Rich Kids
E então, no meio de toda esta merda desta crise, os líderes dos 20 países mais ricos do mundo encontraram-se para resolver os problemas.
Numa cimeira rodeada de tanto paleio, tanta cobertura mediática e tanta expectativa, para os intervenientes darem umas palmadinhas nas costas, umas mezinhas e siga para bingo. Alguém fez as contas, e vista a duração da cimeira, cada interveniente tinha 11 minutos para falar, e salvar o mundo.
Seria de esperar que tal não funcionasse.
Dali saíram algumas intenções vagas, mais dinheiro para o FMI, um super-regulador mundial e pouco mais.
A história do FMI é básica, é dar-lhe mais dinheiro para que o dê aos países à rasca; o resto nem essa utilidade tem, são intenções que serão esquecidas quando o mercado começar a subir.
A verdade é que, de fundamental, nada foi decidido.
Tudo isto aconteceu devido a um modelo económico caduco, e à ganância.
As coisas corriam bem, as economias desenvolviam-se, as empresas tinham lucro, o desemprego descia.
Mas aconteceu algo que é intrínseco ao estado de maturidade (decrepitude?) a que chegou o nosso capitalismo: não era suficiente.
Habituámo-nos a crescimentos insustentáveis, e convencemo-nos de que bastava os chineses começarem a comer bifes e a andar de carro para tudo estar bem.
Errado.
Todo o sistema capitalista assenta na lógica do "sempre mais", mais lucro, mais rápido. E é exactamente essa voracidade que acaba por dar uma das mais fortes machadadas no sistema.
Ele podia durar mais vários séculos, se fosse minimanente comedido. Mas o âmago do sistema é não ser comedido, é ser ganacioso.
E foram esses excessos (tomada de risco alavancado em dívida, como forma de conseguir ganhos muito maiores do que em circunstâncias normais) que levou a esta situação. Com todo este dinheiro virtual (que teria de ser pago), bastou uma peça da cadeia partir para despoletar todo este turbilhão, de pânico e perdas colossais.
O problema, claro, é que isto está a apanhar todos os tipos como eu e vocês que não foram tidos nem achados nesta maneira de fazer negócios, e que não lucraram nada quando isto estava a enriquecer os gajos que agora nos entalaram.
Voltando ao G 20.
Nada de relevante, de facto, foi decidido. No entanto, na semana da cimeira, a bolsa conseguiu o maior ganho em perto de um ano. É normal. Os especuladores andam desesperados por algo que se assemelhe vagamente a um plano.
A verdade é que, para impedir que tudo isto volte a suceder, há que analisar o modelo. Discutir se é mais importante medir o crescimento anual do PIB de um país ou a sua distribuição mais justa. Se é mais importante (ou possível) ganhar sempre a um ritmo mais e mais rápido, ou se faria mais sentido ter calminha e ir ganhando um bocadinho, de forma estável.
É claro que isso levaria mais que um dia, que foi exactamente o que demorou esta cimeira de super-heróis que julgam ter salvo o mundo.
Toda a escola macroeconómica dominante há pelo menos um século falhou redondamente, e tudo o que se faz é remendar e atirar dinheiro para cima dos problemas. O nosso dinheiro, o que é ainda mais aborrecido.
É evidente que não podemos acabar de repente com a especulação. Especulação, ganância e capitalismo puro são o motor das bolsas, e a única forma de combater aqueles fenómenos é limitar muito, ou até acabar, com esses mercados. Como se faz isto, sem rebentar de uma vez com toda a economia mundial (assente unicamente neste modelo)? Não faço ideia.
Mas sei que enquanto não se discutir abertamente que modelo temos e que modelo queremos, estamos apenas a adiar os problemas. O resto é apenas um bando de ricaços a sorrir para o retrato.
Carry on.
sábado, 4 de abril de 2009
Touché
A melhor avaliação de algo que escrevi, pelo meu amigo Ricardo.
"Gostei. Como sempre: autenticidade, simplicidade, poesia. Que sejam enrabados sete vezes os filhos da puta dos editores que te recusaram publicação.
Depreendo o seguinte subtexto:
1. Visão amarga das relações amorosas, concebidas sempre como algo intenso mas efémero, condenado a esmorecer devagar pelo atrito da rotina, “eu não quero morrer devagar, eu não quero morrer devagar”. Encontrei uma boa palavra no dicionário. És um misógamo: que ou aquele que tem horror ao casamento. Conjugalidade é sinónimo de entrada no mundo dos adultos, a chacina das crianças inocentes. Ao pé da nossa mulher não nos podemos peidar. Ponto final.
