terça-feira, 27 de março de 2007

Always Look At The Bright Side

Não partilho da celeuma à volta da eleição do Grande Português. Advogou-se que Portugal era um povo de gente pequenina, inculta e ileterada, quando eu penso precisamente o contrário. Mais de 30 anos passados sobre o 25 de Abril, temos alguns sinais de crescimento intelectual. Por exemplo: Salazar ganhou a sua primeira eleição democrática.
Odete, essa...

Essa parte da Odete está mal contada. Realmente ela babou-se, mas não foi um dente, acho que foi um bocado de cuspo, tipo daquele nojento que o Cavaco cria no cantinho da boca e foi logo na primeira intervenção.

Não consigo perceber a escolha dela para fazer de "advogada" do Cunhal, a meu ver acabou por não ajudar em nada a votação no grande timoneiro português. É muito facciosismo junto, era como se tivessem metido o Hermano José Saraiva a advogar o "Baltazar". Infelizmente, a mulher é cada vez mais uma anedota de si própria!

Houve 214.972 chamadas recebidas sendo que só 159.245 votos foram validados, segundo o site da RTP que justifica:
" A diferença entre os votos válidos e as chamadas recebidas é resultado, da alteração do sentido de voto e, da aplicação do regulamento do programa, isto é, considerar apenas um voto por cada número de telefone."
Isto quer dizer que dos 159.245 votos, 63.698 são os 41% do Salazar. Epá, ainda é muita alminha parva e olhem que o 25 de Abril foi feito com três gatos pingados. E se deste 63.698, 41% forem das forças armadas até tinha a sua piada, mínima, mas tinha...

Ainda ontem o telejornal noticiou a crescente tentativa de infiltração de movimentos de extrema direita nas associações de estudantes. Não acredito numa volta do fascismo mas a memória é curta, a insatisfação cresce e estas bestas até podem causar alguns problemas.
Scolari, esse pequeno tuga

Sim, demos uma ganda coça aos belgas. Sim, jogámos comócaraças, os putos são muita bons, etc.
Sabemos tudo isso.
E o que disse o Scolari? "A jogar assim, estaremos no Europeu".
Como quem diz, se comeres a sopa toda levo-te ao Jardim Zoológico do domingo.
Já antes, Scolari, esse grande estatega do esférico, se havia recusado a dizer que Portugal era favorito contra a Bélgica.
É preciso dizer uma coisa: a Bélgica é uma merda. Sempre foi, sempre será, e nós agora somos melhores do que nunca. Ganhar à Bélgica é o mínimo, aliás, é mais fácil do que o Scolari aprender o hino.
Temos uma grande equipa? Claramente.
Temos a melhor equipa do mundo? Podemos lá chegar.
Temos hipótese de ser campeões da europa, do mundo, ou cá do bairro? Muito dificilmente.
Porque o Scolari é treinadorzinho de equipa pequena. É o chorão que finge sempre que ganhar ao Lichenstein é uma tarefa colossal, porque não sabe transformar os melhores jogadores do mundo numa equipa com a ambição de ser a melhor do mundo.
É por isso que chegamos aos torneios e começamos logo a dizer que um empatezito no primeiro jogo não seria mau. É por isso que vamos jogar com a França ou com a Alemanha e entramos a perder, apesar de sermos melhores.
Apesar de toda a qualidade, não chegaremos lá. Porque Scolari continua a pensar que Portugal é um país em que as mulheres têm todas bigode e os homens são todos padeiros. Que adoram Roberto Leal e vão todos à missa. Que continuam a pedir desculpa por existir e que só sabem agir assim, pequeninos, encolhidinhos, pedindo desculpa por existir.
Scolari, tu és um pequeno tuga. E assim é mais difícil.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Salazar, esse grande tuga

