terça-feira, 29 de março de 2005

Coitadinho, ninguém lhe mexia!.........
Falemos agora do nosso amigo Pedro Mexia. Na sua crónica no DN, o intelectual versou sobre o tratamento cinematográfico dado ao sexo explícito, chegando à conclusão de que "ninguém sabe filmar o acto sexual".
Mas, mais importante que tudo isto, está na confissão que encima a sua crónica, em que o intelectual Mexia dá algumas pistas sobre o que o tornou assim.
"Aos dezasseis ou dezassete anos vi pela primeira vez sexo explícito no cinema (em situação etariamente irregular). Foi no Fórum Picoas, e logo com o célebre Império dos Sentidos".
Que maroto, o Mexia! A ver o Império dos Sentidos! Em situação etariamente irregular! Ganda maluco!
Ó meu caro Mexia!
Homem que é homem aos 16 anos já consumiu metade do conteúdo de uma sex-shop de tamanho médio, já papou qualquer coisita e, sobretudo, não perde tempo a ver merdas como o Império dos Sentidos!
Tivesse vossemecê deleitado os olhos no "Banana e Chocolate", esse clássico de Ilona Staler, dita Cicciolina, e talvez agora conseguisse mijar de pé.
Assim, nada a fazer. Lamento.
LX Soundsystem
Ontem à noite tive o privilégio de assistir, à borlix, a um óptimo concerto na Aula Magna, oferecido pela CM de Lisboa.
A primeira parte coube aos Hipnotica, que estão agora mais jazzy do que há uns anos, e bem melhores, diga-se. Recomendo o último álbum, Reconciliation. Boa surpresa, ideal para uma noite de conversa e cigarros.
Depois vieram os Clã. E pronto, os Clã não sabem dar um mau concerto. Casa cheia, bom ambiente, grande garra. Numa altura em que o fruto da época são Toranjas e Britneys, um concerto dos Clã é um luxo.
Um único reparo: concerto em que não se pode beber nem fumar lá dentro?!......
Ficou a música, e a boa iniciativa da Câmara Municipal, que nos deu a semana passada concertos gratuitos de Pluto e Ena Pá.
Journal Of An Idle Consultant

VI. Homem-Morcego

Sexta-feira, são quase sete da tarde é hora de despir o fato de macaco de idle consultant e de regressar ao meu covil secreto e vestir a farda de Homem-Morcego, pois duas noites de combate a uma semana de trabalho assim o exigem.

Nove menos dez, ainda fiz pouco mais de metade do caminho de regresso a casa. A culpa é de um choque em cadeia com seis viaturas na auto-estrada, com direito a capotamento e uma viatura totalmente carbonizada. Segundo a rádio, dois ou três feridos em estado considerado muito grave e um morto. Entraram com o pé errado no fim-de-semana.

Dez na noite, só tenho tempo para mudar de roupa, lavar a tromba, besuntar os sovacos com desodorizante e apanhar o primeiro táxi rumo à tasca aonde costumamos encontrar-nos todas as sextas-feiras para jantar e fazer uma corrida alcoólica contra o tempo, afinal a próxima segunda-feira é já ali ao virar da esquina.

A ementa de sexta-feira é invariavelmente a mesma imperiais, tremoços, mais imperiais, bitoques e outras iguarias similares, mais algumas imperiais, contar anedotas porcas, falar mal dos patrões, clientes, vizinhos e amigos ausentes - "mais quatro imperiais, se faz favor " - sobremesas, cafés, digestivos e cigarrinhos, eventualmente mais uma ou outra imperial e a continha.

É quase meia-noite e o nosso grupo desloca-se para o nosso próximo poiso habitual, uma tasca com um quarto do tamanho da primeira, aonde a cerveja em garrafa e os tremoços imperam. A noite avança e já entramos no sábado. "Quem é que quer mais uma Super?" Creditamos álcool no nosso fígado à mesma velocidade estonteante com que debitamos asneiradas e conversas mais ou menos sérias sobre artes, politica, eutanásia, futebol e outros assuntos correntes.

"Alguém que faça o filtro."

Quase duas da manhã, o comboio já vai em velocidade excessiva e não há travão de emergência que o pare. A quantidade de asneiras por segundo supera já em seis vezes o máximo recomendado pela Comunidade Europeia.

"É pá... Granda cú!"
"Faz lá isso." - Bilhetes para o carrossel da selva para todos. Mais rápido, mais alto, mais... Uíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn!!!

Três da manhã a tasca já está fechada e a procissão há muito que saiu do adro, nós ficamos para trás. O grupo começa a dispersar-se, uns com a desculpa do sono, de que a semana foi cansativa, outros nem por isso.

Os ébrios que resistem vão para o Buraco. O Buraco é um daqueles sítios que mais se parece com a casa da nossa avó pelas festas do Natal, cheia de parentes afastados e mais ou menos conhecidos, a quem se atiram camarões cozidos à testa, depois do bacalhau com grão e de umas garrafas de tinto, antes de se abrir os presentes. Só que com boa música.

Excepto às vezes, quando a música é depositada nos pratos à pázada com a delicadeza do coveiro da junta de freguesia, e o ambiente parece o da festa da mangueira do regimento de sapadores bombeiros. Andam todos ao mesmo. Andamos todos.

Há que passar às medidas extremas, vodkas com qualquer coisa e shots de outra coisa qualquer. O álcool e a música provocam estranhos movimentos na mais variadas partes dos nossos corpos, há quem chame a isso dançar, outros a doença de Parkinson.Cinco da manhã o DJ mata a festa. Debandada geral.

Está na hora de ir para o recato do lar, ou o que não mata engorda e vamos dar um pulinho "à da disco". É só um pulinho, daqui para acolá, a discoteca está ao rubro e a abarrotar. Pé na boca. Está quase tão difícil arranjar uma bebida como pão para a boca na Etiópia, os movimentos de Parkinson acentuam-se e os olhos estão embaciados pelo álcool, fumo, barulho das luzes, e não há gaja por muito mais fashion que esteja com o seu top reduzido e barriguinha lisa que os desembacie.

Sete e tal da manhã, acho eu. O sol já vai alto.
Chamem o INEM.
Assomo Tecnológico

Reparo que ultimamente o Papa tem sido um utilizador intensivo do sistema Windows.

segunda-feira, 28 de março de 2005

Assim a malta deixa de ir à bola

“Reconhecido poliglota, o Santo Padre costuma desejar Feliz Páscoa de Ressurreição em mais de meia centena de idiomas, o que não conseguiu fazer este ano, apesar de o ter tentado, com o cardeal Angel Sodano a substitui-lo nessa tarefa”.

Ao menos, devolvam o preço dos bilhetes.

ps: Poupando-me de pesos na consciência e de ímpetos justiceiros de algum dos meus (grandes) amigos católicos, direi que a forma como este assunto tem sido tratado pela comunicação social me choca um pouco. Por quatro razões:

- A primeira, pelo destaque que lhe é dado;
- A segunda, pelo modo selvagem como é acompanhado, sempre na expectativa canina de ver se o Papa “está apto para Domingo” como se de um futebolista se tratasse;
- A terceira, por legitimar toda a legião de descrentes ou, mesmo, de católicos não praticantes a opinar através de veredictos esclarecidos como “Ah, o Papa devia era renunciar” ou “O homem tá é agarrado ao poder”, escorregando inevitavelmente a conversa de café até outras sentenças eclesiásticas como a já clássica “A igreja tem é que mudar. Os padres deviam poder casar e as mulheres também ser ordenadas ”;

- A quarta, já não me lembro. (ó Deus, faz de mim um intelectual!)
Contributos da Sociedade Civil

Dando voz a uma imensa minoria, cumpre-me postar alguns dos desabafos recolhidos este fim-de-semana a propósito do Decreto-Lei n.º 44/2005, de 23 de Fevereiro:

- Quero que o novo Código da Estrada se fod...!
- E, já agora, metam o coletezinho amaricado na peid...!

quinta-feira, 24 de março de 2005

Sugestão para o fim de semana pascal
De partida para o prolongado fim de semana, deixo aqui como sugestão o blog de um bom amigo bastardiano.

Enjoy.

www.pomboincontinente.blogspot.com

quarta-feira, 23 de março de 2005

Piada de caserna
O Vodka dá os mais sinceros parabéns ao novo ministro da Economia da Polónia, o Senhor Jacek Piechota........
Os Primeiros Danos

Com a vitória do PS nas legislativas morre um dos meus blogs favoritos: O País Relativo.

Há, como argumentam no derradeiro post, o cansaço inerente à manutenção de um blog à séria, mas haveria, também, a partir de agora, que perder muito do sentido crítico face ao actual governo que apoiam.

Morre de pé.

segunda-feira, 21 de março de 2005

Journal Of An Idle Consultant

V. Idle Consultants flutuam a 11.000 pés de altitude

Uma casca de limão está afogada num martini rosso prostrado à minha frente. Nove e um quarto, invariavelmente estão todos atrasados. "Ainda bem que marquei o jantar para as oito e meia." Um a um, a sós ou acompanhados pelas suas namoradas, esposas ou engates de curta duração, os meus colegas idle consultants vão chegando para o jantar de comemoração da partida de um colega para uma temporada de consultoria nas américas.

Raramente nos encontramos fora local de trabalho, excepto em ocasiões especiais como esta ou em escassos casamentos e alguns funerais. Quase sempre um idle consultant morre antes dos trinta e cinco anos, nunca de morte natural, a maior parte das vezes devido a acidente de viação, outras vezes por consumo excessivo de anti-depressivos, estupefacientes, doenças infecto-contagiosas, práticas sado-masoquistas ou eventualmente suicídio.
Um quarto para as dez, já cá estamos todos... os dezasseis.

Por entre martinis, caipirinhas, imperiais, um vodka martini "shaken not stirred", queijinhos de cabra e estaladiças tostas barradas com manteiga de alho, eles vão discutindo sobre as suas magníficas viaturas turbo diesel alemãs e sobre qual o melhor atalho para se deslocarem daqui para acolá, de ali para além e vice-versa, enquanto elas palram acerca dos filhos que querem vir a ter, de lojas, da última moda e outras coisas imperceptíveis que se confundem com o barulho que está no restaurante.

Peço um bitoque. Um bitoque não engana. Um bitoque é sempre um bitoque em qualquer restaurante, tasca ou casa deste país. É como um velho conhecido que nunca nos desilude, que nos acompanha num copo ao balcão de um qualquer bar quando estamos sós e com o qual debatemos sobre a importância do fio dental no rabo desta ou daquela gaja.

