domingo, 3 de maio de 2009

Vital Radical

Ser político é estranho. Não fazem nenhum durante quatro anos, mas depois no espaço de poucos meses têm de vir a correr fazer amigos, entre os animais.
Desta feita, Vital Moreira está na berlinda. Ouvindo os comentadores, esteve nos cuidados intensivos, mas agora está na berlinda. Dois dias depois de ter sido "barbaramente agredido" com insultos e com a correspondente deslocação do ar de quem o insultou "barbaramente", decidiu que estava pronto para outra.
E o que foi fazer este espectacular candidato socialista ao tacho internacional conhecido por eleições europeias? Acertaram. Como é lógico, foi fazer rafting no Rio Minho. Há quem diga que o rafting é para malta nova, que ainda tem mobilidade nas articulações e alguma flexibilidade. A verdade é que malta como o Vital Moreira e a Zita Seabra, por exemplo, já provaram que flexibilidade é algo que não lhes falta, o que é potenciado pela ausência de coluna vertebral. E diz que isso dá jeito para estas coisas do rafting.
Já muita gente fez coisas estúpidas por estar em campanha. Marcelo Rebelo de Sousa mandou-se ao Tejo, o que lhe provocou um princípio de tuberculose e cegueira momentânea a quem teve de o ver de tanga; Valentim Loureiro foi visto a comer de talheres; e até o Vital Moreira decidiu começar o seu fim de semana radical com uma visitinha à festa do povo, aquela malta que cheira mal e quer bater em quem o anda a foder pela calada.
Mas esta viagem de rafting, meu deus. Sei apenas que liguei a televisão e lá estava ele, de costas, de pé, de calças de licra. Um idoso de calças de licra e com um capacete ridículo na tola. Com "Vital Moreira" orgulhosamente escrito. Duvido muito, mas mesmo muito, que este tipo de merdas lhe valha mais um voto que seja. A não ser que ele ameace andar sempre vestido de licra se não ganhar. Isso era coisa para me fazer pensar.

Uma nota: se alguém descobrir na net o vídeo radical de Vital Moreira, por favor não diga nada a ninguém. E se encontrar o do Badaró no Superbuéréré a fazer de Sangoku, avise. Eu continuo à procura.

Segue abaixo uma conversa, franca e amena, acerca do tema.

Kowalski diz:
boas
vi na sic o vital moreira a fazer rafting no rio minho

Jorge Olino diz:
ora muito boa tarde

Kowalski diz:
estou chocado
de calças de licra, filmado de trás

Jorge Olino diz:
deve ter ganho o gosto ao perigo
primeiro surfou o 1º de maio

Kowalski diz:
e com uma tijela na tola a dizer "Vital Moreira"
lol

Jorge Olino diz:
de qq menira, bater num gajo que faz lembrar o avô cantigas, tem qq coisa de retorcido
*maneira

Kowalski diz:
aquele capacete joli tinha-lhe dado jeito no primeiro de maio
recomendo ver o jornal da noite da sic
para veres as imagnes

Jorge Olino diz:
faltam 13 minutos para a risota, então

Kowalski diz:
quer dizer, recomendo se não quiseres dormir nas próximas duas semanas
aterrador

Jorge Olino diz:
o rangel também devia ficar bonito

Kowalski diz:
Foda-se

Jorge Olino diz:
aliás, o rangel tem ali qq coisa de vinagrete

Kowalski diz:
pronto. pensei que não era possível ficar mais enojado que estava depois de ver o avô cantigas de licra
mas conseguiste
bravo e obrigado

Jorge Olino diz:
epá, há sempre um patamar abaixo
faz parte da condição humana

Kowalski diz:
e o rangel é sempre um candidato crónico

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Horário de Expediente

Kowalski diz:
F
U
D
E
R
f u d e r diz:
t
i
a
g
o
Kowalski diz:
http://clubedasvirgens.blogspot.com/
f u d e r diz:
foda-se
que merda vem a ser esta?
Kowalski diz:
são virgens, senhor, são virgens
f u d e r diz:
são pravas
Kowalski diz:
são feias, de certeza
f u d e r diz:
as parvas não despem pravda
Kowalski diz:
é tipo 99% das gajas góticas
é para fingir que são feiosas de propósito
f u d e r diz:
25 aninhos sem levar com ele é fodido
Kowalski diz:
"isto não é o meu aspecto, é uma ideologia"
fonix
damaged goods
f u d e r diz:
exacto
Kowalski diz:
se ninguém lhes toca
f u d e r diz:
fruta estragada, restos d'ontem?!?!?
come-os tu!!!!!!!!!
Kowalski diz:
come restus
f u d e r diz:
como se chama a senhora ai ai ai lá de odeceixe?
Kowalski diz:
não é uma senhora
o sítio chama-se café dorita
e aluga quartos por cima do café
o dono é um velhote bué bacano, acho que é senhor fernando
f u d e r diz:
ok
Kowalski diz:
com a idade, os gostos vão-se refinando
f u d e r diz:
então?!
já não bebes casal da eira?
Kowalski diz:
dou por mim a apreciar cada vez mais a beleza de um bom cu
f u d e r diz:
tempras os bifes com chardonay?
Kowalski diz:
em detrimento, das mais banais boas mamas
f u d e r diz:
xiiiiiiiii
Kowalski diz:
um bom cu é algo de verdadeiramente único
e dificil de atingir
f u d e r diz:
um cu bom é o príncipio de uma bela amizade
Kowalski diz:
promissor
f u d e r diz:
isso
«um bom cu é um promissor principio de amizade»
Kowalski diz:
bravo
f u d e r diz:
«um bom cu é um promissor principio de brava amizade»
«atingir um bom cu é um promissor principio de brava amizade»
tanta parvoeira
que fixe
Kowalski diz:
e pronto, agora não meto no blog sem a tua autorização assinada
deves querer roialties
f u d e r diz:
não metas freud
´emuita óbvio
Kowalski diz:
vou meter frued
f u d e r diz:
mete anaclaeto
Kowalski diz:
lol
f u d e r diz:
druef
Kowalski diz:
fuder
f u d e r diz:
isso!!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

No Início Era O Zero...



Zero Manuel Durão Barroso ou o Triunfo dos Incapazes

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Obviamente

f r e u d diz:
diz-me uma coisa
uma gajo mesmo cansado e fodido da vida, fode sempre que pode, certo?

f r e u d acaba de lhe enviar um toque.

Kowalski diz:
só não fode qdo não pode

Kowalski diz:
e mesmo assim tenta

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Baby, I'm Back From The Future

O Michael J. Fox é cada vez mais um actor tremendo.

domingo, 19 de abril de 2009

Uma noite com 3 mil brasileiros (e brasileiras)

Sexta à noite, concerto de O Rappa, no pavilhão desportivo da Quinta dos Lombos, em Carcavelos. Eu sou de Carcavelos, vivi 25 anos lá, mas não fazia a mínima ideia que aquele pavilhaão existia. Aliás, todo aquele bairro é novo, parece que simplesmente brotou do chão quando virei costas.
Adiante.

70% do público era brasuca. E parecia aquelas imagems que vemos na televisão de um jogo no Maracanã. Tudo a mexer, loucura total. Maior percentagem de ganzas por metro quadrado em qualquer concerto a que tenha ido (excepto, talvez, Manu Chao ao pé da Torre de Belém).

O som do pavilhão - um ringue de futebol, coberto - era uma merda. Mas isso não era importante, toda a gente sabia as músicas de cor. E foi bonito ver a paixão daquela malta, de quem vive e trabalha longe de casa mas ama perdidamente o seu país.

E a convicção de que as brasucas quando se produzem, vão "way, way out". Para elas, produzirem-se é aputalharem-se. Não que me esteja a queixar.

Concerto emotivo, com um som de merda, de uma grande banda.
BUBAMARA

Reflexões pós-concerto de Kusturica & the non smoking orchestra.

A multidão bastante heterogénea. Poucos autênticos freaks dos cães, sobretudo muitos betos a armar ao radical de esquerda. Elevada percentagem de gajas, diferente, digamos, de um concerto dos AC/DC (que só consigo imaginar a tocarem na concentração de Faro). Estranhamente, numa multidão de aspecto bastante controladinho, a coisa até animou bastante. Mas de forma controlada, sempre.
Houve uma espécie de moche. Frequente e agitado, mas nada de muito perigoso. Se todo aquele movimento fosse a sério, teria havido feridos. Vários.
Foi um óptimo concerto para observar pessoas. As várias ganzas ajudaram, e de que maneira. Há um primeiro movimento de moche, dos mais empenhados. Depois, quando a música volta a subir, o grupo parte, como um comboio, para outras paragens, levando tudo à sua passagem. E depois nasce a segunda ronda do moche. São aqueles que, aquando do primeiro, estiveram vai não vai para se envolverem, mas ficaram tímidos e não foram. Depois, quando a coisa pega de novo, não querem perder a oportunidade e entram. Mas já são os preguiçosos, e o moche dura pouco.
É também um bom concerto para aproveitar os moches para apalpar as gajas. Diferente de, digamos, um concerto dos metalica, em que tal poderá ser não apenas incompreensível como perigoso.

Um dos últimos moches, o único que me acabou por entornar um pouco de cerveja, era bastante sui generis. Olhei, e no fundo eram apenas três gajos e duas gajas. A força motriz era um grandalhão, betinho mas já nos 30, que estava muito emocionado por estar a partilhar aquele momento de maluquice com os amigalhaços. Então, eles abraçavam-se todos, com os braços gigantes do grandalhão a unirem todas aquelas pessoas, e depois saltam todos ao mesmo tempo, abalroando malta à volta.
É o moche dos abracinhos.

Nos concertos mais agitados, aliás em todos os concertos, a localização é importante. Tendencialmente, vai haver mais molho e competição pelo espaço quanto mais perto do palco se está. É aí que estão os fãs hardocre, e os gajos mais mamados.
Quando a coisa começa a aquecer, o mais perigoso não são os gajos grandes. São os de porte médio, mais móveis, que cobrem mais área enquanto saltam ou dançam freneticamente. Um gajo grande é chato porque tapa a visão, mas também não tem, habitualmente, a mesma capacidade de deslocação. Ontem, o único golpe que recebi foi de uma gaja que achou boa ideia estar no meio da confusão com uma mala gigante, tipo mochila de campismo, e me deu com ela nas costelas.

