Para uma resposta à crise
Deve haver um contrato social em que o rico partilhe dos ganhos do crescimento e o pobre partilhe também os custos das crises.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Excerto da minha autobiografia não autorizada
Estou na cama. O despertador toca mas não me apetece mexer-me para desligá-lo. Já não tenho sono mas também não tenho qualquer vontade de me levantar da cama. O despertador continua a tocar como uma ambulância. Uma luz branca entra pelos poros dos estores. Tenho vontade de mijar. A ideia de carregar com o meu corpo amarelo até à casa de banho faz-me dores de cabeça. Quem aguentou a noite toda pode aguentar mais um bocadinho. A cama está quente, o ar está frio. Enterro-me nos lençóis como se fosse um morto. O barulho do despertador está longe, muito longe. É bom ficar parado. Não fazer nada. Não pensar em nada. Como se estivesse a olhar para uma televisão desligada. E sinto um líquido amarelo e quente espalhando-se pelos lençóis.
Estou na cama. O despertador toca mas não me apetece mexer-me para desligá-lo. Já não tenho sono mas também não tenho qualquer vontade de me levantar da cama. O despertador continua a tocar como uma ambulância. Uma luz branca entra pelos poros dos estores. Tenho vontade de mijar. A ideia de carregar com o meu corpo amarelo até à casa de banho faz-me dores de cabeça. Quem aguentou a noite toda pode aguentar mais um bocadinho. A cama está quente, o ar está frio. Enterro-me nos lençóis como se fosse um morto. O barulho do despertador está longe, muito longe. É bom ficar parado. Não fazer nada. Não pensar em nada. Como se estivesse a olhar para uma televisão desligada. E sinto um líquido amarelo e quente espalhando-se pelos lençóis.
Excerto da minha biografia autorizada
Quando a minha mãe estava grávida, tinha o hábito um pouco desagradável de comer peças de roupa sempre que se sentia nervosa. Sempre pressenti que isso pudesse ter estado de alguma forma relacionado com o facto de eu ter nascido já completamente vestido com um pequeno estupefacto amarelo.
Quando a minha mãe estava grávida, tinha o hábito um pouco desagradável de comer peças de roupa sempre que se sentia nervosa. Sempre pressenti que isso pudesse ter estado de alguma forma relacionado com o facto de eu ter nascido já completamente vestido com um pequeno estupefacto amarelo.
Um país de felizes e competentes burocratas
Um homem (eu) entra numa estação de serviço. Escolheu aquela, da Galp, em detrimento de uma mais pequena, de bairro, porque esta só vende gasolina e velas, e não tem tabaco.
O homem entra pela porta que diz "Entrada", apesar da porta que diz "Saída" ser muito mais perto e ir dar directamente ao balcão, que é o seu destino. O homem não consegue evitar sentir que aquilo é estúpido, mas obedece à mesma porque da última vez que fez o contrário teve uma discussão de meio minuto com um mentecapto vestido de laranja.
Para chegar ao balcão, tem de fazer uma gincana digna dos antigos jogos sem fronteiras, por entre os dvd's de filmes de merda, os pacotes de batatas fritas, as revistas cor de rosa e os ambientadores de carro em forma de pinheiro. Finalmente chegado ao balcão, aproxima-se um serzinho vestido de laranja, com ar de enfado por estar a ser incomodado.
- Boas.
- Boa tarde. Diga.
- É a bomba 5 e um camel, se faz favor.
- Não temos camel. Só temos camel azul.
E aí o homem recorda outra discussão, tida numa BP cerca de um ano antes. Olha para trás do mentecapto e vê, no expositor, alguns belos maços amarelos de camel.
- Então isso que tem aí atrás é o quê?
- É camel, mas é do expositor.
Engraçado como as coisas estúpidas se repetem, quase da mesma forma.
- Então mas tem aí um, dois...seis maços de camel. Não pode tirar um?
- Não, não podemos. Mas temos camel azul.
- Deixe estar obrigado. Mas para que serve ter o tabaco aí se não o vende?
- É do expositor.
- Mas o expositor serve para expor o que há, certo?
- E normalmente há, mas hoje não. Estamos à espera.
- Deixe-me ver se percebi. Haver há, mas não pode vender porque está no expositor. E está aí para mostrar que há.
- Sim.
- Mas não há.
- Não. Agora não, estamos à espera.
O homem, ainda não calejado o suficiente para deixar de se surpreender com a estupidez humana, abana a cabeça e sai a rir-se. E sai pela "Saída".
Um homem (eu) entra numa estação de serviço. Escolheu aquela, da Galp, em detrimento de uma mais pequena, de bairro, porque esta só vende gasolina e velas, e não tem tabaco.
O homem entra pela porta que diz "Entrada", apesar da porta que diz "Saída" ser muito mais perto e ir dar directamente ao balcão, que é o seu destino. O homem não consegue evitar sentir que aquilo é estúpido, mas obedece à mesma porque da última vez que fez o contrário teve uma discussão de meio minuto com um mentecapto vestido de laranja.
Para chegar ao balcão, tem de fazer uma gincana digna dos antigos jogos sem fronteiras, por entre os dvd's de filmes de merda, os pacotes de batatas fritas, as revistas cor de rosa e os ambientadores de carro em forma de pinheiro. Finalmente chegado ao balcão, aproxima-se um serzinho vestido de laranja, com ar de enfado por estar a ser incomodado.
- Boas.
- Boa tarde. Diga.
- É a bomba 5 e um camel, se faz favor.
- Não temos camel. Só temos camel azul.
E aí o homem recorda outra discussão, tida numa BP cerca de um ano antes. Olha para trás do mentecapto e vê, no expositor, alguns belos maços amarelos de camel.
- Então isso que tem aí atrás é o quê?
- É camel, mas é do expositor.
Engraçado como as coisas estúpidas se repetem, quase da mesma forma.
- Então mas tem aí um, dois...seis maços de camel. Não pode tirar um?
- Não, não podemos. Mas temos camel azul.
- Deixe estar obrigado. Mas para que serve ter o tabaco aí se não o vende?
- É do expositor.
- Mas o expositor serve para expor o que há, certo?
- E normalmente há, mas hoje não. Estamos à espera.
- Deixe-me ver se percebi. Haver há, mas não pode vender porque está no expositor. E está aí para mostrar que há.
- Sim.
- Mas não há.
- Não. Agora não, estamos à espera.
O homem, ainda não calejado o suficiente para deixar de se surpreender com a estupidez humana, abana a cabeça e sai a rir-se. E sai pela "Saída".
É com estas que se vê como George W Bush tinha uma grande classe
Há políticos republicanos a acusarem o Presidente Americano de querer matar os idosos referindo-se à proposta de estender a comparticipação do Estado às consultas de cuidados paliativos. Barack Obama já respondeu: "Prometo não desligar o ventilador de nenhuma avó".
Há políticos republicanos a acusarem o Presidente Americano de querer matar os idosos referindo-se à proposta de estender a comparticipação do Estado às consultas de cuidados paliativos. Barack Obama já respondeu: "Prometo não desligar o ventilador de nenhuma avó".
Divulgação Científica
A comunidade científica descobriu recentemente que a credibilidade de uma afirmação de um político expressa vinte dias antes de um acto eleitoral é exactamente a mesma da afirmação de uma pessoa que, por se encontrar muito mal-disposto por ter bebido em demasia no dia anterior, jurar que nunca mais vai beber na vida.
A comunidade científica descobriu recentemente que a credibilidade de uma afirmação de um político expressa vinte dias antes de um acto eleitoral é exactamente a mesma da afirmação de uma pessoa que, por se encontrar muito mal-disposto por ter bebido em demasia no dia anterior, jurar que nunca mais vai beber na vida.
Propostas para reduzir o défice orçamental
Ontem, no Avante, depois de ter bebido duas caipirinhas e uma garrafa de vinho branco alentejano junto ao espaço do partido comunista chinês, lembrei-me que, em vez de se gastar inutilmente dinheiro dos contribuintes em kits para "soprar o balão", dever-se-ia medir o grau de alcoolémia de uma forma muito mais barata e igualmente precisa contando quantos segundos é que um condutor demora a entornar um copo sobre uma mesa.
Ontem, no Avante, depois de ter bebido duas caipirinhas e uma garrafa de vinho branco alentejano junto ao espaço do partido comunista chinês, lembrei-me que, em vez de se gastar inutilmente dinheiro dos contribuintes em kits para "soprar o balão", dever-se-ia medir o grau de alcoolémia de uma forma muito mais barata e igualmente precisa contando quantos segundos é que um condutor demora a entornar um copo sobre uma mesa.
domingo, 6 de setembro de 2009

O Disco da Minha Vida III
E aqui, meus amigos, entramos em território quase sagrado. Falamos dos Pulp, essa banda que, durante anos, foi a banda preferida de qualquer gajo que não podia com os U2 e torcia o nariz aos boçais (se bem que não totalmente desprovidos de talento) Oasis.
Estávamos nos 90's, terreno dominado pela Britpop, com tudo o que isso teve de bom e de mau.
Os Pulp não tinham nada a ver com a Britpop, apenas foram adoptados quando a maralha se apercebeu da maravilha weird que tinha entre as mãos. Desde o início dos anos 80 que o infatigável e mítico Jarvis Cocker brincava com uma banda chamada Pulp. O primeiro disco, "It", era uma coisa esquisita, entre o bucólico e o alucinado. Tem poucas faixas que interessem realmente, mas foi suficiente para mostrar que Jarvis via o mundo através de óculos especiais.
Seguiram-se vários álbuns bastante bons até ao início dos anos 90, quando, já com a formação clássica estabilizada, saiu o "His n Hers". O disco culmina o período pop dos Pulp, feito de canções de amor e frustração embebidas em sintetizadores e grande malhas. "Babies" e "Do you remember the first time" são os exemplos mais óbvios de uma coisa linda. Mas o melhor estava ainda para vir.
Foi em 95 que o mundo viu nascer "Different Class". Fica para a história como o disco de "Common People", que muito à Pulp é apenas a terceira faixa do album. Mas era muito mais que isso. Foi com este disco que os Pulp conseguiram fazer a síntese perfeita entre a pop doce e sintetizada do passado com o seu lado negro de rock inteligente. Resultado? Um disco que agrada imediatamente ao ouvido mas que, devido à profundidade das letras, do ambiente e das camadas sonoras das músicas, permite que vivamos nele anos e anos. E isto, meus amigos, muito poucos discos conseguem fazer.
Tantos anos vivi neste disco que consegui proezas fantásticas: amei e odiei e voltei a amar a mesma rapariga ao som dele, variando as músicas; deixei de conseguir ouvir uma das faixas, "FEELING CALLED LOVE", porque um bom amigo chorou a mesma rapariga ao seu som; entre outras coisas inconfessáveis sob pena de estragar de vez a minha reputação.
É um disco que me inspira a escrever de cada vez que o ouço. Cada música é um mundo, literário. E faz a perfeita síntese entre letra e música.
Very british, mas com um twist.
É música para frustrados, para voyeurs, para os que vêem a gaja boa escolher o idiota com caparro porque tem carro, para os que - mesmo que vivam no centro - sabem que vieram dos subúrbios, para os que são lousy in bed mas têm garganta à mesma, para os românticos deseperados que se refugiam na bebida e na poesia, para os que só conseguem não estar à margem enquanto dura a embriaguez.
Todo o disco, as 12 faixas, são excelentes, sem excepção.
Os destaques óbvios são "Common People", "Underwear", "Disco 2000", "I Spy" pela letra que é praticamente uma cartilha do mundo Pulp e, a minha preferida de toda a carreira do grupo, "Something Changed".