2. Visão optimista da amizade (masculina), concebida como algo permanente, o porto de abrigo a que se pode sempre regressar depois das tempestades emocionais, um lugar mágico onde nunca se cresce, a neverland de Peter Pan. Com os nossos amigos, podemo-nos sempre peidar. E rirmo-nos como crianças...
3. Resumindo: claro contraponto entre conjugalidade e amizade. Conjugalidade é o mundo dos adultos, das responsabilidades, das exigências, do controlo, do excesso de palavras, da traição. A amizade é o mundo das eternas crianças, das despreocupações, das poucas palavras, da camaradagem, da lealdade.
4. Secundarização das mulheres (misoginia?). Quem está no plano central do teu conto são sempre homens. As mulheres que aparecem nunca existem por si só, são simplesmente as mulheres desses homens, os seus acessórios de quem pouco se fica a saber.
Sub-concordas?"
A melhor avaliação de algo que escrevi, pelo meu amigo Ricardo.
"Gostei. Como sempre: autenticidade, simplicidade, poesia. Que sejam enrabados sete vezes os filhos da puta dos editores que te recusaram publicação.
Depreendo o seguinte subtexto:
1. Visão amarga das relações amorosas, concebidas sempre como algo intenso mas efémero, condenado a esmorecer devagar pelo atrito da rotina, “eu não quero morrer devagar, eu não quero morrer devagar”. Encontrei uma boa palavra no dicionário. És um misógamo: que ou aquele que tem horror ao casamento. Conjugalidade é sinónimo de entrada no mundo dos adultos, a chacina das crianças inocentes. Ao pé da nossa mulher não nos podemos peidar. Ponto final.
2. Visão optimista da amizade (masculina), concebida como algo permanente, o porto de abrigo a que se pode sempre regressar depois das tempestades emocionais, um lugar mágico onde nunca se cresce, a neverland de Peter Pan. Com os nossos amigos, podemo-nos sempre peidar. E rirmo-nos como crianças...
3. Resumindo: claro contraponto entre conjugalidade e amizade. Conjugalidade é o mundo dos adultos, das responsabilidades, das exigências, do controlo, do excesso de palavras, da traição. A amizade é o mundo das eternas crianças, das despreocupações, das poucas palavras, da camaradagem, da lealdade.
4. Secundarização das mulheres (misoginia?). Quem está no plano central do teu conto são sempre homens. As mulheres que aparecem nunca existem por si só, são simplesmente as mulheres desses homens, os seus acessórios de quem pouco se fica a saber.
Sub-concordas?"
Halfway between the gutter and the stars
f r e u d diz:
então
que tal?
Kowalski diz:
buba
ressaca
ia vomitando no metro
dead man walking
f r e u d diz:
bravo
Kowalski diz:
tou feito em merda
f r e u d diz:
só te tenho a congratulaer
é para isso que cá andamos
antes andar assim por causa dos copos
Kowalski diz:
claro
f r e u d diz:
e então, estava fixe?
Kowalski diz:
tava bacano
mas eu tava bué podre
mas curti
f r e u d diz:
muito bem!!!
e hoje, xixi cama, certo?
Kowalski diz:
claramente
alias, primeiro cama
se houver vontade de xixi, vai ali mesmo
f r e u d diz:
então
que tal?
Kowalski diz:
buba
ressaca
ia vomitando no metro
dead man walking
f r e u d diz:
bravo
Kowalski diz:
tou feito em merda
f r e u d diz:
só te tenho a congratulaer
é para isso que cá andamos
antes andar assim por causa dos copos
Kowalski diz:
claro
f r e u d diz:
e então, estava fixe?
Kowalski diz:
tava bacano
mas eu tava bué podre
mas curti
f r e u d diz:
muito bem!!!
e hoje, xixi cama, certo?
Kowalski diz:
claramente
alias, primeiro cama
se houver vontade de xixi, vai ali mesmo
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Only Fools and Horses
"Antiga inspectora coordenadora da PJ condenada a sete anos e meio de prisão"
"Graciete Pinto e Silva, a advogada de defesa, revelou que vai recorrer da sentença. "Por que é que a palavra de 30 inspectores da PJ [que testemunham no julgamento] vale mais do que a palavra de uma coordenadora?", questionou a advogada."