A meio de um concerto, a questão da localização está mais ou menos resolvida por si. A malta já se organizou, já encontrou o sítio onde está confortável. Depois há, claro, os fluxos migratórios, hordas de bárbaros que, de repente, vêm de algum lado em filinha pirilau. Geram alguma perturbação, mas normalmente seguem viagem. Já me irrita bastante aqueles que parecem vir a passar e depois param, bem à nossa frente. Mas nada que uma pisadela não resolva (tipo Jorge Costa a marcar o João Pinto).

Os putos de agora são bastante mais livres do que nós éramos. Mais homogéneos, é certo, mas fazem mais cenas.
Quando nós éramos putos, 80% era controlado. Tínhamos amigos ou conhecidos que faziam surf, andavam de skate, eram cool, etc. Nós não, fazíamos parte da imensa massa de nerds que eram a grande maioria da nossa geração. A diferença é que os putos de agora, com toda a liberdade dada pelos paizinhos, e aquela arrogância da juventude de quem considera ter direito a tudo, fazem tudo aquilo que os poucos gajos cool da nossa geração faziam: surf, drogas, moches e sexo antes do tempo (e com gajas que se sabem vestir, ao contrário do antigamente). Os putos de hoje foram ensinados a olhar esses meios cool dos nossos tempos como alternativos e adoptarem-nos todos, porque todos querem ser alternativos. A diferença é que na nossa geração a maioria não o fazia, era tenrinha, batia píveas em casa à espera de perder a virgindade, apanhava bezanas ridículas e nunca seria apanhado em algo tão 'in' como um moche num concerto. A nossa geração estava na casa de banho a vomitar a garrafa de vinho do porto.

Havia um tipo fascinante à minha frente. Com um penteado a linhas rectas, parecia um macaco. Dançava freneticamente sem deixar de ocupar o mesmo espaço (obrigado por não me teres pisado vez nenhuma). E foi a prova de que os homens conseguem fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo: este conseguiu enrolar uma ganza enquanto saltava.
Parecia ser um bocado o cromito do grupo. É claro que era ele o enrolador designado. Deve ter jeito para montar merdas e deve perceber de máquinas. Deve ser também o condutor do grupo e nunca fica com qualquer gaja.

Um tipo atrás de mim, que decidiu mandar vir com a generosidade do público em termos de palmas. "Também já estão a exagerar. Se batem palmas por tudo e por nada eles não se esforçam, ainda não fizeram nada". Este é o gajo que leva lençóis para o estádio da luz, e que utiliza sempre a expressão "nem sabem marcar um canto, caralho".

Momento alto da noite: quando o alucinado vocalista, vestido como um morcego azul-cueca, apresentou Emir Kusturica como "Manuel Rui Costa". Muito bom, também, o facto de haver uma banda que incentiva o seu público a gritar "fuck you MTV" e "Fuck USA".

É muito fácil um tipo ficar com ar ridículo durante um concerto do Kusturica. Quando a música está a bombar e de repente desacelera, vi por ali muito macho aos semi-saltinhos, com as mãozinhas no ar, a bater palminhas.

Dúvida da noite: quando os gajos começam a puxar gajas para cima do palco, uma dúvida se instala por entre os milhares de presentes: mas aquele maluca é a Rita Blanco?
Ainda agora não sei. O vocalista tira a camisola e incentiva as moças a imitarem, só esta (Rita Blanco?) o acompanha. E estava claramente em baixo de forma, completamente louca com as banhitas aos saltos. A emoção de estar a ver uma carreira terminar num único instante de loucura. Seria ela?

As cervejas e as ganzas mudam completamente um concerto. Aliás, a minha grande vitória foi ter-me aguentado como um touro. Estava com um grupo que fazia ganzas com a velocidade de um space shuttle alucinado. Não tenho ido aos treinos, mas não queria fazer fraca figura. E, para meu orgulho, aguentei-me à bronca. Quem sabe nunca esquece. É como andar de bicicleta, mas bastante mais divertido.

Chegado a casa, o incrível ataque dos munchies. A dúvida perante comer ou não uma fatia de fiambre. E depois a sensação de que: "eh pá, tás mocado e é fiambre. o que raio pode correr mal aqui?". Indeed. Com a fomeca da ganza, aquele fiambrinho foi um festival, como milhares de pequenos canhões a detonarem confetis dentro da boca. Foi um massacre de prazer.

Foi o meu terceiro concerto desta banda. E sim, voltou a valer a pena.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Volta Salazar, eras um menino

José Sócrates anda sensível. Anda tristonho, magoado com este país de ingratos, que não o merece.
Talvez por isso - ou porque governar um país como Portugal é bastante menos divertido que, digamos, jogar Playstation o dia todo - Sócrates anda entretido a processar quem diz mal da sua santa e imaculada pessoa.
Na impossibilidade técnica de processar todos os portugueses sentados à mesa do café, ele e Augusto Goebbels Santos Silva, optaram por processar jornalistas e colunistas. As últimas vítimas foram alguns jornalistas e o director do Público - devido a uma notícia acerca da discrepância de valores do preço das casas do prédio onde mora o PM - e o colunista do DN, José Miguel Tavares.
Este último teve a ousadia de dizer, num texto de opinião (e assinalado como de opinião), que "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina". Mais, atreveu-se a dizer (a opinar) que Sócrates "tem vergonha da democracia portuguesa por ser 'terreno propício para as campanhas negras'; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático".
E pronto, isto valeu uma queixa-crime do PM sobre o colunista.
Isto é grave. Isto é muito grave. Por muito menos que isto, Santana foi apelidado de fascista. Estamos de volta aos tempos do "quem se mete com o PS, leva!". Com a agravante de agora ser o próprio PM quem mete acções em tribunal, quando devia, digo eu, estar ocupado a tratar dos problemas do país.

Para além de tudo isto, que é uma tentativa grosseira e fascistóide de amordaçar a opinião pública, há uma campanha subreptícia de controlar os media. O Diário de Notícias, onde escreve o colunista, nada fez. Nem um gesto de solidariedade para com o seu colaborador. Comeu e calou, enviando um bem claro sinal para todos os outros seus colunistas: não critiquem Sócrates, porque o jornal não vos vai defender, e se forem processados arriscam-se a ficar sem casa (os jornalistas do Público arriscam-se a ter de pagar 250 mil euros).

Independentemente de haver ou não alternativa, eu só peço é que toda a gente pense muito bem em dar o seu voto a alguém assim. Mais uma vez, depois não se queixem.

PS - O DN é o jornal onde trabalha a namorada de Sócrates. A mesma que, num programa de televisão, defendeu com unhas e dentes que os jornalistas (classe a que pertence) estão a fazer um péssimo trabalho no caso Freeport, que não fazem investigação, que se limitam a ser orquestrados. A mesma que, através dessas declarações, pôs em causa o trabalho dos seus colegas de redacção, publicamente e porque se sabe intocável, por ser namorada de quem é. E a direcção do jornal não fez nada, ignorou. Consentiu.
A mesma direcção que censurou uma notícia acerca da validade dos processos judiciais a jornalistas, por achar que podia ser interpretada como um ataque ao PM.
De facto, o respeitinho é muito bonito.
A cara de pau e a rotunda

José Sá Fernandes, que se baldou do Bloco e vive o glamour do mainstream, está em alta. Longe vão os tempos em que embargava túneis e comia sandes de coirato. Agora, que aquece a caminha de António Costa antes de este se ir deitar, tudo está diferente.
A polémica surgiu depois de o vereador ter mandado retirar do Marquês de Pombal alguns cartazes de propaganda política. O pequeno problema é que o próprio Sá Fernandes, enquanto candidato, também lá teve os seus cartazes. Contradição? Não. Sá Fernandes explica: "Já lá os tive, é verdade, mas quem lá os pôs foi o Bloco de Esquerda". Ah, pronto. Tá explicado. Aliás, se quisermos ser exactos, isso nem é tecnicamente correcto. Quem os pôs lá foram dois pretos em cima de um escadote. Nunca na vida o Sá Fernandes, que é branco. Não se percebe a confusão, de facto.
Mas o vereador tem razão nesta luta para não usar certos locais da cidade para propaganda. Aliás, em 2008, a rotunda do Marquês foi alugada à Sagres e à TMN para fazerem propaganda dos seus produtos, mas aí, com certeza, havia um óptimo motivo. E sim, foi Sá Fernandes quem assinou os contratos que permitiram essas acções.
Conveniências

É oficial. O Governo português apoia a recondução de Durão Barroso. Ontem, no parlamento, a esquerda questionou como pode o nosso PM apoiar ferverosamente a "nova política" de Obama e depois aplaudir Durão Barroso, descrito no parlamento como "o rosto da guerra e do ultraliberalismo". Eu não iria tão longe. Isso seria dar algum valor e princípios e convicções políticas a alguém que, de tão medíocre, é candidato ao título mundial de "bem sucedido sem saber ler nem escrever". O Durão é assim como uma espécie de Nuno Gomes, nunca fez nada de jeito mas lá vai fazendo uma carreira. Como? É um mistério.
Sócrates, apertado por todos os lados, lá explicou, a contragosto, a razão do seu apoio.
"Por ser português"."Uma questão patriótica".
Como se dissesse "eu sei que ele é uma merda, mas gosta de bacalhau".
Como diz o Pulido Valente, Sócrates apoia o Durão como mais uma faceta da saloiice tuga de idolatrar o Mourinho e o Ronaldo.
É apenas mais uma faceta da realpolitik de Sócrates, juntamente com os broches ao regime corrupto de Angola, por exemplo. Que se fodam as convicções, os princípios, a ética, o que interessa é o que conseguimos sacar disso.

sábado, 4 de abril de 2009

Rich Kids

E então, no meio de toda esta merda desta crise, os líderes dos 20 países mais ricos do mundo encontraram-se para resolver os problemas.

Numa cimeira rodeada de tanto paleio, tanta cobertura mediática e tanta expectativa, para os intervenientes darem umas palmadinhas nas costas, umas mezinhas e siga para bingo. Alguém fez as contas, e vista a duração da cimeira, cada interveniente tinha 11 minutos para falar, e salvar o mundo.
Seria de esperar que tal não funcionasse.

Dali saíram algumas intenções vagas, mais dinheiro para o FMI, um super-regulador mundial e pouco mais.
A história do FMI é básica, é dar-lhe mais dinheiro para que o dê aos países à rasca; o resto nem essa utilidade tem, são intenções que serão esquecidas quando o mercado começar a subir.
A verdade é que, de fundamental, nada foi decidido.