Sinto o meu espirito abandonar o meu corpo e elevar-se até ao nível das luzes fluorescentes do tecto. Qual super-herói de banda desenhada que observa o corrupio dos vultos nas ruas, do terraço de um edifício gótico numa noite de lua cheia, observo os acontecimentos à mesa. O meu corpo apático, essa cápsula carnal momentaneamente desprovida de qualquer vida interior, reage às estórias e piadas que contam, ora com esgares de sorriso, ora com sonoras gargalhadas. Tudo automatizado e com um timming tão perfeito que até pareço participar no jantar.

Observo-me degustar o bitoque em largas garfadas enquanto sorvo longos goles do tinto da casa. Começo a ficar ébrio, as faces rubrorizam-se, da minha boca começam a saltar para a mesa piadas fáceis e por vezes ordinárias. Ninguém fica chocado. Os gajos também estão embriagados cada um tentando ser mais engraçadinho do que o outro, as gajas encontram-se refugiadas na sua fortaleza de futilidades. Nada as pode atingir. Tenho calor, não sei se é provocado pelo tinto da casa ou pela proximidade das luzes fluorescentes do tecto. Talvez ambas.

Mais um copo de tinto. Seis copos de tinto depois, perdigotos da minha boca voam atingindo os mais próximos.
O empregado deposita um café à minha frente. Abençoado sejas. Bebo o café de um só trago, com um choque de realidade o meu espirito é atirado abruptamente de encontro ao meu corpo. Estou meio tonto. Pago a minha parte da conta, guardo o maço de tabaco, telemóvel, a carteira e levanto-me. As pernas pouca ou nenhuma força têm.

Despedimo-nos uns dos outros fazendo votos que este encontro se repita brevemente. Faço figas.

Chamo um taxi e debito ao taxista o que se assemelha a uma morada... a minha morada espero eu. Entre uma espécie de dois dedos de conversa com o taxista, percorremos a cidade. Chego a casa. São e salvo. Pelo menos por esta vez.

sexta-feira, 18 de março de 2005

Duelo ao sol
Segundo o NY Times, Bono Vox era um dos candidatos preferidos a ser o próximo líder do Banco Mundial. Isto é um completo disparate, mas para o remediar o tântrico Sting já ameaçou a edição de dois novos discos por ano, caso não seja ele o escolhido.
Sting, tou contigo. Tudo menos mais música de merda (isto também serve para ti, ó Bono).
Journal Of An Idle Consultant

IV. Terapia

Um rasgo de felicidade enche-me as faces. Uma maravilha! vou-me repetindo até à exaustão, no interior do utilitário citadino com o aquecimento avariado.

Eis duas das vantagens de se trabalhar nos subúrbios:
- Uma: viaja-se sempre em sentido contrário ao do trânsito;
- Duas: não somos supostamente tão infelizes como os outros.

Uma maravilha! Só tem o que merecem! Repito-me até sentir uma certa náusea. Confesso gostar desta certa má disposição que sinto no estômago. A infelicidade dos outros pode ser por vezes cá um bálsamo. Já é Outono, a negra noite desce sobre nós cada vez mais cedo. Não háque enganar... os médios acesos das viaturas e os rostos apáticos dos seus condutores no regresso aos seus palacetes suburbanos adquiridos a trinta anos, definitivamente não enganam. Pelo menos assim tão de repente não enganam. Poucas coisas me devem fazer sentir melhor do que imaginar que as desgraças dos outros são piores que as nossas.

Gosto de ir ao final do dia a supermercados nos bairros bem da cidade. Duas a três vezes por semana cruzo a cidade rasgando o escuro manto outonal que a cobre. Escolho um supermercado de uma qualquer cadeia de um grande grupo económico. Entro. A iluminação branca fluorescente reflectida no chão de mosaico branco, nas paredes e expositores cremes, adquire um estranho tom acolhedor, quase uterino , uma espécie de deitar no divã do psiquiatra. A introspecção é obrigatória. Lentamente, como que ausente, percorro os corredores do supermercado. Soja, seitã, tofú. Alimentação para pseudo-iluminados Zen. Mais valia comerem cartão, sempre deve ser mais saboroso!. Picanha, peitos de peru, costeletas, orelha de porco. Sinto que alguma saliva se vai formando debaixo da minha língua. Corredor dos lacticínios. Leite gordo. Meio gordo. Magro. O relaxamento é total. movo-me tão lentamente que pareço estar a deslocar-me para trás.

Passo por uma família bem. Pai: perto dos quarenta, cabelo escuro puxado para trás à força de três camadas matinais de gel, a perder cabelo velozmente, casaco azul escuro com botões dourados e brasão ao peito e a pele ligeiramente bronzeada pelos passeios de fim de semana no pequeno iate do sogro. Mãe: trinta e poucos anos, loura de cabelos lisos pelos ombros, cara inchada do stress provocado pela empregada da Europa de Leste que apenas domina seis ou sete mil vocábulos em português, anca de quem foi abandonada pela beleza aquando do nascimento do terceiro rebento. Os rebentos: todos louros, um de uns prováveis oito anos corre velozmente para a secção das bolachas e chocolates, os outros dois, gémeos de trêsanos quais pequenos duendes de jardim agridem-se mutuamente provocando a ira dos pais. Sorrio.

Corredor das bebidas espirituosas. Enquanto percorro o corredor, vou tocando com as pontas dos dedos nas garrafas de whisky, gin e vodka. Que toque agradável. Escolho duas garrafas do melhor vodka russo e vou pagar. Numa das caixas um jovem casal de namorados, ambos de boas famílias discutem em alto e bom com a pobre da empregada, por qualquer coisa do género como o facto de esta ter colocado o pacote de bolachas digestivas da menina no mesmo saco de compras em que estavam os ovos.

À minha aproximação a porta automática do supermercado cede-me a passagem. Cá fora um vento frio e pequenas gotas de chuva que caiem sobre os pára-brisas dos automóveis estacionados aguardam-me.
Respiro fundo.

A vida pode não ser um mar de rosas, mas é pelo menos uma lata de mão de vaca com grão. Não cheira bem. Não sabe bem. Mas ao menos alimenta!

quinta-feira, 17 de março de 2005

Aborrecimento factual

Acho que as conversas sobre o estado do tempo vão dar sempre numa grande seca.

quarta-feira, 16 de março de 2005

Post-It de Um Genocida

- Cavar uma vala comum à entrada da metropole
- Arruinar um povo
- Cravar uma faca nas costas do meu lugar-tenente
- Levar um povo ao suicidio em massa

segunda-feira, 14 de março de 2005

O agradecimento
Numa cerimónia quase secreta, Paulo Portas aproveitou o último dia de mandato para condecorar 12 personalidades. Entre elas estava o ministro das Finanças, António Bagão Félix.
O sentido de oportunidade de Portas revelou-se fantástico, não apenas por ser o último dia do seu mandato mas porque foi também nesse dia que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, Portugal regressou oficialmente à recessão económica.
Muito obrigado, Bagão, pelo bom trabalho.
Journal Of An Idle Consultant

III. Cafeína

O verdadeiro idle consultant bebe entre quatro a seis cafés por dia. O mínimo obrigatório são: um café ao sair de casa, outro a meio da manhã entre as dez e meia e as onze e meia da manhã, um a seguir ao almoço e outro a meio da tarde.

Como se de um ritual maçónico se tratasse, cumpro diária e religiosamente a minha quota-parte de consumo diário de café. Tarefa árdua e extenuante, mas obrigatória, para que os sentidos estejam sempre alerta e permitam reagir prontamente a qualquer solicitação e aos milhares de informações que são despejados todos os segundos no monitor do meu computador. Guerras, inovações tecnológicas, convulsões políticas, quedas da bolsa, tudo passa diante dos meus olhos a velocidade vertiginosa qual carrossel da selva. Há que estar atento!

Todo o santo dia presto a vassalagem a essa espécie de rei tirano medieval do século XXI a quem chamam de Máquina de Café Automática. Prostro-me diante dela e em troca de dois cobres, ela com a sua magnificência e delicadeza frias do metal e plásticos da sua armadura encarrega-se de me dar tudo o que necessito, cafeína e mais cafeína. Por vezes qual cobrador de impostos indisposto leva-me mais do que as duas moedas de cobre. Vilanagem!. Apetece-me desafiá-la para um duelo ao nascer do sol, atrás da sala de reuniões. Sem testemunhas.Confesso no entanto que os seus botões e luzinhas, me intimidam... Tenho medo é um facto.

Muitas foram as noites em branco que passei a orquestrar a minha solene e doce vingança. Já pensei em envenená-la com pequenas moedas do Congo Belga, atacá-la com um extintor, abrir-lhe a sua enorme bocarra e obrigá-la a engolir neve carbónica até começar a vomitar capuccinos pela ranhura das moedas ou até pensei em desligá-la da corrente.

Não consigo. Sou um fraco! Mais uma vez me encontro curvado em sinal de obediência perante o monstro, enquanto retiro com todas as precauções mais um café das suas entranhas. Tenho medo que me arranque um braço e me perfure o baço. Tiro o café da sua boca, o monstro não me mordeu, nem me cuspiu, faço o caminho de regresso ao meu lugar. Sinto no meu pescoço duas luzinhas vermelhas que me seguem, um calafrio percorre-me a espinha, sento-me na minha cadeira e por cima do monitor lanço-lhe um olhar fulminante.Ela vê-me. Odeia-me. Não faz mal. O sentimento é reciproco.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Post-It de um Suicida

A fazer:

- Ir buscar a torradeira que já está arranjada
- Comprar sais de banho
Rádio Nostalgia

O congresso do CDS/PP realiza-se nos dias 23 e 24 de Abril.
Recordar é viver.
É a Puta da Loucura

Há gajos capazes de tudo, mas mesmo de tudo!
Gandas malucos!!!!

quarta-feira, 9 de março de 2005

Post-It de um Suicida

Amanhã:

- Comprar bilha de gás
- Limpar o forno
Falta de assunto

(via messenger)

Ana Raquel - Olááá!
Raviolli_Ninja - Çá Vá?
Ana Raquel - Ah oui...
Raviolli_Ninja - Qué contas?
Ana Raquel - Rien de rien. Tout na même...
Ana Raquel - Coma a lêsme...
Raviolli_Ninja - Lêsmes nã se comem, só los escargotes.
Raviolli_Ninja - Se bem que davam menos trabalho a comer...
Raviolli_Ninja - Mas era a desgraça da indústria dos alfinetes.
The Night of the Living Dead

CP disponibiliza comboio a fãs de Roberto Carlos

A empresa garantiu que todas as medidas de segurança serão tomadas. O comboio será equipado com camas, arrastadeiras e máquinas de respiração assistida.

