domingo, 10 de agosto de 2008

Jornalismo de Sarjeta

O Expresso, esse jornal que faz gala de ser um semanário sério, continua a descer o nível. Na ausência de notícias, faz capa inteira com o primo do Leyrielton, ou Sidneilson, ou lá como se chama o assaltante do balcão do BES que levou um balázio da bófia. O Expresso é o jornal que os portugueses leem pela mesma razão que comem bitoque, porque sim. Dá estilo ir à bomba lavar o carrito e trazer o Expresso, para estarem informados. O nível deste semanário anda a descer há vários meses, mas agora a vergonha parece ter acabado de todo. Esse senhor que morreu é irrelevante. Se tivesse vivido mereceria tal destaque? O seu primo teria uma citação gigante na capa do Expresso? Qual é a informação relevante que têm para o leitor? Nada. É só cavalgar a onda da merda mediática. Dá menos trabalho do que procurar notícias, que era o que deviam estar a fazer.
Por outro lado, o DN continua o seu caminho em direcção ao esgoto. Uma revista que publica às sextas, a Notícias TV, está cheia de fotos de gajas em topless e do cu da Carolina Patrocinio (não nego os seus atributos). Já o nome da revista me parece estranho, já que notícia não tem nenhuma. É mexericos, morangada, namoros e desamoros. Tudo bem, porque esse meio das novelas à portuguesa alimenta-se do fenómeno, numa relação toma lá/dá cá em que todos beneficiam. Para o meu gosto é uma merda mas, para além disso, às vezes vai-se longe demais. Há algumas semanas publicaram umas fotos de Santana Lopes, na praia, com duas gajas novas. Num texto a atirar para o malandrote, dizia-se que era evidente a proximidade de Santana com uma delas, e terminava dizendo que Santana tinha passado toda a tarde "em boa companhia...", e acabava assim, com os três pontinhos marotos.
Azar dos azares, a moça é filha do Santana.
Ele escreveu uma carta ao DN, protestando e com razão, no meu entender. Terminou a sua missiva dizendo que "por estarmos na silly season não se criou o direito de escreverem silly things".
E tem razão.
O director da Notícias TV, com quem por acaso trabalhei há uns sete anos, respondeu, dizendo que não fez nada de mal, que não é incorrecto dizer que Santana passou a tarde em boa companhia, já que a passou com a filha. É uma resposta de uma criança de 5 anos, porque o senhor "jornalista" sabe muito bem o que foi implicado naquela peça em que, mais uma vez, o foco foi o rabo da menina que mostrou muita intimidade com Santana, a filha.
Mais, o "jornalista" volta à carga e diz o seguinte: "Por estes dias, o Algarve está cheio de gente ilustre que o leitor bem conhece. De Margarida Vila-Nova a Rita Ferro Rodrigues. De Rita Pereira a Pedro Granger. Todos são figuras públicas e todos sabem que atrás de cada toldo há um jornalista; que atrás de um poste há sempre um fotógrafo; que atrás deles próprios há sempre uma boa história".
Permita-me discordar. Atrás dos toldos não há jornalistas, há estagiários e tarefeiros de merda que mais não fazem que mexericar na vida dos pseudo-famosos da TV; não há sempre uma boa história, aliás não há história nenhuma. São fotos de gente na praia, a sair de festas. E vocês escrevem, e chamam-se jornalistas. Vivem de merda, como as moscas. E se há muitos que se alimentam disso, como todos os nomes que o "jornalista" cita no seu texto, isso não implica que o vosso trabalho seja mais relevante, ou que possam dar-se ao luxo de o intitularem de jornalismo.
É merda.
O sentido é cada vez mais descendente na comunicação social portuguesa. E só vai ficar pior.

3 comentários:

Ricardo disse...

Tens razão, caro amigo. Mas o que mais me preocupa na comunicação social não é a o seu buraco negro sensacionalista a engolir tudo à sua volta. Essa degradação é tão explícita e tão grosseira que não engana muita gente: uma grande parte dos "espectadores" tem
consciência de que lhe estão a servir merda fumegante ao jantar, e os vómitos provocados ao menos têm a vantagem de expurgar o lixo noticioso do nosso organismo. O mais grave na comunicação social é o jornalismo sério, que noticia factos relevantes, mas que, por detrás da sua capa de aparente objectividade e neutralidade, esconde frequentemente toda uma agenda secreta ideológica (e dominante), que se manifesta através da escolha da notícia (e consequente rejeição de outros objectos não considerados "noticiáveis") e do seu enquadramento tendencioso. Este logro, pelo seu carácter dissimulado, engana-nos sem termos consciência que estamos a ser enganados, formando insidiosamente uma opinião pública consensual e acrítica, que degrada ainda mais a nossa superficial democracia. E cuidado também com os extraterrestres, que nos estão neste momento a observar. Um abraço.

tiagugrilu disse...

Little bastard a presidente da junta!

Liliana disse...

Hoje em dia e, cada vez mais, atrevo-me a dizer, a televisão está-se a cagar para os conteúdos. Transmite-se o que o público quer, o que o público gosta, porque o que é que está em jogo? O share, pois claro! As audiências! Se o público gosta de merda, é merda que lhes vamos dar!
Tipo malucos do riso, morangada, novelas e mais novelas, etc etc etc

Para quê tentar emitir programas de jeito que vão ser vistos por um nicho? Para isso há os canais temáticos na tv cabo... Vamos apostar nos conteúdos-merda, porque são esses que nos vão dar audiência, fazer de nós líderes e encher-nos os bolsos...

Cumprimentos