateísmo? Ou da social-democracia?
Não faz sentido a constituição ser ideológica até esse ponto, porque isso, em teoria, é sufragado nas urnas. É suposto as pessoas escolherem.
Eu sou de esquerda, festejo todos os anos o 25 de Abril e o Primeiro de Maio. E não me incomoda nada que da Constituição seja retirada alguma da tralha ideológica que por lá anda.
E porquê?
Porque de nada me serve ter aquilo lá escrito, muito bonitinho, e depois ninguém defender, na prática, o seu conteúdo. E é isso que acontece.

Em termos puramente politiqueiros, o PSD precipitou-se no timing. Toda a gente sabe que têm uma ideologia liberal e flexibilizante em termos laborais. É óbvio. Mas mexer na constituição não resolve, por si, nada disto. Nem a actual redacção impede, de forma definitiva, que tal seja atingido. Eu acho muito bem que se debata o que deve ser o Estado, o que deve dizer a Constituição, o que queremos para este país. Acho bem e acho essencial. Mas o PSD cometeu um erro táctico. O que eles querem fazer é para fazer à filho da puta, à Sócrates, à bruta e de uma vez. Não é andar a discutir muito filosofia, sobretudo num momento em que o povo já está tão espremido. Deviam era ficar muito caladinhos e, daqui a um ano quando estiverem no poder, foder esta merda toda. E ainda aproveitavam o embalo do estado de graça pós-eleitoral.
Era o que eu faria.
Mas o que me incomoda mais é o PS agora, de repente, vir gritar para as ruas em defesa do Estado Social. O partido que mais se esforçou para fechar escolas e centros de saúde, que incentiva indirectamente o recurso das famílias a seguros privados, que tem o maior programa de privatizações dos últimos 10 anos, etc, etc, etc, não pode vir agora com estas cantigas. Já chega. Somos parvos, mas acho que ainda não somos tão parvos assim.
Mais, acho hilariante esta reacção histérica vir de gente como Augusto Santos Silva, o homem que define o PS como a "esquerda democrática" por oposição a toda a restante, o homem que defende que o PS só pode fazer acordos à sua direita.

O PS, a coberto do seu nome - que usa abusivamente há muitos anos - tem vindo a ser o maior inimigo do Estado Social e dos direitos das pessoas. Eu percebo que, neste caso, esta reacção tem objectivos puramente demagógicos (vêm aí as presidenciais e é preciso fingir-se de esquerda para tentar demonizar Cavaco). Eu percebo que o Sócrates está fodido da vida por um badameco como o Passos Coelho estar a dominar completamente a agenda mediática, ainda por cima sabendo-se que o PSD precisa do PS para mudar a Constituição.

Eu sei isso tudo.

Mas também sei que o PS já não pode, há muito tempo, hastear garbosamente a bandeira da esquerda e do Estado Social. O PS fez a sua escolha. Agora tem de ser consequente. Ou, pelo menos, aceitar as consequências da sua escolha.

Interlúdio musical

Estou-me a cagar, mas assim absolutamente, para este tipo.

As aspirações literárias frustradas de uma pobre criatura amarela

Um dia, fernando acordou, com uma enorme vontade de mijar, esquecendo-se absolutamente que estava morto. Levantou aflito a tampa do caixão, esgravatou depressa a terra em direcção à superfície, e por fim aliviou-se, desenhando um longo e demorado arco no céu, arco-íris de mijo monocromático maldosamente apontado para um carreiro de formigas. Não lhe ocorreu por um segundo pensar na estranheza daquela ressurreição. Fernando sempre fora um homem simples, e simples lhe parecera a ideia de um homem se levantar da terra para se aliviar, naquele lavabo de ciprestes tristes.
A palavra lavabo não é de todo inocente, fernando dizia palavras assim,
lavabo,
de maneira que,
janota,
engomado,
oxalá,
não é de somenos,
motociclista,
e poderíamos continuar sempre assim, a empilhar, umas em cima das outras, em direcção ao céu, palavras janotas e bem engomadas que só os velhos dizem, e fernando era já um homem velho quando morrera.
As causas do seu falecimento não foram estranhas, foram apenas idiotas. Apesar dos dois enfartes em menos de dois anos e de um tumor na próstata já quase do tamanho de uma miniatura de bola de berlim, fernando morrera por uma terceira via, debatendo-se contra uma pestana que lhe entrara no olho quando atravessava a mouzinho de albuquerque para comprar o passe social, e lhe passou o oitenta e um por cima. Mas desses factos fernando nada se lembra, pois, é bom não esquecer, esquecera-se absolutamente que estava morto, lapso de memória um pouco conveniente, cochicham os outros mortos entre si, os invejosos.
Tal como também lhe pareceu simples e natural ficar agora sentado, simplesmente sentado, a aquecer-se ao sol, como os lagartos e os pretos velhos nos bairros sociais, ouvindo os palavrões pequeninos das formigas, esticando as suas pernas de boneco de plasticina esborrachado pelo oitenta e um, como se fosse um desenho animado polaco de vasco granja.

(seria engraçado que o seu neto, o senhor engenheiro, o robôzinho trabalhador em outro carreiro de formigas, dissesse ao seu patrão mal disposto, vá-se foder, não trabalho mais, vou voltar à minha infância para ver o meu avô de plasticina no programa do vasco granja,
mas o senhor engenheiro nada disse)

Depois, cansou-se da modorra, desceu distraído o estranho jardim, regando as flores de plástico com jactos de cuspo rápidos e certeiros como línguas de camaleões, e imaginou que era outra vez o jardineiro camarário de orgulhoso boné verde, o rei do jardim da estrela, no tempo em que os animais falavam dentro de si, no tempo em que nenhum dos seus amigos estava morto.

