terça-feira, 21 de junho de 2011

Motivos para reflectir

E hoje, primeiro dia da nova legislatura, foi o dia de Fernando Nobre.

Será? Não será? Não foi.

Gostei muito de ver os deputados, entre as votações, andando descontraidamente pelo hemiciclo, na galhofa. Parecia o primeiro dia de escola, no qual houve ameaça de bomba e portanto não houve aulas. Nesta conjuntura, perdermos o primeiro dia da legislatura neste absurdo ritual medieval é, simbolicamente, um péssimo presságio.
E quanto a Nobre?
É muito difícil, hoje em dia, encontrar alguém com simpatia pelo tipo. Eu próprio, que votei nele para as presidenciais, nunca morri de amores por ele. E, obviamente, desde que se juntou ao Passos, tudo piorou.
Mas, ainda assim, a pergunta que, creio, devemos fazer a nós próprios é: preferimos o Guilherme Silva? O Mota Amaral? O inefável Jaime Gama? Qualquer uma destas ou de muitas outras mofentas e flatulentas personagens?
Pela minha parte, não.

Eu sei que o tipo é maluco, eventualmente no sentido clínico do termo. Eu sei que já foi de tudo sem ser de nada. Sei que cai mal a cena de "só vou se for para mandar naquilo". Eu sei isso tudo.
Uns justificam-no com o facto de não ser um tipo de consensos, capaz de unir os partidos. Talvez. Mas a verdade é que apoiou o Bloco há uns anos, depois foi candidato presidencial numa espécie de esquerda pardacenta e agora foi cabeça de lista do PSD. Sei que não era bem isso que se queria, mas isto é um tipo de abrangência. Não a que se esperaria, mas ao menos ninguém pode dizer que é um tipo de um partido, e que alienou os outros. Não é o cabrão do Lello ou do Santos Silva. Se calhar alienou foi toda a gente, um partido de cada vez...

Sei que a escolha de Passos foi maquiavélica. Queria votos e achava que se ia safar com Nobre. Não ganhou grande coisa com isso.
Mas, apesar das motivações, acho que seria simbolicamente importante que Nobre - ou qualquer pessoa com o mesmo perfil cívico e apartidário - fosse eleito para um lugar de destaque no Parlamento.
Porque os ventos são de mudança, e é errado e perigoso pensarmos que isso só é significativo ou verdadeiro nos votos portugueses dados à Direita. Não. Grécia, Espanha e, também, Portugal, mostram que temos de encontrar novas formas de fazer as coisas. As ruas não têm sempre razão, mas têm um significado, que seria desastroso ignorar.

E o que teve Nobre? Uma humilhação em pleno Parlamento. O tipo de fora, o outsider, o penetra, torturado, humilhado e alvo de um bullying cobarde e anónimo pelos "senhores deputados". Os de sempre. Os velhos e os novos, que querem desesperadamente e o mais rápido possível parecer-se com os velhos, para efeitos de "credibilidade", que eles confundem com "responsabilidade".

Nobre, simbolicamente, era a sociedade civil a meter o pé na porta do que é a coutada dos partidos. E estes, cruelmente, bateram-lhe com a porta na cara. "Não és daqui, não pertences aqui, não és um dos nossos". E um tipo que não é "um dos nossos" nunca poderia "mandar em nós". Que era o que eu gostaria de ver.

As análises políticas do dia (de onde raio saíram de repente tantos politólogos?!) estão todas, como esperado, no superficial. Todos salientam, salivando contentes de banalidades, que esta foi "a primeira derrota do Governo de Passos Coelho". Mas isto, na verdade, não passa de uma análise de fait-diver que não será sequer um rodapé na história política deste país.

Mais importante que tudo isso, e não vejo ninguém dizê-lo, é o que isto diz acerca do nosso sistema. É a primeira vez, desde o 25 de Abril, que o candidato proposto pelo partido mais votado é chumbado. Vão dizer-me que todos, mas todos, eram melhores e mais merecedores do que Fernando Nobre?
Não acredito.

Acontece que todos, uns mais e outros menos, eram parte do caldo cultural dos partidos e, mais esquema menos concessão, todos acabaram por ser aprovados.
Nobre foi castigado por se ter atrevido.
É nisto que, creio, devemos reflectir.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu sei que o outro não era bom...

...mas sinceramente preferem este?...


Back to the Future

Viajei até ao futuro e como prova sei o título das notícias de amanhã: Sporting Procura Novo Treinador.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Respeito

Para mim, o Nuno Gomes sempre foi a Maria Amélia. Mas de forma carinhosa. (Já agora, em termos de alcunhas, adoro uma que um tipo umas filas atrás inventou para o Sidnei: "Morte Lenta").
Era o Maria Amélia, a Amélia, etc, etc.
Mas sempre gostei dele.
Foi um jogador promissor no início, quando o físico estava muito forte. Depois perdeu isso, tornou-se menos explosivo, mas ganhou coisas igualmente importantes: inteligência, passe, tabela, jogo de equipa.
Pode acusar-se o Nuno Gomes de muita coisa: de já estar velho (pelo que vi é bem mais jovem que o Saviola ou o Cardozo desta época), que não marca golos (embora os números o desmintam), o que quiserem. Mas nunca ninguém poderá duvidar do seu benfiquismo. Ele, que veio do Norte, não foi feito naquela casa. Mas foi, é e será sempre um grande benfiquista.
Não me esqueço dos golos pelo Benfica. Dos golos pela Selecção, mesmo quando merecia jogar mais e o Scolari metia sempre o tipo do queijo que só sabia marcar ao Azerbeijão. Da forma como, mesmo sem jogar injustamente, nunca pôs em causa o clube ou o treinador. Da forma como, mesmo não estando convocado, estava sempre junto da equipa. Da forma como, num camarote do Dragão, se atreveu a festejar um golo do Glorioso, esfregando-o na cara de um radialista que só faltava ter vestida a camisola azul e branca. E, até, da forma como sai. Elegante. Com classe. À Nuno Gomes.
Por isso, só me resta agradecer toda a dedicação, todo o esforço, toda a paciência (inclusive connosco, os sócios e adeptos).
Desta feita, e ao contrário do que acontece na Bíblia, não é Jesus que fala. É Nuno Gomes que pede: perdoa-lhe, Senhor, que o Jesus não sabe o que faz.

PS - não é apenas a saída. É o símbolo que isto representa, num momento em que mostramos que não aprendemos nada e compramos todos os dias 15 brasileiros do paraná.
Força, Nuno, que sejas feliz, que continues a fazer o que gostas e que marques golos por quem tu quiseres.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hot Trend

Primeiro foi a Sónia Brazão. Agora foi um homem em Setúbal.
Esta moda do peeling feito em casa está aí a estourar.

Norma n.º1 do Bom Chefe de Família para a temporada 2011-12

No intervalo dos jogos do Benfica, incentivar a esposa a dar uma espreitadela na novela.



(Nada como estar na vanguarda da Democracia e da Igualdade de Género)

Chelsea ou Juventus?

Carlos Azenha vai treinar no estrangeiro.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Estado vegetativo

Fernando Nobre tornou-se vegetariano. Provou a laranja, engoliu o melão e agora já nem vai tocar na xixa.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Io fato l'amore sin control

Aproximo-me da idade em que ter sexo com precaução significa não dar um jeito às costas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

(Neste blogue escreve-se muitas vezes sobre coisas acontecidas há meia semana ou mais...

... e já quando toda uma caterva de blogueiros discorreu sobre as ditas. É, aliás, assaz inquietante que esta moratória na reacção não suceda com maior frequência na blogosfera. Constituiria, estou certo, um sinal vigoroso de que neste país em crise não faltava gente com vida social, familiar, desportiva e sexual (ou religiosa) não directa e especialmente ligada ao seu computador ou ao seu Blackberry. Mas, pelos vistos, falta.)
Era só para dizer que, na minha modesta e acanhada opinião, tenho a certeza absoluta de que o excelente discurso do António Barreto no 10 de Junho foi a coisinha mais desinteressante e redonda que ouvi desde que há uns meses o Fernando Nobre fechou a matraca como candidato à presidência da república.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Relax, baby, be cool