Ah poisé!
E não é que o velhadas lá ganhou aquilo?
Fónix, mén!
Não há que atribuir demasiada importância ao caso, afinal é apenas um programa de televisão, um actor dos morangos com açúcar esteve entre os 100 mais, ninguém se deu ao trabalho de votar naquilo, etc e tal.
As reacções exageradas só fazem pior, porque dão importância aos parolitos que gastaram o ordenado em sms, tipo PNR's e outros que tais. Sobretudo, há que evitar arrancar cabelos por causa de uma votação nada representativa. (Já agora, contaram-me que a Odete ficou tão furiosa com o resultado que acabou por "babar um dente" e ficar com ele no lábio enquanto gritava. Alguém viu isto ou é só um mito urbano?).
Com todas estas cautelas, há algumas coisas que podemos tirar desta votação.
1 - O tuga é pequenino.
Somos pequeninos, pronto. Queremos um paizinho, porque o paizinho não faz mal a todos, só aos que fazem maldades. E aos comunistas, prontos. Não é grave.
2 - O resultado diz mais da sociedade e dos políticos que nos regem do que dos portugueses ou do Salazar. Porque acredito que parte dos votos não vieram do PNR & companhia, mas sim de tugas parolos normais, do Zé e da Maria, que decidiram agora fazer o seu voto de protesto, porque não aparecer às eleições já perdeu a piada.
Voto de protesto por verem a sucessão de políticos e tudo ficar na mesma ou pior, e eles a encherem-se. Metem-lhe à frente o conto de fadas (de terror, mais realmente) do velhinho que amava muito a pátria e até morreu pobre, e pronto, tá feito.
Não chega a ser triste. É só parvo.

O meu voto?
Claramente Fernando Pessoa.
O Verdes Portugueses

Confesso-me um bocado decepcionado com o resultado de Os Grandes Portugueses. Aristides Sousa Mendes merecia o primeiro lugar, porque era um homem à frente do seu tempo. Foi um dos primeiros portugueses com preocupações em cumprir o Tratado de Quioto que, à altura, nem sequer tinha sido redigido. Lembremo-nos que este homem, sozinho, poupou a emissão de 30 mil judeus para a atmosfera.

terça-feira, 13 de março de 2007

Deixem conduzir o Mantorras

Se o Mantorras conduzir como joga no Benfica não vejo grande problema. Aquece o motor, dá umas voltinhas ao quarteirão durante 10 ou 15 minutos, umas quantas aceleradelas e depois volta para a garagem.

sábado, 3 de março de 2007

O capitão

Morreu o Bento. Manuel Galrinho Bento, o tipo do bigode e gémeo do polícia maluco da Balada de Hill Street.
Neste momento, em que a nação benfiquista está de luto, recordaram-se histórias do melhor guarda-redes português de todos os tempos.
Desde o jogo em que, contra o Torpedo de Moscovo, defendeu dois penaltis e marcou o decisivo (ouviste Ricardo? não passas de um macaquinho de imitação), passando pela forma como assumiu a defesa de todos os jogadores da selecção nacional em Saltillo, até ao soco desferido em Manuel Fernandes, glória do Sporting e colega de selecção, resolvendo tudo no dia seguinte, com uma almoçarada a dois.
Nascido na Golegã, Bento era sobretudo um produto do Barreiro. Um jogador empenhado, corajoso, habituado às dificuldades da vida. E tinha um coração enorme, aquilo que, na prática, o distinguiu de todos os outros.
O "Público" chamou-lhe "o mais destemido guarda-redes português", e era verdade. Mas era também o melhor. Vítor Damas, o outro histórico, era talvez mais talentoso e sobretudo mais elegante no seu estilo. Mas Bento era o Maior. Gritava incessantemente com os colegas de defesa. Obrigava-os a estar alerta, porque sabiam que se Bento levasse um golo por culpa de algum deles iam levar com os gritos daquele bigode durante toda a semana seguinte. Metia a cabeça onde outros não metiam os pés. Porque era o Bento, porque era o guardião do Glorioso, porque aquela camisola representava tudo, a sua casa, a sua vida.
Ainda o vejo na baliza, uma presença intimidatória apesar dos seus 1,73 mt. Encostadas às redes, guardava umas luvas suplentes, lá dentro um pedaço do corno esquerdo de uma vaca, quem sabe a ligação supersticiosa à terra onde nasceu, um símbolo de onde veio, e de nunca se esqueceria.
Como disse agora o emocionado Toni, a partida de Bento "é como um soco na alma".

