sexta-feira, 24 de julho de 2009

O PS é constituído por gente muito muito superior













Dúvida: alguém recebeu dinheiro para conceber aquele slogan?

(Mais bem retratado aqui)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

As maravilhas do xunga (online)

Kowalski diz:
boas
ora cá vai disto
http://cinema.sapo.pt/magazine/noticia/steven-seagal-e-jean-claude-van-damme-aos-murros-em-anuncio

Jorge Olino diz:
é demasiado kung-fu junto

Kowalski diz:
mto à frente

Jorge Olino diz:
steven seagal, jean clau van damme E EUROPE?
estou a entrar em overdrive

Kowalski diz:
o que podia ser melhor?
só mandar a ana malhoa lá para a molhada

Jorge Olino diz:
eu só metia um pouco mais de dolf lundgren
e aí seria perfeito

Kowalski diz:
sim, com uma espada

Jorge Olino diz:
e já agora, uns relâmpagos

Kowalski diz:
com a lâmina quente, tipo lava
era do best

Jorge Olino diz:
bom, assim sendo metia também na banda sonora Manowar, e o Christopher Lambert armado em imortal à espadalhada com o Dolf
seria apoteótico

Kowalski diz:
era um orgasmo visual e auditivo
e a samantha fox a fugir aos gritinhos?
com t-shirt molhada?

Jorge Olino diz:
ok, parece-me que temos um script vencedor
hollywood, série Z, aí vamos nós

Kowalski diz:
eu já lá estou, meu amigo
O efeito Mantorras

Se há jogador de quem eu gosto é de Mantorras, o Profeta.
Pode ser a cheerleader mais cara do planeta, mas ver aquele preto entrar em campo, cheio de fome de mostrar que ainda quer ser alguém, comove-me e enche-me de ganas de vê-lo conseguir.
Gostava que houvesse um efeito Mantorras na minha vida. Passo a explicar.
Estás numa fila de trânsito e estás atrasado para algo importante. É uma situação de difícil resolução. Para todos, claro está, mas não para o Mantorras. Essa é uma situação que merece um "Eh, pá, isto só lá vai com o Mantorras".
O teu chefe exige-te uma tarefa monstruosa e impossível de realizar. "Mete o Mantorras", e tá feito.
A vida dá-te a volta, e parece que tudo foi por água abaixo. Pensa no preto, o Profeta, o órfão das ruas de Luanda. Pensa em tudo o que poderia ter sido se tivesse duas pernas. E pensa no que, agora, acabado, ainda é quando entra em campo, felino, morto por agarrar na bola e balançar as redes.
O Mantorras é a ponta de ilusão, de estúpida fé, de solução quando não há soluções.

Nas nossas vidas, deixem jogar o Mantorras.
O fim do blackout

Termina aqui oficialmente o meu blackout futebolístico.
Começou e durou enquanto forma de proteger o meu pobre coração de mais uma série de desilusões, que já se anunciavam a meio da época passada.
Mas agora chega.
Fiz-me sócio e comprei bilhete de época. Não há volta a dar-lhe. Está na hora de deixar de me fingir desinteressado e blasé. Sou maluco pelo Glorioso, portanto vamos a isso. Todas as frustrações, todas as esperanças esmagadas pelo destino. Caguei. Está na hora de realmente vibrar com aquilo.
Vou finalmente poder dizer, com todo o direito, "Corram, cabrões! Eu pago-vos o ordenado". Agora é a sério. Não mais cu sentado no sofá e cagar sentenças como se fosse o Mourinho. Agora vou para lá, para o meio de milhares de sofredores.
Que sa foda.
Não o faço agora por ter mais esperanças de sucesso nesta temporada. Nisso, o tempo ensinou-me a ser niilista. Mas adoro aquele clube, e se tiver que sofrer in loco, so be it.
Hoje fui lá e levámos na anilha. Roubados e tal, mas perdemos. Tal como na anterior visita, em que perdemos 1-0 com o Bitória de Guimarães. Talvez haja aqui um padrão, mas espero que não.
Mas hoje vi um estádio cheio, e vi futebol como há muito a equipa não mostrava.
Um adepto benfiquista está, infelizmente, habituado a perder. Para mim já me basta ver entrega, fio de jogo, os toques do Aimar e as nozadas do Di Maria.

