sexta-feira, 6 de março de 2009

O Malhadinhas

Augusto Santos Silva, o ministro socialista dos assuntos parlamentares, continua em grande. O PS aprovou sozinho uma lei contra a concentração nos media, mas o Cavaco mandou-os cagar. Vetou, e Santos Silva amuou. Diz que a legislação sobre esta matéria é "inadiável", basicamente dizendo ao PR que há de voltar à carga.
Um dos argumentos de Cavaco para vetar é que a concentração, só por si, não é sinónimo de falta de liberdade de imprensa. E tem toda a razão. Se um grande grupo, com vários jornais, for livre e independente, tanto melhor, qual o problema em ser um grupo? A questão não está na dimensão, mas na relação entre os directores e donos dos jornais e o poder político.
O que me espanta é que Santos Silva, esse Goebbels de pacotilha, esteja tão preocupado com a liberdade de imprensa. Para alguém que, como eu, trabalha há vários anos na comunicação social, isto é hilariante. Já trabalhei chefiado por pessoas livres, por pessoas compradas e por pessoas que fazem favores tentando serem compradas. E garanto, igualmente, que em quase 10 anos de carreira nunca houve um governo tão preocupado com a comunicação social, no mau sentido. Este governo é o mais manipulador que já vi enquanto profissional, e Santos Silva é o principal mentor desta política.
Tudo o resto é, apenas, propaganda. E da fraca.

1 comentário:

João Costa disse...

Imagino que você seja uma pessoa bem formada. Mas imagine que você tinha em sua posse um anel mágico que lhe conferia o poder da invisibilidade. Desta forma, se você decidisse roubar Cds na Fnac, ou se fosse espreitar gajas boas nuas num balneário, teria a certeza absoluta de que não seria descoberto por ninguém. Será que conseguiria resistir à tentação que um poder tão extremo lhe conferiria? Julgo que provavelmente não. O poder absoluto corrompe a maioria das pessoas, mesmo as mais bem formadas. Julgo que a concentração dos media constitui um caso análogo: quantos grupos económicos que dominassem quase a totalidade dos media conseguiriam resistir à tentação de usar em seu proveito, sem a existência de qualquer contrapeso, o enorme poder de manipulação da informação que tinham em suas mãos?