terça-feira, 8 de março de 2005

O bom exemplo
Numa fábrica de Arcos de Valdevez, encontramos o bom exemplo.
A Confecções Afonso, têxtil, pertence a um grupo de empresários alemães, que pretendem deslocalizar a produção para a República Checa, onde os salários são mais baixos, e a exploração mais fácil.
Depois de uma reunião normal, para tratar de assuntos correntes, os empresários alemães voltaram à fábrica nessa mesma noite, começando a retirar clandestinamente o material da empresa.
Uma das funcionárias notou a estranha movimentação, alertando as colegas e posteriormente a GNR.
À frente da barreira humana, Conceição Pinhão, gerente da fábrica, assalariada como as outras 97 mulheres que ali trabalham.
Sempre apelando à calma, "para continuarmos com a razão do nosso lado", a gerente deixou a GNR fazer, por uma vez, o seu trabalho. As máquinas ficaram, os empresários desapareceram para sempre, deixando salários em atraso mas também os equipamentos de produção.
Conceição Pinhão não desistiu. Tomou conta da fábrica e todas as trabalhadoras continuaram em actividade.
Pagou três meses de salários em atraso, negociou com clientes, fornecedores e com a Segurança Social, e as encomendas não páram de chegar.
Graças a esta auto-gestão, 98 postos de trabalho foram salvos.
Uma história esperançosa e verdadeira, no dia internacional da mulher.
Os maus exemplos
Os operários da Opel da fábrica da Azambuja estarão em greve na quinta-feira. É um direito seu, consagrado constitucionalmente, mas a empresa já veio dizer que essa greve pode originar a perda dos postos de trabalho. Isto apesar de, de acordo com a lei fundamental, a greve não poder servir de base a despedimento, por se tratar do legítimo exercício de um direito.
O que se está a passar com a Opel é sintomático do estado a que chegámos.
O grupo diz que tem de fechar fábricas. Como tal, coloca as fábricas europeias (Polónia, Alemanha, Espanha, Portugal, etc) a competirem entre si. Sobreviverão aquelas "que se mostrarem mais flexíveis", ou seja, que aceitarem menos direitos e menos salário, e se possível trabalhando mais. Trabalhadores contra trabalhadores, para o enriquecimento de outros, os donos.
Depois dos inúmeros exemplos que já tivemos em Portugal, será que é este o tipo de investimento estrangeiro que queremos? Será que faz sentido continuar a aceitar tudo e mais alguma coisa, tornarmo-nos "competitivos", para receber investimento que só quer aproveitar baixo custo de mão de obra?Competitivo não é dizer sim a tudo, mas os políticos ainda não perceberam.
Entende-se, sempre tiveram e terão o salário garantido, sem precisar de renegociar horários de trabalho ou sequer de sujar as mãos.

Se no primeiro caso falamos de uma multinacional, falemos agora da Portugal Telecom.
A empresa anunciou recentemente que duplicou o seu lucro em 2004, para 500 milhões de euros. No mesmo dia, anunciou que vai cortar mil postos de trabalho.
Os investidores aplaudem a falta de escrúpulos, a empresa diverte-se, o Estado assobia para o lado.
Os trabalhadores, esses, continuam a ser carne para canhão, nada mais.
Journal Of An Idle Consultant

II. Alegremente caminhamos para o abismo

Encontro-me sentado no meu posto de trabalho, são dez e meia da manhã e pela terceira vez este mês não há internet. Não sei o que passa lá fora no mundo exterior, ou se sequer ainda existe mundo exterior.
Será que as promessas de guerra, atentados à bomba e assassinatos políticos do fim de semana passado se estão a concretizar?

É quarta-feira. Aqui no buraco tudo continua impávido e sereno, como se o mundo lá fora não existisse. Levanto os olhos por cima do monitor do computador e perscruto até onde a vista alcança o escritório, dezenas de computadores e cabecinhas de idle consultants atrás destes. Nada os perturba, nem sequer o facto de a qualquer momento, tudo poder terminar, de forma inversa ao final de uma qualquer telenovela sul-americana... Sem um final feliz.

Gostava de ter uma AK-47 ou uma outra qualquer arma semi-automática na gaveta dos meus pertences. Poderia assim, de vez em quando, subir para cima da minha secretária e gritar: Sua cambada de consultores amorfos! Não sabem que estamos àbeira do abismo?. Eles não responderiam, ou porque não sabem ou porque não se importam. Escolheria um idle consultant aleatoriamente, faria pontaria à sua pequena e oca cabeça e dispararia um único tiro certeiro que o atingiria na nuca e espalharia uma pasta levemente cerebral sobre o seu monitor. Provavelmente ninguém daria por nada, apenas e eventualmente a empregada de limpeza no dia seguinte que se encarregaria de raspar o cadáver do soalho e jogá-lo no lixo juntamente com as resmas de fotocópias mal tiradas e folhas que a impressora não soube imprimir. O monitor seria limpo e reluzente aguardaria pelo próximo consultor. Dizem que abater alguém por trás écobardia... eu gosto de lhe chamar misericórdia.

De repente as massas amorfas começam a movimentar-se e pelo escritório ecoa de que o carrinho da comida está láfora à espera... são onze horas. Olho para as miniaturas de janelas que se encontram junto ao tecto do escritório e vislumbro um céu cinzento e ameaçador... já não sei se estamos em Setembro ou se já caímos no abismo.

segunda-feira, 7 de março de 2005

A Garganta Bronca
"Somos candidatos a ganhar tudo o que houver para ganhar", afirmou Zé Peseiro, antes do jogo com o Belenenses que terminou com a derrota da sua equipa.
Depois da derrota lagarta, e visto que o Euromilhões também não teve vencedor, há sempre a raspadinha.
A birra
O CDS/PP, vexado com a nomeação de Freitas do Amaral como ministro do próximo governo PS, retirou da parede da sua sede a fotografia do dito senhor, enviando-a para o Largo do Rato, quartel-general dos ditos socialistas.
Não é a primeira vez que uma coisa destas acontece. Freitas tinha já sido esquecido pelos populares em congressos, mesmo no simbólico encontro deste ano no Palácio de Cristal. Manuel Monteiro foi outro dos esquecidos, mas creio que deste eles se esqueceram mesmo, não foi por mal.
Para um partido que fala à boca cheia dos trotskistas a um ponto dos democratas-cristãos, este ritual estalinista é absolutamente hilariante.
Não é apenas a reescrita do passado, a revisão em que estes senhores são tão bons, depois da rábula do R da Evolução de Abril. O PP é, verdadeiramente, uma galinha sem cabeça.
Esta acção não passa de uma birra, demonstrativa do carácter de um partido para quem a palavra democracia apenas lhes serve quando estão no poder, e para meter o eleitorado queque com medo dos perigosos esquerdistas.
Sem Portas, o PP não existe. Aliás, sem Portas, o PP nunca existiu, seja nos bastidores ou sob os holofotes.
Este momento de completos mau-perder e desnorte dos direitinhas é um cenário longamente sonhado.
Apreciemos então cada delicioso momento deste moribundo partido.
Do poder à cova.
RIP.

quinta-feira, 3 de março de 2005

I Can Hear Dead People

Rui Tovar regressou ao comentários de futebolês na Érre Tê Pê.
Journal of an Idle Consultant

I. Dormência

Segunda-feira...
Oito menos dez, a mini-micro-aparelhagem faz click, o som em volume reduzido do programa matinal da rádio acorda-me meia-dúzia de neurónios... poucos, inúteis e perfeitamente dispensáveis. Ignoro o clickda mini-micro-aparelhagem, o programa matinal em geral e o mundo em particular.

Oito e dez.... oito e treze, diz o apresentador lá do outro lado rádio. Ele lá deve saber. O alarme do telemóvel, inicia o seu toque num crescendo sonoro, no mínimo irritante... e qual pára-quedas de emergência, resgata-me para a realidade, impedindo de me estatelar no sono profundo. Quatro outros neurónios despertam. Está reunido o número mínimo necessário à execução dos procedimentos básicos do desligar o alarme do telemóvel, sair da cama e higiene diária.
Primeira dificuldade do dia. Por opção estratégica, o telemóvel encontra-se afastado do raio de acção dos braços, não vá um qualquer reflexo despropositado inibi-lo de incumbir a sua missão matinal. O telemóvel encontra-se algures debaixo da cama, com um movimento de torção do corpo e jogando o braço direito tento alcançar o aparelho... não o encontro. Nada sinto. Tento com o braço esquerdo e também nada acontece. Dois neurónios despertam e segredam-me: Tens os dois braços dormentes!. Devia ter desconfiado, afinal nem sequer consegui torcer o corpo para chegar à beira da cama. Devo estar na mesma posição há pelo menos 5 minutos. Oito horas e vinte e sete minutos, confessa-me o senhor da rádio. Pela quarta vez na vida, desde que me lembro, sinto-me totalmente incapacitado, paralisado, qual super homem tetraplégico. Tento fazer retornar a força e o movimento aos braços, com vigorosos e desesperados movimentos de olhos e contorcendo o nariz, o sangue recomeça a fluir novamente nos membros superiores.
Num ápice rebolo para a beira da cama e tacteio velozmente por baixo desta. Encontro finalmente o sacana do telemóvel que ainda não se calou. Amordaço-o e amaldiçoo-o. Silêncio...

Vinte para as nove diz o chato da rádio. Até parece que lhe perguntei alguma coisa. Merda!!!, digo eu que entro às nove da manhã e ainda levo no mínimo trinta minutos de caminho até ao trabalho.
Tenho que ser rápido, preciso dum duche... gelado. Devia de ter pago a conta do gás na semana passada. Bem feita! Para a próxima já não te esqueces... digo isto há três anos e quase todos os meses é sempre a mesma coisa. Com os testículos mirrados e ainda com as costas húmidas regresso apressadamente ao quarto para envergar a farda imposta pelo rígido dress code da idle consultancy. Visto os boxers e calço as meias - post-it mental: estes eram os últimos boxers e meias lavadas, lavar tudo logo à noite - visto as calças, a camisa e ponho a gravata com o nó Windsor que não é desfeito já há três meses - ou será que são seis meses? Não me recordo.

Noticias das nove na rádio. Dizem-me que um comboio descarrilou na Nicarágua, setenta e sete ou setenta e oito mortos, não sabem precisar. Sorte a deles que já não tem que entrar às nove. Pego no casaco, dirijo-me para o carro. Distância aproximada: noventa metros.
A trinta e cinco metros do carro passo pela porta do café. Indeciso, paro e penso se entro para tomar um café e comprar cigarros ou se sigo directo para o trabalho. Com um cafézinho a viagem faz-se melhor. Entro! Afinal, já estou atrasado mesmo, que diferença farão mais cinco minutos, peço o café e os cigarros, bebo café e pago a conta. No rádio do café passa uma merda qualquer da Céline Dion esta gaja nunca mais morre! alguém diz que são nove e dezanove. Já não suporto a história das horas. Sigo para a viatura.