(e imagino agora o seu neto, o senhor engenheiro, a cuspir às escondidas por todo o lado como um louco, nas gavetas do patrão, nos livros de cheque do patrão, nas algibeiras do casaco do patrão, às escondidas, sempre às escondidas)

Saiu do jardim e entrou na rua, como quem abre a porta de casa. A sua casa estava de pantanas, folhas de plátano no chão, o tecto todo sujo de nuvens, as paredes manchadas com prédios mal-dispostos, ó claudina, és sempre a mesma coisa, pões-te a ver a novela e esqueces-te de tudo, anda aqui um gajo a matar-se a trabalhar o dia inteiro no jardim da estrela (e disse-o sem ponta de ironia), para um gajo chegar a casa e ver carros estacionados no sofá, merda de pombo no naperon da mesa da televisão, transeuntes a correr apressados do bidé para o fogão, do fogão para o bidé, do bidé para o fogão, do fogão para o bidé, motociclistas lunáticos a fazerem razia ao serviço da vista alegre, enxames de velhos a jogarem dominó em cima da máquina de lavar, um cigano a vender óculos escuros pendurado no estendal.
Claudina morrera há dezassete anos de morte natural como os sumos de laranja, mas fernando está confuso, esquece-se das coisas, não se lembra onde arrumou a dentadura, não se lembra que claudina morrera absolutamente, ajuda-me claudina, ajuda-me, é preciso varrer daqui para fora esta gente, é preciso varrer o cigano a jogar dominó em cima do serviço de vista alegre, o enxame de velhos a fazer razia ao naperon da mesa da televisão, os motociclistas lunáticos a venderem óculos escuros no bidé, os transeuntes a correrem apressados da merda de pombo para o estendal, do estendal para a merda de pombo, os carros estacionados na minha cabeça, a apitarem, a apitarem, ajuda-me claudina, ajuda-me.
Fernando lembrou-se por fim onde arrumara a dentadura - e se realmente fosse um desenho animado polaco de vasco granja, uma lâmpada de plasticina amarela ter-se-ia acendido em cima da sua cabeça - tinha-a posto de manhã debaixo da passadeira de peões da parada do alto de são joão, pensando, se o oitenta e um me passar outra vez por cima não me há-de partir as minhas cáries de plástico compradas a prestações no chinês da afonso terceiro.
Já com os seus dentes brancos made in hong- kong vestidos (tão brancos como os dentes dos pretos velhos dos bairros sociais), fernando sentou-se no banco de jardim da parada do alto de são joão a ver a bola, resmungando com os transeuntes apressados (do fogão para o bidé, do bidé para o fogão) que se punham à frente da televisão, enquanto ia bebendo as pedras da calçada fresquinhas que tirava do frigorífico. No fim do jogo, entrou num café e pediu uma imperial,

fernando, o que faz você aqui? O fernando está morto.

(Fernando olhou para si próprio,
a cerveja a escorrer pelos buracos do seu corpo putrefacto,
os vermes a correrem estonteados)

desculpa, costa, tinha-me esquecido.

Deixou uma moeda cheia de terra no balcão e voltou triste para o cemitério. Nunca mais ninguém viu fernando a passear pelo alto de são joão.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Justiça Prescrita


Uma das características que nos definem como povo é projectarmos as virtudes da comida em coisas que não são comida. Quando um macho lusitano pergunta ao seu amigo "já comeste a Kátia Vanessa?", está a manifestar o seu enorme apreço e respeito pela rapariga, equiparando-a às coisas mais sagradas para si, como polvo à lagareiro e pataniscas de bacalhau. Da mesma forma, para o legislador tuga, um crime é um produto alimentar como outro qualquer, com um determinado prazo de validade - 10 anos -, a partir do qual se degrada irreversivelmente e "prescreve". Dez anos depois, muito mais relevante do que provar se Carlos Cruz é ou não culpado, será evitar que os portugueses e as portuguesas apanhem intoxicações alimentares por ingerirem bolas de berlim estragadas ou crimes fora de prazo. Os fundamentos ético-jurídicos da prescrição são sólidos pois baseiam-se no insofismável princípio de que "o tempo tudo cura". Imagine, caro leitor, que emprestava a sua serra eléctrica ao seu vizinho e que este, com uma enorme lata, cortava toda a sua família aos pedacinhos com a sua própria serra eléctrica. É evidente que nos primeiros anos ficaria bastante chateado mas só alguém muito rancoroso é que dez anos depois não lhe voltaria a emprestar as suas ferramentas de jardinagem.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nerd is beautiful

Justiça Suspensa


A figura da pena suspensa é um espécie de coito interrompido do direito penal: o juiz começa a fornicar a vida do réu (demonstrando que ele é culpado de um crime e merecedor de uma pena de não sei quantos anos de prisão) e quando está perto, muito perto do clímax, a fornicação jurídica do arguido é abruptamente interrompida, a pena de não sei quantos anos de prisão é dada como suspensa e o juiz vem-se fora do processo penal em curso (normalmente para cima do Código do Processo Civil).

É sabido que, logo a seguir à pedofilia, o coito interrompido é o método anti-concepcional mais recomendado pela Igreja. Apesar da minha velha tendência para desconfiar de todos os ensinamentos cristãos (que me levou quando eu era miúdo a chumbar três anos consecutivos a religião e moral), nutro uma certa simpatia pelo coito jurídico interrompido quando o fornicado em questão sou eu. Por exemplo, quando no outro dia passei um vermelho na Artilharia Um, não me importaria nada que a foda da contra-ordenação que tive de pagar fosse atempadamente interrompida com uma contra-ordenação suspensa.

Um dos atributos mais simpáticos de uma pena suspensa é a total irrelevância da sua duração: ter uma pena suspensa de 25 anos por se ter cortado a avó em pedacinhos pequenos com o corta-unhas ou ter uma pena suspensa de 25 dias por se ter entrado inadvertidamente no balneário da equipa de andebol feminino da selecção sueca, é, rigorosamente, a mesma coisa. Desta forma, a redução da sanção do Isaltino de 7 anos de pena suspensa para 2 anos de pena suspensa tem mais ou menos a mesma relevância do que a redução que recentemente efectuei do tamanho das mamas que não tenho nas costas do tamanho 46 para o tamanho 40.