Descansa em paz, campeão.

Manuel Bento jogou 18 épocas no Benfica, conquistou 8 campeonatos, 6 taças de portugal e duas supertaças. Foi internacional por Portugal em 63 ocasiões.
Salazar e os freaks dos cães

E, de repente, a linda terrinha de Santa Comba Dão volta a estar sob os olhares do Universo.
A instalação de um museu sobre Salazar e o Estado Novo, na terra natal do ditador, levou à junção, em ambiente tenso, de centenas de "anti-fascistas" e de outras centenas de "Salazar lovers".
Do lado dos "anti-fascistas", uma cambada de velhadas que sofreu na pele o jugo do ditador e do seu sistema, bem como alguns freaks dos cães e jotas afins; do outro, os chamados "populares", que estavam sobretudo preocupados com o facto de "essa malta não ser daqui". Houve ainda uma senhora, aparentemente com menos de 40 anos, que fez questão de se exibir para as câmaras de televisão com gritos de "Viva Salazar". Pior que isso só o xailinho que trazia ao pescoço, que já não se usava no tempo de Salazar.
Brilhante.
Alguns apontamentos, como diz o professor Marcelo.
Em primeiro lugar, os protestos contra a instalação de um museu. Só lá vai quem quer e, para além disso, uma figura de tal forma marcante na sociedade portuguesa justifica um museu, na minha modesta opinião. Tentar impedir a sua instalação é, também isso, uma forma de fascismo.
Depois, desta vez nem sequer apareceram os três neo-nazis de Portugal. Só os velhos de Santa Comba, orgulhosos do seu preconceitosinho contra o que não é da sua terrinha, sobretudo se for de Lisboa.
Tudo isto mostra que Portugal precisa ainda de muitas sessões no divã para resolver questões como Salazar e a guerra colonial, por exemplo.
E mostra, sobretudo, que este cantinho à beira mar plantado continua bastante ridículo.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Batman & Robin



Terá sido pura coincidência o regresso esta semana em simultâneo do "Duo Maravilha - Santana-Morcego & Passarinho-Portas"?

A Direita será salva dos horripilantes e temíveis "Joker-Mendes e do Enigma-Ribeiro e Castro".

Que armas novas e planos deslumbrantes, congeminaram os nossos Super-Heróis na sua "Caverna-Morcega", que sita ali para os lados da retrete da Kapital?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Uma parolice conveniente

A cerimónia dos óscares foi dominada pelo Al Gore, o tipo que tem uma mensagem. Para além da música fatela cantada pela Dina deles (ganda vómito de cançoneta), ganhou outros prémios, e o Gore lá se pavoneou pelo palco e pela plateia, todo inchado (literalmente).
Fiquei chocado a tomar consciência de que o aquecimento global, esse fenómeno que o resto do mundo já conhece e dá por provado há muitos anos, é agora visto como uma novidade pelos americanos, a revelação de um segredo que só Al Gore sabia. Na verdade, à pala deste documentário, o assunto está a tornar-se moda, como as operações às mamas (benditas sejam) e a dieta de Atkins. Os camones são assim, precisam que uma coisa se torne cool para, pelo menos durante cinco minutos, lhe dar o mínimo de atenção.
Nem que seja por isso, ainda bem que "Uma verdade inconveniente" está a ter toda esta exposição.

E já agora, como pode ser Al Gore o porta-voz deste assunto? Um gordalhufo daquele tamanho é bem capaz de libertar uns quantos gases para a atmosfera.......
Ah pois é.........