Allegro ma non troppo... Reparo na loura jeitosa que se atravessa à minha frente, mama e rabo rijos, deve ter dezasseis anos no máximo... talvez quinze.

Último semáforo antes da auto-estrada... Auto-estrada. Todos os aselhas do mundo que vão atrasados para o trabalho atravessam-se à minha frente, mais as lesmas das escolas de condução. Hoje apanhei com três deles. Nunca baixar dos cento e quarenta é o lema, dezoito quilómetros depois e menos de cinco minutos de caminho, saio da auto-estrada, menos de três quilómetros me separam do purgatório. Consigo estacionar o carro a três edifícios de distância do trabalho, últimas passadas apressadas e finalmente a porta.
Nove horas, quarenta e nove minutos e onze segundos... Pico o ponto!

terça-feira, 1 de março de 2005

Código D'Avintes

Com tanta discussão à volta da figura de Cristo, há um facto que é uma verdade inabalável: sendo carpinteiro é óbvio que o homem tinha que pregar.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

U2
Nestes dias, milhares de portugueses têm sido tratados como gado para ir a um concerto daqui a seis meses e pagando, no mínimo, 10 contos.

Para estes, deixo-lhes aqui uma palavra: OTÁRIOS!
Fight Diver de fim de semana
A partir de 1 de Março, as vacas suíças estarão proibidas de consumir cannabis, para além do que também vai acontecer com os cidadãos propriamente ditos. Parece que há lá umas pastagens valentes e apareceram vestígios de THC no leitinho de algumas milkas, por isso toca a proibir.
É caso para dizer: meus amigos, deixem jogar o Mantorras!...
Já reparou........
....que o Nuno da Câmara Pereira será deputado na nova legislatura? E que, para além desta besta quadrada, o PSD garantiu mais um lugar aos monárquicos e dois ao Partido da Terra?
Alto preço a pagar por um chavão, para provar que o PPD/PSD fazia parte de uma "plataforma política que abrange a sociedade civil", ao estilo da coligação militar de Bush, que de alargada não tinha nada.
Já se fala, inclusivamente, de que o PPM poderá criar o seu grupo parlamentar, ao estilo d' Os Verdes, o que faria tanto sentido como o Trapatoni ir tirar o Cartão Jovem.
Ganda Santana. Obrigado por tudo e volta sempre.
Prémio Melão da Semana
Vai para o estratosférico José Mourinho, que levou um banho de bola em Barcelona e voltou a demonstrar o seu grande fair-play, ao acusar (sem grande convicção, diga-se de passagem) o treinador do Barça de pressionar o árbitro.
Depois do episódio com a camisola do Rui Jorge, em que pediu a Pinto da Costa para o deixar sair de Portugal, parece que também a Europa é demasiado mesquinha para o genial português.
O mal habituado
António Vitorino já avisou. O Governo não vai ser feito na comunicação social, e acrescentou: "Habituem-se!".
Começa mal, o Xôr Vitorino. Quanto à sua afirmação, nada de errado, o estranho seria o contrário.
Já o tom arrogante com que o disse e o momento escolhido- a noite da vitória e em pleno festejo da primeira maioria absoluta do PS- são de uma grande falta de oportunidade.
Vitorino faz-me lembrar um daqueles emigras pato-bravo, que vão para o estrangeiro, fazem fortuna e voltam para a terrinha ao volante de um mercedes amarelo a mandar ares de superioridade.
Para quem já foi falado para tudo, e acabou por ser uma figura de bastidores no PS, Vitorino arrisca-se a ser o José Dominguez do PS, "passando ao lado de uma grande carreira".

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

O reforço que faltava
Luis Filipe Menezes, o laranja que nunca ganhará nem à moeda a sul do Mondego, quer ser líder da nação(zinha) laranja.
Ele, o Manuel Cajuda da política portuguesa, que está sempre a meter-se em bicos de pés a ver se alguém se lembra dele para treinar uma equipa grande (a gente até se lembra, só que ele é mesmo uma merda).
Quando ouvi dizer que Luis Filipe Menezes se ia candidatar à liderança do PSD, lembrei-me de muitas coisas.
Lembrei-me da sua já histórica falta de coluna vertebral, lambendo os tomates a qualquer líder à espera de lhe dar a facada nas costas.
Lembrei-me do seu oportunismo básico ao tentar colar-se ao FCP por interesses pessoais.
Enfim, lembrei-me da sua completa falta de carácter, tão grande que até consegue sobressair no meio do laranjal.
E depois lembrei-me da sua bela frase, num dos últimos comícios de Santana, no Porto: "Aqui será o início do Tsunami laranja!".
E aí lembrei-me que um gajo com tamanha falta de gosto e de escrúpulos seria um grande contribuinte para o nosso blog.

Luis, man, o convite tá feito. Aqui é de tsunamis para cima, carago!
O Polvo

Eles andem aí. Eles andem mesmo aí.
Lost In Translation

Legendagem da noite: Saint Francis Shelter passa a São Francisco Xavier.
(série Crossing Jordan, RTP1)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Long live the king
Hunter S. Thompson, ou como eu gosto de lhe chamar, "o máiór", suicidou-se ontem, na sua casa nas montanhas do Colorado.
Thompson, de 67 anos, matou-se com um tiro na cabeça, pondo um triste fim a uma vida de escrita, drogas, curte, alcool e uma crítica social que não encontra paralelo.
Descobri os seus escritos há uns anos, quando um antigo namorado da minha irmã, na altura preso, me enviou um dos seus livros quando descobriu que eu tinha começado a escrever.
Era uma grande colectânea de cartas, chamada "Proud Highway", e é uma das mais deliciosas coisas que já li.
Fiquei agarrado, e fui comprando lá fora os livros que não existem cá dentro, consumindo quase tudo o que consegui encontrar. Descobri então a vida deste homem, jornalista por acidente, escritor e alcoólico por militância, rebelde e genial por natureza.
Foi o inventor do que chamou de "Gonzo Journalism", um estilo muito próprio que colocava o jornalista no lugar central, como protagonista, cagando de alto para a pseudo-objectividade desse ofício.
As suas crónicas sobre a campanha presidencial norte-americana de 72, salpicadas pelas suas ressacas e por inúmeros esquemas para arranjar as drogas mais estranhas, são um marco na história da cobertura política por jornalistas.
Sempre foi um marado, "bigger than life", e agora matou-se.
Hoje beberei um copo por ele.
Recomendo qualquer livro dele, mas especialmente "Proud Highway: the fear and loathing letters vol.1" e "Fear and Loathing in Las Vegas", disponível em Portugal.
Long live the gonzo king.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Absolut

PS – Vencedor sem esforço. Sem programa. Sem brilho. Com muitos, muitos votos. Sem uma menção à palavra esquerda nos vários discursos do líder triunfante.

Sentimento dominante: “Consegui”
Dúvida pungente: E agora?
Desafio emergente: Formar governo. Começar a revelar uma ou outra medida... Era capaz de não ser má ideia.


PSD – Santana Lopes é, sem dúvida, um lutador, mas correu rodeado de realidade. A sua. Só podia perder.

Sentimento dominante: Cagandatareia!
Dúvida pungente: O Prof. Cavaco avança ou não avança?
Desafio emergente: Varrer o Santana.


CDU- Jerónimo de Sousa transformou em votos dez dias de boa imprensa. Tem grande mérito pessoal. Pena que (grande parte d)essa boa imprensa insistisse exclusivamente na humanidade e autenticidade do candidato, desvalorizando o mérito e a consistência do programa eleitoral.

Sentimento dominante: Estamos satisfeitos, mas o governo do PS que não durma.
Dúvida pungente: Há quantos anos não crescíamos?
Desafio emergente: Manter o élan do Jerónimo e evidenciar a qualidade dos novos deputados.


BE – Pula de três para oito deputados (e só por azar não consegue mais dois ou três) e concretiza o seu grande objectivo: o aumento significativo de mandatos. Indo contra muitas sondagens, mantém-se como quinta força, mas é a aquela que mais cresce em termos relativos.

Sentimento dominante: Somos bons.
Dúvida pungente: Será sempre a subir?
Desafio emergente: Manter, agora com mais peso institucional, o registo anti-sistema.


CDS – Adivinhava-se a queda. Mais um guerreiro derrotado pela realidade, agora e a cores. Portas deu muito ao partido, pouco ao país. Acaba engolido na esquizofrenia do Ministro Portas e do Paulinho das Feiras.

Sentimento dominante: Onde é que estávamos com a cabeça para andar a pedir 10%?
Dúvida pungente: Em que corpo renascerá Paulo Portas?
Desafio emergente: Arranjar um novo (ou uma nova) líder.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Eleições
No Domingo, vou votar, como habitualmente.
Devo confessar que ainda não sei em quem, não por cinismo de achar que não serve de nada e todos eles são maus, apenas porque não sei, de entre dois partidos, aquele que merece mais o meu voto.
Mas isso não é, agora, o mais importante.
O importante é que vai ser feita alguma justiça, às mãos dos votantes.
Justiça porque esta direita vai ser finalmente despejada do poleiro, mais ainda do que pela vitória do PS, que nada de relevante, por si só, mudará.
É importante que o país dê este sinal, de que está farto. A esquerda irá subir, o que muito me agrada, embora considere que não se pode falar de uma viragem do país à esquerda. Viragens destas já vi muitas, e em larga medida não querem dizer nada a não ser o desejo de penalizar quem lá está.
Mas, ainda assim, é de extrema importância a derrota da direita.
Desta direita puritana e mesquinha, que se mascara de popular para enganar o povo com gravatas pretas e lágrimas de crocodilo, tratando o povo como idiotas, como sempre fizeram.
O povo é burro? Sim, em boa parte. Mas a postura do poder deveria ser de tentar alterar isso, e não apenas tentar tirar partido desse facto, como os três partidos do eixo do poder estão a fazer.
É preciso correr com esta direita. A sua derrota será a derrota da estratégia de terra queimada, do marketing barato, do boato, da manipulação, do choradinho do menino guerreiro e da virgem santíssima.
Não quero o meu país governado por santanetes, advogados e gestores. Não quero o meu país governado pelos 10 por cento mais ricos, que fingem, em campanha, compreender e amar o povo, mas que têm como único objectivo a manutenção dos seus sujos privilégios.
Quero um governo de pessoas que trabalham, que sabem o que é a vida. Que sabem das dificuldades em criar uma família, pagar as contas, estudar à noite e aproveitar as promoções da TAP para viajar ao estrangeiro. Quero um governo de gajos que não têm barcos e não fazem propaganda de serem, ou não, católicos.
Quero um governo de pessoas, comuns como nós, e não de tecnocratas impotentes com filhos betos, que estão nas jotas para serem iguais aos papás, continuando o roubo das últimas décadas.
Quero um governo que saiba falar de felicidade, e não apenas de défice, que saiba falar de alegria, e não apenas de sacrifício, que saiba falar de ganas de viver, e não apenas da sobrevivência de tachos e privilégios.
Chega de betos, tias, santanetes, advogadozinhos a lamber os beiços. Isso não é Portugal, é apenas o cancro que anda a comer Portugal.
Espero que se confirme o cenário que previ: a vitória do PS SEM maioria absoluta, e a subida de Bloco e CDU; que o PPD/PSD (filhos da puta!) tenha 30 por cento no máximo e que o PP não seja a terceira força política; e, se ainda houver brindes, gostava de ver o Garcia Pereira na assembleia e o Manuel Monteiro a cantar no metro.
Boas eleições, caros atónitos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

There´s a Starman

Assisti, hoje, às oito da manhã, na RTP, a uma reportagem sobre o desemprego no nosso país.