Viva O Isaltino!
Viva O Avelino!
Viva A Fátinha!
Viva o Portugal!
"Antiga inspectora coordenadora da PJ condenada a sete anos e meio de prisão"
"Graciete Pinto e Silva, a advogada de defesa, revelou que vai recorrer da sentença. "Por que é que a palavra de 30 inspectores da PJ [que testemunham no julgamento] vale mais do que a palavra de uma coordenadora?", questionou a advogada."
Viva O Isaltino!
Viva O Avelino!
Viva A Fátinha!
Viva o Portugal!
sábado, 28 de março de 2009
The Fear
Com o bom tempo, tão ansiado, chegou a merda da depressão, não sei porquê. Talvez por estar à beirinha de fazer 31 anos, pondo oficialmente um fim ao objectivo de conseguir publicar um livro até aos 30 (tecnicamente, se o conseguisse ainda antes de fazer 31, podia contar. Aliás, já tinha decidido que era isso que ia dizer a mim mesmo).
Acabei finalmente de rever um dos livros que, durante os últimos dez anos, me roubaram anos de vida, para quê? Acabei e tudo está igual. Mesmo os amigos a quem o mostrei, na esperança de que o meu talento fosse de tal forma evidente e avassalador que lhes mudaria as vidas, nada. Uma notícia aceite como uma nota de rodapé.
O meu cão morreu. Tinha 14 anos, e lembro-me de o ir buscar num caixote, era ele um cachorro de orelhas sobredimensionadas. Foi-se agora, não me foi receber à porta no fim de semana, e eu perdi um bom amigo, que me viu crescer.
E depois há tudo o resto. O cansaço. E o pânico de que, faças tu o que fizeres, por mais que sejas bom e trates bem todos aqueles que amas, há coisas que, ainda assim, podem acabar com tudo isso. O cansaço de sentir que tens de ser sempre forte por toda a gente, e ninguém se lembra que todos têm momentos fracos. Todos precisam de um conforto.
E o pânico e a incompreensão atacam em todo o lado, sem aviso. Mas tenho 30 anos, e não faz sentido chorar sem saber porquê. Mesmo que seja isso que apetece.
A boa notícia? Meti a funcionar o gira-discos, e o Bill Evans continua a soar tão bem como sempre.
Paz para todos.
Com o bom tempo, tão ansiado, chegou a merda da depressão, não sei porquê. Talvez por estar à beirinha de fazer 31 anos, pondo oficialmente um fim ao objectivo de conseguir publicar um livro até aos 30 (tecnicamente, se o conseguisse ainda antes de fazer 31, podia contar. Aliás, já tinha decidido que era isso que ia dizer a mim mesmo).
Acabei finalmente de rever um dos livros que, durante os últimos dez anos, me roubaram anos de vida, para quê? Acabei e tudo está igual. Mesmo os amigos a quem o mostrei, na esperança de que o meu talento fosse de tal forma evidente e avassalador que lhes mudaria as vidas, nada. Uma notícia aceite como uma nota de rodapé.
O meu cão morreu. Tinha 14 anos, e lembro-me de o ir buscar num caixote, era ele um cachorro de orelhas sobredimensionadas. Foi-se agora, não me foi receber à porta no fim de semana, e eu perdi um bom amigo, que me viu crescer.
E depois há tudo o resto. O cansaço. E o pânico de que, faças tu o que fizeres, por mais que sejas bom e trates bem todos aqueles que amas, há coisas que, ainda assim, podem acabar com tudo isso. O cansaço de sentir que tens de ser sempre forte por toda a gente, e ninguém se lembra que todos têm momentos fracos. Todos precisam de um conforto.
E o pânico e a incompreensão atacam em todo o lado, sem aviso. Mas tenho 30 anos, e não faz sentido chorar sem saber porquê. Mesmo que seja isso que apetece.
A boa notícia? Meti a funcionar o gira-discos, e o Bill Evans continua a soar tão bem como sempre.
Paz para todos.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Let's look at the traila
Nem de propósito e no seguimento do post anterior aqui está o trailer do filme, acabadinho de sair do forno. Se só pelas imagens já parecia a ser muito bom agora com o vídeo e com a música dos Arcade Fire parece-me ainda melhor.