Depois disto, o "This is Harcore", em bom nível, e a seguir o "We Love Life", já mostrando o desgaste que levaria ao fim da banda.
O "Different Class" é, apenas, o melhor disco pop de todos os tempos, e deixa para trás maravilhas como "Parklife", dos Blur, ou "White Album" dos Beatles.
Quem não o conhece, agarre-o. Quem conhece, sacuda-lhe o pó.
Vale sempre a pena.
sábado, 5 de setembro de 2009
A sorte protege os cobardes
Por mais bem intencionado que eu fosse, nunca poderia ter pertencido a qualquer organização de resistência anti-fascista. Bastava um pide ameaçar-me que me iria cortar as unhas dos pés com um corta-unhas um pouco grande para eu chibar logo todos os meus camaradas, incluindo a minha avó.
Por mais bem intencionado que eu fosse, nunca poderia ter pertencido a qualquer organização de resistência anti-fascista. Bastava um pide ameaçar-me que me iria cortar as unhas dos pés com um corta-unhas um pouco grande para eu chibar logo todos os meus camaradas, incluindo a minha avó.
A aposta na ferrovia é absolutamente estratégica para o país
Às oito e oito esperava como sempre pelo comboio das oito e oito. Como sempre as pessoas tinham o seu pequeno canivete de viagem já aberto, preparados para a habitual luta por um lugar sentado. Hoje tive sorte. Levei apenas três cortes superficiais e consegui sentar-me no lugar dos deficientes.
Às oito e oito esperava como sempre pelo comboio das oito e oito. Como sempre as pessoas tinham o seu pequeno canivete de viagem já aberto, preparados para a habitual luta por um lugar sentado. Hoje tive sorte. Levei apenas três cortes superficiais e consegui sentar-me no lugar dos deficientes.
Como se chama a parte branca dos olhos?
Não sei porquê mas até hoje sempre que removo os simpáticos restos de comida alojados entre os dentes em sonhos faço-o sempre com uma faca de cozinha, mas sempre que estou acordado, e vejo um casal de góticos a passearem na rua num dia quente de verão, o homem veste sempre umas bermudas pretas muito justas, a mulher calça sempre umas botas da tropa extremamente práticas para o verão e o cão que passeiam é sempre totalmente preto menos na parte branca dos olhos.
Não sei porquê mas até hoje sempre que removo os simpáticos restos de comida alojados entre os dentes em sonhos faço-o sempre com uma faca de cozinha, mas sempre que estou acordado, e vejo um casal de góticos a passearem na rua num dia quente de verão, o homem veste sempre umas bermudas pretas muito justas, a mulher calça sempre umas botas da tropa extremamente práticas para o verão e o cão que passeiam é sempre totalmente preto menos na parte branca dos olhos.
O Partido Nulo é nosso
O que é que Angola e o Partido Nulo têm em comum? Absolutamente nada. Mas o facto dos que se opõem aos partidos apelando ao voto em branco terem constituído um partido fez-me, não sei porquê, lembrar que Angola queria resolver o problema da burocracia criando um ministério da desburocratização.
O que é que Angola e o Partido Nulo têm em comum? Absolutamente nada. Mas o facto dos que se opõem aos partidos apelando ao voto em branco terem constituído um partido fez-me, não sei porquê, lembrar que Angola queria resolver o problema da burocracia criando um ministério da desburocratização.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Velhismo
Ó se faz favor, desculpe estar a incomodá-lo mas receio bem que exista uma infestação de velhas naquela mesa. Há bocado havia uma, depois três, agora seis. Confesso que estou a ficar um pouco assustado. Podia fazer qualquer coisa, por favor? Tenho receio de ser esmagado por dezenas de velhas ao meu redor. E se a peste se alastrar lá para fora? Por favor, faça alguma coisa antes de ser já tarde demais... tarde demais... tarde demais...
Ó se faz favor, desculpe estar a incomodá-lo mas receio bem que exista uma infestação de velhas naquela mesa. Há bocado havia uma, depois três, agora seis. Confesso que estou a ficar um pouco assustado. Podia fazer qualquer coisa, por favor? Tenho receio de ser esmagado por dezenas de velhas ao meu redor. E se a peste se alastrar lá para fora? Por favor, faça alguma coisa antes de ser já tarde demais... tarde demais... tarde demais...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Happy, happy days
Meus amigos, com esta mensagem comemora-se o 3000º (como se diz isto?) post do Vodka. E conseguimos que esta mensagem especial não seja do amarelo a falar de piços.
E isso é bom.
Por isso, muitos parabéns a todos aqueles que, ao longo de seis anos, colaboraram com este tasco infecto mas honesto, e a todos os leitores.
(Algum) Respect
Hoje, o jornal da noite da TVI começou...pela TVI. A saída da Manuela Moura Guedes e da direcção de informação era claramente a notícia do dia. Depois de dada a notícia, e as acusações da oposição de interferência governamental, entrou no ar Miguel Sousa Tavares, a bater na administração da TVI. Há muitos motivos para dizermos mal da TVI, mas não acredito que qualquer outro canal em Portugal desse espaço a tal coisa.
É assim, para o bem e para o mal. E hoje, nisto, estiveram bem.
Hoje, o jornal da noite da TVI começou...pela TVI. A saída da Manuela Moura Guedes e da direcção de informação era claramente a notícia do dia. Depois de dada a notícia, e as acusações da oposição de interferência governamental, entrou no ar Miguel Sousa Tavares, a bater na administração da TVI. Há muitos motivos para dizermos mal da TVI, mas não acredito que qualquer outro canal em Portugal desse espaço a tal coisa.
É assim, para o bem e para o mal. E hoje, nisto, estiveram bem.
Ajudem-me, o Pedro Paixão tem neste momento uma arma apontada à minha cabeça
Todos os dias, quando ando no metro, há uma senhora que fala comigo. Com a sua voz delicada, avisa-me sempre qual é a estação seguinte. Quando a senhora me diz "estação terminal", estremeço sempre. Tenho sempre a sensação que anuncia o meu fim. Depois, levanto-me à pressa e diluo-me no meio da multidão.
Todos os dias, quando ando no metro, há uma senhora que fala comigo. Com a sua voz delicada, avisa-me sempre qual é a estação seguinte. Quando a senhora me diz "estação terminal", estremeço sempre. Tenho sempre a sensação que anuncia o meu fim. Depois, levanto-me à pressa e diluo-me no meio da multidão.
Não é só o Pacheco Pereira que apresenta um pensamento crítico sobre a blogoesfera
No trade-off entre uma punheta e a publicação de um post (sim, julgo ser extremamente difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo, apesar de existir alguma controvérsia sobre este assunto), a última revela-se claramente uma melhor escolha, em virtude de se gastar com ela menos lenços de papel.
No trade-off entre uma punheta e a publicação de um post (sim, julgo ser extremamente difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo, apesar de existir alguma controvérsia sobre este assunto), a última revela-se claramente uma melhor escolha, em virtude de se gastar com ela menos lenços de papel.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Recordações do estupefacto amarelo
Conheci no secundário um gajo que provavelmente era a pessoa com mais sentido de humor do mundo, só que dizia sempre as piadas uns segundos depois do momento apropriado, pelo que nunca ninguém se ria. Alguns anos mais tarde, foi encontrado espalmado como um boneco de plasticina de Vasco Granja, acabadinho de se atirar de um décimo quarto andar.
Conheci no secundário um gajo que provavelmente era a pessoa com mais sentido de humor do mundo, só que dizia sempre as piadas uns segundos depois do momento apropriado, pelo que nunca ninguém se ria. Alguns anos mais tarde, foi encontrado espalmado como um boneco de plasticina de Vasco Granja, acabadinho de se atirar de um décimo quarto andar.
Round 1
A semana está a correr bem a Sócrates. Primeiro foi a entrevista na RTP feita pela dócil Judite de Sousa. E ontem foi o primeiro debate, contra o duro Paulo Portas.
Já ouvi várias opiniões diferentes, mas a minha é que Sócrates ganhou claramente o debate.
Passo a explicar.
Portas entrou no debate para jogar para o zero a zero. Está numa posição complicada: precisa de se afirmar e ganhar votos, mas não quer alienar/atacar demasiado quer Sócrates quer Ferreira Leite. Por uma razão muito simples: está à espera de ser ele o fiel da balança, o partido que vai ajudar alguém a, através de uma coligação pós-eleitoral, assegurar estabilidade no poder. O problema é que, como no futebol, quem entra para empatar normalmente perde. E foi isso que aconteceu.
Sócrates vinha bravo, e ao ataque. Bem preparado por um batalhão de assessores, spin doctors e especialistas em marketing, baseou a sua estratégia em dois elementos que se repetiram ao longo do debate: enumerar medidas que tomou e comparar com a situação que havia quando Portas esteve no Governo. Tipo "hoje em dia 500 mil portugueses andam de skate, no seu tempo eram 12".
Isto meteu o Portas na defensiva, que passou o debate todo obrigado a responder a ataques, em vez de passar o tempo a atacar.
No fim, Portas lamentou-se que Sócrates acha mais importante debater o passado longínquo do que o que fez e não fez. Tem razão, é claro. Mas ficou a clara ideia de um Paulo Bento a chorar por causa do árbitro, o que mostra que Portas perdeu.
Infelizmente, apesar de não ser surpresa, o debate centrou-se apenas em ataques, com cada um a tentar mostrar que o outro é péssimo. Propostas para o futuro, medidas, nicles.
Vi um Sócrates renascido. Ainda à porta, quando lhe perguntaram o que esperava do debate com o "líder da Direita", deu o primeiro soco, respondendo que "não sei se isso é delicado para com a Dra. Manuela Ferreira Leite". Entrada a pés juntos direito ao menisco.
Depois de quatro anos ultra-liberais, agora centra tudo em mostrar-se de esquerda e encostar Ferreira Leite bem à direita (e as tiradas da senhora sobre a sacrossanta família também contribuem para isso).
Nos últimos tempos, creio que Sócrates ganhou novo fôlego. O marketing está a funcionar. Aparece como o gajo dinâmico, activo, da esperança, fazendo de Ferreira Leite a velhada, cansada, que transpira pessimismo por todos os poros. A verdade é que muito boa gente está a ir nesta cantiga e, na minha opinião, isso mostra que Sócrates está à frente.
Tal como Pinho depois dos corninhos, agora é bestial, e toda a gente se esqueceu da merda que Sócrates anda a fazer há quatro anos e meio.
Nada como um banho de marketing para enganar um povo que, realmente, quer ser enganado.
A semana está a correr bem a Sócrates. Primeiro foi a entrevista na RTP feita pela dócil Judite de Sousa. E ontem foi o primeiro debate, contra o duro Paulo Portas.
Já ouvi várias opiniões diferentes, mas a minha é que Sócrates ganhou claramente o debate.
Passo a explicar.
Portas entrou no debate para jogar para o zero a zero. Está numa posição complicada: precisa de se afirmar e ganhar votos, mas não quer alienar/atacar demasiado quer Sócrates quer Ferreira Leite. Por uma razão muito simples: está à espera de ser ele o fiel da balança, o partido que vai ajudar alguém a, através de uma coligação pós-eleitoral, assegurar estabilidade no poder. O problema é que, como no futebol, quem entra para empatar normalmente perde. E foi isso que aconteceu.
Sócrates vinha bravo, e ao ataque. Bem preparado por um batalhão de assessores, spin doctors e especialistas em marketing, baseou a sua estratégia em dois elementos que se repetiram ao longo do debate: enumerar medidas que tomou e comparar com a situação que havia quando Portas esteve no Governo. Tipo "hoje em dia 500 mil portugueses andam de skate, no seu tempo eram 12".
Isto meteu o Portas na defensiva, que passou o debate todo obrigado a responder a ataques, em vez de passar o tempo a atacar.