Enquanto eram apresentados os tristes números, passavam aquelas imagens recorrentes de transeuntes a circular pelas ruas de Lisboa com um ar meio activo, meio melancólico. Portugueses.
Entre estes, uma cara conhecida: a do Xôr Raviolli Ninja.

Vais longe, Miúdo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Mete nojo!

Mesmo que não tivesse razões de sobra para não votar Santana, depois de ter visto ontem a figurinha a aparecer no debate com gravata preta já é razão suficiente.

Para mim demonstra como o Sr. Lopes faz tudo para ganhar votos mais uns votos.

Epá, é que nem a Maria Beata do Portas se lembrou de tal coisa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

A Saga de Sacana Lopes XV (?)
Sacana Lopes, o bébé que tarda em crescer, escreveu uma missiva aos portugueses abstencionistas. Como ele sabe quem são esses eleitores é um mistério, e não nos atrevemos sequer a especular nesse domínio.
Sacana pede aos portugueses que vão votar, de forma a que se possa "fazer frente aos poderosos".
Diz ele que "Portugal precisa do seu voto de justiça" e acrescenta que, se os malandros dos abstencionistas não lerem a carta, farão "o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses".
Sacana compreende os portugueses. Diz ele que "você não costuma votar, e não é por acaso".
O bébé queixa-se de"alguns poderosos a quem interessa que fique tudo na mesma", mas diz que isso não pode ser!
"Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema", diz o Sacana, que até compreende o povo perseguido.
"Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários", diz ele, antes concluir pedindo o voto dos portugueses, "por favor!".

Sem comentários.
Raging Bull
Contrariando a sua fama de ortodoxo, Jerónimo de Sousa deixou a cassete em casa e ficou afónico.
Resultado: foi o claro vencedor do debate.
BE ( não confundir com Boa Educação)

Frei Louçã continua a deixar marcas da sua indelével superioridade moral.
Depois de, em pleno debate televisivo, ter confrontado Paulo Portas com a sua falta de hábitos reprodutivos, voltou hoje à carga, ainda que numa versão claramente mais light (Não amoleças, Francisco!!).

A vítima foi este gajo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Rescaldo do concerto dos Nouvelle Vague

As meninas são bem jeitosas e as saudades que eu tinha de pagar oito euros por um bushmills.

Frase da noite: as senhoras assim a armarem-se em meninas até fazem um gajo sentir-se pedófilo.
O Vinho é ser Animal

Para variar um bocadinho, o PS promete sobriedade.
Assinale-se o esforço.
A Vida é Toda Uma Dinâmica

Morreu a Irmã Lúcia.
Miguel regressa aos convocados do Benfica.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Ele continua a dar-nos música

Em: www.luisdelgado.net

PS: Com o agradecimento ao sempre atento Karlo Vasco.
Finalmente!
Michael Bolton, esse grande senhor da canção romântica, fará a sua estreia nos palcos portugueses a 10 de Março, no Casino Estoril.
Esperam-se temas deliciosos do seu 22º albúm (verdade!), bem como algumas pérolas perdidas dos BlackJack, banda heavy-metal que o ex-guedelhudo liderou, em início de carreira.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Notas soltas sobre a campanha (ou os mais e menos do aterro sanitário)
Muitos menos, apenas dois mais, aviso já, que a gente não está aqui para dizer bem.

Menos 1 - Os jotas. Os irritantes jotas. Todos os jotas são irritantes, mas os mais irritantes de todos são os do PP e os do PSD, com os seus cabelos e vestuária de beto, entrando em comitiva numa fábrica que felizmente cheira a suor. Guardo algumas recordações que qualquer dia me levarão a comprar uma caçadeira: os cânticos futeboleiros da JSD, na sua presença no exterior do estúdio do debate; o seu comportamento na campanha de rua de ontem, em Loulé, Faro e Setúbal, já que de cada vez que pressentiam um início de crítica ao bébé Santana desataram a gritar slogans, para abafar a voz do povo e ficar bem na televisão.

Menos 2 - Paulo Portas mostra que gosta do povo trabalhador ao visitar uma fábrica. Acontece que marcou a visita para quando os trabalhadores já tinham saído. Sempre se evitam chatices.

Menos 3 - A questão Cavaco, com base na pseudo-notícia do Público. Quando mais tempo se perde com estas merdas, menos se discutem os verdadeiros problemas.

Menos 4 - Toda a campanha do PSD. Desde o menino guerreiro à tarde informal de Santana com a imprensa, aos outdoors e aos boatos, passando pelos Falcons e pelo discurso à novela venezuelana. O PSD transformou-se no escarratório da política portuguesa.

Menos 5- O tom cada vez mais moralista de Francisco Louçã.

Menos 6 - A péssima representação de Paulo Portas e do PP, que merecia um "razzie" por falta de talento. Fingem pose de Estado e apelam ao levantamento popular; são parceiros do PSD mas não perdem uma oportunidade para os criticar, dizendo sempre que nunca os apanharão a criticar os laranjas.


Mais 1 - Os tempos de antena do BE. Hilariantes.

Mais 2- Jerónimo de Sousa. Anunciado como o coveiro do PCP, ganha em toda a linha na comparação com os medíocres adversários. Será a boa surpresa destas eleições.

Siga a banda.
Pública inocência
Leio vários jornais por obrigação, mas o Público é o meu jornal preferido.
Mas desta vez, estampou-se, com a história de Cavaco Silva.
A manchete rezava "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates" e agitou dois dias de campanha, em que não se falou de nada de relevante.
Abrindo o jornal, a notícia ocupa nada menos que uma página inteira. Leio, leio, leio, e em nenhum sítio se percebe de onde saiu a informação que possa sustentar o título da manchete. Não só não há fonte, ainda que fosse não identificada ou "pessoa próxima de", como tudo o que se refere ao título é uma especulação pegada.
Diz o Público que Cavaco sempre foi defensor das maiorias absolutas. Diz ainda que Sócrates é o único em posição de conseguir. Logo, um mais um são dois, e "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates".
E quem diz isto? Não Cavaco, que não foi tido nem achado na notícia; não alguém próximo de Cavaco, que possa saber o que ele quer; não um porta-voz político de Cavaco, que não aparece citado em lugar algum.
Quem o diz é o próprio Público, ou as jornalistas que escreveram a notícia, quiçá na posse das capacidades adivinhatórias do falecido professor Zandinga.
Como está escrita, a notícia só pode ser uma de duas coisas: ou pura incompetência ou uma notícia encomendada. Nada mais.
No dia seguinte ao estouro da bronca, o Público volta à carga, procurando desmentir o desmentido de Cavaco, sim, claro, porque se há alguém que sabe o que Cavaco pensa é o Público, ainda mais que o próprio!
Recuando ligeiramente, o Público precisa que aquilo é o que Cavaco pensa mas não pode dizer. Ah!
Já hoje, três dias depois de um erro infantil ou uma missão política, o Público finalmente dá a mão à palmatória. Reconhece que "fez uma má escolha do título de capa ao optar pela expressão "aposta em", expressão ambígua a meio caminho entre o "prevê" e o "apoia".
Esta é a pior desculpa de todas as possíveis. Em vez de reconhecer que fez uma notícia incompetente ou um frete (este último que nunca poderia admitir), tenta distrair a atenção com a expressão utilizada, que é tudo menos inocente.
Quem sabe como são feitos os jornais em qualquer parte do mundo, e sobretudo com temas quentes, sabe que aquele título foi ou deveria ter sido discutido até à exaustão, e não é um erro inocente a utilização daquela palavra "aposta".
Não foi mais que uma cedência à tentação de fazer um título mais "sangrento", que chamasse mais a atenção, como qualquer pasquim de quinta categoria.
Depois de ter feito manchete com uma opinião, a pseudo-vitória de Santana no debate, o Público volta a dar um tiro no pé.
Infelizmente acontece a todos, mas o mais grave de tudo é a lentidão e renitência demonstrada pela direcção do jornal em admitir o erro. Evidente e grave.
Boato de campanha da semana
José Sócrates, conhecido então por Catherine Zeta-Jones, passava as noites no Parque Eduardo VII à procura de meninos, sendo nessa ocasião que conheceu o seu agora aliado, António Vitorino.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

BE - Esquerda Moderna, Xofisticada e Doxinha

“Pretendemos destruir o actual sistema capitalista-imperialista e lançar as bases do socialismo em Portugal não apenas por adesão afectiva ou ideológica ou por obrigação moral por sermos de “esquerda”, mas também porque compreendemos a realidade”

”O programa revolucionário integra “claims” bem precisos: expropriação dos grupos monopolistas; nacionalização dos principais meios de produção, circulação e troca; monopólio estatal do comércio externo; planificação democrática da economia; democracia socialista para as amplas massas e repressão concentrada sobre os capitalistas e os seus aliados armados; dissolução do exército de caserna e dos corpos especiais de repressão policial...”


”Trata-se de um programa que só é sacado em palavras-de-ordem para as amplas massas em situações revolucionárias”

"O “programa de transição” elaborado por Trotsky em 1938 procura elevar as massas do seu nível de consciência imediato até à tarefa da tomada do poder. Aparecem aqui os “piquetes armados”, “o controlo operário da produção”(...) o “governo operário e camponês” ou os “sovietes””.