E assim acaba abruptamente este post. Dado o adiantado da hora, o post efectivo que tinha em mente foi convenientemente comutado em post suspenso.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Grimmi does the portuguese fandango

Sondagem fechada

De acordo com o Eurobarómetro/Vodka Atónito/Pinanço/Marktest, a alcunha pela qual os colegas do Zbording tratam o Maniche é "Gordo do Caralho". O cognome de "Picanhas" deu alguma luta, mas ficou-se por um honroso segundo lugar, seguido à distância por "João Moutão". Já o simples "Bucha" não parece ser um nome indicado para este efeito.

Obrigado pela participação.

O Vodka Atónito rejeita o divisionismo desta canção, apelando à unidade de todos os dependentes de psicotrópicos


Hello, Hello. My names Terry and I'm a law abider
There's nothing I like more than getting fired up on beer
And when the weekends here I to exercise my right to get paralytic and fight
Good bloke fairly
But I get well leery when geezers look at me funny
Bounce 'em round like bunnies
I'm likely to cause mischief
Good clean grief you must believe and I ain't no thief.
Law abiding and all, all legal.
And who cares about my liver when it feels good
Wwhat you need is some real manhood.
Rasher Rasher Barney and Kasha putting peoples backs up.
Public disorder, I'll give you public disorder.
I down eight pints and run all over the place
Spit in the face of an officer
See if that bothers you cause I never broke a law in my life
Someday I'm gonna settle down with a wife
Come on lads lets have another fight

Eh hello. My names Tim and I'm a criminal,
In the eyes of society I need to be in jail
For the choice of herbs I inhale.
This ain't no wholesale operation
Just a few eighths and some Playstations my's vocation
I pose a threat to the nation
And down the station the police hold no patience
Let's talk space and time
I like to get deep sometimes and think about Einstein
And Carl Jung And old Kung Fu movies I like to see
Pass the hydrator please
Yeah I'm floating on thin air.
Going to Amsterdam in the New Year - top gear there
Cause I taker pride in my hobby
Home made bongs using my engineering degree
Dear Leaders, please legalise weed for these reasons.

Like I was saying to him.
I told him: "Top with me and you won't live."
So I smacked him in the head and downed another Carling
Bada Bada Bing for the lad's night.
Mad fight, his face's a sad sight.
Vodka and Snake Bite.
Going on like a right geez, he's a twat,
Shouldn't have looked at me like that.
Anyway I'm an upstanding citizen
If a war came along I'd be on the front line with em.
Can't stand crime either them hooligans on heroin.
Drugs and criminals those thugs are the pinnacle of the downfall of society
I've got all the anger pent up inside of me.

You know I don't see why I should be the criminal
How can something with no recorded fatalities be illegal
And how many deaths are there per year from alcohol
I just completed Gran Tourismo on the hardest setting
We pose no threat on my settee
Ooh the pizza's here will someone let him in please
"We didn't order chicken, Not a problem we'll pick it out
I doubt they meant to mess us about
After all we're all adults not louts."
As I was saying, we're friendly peaceful people
We're not the ones out there causing trouble.
We just sit in this hazy bubble with our quarters
Discussing how beautiful Gail Porter is.
MTV, BBC 2, Channel 4 is on until six in the morning.
Then at six in the morning the sun dawns and it's my bedtime.

Causing trouble, your stinking rabble
Boys saying I'm the lad who's spoiling it
You're on drugs it really bugs me when people try and tell me I'm a thug
Just for getting drunk
I like getting drunk
Cause I'm an upstanding citizen
If a war came along I'd be on the front line with em.

Now Terry you're repeating yourself
But that's okay drunk people can't help that.
A chemical reaction happening inside your brain causes you to forget what you're saying.

What. I know exactly what I'm saying
I'm perfectly sane
You stinking student lameo
Go get a job and stop robbing us of our taxes.

Err, well actually according to research
Government funding for further education pales in insignificance
When compared to how much they spend on repairing
Leery drunk people at the weekend
In casualty wards all over the land.

Why you cheeky little swine come here
I'm gonna batter you. Come here."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Qualquer banalidade...

... - por mais idiota que seja -, desde que disposta em pequenas linhas encavalitadas umas em cima das outras, tem sempre a aparência profunda da poesia. Apresenta-se, de seguida, um exemplo particularmente idiota para ilustrar a minha teoria.

-----------

A metafísica do fígado

bebo logo existe

deus deu-me whiskies duplos
e apenas um fígado mês de vida

deus é a manuela ferreira leite morta no meu sofá

deus não existe mês de vida

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Experimentem agora vocês em casa, utilizando conteúdos ainda mais medíocres, mas sempre dispostos em pequenas linhas sobrepostas. Se em algum caso a aparência de profundidade poética não se manifestar, garantimos a devolução integral desta estúpida teoria.

Nem Kaka nem Bundchen. O melhor do Brasil são OS RAIMUNDOS

terça-feira, 13 de julho de 2010

Se eu conseguia viver sem o PS ou o PSD no poder? Conseguir, conseguia, mas o nosso país corrupto e desigual não seria a mesma coisa II

Ora  nem mais, caro Amarelo.

O misterioso caso de Osório Button é digno de ser lembrado.

Antigamente, quando éramos putos, este senhor fazia uns programas alternativos na RTP 2, uns documentários, etc, coisa a atirar para o bloquista, mas giro porque era antes de haver Bloco. Com isso ganhou alguma reputação de criador, com uma aura algo independente. Eu pensava que esta reputação se cingia aos pé-descalços como eu e os meus, mas parece que alguém reparou no rapaz que fazia umas coisas diferentes.
Nesse momento, foi-lhe colocada uma daquelas grandes escolhas da vida: seguir o seu caminho, progredindo intelectual e artisticamente, sendo relevante no que fazia mas correndo o risco de passar alguma fominha; ou tornar-se patrão.
Um dia, estava eu no meu lugar baratucho no Estádio da Luz (vulgo A Catedral), quando topei com o bom do Luis Osório, de banhinho tomado, a ver o jogo no camarote, de balão de viske na mão. Isto nada tem de mal, já vi jogos em camarote (convites e cunhas) e fiz questão de me embebedar alarvemente (é à borla, incluido no camarote). Mas o nosso Luis estava diferente. Não se estava a embebedar, o que já por si é grave. Estava só a armar-se ao pingarelho. Todo ele estava cheio de si mesmo.
Não liguei, vindo a saber mais tarde que tinha virado director de A Capital. Começaram depois as histórias do seu modus operandi. Autista, cínico, frio, mentiroso e sempre pronto a fazer o jeitinho ao patrão. Isto era o que se dizia. Depois A Capital foi com os porcos, e ele aparece, estranhamente, à frente do Rádio Clube Português. Também aí, e por amigos meus, vim a saber que o modus operandi era o mesmo: a mania que é bom e que os outros são todos estúpidos, uma onda apimbalhante na programação, perseguições pessoais, ego desmesurado, incompetência a granel.
E agora conseguiu fechar o RCP.