No fim, Portas lamentou-se que Sócrates acha mais importante debater o passado longínquo do que o que fez e não fez. Tem razão, é claro. Mas ficou a clara ideia de um Paulo Bento a chorar por causa do árbitro, o que mostra que Portas perdeu.
Infelizmente, apesar de não ser surpresa, o debate centrou-se apenas em ataques, com cada um a tentar mostrar que o outro é péssimo. Propostas para o futuro, medidas, nicles.
Vi um Sócrates renascido. Ainda à porta, quando lhe perguntaram o que esperava do debate com o "líder da Direita", deu o primeiro soco, respondendo que "não sei se isso é delicado para com a Dra. Manuela Ferreira Leite". Entrada a pés juntos direito ao menisco.
Depois de quatro anos ultra-liberais, agora centra tudo em mostrar-se de esquerda e encostar Ferreira Leite bem à direita (e as tiradas da senhora sobre a sacrossanta família também contribuem para isso).
Nos últimos tempos, creio que Sócrates ganhou novo fôlego. O marketing está a funcionar. Aparece como o gajo dinâmico, activo, da esperança, fazendo de Ferreira Leite a velhada, cansada, que transpira pessimismo por todos os poros. A verdade é que muito boa gente está a ir nesta cantiga e, na minha opinião, isso mostra que Sócrates está à frente.
Tal como Pinho depois dos corninhos, agora é bestial, e toda a gente se esqueceu da merda que Sócrates anda a fazer há quatro anos e meio.
Nada como um banho de marketing para enganar um povo que, realmente, quer ser enganado.
Estupidismo
Hoje de manhã quando estava no chuveiro descobri uma solução para o problema do défice de produtividade: como em Portugal a produtividade é inversamente proporcional à qualidade das relações entre os funcionários, basta que as chefias espalhem cirurgicamente intrigas entre todos os elementos da sua equipa.
Hoje de manhã quando estava no chuveiro descobri uma solução para o problema do défice de produtividade: como em Portugal a produtividade é inversamente proporcional à qualidade das relações entre os funcionários, basta que as chefias espalhem cirurgicamente intrigas entre todos os elementos da sua equipa.
Racismo
Hoje de manhã no chuveiro ocorreu-me a solução para erradicar a pobreza no terceiro mundo: abertura total das fronteiras. Quando os europeus de pedigree ariano até à vigésima quarta geração já não conseguissem jogar golf porque todos os buracos estão tapados por barracas de nigerianos, não resta outra alternativa aos governos ocodentais senão injectar milhões de euros no desenvolvimento do terceiro mundo.
Hoje de manhã no chuveiro ocorreu-me a solução para erradicar a pobreza no terceiro mundo: abertura total das fronteiras. Quando os europeus de pedigree ariano até à vigésima quarta geração já não conseguissem jogar golf porque todos os buracos estão tapados por barracas de nigerianos, não resta outra alternativa aos governos ocodentais senão injectar milhões de euros no desenvolvimento do terceiro mundo.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Por uma questão de economia de recursos, apelo a que, em simultâneo com as eleições legislativas, se coloque em referendo a seguinte questão:
"Concorda que a expressão «pé-cochinho», por atentar contra a dignidade dos cidadãos portadores de deficiência locomotora num membro inferior, seja interditada nos debates parlamentares?"
"Concorda que a expressão «pé-cochinho», por atentar contra a dignidade dos cidadãos portadores de deficiência locomotora num membro inferior, seja interditada nos debates parlamentares?"
União de estupefacto
No expresso desta semana, o Miguel Sousa Tavares manifestou a sua revolta para com a nova lei da união de facto, por esta forçar pessoas a aceder a direitos (pensões de sobrevivência, etc.) que nunca pediram a ninguém, uma vez que decidiram livremente não contratualizar a sua relação afectiva. Eu compreendo a sua indignação. Se o Estado Português me desse, sem me consultar, e sem eu nunca lhe ter pedido, o direito a usufruir livremente de quaisquer funcionárias públicas com menos de trinta e cinco anos e sem bigode que eu quisesse, eu também ficaria francamente revoltado.
No expresso desta semana, o Miguel Sousa Tavares manifestou a sua revolta para com a nova lei da união de facto, por esta forçar pessoas a aceder a direitos (pensões de sobrevivência, etc.) que nunca pediram a ninguém, uma vez que decidiram livremente não contratualizar a sua relação afectiva. Eu compreendo a sua indignação. Se o Estado Português me desse, sem me consultar, e sem eu nunca lhe ter pedido, o direito a usufruir livremente de quaisquer funcionárias públicas com menos de trinta e cinco anos e sem bigode que eu quisesse, eu também ficaria francamente revoltado.
Inquietação
Não me consigo decidir sobre qual a melhor maneira de conseguir escapar do meu emprego de burocrata de 1000€: arriscar um franchising dos Ornatos Violeta (como fizeram com razoável sucesso os "2008" e os "Dr. Estranho Amor") ou, se pelo contrário, optar pela alternativa com menor risco, abrindo um restaurante de rodízio de comida salpicada com coisas um pouco nojentas - como macacos do nariz, cera dos ouvidos e o cotão que fica preso nos pêlos do cu- para pessoas um pouco esquisitas, tudo à discrição por apenas doze euros e cinquenta.
Não me consigo decidir sobre qual a melhor maneira de conseguir escapar do meu emprego de burocrata de 1000€: arriscar um franchising dos Ornatos Violeta (como fizeram com razoável sucesso os "2008" e os "Dr. Estranho Amor") ou, se pelo contrário, optar pela alternativa com menor risco, abrindo um restaurante de rodízio de comida salpicada com coisas um pouco nojentas - como macacos do nariz, cera dos ouvidos e o cotão que fica preso nos pêlos do cu- para pessoas um pouco esquisitas, tudo à discrição por apenas doze euros e cinquenta.
Pequenos prazeres
Das coisas que mais me dão mais prazer na vida é pressentir que alguém está com pressa para levantar dinheiro no único multibanco que existe no raio de 15 Km e ir, calmamente, tecla a tecla, introduzindo as referências das cinco contas que tenho para pagar, como se fosse a primeira vez na vida que estivesse a mexer naquela coisa esquisita e simpática que nos cospe dinheiro.
Das coisas que mais me dão mais prazer na vida é pressentir que alguém está com pressa para levantar dinheiro no único multibanco que existe no raio de 15 Km e ir, calmamente, tecla a tecla, introduzindo as referências das cinco contas que tenho para pagar, como se fosse a primeira vez na vida que estivesse a mexer naquela coisa esquisita e simpática que nos cospe dinheiro.
Sócio Por 1 Dia...
Há colhões de anos - o colhão essa imensa unidade temporal - que não ia à bola. E nunca havera ido ao novo Estádio da Luz.
Foi preciso o mui estimado Little Bastard ter que ficar a trabalhar na mina de níquel que faz a Lusa Pátria avançar, para que tivesse ido assisir a um daqueles eventos que só acontecem de setenta em setenta e tal anos, um cometa ou outra merda assim.
Nada como uma bifana, mais de meio litro de cerveja em copo de plástico na rúlóte e uma cabazada daquelas à moda antiga para deixar um gajo feliz.
Isso e os apertos de mão e as palmadas nas costas dos sócios que são sócios, un scom bigode, outros não.
Little Bastard, mui vos agradeço... e as suas 16 (dezasseis) jolas o aguardam.
Há colhões de anos - o colhão essa imensa unidade temporal - que não ia à bola. E nunca havera ido ao novo Estádio da Luz.
Foi preciso o mui estimado Little Bastard ter que ficar a trabalhar na mina de níquel que faz a Lusa Pátria avançar, para que tivesse ido assisir a um daqueles eventos que só acontecem de setenta em setenta e tal anos, um cometa ou outra merda assim.
Nada como uma bifana, mais de meio litro de cerveja em copo de plástico na rúlóte e uma cabazada daquelas à moda antiga para deixar um gajo feliz.
Isso e os apertos de mão e as palmadas nas costas dos sócios que são sócios, un scom bigode, outros não.
Little Bastard, mui vos agradeço... e as suas 16 (dezasseis) jolas o aguardam.
Elogio à América- Parte II
Sempre gostei muito do sentido de humor dos americanos: "Nos anos 60 o Museu de Ciência de Chicago, que é um lugar muito respeitado, tinha montado uma exposição. O tema era uma aldeia vietnamita, à roda da qual se encontravam espingardas e era suposto que as crianças viessem brincar, pegando-lhes e disparando contra a aldeia." Tenho pena que hoje em dia a ditadura do politicamente correcto não permita que num qualquer respeitável museu americano se envolva a pequenada num delicioso jogo interactivo para ver quem arranca mais cabeças, braços e pernas de civis iraquianos com granadinhas de brincar.
Sempre gostei muito do sentido de humor dos americanos: "Nos anos 60 o Museu de Ciência de Chicago, que é um lugar muito respeitado, tinha montado uma exposição. O tema era uma aldeia vietnamita, à roda da qual se encontravam espingardas e era suposto que as crianças viessem brincar, pegando-lhes e disparando contra a aldeia." Tenho pena que hoje em dia a ditadura do politicamente correcto não permita que num qualquer respeitável museu americano se envolva a pequenada num delicioso jogo interactivo para ver quem arranca mais cabeças, braços e pernas de civis iraquianos com granadinhas de brincar.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A nossa (?) Selecção
E pronto lá vai o Levezinho jogar pela nossa Selecção. Nossa? Cada vez menos. Não são apenas os estrangeiros que por lá jogam, é também o nível de jogo praticado que não nos deixa vontade de ter nada a ver com aquilo.
Liedson é um grande jogador. Pode fazer toda a diferença nos jogos que faltam no futuro imediato e sim, é verdade que não temos pontas de lança de jeito (nem laterais esquerdos, quem será que vão naturalizar a seguir?).
Mas eu sou contra estas merdas, pronto.
E não me venham com a conversa dos clubes. Clubes são clubes, por algum motivo a Selecção NACIONAL joga com o nome de Portugal nas camisolas e canta o hino português quando entra em campo.
Isto não tem nada a ver com xenofobia ou nacionalismo. É uma questão muito mais simples do que isso: se não conseguimos ganhar com os jogadores portugueses, é porque não merecemos ganhar.
Estrangeiros na Selecção? Se for para o lugar do Queiroz ou do Merdaíl, venham eles. E já vêm tarde.
E pronto lá vai o Levezinho jogar pela nossa Selecção. Nossa? Cada vez menos. Não são apenas os estrangeiros que por lá jogam, é também o nível de jogo praticado que não nos deixa vontade de ter nada a ver com aquilo.
Liedson é um grande jogador. Pode fazer toda a diferença nos jogos que faltam no futuro imediato e sim, é verdade que não temos pontas de lança de jeito (nem laterais esquerdos, quem será que vão naturalizar a seguir?).
Mas eu sou contra estas merdas, pronto.
E não me venham com a conversa dos clubes. Clubes são clubes, por algum motivo a Selecção NACIONAL joga com o nome de Portugal nas camisolas e canta o hino português quando entra em campo.
Isto não tem nada a ver com xenofobia ou nacionalismo. É uma questão muito mais simples do que isso: se não conseguimos ganhar com os jogadores portugueses, é porque não merecemos ganhar.
Estrangeiros na Selecção? Se for para o lugar do Queiroz ou do Merdaíl, venham eles. E já vêm tarde.
Um sorriso
Nas últimas três visitas à Luz, presenciei duas derrotas e um empate.
Hoje, por estar a trabalhar, cedi o meu lugar ao meu bom amigo Idle Consultant, e assim perdi a maior goleada do meu Benfica em 16 anos.