“O PCP afastou-se definitivamente do objectivo da revolução socialista e, como corolário lógico do seu jogo institucional no parlamento e nas câmaras, construiu um perfil de gestor de esquerda do sistema capitalista”

"Os eixos políticos para a acção são as palavras-de-ordem mais adequadas ao nível de consciência das massas no contexto de conjunturas bem determinadas. Apenas coincidem com o programa histórico em situações revolucionárias, mas podem perfeitamente coincidir com “claims” de transição e são normalmente “claims” democráticos, económicos, mínimos e parciais. Os exemplos são inúmeros, podendo ir desde as campanhas do Bloco “pelo fim do sigilo bancário” e “pela despenalização do aborto” até aos “piquetes armados” em certas situações pré-revolucionárias”.


Estas pérolas foram retiradas de do site da Ruptura/FER - www.rupturafer.org - grupo cuja totalidade dos membros integra o Bloco de Esquerda, “impulsionando o debate político e a sua construção”.

Questões Civilizacionais

No fundo até percebo a insistência de Pedro Santana Lopes nas questões homossexuais.
Ainda ontem estava a tentar apanhar um táxi e percebi bem como em Portugal não se respeitam as bichas.
Telhados de Vidro

Uma confusão. Tantas insinuações à suposta homossexualidade de José Sócrates e afinal é Pedro Santana Lopes quem usa pulseirinhas paneleirosas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

O grande debacle
Falando mal e depressa, o debate foi uma bela merda.
Dito isto, vamos alegremente escarafunchar na merda em que está transformada (há anos, e não só com esta campanha) a política portuguesa.
Sem dúvida alguma, Sócrates ganhou.
Santana apreceu acabrunhado, tímido, amorfo, num modelo que não favorecia o seu show-off de bébé na incubadora. Apareceu, numa palavra, derrotado.
Sócrates apareceu algo nervoso, sem conseguir explicar nada de nada, como é habitual. Esteve agressivo, mas permitiu em demasia que Santana fingisse que não tem nada a ver com o estado em que está o país.
Nada de fundamental se debateu, as respostas saíram decoradas e inócuas mas, sejamos sinceros, ninguém esperava outra coisa dos dois protagonistas.
Gostei de vários momentos, nomeadamente quando Santana, apertado por uma interpelação de Sócrates, lhe disse "eu respondo, eu respondo mas não me aponte o dedo". Parecia um puto da primária, no claro sinal de quem não tem argumentos para debater o fundamental, atacando a forma como é questionado.
Gostei também do ênfase dado por Santana quando falou nas promessas do choque fiscal do PSD, nas últimas eleições, quando disse que "o que Durão Barroso prometeu" foi tal e tal. Logo depois, atirou para cima da mesa com números aprendidos à pressa, dizendo que "nós fizemos", e aí eram números dos últimos três anos, não apenas de Durão Barroso. Elucidativo.
Gostei ainda de quando Santana, dizendo que não suportava boatos e queria acabar com isso se dedicou a habilmente enumerá-los, metendo ainda a martelo a questão da posição de Sócrates sobre o casamento homossexual.
Por último, fartei-me de rir quando Santana se desculpou com o nível da campanha, alegando que isso é feito nos EUA, "mas se o Engº Sócrates prefere a política portuguesa.........". Eu prefiro, mas isso sou eu, que não percebo nada disto.
Tirando o tom demasiado agressivo, no cômputo geral Sócrates foi melhor, quando lhe bastava empatar.
Ia caindo para o chão a rir quando vi hoje em alguns jornais que Santana ganhou. O Público justifica esta opinião (!), como principal manchete de primeira página, com o facto de Sócrates ir à frente, e como tal haver expectativas mais altas quanto ao seu desempenho.
Não é apenas mentira, é a análise mais idiota que ouvi nos últimos tempos.
Sócrates entrou a ganhar, bastava-lhe manter o resultado. Para Santana, o debate seria inútil ao não ser que ele obtivesse uma vitória claríssima. E ele perdeu.
Quatro notas finais:
1- A hilariante comitiva da JSD, que armou arraial à porta dos estúdios, equipados com os seus penteados à beto (talvez contra o frio) e do grito de guerra PPD!, com a música do grito futeboleiro do Glorioso SLB. Grande nível.
2- A opinião de Luis Delgado, o único dos oito comentadores da SIC Notícias a defender que Santana tinha ganho o debate.
3- A resposta a Delgado do gajo do clube de jornalistas, também na SIC Notícias.
Delgado: "Ninguém, nem um jornalista, nem um cameraman, nem um primeiro-ministro, ninguém pode ser avaliado com base em quatro meses de trabalho".
Outro Gajo: "Pois, mas eu diria que ninguém pode fazer em quatro meses tantos disparates como fez Santana Lopes".
Vai buscar!
.4- Na sondagem telefónica (a pagar 60 cêntimos) feita na Sic Notícias, 65 por cento dos telefonantes deram a vitória do debate a Santana Lopes.
Grande aquisição, para o PPD/PSD, do computador utilizado por Mourinho noutra célebre e limpíssima votação.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Indiana Guedes
Por debaixo daquela capa de gentleman com ar de atrasado mental, Nobre Guedes é um ranger. Não do Texas, mas talvez da Arrábida.
Hoje, o senhor ministro Nobre Guedes passou-se completamente da cabeça e apelou ao levantamento da populaça de Coimbra, para "impedir" a entrada de José Sócrates na cidade, devido à sua defesa da co-incineração.
Para o Indiana Guedes, que apenas imaginamos a comer scones e no cu, ainda estamos na Idade Média, e temos que fechar as portas da cidade para manter a peste à distância. Pede levantamento popular, que a malta pegue nas forquilhas e vá queimar, não lixo, mas bruxas, o satânico Sócrates.
Isto é poesia pura, e é lindo ver que a direita, por baixo da sua capa de pseudo-seriedade de Estado, não consegue evitar mostrar a sua verdadeira natureza fascistóide e ridícula.
Como simples exercício de "Descubra as diferenças", é favor comparar as declarações de Indiana Guedes com as do "estadista" GI Portas, afirmando que "o PP marca a diferença, com uma campanha pela positiva".
Fantástico....
GI Portas
Quando pensamos que a pouca-vergonha desta campanha não pode ir mais longe, vai.
Gi Portas, o tipo que não foi à tropa mas adora os antigos combatentes, enviou para a casa destes uma carta de pura campanha eleitoral. Faz o choradinho do costume, apelando ao sentimento, e relembra o enorme esforço feito na atribuição de pensões a quem "defendeu a pátria".
Para isto, apetece sugeri-lo a ir mamar um ganda nabo, mas isso provavelmente torna-lo-ia feliz.
Um governo em gestão, em pré-campanha que é campanha de facto, gasta o dinheiro de todos nós na sua suja progressão pessoal.
Até os próprios combatentes, alguns saudosos do velho Ultramar, denunciaram esta manipulação.
A pouca vergonha é tão grande que até os cegos a vêm.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Sprint
Numa altura em que a produtividade continua na ordem do dia, nada como um Governo que dá o exemplo. Depois de dois anos a coçar a micose, o ritmo de aprovação de legislação por parte do Governo duplicou (!!!) desde que este entrou em gestão.
Para além das urgentes entradas de (ainda mais) boys & girls, há que fechar dossiers nas mais variadas áreas, para que quem vier a seguir não lhes possa estragar os planos.
Será do Guaraná?
O Rei vai cú

Pedro Santana Lopes fez saber o seu apreço por colos femininos.
Há um, aliás, do qual nunca devia ter saído. O colo do útero.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Adivinha quem quer voltar
Isaltino Morais está farto de ser um comum mortal e ter de trabalhar para viver. Assim, voltou a anunciar que está a planear o regresso ao seu habitat de nidificação natural, a presidência da Câmara de Oeiras.
O tio do sobrinho taxista milionário disse hoje que ainda não tem apoios oficiais, mas afirma que não duvida de que o PSD estará com ele nesse regresso.
Acho que ninguém duvida.
Boato de campanha da semana
Diogo Infante é namorado de Jerónimo de Sousa.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Separado à nascença do George Constanza? Nem pensar! O meu irmão é o Jardel.

"Não me concebo como número dois, concebo-me como António Vitorino”
"Sou António Vitorino, colaboro naquilo que acho que em cada momento posso fazer”
"O futuro a Deus pertence"

António Vitorino, ontem, em entrevista à Rádio Renascença.


“Todos sabemos que se o Jardel está em forma tem possibilidade de fazer muitos golos. No Alavés não vai ser diferente e prometo marcar muitos golos assim que estiver em forma. Se não fizer golos, mato-me”
“O futuro a Deus pertence”

Mário Jardel, na sua apresentação como jogador do Alavés.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Piada politicamente incorrecta para testar o nível de semitismo dos nossos leitores ou se isto fosse Israel já tinha um missil com o meu nome

Líderes de 30 países reunidos em Auschwitz.

Devido à vaga de frio que assola grande parte da Europa, resolveram ligar os fornos crematórios para ver se isto fica mais aprazível.

USA eat you heart out!

Portugal e Timor assinam acordo técnico-militar.

Assim as duas nações, em conjunto, passam a dispor de: dois submarinos ferrugentos, meia dúzia de chaimites amolgadas, três jangadas de casca de bananeira e cinco mosquetes do séc. XVIII.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

O estéril debate
Muito se tem falado de debates, nos últimos dias. Sócrates e Santana assobiam para o lado, enquanto Jorge Coelho e Miguel Relvas se degladiam em público, recorrendo à retórica e a acusações veladas de medo e mentira, de parte a parte.
Ou seja, com as eleições à porta (falta menos de um mês), e perante a nebulosidade das propostas dos dois maiores partidos, estes entretêm-se a debater a questão dos debates, em vez de debater o que querem fazer pelo país.
Estes senhores continuam sem perceber que a política não deveria ser a sua coutada particular, em que trocam mimos e floreados venenosos nas ondas hertzianas.
Para os portugueses, sobra a confirmação de que tudo lhes serve para manipular a opinião pública, acusando os outros de não quererem debater.
Enquanto os políticos olham para o umbigo e entretêm a comunicação social com esta e outras querelas, o povo está na mesma: mal informado como eles querem.
Tristeza
Pela intervenção de Francisco Louçã, num debate televisivo com Paulo Portas. O Frei Louçã, assanhado numa discussão sobre o aborto, afirmou que Portas não tem moral para falar do assunto, porque "nem sequer tem filhos", ao contrário de Louçã, que tem uma filha. Ou seja, não interessa ouvir argumentos e a sua validade, alguém sem filhos não tem legitimidade para falar em assuntos que tenham a ver com a família ou o planeamento familiar.
Isso é a mesma coisa que dizer que Louçã não pode falar sobre as SCUT porque anda de autocarro.
O líder bloquista, apercebendo-se da borrada, já tentou explicar que não queria dizer bem aquilo, mas a má imagem ficou.
É um autêntico tiro no pé, colocando Louçã ao nível dos Guilhermes Silvas e Telmos Correias da política portuguesa.
Parece que o disparate e o slogan fácil atacam a todos, quando começa a cheirar a poder.
On fire
Já quase restabelecido do ataque do urso polar que o afectou na última semana, o atónito Bastardo apresenta-se de volta ao serviço, fungando e tossindo mas firme e hirto como uma garrafa de Absolut.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

O Encarquilhado Inspector Rôla e os Desenxabidos Neo-Nazis

O tom de voz do director da Judiciária ao telefone não augurava nada de bom. Os chocos grelhados com tinta e o jarrinho de vinho verde à pressão do almoço ficaram a meio. O Fiat Uno vermelho de 87, cruza as ruas de Lisboa a alta velocidade com a desenvoltura de uma bailarina com artrose em direcção à sede dos serviços.