Fátima Felgueiras começou ontem a ser julgada. Entre outras pérolas, a senhora revelou ser perfeitamente natural a existência de sacos azuis em campanhas eleitorais e que, naturalmente, nada fez de errado.
Mas disse mais.
Disse, nomeadamente, que é a "autarca deste país mais preocupada com a lei".
De facto.
Tão preocupada que fugiu para o Brasil ao ser avisada de que seria detida, tão preocupada que escolheu um país sem acordo de extradição com Portugal.
A lei não só a preocupa, dá-lhe umas valentes dores de cabeça.
Já a vergonha na cara, aparentemente não.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

And the Oscar goes to...

Em todo o lado se lê que Martin Scorcese ganhou finalmente um Óscar, mas com um filme que não merece. Este "mas" é que me incomoda, para mim o Scorcese podia ter ganho até com o Desaparecido em Combate se numa realidade absurda o tivesse realizado, o que importa, de facto, é que finalmente resolveram distinguir o trabalho de um dos maiores realizadores de sempre. Se os critérios de avaliação, a importância ou timming das escolhas da Academia podem ser questionáveis, não nos podemos esquecer que para quem trabalha na indústria cinematográfica americana os Óscares são realmente importantes.

Devemos por isso ver esta consagração pelo ponto de vista de Scorcese. Alguém que como ele faz parte da máquina gigantesca de Hollywood, espera que o seu trabalho seja distinguido, talvez um punhado de realizadores independentes se esteja completamente a borrifar para os prémios, mas Scorcese é um realizador comercial e como tal há muito que esperava que o seu trabalho fosse recompensado. Ao perguntar aos amigos Spielberg, Lucas e Coppola se não queriam confirmar o nome no envelope mostrou de forma sarcástica o que realmente pensava.

Deveria sem dúvida ter ganho com o Raging Bull e Goodfellas, duas obras primas absolutas do cinema, mas foi com uma obra dita menor que acabou por ganhar. Mas o que é isso de uma obra menor, é óbvio que Scorcese não vê o seu último filme como tal, é de certeza o filme que pensou e quis fazer, talvez com menos liberdade criativa, talvez com mais pressões dos estúdios, não se sabe, isso são sempre factores inerentes a um processo criativo com objectivos comerciais mas no fim o trabalho feito é sempre uma vitória profissional e pessoal e por isso merecedor como qualquer outro de um prémio destes. Este é o único ponto de vista que interessa.

De salientar, ainda, nesta cerimónia a homenagem a Ennio Morricone um dos maiores compositores para cinema de sempre e o óscar para Gustavo Santaolalla pela banda sonora de Babel, depois de em 2006 ter ganho na mesma categoria com a banda sonora do Brokeback Mountain. Não vi o Babel, mas a banda sonora do Brokeback e a do filme Motorcycle Diaries que podia muito bem ter sido nomeada em 2005 são, sem dúvida, das melhores dos últimos anos. Embora o cinema seja essencialmente uma linguagem de imagens estes dois excelentes compositores demonstram que uma boa banda sonora é tão, ou por vezes mais, inesquecível que a experiência visual.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A verdadeira Musiquinha de Ir ao Rabo

Klaus Harmony, The Mozart of Porn.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Zeca

Andava a dar uma volta nuns blogues e deparei com um que tem um nome vagamente militarista e um link para a Revista Atlântico, não sei se estão a ver o estilo. E qual era o assunto do dia? Zeca Afonso, o folclore à sua volta e a sua suposta falta de qualidade.
É bem giro eu lembrar-me do 20º aniversário da morte de Zeca Afonso através de um blog de direita, o que se calhar até atesta bem da relevância do artista em causa. Alguns dos comentadores admitem que não entendem grande coisa da sua música. Talvez pela ausência dos refrões à Celine Dion?........
O autor da posta, um tipo com três nomes que escreve como se fosse o maior e toda a gente o conhecesse (a minha cultura de esquerda gera certas insuficiências, admito-o), gastou as pontas dos dedos a escrever sobre alguém que considera irrelevante.
E ainda bem.