Este é mais um dos meninos que se armou em alternativo até cair de bom grado no quente regaço do Capital. E aí mostrou bem a sua fibra, pela forma como tratou as pessoas. Não sei se isto aconteceu quando arranjou o cartão do partido. O que sei é mais um, da sua geração, que vai fazendo miséria por onde passa mas, estranhamente, acaba por ficar com um grande currículo, porque arranja sempre um cargo mais alto para ocupar, e por onde espalhar a sua incompetência.


Faz-me lembrar o Luis Campos, o original dos Novos Mourinhos, que conseguiu descer duas equipas de divisão, na mesma época. A diferença é que o Luis Campas é de tal forma um coveiro futebolístico que nunca mais arranjou emprego como deve ser. Já os Osórios desta vida lá vão andando, de tacho em tacho, espalhando desemprego e incompetência por onde passam.

My generation

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Se eu conseguia viver sem o PS ou o PSD no poder? Conseguir, conseguia, mas o nosso país corrupto e desigual não seria a mesma coisa



Há 35 anos consecutivos que o nosso segundo rectângulo favorito (logo a seguir às notas de 50 euros) tem sido dominado por um rotativismo entre o liberalismo-Coca-Cola do PS e o liberalismo-Pepsi-Cola do PSD (ocasionalmente, apoiados na bengala do liberalismo-Spur-Cola do CDS). O camarada Bastard apresentou há uns dias atrás uma engenhosa proposta para maximizar a hipótese das verdadeiras alternativas chegarem ao arco de governação: apoiar a formação de um governo “Bloco central”, de forma a que a tendência tuga para o voto-contra beneficie os partidos periféricos.

Sendo o “Vodka Atónito” o principal Think Tank da esquerda bêbado-leninista (logo a seguir aos blogues “Rum Espantado” e “Bagaço Surpreendido”), a nossa responsabilidade para pensar uma alternativa às práticas predatórias do centrão político (assentes num conveniente pacto de regime do “vira o disco e tacho ao mesmo”) é especialmente relevante, pelo que decidimos transformar este exercício em rubrica regular.

Ora, o nosso “Se eu conseguia viver sem o PS ou o PSD no poder? Conseguir, conseguia, mas o nosso país corrupto e desigual não seria a mesma coisa” de hoje reza assim.

A Rádio Clube Português foi encerrada domingo passado. O jornal “A Capital” foi encerrado em 2005. O principal coveiro de ambos foi um senhor chamado Luís Osório (que é também o irmão gémeo do carteiro nazi da “Música no Coração”, conforme é possível constatar nas fotos em anexo), que os dirigia com a mesma perícia com que um camionista bêbado, cego e com as mãos decepadas conduziria um camião TIR sem direcção assistida.

A solução é, então, simples e cristalina: ponham o Osório como director da Campanha do PS e o Carlos Queirós como director de campanha do PSD, e aposto com vocês uma grade inteirinha em como o sector da cerveja iria, logo à seguir às próximas eleições legislativas, voltar a ser nacionalizado. Que os liberais brinquem com a saúde, a educação e a segurança social dos portugueses, ainda vá que não vá. Agora brincarem com o principal bem público do país é que já não é admissível.

Clube Amigos Disney

domingo, 11 de julho de 2010

Animais

Aqui o Je está de férias e vai passar a semana a mudar de casa.

Para quem está a bulir, aqui vai uma injecção de adrenalina, um vintage dos good old days.

Boa semana, pessoal.

sábado, 10 de julho de 2010

O tasco mais infecto de Portugal faz anos, caralho!!

Isto é da idade e da acomodação. A verdade é que, como aqueles casais já cotas, também todos nós deixámos passar em claro mais um aniversário do nosso querido Vodka. Ah, poisé.
São sete anitos de muito alcoól, muita crítica, algum humor, muito disparate e pouca saúde.
O nosso blog é uma daquelas crianças a quem os médicos dão pouco tempo de vida. O estilo é errático, a frequência de actualização tem dias, os colaboradores tornaram-se em visitantes e outros foram para parte incerta, e não temos entre o staff qualquer figura pública (excepto o Amarelo, que é na verdade o Augusto Santos Silva, e o fatchary, que ando cá desconfiado que é a Maria de Lurdes Pintassilgo).

A 3 de Julho de 2003, isto andava diferente. Andávamos mais ou menos todos a acabar de estudar e/ou a começar a trabalhar. Um tempo em que ainda podíamos pensar que esta vida era um doce prolongamento da adolescência, mas sem as borbulhas e com um bocadito mais de guita na carteira. Um tempo em que filhos era coisa dos outros, o alcoól era todos os dias, os blogs eram o último grito da tecnologia, o Masterplan era o programa de televisão na berra e em que víamos os amigos, viamo-nos uns aos outros, dia sim dia sim.
Agora, vamo-nos encontrando por aqui, o fígado já se queixa (o cabrão!), e estamos a ficar sem desculpas para continuarmos a ser os putos estúpidos que, no fundo, sempre seremos. Uns continuam comunas, outros nem por isso. O Benfica foi campeão duas vezes desde então. A cerveja continua fresca e Portugal continua a merda mais linda que já vi.