Na televisão, foi um gosto ver uma equipa que transpira alegria, ataque, tusa pelo jogo, com um treinador a mandar a equipa subir quando esta já ganhava por 5-0. Podemos não ganhar nada, mas que alegria é ver o Glorioso jogar assim (mesmo que contra um Vitória com ares de equipa amadora). Que a equipa continue assim e que nos deixem mostrar em campo a nossa qualidade.
As contas fazem-se no fim, mas este sorriso, há tanto tempo ausente do meu rosto, já ninguém mo tira.
Nas últimas três visitas à Luz, presenciei duas derrotas e um empate.
Hoje, por estar a trabalhar, cedi o meu lugar ao meu bom amigo Idle Consultant, e assim perdi a maior goleada do meu Benfica em 16 anos.
Na televisão, foi um gosto ver uma equipa que transpira alegria, ataque, tusa pelo jogo, com um treinador a mandar a equipa subir quando esta já ganhava por 5-0. Podemos não ganhar nada, mas que alegria é ver o Glorioso jogar assim (mesmo que contra um Vitória com ares de equipa amadora). Que a equipa continue assim e que nos deixem mostrar em campo a nossa qualidade.
As contas fazem-se no fim, mas este sorriso, há tanto tempo ausente do meu rosto, já ninguém mo tira.
sábado, 29 de agosto de 2009

O disco da minha vida II
Teria de ser dos Xutos.
Percebo que os Xutos são um bocado como o Benfica, como tem muitos adeptos é cool dizer mal. E admito que custa a perceber qual o apelo dos Xutos para quem contacta agora com eles pela primeira vez, sem ter crescido com o seu som.
Eu cresci, e é também, ou sobretudo, por isso, que continuo a ser fã e a fazer o gesto ridículo dos braços cruzados.
Ó ié.
O disco em causa é o "78-82", o primeiro album da banda. Tem músicas feitas ao longo de quatro anos, o alinhamento era diferente do que é hoje. Zé Leonel tinha saído da banda (era vocalista) antes de gravarem qualquer disco, o que levou Tim a acumular as funções de baixista e de vocalista, até hoje. João Cabeleira, provavelmente o membro da banda que mais fez pelo "som Xutos", não constava ainda. O guitarrista era um tal de Francis, que não brilhava muito mas soava bem, de forma económica.
O disco saiu em 82 - eu tinha quatro anos - mas conheci-o bem mais tarde, provavelmente em 87 ou 88. Andava na preparatória de Oeiras e os Xutos foram a primeira banda rock, ainda para mais em português, que conheci. Naquela transição - ainda por cima para mim, que vinha de um colégio particular - o som duro, naif e diferente dos Xutos era tudo o que precisava para sentir que não estava só. Eu não tinha aparelhagem em casa, isto era muito antes da existência do CD, e lembro-me perfeitamente de como o disco veio parar às minhas mãos. É claro que já tinha ouvido falar dos Xutos, eles estavam a ganhar força mediática nessa altura. Eu tinha um daqueles gravadores de usar com o Spectrum - meses mais tarde ofereceram-me um mini-tijolo, daqueles pequenos e fininhos que só tinham um deck - e, como tal, só ouvia cassetes. No café ao pé da "ocupação de tempos livres" que frequentava - no qual o "professor" batia com a cabeça dos alunos no quadro de ardósia - havia um café chamado Belavista (será que ainda existe?), ali ao pé de Sassoeiros. E tinha uma daquelas coisas grandes e rectangulares com cassetes para venda. Mais de metade era Marcos Paulos e outras pimbalhadas, mas tinha também Elvis, Xutos, os Jackpots todos, etc. E aquela cassete dos Xutos (era um mini-album, não tinha sequer o disco todo), tinha uma capa branca, com a imagem dos Xutos em concerto, nem sequer era a capa original do disco (que por acaso é das capas mais foleiras que já vi).
Devido às boas notas e por ser genericamente um miúdo espectacular (ehehe) a minha mãe lá me comprou a cassete. Quando cheguei a casa, fui a correr para o quarto, fechei a porta, e fiquei lá até à hora de jantar, a ouvir. Não percebia tudo, não estava habituado àquele som. Mas a música era simples, directa, honesta e ingénua, e conquistou-me de imediato. Durante os anos seguintes, e ainda hoje, voltei muito a este disco, que tanto me ajudou.
É claro que o melhor disco de Xutos é o "Xutos ao Vivo", gravado no Restelo creio que em 88, mas este é especial pelo que me deu. Pouco tempo depois arranjei o maxi-single "Sétimo Selo" e depois saiu o "Album 88", e os Xutos deixaram de ser o meu segredo.
Depois, já na Secundária, quando estava ainda mais sozinho e muito mais inadaptado que antes, tornei-me amigo do Rapaz do Estupefacto Amarelo, numa amizade que ainda hoje dura. Tudo porque também ele era fã de Xutos, e foi daí que não mais parámos de descobrir música juntos.
Do disco, que neste momento roda no meu prato, limpinho de riscos que é uma maravilha, destaco alguns pontos. "Dantes", música de 81 que ainda adoro, que abre com a frase "Dantes, o tempo corria lento, meu"; "Mãe", também de 81, a primeira vez que ouvi algo de sexual numa música em português; "Medo", uma ode tenebrosa ao vício da heroína; "Viuvinha", que durante muito tempo foi a minha música preferida do disco; "Ave Maria", a música maldita e censurada, que é a única cuja letra não vem no disco; e, sobretudo "Quero-te", uma simples música de amor que tem o mais simples, ingénuo e eficaz solo de todo o rock português, que me leva de imediato ao sol, à infância e ao medo e gozo da descoberta de tudo. Lembra-me também uma visita de estudo à Foz do Arelho, onde vi pela primeira vez o grande amor da minha infância de bikini. E eu, a tentar interagir com ela e a meter-lhe areia dentro do fato de banho, sem saber que mais raio podia fazer.
E é isto. Eles ainda aí andam, no grande circo do rock n roll. Mas foi aqui que tudo começou para eles, e para mim também.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A fuga para a frente
Como qualquer fã de música que se preze, gosto muito de cd's. Gosto ainda mais de discos. E gosto do Mp3 apenas porque é de borla (não sejamos hipócritas) e muito prático.
Mas, apesar de ainda comprar cd's praticamente todos os meses, a verdade é que há cada vez menos incentivos para o fazer. A razão é simples: os cd's são caríssimos e a alternativa de borla está apenas à distância de um clique.
Agora várias editoras têm um novo mega-plano para salvar a queda da venda de albuns.
É simples. Vais à loja, compras um ficheiro num suporte informático (uma pen, por exemplo), ou compras o ficheiro na net, e depois é só meter no computador. O truque é que isto agora trará, para além das músicas, imagens, vídeos, letras e cenas para o telemóvel (não sei bem o quê ou qual a utilidade desta última).
Na minha modesta opinião, este é apenas mais um dos muitos planos que a indústria tem avançado, e que está condenado ao fracasso. Eu não preciso de merdas para o telemóvel. Eu não preciso de vídeos e coisas pseudo-exclusivas. E, na verdade, rapidamente tudo estará livre na net, por mais piratas que se combatam.
Eu só quero comprar um disco ou um cd por um preço justo e acessível. Só. E que de preferência traga um livrinho com as letras, pronto.
A verdade é que a indústria continua autista, e não tentou a única coisa que a pode salvar: esforçar-se por baixar os preços do produto que vendem. Aliás, tal como qualquer negócio faz, quando perde vendas.
Como qualquer fã de música que se preze, gosto muito de cd's. Gosto ainda mais de discos. E gosto do Mp3 apenas porque é de borla (não sejamos hipócritas) e muito prático.
Mas, apesar de ainda comprar cd's praticamente todos os meses, a verdade é que há cada vez menos incentivos para o fazer. A razão é simples: os cd's são caríssimos e a alternativa de borla está apenas à distância de um clique.
Agora várias editoras têm um novo mega-plano para salvar a queda da venda de albuns.
É simples. Vais à loja, compras um ficheiro num suporte informático (uma pen, por exemplo), ou compras o ficheiro na net, e depois é só meter no computador. O truque é que isto agora trará, para além das músicas, imagens, vídeos, letras e cenas para o telemóvel (não sei bem o quê ou qual a utilidade desta última).
Na minha modesta opinião, este é apenas mais um dos muitos planos que a indústria tem avançado, e que está condenado ao fracasso. Eu não preciso de merdas para o telemóvel. Eu não preciso de vídeos e coisas pseudo-exclusivas. E, na verdade, rapidamente tudo estará livre na net, por mais piratas que se combatam.
Eu só quero comprar um disco ou um cd por um preço justo e acessível. Só. E que de preferência traga um livrinho com as letras, pronto.
A verdade é que a indústria continua autista, e não tentou a única coisa que a pode salvar: esforçar-se por baixar os preços do produto que vendem. Aliás, tal como qualquer negócio faz, quando perde vendas.
Uma boa medida
Em Santarém, a câmara local meteu os cães do canil municipal a guardar o bairro de apartamentos que ficou vazio depois da mudança da Escola Prática de Cavalaria para Abrantes. O objectivo é impedir que as casas sejam ocupadas ilegalmente ou vandalizadas, tal como já estava a acontecer. Apesar dos problemas logísticos da coisa (os cães cagam por ali), os bichos são acompanhados por veterinários e tratadores.
Num país que insiste em abandonar os seus animais - o que diz mais das pessoas que somos do que muitos indicadores de conjuntura - esta medida merece o meu aplauso.
Às vezes basta tentar pensar as coisas de maneira diferente, e as boas ideias surgem.
Em Santarém, a câmara local meteu os cães do canil municipal a guardar o bairro de apartamentos que ficou vazio depois da mudança da Escola Prática de Cavalaria para Abrantes. O objectivo é impedir que as casas sejam ocupadas ilegalmente ou vandalizadas, tal como já estava a acontecer. Apesar dos problemas logísticos da coisa (os cães cagam por ali), os bichos são acompanhados por veterinários e tratadores.
Num país que insiste em abandonar os seus animais - o que diz mais das pessoas que somos do que muitos indicadores de conjuntura - esta medida merece o meu aplauso.
Às vezes basta tentar pensar as coisas de maneira diferente, e as boas ideias surgem.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Fat family
O plantel do Sporting está com problemas. E nem é o facto de a equipa não jogar nada, o penteado do Paulo Bento ou as parvoíces que diz o cabeça de giz que dirige o clube. O problema é que Alcochete está transformado num fat camp, mas ao contrário. Não só os gordos não ficam magros como os magros ficam gordos assim que lá chegam.
Depois de Rochemback (AKA Picanha Man), Pedro Silva e Miguel Veloso, agora é o tal de Caicedo que já ganhou cinco quilos desde que chegou a Portugal, há um mês. Cheira-me que estes quatro vão almoçar juntos todos os dias, e papam cinco baldes de banha entre eles, ou então o treino acaba sempre com a distribuição de folhados de gila.
Mas quando o Miguel Veloso começa a ter mais mamas que a namorada do Djaló... you're in trouble.
O plantel do Sporting está com problemas. E nem é o facto de a equipa não jogar nada, o penteado do Paulo Bento ou as parvoíces que diz o cabeça de giz que dirige o clube. O problema é que Alcochete está transformado num fat camp, mas ao contrário. Não só os gordos não ficam magros como os magros ficam gordos assim que lá chegam.
Depois de Rochemback (AKA Picanha Man), Pedro Silva e Miguel Veloso, agora é o tal de Caicedo que já ganhou cinco quilos desde que chegou a Portugal, há um mês. Cheira-me que estes quatro vão almoçar juntos todos os dias, e papam cinco baldes de banha entre eles, ou então o treino acaba sempre com a distribuição de folhados de gila.