José Afonso foi o artista português mais marcante na música popular portuguesa do século XX. Se calhar isso não chega, porque era comuna.
A sua obra inspirou praticamente todos os músicos de qualidade de hoje em dia, que andam por aí a tentar fazer alguma coisa pela música portuguesa. Pegando nas raízes tradicionais portuguesas, juntando toques africanos e arranjos simples mas por vezes revolucionários, ajudou a mudar por completo tudo o que se fazia até então.
E, para além disso, lutou pela liberdade, através da música, da cidadania, do seu exemplo.
Já lá vão 20 anos, Zeca.
E temos saudades tuas.
O cowboy nerd

Correia de Campos, o ministro da Saúde (acho que era este o cargo quando ele entrou, agora já não sei), anda armado em cowboy. Esse tótó já faz ameaças a torto e a dinheiro, na missão da sua vida que é deixar todos os cidadãos a mais de 250 metros de Lisboa sem assistência médica.
O tipo tem um plano, com o fantástico nome de Requalificação das Urgências.
Quando a gente ouve falar de requalificação, pensa que é uma operação para dar mais qualidade a qualquer coisa, não é? Pois, mas isso era dantes.
Na prática, esta "requalificação" significa fechar. Fechar tudo e depressa.
Felizmente, neste país ainda há quem proteste contra o que entende estar errado, e umas centenas de pessoas manifestaram-se esta semana. Aparentemente, a manif foi liderada pelo presidente da câmara de Chaves, que para Correia de Campos não tem legitimidade sequer para falar, porque é do PSD (se calhar o código penal mudou e isso passou a ser crime, já admito tudo).
Mais, o Xôr Ministro teve o desplante de, em conferência de impresa, ameaçar o dito autarca, dizendo várias coisas, naquele seu jeito tecnocrata de pacotilha:

1 - a manifestação "perturbou a ordem pública e a livre circulação dos cidadãos"

2 - a iniciativa, gravíssima, "interrompeu as negociações que o Ministério da Saúde estava a desenvolver".


Mas, qual Chuck Norris de oculinhos, Correia de Campos logo endureceu a linguagem, dizendo que o autarca "tornou a sua própria vida mais difícil" ao "contribuir para a movimentação" contra o fecho das urgências naquela cidade. Mais, nas alterações que o ministério está a estudar com os municípios, o Governo "olhará de forma diferente para este caso", devido ao endurecimento dos protestos durante o processo negocial.

Bem, ganda pinta.

Correia Chuck Norris de Campos explica assim que o povo de Chaves será, basicamente, prejudicado, porque o seu principal autarca quis fazer uma manifestação. A preocupação do governante não é, como é absolutamente evidente, dar bons cuidados a toda a gente, mas sim castigar quem levanta cabelo. Quanto à população de Chaves, bem, para a próxima escolham um presidente da câmara mais mansinho.
O tocador de lira