Tudo isto aconteceu devido a um modelo económico caduco, e à ganância.
As coisas corriam bem, as economias desenvolviam-se, as empresas tinham lucro, o desemprego descia.
Mas aconteceu algo que é intrínseco ao estado de maturidade (decrepitude?) a que chegou o nosso capitalismo: não era suficiente.
Habituámo-nos a crescimentos insustentáveis, e convencemo-nos de que bastava os chineses começarem a comer bifes e a andar de carro para tudo estar bem.
Errado.

Todo o sistema capitalista assenta na lógica do "sempre mais", mais lucro, mais rápido. E é exactamente essa voracidade que acaba por dar uma das mais fortes machadadas no sistema.
Ele podia durar mais vários séculos, se fosse minimanente comedido. Mas o âmago do sistema é não ser comedido, é ser ganacioso.
E foram esses excessos (tomada de risco alavancado em dívida, como forma de conseguir ganhos muito maiores do que em circunstâncias normais) que levou a esta situação. Com todo este dinheiro virtual (que teria de ser pago), bastou uma peça da cadeia partir para despoletar todo este turbilhão, de pânico e perdas colossais.

O problema, claro, é que isto está a apanhar todos os tipos como eu e vocês que não foram tidos nem achados nesta maneira de fazer negócios, e que não lucraram nada quando isto estava a enriquecer os gajos que agora nos entalaram.

Voltando ao G 20.
Nada de relevante, de facto, foi decidido. No entanto, na semana da cimeira, a bolsa conseguiu o maior ganho em perto de um ano. É normal. Os especuladores andam desesperados por algo que se assemelhe vagamente a um plano.

A verdade é que, para impedir que tudo isto volte a suceder, há que analisar o modelo. Discutir se é mais importante medir o crescimento anual do PIB de um país ou a sua distribuição mais justa. Se é mais importante (ou possível) ganhar sempre a um ritmo mais e mais rápido, ou se faria mais sentido ter calminha e ir ganhando um bocadinho, de forma estável.

É claro que isso levaria mais que um dia, que foi exactamente o que demorou esta cimeira de super-heróis que julgam ter salvo o mundo.
Toda a escola macroeconómica dominante há pelo menos um século falhou redondamente, e tudo o que se faz é remendar e atirar dinheiro para cima dos problemas. O nosso dinheiro, o que é ainda mais aborrecido.

É evidente que não podemos acabar de repente com a especulação. Especulação, ganância e capitalismo puro são o motor das bolsas, e a única forma de combater aqueles fenómenos é limitar muito, ou até acabar, com esses mercados. Como se faz isto, sem rebentar de uma vez com toda a economia mundial (assente unicamente neste modelo)? Não faço ideia.

Mas sei que enquanto não se discutir abertamente que modelo temos e que modelo queremos, estamos apenas a adiar os problemas. O resto é apenas um bando de ricaços a sorrir para o retrato.

Carry on.
Touché

A melhor avaliação de algo que escrevi, pelo meu amigo Ricardo.

"Gostei. Como sempre: autenticidade, simplicidade, poesia. Que sejam enrabados sete vezes os filhos da puta dos editores que te recusaram publicação.

Depreendo o seguinte subtexto:

1. Visão amarga das relações amorosas, concebidas sempre como algo intenso mas efémero, condenado a esmorecer devagar pelo atrito da rotina, “eu não quero morrer devagar, eu não quero morrer devagar”. Encontrei uma boa palavra no dicionário. És um misógamo: que ou aquele que tem horror ao casamento. Conjugalidade é sinónimo de entrada no mundo dos adultos, a chacina das crianças inocentes. Ao pé da nossa mulher não nos podemos peidar. Ponto final.

2. Visão optimista da amizade (masculina), concebida como algo permanente, o porto de abrigo a que se pode sempre regressar depois das tempestades emocionais, um lugar mágico onde nunca se cresce, a neverland de Peter Pan. Com os nossos amigos, podemo-nos sempre peidar. E rirmo-nos como crianças...

3. Resumindo: claro contraponto entre conjugalidade e amizade. Conjugalidade é o mundo dos adultos, das responsabilidades, das exigências, do controlo, do excesso de palavras, da traição. A amizade é o mundo das eternas crianças, das despreocupações, das poucas palavras, da camaradagem, da lealdade.

4. Secundarização das mulheres (misoginia?). Quem está no plano central do teu conto são sempre homens. As mulheres que aparecem nunca existem por si só, são simplesmente as mulheres desses homens, os seus acessórios de quem pouco se fica a saber.

Sub-concordas?"
Orgulhosamente só

Eu não estou no Tweeter.

(nem sei bem o que é).
Halfway between the gutter and the stars

f r e u d diz:
então
que tal?
Kowalski diz:
buba
ressaca
ia vomitando no metro
dead man walking
f r e u d diz:
bravo
Kowalski diz:
tou feito em merda
f r e u d diz:
só te tenho a congratulaer
é para isso que cá andamos
antes andar assim por causa dos copos
Kowalski diz:
claro
f r e u d diz:
e então, estava fixe?
Kowalski diz:
tava bacano
mas eu tava bué podre
mas curti
f r e u d diz:
muito bem!!!
e hoje, xixi cama, certo?
Kowalski diz:
claramente
alias, primeiro cama
se houver vontade de xixi, vai ali mesmo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Only Fools and Horses

"Antiga inspectora coordenadora da PJ condenada a sete anos e meio de prisão"

"Graciete Pinto e Silva, a advogada de defesa, revelou que vai recorrer da sentença. "Por que é que a palavra de 30 inspectores da PJ [que testemunham no julgamento] vale mais do que a palavra de uma coordenadora?", questionou a advogada."

Viva O Isaltino!
Viva O Avelino!
Viva A Fátinha!

Viva o Portugal!

sábado, 28 de março de 2009

The Fear

Com o bom tempo, tão ansiado, chegou a merda da depressão, não sei porquê. Talvez por estar à beirinha de fazer 31 anos, pondo oficialmente um fim ao objectivo de conseguir publicar um livro até aos 30 (tecnicamente, se o conseguisse ainda antes de fazer 31, podia contar. Aliás, já tinha decidido que era isso que ia dizer a mim mesmo).
Acabei finalmente de rever um dos livros que, durante os últimos dez anos, me roubaram anos de vida, para quê? Acabei e tudo está igual. Mesmo os amigos a quem o mostrei, na esperança de que o meu talento fosse de tal forma evidente e avassalador que lhes mudaria as vidas, nada. Uma notícia aceite como uma nota de rodapé.
O meu cão morreu. Tinha 14 anos, e lembro-me de o ir buscar num caixote, era ele um cachorro de orelhas sobredimensionadas. Foi-se agora, não me foi receber à porta no fim de semana, e eu perdi um bom amigo, que me viu crescer.
E depois há tudo o resto. O cansaço. E o pânico de que, faças tu o que fizeres, por mais que sejas bom e trates bem todos aqueles que amas, há coisas que, ainda assim, podem acabar com tudo isso. O cansaço de sentir que tens de ser sempre forte por toda a gente, e ninguém se lembra que todos têm momentos fracos. Todos precisam de um conforto.
E o pânico e a incompreensão atacam em todo o lado, sem aviso. Mas tenho 30 anos, e não faz sentido chorar sem saber porquê. Mesmo que seja isso que apetece.

A boa notícia? Meti a funcionar o gira-discos, e o Bill Evans continua a soar tão bem como sempre.

Paz para todos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Let's look at the traila

Nem de propósito e no seguimento do post anterior aqui está o trailer do filme, acabadinho de sair do forno. Se só pelas imagens já parecia a ser muito bom agora com o vídeo e com a música dos Arcade Fire parece-me ainda melhor.





Videoclip da semana



Mais um grande vídeoclip do Spike Jonze, a mente brilhante por trás do magnífico Sabotage dos Beastie Boys:






E ao impressionante portfolio de videos musicais junta-se dois grandes filmes: Being John Malcovitch e Adaptation. O próximo filme chama-se Where the Wild Things Are e parece a ser cinco estrelas:




terça-feira, 24 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

Candonga Mix






O nojo!

Papa: "Preservativos não são solução para a sida"

Lula critica Igreja por excomungar médicos

Igreja católica dos EUA pagou 436 milhões de dólares por abusos sexuais

Em menos de um mês a Igreja Católica enche, por três vezes, as páginas dos jornais e não é por ajudar os pobrezinhos e salvar crianças. Parece um elefante a saltar levemente sobre os nenúfares.

Alguém diga ao pastor alemão que a estratégia de marketing está toda errada e depois podem chamar o veterinário e mandá-lo abater.

O meu desprezo por esta instituição é cada vez maior!



segunda-feira, 16 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

Legalise it!

How to stop the drug wars

Artigos sobre a legalização das drogas há aos pontapés, mas como a maior parte são escritos por grandes ganzados, o pessoal dá um grande desconto.