Mas quando o Miguel Veloso começa a ter mais mamas que a namorada do Djaló... you're in trouble.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
O verdadeiro Faroeste
À saída do tribunal, o carro onde seguia Pinto da Costa, conduzido a alta velocidade pelo seu motorista, atropelou um repórter fotográfico do JN. Perante o sinal de um polícia, que estava por ali e decidiu estranhamente fazer o seu trabalho e mandar parar o carro, o condutor acelerou e pôs-se na alheta.
Muito bem.
O fotógrafo foi para ao hospital, o sindicato reclamou, etc.
Engraçado foi depois a reacção oficial da polícia do Porto. Afinal, não faz mal que o condutor tenha ignorado a ordem policial para parar. Isto porque "o sinal não foi feito de forma explícita". Aliás, foi tão pouco explícito que o condutor terá confundido o gesto como uma ordem para acelerar. E prossegue a polícia, na sequência da passagem do carro este "tocou" numa pessoa que estava por ali. "Tocou", não atropleou.
Ora ora ora.
Vamos relembrar alguns factos:
1 - Horas antes da visita da polícia ao escritório de Pinto da Costa para o deter, o senhor lembrou-se, de repente, de ir passar o fim de semana à Galiza, com o seu advogado. Alguém de dentro do sistema judicial o avisou, e deu-lhe tempo para preparar a sua defesa com tranquilidade. Até aqui, não se sabe nada sobre quem fez o telefonema amigo.
2 - Ao ir finalmenente à polícia, regressado da Galiza, o senhor apareceu escoltado por uma dezena de rapazes dos Superdragões, que o levaram até lá dentro. Isto apesar de os populares e até os jornalistas que estavam cá fora terem sido afastados zelosamente e de forma vigorosa pela polícia, empenhada em manter à distância quem não estivesse em serviço oficial. A excepção foi, naturalmente, esses bons rapazes dos Superdragões.
3 - Há uns anos foi esfaqueado, dentro do estádio das Antas e enquanto colocava uma faixa, um adepto do Sporting. Ninguém foi detido ou acusado.
4 - Pouco tempo depois, adeptos do Benfica foram barbaramente agredidos à saída do estádio. As câmaras de televisão mostraram, sem margem para dúvidas, vários membros da polícia local a presenciar estas agressões, sem mexerem um dedinho.
5 - O jogador Adriano, que o Porto anda há anos a tentar convencer a rescindir o contrato, sem sucesso, foi espancado à porta de uma discoteca por pessoas identificadas com os Superdragões. Adriano passou a noite no hospital e saiu de lá a meio do dia seguinte. Foi multado pelo FCP por ter faltado ao treino. Ninguém foi detido.
And so on, and so on.
Eu sei que no Porto e à volta do FCP acontecem coisas estranhas: árbitros ganham viagens ao Brasil para onde viajam sob nome falso (Calheiros, lembram-se?), árbitros visitam a casa de Pinto da Costa na véspera de um jogo nas Antas, porque têm problemas pessoais. São coisas que acontecem.
Mas de facto, a conivência das autoridades, judiciais e policiais com esta gente mostra que não é só na Madeira que há um estado à parte, que defende não os cidadãos mas sim grupos de interesse específicos.
Ao pé desta gente, a Cosa Nostra é uma brincadeira de crianças.
E depois vêm falar de que são os campeões da democracia...
À saída do tribunal, o carro onde seguia Pinto da Costa, conduzido a alta velocidade pelo seu motorista, atropelou um repórter fotográfico do JN. Perante o sinal de um polícia, que estava por ali e decidiu estranhamente fazer o seu trabalho e mandar parar o carro, o condutor acelerou e pôs-se na alheta.
Muito bem.
O fotógrafo foi para ao hospital, o sindicato reclamou, etc.
Engraçado foi depois a reacção oficial da polícia do Porto. Afinal, não faz mal que o condutor tenha ignorado a ordem policial para parar. Isto porque "o sinal não foi feito de forma explícita". Aliás, foi tão pouco explícito que o condutor terá confundido o gesto como uma ordem para acelerar. E prossegue a polícia, na sequência da passagem do carro este "tocou" numa pessoa que estava por ali. "Tocou", não atropleou.
Ora ora ora.
Vamos relembrar alguns factos:
1 - Horas antes da visita da polícia ao escritório de Pinto da Costa para o deter, o senhor lembrou-se, de repente, de ir passar o fim de semana à Galiza, com o seu advogado. Alguém de dentro do sistema judicial o avisou, e deu-lhe tempo para preparar a sua defesa com tranquilidade. Até aqui, não se sabe nada sobre quem fez o telefonema amigo.
2 - Ao ir finalmenente à polícia, regressado da Galiza, o senhor apareceu escoltado por uma dezena de rapazes dos Superdragões, que o levaram até lá dentro. Isto apesar de os populares e até os jornalistas que estavam cá fora terem sido afastados zelosamente e de forma vigorosa pela polícia, empenhada em manter à distância quem não estivesse em serviço oficial. A excepção foi, naturalmente, esses bons rapazes dos Superdragões.
3 - Há uns anos foi esfaqueado, dentro do estádio das Antas e enquanto colocava uma faixa, um adepto do Sporting. Ninguém foi detido ou acusado.
4 - Pouco tempo depois, adeptos do Benfica foram barbaramente agredidos à saída do estádio. As câmaras de televisão mostraram, sem margem para dúvidas, vários membros da polícia local a presenciar estas agressões, sem mexerem um dedinho.
5 - O jogador Adriano, que o Porto anda há anos a tentar convencer a rescindir o contrato, sem sucesso, foi espancado à porta de uma discoteca por pessoas identificadas com os Superdragões. Adriano passou a noite no hospital e saiu de lá a meio do dia seguinte. Foi multado pelo FCP por ter faltado ao treino. Ninguém foi detido.
And so on, and so on.
Eu sei que no Porto e à volta do FCP acontecem coisas estranhas: árbitros ganham viagens ao Brasil para onde viajam sob nome falso (Calheiros, lembram-se?), árbitros visitam a casa de Pinto da Costa na véspera de um jogo nas Antas, porque têm problemas pessoais. São coisas que acontecem.
Mas de facto, a conivência das autoridades, judiciais e policiais com esta gente mostra que não é só na Madeira que há um estado à parte, que defende não os cidadãos mas sim grupos de interesse específicos.
Ao pé desta gente, a Cosa Nostra é uma brincadeira de crianças.
E depois vêm falar de que são os campeões da democracia...
sábado, 22 de agosto de 2009

O disco da minha vida I - "The Doors in Concert"
Ouvi este disco no outro dia, pela primeira vez em mais de cinco anos. Ao escutá-lo de uma ponta à outra, tudo veio de repente. O tempo em que o conheci, quando o comprei, os anos que me acompanhou, tudo o que descobri por causa dele. Comecei a falar descontroladamente à minha mulher até ela me mandar calar.
E então pensei: "por que não passar a chatear os clientes do vodka, acerca dos discos que me marcaram? talvez alguns não conheçam, talvez...".
Enfim.
Como é óbvio, um obcecado por música como eu não podia nunca escolher só um disco. Os discos marcam-nos por motivos diferentes. Porque associas a momentos da tua vida, bons e maus, porque são muito bons ou apenas porque era aquilo que precisavas de ouvir naquele momento. Quando temos sorte, os discos salvam a nossa vida. A mim, aconteceu-me com muitos, dando a banda sonora, a fuga e a identificação quando tudo parecia confuso e perdido.
Tinha de começar pelo Doors in Concert.
Foi o álbum que mais vezes ouvi na vida, de longe. De tal forma que gastei a primeira versão e tive de comprar outro cd (isso nunca me aconteceu com mais nenhum disco).
Devia ter uns 13, 14 anos quando o comprei, tinha acabado de receber o meu primeiro leitor de cd's. Já conhecia Doors através das cassetes do irmão mais velho do rapaz do estupefacto amarelo. Andava a namorar o Best of Doors, cd duplo, e um dia pedi à minha mãe para ir com ela ao Cascais Shopping, já munido do dinheiro que havia ganho nos anos.
Não havia. Estava esgotado.
Fiquei miserável. Andava a sonhar com aquilo havia meses. A alternativa era comprar algum dos álbums, mas isso custar-me-ia praticamente o mesmo e deixava de foras muitas músicas.
Sobrava o Doors in Concert. Olhei para ele. Capa preta, letras a vermelho, boa pinta. Dois cd's, e neles muitas das músicas que estavam no Best of. Arrisquei.
Quando cheguei a casa foi a desilusão. Estúpido e limitado como eu era, fiquei desiludido por as versões serem bastante diferentes do estúdio, do que eu estava habituado das cassetes, que ouvira durante meses até à exaustão.
Mas não havia mais nada. Nada excepto um album de Resistência, que eu odiava e me tinham dado com o leitor, uma colectânea do Elvis que adorava, e o Apetite for Destruction, dos Guns, do qual também gostava muito. Mas eu queria era ouvir Doors.
E foi assim que nasceu a relação de absoluto amor com este disco.
Foi a verdadeira porta para tudo o que se seguiu: Janis, Jimi, os blues, os anos seguintes da minha vida.
Era um disco que tinha (e tem) tudo. Blues à séria, poesia cósmica entre as músicas, uma banda em grande forma, quase todos os sucessos e ainda versões de gajos diferentes e muitas músicas que eu não conhecia. Ah, e a melhor versão do The End que alguma vez ouvi.
Está neste momento a bombar na minha aparelhagem, e tenho um sorriso nos lábios.
Os destaques: Backdoor Man e o seu uivo no início; a versão perversa de Five to One; as pérolas que são Universal Mind e Names of the Kingdom; Break on Though precedida do alucinado Dead Cats Dead Rats; a versão definitiva de Roadhouse Blues; Manzarek com voz de estenógrafo a divertir-se como um doido a cantar Close to You; o blues Little Red Rooster com a harmónica em fogo de John Sebastian; The End.
Os Doors têm seis discos de originais. O melhor talvez seja o Strange Days, pelo menos era o que tinha mais credibilidade artística para nós, fãs hardcore da banda. O pior é, evidentemente o Soft Parade. O último, o mais bluesy, o óptimo mas desvalorizado LA Woman. O primeiro, muito forte e o mais coerente em termos estéticos. E Waiting for the Sun e Morrison Hotel, com muitos dos melhores momentos "pop" dos Doors.
Mas Doors in Concert são duas rodelas recheadas de 31 músicas, em mais de duas horas de uma viagem fabulosa.
Obra-prima, sem dúvida, e o disco da minha vida.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
A Vergonha
Uma rapariga menor foi violada, foi ao hospital, e esteve 12 horas (doze) à espera de ser vista pelo especialista de Medicina Legal. Durante esse período não se pode sequer lavar, uma vez que tal poderia comprometer provas que levem à captura do criminoso que lhe fez aquilo.
Qual a explicação para esta demora?
É simples, explicaram as autoridades. É que, durante Agosto, os serviços de medicina legal de Lisboa têm apenas três especialistas, que rodam numa escala. Ok, pensei eu, então se há uma escala estaria alguém disponível. Mas não, voltam as explicar os responsáveis. É que a escala vai das 8h00 às 18h00, de segunda a quinta, e 24 horas por dia de sexta a domingo.
Ou seja, a rapariga estava a pedi-las. Então não foi ser violada ao dia de semana, ainda por cima depois do horário de expediente?! E ainda se queixa, a princesinha, devia querer acordar os doutores!