Era inevitável.
Há uns dois anos escrevi aqui que António Costa seria o sucessor de Sócrates. É claro que isto seria num cenário de transição relativamente pacífica de poder. Nesta conjuntura, só se ele fosse maluco.
Portanto temos dois.
O Tozé Seguro conseguiu, ainda antes de ser candidato e nos primeiros cinco minutos depois de anunciar-se candidato, dar todos os sinais de que não podia sequer ser candidato. O seu único trunfo é dar aquela pala de "ah e tal, eu até era contra o Sócrates". Talvez fosse. Talvez tenha sido dos que menos elogiou o "querido líder" e dos que mais criticou o dito. Mas criticou-o tão pouco que isso não serve para nada. Criticou-o muito menos do que qualquer tipo minimanente consciente devia ter feito. Na prática, foi apenas a versão "jovem" do Pateta Alegre: o idiota útil, para fingir que aquilo era vagamente democrático e livre.
Quanto ao Assis, elogiei-o aqui há uns meses, e fui criticado, compreensivelmente, pelos meus camaradas de tasco. Disse na altura, e mantenho-o, que no meio de toda a máquina socrática era dos poucos que procurava fazer pontes, encontrar compromissos e que conseguia resistir à tentação de, ao contrário de todos os seus comparsas, sentir-se infalível e superior ao resto do mundo. Mas daí até ser líder do PS vai um bom pedaço. Daí a ser um candidato que, de forma credível, possa discutir o governo, vai um caminho estratosférico. O seu único trunfo foi, com um líder narcisista e psicótico como Sócrates, ter feito o melhor trabalho possível enquanto líder parlamentar, sem se sujar demasiado com isso. Mas o que fez o senhor ao apresentar a sua candidatura? Disse que "não escondo o trabalho que fiz em conjunto com o Governo e tenho muito orgulho do trabalho que fizemos nos últimos anos", por entre elogios ao camarada Sócrates.
Isto mostra, obviamente, que não percebeu nada.
Neste momento, Sócrates é peçonha, é a verdadeira lepra, e quem se senta ao seu lado está queimado e merece lixar-se à grande. O mesmo digo de Ferro Rodrigues, esse socialista de pacotilha. Que, se queria alguma vez ter credibilidade - pelo menos entre o eleitorado mais à Esquerda - nunca na vida poderia ter voltado do seu exílio dourado para dar a mão na campanha de Sócrates, o tipo que mais fez no PS tudo ao contrário do que Ferro Rodrigues alguma vez defendeu.
São todos merda, e merecem a travessia do deserto que vão fazer.
António Costa, como é óbvio e como era totalmente previsível, resguardou-se. Há quem diga que ele é o novo António Vitorino, o tipo que um dia vai ser líder, um dia, um dia, até nunca mais ser.
Não concordo.
Vai ser líder e vai ser primeiro-ministro. O que é lixado é que só o vai ser daqui a oito anos (sim, eu acredito que os troikos da Direita vão papar dois mandatos seguidos, sem espinhas).
Neste momento, o PS não é apenas um partido feito em merda. É um partido que não tem lugar nenhum para onde se dirigir. Não pode ir para a Direita, porque a Direita está no poder. Não pode ir para a Esquerda porque, enquanto houver um pingo de memória neste povo, não tem qualquer credibilidade para o fazer (virá sempre a crítica de "então se propõem isso agora, o que raio andaram a fazer durante seis anos no Governo"?). E não pode sequer colar-se à contestação às medidas polémicas e crueis do Governo de Direita, porque, por acaso, até foi o PS quem as assinou.
Ou seja, quem for para lá agora, é "para queimar".
António Costa consegue manter uma grande visibilidade política, estando na CM de Lisboa (onde não tem feito nada de jeito), aumenta a sua aura de D. Sebastião do PS e deixa os outros irem cozinhando, "em lume brando".
Quando for hora, quando houver sérias probabilidades de conquistar o poder, ele lá estará. Podem apostar nisso. Chegará e ganhará sem dificuldade. Até porque, depois do furacão Sócrates ter arrasado com o PS, não se vislumbra no partido qualquer figura que possa ganhar dimensão suficiente para poder vir a ser importante, daqui a quatro anos.

Entretanto, xuxas e boyzitos, assistam de camarote ao banquete da Direita. Foram vocês que lhes estenderam a passadeira do poder. Agora, como dizia o outro, "aguenta e não chora". Ou, mais propriamente: "Ó Xuxa, relaxa que encaxa".

Qual destes palhaços prefere para líder do PS?



terça-feira, 7 de junho de 2011

Nuestros Germanos

Ainda bem que os alemães desistiram de meter as culpas do e-Coli nos rebentos.
É muito feio culpar as crianças.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Publicidade Institucional

(Pedro Passos Coelho, em declarações proferidas hoje aos jornalistas à saída de sua casa em Massamá: "Os portugueses vão precisar de muita coragem para os próximos anos". Aiiiiii.)

Só para relembrar

Este senhor é o próximo presidente da AR.


Medo.

Rescaldo eleitoral

Bora lá directos à vaca fria.
Um desfecho relativamente previsível e que inequivocamente expressa o desejo de mudança. Não há volta a dar-lhe.

O vencedor da noite é, sem dúvida, Passos Coelho. Nunca foi bem visto dentro do seu próprio partido, que o olha como um maltrapilho suburbano, mas foi ele quem levou o PSD à vitória. À partida, ainda antes da campanha e das sondagens, a mera lógica diria que o PSD devia lutar pela maioria absoluta sozinho. Em qualquer país normal, isso aconteceria. E nunca ter estado perto, enfim, tira grande brilho à vitória. A questão é de expectativas. E, depois de ter chegado a haver dúvida sobre quem ganharia as eleições, ganhar com esta distância para o PS compensa essa primeira derrota à partida. Optou por uma campanha estilo suicida, procurando "falar verdade" quando sabemos que o tuga não quer ouvir a verdade; vincou o seu estilo liberal sem vergonha, o que é inédito em Portugal; quis discutir os assuntos, e com isso foi entalado por Sócrates enquanto este se aguentou. Mas ganhou, será o próximo primeiro-ministro, e de um governo de maioria absoluta. E mais, um trunfo que ninguém nunca lhe poderá tirar: de todos os que tentaram, foi ele a acabar com o mito do Sócrates invencível.

Portas é outro dos vencedores. Mas também aqui há uma dualidade: em termos de resultado final é muito bom; em termos de comparação com as expectativas, não é assim tão brilhante. Mas é uma vitória inequívoca. Deixa Bloco e PC a léguas e vai para o Governo. Mais, conquistou muitos votos novos, o que é um bom sinal para o futuro crescimento do partido.

E chega de vencedores.

Os dois grandes derrotados são o Bloco e o PS/Sócrates.
O Bloco perde votos, muitos, e perde deputados, muitos. Um desastre completo, que obriga, sem dúvida, a uma profunda reflexão sobre o seu futuro enquanto movimento político. Creio que, nada sendo feito, há mesmo um sério perigo de extinção a médio prazo.

E depois Sócrates. Esta é a sua derrota, mais do que toda a gente. Lutou até onde pôde, com todas as armas, sobretudo as mais sujas, já que não tinha muitas outras. Sai pela porta pequena, com uma votação fraquíssima. A cara de pau, a mentira e a hipocrisia não chegam para tudo, mesmo que consigam enganar muita gente. Quanto a Sócrates, fico por aqui. Reservo para os próximos dias um texto totalmente dedicado a este grande filho da puta, com todo o respeito pela senhora sua mãe.

Há também que referir a derrota do PS. Ligada à de Sócrates, mas de natureza diferente. Perdeu porque se perdeu enquanto partido. Porque insistiu no autismo, na via única. Elevaram Sócrates aos céus numa cerimónia digna da IURD, e pagam agora o preço. Com um bocadinho de jeito do outro lado, o PS arrisca-se a passar oito anos sem tocar na chincha.

E há o PC, em quem eu votei. Que, como habitualmente, diz que ganhou. Não ganhou, perdeu. Subiu uma décima, creio, mas perdeu. Uma conjuntura em que o FMI entra em Portugal, com tudo o que a isso está ideologicamente associado, teria necessariamente de ser campo fértil para o crescimento da CDU. Aguentou-se, manteve-se, e insiste estupidamente no discurso de vitória. Não chega.

A vitória, a grande vitória, não foi de nenhum partido: foi da troika. Os 3 partidos que apoiaram as medidas da troika (ainda que o PS tenha fingido que não tinha nada a ver com o assunto) têm quase 90% dos votos expressos. E isto significa que os portugueses - pelo menos os que foram votar - querem mudança e admitem que a mudança vai nesse sentido. Os dois partidos que cometeram a estupidez de nem sequer se sentar com a troika são, agora, quase irrelevantes a nível parlamentar.
A verdade é que a Direita subiu, e a Esquerda não. O PS caiu, mas os dois partidos à Esquerda não conseguiram ganhar minimamente com uma transferência dos votos do PS. Ou foram para a Direita, ou pura e simplesmente não votaram, mais esta última. E isto passou-se com o PS e, em menos escala, com o Bloco. Ou seja, votos da Esquerda que, simplesmente, se evaporaram.
Não houve motins em Portugal por causa do FMI, e isso é porque as pessoas sabem que é preciso mudar de vida e sabem que os partidos do poder, nomeadamente o PS, nunca o quereriam fazer. Cabia à esquerda, ao Bloco e ao PC oferecer uma alternativa nesse mudar de vida. Mas não o souberam fazer, ou pelo menos não de forma convincente.
Os portugueses querem a troika. Os portugueses amam a troika.
Os portugueses querem mudança, nem que seja assim, à bruta. Quem não lhes deu uma via, uma esperança de mudança, foi castigado. Às vezes, não chega dizer não. E esta foi uma dessas vezes.

Notas soltas:

- o verdadeiro pontapé na boca que o Miguel Sousa Tavares mandou ao Tozé Seguro, quando este anunciou, de forma trapalhona e titubeante, a sua candidatura. Está certo que o rapaz é assim meio parvo e meio mole, e meio inábil e tudo, mas aquela agressividade toda do comentador cheira a qualquer coisa de pessoal.