Mas quando uma revista como a "The Economist" defende esse ponto de vista, a história é diferente. Mais surpreendente ainda é ficar a saber que há 20 anos atrás tinham exactamente a mesma opinião.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Man On Wire

"UNITA acusa Vale e Azevedo de burla"

O Vale e Azevedo é o MAIOR!!! é preciso ter uns colhões do tamanho da Praça de Espanha para roubar um bando de pretos cheios de catanas, bazookas e essas merdas.

domingo, 8 de março de 2009

The Great Escape

Os próximos três dias serão passados num lugarejo algures na Beira Baixa. Natureza, javalis, substâncias ilícitas e livros. E a minha mulher.
No estado de saturação em que me encontro, soa-me ao céu.
Espero trazer de lá alguma resposta.
Stay cool.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Malhadinhas

Augusto Santos Silva, o ministro socialista dos assuntos parlamentares, continua em grande. O PS aprovou sozinho uma lei contra a concentração nos media, mas o Cavaco mandou-os cagar. Vetou, e Santos Silva amuou. Diz que a legislação sobre esta matéria é "inadiável", basicamente dizendo ao PR que há de voltar à carga.
Um dos argumentos de Cavaco para vetar é que a concentração, só por si, não é sinónimo de falta de liberdade de imprensa. E tem toda a razão. Se um grande grupo, com vários jornais, for livre e independente, tanto melhor, qual o problema em ser um grupo? A questão não está na dimensão, mas na relação entre os directores e donos dos jornais e o poder político.
O que me espanta é que Santos Silva, esse Goebbels de pacotilha, esteja tão preocupado com a liberdade de imprensa. Para alguém que, como eu, trabalha há vários anos na comunicação social, isto é hilariante. Já trabalhei chefiado por pessoas livres, por pessoas compradas e por pessoas que fazem favores tentando serem compradas. E garanto, igualmente, que em quase 10 anos de carreira nunca houve um governo tão preocupado com a comunicação social, no mau sentido. Este governo é o mais manipulador que já vi enquanto profissional, e Santos Silva é o principal mentor desta política.
Tudo o resto é, apenas, propaganda. E da fraca.
Um aplauso Público

Eu gosto do Público. Gosto muito do Público.
Na edição de hoje, 80% do espaço de capa é dedicado ao próprio jornal. Tem um destaque muito grande acerca do futuro dos jornais, das novas tendências, das novas formas de consumir informação. Tem ainda uma página dupla acerca das gralhas e erros - muitos deles hilariantes - que o próprio Público cometeu desde a sua fundação. Enquanto todos os outros jornais estão iguais, com capas parecidas acerca de Freeport, crime e crise, o Público olhou para dentro e, mais uma vez, abriu o jornal aos leitores. Com uma discussão livre, descomplexada e interessante.
As vendas estão em crise, tal como acontece com outros jornais. No entanto, ao contrário de muitos outros, não se comercializou, não se abestalhou, não se apimbalhou. Eu, que há quase 10 anos leio vários jornais todos os dias, compro o Público sem olhar para a capa. Sem ver qual é a manchete. Não interessa. Porque sei que o Público não anda necessariamente a reboque da "agenda mediática" e me vai sempre conseguir surpreender e interessar.
Sei que tem dificuldades financeiras. Que até pode vir a ser vendido e apimbalhado no futuro, até que pode mesmo vir a fechar.
Até lá, vai cumprindo o seu papel. Eu, como leitor fiel, agradeço. Não há outro jornal assim em Portugal.

PS - às vezes arma-se demasiado ao pingarelho. Parece-me excessivo que "Slumdog Milionaire" seja considerado o filme do ano, mas o Público exagerou ao dar-lhe uma bola (equivalente a "pedaço de bosta cheio de moscas").

terça-feira, 3 de março de 2009

A Crise Imobiliária



Tomar, Março 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

F***!!!

"UHF preparam ópera-rock para o Benfica"

Benfiquista sofre...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Momentos socialistas

Em Outubro, o grupo parlamentar do PS votou contra uma proposta do BE e dos Verdes para legalizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. E fê-lo apesar de muitos deputados se dizerem a favor da mudança. Tudo porque a direcção do PS emitiu um sentido de voto. O argumento? Aquele não era o momento de discutir o assunto, até porque não estava no programa do governo. Por acaso até estava, no dito programa, acabar com as discriminações em função da orientação sexual, mas isso se calhar sou eu que estou a prender-me com pormenores.
Mas, de repente, afinal o casamento homosexual já deve ser discutido! Quatro meses depois, agora sim, este é o momento. No auge da crise económica, agora sim, vamos abrir a discussão. Mais, é o PS que propõe e aparece como o principal defensor da ideia. Isto apesar de a ter rejeitado em Outubro, apenas porque outros apresentaram então a proposta.
José Sócrates, que conseguiu cair no ridículo de recomendar o filme "Milk", qual Lauro António de pacotilha, está agora preocupadíssimo com o assunto.
A explicação é estupidamente simples.
Sócrates já percebeu, nomeadamente pelas sondagens, que não vai ter maioria absoluta. Mais, que se arrisca a não ter a maioria por causa da esquerda, já que a direita não faz a mínima ameaça. Como tal, nada como meter na receita um simples e básico condimento de esquerda, para roubar uns votitos ao PC e ao BE. Isto depois de quatro anos de uma governação burocrata, tecnocrata, liberal e de centro-direita. É um truque demasiado básico para resultar.
Ainda assim, a medida é óbvia e justa, ainda que eu não perceba muito bem por que carga de água um casal homosexual - que como tal assumiu a diferença na sociedade - quer poder recorrer ao casamento, a instituição mais tradicionalista que existe.

PS - Sócrates tirou ainda do baú a regionalização. É algo que o país não está a discutir e do qual, francamente não quer saber. E é uma ideia de merda, cuja única consequência seria criar toda uma nova classe de burocratas locais, aumentando o parasitismo e a corrupção.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O doente do Obama





A culpa é do Genético!



Numa noite quente na Ilha da Fantasia:

- ... na maior safadeza você diz que me ama!"
- The plane! The plane!

49 anos depois:

- Ai ai ai ai ai ai mas que raio de Democracia é esta?


Momento Zovirax

Herpes foi motivo de agressão de Chris Brown a Rihanna

Eu sou do tempo em que a culpa era sempre do álcool.

Final Fantasy Bollywood style



O cinema indiano entra na era digital. Medo, muito medo! Para o caso de pensarem que a face do herói foi criada de propósito, ficam a saber que o senhor existe e é uma superestrela na Índia... deve ser do cabelo!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Nicho de Mercado

Bispos querem voto contra quem defende casamento homossexual

Até se percebe. Passando os homens poder casar uns com os outros, perde-se um valioso e secular factor de apelo à carreira ecleciástica.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

É Pá Na Me Fodam...

Mas que raio é aquilo, daquela aberração da SIC, uma tal de "A Vida Privada de Salazar"???

Um Salazar fodilhão? Um Salazar a comer gajas?

Um Diogo Morgado a fazer de Salazar? Um Salazar sem sotaque e com sotaque, na mesma frase?

Até o Shrek em português imita melhor o Salazar.

É pá....

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Efeito BÚUUUUUUUUUUUUUUUmerangue!!!

Durou mais do que se estava à espera, o Big Phil já foi com os porcos no Chelsea... agora é só o Carlinhos Queiroz fazer a merda do costume na quata-feita... e lá vem o Felipão e a merda das bandeirinhas à janela... e o Carlinhos volta a ser a secretária do Ferguson.
Bullshit

"Álcool: consumo excessivo é responsável por dez mil suicídios por ano"

Se isso fosse verdade, eu já me tinha suicidado. Aliás nem haveria ninguém para escrever aqui no tasco.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Esquerda Moderna (e Moderada)



“Gosto é de malhar na direita. E gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço. E que gostam de se dizer de Esquerda. Ou plebeia ou chique. Estou-me a referir ao PCP e ao Bloco de Esquerda”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Letter to Dominique

FOGASSE!!!!

"HORRIFIED Wayne Robinson yesterday showed for the first time the tattoos a girl carved on him as he slept after a night of lust."

Já não há nada sagrado?

I Love The Smell of Defeat

Como bom Lampião que sou adoro sempre que o FCP leva na pá, mesmo que seja o Sporténgue a fazê-lo...

... e mesmo que seja contra a equipa B ou C do FCP, ou até mesmo os infantis ou a equipa de Boccia.
R.I.P. - Lux Interior



Vocalista dos Cramps morre com problemas cardíacos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sometimes...

De cada vez que vejo um Miguel Ângelo, o dos Delfins não o génio da Renascença sinto uma vontade de incomensurável de correr na sua direcção e fazer-lhe uma placagem para cima de um monte vidros partidos e seringas, para depois eu ser aclamado e carregado pela multidão qual matador de touros. E depois recber o Nobel da Paz.

Ah!!! Sweet dreams...
Orelhas Vesgas

Segunda-feira de manhã, fila para máquina de café. diz um beto:

"No Sábado, estava à porta do concerto da Mafalda Veiga a segurar as cervejas..."

What 'da Fuck?!!!

Que culpa é que tem a cerveja???

E Mafalda Veiga, nem com Rohypnol e muito menos com álcool.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Apenas mais um domingo à tarde

Domingo, duas da tarde. O homem sai de Lisboa feito num caco, com a ressaca a esmagar-lhe a cabeça. No centro da Parede, estaciona o carro e entra na loja de fragos takeaway. "Tu consegues fazer isto, relaxa", pensa ele, sentindo o cheiro do frango assado a provocar-lhe o estômago. "Um frango com picante e um pacote de batatas, por favor", pede, à senhora sorridente do lado de lá do balcão, num ar saudável que o agride como um insulto. Feita a transacção, só tem tempo de dizer "bom fim de semana e obrigado", já o tremor anuncia o desastre.
Chega ao carro, acreditando que vai conseguir, que vai aguentar até casa. Mas cedo se apercebe que, de facto, isso não é possível. Abre a porta e deixa o frango no lugar do condutor. Procura um bom local, na rua principal da localidade onde cresceu. Um pequeno beco entre a loja de frangos e a joalheria que nunca abre, um beco no qual ele nunca tinha reparado. Talvez Deus tenha colocado aquele beco ali, naquele momento, para o salvar. Atravessa rapidamente a rua. Mesmo a tempo. Um jacto, rápido, aspirina efeverscente, água e pouco mais. Sente-se melhor. De imediato volta a sentir-se pior, e o segundo jacto, agora forte, imparável. O beco alaga.
O homem vira-se limpando a boca. Uma senhora olha de lado e dá um esticão à trela do seu caniche, atravessando a rua.
Ele entra no carro, depois de limpar os sapatos no passeio.
Arranca. Era hora de almoço de mais um domingo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

São Loucos Estes LVSITANOS!

Somos um país de parolos, cagalhotos merdosos e medrosos.

Ele é o D. Sebastião que aí vem, o novo Eusébio, o futuro Cristiano Ronaldo, os Sousas Martins, o milagreiro e o jornalista... agora até temos o Obama português, aliás os Obamas Portugueses, provavelmente arraçados de raça-lobo, raça essa tipicamente lusitana.

Não sei quantos serão ao todo, deixei de contar ao segundo Obama Português.

Há um meio-preto do Seixal e há aquele o Aristides Teixeira que é conhecido por ser o chato da Associação dos Utentes da Ponte 25 de Abril e por ser o preto que fazia de pirata no Eu Show Nico.

Agora qualquer merda é o Obama Português, basta ter posto os pés em África, Ceuta serve.

Ainda vamos ver o Santana barrado com graxa Búfalo a proclamar-se Obama-Mor.

Quando um português se atira para a linha do comboio, atiram-se logo dois ou 35.