Sim, o nosso amigo Carmona.
A táctica do PSD tem sido bastante básica, já para não dizer velha. Deixam a coisa ficar feia e, depois, no último momento, sacrificam um peão insignificante para apaziguar a opinião pública. Foi assim com a vereadora do urbanismo, responsável por grande parte da merda que se tem feito em Lisboa (para não falar dos problemas da habitação, o grande cancro da cidade e que a senhora nem tentou resolver); depois a coisa aqueceu outra vez, e lá foi o Fontão de Carvalho. Este, o arguido que já o era mas que não o disse porque ninguém lhe perguntou (!!!), fez uma figura fantástica. Ainda por cima conseguiu enterrar ainda mais o Carmona, já que revelou que também este já sabia há muito que ele era arguido, mas que não considerou relevante comunicá-lo, nem sequer aos restantes vereadores. Muito interessante.
E lá foi o Fontão, obrigado a humilhar-se publicamente um dia depois de se ter feito de forte. Depois de um puxão de orelhas do PSD, este vereador que até é independente (?!), lá deu corda aos sapatos.
Quanto ao Carmona, está agarrado à cadeira que nem uma lapa. Saem dois, no problem, ele assume os pelouros. Resta saber quem vai ficar com todos os pelouros quando também ele for implicado, o que é apenas uma questão de tempo. Delegará em quem? Na Maria José Nogueira Pinto, que incrivelmente até consegue ter um ar respeitável ao pé do Carmona? No porteiro? No periquito?
Não sabemos. Mas sabemos que o PSD tudo suportará para não perder a câmara mais importante do país.
Entretanto, no meio destes jogos palacianos, Carmona e a oposição andam pseudo-zangados, mas ninguém se quer chegar à frente.
Lisboa arde, enquanto os senhores tocam lira.
Devem ser empregos bem pagos, realmente.......
Jardim

Ora então o Alberto João vai-se embora, né? Finalmente! Ah, não? Não vai? Então para que é que se demitiu?!
Ah, ok, por nada.
Assim já percebo.
É giro como um gajo que está sempre a chorar porque quer mais dinheiro se lembrou agora de fazer umas eleições-fantasma em que se gastarão mais uns milhares de euros do dinheiro das pessoas da Madeira e, já agora, também daquele que nós descontamos para alimentar as suas parvoíces.
Ele diz que, com a mudança da lei das finanças regionais, não tem dinheiro para fazer aquilo que estava no seu programa de Governo (como se na Madeira o que está escrito no programa influenciasse o voto seja de quem for, mas enfim). No entanto, vai recandidatar-se, ou seja, tem a certeza de que conseguirá governar o oceânico calhau com menos dinheiro.
Só peço aos madeirenses é que votem todos no Alberto João. Aumentem a sua maioria. Vamos, todos juntos!
Neste caso, realmente, cada um tem aquilo que merece (excepto os madeirenses que têm mais de meio neurónio, que já se deviam ter ido embora dali).

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

EPUL do Lobo!!!

E agora Sô Carmona???

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Deus Castiga!!!

Deus anda desleixado, mas não dorme. Ontem a plebe herege votou "Sim" a favor do aborto.

Hoje de manhã um tremor de terra.

E ainda não é meio-dia sequer.
Segunda tentativa de um rescaldo em cima da hora (depois de o meu computador se ter desligado – Ouviste João?! Tens que vir arranjar esta merda!!!)

Qual CNN qual SIC Notícias, rescaldo em cima da hora é no sempre fabuloso Vodka Atónito.
Vamos por partes, começando pelo mais importante.

1 – O Sim ganhou. Pronto. A lei será alterada e, em grande parte, acabaremos com uma desigualdade importante. Todas as mulheres, e não apenas as ricas, poderão abortar em condições de higiene e segurança, até às 10 semanas de gravidez. É isto que está em causa, e não é pouco.

2 – Em termos partidários, é naturalmente uma vitória para o PCP, para o BE e para o PS, visto que estava no seu programa eleitoral (pois, desta eles não se esqueceram, vá lá). Sócrates, principalmente, ficará grato por esta vitória, que lhe dá um balão de oxigénio em termos de opinião pública, e um argumento para fingir que, ao contrário de tudo o que está a provar, ainda é de Esquerda. Estou curioso para ver qual a bandeira que o BE vai arranjar agora, tendo em atenção o deserto de ideias que por ali tem grassado.

3 – O país continua absolutamente dividido, ainda que a Direita continue, lentamente, a perder terreno. Norte e Regiões Autónomas foram coutadas do Não. É um fenómeno indiscutível, que pode ter várias leituras, e que explica muita coisa.