As poucas dezenas que nos visitam agora, provavelmente conhecerão poucos nomes. O meu, o do camarada Amarelo (uma contratação recente tipo Balboa), e pouco mais. Os pais fundadores cá vão aparecendo, contribuem para a limpeza do estabelecimento, mas já pouca despesa fazem. Por aqui passou gente como Nina van Horn (que nunca soube quem realmente era, e que foi a única dama a ter o privilégio de escrever no tasco). Também houve, descobri há pouco tempo, um tal de Bombjacko. Houve "O Zé", que escreveu apenas um post. Houve Fanica, um fenómeno tipo Gamarra, que apareceu, deslumbrou, e desapareceu. E depois os verdadeiros fundadores deste nosso cantinho: Raviolli Ninja, Papousse, Fatchary e Iddle Consultant. Para toda esta malta, um forte abraço. Estamos todos de parabéns. Sete aninhos. Qualquer dia o nosso menino já vai às putas.

Deixo-vos o primeiro post, de 3 de Julho de 2003, pela pena do Consultant que está cada vez mais Iddle.


"Fashion Victim!!!


É verdade confesso-me... Sou uma ví­tima da moda! Desta moda que assolou os internáuticos lusos: os "belógues". Moda não é o termo correcto, mania sim... os portugueses não tem modas, tem manias, temos a mania de que somos espertos, de que sabemos conduzir, de que já fomos um grande império e de que que agora somos o mais miserável paí­s à face da terra...

Que dirão os pobres habitantes do Bangladesh de que cada vez que caí­ um aguaceiro lhes leva metade paí­s!!!

Assim sendo... temos "belógue"!!!

Juntemos as nossas vozes e lutemos por um paí­s melhor, em que se morra em melhores condições nas estradas nacionais, lutemos p'lo regresso da Santa Inquisição, p'lo castigar os í­mpios infiéis com requintes de malvadez em orgias sadí­sticas, p'los linchamentos populares, p'lo desterro da familia irReal de Bragança e de todo o clã da Câmara Pereira para Olivença... e por tudo o mais que nos apraza...

Bem hajam!!!

p.s. Bom parece que já percebo mais ou menos como é que isto funciona e já temos e-mail: vodka_atonito@hotmail.com"

Gente Gira...



PS - Thanks, johnny.

2029


Caro leitor,

Proponho-lhe o seguinte exercício. Vá buscar um dos livros de crónicas do Miguel Esteves Cardoso que está esquecido e abandonado na estante da sua sala. Sim, pode ser esse, "A Causa das Coisas" ou qualquer outro escrito nos anos 80. Sacuda o pó e abra numa página ao calhas. Se tiver calhado algo sobre o culto das alcatifas ou sobre salgados que já não existem - como o Salgado Zenha - faça uma segunda tentativa. Sim, pode ser aí. Leia com atenção o costume tuga que é impiedosamente escalpelizado. Vai reparar com uma certa consternação que o nosso Portugalzinho continua arrepiantemente igual. Não há nada a fazer. Para o bem e para o mal, vinte e cinco anos de integração europeia deixaram a nossa essência tuga absolutamente intacta. Podemos ter agora I-Pods, I-Pads e todo o tipo de I-parvoíces mas continuamos a ser os mesmos I-tugas que sempre fomos. Portugal está entranhado em nós e não há anti-nódoas que nos consiga remover de nós próprios.

Vejam, por exemplo, a página 207.

"Faltava reparar na característica essencial do optimismo português: nomeadamente, que ele não visa nem o presente nem o futuro. Não. O optimismo português faz-se sentir exclusivamente em relação ao passado. É, numa palavra, retroactivo.

Todos nós o sabemos e sentimos: no fundo, acreditamos que o passado vá melhorar para todos nós. Cada dia que passa, o passado torna-se mais desejável. Lá, há um lugar para todos os portugueses. Nunca chove, nunca inflaciona, nunca falta alegria.

Há séculos que os portugueses se empenham em preparar e construuir um Passado digno para os bisavós. É por isso que os profetas dos portugueses são os historiadores, e as utopias nacionais nada têm a ver com amanhãs - foram ontem. A lógica ancestral é a do "deixa passar". Logo que uma coisa passa para o passado, passa a ser a melhor de todas.

Isto deve-se ao jeito enorme que temos para esquecer as misérias. Um português que tenha passado a mocidade fechado numa jaula infecta a pão e água, acusado de crimes que não cometeu, lembra-se da experiência como mais ninguém neste mundo. Passados uns anos, dirá qualquer coisa como "Ah, eu nessa altura não tinha nada, mas era feliz. Tinha a minha salinha, o meu pãozinho, o meu cantarozinho de águinha fresquinha, e ninguém me chateava, a não ser quando era espancado regularmente por uns tipos porreirinhos que tudo faziam para que eu não me maçasse".

Tudo o que passou é bonito aos olhos portugueses e a língua reserva-lhe os mais ternos diminuitivos. Quando alguém morre, por exemplo, torna-se universalmente amado e sobe aos topes que em vida nunca alcançou. Isto irrita alguns, sobretudo os vivos que teimam em ser amados antes do tempo certo (ou seja, enquanto estão vivos).

Em 2003, 1983 será um dos melhores anos das nossas vidas, e 2003 será, sem dúvida, o pior de sempre. É preciso, por isso, esperança: basta esperarmos vinte anos para vermos quanto estamos felizes e bem servidos neste ano de 1984". (MEC, in "A Causa das Coisas)

Em 2029, 2009 será um dos melhores anos das nossas vidas e 2029 será, sem dúvida, o pior de sempre. É preciso, por isso, esperança: basta esperarmos vinte anos para vermos quanto estamos felizes e bem servidos neste ano de 2010.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Para elevar um pouco o nível deste Blog, falemos um pouco de cultura clássica

"À mulher de César não basta fazer broches, deve também engolir." (In "O meu Pipi). Dizem que já foi descoberta a identidade do autor deste aforismo - um obscuro jurista com o estranho nome de Noronha da Morte. Não acredito. Ninguém me convence que não foi Manuela Ferreira Leite.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

The future sucks

PROMETERAM-NOS ISTO:


DERAM-NOS ESTA MERDA:

Em homenagem ao camarada Funafunanga

Isto era mesmo uma máquina à maneira...