Quais Obamas? Obananas certamente.

Yes, we can? Sure not!
Teste de Homem

Ao ler a Visão desta semana, deparei com um trabalho acerca do homem moderno.
Há até um teste espectacular, para podermos ver se somos ou não homens modernos.

Aqui vão os tópicos:

1 - Embeleza as unhas das mãos e dos pés e branqueia os dentes

2 - Aplica técnicas anti-envelhecimento (estéticas e plásticas)

3 - Cultiva a arte de estar com os filhos

4 - Deixou de ser predador sexual

5 - Respeita regimes alimentares

6 - Tem prazer em cozinhar e decorar a casa

7 - Cuida dos olhos e das sobrancelhas

8 - Cumpre programas de fitness

9 - Mostra fragilidade em público

10 - Está aberto aos sentimentos

11 - Usa brincos, pulseiras e outros acessórios

Da leitura que faço, a escala é mais ou menos esta: se não te indentificas com nada, és mais do que um homem, és um neandertal; entre um e 4, és um gajo; entre 5 e 7 és metrosexual; de 8 a 9 és bicha; 10 és gaja; 11 és o Cláudio Ramos.


Se acham que perderam tempo a ler este post, deixo aqui uma informação útil, o motivo pelo qual nunca se dever ler a Men's Health: segundo a Visão, um inquérito mostrou que 75% dos leitores desta publicação afirma depilar-se.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

One for old times sake

No dia em que um casal de bons amigos teve o primeiro filho, cheguei a casa após 14 horas de trabalho e dei comigo a ouvir um album que não ouvia há muito, muito tempo. "Jar of Flies", Alice in Chains. Não sei se foi uma reacção ao facto de ver toda a gente à minha volta a crescer e envelhecer, mas voltei, sem pensar, à banda que me acompanhou durante boa parte da minha adolescência. O tempo em que andava de camisa de flanela e cabelo comprido e parecia um idiota, mais do que agora.
É um grande disco, de uma grande banda, que acabou.
Tem sido uma viagem interessante.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mulheres, não casem com Muçulmanos. Casem com Paneleiros.

Na semana passada: O Cardeal Patriarca de Lisboa surpreendeu na noite de terça-feira o auditório do Casino da Figueira da Foz ao advertir as jovens portuguesas para o "monte de sarilhos" de se casarem com muçulmanos.

Esta semana: O jesuíta Manuel Morujão defendeu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não ajuda a resolver um dos grandes problemas do país: a crise demográfica.

domingo, 18 de janeiro de 2009

I see irrelevant people

Fazer televisão é lixado. Fazer boa informação em televisão, quando todos os canais estão numa deriva popularucha, pimba e amerdalhada, é mais complicado ainda.
Mas quando vejo a SIC Notícias a fazer uma mega-cobertura-especial do fim de semana do congresso do CDS, só me vem à cabeça há quanto tempo o Meatloaf não faz uma digressão como deve ser.
Pontas de lança

Nos últimos dias, muito se especulou acerca da utilização de Viagra por parte dos jogadores de Grémio e Palmeiras, nos jogos a realizar em Cochabamba e Bogotá. São locais de altitude, limitando a capacidade física de quem não está habituado, gerando uma desvantagem competitiva para as equipas visitantes.
Depois de terem admitido a hipótese, os médicos das equipas brasileiras já vieram dizer que, apesar de tal hipótese ter sido equacionada, não será cumprida.
Mais do que os efeitos sobre a capacidade respiratória dos atletas, creio que não utilizarão o Viagra pelo medo de ter os seus avançados sempre em fora de jogo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Álibi Babá

«Carlos Cruz com «álibis sólidos» nos dias dos crimes»

Será uma tesão monstra um álibi sólido q.b.?
Cardeal Patacoada de Lisboa

José Policarpo fala em “montes de sarilhos”
«Cardeal patriarca alerta portuguesas para riscos de casamentos com muçulmanos»

Hossana, hossana nas alturas, Osama cá em baixo.

Ele é o Alegre, ele é o Cardeal... Ano da Graça de Dois Mil e Nove, o ano da senilidade.

Pois é Sô Cardeal, é bem melhor as moçoilas casarem com belos moços católicos praticantes papa-meninos e que as espancam de vez em quando. Tudo na Paz do Senhor, claro.

Olhe Ó Sô Cardeal, vá, vá... olhe, vá BADAMERDA!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Alegre Cagalhão

"Alegre diz que a porta para acordo com Sócrates «é estreita»"
Deputado socialista recorda que teve uma quota na maioria absoluta do seu partido

Manolito Alegre essa carcaça esquerdista caquética, do blá blá blá, do "faço e aconteço", reclama, reclama mas na hora da verdade lá vai ele comer na mãozinha do Sócrates.

Ó Alegre... Vai cagar pá!!!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A actualização necessária

Bom, eu sabia no que me estava a meter com o último post. Na verdade, fi-lo porque, enquanto benfiquista e bom chefe de família, sabia que era de aproveitar os diazitos de liderança que nos restavam, porque isto ia dar merda. E deu.

Enfim, o jogo. Levámos na anilha do Trofense, e bem. Ninguém jogou nada. Uma equipa que corre muito, luta muito, mas que claramente não sabe o que está a fazer dentro do campo. A equipa não marcou um canto de jeito, que é algo que me intriga. Atão os gajos não treinam aquela merda todos os dias? Enfim. Fio de jogo, zero. E eu, um reles jornalista cuja experiência futebolística se resume a jogos de futsal de ano a ano e 20 anos de tarimba enquanto espectador, passei treze minutos a gritar para a televisão, a pedir que o Quique acordasse e tirasse o mutombo do Bynia. Toda a gente viu, mas não Quique. Era estar a pedi-las. Gosto do treinador, gosto da postura, de tudo, e isso para mim chega, habituado que estou a ver o Benfica não ganhar nada. Deixem o homem trabalhar em paz, e nas próximas épocas logo se vê. Mas já era tempo de se ver algum futebol, o mínimo de consistência, o mínimo de continuidade no jogo.

Mas isto de ser adepto do Glorioso é duro.

Eu aceito começar o ano com chuva. Aceito que a chuva se vá embora e venha um frio nórdico mas sem as louras boazudas. Aceito começar o ano a vomitar repetidamente. Mas é lixado começar o ano a perder, sem apelo nem agravo, na Trofa (where the fuck is that?), ser ultrapassado pelo Porto e este ter ganho com um golaço do cabrão do Cebola.

Está decidido. Não voltarei a falar de bola - pelo menos com adeptos de outros clubes - até que o Benfas ganhe alguma coisa, pelo que é coisa para demorar algum tempo. Estou em blackout.
Façam-me o favor. Se me virem quebrar este compromisso, mandem-me com um tijolo à tola.

Obrigado.

sábado, 27 de dezembro de 2008

É aproveitar enquanto dura!

Mais um fim de semana em que o Glorioso se mantém na liderança do campeonato.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Custa ganhar a vida

Quero falar-vos de uma senhora, de seu nome Solange F. (aqui devia vir um ponto final, mas devido ao nome estúpido da senhora a coisa fica estranha).
É aquela senhora que era apresentadora do programa execrável Curto Circuito e que, perante a total indiferença do "grande público", decidiu anunciar no Expresso que era lésbica. Quero ainda recordar que a capa da revista do Expresso tinha a frase "Sou lésbica. E então?", mas foi ela quem veio gritar isso na capa de uma revista. "E então" pergunto eu.
Agora, que a coisa começava a esfriar, a dita senhora decidiu despir-se para a FHM. E em boa hora o fez, como se pode ver pela imagem anexa. Em entrevista ao Correio da Manhã, a senhora justifica a sessão fotográfica como uma "luta contra o preconceito". Sim, de facto, é uma enorme luta contra o preconceito uma tipa despir-se para a FHM, com uma cabeleira loira na cabeça. Não só contra o preconceito, também contra os clichés, digo eu.
E que refrescante é alguém se assumir, "corajosamente", homossexual, num meio em que isso é tão raro - a televisão - e, ainda assim, promover algo tão machista (no bom sentido) como posar nua para uma revista.
Solange F. é lésbica. Bom para ela. Na minha rua há uma também, igualmente sem qualquer talento especial, mas não aparece nas revistas nem é bandeira de coisa nenhuma. Talvez seja por ter um cu do tamanho de uma casa.

Enfim, não se perdeu tudo:




PS - ao pesquisar na net o nome da senhora, dei com alguns endereços que, apesar de parecer, não são a gozar, nomeadamente um blog chamado mirandelagay.
Fabuloso.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Good Lord, He's Back!

E, no final de 2008, Santana Lopes está de volta. Acaba de ser anunciado oficialmente como candidato à CM de Lisboa, naturalmente pelo PSD.
Acontece que toda a cerimónia, feita para a televisão, teve a sofisticação e o toque de génio só vistos em festas de garagem e galas da TVI. Manuela Ferreira Leite, para quem aparentemente a credibilidade é tudo, terá engolido um sapo do tamanho dos Jerónimos, e não esteve presente. Foi o seu pequeno lacaio, Paulo Rangel, quem fez o anúncio, mascarando o evento com a divulgação do nome de mais meia dúzia de candidatos desconhecidos e irrelevantes. Tudo para tentar tirar peso mediático ao anúncio de Santana Lopes, como se não fosse esse o único objectivo da iniciativa. É lixado, quer-se apresentar um gajo mas depois tem-se vergonha do gajo. É a história da vida de Santana Lopes que, qual José Castelo Branco, se vai passeando por este país fora aparentemente convencido de que alguém o está a levar a sério.
2009 será um ano bem divertido.
O Bardo de Águeda

Manuel Alegre, o deputado-poeta, anda por aí todo ufano, tonitroante, qual adriano correia de oliveira cantando as faias e as boas novas da esquerda.
Acontece que ele gosta é de fóruns. Fóruns. Fóruns, debates, iniciativas, coisas, pá, cenas, man.
O que ele não gosta é de, efectivamente, fazer alguma coisa.
Depois de se ter entusiasmado no último fórum da esquerda desgarrada, alucinando que ainda estava em 1978 e que ainda não era mais um deputado aburguesado desta desgraçada nação, disse que o seu movimento devia ser uma alternativa de poder. É claro que os jornalistas, esses magarefes, tiraram a conclusão, e fizeram disso títulos, de que Alegre ponderava criar um novo partido.
Mas, enfim, lá veio o poeta hoje pôr os pontos nos i. Afinal, não. Nada disso.
Foi tudo um erro de interpretação.