Bring it on.

domingo, 19 de julho de 2009



Se o Ian Curtis tivesse sido uma pessoa feliz




sábado, 18 de julho de 2009

That joke isn't funny anymore

Quando toda a pressão de mais uma semana na mina te faz acordar com O Medo, e uma dor de cabeça monstra te atira para uma crise de nervos.
Quando choras pela primeira vez à frente da mulher que amas e que pensava que tu nunca choravas e que serias sempre tu o forte, para o que der e vier.
Quando percebes que o que fazes é merda, e que ficarás louco a fazê-lo porque não és capaz, pura e simplesmente, de ignorar o facto de que é merda (se não o visses seria tudo tão mais fácil, quase risível).
Quando és o único do teu bairro a viver de cigarros e Eels e Silver Jews, e o Verão está lá fora.
Quando o Euromilhões sai finalmente a um tuga, e tu sabes que não foste tu porque não te sentes rico, e só vais confirmar o boletim uma semana depois, para que pelo menos uma pequena parte de ti viva na estúpida esperança de que o gajo que manda nisto tenha decidido finalmente recompensar-te por seres um gajo porreiro. (E quem te disse isso, que és um gajo porreiro?)

O que fazes quando o show deixou definitivamente de ter piada?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A cara de pau

Lá veio o Alberto João vomitar o habitual chorrilho de disparates, e a imprensa do contenente lá se meteu a fazer barulho, basicamente porque é Verão, não há notícias, já ninguém liga à gripe, não cai um avião há pelo menos três dias e a pré-época do Benfica não chega para tudo. E porque, admitamos, é fácil encher noticiários e debates com o Alberto João.
No meio da poia que lhe saiu da boca, o imperador da Madeira disse que queria colocar na constituição a proibição do comunismo, à semelhança da proibição de organizações fascistas.
Não vou sequer comentar isto. É um bocado como o Malato e os anúncios a pensos higiénicos. Não vale a pena. Eles existem e temos de continuar com a nossa vida. É tudo.
Queria falar do comentário do Aguiar Branco (who?), o vice-presidente do PSD. Perante as críticas de toda a gente, a imprensa quis saber o que pensava o senhor das palavras de Alberto João. E o que disse ele? Que não é oportuno dizer se concorda se se deve ou não abolir o comunismo, proibir a sua existência. Não é oportuno porquê? Porque na próxima legislatura haverá revisão constitucional, e aí se conhecerão as propostas do PSD para a mudança da Constituição. Pois. Exacto. Ele conseguiu, de facto, utilizar o argumento mais chato e burocrata possível. Não pode comentar porque não é oportuno. Quando for altura de rever a Constituição, ele então vai ligar a parte do cérebro destinada a esta matéria e, aí sim, dizer o que pensa. Espectáculo.
É claro que nem ele nem o PSD subscrevem as palavras de Alberto João sobre o comunismo. O PSD é um partido que agrupa interesses económicos, não ideológicos, portanto está-se francamente cagando. Só que hoje não o podia dizer, porque isso seria contrariar o único bastião laranja relevante que o PSD ainda tem. É política, da pura e dura. É por isso que é um mau princípio este argumento burocrata num caso destes. Sobretudo para um partido que enche a boca com o slogan "Política de Verdade". Bom, pelo menos a primeira parte do slogan está correcta.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Grande Manjar