Não sei se hei de chamar a isto terceiro-mundismo. É algo mais grave do que isto. É por isto que Portugal está longe, muito longe de ser um país verdadeiramente moderno e até democrático. Não há democracia sem a garantia dos direitos mais básicos das pessoas. E não há coisa pior do que pessoas reais, com problemas reais devastadores, baterem de frente contra o mundo frio e indiferente da burocracia do Estado.
Os nossos governantes, como tenho dito, estão demasiado preocupados em fazer de Portugal um país modernaço. TGV's, GPS's, Simplex, toda a gente a falar inglês (UAU!)etc. Entretando fecham-se escolas, maternidades, urgências. Portugal é um prédio a cair no qual o senhorio está preocupado é em meter uma parabólica no telhado.
Portugal tem problemas graves de base, e eu só os vejo é a varrer o lixo para debaixo do tapete e mostrar um país modernaço para inglês ver.
Chega.
Isto é uma vergonha para todos nós.
Uma rapariga menor foi violada, foi ao hospital, e esteve 12 horas (doze) à espera de ser vista pelo especialista de Medicina Legal. Durante esse período não se pode sequer lavar, uma vez que tal poderia comprometer provas que levem à captura do criminoso que lhe fez aquilo.
Qual a explicação para esta demora?
É simples, explicaram as autoridades. É que, durante Agosto, os serviços de medicina legal de Lisboa têm apenas três especialistas, que rodam numa escala. Ok, pensei eu, então se há uma escala estaria alguém disponível. Mas não, voltam as explicar os responsáveis. É que a escala vai das 8h00 às 18h00, de segunda a quinta, e 24 horas por dia de sexta a domingo.
Ou seja, a rapariga estava a pedi-las. Então não foi ser violada ao dia de semana, ainda por cima depois do horário de expediente?! E ainda se queixa, a princesinha, devia querer acordar os doutores!
Não sei se hei de chamar a isto terceiro-mundismo. É algo mais grave do que isto. É por isto que Portugal está longe, muito longe de ser um país verdadeiramente moderno e até democrático. Não há democracia sem a garantia dos direitos mais básicos das pessoas. E não há coisa pior do que pessoas reais, com problemas reais devastadores, baterem de frente contra o mundo frio e indiferente da burocracia do Estado.
Os nossos governantes, como tenho dito, estão demasiado preocupados em fazer de Portugal um país modernaço. TGV's, GPS's, Simplex, toda a gente a falar inglês (UAU!)etc. Entretando fecham-se escolas, maternidades, urgências. Portugal é um prédio a cair no qual o senhorio está preocupado é em meter uma parabólica no telhado.
Portugal tem problemas graves de base, e eu só os vejo é a varrer o lixo para debaixo do tapete e mostrar um país modernaço para inglês ver.
Chega.
Isto é uma vergonha para todos nós.
A fama, o dinheiro, as gajas
Ontem à noite vim beber um copo aqui no tasco e encontrei 9 tipos (ou tipas) encostados ao balcão.
Hoje voltei, à espera do sossego de um copito de medronho, e estavam mais 8 tipos.
Quem é esta gente?! Sim, vocês? Que raio fazem aqui?
A meu ver não há muitas hipóteses para explicar esta afluência, que transformou subitamente o Vodka no IC19.
a) É um vírus
b) malta que quer realmente é ler os blogs que estão linkados aqui ao lado, mas está demasiado embriagada para se lembrar dos endereços (eu estou solidário, não é uma crítica)
c) o homem amarelo ficou todo contente de escrever no blog e obriga a família toda a vir cá todos os dias para o ler
d) escrevemos alguma palavra-chave que as pessoas pesquisam, e depois vieram cá parar ao engano. Pelas minhas contas, poderá ser uma das seguintes, que aproveito para repetir a ver se enganamos mais alguns: Benfica, Ferreira Leite, Sócrates, minete. E já agora, permitam-me, Ana Malhoa e "sexo louco com anãs". Isto nunca se sabe que malucos há por aí a utilizar esse tal de Google.
Bom, seja como for, obrigado pela comparência.
Ontem à noite vim beber um copo aqui no tasco e encontrei 9 tipos (ou tipas) encostados ao balcão.
Hoje voltei, à espera do sossego de um copito de medronho, e estavam mais 8 tipos.
Quem é esta gente?! Sim, vocês? Que raio fazem aqui?
A meu ver não há muitas hipóteses para explicar esta afluência, que transformou subitamente o Vodka no IC19.
a) É um vírus
b) malta que quer realmente é ler os blogs que estão linkados aqui ao lado, mas está demasiado embriagada para se lembrar dos endereços (eu estou solidário, não é uma crítica)
c) o homem amarelo ficou todo contente de escrever no blog e obriga a família toda a vir cá todos os dias para o ler
d) escrevemos alguma palavra-chave que as pessoas pesquisam, e depois vieram cá parar ao engano. Pelas minhas contas, poderá ser uma das seguintes, que aproveito para repetir a ver se enganamos mais alguns: Benfica, Ferreira Leite, Sócrates, minete. E já agora, permitam-me, Ana Malhoa e "sexo louco com anãs". Isto nunca se sabe que malucos há por aí a utilizar esse tal de Google.
Bom, seja como for, obrigado pela comparência.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Arrufo de queriduchos
Sócrates e Cavaco andam zangados. É oficial.
O Público faz uma manchete dizendo que Cavaco desconfia que Belém anda a ser espiada pelo PS. Isto porque o PS diz que há assessores de Cavaco que estão a colaborar com o programa eleitoral de Ferreira Leite. E Cavaco diz que, se eles sabem disso, é porque andam a espiar.
Várias coisas:
1 - Se for verdade, é grave.
2 - Se Cavaco acha isso, deve dizê-lo, claramente, e não passar recadinhos através dos jornais, sobretudo nesta altura sensível, por ser pré-eleitoral e a corrida estar renhida.
3 - Mesmo que seja verdade, o PS não tem legitimidade nenhuma para protestar. Temos todo o Governo a participar activamente na campanha eleitoral, em vez de estarem a trabalhar para o país. O PS é o partido que maior promiscuidade incentivou entre partido e Governo, um órgão de soberania. O coordenador da campanha PS é, nem mais nem menos, que o actual ministro do Trabalho, num momento em que o desemprego atinge máximos históricos.
A verdade é que tudo isto é infantil, lamentável, e tudo aquilo de que o país não precisa.
Sócrates e Cavaco andam zangados. É oficial.
O Público faz uma manchete dizendo que Cavaco desconfia que Belém anda a ser espiada pelo PS. Isto porque o PS diz que há assessores de Cavaco que estão a colaborar com o programa eleitoral de Ferreira Leite. E Cavaco diz que, se eles sabem disso, é porque andam a espiar.
Várias coisas:
1 - Se for verdade, é grave.
2 - Se Cavaco acha isso, deve dizê-lo, claramente, e não passar recadinhos através dos jornais, sobretudo nesta altura sensível, por ser pré-eleitoral e a corrida estar renhida.
3 - Mesmo que seja verdade, o PS não tem legitimidade nenhuma para protestar. Temos todo o Governo a participar activamente na campanha eleitoral, em vez de estarem a trabalhar para o país. O PS é o partido que maior promiscuidade incentivou entre partido e Governo, um órgão de soberania. O coordenador da campanha PS é, nem mais nem menos, que o actual ministro do Trabalho, num momento em que o desemprego atinge máximos históricos.
A verdade é que tudo isto é infantil, lamentável, e tudo aquilo de que o país não precisa.
O efeito Paulo Bento
Vendo o que Manuela Ferreira Leite (não) diz, cada vez mais o PSD me lembra o Sporting. "Prometam só que podem cumprir" soa demasiado ao não investimento na equipa do Sporting porque "não entramos em loucuras".
Eu percebo isto, atenção.
Mas o país precisa de esperança, já está farto de quatro anos de realismo Sócrates/Paulo Bento.
A solução talvez passasse por Luis Filipe Vieira à frente do Governo e Louçã à frente do Sporting (embora o Portas cumpra mais o perfil queque). Pelo menos seria mais divertido.
Vendo o que Manuela Ferreira Leite (não) diz, cada vez mais o PSD me lembra o Sporting. "Prometam só que podem cumprir" soa demasiado ao não investimento na equipa do Sporting porque "não entramos em loucuras".
Eu percebo isto, atenção.
Mas o país precisa de esperança, já está farto de quatro anos de realismo Sócrates/Paulo Bento.
A solução talvez passasse por Luis Filipe Vieira à frente do Governo e Louçã à frente do Sporting (embora o Portas cumpra mais o perfil queque). Pelo menos seria mais divertido.
Muito medinho anda por aí
Depois da primeira jornada, vi muito júbilo por aí acerca do empate do Benfica. Os adeptos dos outros clubes lá se apressaram, depressa demais, a cobrar todas as promessas desta nova equipa do Benfica, apesar de ter sido aquela, de todas as equipas da Liga, a jogar melhor na estreia do campeonato.
Depois, ao ver o "Dia Seguinte", na SIC, as coisas ficaram ainda mais claras. Dias Ferreira, do lado do Sporting, e Guilherme Aguiar, do lado do Porto, pareciam o senhor feliz e o senhor contente. Um dizia mata, o outro esfola. Por entre os cumprimentos mútuos e sem razão, todos os motivos foram bons para criticar o Benfica, tentar forçar sumaríssimos-fantasma, condicionar os árbritros, tudo.
É isto que nos espera este ano. Cada vez maior união, cega, contra o Glorioso, que anda há tanto tempo adormecido. E isto só mostra que, para vencermos, teremos de ser muito, muito fortes, porque vai ser contra tudo e contra todos.
E mostra que há muito medinho por aí. E isso é refrescante face aos anos anteriores. E é bom sinal para nós.
PS: gostei muito da entrevista de um tipo qualquer da SAD do Porto vir dizer que "o Benfica não sabe ganhar em democracia". Isto é espectacular, vindo de um clube que foi condenado e perdeu pontos (convenientemente quando não precisava deles) por corromper árbitros. E não foi no tempo da ditadura.
De facto, há que reconhecer que o Porto tem sabido muito bem ganhar em democracia.
Depois da primeira jornada, vi muito júbilo por aí acerca do empate do Benfica. Os adeptos dos outros clubes lá se apressaram, depressa demais, a cobrar todas as promessas desta nova equipa do Benfica, apesar de ter sido aquela, de todas as equipas da Liga, a jogar melhor na estreia do campeonato.
Depois, ao ver o "Dia Seguinte", na SIC, as coisas ficaram ainda mais claras. Dias Ferreira, do lado do Sporting, e Guilherme Aguiar, do lado do Porto, pareciam o senhor feliz e o senhor contente. Um dizia mata, o outro esfola. Por entre os cumprimentos mútuos e sem razão, todos os motivos foram bons para criticar o Benfica, tentar forçar sumaríssimos-fantasma, condicionar os árbritros, tudo.
É isto que nos espera este ano. Cada vez maior união, cega, contra o Glorioso, que anda há tanto tempo adormecido. E isto só mostra que, para vencermos, teremos de ser muito, muito fortes, porque vai ser contra tudo e contra todos.
E mostra que há muito medinho por aí. E isso é refrescante face aos anos anteriores. E é bom sinal para nós.
PS: gostei muito da entrevista de um tipo qualquer da SAD do Porto vir dizer que "o Benfica não sabe ganhar em democracia". Isto é espectacular, vindo de um clube que foi condenado e perdeu pontos (convenientemente quando não precisava deles) por corromper árbitros. E não foi no tempo da ditadura.
De facto, há que reconhecer que o Porto tem sabido muito bem ganhar em democracia.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
E o cabrão do Euromilhões que não sai...