- As "balls of steel" da jornalista da Renascença que, em pleno Altis e rodeada de xuxas a espumar da boca, fodeu o Socas com a pergunta de se ele temia que, agora que está fora do poder, os processos judiciais voltassem a atormentá-lo

- o clima de fanatismo quase religioso e de completa negação, de cabeça perdida, com que os mesmos xuxas aplaudiram o Socas, o coveiro do PS

- o facto de dois jornalistas da TVI terem sido empurrados por seguranças de José Sócrates contra uma porta de vidro, indo parar ao hospital. Ao ouvir o barulho pensei que fosse a mona do Sócrates que não entrava no átrio, mas infelizmente foi algo mais grave...

- o discurso positivo e unificador de Passos Coelho, quando eu esperava, aliás ansiava, uma revanche contra Sócrates


Nos próximos dias teremos os próximos capítulos, sempre aqui, no tasco mais infecto deste Portugal alaranjado. Até lá.

domingo, 5 de junho de 2011

Ainda cheira a merda mas...

...é impressão minha ou respira-se um bocadito melhor?

Siga pa bingo

É oficial, malta. O Socas já foi.

É favor começar a dizer mal, e em força, do Xôr Passos Coelho.


A Gerência.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Considera-se o mais africano dos candidatos. Partilha assim com o Reinaldo um continente, um fisionomia generosa e uma predilecção por cantoras das Doce.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Foi casado com uma cantora das Doce. Não é a mesma que teve um percalço anal com o Reinaldo.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Miguel Relvas disse sobre Pedro Passos Coelho - "É um bom melão. Estamos em presença de um bom melão".

Receio concordar.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Já cantou fado, teve aulas de canto lírico e participou num casting para um espectáculo do Filipe La Feria.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Vive em Massamá, o que o coloca mais perto do Povo e mais longe de alguma vez sairmos deste buraco.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Entre 2007 e 2009 foi Administrador Executivo, Administrador Não Executivo, Administrador Delegado, Administrador Financeiro, Director Financeiro e Presidente em 8 empresas do seu amigo e colega de partido Ângelo Correia.

Trivia acerca do nosso novo 1º Ministro

Concluiu a licenciatura em dia de semana, aos 37 anos.

Federer Rocher

Eu não sou grande fã de ténis.
Quando eu era puto, na minha zona, um tipo tinha de pagar 600 paus para jogar uma hora. Mesmo dividindo por dois, era uma fortuna, sobretudo tendo em atenção que na Tasca "O Petisqueiro", na Rebelva, um xavalo se embebedava brutalmente por menos de metade disso.
Quando queríamos jogar à bola, juntava-se a malta suficiente e saltava-se o muro da escola. De qualquer escola. Quando era puto, nada nem ninguém nos podia impedir de jogar à bola, nem que fosse na rua, e foi muita vez.
E eu até gostava de jogar ténis, mas criou-se logo um preconceito. Não posso admirar um jogo que, enquanto puto, me obrigava a pagar para o praticar. Enfim, coisa de elites.

Diz que o Federer ganhou ao não sei quantosVic. E que vai jogar com o Nadal. Caguei para os dois. Deixei de seguir ténis quando acabou o Ivan Lendl, a máquina de leste que eu curtia. Depois disso, do Noah e do Becker, o ténis foi cena de americanos. Sampras e companhias, tipos sem qualquer carisma, como a fórmula 1 de agora.
Mas estou a torcer pelo Nadal. Numa lógica meramente de José Sócrates: quero que o Roger Ferrero perca.
Porquê? É simples.
Além de ter o carisma de um rodapé de cantina prisional, é suíço. E um suíço, let's face it, não pode ser o melhor do mundo. Em nada. Bem, excepto a fazer relógios de cuco. E a comer chocolates. E pode ser um bom banqueiro ou campeão de ski. Mas não pode, não merece, ser o número 1 de qualquer desporto que se diga civilizado.
Era como um preto da Damaia ser campeão de curling. A coisa não joga.
Por isso, Roger Federer Rocher, continua a papar xiculates e a fazer anúncios a relógios para velhos impotentes. Deixa-te é de desporto, que isso é coisa para país de pobres.

O meu voto

Quebrando o dia de reflexão, a qual não foi muito necessária, passo a explicar o meu voto.
Vou votar, novamente, no Jerónimo.
Não vou votar no PC, não votar nessa ficção chamada CDU. Vou votar no Jerónimo.
Eu voto sempre. E normalmente não é em branco. Escolho uma das cruzes e zás. Mas desta vez o meu voto será provavelmente, o voto menos convicto, aquele do qual estou menos convencido, de sempre.
Nunca votaria no Sócrates, e não estou preparado, de forma alguma, para votar na direita.
O Bloco desiludiu-me forte e feio, nos últimos anos. Assim como o PC, mas mais.
Se ao PC censuro fortemente a recusa em sequer encontrar-se com a troika, abdicando da hipótese de vincar os seus pontos de vista, ao Bloco junto isso ao apoio impossível ao Manuel Alegre e ao episódio da crítica à ameaça de moção de censura do PC, para logo de seguida apresentar a sua.
Nestas eleições, o que importa é correr com o Sócrates. De preferência que ele tenha não apenas uma derrota, mas uma derrota o mais humilhante possível. O que, infelizmente, não vai acontecer. Vai perder, mas terá milhões de mentecaptos e iludidos que lhe darão o voto. É pena.
Fora isso, todos os votos são legítimos. Tenho amigos que vão votar Portas, e isso para mim é normal. É até saudável. Outros Passos Coelho, etc, etc. É legítimo. Até no Partido dos Animais e no MEP, cujo líder parece ser um bom tipo. Mas não consigo entender quem vote no Sócrates.
Sim, também o PC me desiludiu, e não é de agora. É claro que isso acontece em todos os partidos. Vou votar no Jerónimo porque, depois do Sócrates, peço muito pouco. Um tipo honesto e bem intencionado. E nisso, para mim, Jerónimo é imbatível.
Infelizmente, isso basta-me.
Que muita gente vote, é o que desejo.
Logo à noite há mais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Post-It

Ó Sócrates, vai pó caralho.

Obrigados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Gotcha!

José Sócrates tem um tique - abre a boca e emite sons - que permite perceber quando está a mentir.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Hoje é o dia preferido do Paulo Pedroso

Porque não é apenas o Dia Mundial da Criança, mas também...

Cara de Pau

Referindo-se à "manifestação à porta" do restaurante onde a sua comitiva almoçava, o líder socialista José Sócrates questionou porque é que as pessoas que têm determinados pontos de vista não fazem "a promoção do seu em vez de andarem insistentemente a criticar o dos outros".

Isto lembra-me alguma coisa....

Slip of the mask

"Apelo ao voto dos trabalhadores portugueses no PS. Votar em partidos à nossa esquerda não é um voto inútil, é dar a vitória ao PSD, é querer Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro" - João Proença, hoje, em acção de campanha do PS, em Torres Vedras.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Você decide

Depois de se ter baldado ao debate com os partidos (ainda) mais pequenos, impõe-se a questão:

Garcia Pereira, um ganda anormal ou um ganda boss?

domingo, 29 de maio de 2011

Para sempre

Termina hoje a minha licença de paternidade. Ao longo do último mês, em que a minha mulher voltou a trabalho, partilhei o meu dia a dia com a minha filha. Forjámos uma cumplicidade que me é difícil descrever e que me apanhou de surpresa.
Amanhã tenho que voltar ao trabalho, fingindo preocupar-me com coisas que enriquecem outros e que me dizem pouco ou nada.
Volto com um peso fundo no peito.
Volto com o sentimento triste de quem deixa para trás um sítio mágico e que nunca esquecerei. Tudo continua, e sei que o melhor está para vir. Mas sei também que este mês foi o melhor e mais feliz período da minha vida, e que nunca esquecerei este mundo que criámos.

A Alice faz hoje seis meses. A minha filha.

Rest in Peace

Morreu o Gil Scott-Heron. Mais poeta e declamador do que realmente músico foi um pioneiro que cruzou blues, rap e jazz, tendo sempre como protagonista as suas letras educadas e conscientes civicamente. Respeito, muito respeito pela memória deste senhor.