E rebentou a bronca. Ardeu o circo. Soltou-se a franga.
Essas coisas.
Aconteceram cenas maradas.
E se é normal que aconteçam cenas maradas a quem bebe meio litro de aguardente e fuma 5 ganzas seguidas, como muitos dos frequentadores e todos os colaboradores deste tasco, a coisa muda de figura quando as cenas maradas acontecem com a nossa classe política.
Ah poisé.
O Sócrates decidiu que quem é candidato a uma Câmara Municipal não pode ser candidato à Assembleia. Assim acaba-se com os meninos e meninas que se candidatam às autárquicas, não ganham e ficam apenas vereadores, e dão corda aos sapatos e se instalam no parlamento lisboeta. Isto para não falar daqueles, esses sim políticos tugas no verdadeiro sentido da palavra, que acumulam as duas coisas (mais o emprego no escritório de advogado).
O escândalo!
O horror!
O pavor!
Como é possível?!
Pois.
A nação socialista está em choque. Elisa Ferreira e Ana Gomes estão indignadas. Paulo Pedroso - que se antecipou e já disse que só queria as autárquicas - é o bom escoteiro e diz que a direcção do partido é espectacular. Manuel Alegre, o bardo rebelde, cada vez se enrola mais em beijos na boca ao Sócrates e diz que este fez muito bem, e ataca a Ferreira e a Gomes (esta última a maior fraude política dos últimos anos, cheia de frontalidade e independência a atacar os outros, mas fica molhada só de pensar na disciplina partidária).
Está o caldo entornado no PS.
A medida é boa, claro. Só que agora soa a eleitoralismo, mas por mim já estou por tudo, desde que façam algo bem tanto me faz por que raio o fazem.
E vi há bocado um debate na televisão, em que dois comentadores liberalinhos choravam esta medida.
O argumento? Que assim, as autarquias vão ficar mal-servidas, porque as grandes figuras políticas a nível nacional não vão arriscar candidatar-se às câmaras com medo de, depois, não se poderem baldar para um lugar no parlamento ou no governo.
Não passa pela cabeça destes senhores que tipos que fazem isso estão já a servir mal as autarquias. Que apenas as tratam como um trampolim político, um estágio bem remunerado, que traem à primeira oportunidade.
Esta classe política acha-se de facto, a escolhida. Uma elite fabulosa de poucas centenas de tugas entre os 10 milhões que moram neste cabrão deste quadrado. Os únicos que nos podem salvar, a nós, do destino cruel da pobreza e da iliteracia civilizacional. Só eles servem. Os mesmos. Para o governo, para o parlamento, para a europa, para as autarquias. É por isso que têm de repetir, acumular, papar tudo. Não lhes passa pela cabeça que, se calhar, as câmaras e os seus cidadãos possam ficar mais bem servidos por pessoas locais, se calhar sem grande carreira política, mas que estão genuinamente preocupadas com o bem-estar das populações. Mais bem-servidos do que por meras figuras decorativas que se estão apenas a auto-promover e a enganar o turista.
E para esses senhores que não podem correr o risco de se candidatarem para, se não ganharem, serem meros vereadores, uma singela mensagem: Vão mas é trabalhar malandros.
Fodido são os milhões de portugueses que se matam a trabalhar por 500 euros por mês, e vos pagam os salários. A política é demasiado sacrifício? Perdem muito dinheiro com isso? É fácil: não se candidatem. Fiquem pelo privado a engordar a conta bancária. Vão para a puta que vos pariu. Ah, pois, mas se não fizerem carreira política depois não conseguem fazer tão bem as vossas trafulhices, ganhar conhecimentos por baixo da mesa, e assim não conseguem ganhar tanto dinheiro, né? Pois, a vida é lixada.
Esta gente trata Portugal como um imenso manjar do qual eles vão escolhendo os pratos. Todos os pratos. E querem comer o deles, o nosso, e ainda que a gente os sirva.
E no fim agradeça.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma mão-cheia de nada

A campanha para as autárquicas já está nas ruas, através dos cartazes que poluem esta cidade que todos os políticos candidatos juram amar. Passando de carro – sim, ando de carro e de mota e por isso sou um dos gajos que, para o António Costa, sou inimigo de Lisboa - vi os novos cartazes do actual presidente da CML. Gostei particularmente dos slogans. Fui à net e vi que, afinal, há 3 diferentes. Quer dizer, são iguais à excepção de uma frasesinha: num diz-se “Casa Arrumada, Cumprimos”, noutro diz “Pôr a Câmara a Funcionar, Cumprimos” e o terceiro diz “Preparar o Futuro, Cumprimos”.
Eu não sei se ele cumpriu ou não. O que sei é que se o que ele tem para mostrar são estas generalidades e banalidades, corre o sério risco de levar na anilha do Santana.
Que eu tenha visto, António Costa só fez uma coisa que interferiu comigo: decidiu pintar faixas bus novas em toda a cidade, o que é espectacular porque estas estão sempre vazias, conseguindo assim lixar ainda mais o trânsito de todas as outras faixas (a Rua do Ouro é o exemplo perfeito disto).
O senhor até terá feito mais coisas. Não as vejo, mas acredito que as tenha feito. Agora, ninguém me tira da cabeça que meter como trunfo eleitoral “Arrumar a Casa”, algo que não diz nada a ninguém, indicia claramente que, em concreto, não fez grande coisa.
O perigo disto é que é entregar a CML de mão-beijada ao Santana, e este decidir começar a esburacar tudo e a fazer túneis, e lá temos mais 5 anos de obras inúteis na cidade, enquanto os prédios não param de cair e ninguém tenta resolver os problemas reais da cidade (habitação e o seu custo).
Não é a primeira vez que o PS subestima o Santana. Das outras vezes deu-se mal.
Pinho Jackson