Com a cassete dos Ramones para a gente curtir

Psycho Therapy
Psycho Therapy
Psycho Therapy
That's what they wanna give me
Psycho Therapy
Psycho Therapy
Psycho Therapy
All they wanna give me

I am a teenage schizoid
The one your parents despise
Psycho Therapy
Now I got glowing eyes

I am a teenage schizoid
Pranks and muggings are fun
Psycho Therapy
Gonna kill someone

Psycho Therapy
Psycho Therapy

I like takin' Tuinal
It keeps me edgy and mean
I am a teenage schizoid
I am a teenage dope fiend

I am a kid in the nuthouse
I am a kid in the psycho zone
Psycho Therapy
I'm gonna burglarize your home

Psycho Therapy
Psycho Therapy

Psycho Therapy, Psycho Therapy, Psycho Therapy, That's what they wanna give me


Adília Lopes sofre de uma doença psiquiátrica designada de Psicose Esquizo-Afectiva, uma espécie de mistura entre Esquizofrenia e Depressão.

As pessoas normais sofrem de uma doença psiquiátrica designada de Chatice, uma espécie de mistura entre mediania e previsibilidade.

As pessoas normais são incapazes de escrever o texto que se segue, a não ser que façam Copy, Paste.

A Sereia das Pernas Tortas

Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia como era bonita.
Quando era bonita, as pessoas diziam-lhe:
-Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
-Não gosto de ti.
E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.
A mulher pediu a Deus:
-Faz-me ou bonita ou feia de uma vez por todas e para sempre.
Então Deus fê-la feia.
A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais gostavam dela, tanto quando era bonita como quando era feia, como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais não lhe chegava. Por isso deitou-se a um poço. No poço, estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a mastigar.
Logo a seguir passou pelo poço o criado do rei, que pescou o peixe.
Na cozinha do palácio as criadas, a arranjarem o peixe, descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe morreu.
As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era tão feia que não era feia. Por isso quando os criados foram chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei apaixonou-se pela mulher.
-Será uma sereia?- perguntaram em coro as criadas ao rei.
- Não, não é uma sereia porque tem as duas pernas, muito tortas, uma mais curta que a outra. - respondeu o rei às criadas.
E o rei convidou a mulher para jantar.
Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à mulher quando as criadas foram embora:
- Eu amo-te.
Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e comeu-a. Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:
- Eu amo-te.
Depois comeu a azeitona. E casaram logo a seguir no tapete de Arraiolos da casa de jantar.

(Adília Lopes, In "Quem quer casar com a poetisa?")

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fooooda-se, estamos velhos....

Ontem foi o dia em que Marty McFly chegou ao distante futuro, ao volante do seu Delorean.
















Para quem não sabe de que raio estou a falar, é favor sair do blog por aqui.
Obrigado.

A razão pela qual não gosto da selecção espanhola...

...é porque aquilo é de um aborrecimento pegado.
Sim, jogam bem. Sim, têm grandes jogadores. Sim, controlam, etc, etc.
Mas irrita-me solenemente aquela aversão ao risco. Aqueles 15 minutos seguidos a passar a bola uns aos outros, todos contentinhos, à espera de uma aberta para fazer o passe mortífero, como se estivessem num interminável e aborrecido jogo de andebol, como são todos os jogos de andebol.
Não há um chuto para a frente, um centro especulativo a ver se bate em alguém, um tipo que apanhe a bola e tente fintar os adversários todos. Não há um cabrão de um remate de fora da área.
Os jogadores espanhóis estão para a bola como o Sting está para o sexo tântrico. Ok, sim senhor, és o maior, mas será que alguém quer realmente estar com ele metido, todo quietinho, sete horas seguidas?

Eu cá gosto de um pouco de arrojo numa equipa de futebol. Que dê um esticão de repente. Que faça merda. Que enfrente o futebol como futebol e não como um jogo de xadrez entre Kasparov e o Deep Blue.

É por isso que estou pela Holanda. Para que alguém prove que aquele carrossel aborrecido de morte também pode perder. Nem que seja por alguém que marque um golo às três tabelas. Aliás, sobretudo se perderem com um golo às três tabelas, ou um autogolo.

Tanto controlo não é saudável, minha gente.

Será o PS capaz?

Camaradas atónitos, eu sei que é Verão, há bola na Tv e as gajas andam descascadas como deviam andar sempre. Mas aproxima-se o tempo da clarificação política que, pouco a pouco, já se insinua.

Passos Coelho foi, surpreendentemente, muito claro. Disse, com todas as letras, que o PSD tem de contar com o CDS e que ele, pessoalmente, conta com Paulo Portas. Ou seja, está claramente definido o bloco que vai ocupar o Governo quando este Executivo finalmente receber a cartinha a dizer "Você está morto. Faça o favor de entrar na campa".

E hoje, nas jornadas parlamentares do Partido Xuxalista, foi um deleite ouvir José Sócrates a defender o Estado Social e a afirmar a sua oposição a uma agenda neoliberal, que poderá ver-se vertida numa revisão constitucional. Este Partido de Sócrates é um verdadeiro Jekill & Hide: nas suas jornadas internas, é so esquerdices a voar de um lado para o outro (salve-se a coerência fascistóide de Augusto Santos Silva); em qualquer estratégia do Governo, é a agenda neoliberal que domina qualquer decisão.

É isto que faz a ligação com a história de Passos Coelho e Portas.

É que se o que o PS disse hoje fosse a sério, e não fosse reiteradamente desmentido pela sua própria actuação, estariam encontradas as condições para haver a tão desejada união à esquerda.
Estou certo que, no prazo máximo de dois anos, haverá uma moção de censura da direita. E aí a esquerda terá uma decisão a tomar. Ou mantém este governo de centro/direita no poder, ainda que ligado à máquina; ou ajuda a acabar com ele, como ele merece, correndo o risco de entregar o poder à direita.

A questão é que a direita está clarificada. É óbvio que se vai unir. E, perante isto, tanto o PS como a esquerda só terão uma hipótese para resistir: juntar-se.