PS - Um bom perfil do senhor pode ser encontrado aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Campanha

Finalmente começou, de forma oficial. E começou quando a gente já não os pode ouvir. O início da campanha não significa nada. É como a abertura da época balnear, quando a gente já se fartou de ir à praia. É uma coisa puramente mediática, sonho molhado de jornalista, e mais nada. Sobretudo num país em que todo o Governo está, há um mês, na estrada. A inaugurar toda e qualquer irrelevância, deixando um país intervencionado pelo exterior sem Governo, de facto. A circunstância de nós, contribuintes, continuarmos a pagar o ordenado de todos os ministros, secretários de Estado, assessores, etc, e eles não estarem a fazer aquilo para que são pagos...enfim, está tudo dito.
Os dados-chave da campanha estão há muito lançados.
O PSD deverá ganhar, com uma margem reduzida de até 5%, mas que provavelmente será bem menor. Passos Coelho cometeu um erro básico: esqueceu a lição de todas as eleições em Portugal, de que ganha quem não fala nem apresenta propostas.
Propostas não lhe faltam. As dele, as do Catroga, as dos medíocres dos "compromissos Portugal", as do tipo que serve cafés na sede do PSD. Centrou a sua campanha nas propostas do que entende ser a "modernização" de Portugal. Discordo da esmagadora maioria delas, mas percebo-as. E errou ao recusar fazer o básico: julgar e condenar Sócrates. Na prática, a sua campanha devia ser só assim: "este senhor está lá há seis anos e estamos pior em tudo; levou-nos à bancarrota e teve de pedir ajuda internacional, pela primeira vez em 20 anos". Ponto final.
Mas não. Anda com a tusa do mijo e quer fazer coisas, o menino. Ideologicamente estou nos antípodas do que Passos defende, mas acho absolutamente legítimo que o faça, e com a máxima clareza possível.
O grande, enorme erro de Passos foi não ter feito uma coligação pré-eleitoral com o CDS. Toda a gente sabe que se vão juntar, não entendo por que raio não o fizeram antes. É que isso significaria - até em termos de sondagens - focar toda a campanha na questão de a coligação vir a ter, ou não, maioria absoluta. Essa seria a única questão, que abafaria tudo o resto e, em termos práticos, arrasaria animicamente a campanha do PS. Sem essa coligação, a questão da campanha é, ainda, quem vai ganhar: PS ou PSD. E isso dá a Sócrates e à sua máquina um suplemento de alma que, francamente, ele não merecia ter.
Sócrates segue à risca a linha maquiavélica que traçou desde a encenação do PEC IV. O guião está escrito desde então, e não há o mínimo desvio.
Só estamos como estamos por causa do PSD, que mandou o Governo abaixo. Esquece-se que não foi só o PSD mas toda a gente. Incluindo o CDS, a quem ele quer agora coligar-se, mas a quem ele parece perdoar aquilo que atira ao PSD como um crime de lesa-pátria.
O PSD (e pelos vistos só o PSD) atirou o Governo abaixo num momento de fragilidade do país, apenas por sede de poder. Esquece-se que não houve qualquer moção de censura: o Governo caiu porque SE DEMITIU, porque ele quis fazer o bluff do tudo ou nada com o PEC IV, com o objectivo que se conhece, a vitimização. Se houve irresponsabilidade foi de quem se demitiu na primeira ocasião em que, democraticamente, o parlamento se recusou a apoiá-lo, e com toda a razão. A democracia é lixada, e Sócrates não nasceu para governar sem maioria absoluta. Quando confrontado com a sua maioria apenas relativa, não aguentou e bateu com a porta. Mas a culpa, claro está, é dos outros.
O PS é Portugal. Aliás, Sócrates é Portugal. Uma espécie de Rei Sol, o pai do povo, um Salazar amigo em versão para consumo doméstico. O lema da campanha do PS, escolhido a dedo por um marketeiro pago a peso de ouro é "Defender Portugal". Presume-se que todos os outros queiram "Atacar Portugal", uma vez que se atrevem a atacar Sócrates.
Passos Coelho não tem experiência, e é perigoso "entrarmos em aventuras" com alguém sem experiência, numa altura destas. Eu diria que quem tem experiência são os portugueses. Têm seis anos de experiência xuxalista às costas, ficando mais pobres e vendo enriquecer os Armandos Varas e os Ruis Pedros Soares desta vida.
Todo o discurso de Sócrates é centrado no ataque ao PSD. Sócrates não fala do seu programa, porque na verdade não o tem. É uma compliação de banalidades de um Executivo esgotado e descredibilizado, que se agarra ao tacho e se debate mais por instinto do que por convicção, como uma galinha já sem cabeça. Mais: ataca as medidas liberalizantes do PSD, muitas das quais estão no acordo que Sócrates assinou com a troika. Defende o Estado Social, ele que foi quem mais fez para o desmantelar. Ouve-se Sócrates, e fica-se com a sensação de que está tudo bem; que não é preciso fazer nada; que é preciso é aquele seu insuportável optimismo desmentido pela realidade a cada momento; que o PS não percebeu que é preciso mudar de vida; que, na verdade, se o PS ganhar, aquela coisa da troika não interessa para nada, apesar de ser a assinatura deles que lá está.

Sócrates joga o tudo ou nada num exercício de demagogia e negação. Chegou ao ponto de arregimentar uma data de emigrantes (paquistaneses, sobretudo), que nem sequer podem votar em Portugal, para andarem na sua caravana de campanha, para ajudar a fazer número, em troca de almoço. Deixou-nos na penúria para alimentar os seus amigalhaços da máquina xuxalista. Deixou-nos na bancarrota, de mão estendida, e à mercê de todas as políticas liberalizantes que o FMI queira, e quer, implementar. Foi Sócrates quem nos atirou para as mãos da Direita. E, depois de tudo isto, ele consegue ter a cara de pau para, nem que fosse por uma única vez, nunca admitir que errou. Eu já não digo pedir desculpa, que seria o mínimo. Mas admitir que errou. Não. Faz parte da personagem Sócrates, da ficção Sócrates, nunca admitir o erro. No dia em que o fizer, a máscara cai.
A tudo responde com ataques aos outros, como se ele não tivesse nada a ver com isto. Sempre na óptica de "os outros são piores que eu, que por acaso sou espectacular e a única esperança deste país".
Tenho vergonha deste país, por um tipo como este merdas estar com possibilidades de nos voltar a governar. Mas, mais uma vez, se isso acontecer, teremos o que merecemos. 

Tal como aconteceu com os alemães em relação a Hitler, haverá um dia em que nós, enquanto sociedade, conseguiremos olhar para trás e perguntar-nos: "como foi possível cairmos, mais do que uma vez, nas patranhas deste tipo?"

Há quem diga que ele ainda não tem 20 anos



Hasta la victoria, siempre!

Onze da manhã de um dia da semana passada. A minha mulher já tinha saído para trabalhar e eu, em pleno gozo de um mês de licença de paternidade, estava ainda deitado, com a minha filha no berço. Era uma daquelas manhãs boas e preguiçosas, com o sol a insinuar-se pelas portadas. E eu na ronha, ainda a babar a almofada e a gozar mais um bocadinho daquela doçura de um dia sem obrigações.
E depois, meio inconscientemente mas 'not really', solto um valente peido, daqueles de início de dia, que enchem a alma (salvo seja) de um gajo.
Menos de um minuto depois, uma réplica: a minha filha, que palrava meio acordada no berço, dá o seu próprio traquezito.
Entre o orgulho e a surpresa, foi difícil não me rir.
Depois ela larga outro.
E foi aí - e aqui eu já estava realmente acordado portanto não há desculpa - que mandei um fortíssimo trovão, um Pavarotti em forma de flatulência.
Esperei.
E ela sem resposta.
"Ganhei", pensei.

Depois levantei-me, ela deu-me aquele riso matinal que me faz sentir que tudo vale a pena, e fui-lhe mudar a fralda.
Claramente, a minha prestação foi muito superior em termos de escala de Richter. Mas quando um tipo acha que ganha e a seguir vai limpar a merda do derrotado, não consegue evitar pensar que, às vezes, a vitória não é assim tão relevante.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Faquingue Amaizingue

Um dos perigos do Facebook é encontrar pessoas. Eu sei que é para isso que a malta lá vai. Mas a mim incomoda-me. Não, eu não quero encontrar os meus coleguinhas do jardim-escola. Caguei de alto para todos eles. Não, eu não quero ir "tomar café" com a gorda da turma que acha que, agora que perdeu 3 kilos e só tem 94, acha que eu finalmente vou perceber que ela sempre foi a mulher da minha vida.
São manias minhas, pronto.
Agora foi uma tipa qualquer da secundária, que me lembro vagamente de ter sido da minha turma. Não me lembrava do nome dela, porque nos referiamos a essa pessoa (e uso aqui o termo pessoa no sentido mais lato possível) como Dumbo.
Sim, por causa das orelhas. Guarda-sóis industriais.
Esta era a faceta mais encantadora da rapariga.
Ora decide convidar-me para ser amigo dela e manda-me uma mensagem, dizendo "olá, é a chata da ... ......., lembras-te de mim? A colega que te ditava as coisas e te ajudava nos testes".
Well, well, well.
1 - Todas as pessoas que se apresentam como "aqui está a chata", etc, são realmente chatas pa caralho.
2 - Ditava as coisas?
3 - Ajudava nos testes?!?!?!

Em primeiro lugar, essa senhora nem se sentava ao pé de mim. Pela simples razão que se o fizesse me taparia toda a luz, natural e artificial.
Em segundo lugar, essa senhora sempre foi uma bronca, e muito dificilmente acertaria no seu próprio nome, num teste.
A única utilidade que esta senhora poderia ter tido seria dirigir o tráfego aéreo, caso os radares da Portela tivessem avariado. E talvez apanhasse a Rai Uno. Mai nada.

O que leva uma pessoa assim a embrenhar-se num tal processo de revisionismo histório escapa à minha compreensão.
Depois, há malta que não entende. Eu fiquei amigo de vários colegas de escola. Porque fiquei amigo. Porque tinha coisas em comum. Porque eram interessantes. Os outros todos foram um episódio aleatório da organização escolar.
Fiquem lá. Longe.
E vão-se foder e continuem a engordar alegremente nos subúrbios.

Like é o caralho.

Justiça

Qualquer pessoa que use a expressão "viral" sem ser num contexto médico devia ser abatida na hora.

domingo, 15 de maio de 2011

Qual é a surpresa?