Ambos desapareceram de cena recentemente, ambos tinham a mania que eram Bad e ambos, de repente, se tornaram na melhor coisa que o mundo alguma vez viu.
De repente, toda a gente gosta do Michael Jackson. Génio, Imperador da Pop, etc. Isto apesar de andar toda a gente há 15 anos a gozar com o homem.
E agora, o Pinho. O Senhor dos Cornos.
Isto é uma coisa muito portuguesa, portuguesinha, de bajular os mortos depois de lhes baterem em vida.
Note-se que o Pinho até ganhou popularidade com os chifres. Foi como o Marinho Pinto com a Manuela, o tipo passou-se e todos os portugueses se reviram no gajo que, de repente, perde a noção e caga para a etiqueta. O que não percebo é a carrada de elogios que lhe andam a fazer, com o argumento de que o gesto diabólico não deve ofuscar a análise ao seu mandato. Concordo inteiramente. Discordo é da avaliação positiva que muita malta anda a fazer do senhor. O meu problema com ele não é ser um alarve e um desastrado politicamente. Prefiro isto aos políticos perfeitinhos como os Antónios Costas, os Sócrates e os Passos Coelhos desta vida. Estes não têm gaffes, mas não são melhores por causa disso.
No que toca a Pinho, o problema foi que só se lembrou que era ministro da Economia quando o circo pegou fogo. E aí lá foi ele, sim senhor, de extintor na mão a tentar salvar as Qimondas e o Bordalos, e os respectivos postos de trabalho. O que este senhor não se pode esquecer foi que, em grande parte, estas e outras empresas pegaram fogo porque o Governo do senhor Pinho passou três anos a asfixiar a economia portuguesa. Era o Governo das Finanças, do Défice, e não da Economia. É por isso que esta crise só vem agudizar a que já cá estava, antes do subprime dar barraca.
É injusto que Pinho saia por causa dos chifres, sim senhor. Já devia ter saído.
E é injusto que os chifres façam passar a ideia de que, no que realmente interessa, o senhor foi exemplar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bollywood Snack


O caril é dá-lhes a volta ao miolo!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Medo

Dia 3 do cerco.
Sinto-me em Tróia, à espera que os espartanos, ou lá quem raio eles eram, façam alguma coisa. É claro que eles em Tróia não tinham televisão, ou internet, ou cd's a dar com um pau. E meter um cavalo nesta história faria muito pouco sentido. Pensando bem, Tróia é uma analogia bastante estúpida.
Fuck it.
Amanhã volto ao trabalho. É a única coisa positiva acerca deste cerco. Quando um gajo está mesmo fodido, torna-se mais selectivo acerca das merdas que deixa que o atinjam.
Está um tempo marado. Um calor do caraças e não parou de chover. As gaivotas ficaram loucas e chocaram de cabeça no asfalto da auto-estrada.
Avariou o computador que tinha ido buscar para substituir o que tinha avariado. E o estore do meu quarto revelou um buraco do tamanho do Grand Canyon, que deixa entrar a luz. Viva a decadência das coisas. De todas as coisas.
Tenho o meu gato na cama, uma companhia nada menos que salvadora.
Amanhã voltamos ao buraco.
E o cerco promete continuar.

Buy the ticket, take the ride.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Será?

As sondagens dão sempre ao CDS um terço do que eles efectivamente têm depois. Segundo um amigo meu, isso é porque as pessoas têm um bocado de vergonha de dizer que votam CDS (eu também teria) mas que, sozinhas perante o boletim, lá metem a cruzinha.