Mas, para que tal aconteça, é preciso que o PS queira. E que queira muito. Isto porque isto só acontecerá depois de uma verdadeira refundação do PS. Obviamente que esta junção nunca acontecerá nem poderá acontecer com Sócrates à frente. O PS tem de correr com Sócrates - esse cadáver político, cujo cheiro nauseabundo o precede onde quer que vá - mas também com toda a tralha socrática: Santos Silva, José Lello, Ricardo Rodrigues, Pedro Silva Pereira, Vitalino Canas, etc, etc, etc.

Só com essa renovação, com essa sincera refundação, tal seria possível. De outra forma, é inevitável que caiamos nas mãos desse pateta do Passos Coelho.

A minha opinião? Sócrates e sus muchachos são demasiado agarrados ao poder. Estão convencidos, com uma convicção próxima do fanatismo, de que são a salvação de Portugal. E que nunca se afastarão. Para eles, como disse hoje Santos Silva, os partidos da "extrema-esquerda" - por oposição de "esquerda democrática", como se apelidam - são um andor da direita.

Neste momento, o PS é o verdadeiro andor da direita, e vai levá-la direitinha ao poder.

Mas o caminho existe. Será o PS capaz?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Pois, e o resultado está à vista


"Os laços entre os EUA e Israel são inquebráveis" - Barack Obama.

Gracias, Angelito

A notícia já tem uns dias, mas o Mundial, as férias e o calor tiraram-me o tempo para escrever sobre a partida do Di Maria.
Para a grande maioria dos cumentadeiros, foi um mau negócio. Pois eu cá acho que enganámos bem o Real Madrid, com um jogador que, infelizmente, não deverá fazer grande coisa em Castela. Acho que os conseguíamos enganar melhor, e que aquilo bem conversadinho subia mais uns cinco milhões. Mas Di Maria, meus amigos, não vale 30 milhões. Sim, eu sei que os corruptos venderam o Paulo Ferreira e outros que tais por fortunas. Mais: conseguiram enganar o Real e vender-lhes o Carlos Secretário. Mas os tempos eram outros, e agora o Mourinho não tinha que pagar favores a ninguém.
Di Maria fez uma boa época. Gosto de o ter na equipa, porque me dava sempre a esperança de que podia inventar alguma coisa e resolver o jogo. E, nalguns casos, foi isso que aconteceu. Mas a verdade é que é ainda um jogador inconsequente, que perde muito jogo e ajuda pouco a defender. É um jogador muito promissor, mas nunca iria cumprir todo esse potencial no Benfica. Também não vai conseguir no Real, porque é uma equipa de estrelas, e Angelito fica intimidado, aliás como se viu na sua fraquinha prestação no Mundial. O melhor para ele teria sido ir para um Manchester, para encher um bocado e ir entrando aos poucos, e aí talvez se pudesse desenvolver num verdadeiro fora de série. Assim, vai uma época para o Real, depois é vendido ao desbarato, espero que não para o Porto.

De qualquer forma, pela magia e pelo esforço: Gracias, Angelito. E que tenhas sorte, rapaz.

PS - não tragam o Simão, por favor...

Parafraseando o camarada Papousse (em relação a uma música antiga dos Xutos), aqui vai um exemplar dos GNR do "tempo em que eles eram vivos"

Onde está o Wally?


Uma vez, no Chiado - estavam as pessoas normais a formigar de um lado para o outro, com os sacos das compras nas mãos - vi um louco a cantar:

“Grândola Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo não ordena nada.”

Ao lado dele, amontoavam-se cobertores velhos.

As pessoas normais continuavam a formigar de um lado para o outro, com os sacos das compras nas mãos.

E a piada continua

Toda esta história do João Moutinho é boa demais para ser verdade.
O Sporting, que só vendia a sua jóia e capitão de equipa de 20 milhões para cima, manda-o para o rival (será?) Futebol Corrupto do Porto por 10 milhões, mais o passe de uma estrela chamada Nuno Coelho, que no ano passado fez 45 minutos pela equipa do FCP.
Depois de tudo o que se passou no Submissos Clube de Portugal no ano passado, "the laughs just keep on coming".
Eu achava que era piada. Mas não, é mesmo verdade. O SCP vendeu o seu capitão e símbolo do clube a outro clube que supostamente é um rival directo pelos primeiros lugares da tabela (enfim, apenas na teoria).
E as explicações do cotonete Bettencourt, que vai mudar de nome para batanete Bettencourt! Meu Deus, que fartote!
Atão foi-se embora, para um rival, porque era uma "maçã podre". Porque queria sair. Porque exigiu sair e mais ninguém ofereceu dinheiro por ele. E o batanete fez-lhe a vontade. Grande exemplo está a dar para os Velosos do seu balneário. Queres sair? Basta chorar, que eles fazem-te a vontade. Onde anda o todo-poderoso cagão autoritário do Costinha? Provavelmente numa ganda jantarada com o seu verdadeiro chefe, Pinto da Costa, a rir-se de quão ridículos estes lagartos conseguem ser.
Mais, sem querer, o batanete admite que o Porto tinha um acordo com o empresário de Moutinho. Ou seja, os corruptos assediaram um jogador sob contrato. Este chorou, e o batanete cedeu.
Bem pode o batanete vir agora dizer de João Moutinho cobras e lagartos. Toda a gente já percebeu que ele foi comido com F grande, e isto não passa de desculpas de mau pagador. Pinto da Costa mostrou por que razão continua a ser o homem mais poderoso do futebol português, e que come batanetes destes ao pequeno-almoço.
E depois vamos ao que isto representa no futebol português. Representa mais um capítulo da vassalagem dos submissos em relação aos corruptos. Ainda ontem um vice-presidente dos submissos vinha dizer que "também com os nossos filhos, eles saem de casa, temos de os deixar abrir as asas e seguir o seu caminho". Falou como se fosse do Rebordosa, tendo de deixar sair um jogador para o Beira-Mar. Assumiu, assim, que os submissos são um clube inferior, e que não podiam impedir um jogador de prosseguir a sua ascensão na carreira.
Desde há vários anos para cá, tem havido a santa aliança entre corruptos e submissos. Isso correu tudo muito bem enquanto os corruptos foram campeões e os submissos iam ficando em segundo. Isso chegava-lhes, porque tudo o que interessava era ficar à frente do Glorioso. Até que se foderam de vez. Deixaram o Benfica a lutar sozinho contra o polvo, e não é que o Benfica, jogando um futebol brilhante, conseguiu mesmo ser campeão? Oops, e o polvo ficou fora da Champions. Oops, e os submissos enterraram-se ainda mais na sua irrelevância.
Teria sido útil que também o Sporting lutasse pela limpeza do futebol português. Mas como isso significaria ficar do mesmo lado da barricada que o Glorioso, isso foi-lhes impossível. Estão a ter a paga que merecem.
Agora o esquema continua. Mantêm a aliança - sendo enrabados à força - na expectativa de fortalecer os corruptos, para que possam tirar o campeonato ao BENFICA CAMPEÃO. E contentes por ficarem com os restos, desde que fiquem à frente do GIGANTE.