A elite da Judiciária estava à minha espera, o caso não era para menos. Uma série de ataques racistas perpetrados por um grupo de jovens neo-nazis, aterrorizava a população. Dois isqueiros Bic, um preto e outro azul escuro tinham sido espancados junto à estação de metro do Intendente; um pacote de mortalhas Smoking preta, porteiro de uma discoteca africana foi brutalmente esfaqueado e sofreu múltiplos ferimentos por rasgão; e mais recentemente o inqualificável assassinato da senhora Conguito e de dois dos seus trinta e oito filhos menores, em Chelas.

Há já algum tempo que os serviços tinham este grupo referenciado e sob vigilância, tendo inclusive infiltrado alguns agentes no seio do grupo. Os resultados para a Judiciária não poderiam ter sido mais nefastos, nenhum dos agentes regressou com vida da sua missão. O memorial aos que tombaram no exercício da sua função, homenageia agora mais três bravos e honrados agentes: um Duende de Jardim de Porcelana, uma Garrafa de Oitavo de Castelo e um Trapezista do Circo Chen.

Cabia agora a mim, o mais condecorado de todos os agentes da PJ, a missão de me infiltrar e tentar deter os criminosos.

A infiltração não se afigurava nada fácil, este grupo de energúmenos era muito fechado e a única solução era apelar às minhas melhores capacidades dissimulatórias. Tinha que dar o meu melhor, não havia margem para erro.

Este grupo de não era um grupo de cabeças rapadas normal, aliás distinguiam-se de todos os outros por cobrirem as suas cabeças com uma espécie de touca vermelha. De touca vermelha colocada na cabeça, dirigi-me para a sede do grupo aonde se reuniam todas as noites para jogar matecos e planear futuros ataques a vítmas inocentes.

Pela calada da noite e econberto pela ausência de luar, aproximei-me com as maiores cautelas da sede do grupo que se situava num terreno baldio ali para os lados de Loures. A sede era uma pequena caixa de fósforos e estava bem identificada pelo símbolo do grupo: as cinco quinas.

Entrar na pequena sede revelou-se não só um exercício de camuflagem como também de contorcionismo. Tive que partir ambos os joelhos e de deslocar o ombro esquerdo. Entrei.

O local estava apinhado até ao tecto de cabeças vermelhas, entretidos a beber minis e a preparar novos actos criminosos.

Hora e meia depois já tinha reunido todas as provas de que necessitava contra o grupo, estava na altura de mandar avançar os reforços e efectuar as detenções. Antes disso um cigarrinho. Cigarro na boca, puxo do Zippo para o acender. Num repente todas aquelas cabeças vermelhas nazis começam a inflamar-se violentamente, uma atrás da outra. O pânico é geral e a confusão total, consigo escapar por um triz.

Dos nazis, nem um sobrevivente.

Cá fora, os paramédicos tratam-me de algumas queimaduras ligeiras. Saco de outro cigarro e do fiel Zippo. A noite está fria. Tenho fome.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

Período de acalmia?

Depositam-se grandes esperanças em que o conflito Israelo-Palestiniano possa agora vir a ter um fim. Nada como uma liderança palestiniana com Abbas para travar o fluxo sanguíneo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Alerta Médico

Acredito piamente que a culpa do surto de gripe que assola o país é inteiramente do Governo.
Afinal de contas, vai para um mês que Santana Lopes anda a distribuir baba e ranho por esse Portugal fora.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Diário de Um Camionista

Anda meio mundo a comentar o caso da senhora romena que feitos 66 anos, foi mãe. Na minha maneira de ver as coisas, de estranhar seria a dita senhora engravidar feitos 69.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Boa Onda III

Seguindo o exemplo de solidariedade da Federação Portuguesa de Futebol com o pequeno Martunis, Fátima Felgueiras vai doar Chôpinhos e Caipirinhas a todos os defuntos do maremoto da Ásia que vistam um saco azul.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Abaixo de cão
Em linha com o espírito caceteiro do clube, Pinto da Costa está a tentar contratar o brasileiro Cláudio Pitbull, jogador do Grémio, do Brasil.
É que mesmo com tantas contratações milionárias do clube tripeiro, parece que o Bóbi e o Tareco não estão a dar conta do recado.
Triplo mortal encarpado (à retaguarda)
A muito custo, José Sócrates lá vai deixando escapar qualquer réstia de ideia sobre o que vai fazer quando for primeiro-ministro.
Depois de atacar ferozmente toda e qualquer medida apresentada e aprovada pela Direita, começa agora a dizer que, afinal, as vai manter.
São más à mesma, porque ele não se contradiz (não! que ideia!!!), mas há circunstâncias especiais que o justificam.
Começou com o aborto legislativo e social que é o código do trabalho, que o PS criticou de alto a baixo para, agora, o manter com apenas ligeiros "acertos".
E agora temos a pseudo-descida dos impostos e o fim dos benefícios fiscais para os PPR e outros que tais. Essa medida, que era "mais um feroz ataque à classe média que já paga os seus impostos", afinal vai ser mantida.
Em nome da "estabilidade fiscal". Pois.
E, com apenas duas ou três decisões anunciadas, Sócrates já garantiu os mínimos para os próximos jogos olímpicos, na categoria de ginástica rítmica.
O Ébrio Inspector Rôla e o Homicídio na A5

Passavam quinze minutos depois das nove da noite. dirigia-me a toda a velocidade para o local do crime: saída para Porto Salvo na A5. Sentido: Lisboa-Cascais. O Renault 5 côr creme carcomida pelo sol de 82 do serviço, voava em terceira a fundo pelo Alto da Pimenteira acima. A quarta tinha-se finado no início dos anos 90.

Os homens da Brigada de Trânsito aguardavam-me e o tráfego havia sido desviado para a saída de Oeiras. Pinos laranja e brancos delimitavam o local do homicídio. Atropelamento e fuga, segundo testemunhas oculares.

Da vítima, um traço contínuo pouco mais restava do que um pequeno tracejado. A viatura de intervenção rápida do INEM tinha chegado ao local pouco depois da ocorrência mas nada haviam podido fazer, a morte foi imediata.

As testemunhas, dois portageiros, uma moita e um traço contínuo vizinho próximo da vítima estavam todos de acordo. O criminoso conduzia uma travessa de pirex de 99, 2000 talvez, era pequeno e atarracado, apresentava uma tez de côr estranha, possivelmente estrangeiro e passou na portagem sem parar, nem pagar.

Pelo rádio chega a comunicação de que uma viatura semelhante à envolvida no crime foi encontrada nas imediações do Casino do Estoril, e um indivíduo cuja descrição correspondia ao suspeito foi avistado a entrar no casino. Terceira a fundo para o Estoril.

Já no casino, contando com a colaboração de reforços da PJ percorro a sala das máquinas de jogo, o meu olhar perspicaz e treinado procura descobrir por entre as centenas de jogadores, o suspeito. Duas gémeas com corpos de modelo prendem-me a atenção, puxo de um cigarro e peço-lhes lume. São suecas as manas Ikea. Belas prateleiras.

Caminho por entre a multidão, piso alguém. Olho para baixo, é um tipo pequeno, atarrcado e amarelo. Será o meu suspeito? Ele dirige-se para a saída, sigo-o com a mesma subtileza com que um felino segue a sua presa na savana africana. Diriige-se para a travessa de pirex estacionada numa esquina próxima. Apresso a passada e detenho-o.

Muito vai ter que explicar ao Senhor Doutor Juiz, senhor Atum Ramirez.

É agora quase meia-noite. Preciso de um copo, ou dois.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

A vergonha
Já passaram alguns anos sobre o caso que ficou conhecido como o massacre do Ambriz. Mas, para além da dor daqueles que perderam os seus familiares, há coisas que impedem os mortos e os vivos de, finalmente, descansarem.
Lisete Pereira perdeu familiares nesse assassinato, em Angola. Vivendo com uma pensão de 200 euros por mês, e perante o vergonhoso comportamento do Estado português em todo o processo, a dita senhora não pagou o funeral.
Resultado: foi metida em tribunal pelas dívidas resultantes do enterro, e o Estado português continua a assobiar para o lado.
O Estado, esse malfeitor que devido a interesses económicos, mais do que diplomáticos, deixou as famílias sem apoio e sem respostas, até ao fim.
Tenham vergonha.
O nosso candidato
É só para lembrar que hoje, à meia noite, na SIC, vamos ter duas horas seguidas da grande esperança para a política portuguesa no século XXI, Manuel João Vieira, alias Lello Minsk, alias Lelo Marmelo.
A noite arranca com o documentário político sobre o Candidato Vieira, seguindo-se o concerto dos Ena Pá 2000, "20 anos a pedalar na bosta".
Relembrando o slogan com que este líder carismático começava os seus concertos/comício: "Abaixo a caganeira, Vota Vieira!".