Será o CDS o guilty pleasure de Portugal?
E como se nada fosse

Passaram-se poucos dias das eleições, em que Sócrates e companhia levaram uma tareira descomunal, mas o país está noutra. Entre o Quique, as sardinhas, as mini-férias ou o BPP, já ninguém fala no assunto. É por estas e por outras que nunca deve menosprezar o nosso primeiro, que manipula a agenda mediática como ninguém, mesmo que às vezes seja só uma questão de coincidências. Ao pé dele, a Ferreira Leite é, de facto, uma menina de coro.
Quanto aos resultados.
Derrota estrondosa do PS, que conseguiu escolher o pior candidato possível, que acumulou uma série de gaffes desnecessárias. A culpa não é do Vital, tal como a derrota não é só dele. É um bocado como o FC Porto, qualquer treinador chega lá e ganha, desde que não seja demasiado mau, e o Vital conseguiu ser pior do que o Jesualdo.
De salientar que o PS ganhou em apenas dois distritos em todo o país, exactamente o mesmo que aconteceu...com a CDU. O resto foi laranjada. Eu continuo a achar que os tugas são, por default, laranjinhas, só que de vez em quando zangam-se. Quando as coisas voltam ao normal, toma lá Cavaquistão all over again.
O discurso de Sócrates, na noite das eleições, foi absolutamente medíocre. Palminhas para a JS, palminhas para o Vital, uma intervenção completamente a olhar para dentro do partido. Se havia um líder de quem se poderia esperar um discurso de homem de Estado, naquela noite, seria Sócrates. Mas isso não aconteceu. Dele, apenas um discurso com ar amargurado de quem se sente traído pelo povo que não entende o quão genial ele é. Para o futuro, apenas uma ideia: vamos manter o rumo.
Sócrates é o anti-Guterres. Nada aprende porque nunca erra. No dia em que admitir uma falha, uma dúvida, sequer, é o fim do Mito de Sócrates, o Infalível.
O PSD teve uma vitória, foi agressivo no discurso, mas está a falar demasiado grosso para quem só ganhou a Taça da Liga. E aquela de dizer que o Governo ficou sem legitimidade para tomar decisões estruturantes para o país é um bom bluff, mas não passa de um bluff. Até ao dia em que termine o mandato, a legitimidade do Governo é absolutamente a mesma.
O Bloco teve um grande resultado, conseguindo eleger aquele tipo irritante dos óculos, mas nunca na vida conseguirá segurar esta posição nas legislativas.
O PC, de quem se disse que teve um péssimo resultado, não esteve tão mal assim. Manteve o número de deputados, ficou acima dos 10% e a cerca de 2 mil votos do Bloco.
O CDS mostrou que, mais uma vez, as sondagens não o sabem medir. Confundindo completamente europeias, legilstivas e caso BPN, deu mais uma prova de resistência.
Uma palavra para a Laurinda Alves. A cara do MEP convenceu mais de 50 mil tótós a dar-lhe o seu voto. Atenção, é perfeitamente legítimo votar na senhora. Tendo em atenção a grande maioria das alternativas, é altamente legítimo. Se mantiver este resultado nas legilstivas, a Laurinda pode ser eleita para o parlamento. O que irá propor lá? Terapia dos abracinhos? A senhora irrita-me, mas é refrescante que surjam novas coisas.
A abstenção foi elevada mas não tanto como certos catastrofistas previram. Sem a desculpa da praia, claramente é o desinteresse total. Quando fui votar, só vi velhos, o que mostra que os putos claramente não querem saber. De salientar muitos, muitos votos brancos e nulos. É a forma de certa de protestar, não simplesmente ficar em casa.
Os próximos tempos vão ser interessantes.
Confesso que nunca tinha ficado tão contente com uma vitória do PSD. A ver como o Sócrates se adapta a esta nova realidade. Suspeito seriamente que continuará igual. e isso é bom, porque nem vai cheirar a maioria absoluta.