Toda a gente sabe que o FMI gosta de encavar a malta à bruta.

sábado, 14 de maio de 2011

Os pintelhos/pentelhos do Catroga

Primeiro que tudo, eu não se se diz pintelhos ou pentelhos, e gostaria de ser esclarecido por um dos nossos leitores com um nível linguístico superior ao meu.
Mais, tendo em atenção que Portugal está a discutir os pentelhos, ou pintelhos, do senhor Catroga (salvo seja), creio que esta é uma missão de vital importância para o país. Talvez possamos chamar a troika de volta, para esclarecer esta questão de uma só vez.

Eu tenho duas coisas contra o senhor Catroga: ele é do PSD, e tem uma reforma de quase 10 mil euros por mês.
E tenho duas coisas a seu favor: o facto de ter penhorado a retrete das Antas (sim, eu não esqueço quem prestou bons serviços à Pátria) e esta história dos pintelhos/pentelhos.
Nesta última história ele tem toda a razão. No meio de toda a contra-informação orquestrada, de forma fria e magistral pelo PS, a comunicação social anda sempre a reboque de cada boca dos xuxas. E lá vão atrás do Catroga, em bando, de microfone em riste, à procura do soundbyte.
Sócrates e o PS reagiu a esta "gaffe", com o primeiro-ministro a pedir elegância e moderação nas palavras do debate político. O mesmo senhor que - toda a gente que com ele trabalha o sabe - fala de forma a fazer corar qualquer carroçeiro ou trabalhadora do Bolhão. O mesmo senhor que, nas escutas que os seus aliados a todo o custo quiseram destruir, aparece a referir-se a Manuela Ferreira Leite como "aquela velha mal-fodida". Sim, este mesmo senhor, vem agora fingir-se de virgem ofendida, como se a palavra pintelhos/pentelhos lhe tivesse ferido os ouvidinhos de catequista.

Catroga disse que o país andava a discutir pentelhos/pintelhos. E, como agora não se fala de outra coisa - NUM PAÍS QUE SÓCRATES LEVOU À BANCARROTA - a profecia de Catroga não podia estar mais certa.
Se até aqui se perdia tempo com pintelhices, agora perde-se tempo com os pintelhos que o senhor disse.

Alguém me explica aquela segunda hipótese?

Eu não gosto particularmente do senhor nem do programa...

...mas este momento é, de facto, muito bom.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Se é para isto, tragam-me um Chavez, se faz favor

Ao contrário do que pensava, afinal não se escreve 'pintellhos', mas sim 'pentelhos'.

E eu a julgar que jamais aprenderia alguma coisa à conta daquela rapaziada. Precipitada ingratidão a minha.

Miúfa






terça-feira, 10 de maio de 2011

Não faz mal, camaradas II


Não faz mal, pá. Mais vale perderem na meia-final do que passarem e depois perderem com o Porto.

Não faz mal, camaradas



Estiveram bem, pá. Não se irritem, pá. O Eurofestival é coisa de rotos, pá.

Good times

Uma das minhas músicas preferidas de uma banda que foi (ainda é, de alguma forma) muito importante na minha vida, enquanto melómano e enquanto pessoa. A banda que me fará, numa quinta-feira de Agosto, dirigir-me para o extremo norte do nosso país para finalmente a ver ao vivo.

At the doctor

Nos últimos anos, tenho feito análises regularmente. As deste ano foram um pouco mais extensas do que o costume, mas com o mesmo resultado. Estou impecável. Quando vou ao médico, não quero que as coisas estejam muito boas nem muito más. Quero que me digam "você está bem, nada de problemas sérios, mas tem claramente de deixar de fumar", para ver se consigo esse incentivo final.
Mas nada.
"Para o seu estilo de vida, você tem uma saúde de ferro", disse a médica.
Aquilo que ouvi foi ligeiramente diferente: "dou-lhe oficialmente permissão para prosseguir num rumo de álcool, tabaco e drogas leves".
Obrigado, doutora.

PS - esta não é a imagem da minha médica. Ou não faria análises só uma vez por ano.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Concentração de esforços

Tanto dinheiro gasto para apanhar o Bin Laden, mas a verdade é que não vejo ninguém a fazer nada acerca disto:


quarta-feira, 4 de maio de 2011

A minha reacção ao plano de austeridade II

A minha reacção ao plano de austeridade

Curto e Grosso, Dá a Volta ao Pescoço III

Depois de anos de confinação, Osama Bin Laden estava mortinho por um mergulho no mar.

Curto e Grosso, Dá a Volta ao Pescoço II

Veio-se agora a saber que Bin Laden, para radical islâmico, era um tipo até bastante progressista. Antes de ser baleado, meteu a mulher à frente dos seus próprios interesses.

Curto e Grosso, Dá a Volta ao Pescoço I

Na semana passada, a minha amiga Bianca perdeu o BI.
Agora chamamos-lhe só Anca.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Porreiro, pá

Os grandes homens mostram-se nos grandes momentos. Os estadistas aparecem quando deles mais se precisa.
E, mais uma vez, o senhor que nos (des)governa deu mostras de não ser mais que uma personagem de opereta, uma figurinha ridícula que ilustra bem o Estado do nosso país.
Ouvi a sua intervenção, convenientemente sem direito a perguntas. Tudo o que disse foi o que o pacote de austeridade do FMI não tem. Não tem isto, não tem aquilo. Não toca no Zé, mas não diz nada da Maria. Podia ter falado toda a noite, já que este raciocínio circular daria pano para mangas. "Ao contrário do que diziam, não vamos ser obrigados a andar ao pé-coxinho", por exemplo. Tudo irrelevante.
Do que tem o pacote de austeridade, nem uma palavra. Nem o montante do empréstimo, nem a taxa de juro cobrada, nem onde se vai cortar nem onde se vai espremer a populaça para ir buscar mais dinheiro.
A entrada do FMI, num certo sentido, podia ser uma oportunidade para fazermos uma série de reformas indispensáveis, correr com os boys, acabar com o desperdício, etc, etc.
Disso, Sócrates nada disse.
A sua mensagem foi apenas uma: está tudo fino, tudo espectacular, isto não vai custar nada, fizemos um acordo à maneira, etc, etc.
Ficamos sem perceber por que raio tivemos que chamar o FMI. Se está tudo bem, para que raio os chamámos?
À verdade, Sócrates preferiu o que sempre escolheu: a mentira e a dissimulação. Era da sua responsabilidade dizer, olhos nos olhos, o que isto nos vai custar, em que mais nos vão foder. E pedir desculpa, evidentemente, mas sabemos que isso é algo que nunca sairá dos lábios deste pequeno ditador com ilusões de grandeza.
Era sua responsabilidade dizer a verdade. Dizer: é isto e aquilo, tem que ser, é a vida, vamos a isso. Mas nem isso foi capaz de fazer. Veio dizer que está tudo bem. O que não está no pacote.
E, obvia e consequentemente, estamos perante a oportunidade perdida de reformar a fundo o Estado e a nossa economia. Com um PM que tem a desfaçatez de dizer que isto vai ser canja e que está tudo bem, por que raio haveríamos de mudar seja o que for?
Lamentável.
Propaganda, mentira, falta de vergonha na cara. Isto e apenas isto.

E quando nos começarem a vir ao bolso (e hão de vir, be sure)? Aí ele arranjará maneira de culpar outros, como sempre.

Como é que este monstro de desonestidade tem ainda hipóteses de voltar a ser primeiro-ministro é algo que, confesso, escapa completamente à minha compreensão.

Ontem fui ao médico II

Xôtôr Jorge: Já fizeste alguma transfusão sanguínea?
Papousse: Não.
Xôtôr Jorge: E relações sexuais extra família… tens?
Papousse: Não. Tirando com o cão, é tudo com os pequenos.

Ontem fui ao médico I

Xôtôr Jorge: Pesas 53 kg.
Papousse: …
Xôtôr Jorge: Em 2006, pesavas 55 Kg.
Papousse: É engraçado... Na altura não percebi que estava tão gordo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Fraude

Começa hoje aquela que é, sem dúvida, a maior fraude cultural de Portugal.
Falo, naturalmente, da Feira do Livro.
Eu explico qual é o meu problema com a Feira do Livro.
Eu sou de Carcavelos, terra de feira. E, para mim, feira quer dizer cenas baratas. Nem sempre de qualidade, mas sempre baratas. E ciganos, claro.
Na Feira do Livro, a esmagadora maioria dos livros não é barata. Mais, ou é cara ou tem um desconto qualquer irrisório. E depois há essa coisa fascista chamada "Livro do Dia", que consiste em meter umas centenas de tansos a comprar todos o mesmo livro em determinado dia. E normalmente é um livro bem manhoso.
Eu adoro livros. Leio constantemente e tenho pelo objecto um respeito quase reverencial. E acho que os livros são caros, demasiado caros (para além de quase todos os livros editados em Portugal terem capas absolutamente horrendas, o que me afasta de imediato da sua compra). Como tal, passo o ano à procura de oportunidades para encontrar livros mais baratos. Há alfarrabistas com fartura em Lisboa, e além disso gosto do ritual. Há a fantástica Livraria Galileu, em Cascais, onde no outro dia gastei 22 euros e trouxe seis livros em bom estado. E há a Fnac, onde compro também muito. É claro que, aqui, os livros são ao mesmo preço que nas livrarias. Excepto os livros estrangeiros, e é aí que reside o meu truque. Felizmente, tenho facilidade em ler em inglês, e tendo em atenção que grande parte dos meus autores preferidos escreve em inglês, tunga, é só encher o saco. E é uma coisa que ainda não percebi: porque é que os livros estrangeiros, feitos lá fora e importados para cá, são muito mais baratos que qualquer merda nacional acabada de editar? Não entendo.
Adiante.