«Falei de alternativa de poder, não disse que ia fazer um partido, nunca falei em partido. Disse que depois de termos quebrado o tabu de que a esquerda não dialoga, há outro tabu que é preciso quebrar que é o de que a esquerda não quer ser poder», argumentou Manuel Alegre, disparando, em seguida, contra os jornalistas: «Não me queiram forçar para vender jornais, não ponham na minha boca o que eu não disse.»

Pois. Alegre pode não querer vender jornais, mas na verdade não tem nada para vender a não ser ele próprio, algo que ele faz todos os dias há pelo menos quatro anos.
Vi-o há pouco na televisão. Manda vir com o governo, diz que vai por mau rumo. Quer unir as esquerdas, mas o PS obviamente não se quer unir com ninguém, até porque há muito deixou de ser de esquerda. A única vez que foi a votos, lembre-se, foi apenas porque o lugar de candidato oficial do PS lhe tinha sido prometido, e foi depois dado a Soares. Foi apenas o reflexo de um ressabiado. A verdade é que, no momento certo, não age. Não sai do partido, sabendo perfeitamente que o PS só o quer para fazer o papel de "idiota útil". Fala em unir as esquerdas, mas espera que o PC e o BE lhe venham beijar as botas, sendo ele o líder e, ainda assim, deputado e membro do PS.
Mas a vidinha santa de São Bento, essa ninguém lha consegue tirar.
A esquerda começa a dar, finalmente, sinais de vitalidade e de renovação, ainda que nao de juízo. E onde estava Alegre quando as coisas estavam realmente más?
Na verdade, é só bazófia, o que é óbvio em alguém que consegue dizer a absurda frase de "o meu camarada Sócrates".
Alegre não fode nem sai de cima.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Aonde É Que Está Um Sniper Quando É Preciso?

"Deputados voltam a faltar à sexta-feira"
Uma Coisa Que Não Tem Nada a Haver

Homens-Esplanada
Vergonha nacional

Agora que começaram as alegações finais do processo Casa Pia, há coisas que me estão a fazer confusão.
Em primeiro lugar, o tribunal continua a ignorar olimpicamente vários assuntos "laterais" que, perdidos na voragem da comunicação social acéfala, vão caindo no esquecimento.
Em primeiro lugar, ninguém pede indemnização nem ao Estado nem à Casa Pia. Dois dos alegados abusadores eram funcionários da instituição. Mesmo que não fossem, o Estado tem a obrigação legal e moral de cuidar daqueles que, desprotegidos e fustigados pelas incidências da vida, ficaram à guarda da Casa Pia. O Estado falhou em toda a linha. A própria Catalina Pestana, que aparece agora como protectora dos coitadinhos, já tinha funções de responsabilidade na instituição quando havia abusos, alguns dos quais estão agora em julgamento. E a sua responsabilidade? E a responsabilidade do Estado, que devia proteger quem mais precisava, sobretudo numa instituição em que há muito corriam as informações sobre o que se passava?
Talvez haja uma explicação para o facto de as vítimas não pedirem indemnização ao Estado. Sabem que é o advogado das vítimas? O mesmo advogado da Casa Pia. A própria instituição pede indemnização aos arguidos devido aos efeitos nefastos que estes tiveram sobre o bom nome da instituição! Quanto à sua própria responsanbilidade, ao seu extremo desrespeito pelos seus mais elementares deveres, nem uma palavra.
Pois.
Mas há mais.
Há pessoas - todos sabemos quem são - que não chegaram a ser acusadas com base em tecnicalidades que ninguém percebeu, apesar de terem sido claramente identificadas. Toda a gente sabe o que aconteceu. E ninguém faz nada.
Toda a gente sabe - ouviram-se escutas em julgamento - que Paulo Pedroso foi avisado de que ia ser constituído arguido. Que falou com Ferro Rodrigues, que falou com António Costa, que falou com Jorge Sampaio, que falou com o então procurador Souto Moura para ver como limitar os danos. Que a informação chegou ao PS através de Saldanha Sanches, marido de Maria José Morgado - a campeã anti-corrupção - que soube da notícia no leito conjugal. Este nojento tráfico de influências foi exposto, através de escutas, em julgamento, e ninguém faz nada. A lei manda que se abrisse um processo autónomo, mas nada foi feito. Estranho? Não sejamos ingénuos.
E assim vamos no campeonato do Totobola, apostamos se os arguidos vão ser condenados ou absolvidos, quando nada disso é o que realmente importa.
Este processo mostra até que ponto o país, o Estado e os partidos estão podres, e "no pasa nada".
É a vergonha nacional.
República das bananas

Nesta quinta-feira, deu-se na Madeira - aquele calhau no meio do mar - uma cena espectacular a fazer lembrar os vídeos do parlamento de Taiwan com os deputados à porrada. Desta feita, infelizmente não houve molho a sério, mas só não houve isso. Com Alberto João Jardim presente no parlamento, houve insultos de parte a parte, a um nível só igualado pela última série dos Mini-Malucos do Riso.
Alberto João perdeu a paciência, e fez uma ameaça que, aposto, nos vai deixar a todos sem dormir nas próximas 23 semanas:
"Ou respeitam o povo madeirense ou a república vai sofrer as consequências!", foi a sua frase.

Vais fazer o quê? Cortar o fornecimento de bananas?
O regabofe

Muita tinta correu acerca das faltas dos deputados na sexta-feira passada. Basicamente, não estava lá ninguém.
Percebe-se. Era feriado segunda-feira, e com uma baldazita na sexta, aí tínhamos um belo fim de semana de quatro dias. Que português não percebe isto, hã, meus amigos? Vá, sejamos justos. Eu percebo. Eu também gostava. Pois, mas não posso.
A balda de sexta-feira é uma tradição portuguesa tão nobre como as touradas e o passeio dos tristes a Sintra, ao domingo.
E agora, depois da bronca, veio a solução para o problema. Afinal, era bem simples. Guilherme Silva, mais um excelente deputado do PSD, teve a ideia genial, um verdadeiro ovo de Colombo: acabem-se com os plenários à sexta-feira. Pronto, fazem os plenários de segunda a quinta, vá lá, e sexta ficam livres para fazer...aaaa...como é que se chama a desculpa deles?....ah, já sei, "trabalho político-partidário".
Espectáculo.
Isso é como acabar com as operações Stop na estrada porque a malta bebe uns copos e vai conduzir. Pronto, acaba-se com as operações Stop e já ninguém fala mais nisso.
Eu percebo os nossos deputados. A sério.
Só me custa é trabalhar doze horas por dia, muitas vezes seis dias por semana, para lhes pagar o ordenado. Isso é que me custa um bocadinho.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Há petróleo no Beato?

E, de repente, é só guita. Falo do nosso Estado, é claro. São 4 mil milhões de euros para reforçar o capital dos bancos, são 20 mil milhões de garantia para os mesmos bancos poderem emitir dívida, são 900 milhões para o sector automóvel, é TGV's e tudo o mais.
Partilho do asco de muito boa gente acerca do salvamento dos bancos em dificuldades. Por uma questão ideológica, e pelo preconceito de classe que, felizmente, ainda me acompanha, custa-me muito aceitar naturalmente que o nosso dinheiro seja utilizado para salvar instituições cujos gestores - muitos com ligações perigosas ao poder político - enterraram com práticas fraudulentas ou apenas de má gestão. Custa-me ver isso e saber que, por este país fora, estão a fechar centenas de pequenas e médias empresas sufocadas pela concorrência externa, e a quem o Estado não dá a mão, porque aí deve funcionar o mercado, o sacrossanto mercado do socialismo de pacotilha do modernaço Sócrates.
Custa-me, é verdade, mas entendo-o.
Os bancos são o coração de qualquer economia, e ainda mais da nossa. O mundo vive a crédito. Não são apenas os plasmas gigantes e as playstations e o carro novo de que, de facto, não precisamos. Ao nível das empresas, tudo funciona a crédito: qualquer novo investimento, qualquer reforço relevante de pessoal, qualquer plano de expansão para novos mercados. Até as simples actividades correntes se socorrem, muitas vezes, do crédito, em momentos de maior aperto. Bancos na falência significa quebra de confiança no sistema, significa buracos financeiros para os outros bancos (todos emprestam dinheiro entre si), significa, sobretudo, um congelamento ainda mais intenso da concessão de crédito. E se, ao nível individual, um pouco mais de dificuldade no acesso ao crédito não é mau, já ao nível das empresas poderia ter resultados graves, ao nível do desemprego.
É por tudo isto que, se ideologicamente a ideia me repugna, consigo aceitar que o Estado ajude alguns bancos.
Mas a minha questão não é essa.
Nós levámos com uma crise internacional em cima. O Sócrates está a tentar convencer-nos que a culpa é desse fenómeno, mas a verdade é que Portugal já estava bem enterrado na merda antes do furacão financeiro e do 'subprime'. Há um ano e meio atrás, com altos preços dos combustíveis, perda generalizada do poder de compra e o desemprego a subir, o discurso era, ainda, o da cartilha do défice. Não se podia esbanjar, não se podia gastar, porque o país tinha um problema grave de contas públicas. Acontece que, hoje, as contas públicas estão piores do que estavam há um ano, e de repente há dinheiro para tudo. O facto de termos um ano eleitoral cheio em 2009 não é alheio a isto.
Mas o que eu pergunto é: estamos ou não perante a prova inequívoca de que andámos a ser enganados? De que havia dinheiro, de que havia mecanismos para ajudar o povo em dificuldades, mas que sempre nos foi dito o contrário.
É esta a profunda contradição. Não se pode pedir rigor e seriedade agindo com desonestidade, contando ao povo apenas parte da história, a parte que nos convém.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