sábado, 6 de junho de 2009

A campanha

Pois, diz que a campanha acabou e hoje é dia de reflexão. Bom, mas francamente, alguém ainda precisa de reflectir?
Desde o princípio desta merda, tinha como absolutamente certo em quem, de certeza, não votaria, e cheira-me que, nestas eleições, isso é um bocado o mais importante.
Há um facto fundamental nestas eleições, e duas personagens.
O facto é, sem dúvida, se ter discutido tudo menos a Europa. Aliás, a única vez que se falou da Europa foi sem querer. Foi quando o Avô Cantigas falou do imposto europeu, perdendo 50 mil votos com uma simples frase, e depois desdizendo-se afincadamente.
Em termos de personagens, destaco o Paulo Rangel e o próprio do Vital. Foram a alegria deste circo.
Rangel revelou-se um bom político. Um tipo agressivo, inteligente, rápido a atacar e a explorar os erros dos adversários (ok, com o Vital até era fácil). Uma agradável surpresa, e a primeira coisa de jeito a sair da "cantera" laranja em muitos anos (o Passos Coelho não conta, no fundo não passa de um Santana Lopes mas a armar ao sério). Neste campanha, admito que Paulo Rangel fez muito mais pelo PSD do que eu julgava possível.
E depois há o Vital Moreira, a verdadeira alma da festa.
Foi uma lufada de ar fresco, pelo absoluto burlesco da sua actuação. Desde o imposto europeu ao caso BPN, passando pelo anúncio da abertura das minas erradas e, claro, sem esquecer o seu fim de semana radical, em que começou no primeiro de Maio a ser expulso e acabou a descer o rio Minho em rafting, de calças de licra e tijela de corn flakes na tola. Vital é um desastre ambulante. é também um vaidoso incurável, porque só assim consigo entender como se meteu nestes assados. Continuo a tentar perceber que raio de slogan ele tem, quando grita, do alto do palanque "A Europa é...", e espera que o público lhe responda. Mas o público responde baixinho e não se ouve a resposta, e a coisa fica apenas bastante ridícula.
Foi também mais um exemplo da forma de fazer política do PS. Tentou fazer destas eleições um teste à oposição, quando é exactamente o contrário. Passou todo o tempo a atacar a oposição, mais nada. Ideias, nada. Por outro lado, continua o regabofe de termos ministros deste país em campanha, a participar em comícios. Sobretudo em tempos de crise, eu diria que lhes pagamos para eles estarem a trabalhar, a resolver problemas do país, mas enfim...
A CDU fez a campanha do costume, sem altos e baixos. Vai ter um bom resultado. O ponto baixo foi saber-se que Ilda Figueiredo, cabeça de lista, é ao mesmo tempo vereadora e candidata a Gaia. Tal como faz o PS, é um péssimo princípio, e não esperaria tal coisa do PC.
O Bloco vai crescer, capitalizando o descontentamento, embora a campanha nunca tenha realmente aquecido. Miguel Portas é aquele tipo que fuma ganzas, que toda a gente conhece, mas que nunca ninguém tinha realmente ouvido com atenção. Infelizmente, ele de facto não tem nada de interessante para dizer.
O PP fez uma boa campanha, dentro do género, com o super-agressivo Nuno Melo a aproveitar o facto de liderar a investigação ao BPN. Mas é um partido que já perdeu há muito o comboio, sobretudo porque, na verdade, concorda com tudo o que Sócrates faz.

Disclaimer: o meu voto vai para a CDU.

PS - Li no Público uns tipos, muito indignados, porque foram recenseados automaticamente, sem serem informados. Um deles tinha uma T-shirt, que dizia "Recenseados à força". Well, well, well. Se não querem votar, muito bem, é o vosso direito. E, se estou a pensar bem, podem perfeitamente continuar sem votar mesmo que estejam recenseados (é o que vai acontecer com metade deste país nestas eleições). A única coisa que isto muda é tirar-vos o rótulo cool (e eu duvido seriamente que isso seja cool) de "eu nem sequer sou recenseado". Vocês não são assim tão importantes. Get over it.
Cidade