Kowalski diz:
http://www.reuters.com/article/oddlyEnoughNews/idUSTRE57G2YH20090817
Uma viúva que vendeu a campa do marido...por cima da Marilyn Monroe
jpl diz:
grande noticia
isto é q é fazer negocio
Kowalski diz:
ha poisé
jpl diz:
nao tens nenhum familiar enterrado perto do raul solnado?
Kowalski diz:
LOL
mas qdo morrer o eusébio vou estar atento aos túmulos disponíveis nas redondezas
o barbas é gajo para me dar o restaurante da costa pela honra
jpl diz:
ah pois!!
Kowalski diz:
let's face it, já não restam assim grandes figuras
o eusébio é o jackpot da morte
Kowalski diz:
http://www.reuters.com/article/oddlyEnoughNews/idUSTRE57G2YH20090817
Uma viúva que vendeu a campa do marido...por cima da Marilyn Monroe
jpl diz:
grande noticia
isto é q é fazer negocio
Kowalski diz:
ha poisé
jpl diz:
nao tens nenhum familiar enterrado perto do raul solnado?
Kowalski diz:
LOL
mas qdo morrer o eusébio vou estar atento aos túmulos disponíveis nas redondezas
o barbas é gajo para me dar o restaurante da costa pela honra
jpl diz:
ah pois!!
Kowalski diz:
let's face it, já não restam assim grandes figuras
o eusébio é o jackpot da morte
Don't fuck with what's important
jplp diz:
ontem aconteceu uma coisa mt estranha: a minha familia, assumidamente benfiquista ferrenha, interrompeu o jogo o benfica (onde houve o golo do maritimo) para ver a corrida do bolt em directo na rtp1!
Kowalski diz:
isso se acontecesse comigo eu saía de casa
e incendiava-a à saída
lamento, mas há coisas que não se fazem
jplp diz:
pois... mas foi engraçado toda a reacçao deles e do comentador da rtp q quase chorou... como se fosse o obikwelu...
Kowalski diz:
cambada de paneleiros
jplp diz:
ontem aconteceu uma coisa mt estranha: a minha familia, assumidamente benfiquista ferrenha, interrompeu o jogo o benfica (onde houve o golo do maritimo) para ver a corrida do bolt em directo na rtp1!
Kowalski diz:
isso se acontecesse comigo eu saía de casa
e incendiava-a à saída
lamento, mas há coisas que não se fazem
jplp diz:
pois... mas foi engraçado toda a reacçao deles e do comentador da rtp q quase chorou... como se fosse o obikwelu...
Kowalski diz:
cambada de paneleiros
Faceless Facebook
Eu sou uma das poucas pessoas que conheço que não tem Facebook. Infelizmente não sou o único. Isso sim seria espectacular. Mas, a cada dia que passa, estou mais perto desse objectivo. Tenho amigos que dizem "és cá dos meus, eu também não tenho essas merdas". E eu digo que sim, somos os máióres, mas é tanga. Depois tenho outros que dizem "tens que ir para ao Facebook, vais adorar", e é capaz de ser verdade. O problema é que um gajo quando fica preso nos 5% dos amigos que não têm Facebook já não pode desistir. Toda a resistência teria sido em vão.
Portanto não, eu não tenho essa merda.
Eu sou uma das poucas pessoas que conheço que não tem Facebook. Infelizmente não sou o único. Isso sim seria espectacular. Mas, a cada dia que passa, estou mais perto desse objectivo. Tenho amigos que dizem "és cá dos meus, eu também não tenho essas merdas". E eu digo que sim, somos os máióres, mas é tanga. Depois tenho outros que dizem "tens que ir para ao Facebook, vais adorar", e é capaz de ser verdade. O problema é que um gajo quando fica preso nos 5% dos amigos que não têm Facebook já não pode desistir. Toda a resistência teria sido em vão.
Portanto não, eu não tenho essa merda.
Se um génio da lâmpada me concedesse três desejos eu pediria:
1- que os macacos do nariz soubessem a chocolate.
2- que as bonecas insufláveis fossem mais rápidas de encher.
3- que os auto-rádios não tivessem aquela merda de interromperem uma música a meio com gajos histéricos a gritarem-me aos ouvidos informações irrelevantes sobre o trânsito.
1- que os macacos do nariz soubessem a chocolate.
2- que as bonecas insufláveis fossem mais rápidas de encher.
3- que os auto-rádios não tivessem aquela merda de interromperem uma música a meio com gajos histéricos a gritarem-me aos ouvidos informações irrelevantes sobre o trânsito.
Natureza humana - Parte II
Quando eu era pequeno (o miúdo do estupefacto amarelo) pensava que podia chegar à idade dos mais velhos à medida que fosse crescendo. Fiquei fodido quando descobri que a mesmíssima quantidade de tempo também passava para eles, mantendo-se inalterada a diferença de idades. Mas depois pensei: "que sa foda- os filhos da puta vão morrer mais cedo"
Quando eu era pequeno (o miúdo do estupefacto amarelo) pensava que podia chegar à idade dos mais velhos à medida que fosse crescendo. Fiquei fodido quando descobri que a mesmíssima quantidade de tempo também passava para eles, mantendo-se inalterada a diferença de idades. Mas depois pensei: "que sa foda- os filhos da puta vão morrer mais cedo"
Ripa na repaqueca
Finalmente começou a bola. E, ao final da primeira jornada, o líder arrisca-se a ser...o Braga.
Quanto aos grandes, que é o que interessa, vamos por partes.
Começando pelo Sporting, as coisas continuam más. A equipa joga sem alma, Rochemback está do tamanho de uma roulotte, Abel está com a tremideira, Polga parece um menino e André Marques é um menino. Liedson foi o menos mau, como sempre. Sobretudo, a equipa joga muito pouco, o que é estranho para jogadores que já se deviam conhecer de olhos fechados. Sobretudo, muito pouca alegria em campo.
E o Sporting chega ao fim do terceiro jogo oficial sem marcar um golo (teve dois a favor, mas foram autogolos).
Do Porto só vi a primeira meia hora, para além de ter visto com atenção o jogo da Supertaça. A equipa ainda não carbura, Farias parece que só sabe marcar quando vem do banco, Hulk está a acusar a responsabilidade que toda a gente lhe mete em cima. O Beluschi é claramente jogador, mas não é Lucho (poucos são). O que dá em criatividade falta-lhe em rigor táctico, segurança e influência, por comparação com Lucho. Bom golo de falcão.
Nada disto diz seja o que for do potencial do Porto. É uma equipa especialista em conseguir ganhar sem jogar bem, e normalmente não começa a temporada a encantar. Mas depois começa a carburar e já dificilmente perdoa.
Vi o meu Benfica no estádio e deu para perceber várias coisas. Que uma equipa tão ofensiva e criativa vai ter dificuldades com adversários internos. O Marítimo meteu um autocarro, perdão, um petroleiro à frente da área. Pontapé para a frente, um penalti oferecido, um guarda redes inspirado. Acabou o jogo com 25% de posse de bola. O Benfica mostrou, na primeira parte, dificuldade em jogar pelas alas contra um adversário muito fechado, e vamos apanhar muitos assim. Ruben Amorim não é lateral direito e David Luiz tem de jogar a central. Cardozo desinspiradíssimo (até galhou um penalti), Saviola não se viu, Di Maria complicou muito. Weldon mais uma vez a facturar.
Ainda assim, o Glorioso fez mais do que suficiente para ganhar, e por isso a ovação que a equipa recebeu no fim.
Por último, um comentário ao jogo do Benfica, mas que acredito se aplicará aos outros grandes.
Na Luz, a maca entrou 11 vezes. Uma para assistir um jogador do Benfica, Carlos Martins, que saiu lesionado, 10 para jogadores do Marítimo. Em todos estes casos, os jogadores recuperaram milagrosamente assim que saíam de campo. E isto o jogo todo. Todo o jogo com demoras na reposição (o guarda redes do Marítimo levou o costumeiro amarelo, aos costumeiros 80 minutos, apesar de estar a fazer anti-jogo desde o início). E eu, que paguei para estar ali, senti-me roubado. Roubado porque vou ver um espectáculo, e uma equipa, com a feliz anuência do árbitro, tudo fez para que este não acontecesse. Do árbitro, só posso falar do que me pareceu no estádio, porque ainda não vi o resumo. O penalti deles não percebi sequer o motivo (li no maisfutebol que foi por mão), e houve uma mão do Olberdam, que já tinha amarelo, e o segundo foi-lhe perdoado (o árbitro fez sinal que deu a lei da vantagem, e depois "esqueceu-se" do cartão).
Em suma, proteger os artistas não é só penalizar as faltas. É o árbitro não apitar a mais, não complicar o jogo e a sua própria vida e, sobretudo, não permitir que uma equipa esteja desde o minuto 1 a perder tempo.
Como disse, aplica-se a todos, não apenas ao Benfica.
Porque só assim teremos futebol ofensivo e espectacular.
Siga a bola!
Finalmente começou a bola. E, ao final da primeira jornada, o líder arrisca-se a ser...o Braga.
Quanto aos grandes, que é o que interessa, vamos por partes.
Começando pelo Sporting, as coisas continuam más. A equipa joga sem alma, Rochemback está do tamanho de uma roulotte, Abel está com a tremideira, Polga parece um menino e André Marques é um menino. Liedson foi o menos mau, como sempre. Sobretudo, a equipa joga muito pouco, o que é estranho para jogadores que já se deviam conhecer de olhos fechados. Sobretudo, muito pouca alegria em campo.
E o Sporting chega ao fim do terceiro jogo oficial sem marcar um golo (teve dois a favor, mas foram autogolos).
Do Porto só vi a primeira meia hora, para além de ter visto com atenção o jogo da Supertaça. A equipa ainda não carbura, Farias parece que só sabe marcar quando vem do banco, Hulk está a acusar a responsabilidade que toda a gente lhe mete em cima. O Beluschi é claramente jogador, mas não é Lucho (poucos são). O que dá em criatividade falta-lhe em rigor táctico, segurança e influência, por comparação com Lucho. Bom golo de falcão.
Nada disto diz seja o que for do potencial do Porto. É uma equipa especialista em conseguir ganhar sem jogar bem, e normalmente não começa a temporada a encantar. Mas depois começa a carburar e já dificilmente perdoa.
Vi o meu Benfica no estádio e deu para perceber várias coisas. Que uma equipa tão ofensiva e criativa vai ter dificuldades com adversários internos. O Marítimo meteu um autocarro, perdão, um petroleiro à frente da área. Pontapé para a frente, um penalti oferecido, um guarda redes inspirado. Acabou o jogo com 25% de posse de bola. O Benfica mostrou, na primeira parte, dificuldade em jogar pelas alas contra um adversário muito fechado, e vamos apanhar muitos assim. Ruben Amorim não é lateral direito e David Luiz tem de jogar a central. Cardozo desinspiradíssimo (até galhou um penalti), Saviola não se viu, Di Maria complicou muito. Weldon mais uma vez a facturar.
Ainda assim, o Glorioso fez mais do que suficiente para ganhar, e por isso a ovação que a equipa recebeu no fim.
Por último, um comentário ao jogo do Benfica, mas que acredito se aplicará aos outros grandes.
Na Luz, a maca entrou 11 vezes. Uma para assistir um jogador do Benfica, Carlos Martins, que saiu lesionado, 10 para jogadores do Marítimo. Em todos estes casos, os jogadores recuperaram milagrosamente assim que saíam de campo. E isto o jogo todo. Todo o jogo com demoras na reposição (o guarda redes do Marítimo levou o costumeiro amarelo, aos costumeiros 80 minutos, apesar de estar a fazer anti-jogo desde o início). E eu, que paguei para estar ali, senti-me roubado. Roubado porque vou ver um espectáculo, e uma equipa, com a feliz anuência do árbitro, tudo fez para que este não acontecesse. Do árbitro, só posso falar do que me pareceu no estádio, porque ainda não vi o resumo. O penalti deles não percebi sequer o motivo (li no maisfutebol que foi por mão), e houve uma mão do Olberdam, que já tinha amarelo, e o segundo foi-lhe perdoado (o árbitro fez sinal que deu a lei da vantagem, e depois "esqueceu-se" do cartão).