Videoclip da semana
Mais um grande vídeoclip do Spike Jonze, a mente brilhante por trás do magnífico Sabotage dos Beastie Boys:
E ao impressionante portfolio de videos musicais junta-se dois grandes filmes: Being John Malcovitch e Adaptation. O próximo filme chama-se Where the Wild Things Are e parece a ser cinco estrelas:

terça-feira, 24 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
O nojo!
Papa: "Preservativos não são solução para a sida"
Lula critica Igreja por excomungar médicos
Igreja católica dos EUA pagou 436 milhões de dólares por abusos sexuais
Em menos de um mês a Igreja Católica enche, por três vezes, as páginas dos jornais e não é por ajudar os pobrezinhos e salvar crianças. Parece um elefante a saltar levemente sobre os nenúfares.
Alguém diga ao pastor alemão que a estratégia de marketing está toda errada e depois podem chamar o veterinário e mandá-lo abater.
O meu desprezo por esta instituição é cada vez maior!

Lula critica Igreja por excomungar médicos
Igreja católica dos EUA pagou 436 milhões de dólares por abusos sexuais
Em menos de um mês a Igreja Católica enche, por três vezes, as páginas dos jornais e não é por ajudar os pobrezinhos e salvar crianças. Parece um elefante a saltar levemente sobre os nenúfares.
Alguém diga ao pastor alemão que a estratégia de marketing está toda errada e depois podem chamar o veterinário e mandá-lo abater.
O meu desprezo por esta instituição é cada vez maior!

segunda-feira, 16 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Legalise it!
How to stop the drug wars
Artigos sobre a legalização das drogas há aos pontapés, mas como a maior parte são escritos por grandes ganzados, o pessoal dá um grande desconto.
Mas quando uma revista como a "The Economist" defende esse ponto de vista, a história é diferente. Mais surpreendente ainda é ficar a saber que há 20 anos atrás tinham exactamente a mesma opinião.

Artigos sobre a legalização das drogas há aos pontapés, mas como a maior parte são escritos por grandes ganzados, o pessoal dá um grande desconto.
Mas quando uma revista como a "The Economist" defende esse ponto de vista, a história é diferente. Mais surpreendente ainda é ficar a saber que há 20 anos atrás tinham exactamente a mesma opinião.

segunda-feira, 9 de março de 2009
Man On Wire
"UNITA acusa Vale e Azevedo de burla"
O Vale e Azevedo é o MAIOR!!! é preciso ter uns colhões do tamanho da Praça de Espanha para roubar um bando de pretos cheios de catanas, bazookas e essas merdas.
"UNITA acusa Vale e Azevedo de burla"
O Vale e Azevedo é o MAIOR!!! é preciso ter uns colhões do tamanho da Praça de Espanha para roubar um bando de pretos cheios de catanas, bazookas e essas merdas.
domingo, 8 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
O Malhadinhas
Augusto Santos Silva, o ministro socialista dos assuntos parlamentares, continua em grande. O PS aprovou sozinho uma lei contra a concentração nos media, mas o Cavaco mandou-os cagar. Vetou, e Santos Silva amuou. Diz que a legislação sobre esta matéria é "inadiável", basicamente dizendo ao PR que há de voltar à carga.
Um dos argumentos de Cavaco para vetar é que a concentração, só por si, não é sinónimo de falta de liberdade de imprensa. E tem toda a razão. Se um grande grupo, com vários jornais, for livre e independente, tanto melhor, qual o problema em ser um grupo? A questão não está na dimensão, mas na relação entre os directores e donos dos jornais e o poder político.
O que me espanta é que Santos Silva, esse Goebbels de pacotilha, esteja tão preocupado com a liberdade de imprensa. Para alguém que, como eu, trabalha há vários anos na comunicação social, isto é hilariante. Já trabalhei chefiado por pessoas livres, por pessoas compradas e por pessoas que fazem favores tentando serem compradas. E garanto, igualmente, que em quase 10 anos de carreira nunca houve um governo tão preocupado com a comunicação social, no mau sentido. Este governo é o mais manipulador que já vi enquanto profissional, e Santos Silva é o principal mentor desta política.
Tudo o resto é, apenas, propaganda. E da fraca.