Como todos os gajos que conheço, odeio dar dinheiro a arrumadores. Aliás, prefiro andar mais 500 metros ou mais do que dar dinheiro a esses gajos. Há algo de bizarro em pagar por nada. Ou seja, a gente vê o lugar, o carro cabe, na boa, mas depois aparece um tipo vindo não se sabe de onde, de jornal enrolado na mão, dando-se um ar importante de quem é dono do lugar e, por sorte tua, está disposto a deixar-te estacionar ali, por um preço. É uma farsa, na verdade. É um joguinho. Ele sabe que não serve para nada, que não está ali a fazer nada, e o condutor também sabe. Mas fazem aquele teatrinho, porque sim. O agarrado porque é agarrado e quer fazer uns cobres, os condutores porque têm medo, às vezes nem sabem bem do quê. (É relativamente fácil dar porrada num agarrado, é só agarrar pelo braço e destacar pelo picotado).
Mas hoje dei dinheiro a um.
Era o arrumador mais empenhado que alguma vez vi. Ia a entrar numa praceta, que tinha apenas um lugar que eu já tinha topado. Assim que faço o pisca, zás!, sai-me um gajo de um lado qualquer, a correr desalmadamente para o lugar. Mas corria com técnica, com afinco, como se fosse um corredor olímpico de 100 metros. Era um monhé com ar atarantado. Ia-se espetando já a chegar ao lugar mas, ali chegado, travou de repente e colocou-se muito hirto, muito composto, quase com ar de mordomo inglês, e limitou-se a agitar o seu jornaleco muito ao de leve.
Não sei se era agarrado e precisava do meu euro para finalmente ir dar no caldo. Só sei que ele mereceu o meu euro.
Fez-me rir, o cabrão.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Catcher in the rye

Uma notícia de jornal surpreendeu-me hoje. JD Salinger, escritor norte-americano autor dessa obra-prima chamada Catcher in the rye, está a processar um escritor nórdico que escreveu um livro inspirado na obra mais conhecida de Salinger. A minha grande surpresa foi saber que Salinger ainda estava vivo. Deixou de escrever em 1965, tornou-se recluso do mundo e nunca mais se soube de nada.
E fez-me ter pena de ele nunca mais ter escrito nada, pensar o que o mundo terá perdido. Um autor deste calibre, que vive há mais de 40 anos sem escrever, parece-me um crime contra a humanidade.
Quanto ao livro do escritor sueco, espero que escape aos processos. Os mestres também servem para isto, para incentivar outros a fazer alguma coisa. E se o próprio mestre não escreve, percebo o esforço de um fã (o livro do sueco é dedicado a Salinger) em trazer de novo à vida, e a novas aventuras, as personagens tão marcantes que Salinger deixou em livro.
E é sempre uma boa oportunidade para meter as pessoas a falar do escritor. Eu próprio, fã mais que assumido, fiquei a saber que o senhor ainda vive, e que é obcecado com a defesa dos royalties da sua obra.
Não importa.
Nas Fnac temos as edições dos poucos livros que escreveu. Qualquer um vale a pena.
FONIX!!!

Erica, a Pinderica says:
. fonix
. no feicebu
O Homem-Esplanada says:
. ???
Erica, a Pinderica says:
. aparece-me logo o markl para adicionar como amigo
. credo!!!
O Homem-Esplanada says:
. ahahhahahahhahahahhahahah
Erica, a Pinderica says:
. ca noijo
. nem gosto de mamas!!
O Homem-Esplanada says:
. AHAHHAHHAHAHHAHAHHAHAHHAHAH
AHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHHA

terça-feira, 2 de junho de 2009

Só é pena não teres jogado no Benfica!



O adeus de Figo ao futebol profissional. Grande, grande jogador! Quem esquece a raça deste homem no jogo contra a Holanda no Euro 2004?

Depois de Rui Costa, o último dos moicanos retira-se. Agora com tanta visibilidade a nível internacional só o CR7, mas falta-lhe muito para chegar ao nível destes dois, porque ser campeão não é só ter jeito para dar uns toques.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um raro aplauso

Desta vez, tenho de aplaudir o Governo. Não o faço sem algum repúdio, mas acaba de ser tomada uma verdadeira medida de esquerda e, eventualmente, a medida mais importante alguma vez decidida por este tecnocrata Executivo.
A partir de hoje, os reformados que tenham de reforma menos de um salário mínimo, têm direito a uma comparticipação de 100% do Estado no custo de medicamentos genéricos.
Não é o pagamento total em todos os medicamentos, mas é um sinal muito importante.
Um milhão de reformados sem posses, entre eles a minha mãe, podem deixar de ter de pagar os seus medicamentos, desde que os médicos lhes prescrevam genéricos. O objectivo declarado é incentivar o consumo dos genéricos. Pouco me importa a intenção. Só sei que é uma medida de grande impacto, beneficiando a franja mais injustamente excluída da nossa sociedade.
E isto é importante.
E é de aplaudir. Precisamos de mais.
Não é de TGV's e nacionalizações de bancos.