Em suma, proteger os artistas não é só penalizar as faltas. É o árbitro não apitar a mais, não complicar o jogo e a sua própria vida e, sobretudo, não permitir que uma equipa esteja desde o minuto 1 a perder tempo.
Como disse, aplica-se a todos, não apenas ao Benfica.
Porque só assim teremos futebol ofensivo e espectacular.
Siga a bola!
10 ideias para atrair investimento estrangeiro
1- Flexibilizar os despedimentos.
2- Baixar o IRC.
3- Extinguir o Salário Mínimo.
4- Extinguir o direito à greve.
5- Proibir sindicatos e comissões de trabalhadores.
6- Alargar a jornada de trabalho.
7- Imputar sobre o trabalhador o pagamento total da Segurança Social.
8- Legalizar o lock-out.
9- Proibir a existência de lavabos em locais de trabalho.
10- Discriminalizar a violação de trabalhadoras quando perpetrada por elementos da entidade patronal.
1- Flexibilizar os despedimentos.
2- Baixar o IRC.
3- Extinguir o Salário Mínimo.
4- Extinguir o direito à greve.
5- Proibir sindicatos e comissões de trabalhadores.
6- Alargar a jornada de trabalho.
7- Imputar sobre o trabalhador o pagamento total da Segurança Social.
8- Legalizar o lock-out.
9- Proibir a existência de lavabos em locais de trabalho.
10- Discriminalizar a violação de trabalhadoras quando perpetrada por elementos da entidade patronal.
domingo, 16 de agosto de 2009
Casa da ferreiro, espeto de pau
Fábio Rochemback é casado com uma nutricionista.
Pois, e o Veloso é filho do Talon...
Fábio Rochemback é casado com uma nutricionista.
Pois, e o Veloso é filho do Talon...
sábado, 15 de agosto de 2009
Manifesto atómico
Neste mundo injusto, o arsenal nuclear está muito mal distribuído, sendo apenas apanágio de um clube restrito de países: EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e talvez a Coreia do Norte). Apelo a todas as forças de esquerda para se juntarem à minha luta, reivindicando que todos os países do mundo (independentemente do seu nível de desenvolvimento, religião ou sistema político) possam deter por igual o direito de aniquilar por completo o mundo.
Neste mundo injusto, o arsenal nuclear está muito mal distribuído, sendo apenas apanágio de um clube restrito de países: EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e talvez a Coreia do Norte). Apelo a todas as forças de esquerda para se juntarem à minha luta, reivindicando que todos os países do mundo (independentemente do seu nível de desenvolvimento, religião ou sistema político) possam deter por igual o direito de aniquilar por completo o mundo.
Coerência
Relativamente ao caso 31 da Armada, José Miguel Júdice escreveu ontem no Público que a "autoridade municipal que - em vez de rir com boa disposição com o gesto unusual e lúdico - resolveu participar estes «crimes» à PSP". Concordo: o código penal não deverá ser aplicável a meninos monárquicos de boas famílias, mas apenas à escumalha da "working class" e da extrema esquerda.
Logo a seguir, Júdice escreve que os sem-abrigo "não devem poder dormir em lugares como as arcadas do Terreiro do Paço, simbólicos do Estado Português e da sua imagem externa". Concordo: dada a proveniência social destes infra-humanos, o código penal já é aplicável, devendo-se participar este crime simbólico às autoridades. Contudo, o Estado Português não deverá fugir às suas responsabilidades sociais para com estes cidadãos excluídos. O Estado Português deverá aplicar-lhes a prisão preventiva de forma a providenciar-lhes uma habitação condigna.
Relativamente ao caso 31 da Armada, José Miguel Júdice escreveu ontem no Público que a "autoridade municipal que - em vez de rir com boa disposição com o gesto unusual e lúdico - resolveu participar estes «crimes» à PSP". Concordo: o código penal não deverá ser aplicável a meninos monárquicos de boas famílias, mas apenas à escumalha da "working class" e da extrema esquerda.
Logo a seguir, Júdice escreve que os sem-abrigo "não devem poder dormir em lugares como as arcadas do Terreiro do Paço, simbólicos do Estado Português e da sua imagem externa". Concordo: dada a proveniência social destes infra-humanos, o código penal já é aplicável, devendo-se participar este crime simbólico às autoridades. Contudo, o Estado Português não deverá fugir às suas responsabilidades sociais para com estes cidadãos excluídos. O Estado Português deverá aplicar-lhes a prisão preventiva de forma a providenciar-lhes uma habitação condigna.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A metamorfose, sei lá
Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, dei por mim na cama transformado num gigante líder da juventude centrista. Tentei mover-me mas o facto dos meus pés estarem enfiados nuns sapatos mocassim com berloques tornava impossível qualquer movimento. Depois de muito esforço, consegui arrastar-me até a uma mesa de voto. Depois de ter colocado o boletim na urna, apercebo-me horrorizado que acabara de votar não à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Tento gritar desesperado mas qual não é o meu espanto quando reparo que em vez de gritar estou apenas a trautear uma canção de André Sardet...
Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, dei por mim na cama transformado num gigante líder da juventude centrista. Tentei mover-me mas o facto dos meus pés estarem enfiados nuns sapatos mocassim com berloques tornava impossível qualquer movimento. Depois de muito esforço, consegui arrastar-me até a uma mesa de voto. Depois de ter colocado o boletim na urna, apercebo-me horrorizado que acabara de votar não à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Tento gritar desesperado mas qual não é o meu espanto quando reparo que em vez de gritar estou apenas a trautear uma canção de André Sardet...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A democratização das duas rodas
Esta sexta-feira, entra em vigor uma lei, iniciativa do PC, muito relevante.
A partir de agora, quem tem carta de condução de carro e mais de 25 anos, fica automaticamente habilitado a conduzir motos até 125 cc (quem tem menos de 25 anos tem de fazer um exame).
Num país obcecado pelo automóvel, e no qual os transportes públicos, infelizmente, não têm a qualidade e a adesão desejável, isto pode revolucionar as nossas cidades.
Há pouco mais de um ano, tornei-me o feliz proprietário de uma coisa linda, uma Vespa 250 gts (na imagem), e desde então muito raramente levo o carro para o centro da cidade. Para além das poupanças, em combustível e estacionamento (reduz os gastos para um quarto, em relação ao carro), poupa-se tempo e ganha-se muito divertimento. Confesso que, para mim, faz toda a diferença ir trabalhar de manhã sabendo que vou dar uma voltinha de mota antes de entrar "na mina". Então com este tempo maravilhoso, é uma delícia.
Infelizmente, Portugal continua um país hostil às motas. Os condutores não respeitam, vão a dormir na estrada (já apanhei sustos com senhoras ao telemóvel que, subitamente decidem mudar de faixa, e uma mota vê-se pior que um carro), para além de que há alguns motociclistas que também não são dos mais civilizados.
De qualquer forma, uma coisa vos digo: passar a andar de mota foi a melhor coisa que poderia ter feito.
Quem quiser, tem aqui uma oportunidade.
Aproveitem, em segurança.
Estão verdes
Portugal saiu da recessão técnica. Apesar do que diz o velho Jerónimo, isto é um facto, porque é um conceito económico e técnico.
É verdade que isto, na prática, não nos diz grande coisa, mas é indesmentível.
Sabemos que a coisa ainda está má, que o desemprego é o pior problema e que vai ficar pior. Mas mais vale crescimento, mesmo que pequeno, do que contracção.
E é por isso que me irrita solenemente a forma contrariada como os partidos da oposição, sem excepção, receberam e comentaram a notícia.
Bastava dizer o que é verdade, que esta retoma, muito ligeira e só significativa em termos psicológicos, não se deveu, de facto, a qualquer actuação específica do Governo. Sócrates também abusou, é claro, vindo do meio do nada para reclamar os louros, insistindo naquele discurso que quer fazer de todos nós meros idiotas úteis, cheerleaders da farsa que é este governo e este sistema político.
Mas custa-me ver toda a oposição, incluindo a quem tenciono entregar o meu voto, defender claramente a regra do "quanto pior, melhor".
Portugal saiu da recessão técnica. Apesar do que diz o velho Jerónimo, isto é um facto, porque é um conceito económico e técnico.
É verdade que isto, na prática, não nos diz grande coisa, mas é indesmentível.
Sabemos que a coisa ainda está má, que o desemprego é o pior problema e que vai ficar pior. Mas mais vale crescimento, mesmo que pequeno, do que contracção.
E é por isso que me irrita solenemente a forma contrariada como os partidos da oposição, sem excepção, receberam e comentaram a notícia.
Bastava dizer o que é verdade, que esta retoma, muito ligeira e só significativa em termos psicológicos, não se deveu, de facto, a qualquer actuação específica do Governo. Sócrates também abusou, é claro, vindo do meio do nada para reclamar os louros, insistindo naquele discurso que quer fazer de todos nós meros idiotas úteis, cheerleaders da farsa que é este governo e este sistema político.
Mas custa-me ver toda a oposição, incluindo a quem tenciono entregar o meu voto, defender claramente a regra do "quanto pior, melhor".
Dou a mão à palmatória
"A crise acabou" - Manuel Pinho, Outubro de 2006.
Portugal sai da recessão - Agosto de 2009.
Manuel Pinho, um homem muito à frente do seu tempo.
"A crise acabou" - Manuel Pinho, Outubro de 2006.
Portugal sai da recessão - Agosto de 2009.
Manuel Pinho, um homem muito à frente do seu tempo.
Não há votos grátis
Numa democracia liberal, não deveria haver quaisquer restrições do Estado à liberdade individual de cada cidadão vender o que lhe pertence a quem bem o entender. Como não vivemos numa democracia liberal, o estado totalitário controla todos os domínios da nossa esfera pessoal, proibindo a livre transacção do que é nosso por direito natural. Esta interferência do Estado é geradora de ineficiências, uma vez que impossibilita que os cidadãos com menores rendimentos possam suprir as suas carências económicas através da venda dos seus órgãos ou dos seus direitos cívicos. Desta forma, apelo a que amanhã pelas 10h todos os cidadãos que vivam abaixo do limiar da pobreza se dirijam (com máscaras de Jabba, the Hutt na cabeça) aos hospitais e às sedes dos partidos políticos para venderem rins, pulmões ou o seu voto nas próximas eleições autárquicas e legislativas. A lei da oferta e da procura ditará quanto vale um voto no mercado livre dos direitos cívicos.
Numa democracia liberal, não deveria haver quaisquer restrições do Estado à liberdade individual de cada cidadão vender o que lhe pertence a quem bem o entender. Como não vivemos numa democracia liberal, o estado totalitário controla todos os domínios da nossa esfera pessoal, proibindo a livre transacção do que é nosso por direito natural. Esta interferência do Estado é geradora de ineficiências, uma vez que impossibilita que os cidadãos com menores rendimentos possam suprir as suas carências económicas através da venda dos seus órgãos ou dos seus direitos cívicos. Desta forma, apelo a que amanhã pelas 10h todos os cidadãos que vivam abaixo do limiar da pobreza se dirijam (com máscaras de Jabba, the Hutt na cabeça) aos hospitais e às sedes dos partidos políticos para venderem rins, pulmões ou o seu voto nas próximas eleições autárquicas e legislativas. A lei da oferta e da procura ditará quanto vale um voto no mercado livre dos direitos cívicos.
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