4 – A vitória do Sim é apenas o princípio. A parte difícil vem agora, na forma de uma regulamentação eficaz e da preparação do nosso Sistema Nacional de Saúde. Veremos o que faz o nosso querido Governo, que tanto empenho tem demonstrado em destruir quaisquer possibilidades de um cidadão português ter cuidados de qualidade pagos através dos seus impostos.

5 – Apesar da mudança da lei, é absolutamente fundamental que seja criada uma verdadeira e efectiva rede de apoios às futuras mães que, passando necessidades, optem por ficar com os seus filhos. Esta é uma responsabilidade da qual o Estado não se pode demitir, e cabe a todos os bem intencionados desta campanha, de um lado e do outro, exigir estas medidas por parte de quem nos Governa. Porque também isso é a luta pela igualdade de oportunidades, que determina depois a liberdade de escolha, livre.

6 – O estado dos nossos cadernos eleitorais é deplorável. Estima-se que mais de 5% dos inscritos já morreram ou votam noutro país. Neste referendo, isso poderia fazer a diferença entre ser vinculativo ou não. De qualquer das formas, é sempre grave, e um sério sintoma de terceiro mundismo. Pagamos impostos, pagamos a 700 mil funcionários públicos, e para quê?

7 – O nível da abstenção foi, para mim, o verdadeiro facto político desta fantochada a que se chamou de referendo. É uma hipocrisia brutal os partidos (quase todos) que fizeram uma grande vitória pelo facto de mais gente ter ido votar do que há oito anos. Era mais que óbvio que isso aconteceria. O nível de abstenção continuou a ser, para mim enquanto cidadão, uma vergonha. Mais de quatro milhões de eleitores não foi votar. Não mexeram o cu para desempenhar essa difícil tarefa de fazer uma cruzinha. Da última vez era porque estava sol, e a malta foi toda para a praia. Desta estava de chuva, então foi tudo para o centro comercial, comprar dvd’s do Noddy e passear o fato de treino. Este povo, que é o nosso, foi o mesmo que fez a revolução, que andou em cima de tanques e a ocupar latifúndios, e agora é esta merda. Queixam-se muito, os políticos são todos uma merda, mas depois só querem é saber da sua prestaçãozinha Cofidis de ascensão à burguesia. Puta que pariu todos esses gajos. Espero que seja introduzido já o voto electrónico, para acabar de vez com a merda das desculpas, mas acho que nem assim lá vamos. Se calhar é mesmo verdade, a malta gosta de viver na merda. Desde que a merda tenha ecrã plano e possamos ir passar 15 dias ao Algarve.

8 – O referendo morreu. A instituição chamada referendo morreu. Por um lado, mais de metade das pessoas não apareceu, nem neste nem nos outros. Nós não queremos participar, não queremos decidir. Queremos que os outros decidam, que a gente a seguir diz mal, ok? Por outro lado, só a existência deste segundo referendo mostra que ninguém acredita neste instrumento, só serve para pseudo-legitimar uma decisão política que quem está no poder não quer assumir. O assunto foi referendado, e só voltou agora às urnas porque quem está agora no poder não gostou da resposta. O argumento foi que o primeiro não tinha sido vinculativo, mas este tão pouco o é. E então? Vamos ser coerentes e voltar a fazer um referendo, sobre o mesmo assunto, daqui a oito anos? É a mesma coisa que a consulta da Constituição Europeia, em alguns países: falhou, espera-se um pouco e pergunta-se outra vez, até ouvirmos a resposta que queremos ouvir. Isto só mostra que o referendo não serve para nada e mais, que o próprio povo não o quer, não tem nele qualquer interesse.
Como tal, deixem de gastar o nosso tempo e o nosso dinheiro inutilmente.
Abriria uma excepção para a liberalização da drogas leves. Aliás, deixo aqui a sugestão ao BE. Afinal vocês vão precisar de falar de alguma coisa até ao fim da legislatura, certo?

Viva a liberdade e esta merda de povo que somos.