O que quero dizer é que a história dos livros baratos, na Feira do Livro, é uma gigantesca fraude. Para mim, a Feira só tem um valor: levar os putos e fazê-los perceber que há uma festa do livro, e como tal o livro é uma coisa muito importante. Essa mística tem o seu valor. Mas como programa, ir à Feira do Livro é uma bela merda.
É onde o tuga vai para se sentir gente, para se sentir intelectualmente vivo. Para poder passar lá seis horas à torreira do sol e trazer meia dúzia de livros debaixo do braço. A maioria dos quais, obviamente, não vai ler, mas que lhe serve para não ter que se preocupar com isso o resto do ano.

Para quem, como eu, ama os livros, a Feira do Livro não serve para nada. Absolutamente nada.

É como aquela malta que diz que adora música mas só vai a um concerto por ano. E é dos U2.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Procurando contribuir para a inversão do ciclo de desmantelamento do aparelho produtivo nacional, pergunto...


Em qual destas indústrias parece poder integrar-se a cidadã aqui escolhida ao acaso:




a) bélica,
b) panificadora,
c) de laticínios,
d) da borracha sintética,
e) manufatureira,
f) metalomecânica,
g) naval,
h) pornográfica,
i) extractiva,
j) agro-alimentar?

terça-feira, 26 de abril de 2011

You win, Sousa Tavares

Depois de anos e anos de resistência, em que disputei com o pseudo-romancista Sousa Tavares o título de último português vivo sem Facebook, cedi.
Sim, foda-se, cedi.
Pronto!
Já não sei quem sou.
Se alguma vez me virem utilizar as expressões 'flute' ou "exfoliação", mandem-me abater.
A sério.

Não

Este 25 de Abril, com os discursos presidenciais, veio reforçar aqueles grandes sabedores que defendem que, enfim, como diz o Zé Mário Branco em tom jocoso no FMI, "a culpa é de todos, e a culpa não é de ninguém".
Era bom para muita gente que assim fosse, não era?
O chavão é simples: temos de olhar para o futuro, para as soluções.
Permitam-me discordar. Temos de olhar para o passado. Olhar com muita atenção. Encontrar culpados, linchá-los, e depois seguir em frente.
Perdoem-me, mas se o Sócrates ganhar as próximas eleições, a nossa democracia atingiu um estado de patologia terminal. Deixa de ser um sistema político. Passa a ser uma aberração. Um furúnculo infectado. A Belle Dominique.

E depois a converseta do "todos somos responsáveis, todos estamos a viver acima das nossas possibilidades".
Mais uma vez, I don't think so.
Sempre trabalhei. Sempre paguei impostos. Nunca cometi nenhum crime. Nunca pedi crédito ao banco. Não comprei casa própria. Nunca dependi do Estado.
Fui e vou decidindo a minha vida conforme as minhas possibilidades. Actuais. Não tomo decisões com base em expectativas, tipo "vou ser aumentado em breve, vou sempre ganhar isto, etc". Sou um cidadão, de corpo inteiro. Sempre votei e nunca recebi um subsídio que fosse do Estado português.

E agora, que me apresentam a conta e querem co-responsabilizar pelo crime hediondo que alguns fizeram a este país, não o admito. Não, meus caros. Eu não vivi acima das minhas possibilidades. Eu não esgotei os recursos dos outros. Eu nunca parasitei ninguém. E recuso-me a que, a coberto desta retórica medrosa e perigosa, me metam no mesmo saco que facínoras como Sócrates e Cavaco.

Não.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Festa amarga

É dia de celebrar, porque muito de fundamental foi conseguido nesse dia. Uma celebração amarga, dada a situação em que nos encontramos. O problema não foi o 25 de Abril. Foi depois. Para muitos, os excessos do PREC, as nacionalizações, a destruição da estrutura económica e a descolonização feita à pressa. Para mim, mais do que tudo isso, o grande mal, a grande amargura, veio depois. Porque depois da estabilização, podíamos e devíamos ter feito um caminho diferente. Um caminho que respeitasse os ideiais de Abril. Acima de tudo, a justiça e a solidariedade. Nada disso existiu neste caminho. Nasci em 1978, e creio poder dizer que, desde que vim a este mundo, não mais parámos de divergir e de trair aquilo por que alguns bons homens arriscaram a vida (e recuso qualquer responsabilidade neste campo!).
A geração do 25 de Abril, e a que veio depois, traiu tudo o que, nesse altura, se defendia. Um total aburguesamento, o doce torpor do consumismo, o carreirismo, a corrupção. A total falta de sentido cívico e de bem comum. A ausência de bom senso. O profundo egoísmo de quem só se preocupa em safar-se, mesmo que todos sofram.
Uma geração que quis, enquanto era tempo, ter tudo o que de bom a vida tem. Que consumiu lugares e recursos, à custa de todos nós, e que nos deixa contas por pagar, um país paralisado e descrente de si mesmo, uma profunda pena por não sermos o que, de facto, podíamos ter sido.
E desta geração, da nossa, o que esperar? Muito pouco, infelizmente.
Quando vejo tantos de nós sendo cúmplices desses oligarcas mais velhos, entrando avidamente no jogo dos compadrios e dos pezinhos de lã, tudo em troca de um lugarzinho bem pago e que dê pouco trabalho.... deixa pouco espaço para a esperança.
Quando vejo o PS ter mais de 30% das intenções de voto, assalta-me um desespero difícil de descrever. Quando penso que a alternativa é o Passos Coelho, apetece-me emigrar. Quando vejo Bloco e PC recusando sequer sentar-se com os tipos do FMI, só porque sim, sei finalmente que o meu voto nunca será convicto.
É tempo de outra coisa. É tempo de cada um de nós, individualmente, pensarmos que tudo pode ser diferente, se todos agirmos de forma diferente. Se nos deixarmos de bullshit, se perdermos o respeitinho ao chefe incompetente e ao político sem vergonha. Se, ao menos, tivermos a força de dizer "O rei vai nu".
Se formos melhores pessoas, mais verdadeiras, mais sólidas, mais verticais.
Talvez, assim, Abril se possa ir cumprindo. Um bocadinho de cada vez.

Tenham um bom dia, meus amigos.

domingo, 24 de abril de 2011

Serviço Público

Alguém me explica por que razão vamos todos pagar a este senhor e a toda uma vasta equipa para irem a Londres cobrir o casamento de dois bifes?

À Tuga

Há 3 maneiras de fazer as coisas: a maneira certa, a maneira errada, e a maneira à tuga.
Esta última está algures entre as duas primeiras, ou seja, até leva ao objectivo, mas vai primeiro dar uma ganda volta.

Parece que há entre 800 e 900 mil "utentes-fantasma" no Serviço Nacional de Saúde. Ou seja, malta que morreu ou emigrou para não voltar, mas que continua a ter fichinha no serviço. Quer isto dizer que pessoas como eu, quando querem um médico de família, não têm, porque cada médico tem uma quota máxima de "utentes". Alguns deles estão mortos, mas enfim, ainda lá está a ficha, por isso os vivos que se aguentem à bronca.

Como resolveu o Estado esta situação? Obrigou toda a gente a ir registar-se de novo.
Como os mortos não vão ao Centro de Saúde, quem aparecer está vivo, e lá se pode inscrever.
Acontece que, das últimas vezes que lá fui com a minha filha, os velhotes amontoavam-se por todo o lado. Com medo de perderem a inscrição, apressam-se, atropelam-se, morrem mais um pouco perante a indiferença dos serviços pagos por todos nós.

Tudo isto por uma razão muito simples: porque depois do simplex e o caralho, continua a não haver cruzamento de informação dentro da máquina do Estado. As Finanças sabem se um tipo morreu, porque deixam de cobrar impostos, assim como a Segurança Social. Então por que carga de água não avisam o Ministério da Saúde?!

Não, a melhor maneira é obrigar 10 milhões de pessoas a correr para os centros de saúde, para começar tudo de novo...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O que eu gostava de saber...

...é quem foi o rabeta que se lembrou da expressão 'troika'.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O calhau com olhos

Almerindo Marques é o gestor público perfeito. Depois da RTP, agora é a Estradas de Portugal, empresa em crónica situação de falência. Em casos bicudos, os governantes não hesitam: chama o Almerindo!


Pela simples razão de que, para este senhor não há coiss que atrapalham os outros: ideologia, hesitações, dúvidas.
Almerindo é o Mr. No Bullshit. Corta a direito, que se foda toda a gente. O que interessa é o resultado.

A última tirada genial, e que ilustra em todo o seu esplendor quem é este senhor, foi na inauguração da CRIL. Tal como diz a lei, o Estado teve que expropriar terrenos para fazer a estradita. Ainda assim, há gente que tem a via rápida a uns generosos dois metros da parede de casa, o que torna a vida lá muito agradável.