É por isto que este país não vai para a frente


Kowalski diz:
não apareceste na festa, foi bacano
Kowalski diz:
tive a meter som com outro gajo, ele era uma ganda nódoa
freud diz:
foda-se estava meio engripado e com uym frio do caralho
freud diz:
mas esteve fixe?
Kowalski diz:
eu tb, mas o viske resolveu
Kowalski diz:
sim
freud diz:
nem sequer fui aos anos do luis, ao chefe nando, vê lá
Kowalski diz:
eh lecas
Kowalski diz:
mas ouve, foi lindo. o outro só metia , a malta a cagar para ele
Kowalski diz:
eu entrava e era o delírio
Kowalski diz:
é sempre bom quando a concorrência é uma
freud diz:
vês
freud diz:
nada como desistir
freud diz:
quando a concorrência exige um esforço em demasia
Kowalski diz:
claro
Kowalski diz:
é da natureza humana
freud diz:
mas há aqueles que se esfalfam até ao fim
Kowalski diz:
otários
freud diz:
eu se fosse atleta de competição, assim que visse que ía peder, desistia
Kowalski diz:
eu no máximo podia ser atleta de média competição
Kowalski diz:
ou baixa competição, mesmo
Kowalski diz:
alta competição é para aqueles freaks que fazem desporto desde os 3 anos
freud diz:
mesmo com gajas, quando vejo a coisa muito difícil, perfiro o descanso
Kowalski diz:
pois
Kowalski diz:
sobretudo no inverno
Kowalski diz:
que custa mais a actividade e é mais difícil avaliar a mercadoria
freud diz:
sim, e depois estar em casa nem é tão mau
Kowalski diz:
ou seja, o esforço pode redundar mais facilmente numa desilusão, escondida no meio das camisolas
freud diz:
andar aí na noite desaustinado à procura de rabos de saia + jaqueta + cachecol + sobretudo + impermeável + + +
freud diz:
nããããã....
Kowalski diz:
too much trouble
freud diz:
imagina, estares a descascar a cena e sai-te o tiro pela culatra, depois de uma noite e,m que pagas copos e mais copos?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

The real pro

Hoje vi, pela primeira vez, o actual programa novo do Júlio Isidro. Chama-se Quarto Crescente, ou Quarto Minguante, ou qualquer coisa assim a ver com a lua.
Para mim, as palavras Júlio e Isidro trazem-me sempre um sorriso de escárnio aos lábios. A minha geração, que cresceu a ver o senhor na televisão, encara-o como um símbolo do antigamente, uma relíquia kitsch que está no duvidoso panteão ocupado por figuras como Badaró, Luis Pereira de Sousa, Eládio Clímaco, Avô Cantigas, Vasco Granja ou o Engenheiro Sousa Veloso.
Sim, ele é um tótó. Sim, ele é um xoninhas. Sim, ele é bastante ridículo, se quisermos ser cínicos.
Mas também é, e só hoje me apercebi disso, um grandíssimo profissional.
Neste programa, os dois convidados principais eram o Carlos do Carmo, a comemorar 40 anos de carreira, e o Miguel Chen, o do circo, a comemorar 50 anos de carreira. O Júlio Isidro também não é nenhum jovem. Mas a verdade é que, contra todas as expectativas, o programa foi muito interessante. Júlio Isidro é, acima de tudo, um gentleman. Tem um genuíno interesse pelas pessoas com quem fala, coloca-as no centro das atenções e não a si próprio, não se exibe, não se impõe. Mais do que entrevistar, ele conversa. E tudo com uma polidez e um respeito que já não se vê em televisão. Mais, informa-se sobre as coisas, e isso permite-lhe fazer perguntas inteligentes e interessantes. Trata com carinho as pessoas que aceitam o seu convite para conversar à frente de milhares de pessoas. Não tenta enganar ninguém, não aldraba, simplifica sem cair no facilitismo ou na burrice, problema de muitos "apresentadores" que por aí andam.
Neste programa falou-se de fado, de circo, de flamenco e de ópera. Tudo de forma simples, acessível, cativante mesmo para quem acha que essas coisas são só para os eruditos, ou os ricos. Júlio Isidro é, no que toca à televisão, um homem profundamente democrático. Não é preciso dar merda às massas só porque são massas. Se lhes dermos coisas boas, da maneira certa, elas não fogem. Isso, e uma serenidade à prova de bala, fizeram-me escrever este post ridículo.
E ainda a floresta de "Caras Notícias", "Fama Shows", "Praças da Alegria", Teresas Guilhermes e Josés Figueiras que pululam pela caixa quadrada.
Júlio Isidro é serviço público. Deviam fazer-lhe uma estátua à frente da RTP.
Tenho dito. Venha a crítica.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A crise, via MSN

freud diz:
é impressão minha ou a crise agudizou-se desde que morreu o badaró?
freud diz:
mercados em queda, falências
Kowalski diz:
é coisa para deprimir qualquer um
Kowalski diz:
era uma pessoa estimada
freud diz:
isto é que vais uma crise
freud diz:
*vai
freud diz:
ontem tive insónias e deu-me para ver o euromilhoes
freud diz:
euronews
freud diz:
é o fim ddo mundo em cuecas
freud diz:
esta merda está a levar um abanão tal..
Kowalski diz:
pois
Kowalski diz:
valha-nos o benfica
freud diz:
e a selecção
Kowalski diz:
sim
Kowalski diz:
isso sim é uma crise
Kowalski diz:
O Queirós, ou queiroz ou lá que merda é, é o vítor constâncio do futebol
Kowalski diz:
ou não faz nada ou só faz merda
freud diz:
e quando nada faz, consegue ser enrabado
freud diz:
foda-se

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Versus

"Joaquim de Almeida lamenta a crise actual"

Crise actual lamenta Joaquim de Almeida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Vá lá, dê-nos um desconto

raviolli_ninja says:
A gaja do escritório para alugar já telefonou?

pituín says:
Nop

raviolli_ninja says:
Puta putéfia, cheira-lhe a fim de semana, já não quer fazer nada.

raviolli_ninja says:
Há-de lhe dar um corrimento vaginal tão forte este fim de semana que vai ter de andar de galochas.

pituín says:
Credo

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cego, surdo & mudo

O Presidente da República considerou hoje que deve "abster-se" de fazer comentários públicos sobre matérias que são polémicas entre os partidos, nomeadamente investimentos públicos como o TGV."Quando as matérias são polémicas entre as diferentes forças político-partidárias, o Presidente da República deve abster-se de fazer comentários públicos", afirmou.

Deixem-me ver se percebi. O Presidente deve falar quando os assuntos não são polémicos, não são discutidos. Isso deixa o quê? O míldio e o oídio? O estatuto dos Açores?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Modernices

Não sei porquê, houve uma televisão que se lembrou de noticiar que, desde 2007, tornou-se crime, em Portugal, um pai ou uma mãe dar uma palmada numa criança. É crime.
E eu, a princípio, não queria acreditar. Mas depois comecei a pensar, e de facto faz todo o sentido. A Suécia foi o primeiro país a fazê-lo, é completamente lógico que a gente vai atrás.
É lógico na mentalidade tacanha do Portugal modernaço de Sócrates. É só Magalhães e GPS's, flexigurança e coisas do estilo.
Temos um país completamente terceiro mundista. Banqueiros corruptos, autarcas corruptos, cunhas e amiguismos às claras, os pobres que se fodam, como sempre. O nosso país nada tem de moderno. É um exemplo acabado do Terceiro Mundo económico, cultural e social. Mas, se não temos modernidade, temos modernices. Continuamos a varrer o que é importante para debaixo do tapete, enquanto metemos um plasma novo na parede.
Nada do que está fundamentalmente errado neste país se resolve, porque quem poderia resolver se está a servir muito bem do sistema implantado. Entretanto vamos dando uma pintura de fachada para enganar o pagode.
Mas a fachada não salva um país, a fachada não torna a nossa vida melhor ou mais fácil. Mas talvez sirva para enganar uns quantos milhões de otários, a julgar pelas sondagens.
A nossa arma é a nossa própria inteligência e o nosso voto. E, olhando para este último, parece que temos o que merecemos.
Chorões vs Iludidos

O jogo da Taça entre Sporting e Porto foi uma bela jogatana. Emoção, luta, algum futebol.
Eu, bom chefe de família, até estava a torcer pela lagartagem, pela simples razão de ter, do outro lado, os azuis. E vi um grande Sporting na primeira parte, e uma segunda parte equilibrada, em que o Porto voltou a meter os trincos todos.
E depois entrou o árbitro em cena e, em conjunto com o descontrolo dos jogadores, lixou o jogo.
No final, passou o Porto, sem merecer, e ficou o Sporting pelo caminho, porque não soube aproveitar o facto de estar muito melhor no jogo.
Mas, ouvindo os portistas e os sportinguistas no final do jogo, parece-me que andam todos a fumar coisas estranhas.
Os sportinguistas queixam-se do árbitro. Têm toda a razão, foi uma exibição miserável de um árbitro miserável, e alguém há de me explicar por que raio este incompetente encartado continua a apitar. Mas foi miserável para os dois lados. Deixou por marcar um penalti para cada lado: mão do Rolando e paragem cerebral do Rui Patrício sobre o Hulk, o resto foram lances marados que podiam ou não ser marcados. Expulsou dois gajos do Porto, e bem, e expulsou um do Sporting, e bem. Podiam ter ido mais para a rua, mas o árbitro a certa altura desligou a mão dos cartões. Os lagartos queixam-se da expulsão do Caneira. É simples: ele tinha um cartão, decidiu armar-se em maroto, primeiro, dando uma patada "inocente" e "casual" na boca do Hulk; e a seguir decidiu armar-se em mau, de cabeça espetada para o outro, que fez o mesmo. Amarelo para os dois, o Caneira já tinha. Azar, não tinha nada que se ir armar ao pingarelho.
Se os sportinguistas desempenham o habitual papel do bébé-chorão, os portistas alinham pela cantiga do Jesualdo, que no final do jogo teve a suprema lata de dizer que "o Porto foi um justo vencedor". Só pode ser piada. O Porto, tal como em 90% dos jogos esta época, não jogou um charuto. Por mim tudo bem: quanto mais tempo os portistas acreditarem que têm uma grande equipa e um grande treinador, melhor.
Em suma: Sporting melhor mas não quis matar o jogo quando pôde, preferiu "controlar", que é uma cena que o Sporting adora fazer mas não sabe como. O Porto teve sorte, mostrou o seu péssimo momento de forma, mas teve alguma atitude a seguir à primeira parte. O árbitro foi uma nódoa mas não prejudicou ninguém em especial. Esperemos que nunca mais apite, ele e o seu amigo Xistra.
Eu sou suspeito, mas fico contente por ter um treinador como Quique Flores que, até aqui, sempre disse o correcto, não buscando alibis nem tapando o sol com a peneira. Seria bom que outros treinadores fizessem o mesmo.