Augusto Santos Silva, o ministro socialista dos assuntos parlamentares, continua em grande. O PS aprovou sozinho uma lei contra a concentração nos media, mas o Cavaco mandou-os cagar. Vetou, e Santos Silva amuou. Diz que a legislação sobre esta matéria é "inadiável", basicamente dizendo ao PR que há de voltar à carga.
Um dos argumentos de Cavaco para vetar é que a concentração, só por si, não é sinónimo de falta de liberdade de imprensa. E tem toda a razão. Se um grande grupo, com vários jornais, for livre e independente, tanto melhor, qual o problema em ser um grupo? A questão não está na dimensão, mas na relação entre os directores e donos dos jornais e o poder político.
O que me espanta é que Santos Silva, esse Goebbels de pacotilha, esteja tão preocupado com a liberdade de imprensa. Para alguém que, como eu, trabalha há vários anos na comunicação social, isto é hilariante. Já trabalhei chefiado por pessoas livres, por pessoas compradas e por pessoas que fazem favores tentando serem compradas. E garanto, igualmente, que em quase 10 anos de carreira nunca houve um governo tão preocupado com a comunicação social, no mau sentido. Este governo é o mais manipulador que já vi enquanto profissional, e Santos Silva é o principal mentor desta política.
Tudo o resto é, apenas, propaganda. E da fraca.
Um aplauso Público
Eu gosto do Público. Gosto muito do Público.
Na edição de hoje, 80% do espaço de capa é dedicado ao próprio jornal. Tem um destaque muito grande acerca do futuro dos jornais, das novas tendências, das novas formas de consumir informação. Tem ainda uma página dupla acerca das gralhas e erros - muitos deles hilariantes - que o próprio Público cometeu desde a sua fundação. Enquanto todos os outros jornais estão iguais, com capas parecidas acerca de Freeport, crime e crise, o Público olhou para dentro e, mais uma vez, abriu o jornal aos leitores. Com uma discussão livre, descomplexada e interessante.
As vendas estão em crise, tal como acontece com outros jornais. No entanto, ao contrário de muitos outros, não se comercializou, não se abestalhou, não se apimbalhou. Eu, que há quase 10 anos leio vários jornais todos os dias, compro o Público sem olhar para a capa. Sem ver qual é a manchete. Não interessa. Porque sei que o Público não anda necessariamente a reboque da "agenda mediática" e me vai sempre conseguir surpreender e interessar.
Sei que tem dificuldades financeiras. Que até pode vir a ser vendido e apimbalhado no futuro, até que pode mesmo vir a fechar.
Até lá, vai cumprindo o seu papel. Eu, como leitor fiel, agradeço. Não há outro jornal assim em Portugal.
PS - às vezes arma-se demasiado ao pingarelho. Parece-me excessivo que "Slumdog Milionaire" seja considerado o filme do ano, mas o Público exagerou ao dar-lhe uma bola (equivalente a "pedaço de bosta cheio de moscas").
Eu gosto do Público. Gosto muito do Público.
Na edição de hoje, 80% do espaço de capa é dedicado ao próprio jornal. Tem um destaque muito grande acerca do futuro dos jornais, das novas tendências, das novas formas de consumir informação. Tem ainda uma página dupla acerca das gralhas e erros - muitos deles hilariantes - que o próprio Público cometeu desde a sua fundação. Enquanto todos os outros jornais estão iguais, com capas parecidas acerca de Freeport, crime e crise, o Público olhou para dentro e, mais uma vez, abriu o jornal aos leitores. Com uma discussão livre, descomplexada e interessante.
As vendas estão em crise, tal como acontece com outros jornais. No entanto, ao contrário de muitos outros, não se comercializou, não se abestalhou, não se apimbalhou. Eu, que há quase 10 anos leio vários jornais todos os dias, compro o Público sem olhar para a capa. Sem ver qual é a manchete. Não interessa. Porque sei que o Público não anda necessariamente a reboque da "agenda mediática" e me vai sempre conseguir surpreender e interessar.
Sei que tem dificuldades financeiras. Que até pode vir a ser vendido e apimbalhado no futuro, até que pode mesmo vir a fechar.
Até lá, vai cumprindo o seu papel. Eu, como leitor fiel, agradeço. Não há outro jornal assim em Portugal.
PS - às vezes arma-se demasiado ao pingarelho. Parece-me excessivo que "Slumdog Milionaire" seja considerado o filme do ano, mas o Público exagerou ao dar-lhe uma bola (equivalente a "pedaço de bosta cheio de moscas").
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