E o que vem dizer este anormal?
Que houve um grande "egoísmo de alguns habitantes face ao interesse geral". Querem passar-lhes uma estrada pelo meio da casa, e esperam o quê? Têm que pagar e acabou.

Mas, para o Super-Almerindo, nada disto interessa. Se ele mandasse, ai se ele mandasse!, era caterpillar para cima e mai nada.

Estes tugas são doidos

Diz que estamos em profunda crise.
Diz que estamos tão mal que já cá estão gajos do FMI, do BCE e da Comissão Europeia para negociar um empréstimo jeitoso de pelo menos 80 mil milhões de euros.
Diz que um dos problemas apontados a Portugal é a falta de produtividade.

E diz que, não bastando sexta ser feriado e segunda ser feriado, compondo um jeitoso fim de semana de quatro dias, o Governo deu tolerância de ponto aos funcionários do Estado na quinta à tarde.

Porra, quem não soubesse até diria que temos eleições em breve.

Deixa arder

Os cortes no dispositivo de combate a incêndios florestais no Verão vão poupar ao Estado cerca de 11,5 milhões de euros, disse hoje o secretário de Estado da Proteção Civil. Em conferência de imprensa de apresentação do dispositivo especial de combate a incêndios florestais para 2011, Vasco Franco (o otário na foto ao lado) afirmou que com menos 15 meios aéreos do que no ano passado na fase mais crítica se poupa "ligeiramente menos de 10 milhões de euros" e que com menos 700 elementos cerca de 1,5 milhões.

Genial.

E o que se poupava se fechássemos os hospitais todos? Isso é que era de valor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Rapidinha

Primeiras palavras de Teixeira dos Santos ao FMI: Poul, Thomsen guito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Record Store Day

Amanhã é o "Record Store Day", o dia dedicado a todas as lojas de música, sobretudo as independentes e que mantêm uma teimosa e altamente louvável obsessão com os formatos físicos de música, nomeadamente o vinil. A grande tradição deste evento está nos mercados anglo-saxónicos, sobretudo em Inglaterra, onde as muitas lojas independentes que ainda sobrevivem aproveitam para fazer descontos, concertos, etc, etc. Também as bandas mais "comprometidas" com a causa fazem edições especiais para estes dias, tornando o evento uma verdadeira celebração para aqueles "cromos" que, tal como no "Alta Fidelidade", entendem a magia de uma boa loja de música.
Em Portugal o dia também é comemorado, em várias lojas em Lisboa e no Porto. Eu cá vou aproveitar para dar um salto à Flur, ali ao pé de Santa Apolónia. Além dos concertos que por lá se darão, conto trazer de volta o novo de JP Simões e o vinil do também novo do Bill Callahan, que vai ter amanhã venda antecipada.
God save rock n' roll.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Recordar é viver

Esta notícia já tem alguns dias, mas creio que não mereceu a atenção devida. Assim, cá vai:

IP8 vai cortar ao meio olival que produz o melhor azeite do mundo

"A Sociedade Taifas, que explora um olival com 700 hectares em Ferreira doAlentejo e que em 2010 ganhou o prémio para o melhor azeite maduro frutado do mundo, vai ter a sua exploração cortada ao meio pelo IP8.
João Filipe Passanha, um dos responsáveis da empresa familiar que produz azeite na Quinta de São Vicente desde 1738, diz estar "incrédulo" e preocupado pelo futuro da exploração. É que o prestígio já granjeado junto dos importadores que "são extremamente exigentes" com as condições ambientais da produção, pode ficar comprometido.
"O mais aberrante em tudo isto é que nem se deram conta das infra-estruturas que existiam", quando optaram trazer o traçado do IP8 pela Quinta de São Vicente, acentua Filipe Passanha, em declarações ao jornal Público.
Para além de perder cerca de 6000 árvores e uma parcela de terreno com três quilómetros de comprimento por 80 metros de largura, a viabilidade económica e ambiental da empresa pode ser afectada.
Com a herdade cortada ao meio "temos de gerir o olival nos dois lados da estrada", observa Filipe Passanha, que assegura que o traçado do IP8 - que ligará Sines a Beja - vai causar"impactes brutais na exploração".
Em 2010, a Sociedade Taifas exportou, para 18 países, quase 90% das 800 toneladas de azeite que produziu em lagar próprio.Os principais importadores encontram-se em Inglaterra, Noruega, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Brasil, China e Estados Unidos da América".

E mai nada!

Em Roma, sê romano.
E, em Lisboa, mesmo que sejas um técnico do FMI como Massimo Suardi, um tipo tem que chegar já de lata de Superbock na mão.

Suardi FMI, és cá dos nossos. Quando experimentares a aguardente de medronho, até tu mandas o FMI, o défice e as contas às urtigas!

Descubra as diferenças



A salsicha e o FMI

Só temos dinheiro, enquanto país, até final de Maio, o Benfica perdeu o campeonato e estamos de mão estendida a pedir 80 mil milhões de euros à Frau Merkel.
E de que anda tudo a falar?
Do Nobre.

Eu votei no Nobre. Tinha outras hipóteses, mas votei no balhelhas zangado.
E, devo admiti-lo, não sem uma ponta de estranheza: eu não estou nada chateado com a decisão dele em juntar-se à campanha do PSD.
Será que estou tão desejoso que o Sócrates vá com o caralho que já não consigo sequer ter energia para combater o PSD? Talvez.
Mas a coisa não me irrita por aí além. Confesso.
Estamos sempre a queixar-nos de que são sempre os mesmos; que tudo está tomado pelos boys dos partidos; que é preciso mais intervenção cívica. E depois, numas eleições que não são unipessoais e cuja única hipótese é uma candidatura através de um partido, tudo o que sabemos fazer é criticar quando um verdadeiro independente se chega à frente..

Eu, que sempre votei à Esquerda, não votei em Nobre por ele ser de Esquerda. Fi-lo por ser apartidário, por ser alguém que já teve um importante percurso cívico, e por me parecer uma pessoa que me pareceu estar ligada aos problemas reais e urgentes da maioria da população portuguesa.
Nada disto foi posto em causa com esta candidatura. Se é ou não um erro, só na prática se saberá. Depende, sobretudo, do comportamento do próprio Nobre. Da sua actuação e de como reagirá à inevitável sofreguidão egoísta que o PSD vai demonstrar.

Há ainda a teoria de que Nobre vai roubar votos ao PSD, em vez de acrescentar, por causa desta polémica e desta "traição" aos seus votantes.
Isto não faz sentido nenhum.
Quem vai votar PSD, votou no Cavaco, e não no Nobre. Não estou a ver um laranja ter votado no Nobre e não no seu burocrata-mor, devorador de bolos-rei. Ou seja, ninguém que ia votar PSD deixará de o fazer por causa do Nobre. E quem não ia, dificilmente o fará agora por causa disso. Ponto final.
Os mais indignados são, curiosamente, xuxas disfarçados. Alguns votaram no Nobre porque não gostavam do pateta Alegre, e agora sentem-se enganados. Mas, exactamente pelo mesmo motivo, iam agora sempre votar no Pinócrates.
Ou seja, em termos de votos isto conta pouco, e se contar é dar alguns milhares insignificantes de votos a mais ao PSD. Nada que faça grande diferença na votação final.

Como é óbvio, por tudo e mais alguma coisa, nunca votarei no PSD, seja Nobre ou Isidoro.
Mas acho que até pode ser giro ter o gajo como presidente da assembleia. Só de imaginar todos aqueles deputadozinhos a serem mandados por este tipo meio-maluco, que lhes vai cortar os subsídios de putas e os vai meter a pelo menos fingir que fazem voluntariado, vai ser giro. Lá isso vai. 

sábado, 9 de abril de 2011

Informação de referência

                                                           
                                                           Capa de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um mau começo

Diz o Público que Ferro Rodrigues foi convidado para liderar a lista do PS por Lisboa, nas próximas eleições legislativas, estando a ponderar esse convite. Por outro lado, vai estar no Congresso/Comício/Piquenicão/Adoração Socrática do PS, este fim de semana, para dar ao evento “um perfume de esquerda”, como outro jornal tão bem disse.


Nos corredores do poder diz-se que Ferro está farto da OCDE e quer voltar à política activa, podendo esta ser uma forma de marcar lugar como eventual sucessor do camarada Sócrates.

Em teoria, não vejo no PS ninguém melhor que Ferro Rodrigues para vir a mudar o partido (o Tozé Seguro continua a ser um garoto inconsequente e mais invertebrado do que quer deixar transparecer).

Mas a minha questão é outra. Aceitando, agora, candidatar-se como cabeça de lista de Sócrates é um muito mau começo. O PS de Ferro não tem nada, mas mesmo nada, a ver com o PS de Sócrates. Vir agora dar-lhe a mão, ajudando Pinócrates a conseguir o tal “perfume de esquerda”, fará com que Ferro não seja mais que um novo idiota útil, agora que o mito Manuel Alegre finalmente morreu.

Quem quer que queira dar um rumo de verdadeira Esquerda ao PS só tem um caminho: desafiar abertamente Sócrates e a sua via liberal e autocrática. E já. Dar-lhe agora a mão para, mais tarde, fazer uma suave transição de poder é alienar muita da Esquerda que até poderia vir a votar em Ferro Rodrigues.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A poucos minutos...