Desde pequeno, sempre tive alguma simpatia pelo Sporting. Até que me apercebi que, infelizmente, a sua única razão de existir é ser anti-Benfica. E isto deixa-os abaixo de Bragas, Guimarães, etc. Não representam nada, a não ser o ressabianço primário. É por isso que o Benfica, em Portugal, tem um inimigo e um rival: o inimigo são os corruptos, o rival são os desgraçados dos submissos. Já o Porto e o Sporting não têm qualquer rival: têm apenas um inimigo comum. Do Porto eu percebo isso, porque o GLORIOSO tem como missão acabar com a pouca-vergonha que tem sido o futebol português, e é para eles uma ameaça. Do Sporting, é mais difícil entender. Afinal, ao longo dos anos, eles têm sido tão ou mais roubados do que nós, e pela mesma gente. Mas o anti-benfiquismo primário fala mais alto.

Não nos querem ajudar nesta luta, e preferem dar o cu e fortalecer o outro lado.

Terão tudo o que merecem.

Deixo-vos ainda com dois momentos muito bons do batanete.

CARREGA BENFICA!!!

 


segunda-feira, 5 de julho de 2010

E se a máquina do tempo se avariasse e não voltássemos?

Money gives you money honey


Os clássicos são aqueles que, relidos em qualquer época, permanecem sempre actuais. É precisamente isso que acontece com esta crónica do Eça - escrita há mais de cem anos - sendo quase arrepiante a modernidade com que satiriza o capitalismo americano.

"Três. Três americanos completos, desde os chapéus até ao génio. Direitos, secos, hirtos, firmes, com o seu andar recto e rijo, o peito saliente, como uma proa segura que corta o destino, os pés largos e vastamente pousados, o ar sério e apressado. Vêm de desembarcar do paquete. É em Lisboa. Só aqui, entre estas figuras incaracterísticas e banais, que amolecem as ruas, as suas pessoas originais têm o relevo pitoresco e o destaque especial.

De onde vêm? De toda a parte. Para onde vão? Para o dinheiro. Tudo na sua figura revela este caminhar resoluto e direito para o ganho; no rosto, nos gestos, na toilette, nas rugas, nas barbas, sente-se a grande vontade contemporânea - lucrar depressa. O nariz erguido fareja subtilmente o metal. O olho firme olha para a frente magneticamente. Os lábios finos contraídos, económicos de palavra, parecem secos da quantidade de cifras que têm pronunciado. Os fatos são curtos, cortados, fatos de agilidade e de movimento, que indicam a pressa, a áspera carreira atrás do dólar. Poucas malas que embaracem e retenham a actividade. (...) Mas sobretudo o andar. É ele que revela o homem de lucro: nada é indolente, distraído, flaneur, naquele andar mecânico, conciso e sôfrego: cada passada é um acto de tomar posse, as solas rangem de impaciência." (Eça de Queirós, in "Notas Contemporâneas)

Quando eu for grande, quero ter um bigode ridículo e escrever assim.

sábado, 3 de julho de 2010

Aos frequentadores do tasco

As nossas (minhas) esculpas pela avalanche de futebol. A política, a economia e os disparates seguem dentro de momentos.

Ok, só mais um bocadinho.

Porque ficámos contentes com a derrota dos irmãos brasileiros?

No jogo Brasil-Holanda, eu estava dividido. Gosto muito do futebol holandês e da sua selecção, mas tenho um carinho emocional pelos brasileiros, um povo pobre que tem no futebol uma grande afirmação da sua dignidade.
Mas a verdade é que, onde estava a ver o jogo, quase toda a gente torcia pelos holandeses. E não era por paixão pela "Laranja Mecânica" ou pelo seu histórico "Futebol Total". Era puro ressabianço e preconceito contra os brasileiros.
Procurei a explicação para este fenómeno, o facto de não torcermos pelo nosso povo irmão. Acho que não há UM motivo, mas vários possíveis.
Primeiro, nós gostamos dos pequeninos. Dos merdosos, do underdog. Como somos pequenos, somos solidários com os que não são favoritos.
Depois, odiamos arrogantes, e na bola o Brasil e o seu povo são de uma arrogância ou excesso de confiança que apetece vê-los enterrar-se. Só gostamos de arrogantes tugas, como o Mourinho.
Por outro lado, estamos todos fartos dos brazucas. Let's face it. Achamos que eles são broncos, preguiçosos e malandros. E, sobretudo, não gostamos nada que eles nos façam sentir "caretas", o que de facto somos. É também algo da mesquinhez histórica do nosso povo. Se eles ganhassem íamos ter de levar com eles a fazer a festa. Mais vale ganhar gajos lá longe, com os quais não temos nada a ver. Não suportamos ver gente feliz quando estamos infelizes.

Este Brasil, tal como o do Scolari e o do Parreira, são a anti-Argentina. Também têm talentos para dar e vender, mas manietam esse talentos, em prol de um futebol calculista e mais eficaz. Optaram pela organização, e perderam porque, nisso, a Holanda tem mestrado há várias décadas. E foi por isso que, ao ver os esforçados holandeses sairem vencedores, senti que tinha sido feita justiça.

Ah, e por ver aquele troglodita do Filipe Melo só fazer merda atrás de merda.