Nota benfiquista: saudação para Aimar, que começa a mostrar os pormenores geniais que fazem dele um verdadeiro craque. Saudação muito especial para David Luiz, um míudo que é um grande jogador e que finalmente regressa à competição.
Devagar faremos o nosso caminho. Pior que os anos anteriores não deve ser.

sábado, 8 de novembro de 2008

Desculpem, mas que merda vem a ser esta?

35 anos depois, terminou o caso de Fátima Felgueiras, a única autarca portuguesa a ter o nome da terra que governa, pelo menos até o saudoso basquetebolista Carlos Lisboa se candidatar à capital.
O resultado? Condenação por três crimes, peculato, peculato de uso e abuso de poder. A pena? Prisão por três anos e três meses, com pena acessória de perda de mandato.
O que vai efectivamente acontecer? Nada. Niente. Rien.
Pois.
É que a pena de prisão é pena suspensa, e a perda de mandato refere-se a um crime que prescreveu há 15 meses.
Qual a reacção da senhora? Saiu sorridente do tribunal, esfuziante, aplaudida por todos aqueles azeiteiros que odeiam os de fora e por isso amam a mulher que andou a enriquecer com o seu dinheiro, e com o nosso. Afirmando-se "satisfeita" com o veredicto, ainda assim disse que vai recorrer. E conseguiu, apesar de tudo, dizer que não foi condenada. Não sei a que julgamento estava ela a prestar atenção, mas enfim.
"Aquilo que existiu foi uma monstruosidade mas a justiça funcionou. Sinto-me satisfeita, foi-me reposta a dignidade a mim e a Felgueiras", afirmou a autarca. Fátima Felgueiras disse ainda que a perda de mandato "não está em causa", sem se alongar sobre as acusações. "Não fui condenada, fui ilibada de uma condenação que durou 10 anos".
A senhor foge para o Brasil, atrasa o processo, volta e concorre às eleições, consegue que o crime que lhe custaria o lugar prescreva, e tem a suprema lata de sair do tribunal com uma vencedora. Não perde o mandato, não vai dentro, não passa nada. E a imprensa dá eco destes factos, do que disse à saída, e não há um único juízo crítico acerca disto, todos escondidos por detrás da capa hipócrita da objectividade. É uma completa vergonha e deve envergonhar este país.
Um dos arguidos, que colaborou com a PJ e denunciou todo o esquema, disse a única coisa que poderia dizer: "Estou arrependido de colaborar com a Justiça. Aconselho toda a gente que, se souber de alguma coisa, não diga nada à Justiça".

Valentins Loureiros, Carmonas, Felgueiras. Toda a gente sabe, toda a gente vê, às vezes até os tribunais o dizem, e tudo continua como dantes.
Quando vamos perceber que a corrupção e a impunidade são os maiores cancros da nossa democracia? Até quando não se vai passar nada?
Abriu a época de caça. Espécie venatória: Barack Obama

Sim, está na hora. Não pensavam que íamos deixar o homem chegar à Casa Branca e efectivamente fazer alguma coisa para o começarmos a criticar, pois não?
Bom, o futuro presidente dos EUA começa a formar a sua equipa, e há coisas que se podem retirar daqui. Estou a falar do seu chefe de gabinete, um senhor chamado Rahm Emanuel.
Este senhor, conhecido como "Cão de ataque" ou "Rambo", é um congressista e foi um dos conselheiros de Bill Clinton enquanto presidente. É visto com um homem do aparelho, um executante férreo do que tem que ser feito. Passou pela banca de investimento de Wall Street, tendo ganho 16 milhões de dólares em três anos. Tem 48 anos, é judeu e, como todos os judeus americanos - os Silver Jews - leva isso demasiado a sério. Exemplo: em 1991 fez uma pausa, um momento Kit Kat, na sua carreira política, para ser voluntário numa base militar norte-americana, em Israel.
Misture-se Wall Street e Israel, e começa a perceber-se que, talvez, Obama traga pouca diferença ao mundo.

Obama é, provavelmente, o animal político mais perfeito que vi surgir durante a minha vida. Tudo nele bate certo: a voz, o tom, o aspecto, o discurso, a radicalidade polida e simples, o background familiar e pessoal perfeito para uma nação multicultural. Ah, e é bastante diferente de Bush.
Sei que se lhe pede o impossível. Que mude tudo. Que faça com que o mundo deixe de odiar a América. Que traga mais igualdade ao país alimentado pelo indivudualismo e materialismo mais primários do mundo. Se fizer metade ou um terço disto, será um sucesso, pelos menos aos meus olhos.
Mas os primeiros sinais são algo inquietantes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um sentido adeus

No fim de semana passado, enquanto o país andava, estupidamente, preocupado com a nacionalização de um banco, morreu o grande Badaró. Comentei isto com um colega, de 23 anos, que reagiu como se eu lhe estivesse a falar do Comodore Amiga.
E, para mim, o Badaró é isto. Para o bem e para o mal, o Badaró é um bocadinho da minha infância. O tipo do Chinezinho Limpópó, o do Abreu dá cá o meu, o do "É política!", enfim, o tipo que eu via quando a televisão só tinha dois canais e num deles estava a dar ciclismo, seguido da Telescola e do "Follow Me".
Era bom porque era o que havia, e isso diz tudo acerca da minha geração. Podíamos ter saído bem pior.
Badaró tentou fazer um comeback há uns anos atrás, quando apareceu no Big Show Sic vestido de Sangoku e a cantar o Dragon Ball. Volto a fazer um apelo a quem quer que tenha imagens desse momento. Partilhem, por favor.
E agora foi-se. Ah, e doou o corpo à ciência (verídico).
Neste momento está a feliz a fazer o que gosta, a mandar piadas secas no céu.
Até sempre, Badaró!
Opus Gay

Em recente entrevista ao Diário Económico (?), D. José Policarpo, o cardeal patriarca de Lisboa, fala sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em relação à homossexualidade, diz que "Eu próprio ajudei muitos a equacionar esse problema, e bem".

Algo bastante adequado numa entrevista que termina com a brilhante questão: "Ainda se sente papável"?
Parabéns, Obama!

E agora, já podemos começar a odiá-lo?

sábado, 1 de novembro de 2008

O belo sonho lusitano
José Sócrates tem um sonho, 'god bless him': que Portugal volte a ser, como há 500 anos, o farol do mundo. Teve foi o azar de lhe sair na rifa este povo mandrião e 'bon vivant', que parece convencido, estupidamente, que é mais fixe e mais agradável e muito melhor divertir-se e andar na balda do que produzir e trabalhar.
Guterres tinha a paixão pela educação, mas não era um amante fiel, porque fez muita merda. Sócrates é um amante frio, eficaz, glacial. Por que razão havemos de gastar milhões e milhões de euros a melhorar a educação em Portugal, para que os frutos se vejam quando ele já não estiver no poder e não puder colher os louros de tal feito, se dá para fazer a coisa de borla, e automaticamente?
É esperto, este tipo.
E foi assim que, de repente, todos os alunos portugueses passaram a ser fabulosos. Toda a gente tem grandes notas, todas as escolas sobem as suas médias, tudo é lindo. Estamos, finalmente, na vanguarda do mundo moderno. Terá já sido efeito do Magalhães?
Não sabemos. Sabemos apenas que, fazendo testes apenas competitivos para atrasados mentais, temos, de um dia para o outro, alunos em barda que fazem o burro Bill Gates corar de vergonha.
E agora surge outro projecto fabuloso, totalmente coerente com a linha que este governo tem seguido: ninguém pode chumbar no ensino obrigatório.
É espectacular, pá! E com um argumento genial: as crianças e os jovens não devem ficar com "o estigma da reprovação". Fantástico.
Depois de transformar os professores em burocratas e contínuos, impedindo-os de perder tempo com essa coisa chamada de Ensino, o governo quer um exército de avaliadores positivos, optimistas, patetas alegres. É o estilo modernaço de Sócrates, do pensamento positivo, do tocador de lira enquanto Roma arde.
Só há aqui uma coisa. Eu sou do Benfica. Gosto mesmo muito do Benfica. Mas, anos e anos de sofrimento depois, eu estou a ficar com o "estigma da derrota". É chato, pá. O Porto ganha sempre, o Sporting papa umas taças, e a gente nada. Sinto-me estigmatizado. Será que o senhor nosso primeiro ministro pode fazer algo acerca disso?
E depois há os pobres, senhor nosso primeiro ministro. Alguns são pobres há muitos anos, foram pobres toda a vida, alguns vêm de uma família que é pobre há uma data de gerações. Vamos acabar com o "estigma da pobreza" e dar dinheiro a todos eles?
E o "estigma do desemprego"?
E o "estigma de vermos o país ser governado por uma classe política e empresarial nojenta e sem a mínima qualidade"?
Podemos fazer algo acerca disso?
Conto consigo, senhor nosso primeiro ministro.

Yes, we can!
Por falar em Porto e em Sousa Tavares...

...cá vai uma piada roubada ao Bruno Nogueira:

"Sousa Tavares? Esse gajo não é do Porto? Então é bem feito que lhe tenham roubado o computador, para o gajo sentir o que é ser gamado em casa".

Nem mais.
O Porto em Lisboa

Confesso que não percebo o poder que o Porto de Lisboa (PL) tem sobre o resto da cidade. Toda a gente sabe que são responsáveis pelo divórcio entre a cidade e o rio. Que fazem edifícios absurdamente desproporcionados, enormes, tapando a cidade, tornando-a mais feia. Que enchem de contentores uma área completamente irrazoável para o que fazem. Que não deviam estar onde estão, mas noutro lado qualquer, no Barreiro, onde quer que seja.
E é do Estado. É por isso que não percebo por que razão o Estado não mete ordem naquilo, e os senhores da administração do PL continuam a tratar a cidade e a Câmara Municipal como a sua coutada privada. É claro que os Júdices desta vida não ajudam, sempre a comer de todos os pratos ao mesmo tempo.
O Sousa Tavares, esse arrogante, tripeiro e romancista amador, chamou-os de bando de malfeitores. E tem razão.
Eles vão fazer o que querem, lixar mais um pouco a cidade, tapando o rio com uma charmosa parede de contentores Evergreen. Mas pronto, isto ao menos serviu para ver o Sousa Tavares ser insultado publicamente por dezenas de trabalhadores braçais. E para ver que, para além do seu 'bravado' habitual, não foi à cara a ninguém. É pena.