...de assumir finalmente, perante o País, que vamos pedir o resgate do FMI, o nosso PM estava preocupado. Com os juros? Com os números?
Não...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Razões para acreditar em Portugal



São zero.

Agora escolha (outra vez)

Passou meio despercebido, mas o "Agora Escolha" está de volta. Agora na RTP Memória, com as séries do antigamente, mas sem a fossilizada Vera Roquette. É claro que agora é mais modernaço, e além do telefone dá para votar na net. Na edição desta sexta-feira, a escolha é entre um clássico absoluto do "Agora Escolha", os "Soldados da Fortuna" (na versão original, e nada de merdas como "Esquadrão Classe A"), e uma coisa chamada "Trovante, 15 anos de Música".

Não é exactamente um choque de Titãs, e a não ser que o Luis Represas passe os próximos dias agarrado ao telefone, o desfecho é óbvio.

Fica um cheirinho bafiento desse saudoso antigamente e a versão modernaça, com uma xavala bem mais apelativa, digamos assim.



Está decidido

Há uns anos, um jornalista experiente disse-me uma coisa que nunca esqueci: Ricardo Salgado, o presidente do BES, apoia sempre quem vai ganhar, e quem ele apoia ganha. Mais, apoia sempre quem ganhou, porque faz questão de "se dar bem" com o poder. E o mesmo quando retira o apoio a alguém: quando lhe vira costas, sabemos que o tempo dessa pessoa acabou.

Lembrei-me disto agora, quando vejo todos os principais bancos recusando-se publicamente a comprar dívida pública nacional e dizer ao Governo que já chega. Está na hora de pedir ajuda ao FMI.

Ao contrário do que aconteceu na Irlanda, em que o Estado foi arrastado pelos bancos, cá são os bancos - que estavam bastante sólidos - que estão a ser arrastados pela falência do Estado. E Sócrates, que como bom liberal que é sempre se deu bem com os bancos, decidiu no início da crise - quando se vestiu de socialista - criticar os bancos porque foram eles, genericamente, que "causaram a crise financeira".
Caiu-lhe bem o chavão, mas obviamente ele sabe que os bancos portugueses - tirando casos de polícia como BPN e BPP - foram bem geridos e prudentes, e não precisaram da ajuda do Estado nem criaram, eles, problemas.

Agora, que o poder do capital, lhe retirou o tapete, para mim é oficial. Não há forma de escapar. Vamos mesmo ter de recorrer ao resgate internacional, com tudo o que isso implica.

Tá tudo doido

Depois de tudo o que se passou com o Sócrates, no PSD, na assembleia, enfim, no âmbito da sarjeta partidária, chegou finalmente a vez do Conselho de Estado.

Sócrates, esse mentiroso compulsivo, veio dizer que, na última reunião do Conselho de Estado, nada foi discutido acerca de um pedido de ajuda. Logo veio Bagão Felix, o mais recente membro do mesmo órgão, dizendo que Sócrates mentiu. Depois veio Carlos César, o xuxalista dos Açores, dizer que Sócrates é que tem razão. E depois vem António Capucho dizer o contrário. Tudo na comunicação social, tudo em tom mais que inflamado, agressivo.

Imagino que Cavaco Silva, o hiperformal e institucional Cavaco Silva, não deve estar a achar piada nenhuma a isto. Não só é praticamente inédito que o conteúdo de uma reunião do Conselho de Estado seja discutido na praça pública, como a verdade é que fica demonstrado, para quem ainda tinha dúvidas, que ninguém está nesse órgão para defender o dito, o Estado: está lá tudo para defender o seu partido, o seu lado, ponto final.

São todos crianças, nada mais do que isso. Brincam com a nossa vida e com o nosso futuro. Até que a realidade nos esmague a todos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Call me back

Apesar de muita malta não gostar particularmente dele, a verdade é que o novo disco dos Strokes me tem vindo a conquistar. Aí está mais um vídeo, um bocado marado, de mais uma música que tem rodado nos meus phones.

Abençoados sejam

Ryanair introduz voos interditos a crianças.

Justo, por mais que custe

Temos campeão. E não é apenas o que eu não queria de todo, mas é um campeão, tenho de o dizer, justo.
Neste título do clube corrupto há algum demérito do Benfica, e muito mérito do Porto.
A história, do meu ponto de vista, é fácil de contar, olhando para estes dois eixos.

Começando pelo Glorioso.
O campeonato começou a ser perdido assim que o último foi conquistado. Demasiada euforia, demasiadas favas contadas para este ano. Erros do Jesus nas palavras, reclamando para si o mérito e deixando muitos jogadores fodidos. Escolhas mais do que discutíveis, erradas. A dispensa do Quim foi um erro claro. Um erro mais claro foi a contratação do Roberto, seja de que ponto de vista for, ainda mais tendo em atenção o preço. A verdade é que nos falhou em todos os momentos decisivos da época: nos primeiros jogos, em Braga, e ontem. É demasiado. O rapaz não tem culpa, mas há algo de errado com ele.
Juntou-se a euforia do Benfica com o sempre errado menosprezo do rival nortenho. Quem achou que bastava um título para acabar com o Porto estava muito enganado. Eu nunca acreditei nisso. A verdade é que, e isso viu-se logo no jogo da Supertaça, todos os jogadores e dirigentes do Porto tinham muito mais fome de ganhar do que os seus congéneres benfiquistas. Aos erros de Jesus, e à soberba de alguns jogadores, juntaram-se algumas opções discutíveis do presidente Vieira: o apoio a Fernando Gomes é de bradar aos céus, o apelo ao boicote e posterior recuo não faz sentido, e ainda me hão de explicar por que carga de água ele continua a sentar-se ao lado de um corrupto vendido como o presidente do Braga. Enfim.
Depois, não há como negar, fomos claramente prejudicados nas arbitragens, sobretudo no início da época. Foi um momento em que todas as equipas, incluindo o nosso rival, estavam ainda à procura de se encontrar: a nós nenhuma fraqueza foi permitida, e mesmo não jogando bem fomos espoliados de pontos que, eventualmente, poderiam ter mudado o rumo da temporada. Da mesma forma, o nosso rival foi ajudado, e isso cavou de imediato um fosso que se provou irrecuperável.

Passando ao Porto.
Mesmo com tudo o que está escrito acima - e que não pode ser ignorado - não é possível questionar a vitória do Porto no campeonato. Sim, foram ajudados; sim, fomos roubados. Mas não consigo tirar mérito a quem tem apenas dois empates e nenhuma derrota no campeonato, e que nos ganhou duas vezes, uma delas por 5-0. Não faço como outros, que numa época de luxuosa superioridade do Benfica, só souberam falar do campeonato dos túneis. O comportamento europeu do Porto é, também, um sinal de qualidade.
No início do campeonato, tinha muitas dúvidas acerca do Porto. Pela perda de dois símbolos, Bruno Alves e Raul Meireles, e pela natural desconfiança em relação ao treinador. Acontece que o Porto foi uma equipa na verdadeira acepção da palavra. E teve, no fundo, muito mais vontade de ganhar,  enquanto o Benfica passou meio ano a olhar-se ao espelho admirando a sua beleza, perdeu figuras centrais que leva tempo a substituir como deve ser, foi penalizado numa altura crucial da época, etc, etc.

Este desfecho está certo, mesmo que possa ter sido escrito por linhas tortas.

Como benfiquista, naturalmente não gostei deste desfecho. Mas não sou daqueles que, agora, acha que tudo está mal. Depois daquele início atípico, fizemos um bom campeonato. Acontece que um rival foi mais sólido, talvez menos espectacular, mas melhor que nós. Eu sou daqueles que não se esquece dos Quiques, dos Koemans, dos Fernandos Santos. Eu estarei sempre ao lado do Jesus, porque nunca tinha visto a equipa jogar como fez nos últimos dois anos. Mesmo perdendo Quim, Di Maria, Ramires e David Luiz - e com o importante encaixe a isso associado - continuamos a, quase sempre, praticar bom futebol, que me faz ir ao estádio como há muito não acontecia.
Temos uma boa base de equipa e, com duas ou três acertadas contratações, temos todas as condições para sermos mais fortes, e podermos disputar o próximo campeonato. E, sobretudo, com a atitude certa. Sei que este ano ainda há coisas para ganhar, e são importantes, mas creio que esta derrota com o Porto poderá ter deixado marcas psicológicas difíceis de ultrapassar no curto prazo. Vamos ver. Sei que na quinta-feira lá estarei, a apoiar o meu querido Benfica.

PS - os episódios de violência e falta de fair-play que vimos ontem são de lamentar, mas perfeitamente normais. Não posso vir armar-me em crítico dos benfiquistas, depois de tudo o que os adeptos portistas têm feito a jogadores e adeptos do Benfica. Se fosse uma questão de retribuição, devia ter acontecido muito pior. As virgens ofendidas que vêm agora criticar o Benfica devem estar esquecidos do que se passa no Dragão e noutros estádios associados a esse clube.
A verdade é que é altura de parar com isto, antes que alguém morra. Sei que não vai acontecer, quando um clube faz do confronto e da provocação o seu modus operandi e a sua forma de vida. É pena, porque ninguém ganha com isto.

Apesar de tudo, parabéns aos vencedores e honra aos vencidos.

Saudações benfiquistas.