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

A Saga de Sacana Lopes XII
Depois do fiasco do anterior cartaz, em que Sacana Lopes foi impedido de entrar no panteão laranja, o bébé tem um novo slogan: "Contra ventos e marés. Em favor de Portugal", com a cara dele a sorrir, entre o maroto e o sofredor, e assinado em baixo, "PPD/PSD".
Começando por aqui. O PPD/PSD não existe há décadas, nem sequer juridicamente. Esta pseudo-intenção de recuperar o pseudo-purismo dos tempos naif do PSD de Sá Carneiro é apenas um chavão como outro qualquer.
Depois, "em favor de Portugal". É simples, caro Sacana, põe-te nas putas e deixa-nos em paz.
Mas mais curioso que tudo, temos o "contra ventos e marés", e também tsunamis, presumimos.
Para além do estilo camoniano, que não se percebe, que raio quer ele dizer com isso?!
Quem são esses misteriosos ventos e essas misteriosas marés? Que injustiças tão graves aconteceram ao bébé, que dificuldades injustificadas lhe apareceram à frente, a ele, a quem o poder caiu no colo sem o recurso à humilhante experiência de ir a votos, e obviamente perder?!
Nessa frase se define aquilo que Sacana Lopes é, ou acredita ser. O novo Sá Carneiro, o verdadeiro D. Sebastião, aquele que, estava "escrito nas estrelas", seria o salvador do Grande Luso Pequenino.
Sacana Lopes fala muito do "combate político", do qual diz não ter medo. O que ele não percebe é que governar um país não é só feito de combate político, ou seja, debates televisivos e parlamentares, escândalos e contra-escândalos, conferências de imprensa a puxar ao espertalhaço. Governar o país é tomar medidas, impopulares se necessário, para melhorar a vida dos portugueses. Apenas isso.
Esses ventos e essas marés são tudo um pouco: os maus do PPD/PSD que batem no bébé, a oposição que não se conforma em ser oposição sem que as eleições a empurrem para lá, os portugueses que continuam a viver mal e a perder o emprego.
Mas a verdadeira maré e o verdadeiro vento adverso, que conspiram contra o destino para o impedir de governar, não é mais que a sua própria incompetência, como ele já se encarregou de demonstrar.
Já falta pouco, Glorioso
Depois de três anos e tal a ser enganado, o Benfica conseguiu finalmente despachar o Zahovic.
Agora já só falta o Amoreirinha, o Paulo Almeida, o Sokota, o Everson,o Fyssas, o Dos Santos, o Luis Filipe Vieira, o José Veiga e o Trapalhoni.
Pró ano é que é!!!! (Eu avisei).
Lauro Atónito apresenta........
........"Olhem para mim", de Agnés Jaoui.
É verdade, mais um franciú, aproveitando o entusiasmo do 5x2.
Tal como "O gosto dos outros", é uma comédia de costumes, feita das pequenas grandes neuroses da burguesia parisiense. Coisa que os franceses costumam fazer bem, portanto.
E mais uma vez conseguem-no, com um argumento com piada e personagens interessantes, se bem que com o senão de, por vezes, serem demasiado caricaturais. Há o pai artista, arrogante e desligado, há a filha gorda e carente de atenção, há o escritor frustrado que de repente tem de aprender a lidar com o sucesso, há a professora de canto que gostaria de ter sido uma grande cantora.
Um filme levezinho, com o gajo do "O gosto dos outros" (que continua a ter piada, mas menos), mas é também um bocado mais do mesmo, em relação a esse outro filme. Com uma agravante, o que o outro tinha de subtileza e elegância, este tem de forçado e de demasiadamente marcado, o que prejudica a leveza da história e contribui para um filme com fases muito desequilibradas.
É um filme interessante, que se vê bem e que vale a pena ver, mas desilude pela comparação com o anterior, objecto bem mais precioso e mais conseguido em termos de equilíbrio, talvez por a realizadora e argumentista se ter então centrado em menos personagens, podendo trabalhá-las melhor.
E, 'hélas', é um filme francês sem mamas, o que é tão estranho como uma música do João Pedro Pais com uma letra de jeito.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Lauro Atónito apresenta.......
......."5x2", de François Ozon.
Filme francês, portanto, com as coisas boas e más que normalmente os filmes franceses têm.
É um filme sobre relações, especificamente uma relação, um casal à beira da ruptura e de toda a história que nos poderia dar pistas para perceber onde tudo começou a correr mal.
O facto de o filme ser contado ao contrário, do divórcio para quando se conheceram- o que tanto agradou aos críticos- é apenas mais um pormenor formal, interessante mas não decisivo.
O que é importante é que, começando por saber o destino daquela relação, queremos ainda assim saber mais, saber tudo, sabendo já que não vai ser tudo bonito, porque raramente o é.
Ao contrário da escola norte-americana, neste filme franciú não nos dão respostas fáceis. Não há um acontecimento decisivo que explique a ruptura, não há um bom e um mau. Há pessoas, que se amavam e queriam estar juntas, e anos depois perceberam que já não era assim.
É um filme feito de detalhes, que acabam por nos ser familiares, o que lhe atribui uma credibilidade e uma textura convincentes.
Realização sóbria e boa, excepto talvez uma ou outra cena de crueza (crueldade?)desnecessária, um par de actores em grande forma, uma belíssima banda sonora, um argumento de equilíbrio difícil mas bem trabalhado e bem conseguido.
Em suma, o ano começa bem com esta bela meia-surpresa.
E sim, tem mamas com fartura.
O Anafado Inspector Rôla e o Massacre dos 7 Pães de Kilo

Quatro e meia da manhã, há já quase sete horas que jogo à lerpa com a Morte e estou perdendo a paciência. Cerveja atrás de cerveja e a manilha está seca, o trunfo: espadas.

Uma rotineira investigação de assalto a uma residência, aonde apenas uma varinha mágica tinha sido furtada, descambou numa jogatana de lerpa. Acho que estava fascinado pela Morte, essa ruiva escanzelada de peitos firmes. As ruivas sempre me fascinaram.

Aproveito uma pausa no jogo em que a Morte vai à retrete e vou à cozinha buscar mais um par de cervejas, no frigorifico já não há mais nenhuma, talvez na arca congeladora. Ao lado do pack de seis a refrescar algo prende a minha atenção, um tupperware de tampa vermelha, a minha curiosidade professional obriga-me a investigá-lo. Abro o tupperware e deparo-me com um quarto de Pão de Kilo cortado com a precisão de um neurocirurgião.

Lembrei-me imediatamente de um caso por resolver que assombrava os serviços da PJ há vários meses, o caso do desaparecimento de um Pão de Kilo, todas a primeiras quintas-feiras do mês de uma padaria ali para os lados de Santos, um que caso pertencia ao Inspector Rotring.

O autoclismo é puxado. Regresso à sala com duas cervejas fresquinhas.

O quarto de Pão de Kilo na arca não me sai da cabeça, tenho que pôr em acção as minhas capacidades indagatórias. A questão é directa e mortífera: "Tenho uma certa fome, será que não me arranja uma sandezinha?" Uma pausa suspeita e surge a resposta: "Lamento mas não tenho pão." "Excepto aquele quarto de Pão de Kilo, na sua arca congeladora, não?", respondo à queima-roupa.

A Morte levanta-se subitamente e de um armário saca um livro do Manuel Alegre e tenta atingir-me com dois versos, esquivo-me por pouco. Saco da minha fusca e atinjo a Morte por entre os olhos, com um certeiro refrão de uma das músicas do Quinteto Tati.

A Morte caí fulminada no chão. A Morte está morta.

Chamo os colegas da criminolgia. Após apurada investigação à residência da suspeita, são descobertos os restos mortais de mais seis Pães de Kilo, de todos eles apenas sobra um quarto, cortado com a precisão de um neurocirurgião e dois deles já bolorentos.

Já não se pode confiar numa ruiva. Merda!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

E agora, para terminar a semana em tristeza, um pouco de política
E para falar das listas.
O regabofe continua, e os partidos, nesta fase delicada de atribuição de cunhas e favores, mostram a sua horrorosa face.
Falarei apenas dos partidos do eixo do poder, aqueles em que o factor C e a corrupção já se tornaram divisa comum.
Quanto aos outros, BE e CDU nas calmas, PP também, este último confirmando que é o partido do táxi, já que todos os membros cabem num, pelo que não se esperaria qualquer problema (até foram desenterrar o Narana, candidato a rolha Manuel Monteiro de 2005).
No PS, é um deserto.
As mesmas caras guterristas, de ministros recauchutados, um ou dois (pouco) independentes para compor o ramalhete e enganar o pagode, nada de soluções, nada de ideias, apenas mais do mesmo.
É um mesmo melhor que o da Direita, sim, claro, mas ainda assim claramente insuficiente para o que o país precisa.
No PSD, é a farsa do costume, com a hilariante agravante de ter Sacana Lopes à frente, o que torna tudo muito mais divertido e caótico.
Tanto no PSD como no PS, abundam os chamados pára-quedistas, tipos de Faro que são candidatos por Bragança, tipos de Lisboa que vão encabeçar listas para a província apenas porque são conhecidos, trogloditas do futebol que são candidatos apenas para captar os votos flutuantes dos fanáticos tripeiros, temos até o caso do actual ministro da Agricultura, que toda a vida viveu nos Açores e é cabeça de lista por Portalegre.
Fabuloso.
No PS cheira a poder, e todos os lugares são poucos para satisfazer os boys que nos últimos (poucos) anitos até tiveram de trabalhar (pouco) para viver!
No PSD cheira a derrota, um cheiro de algo que o bébé anda há uns meses a deixar nos cueiros.
Cheirando a derrota, o objectivo é diferente do dos boys do PS. Os mais medíocres (80 por cento do partido) continuam a querer um lugarzito de deputado, sempre é melhor do que ir ganhar a vida. Mas os outros, os razoáveis, todos eles deram à sola, porque sabem que vão entrar numa lista para perder as eleições e só servirão para encher uma bancada de oposição que estará afastada do poder e será dilacerada pelas lutas pela sucessão do bébé, que já se preparam.
Ressalvando poucos casos, estamos perante a inevitabilidade de ter um parlamento de qualidade ridiculamente baixa, mais uma vez preenchido apenas pela voragem da caça ao tacho.
É só ver o currículo dos candidatos de PP, PSD e PS: tirando os lugares politiqueiros para que têm vindo a ser designados, é uma mão cheia de nada
Nunca fizeram e nada sabem da vida dos portugueses.
O sistema está doente há muito tempo.
Estamos apenas a assistir ao seu último estertor.
Alguém chame a protecção civil

Raviolli Ninja is on fire!

Boa Onda II

Boas notícias para os milhares de professores portugueses não colocados: há vagas no sudoeste asiático.
Desmentido

Quanto à suposta homossexualidade do líder socialista, é da minha opinião pessoal que José Sócrates é um homem aberto, que opta sempre pelo que é recto, e que gosta de ter uma boa equipa por trás.
Prémio "Ainda bem que inventaram o GPS"

A organização do Rali Barcelona-Dakar decidiu cancelar a oitava etapa da prova agendada para esta sexta-feira, porque muitos concorrentes ainda não terminaram a sétima etapa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Prémio "A vida é um risco"

Maradona regressou a Cuba, onde continuará o tratamento de reabilitação do uso de drogas.

Nada a acrescentar II

Romena dá à luz gémeos com dois meses de diferença.

Nada a acrescentar

Um búlgaro bateu o recorde de álcool no sangue, na passagem de ano.

9.19, é obra!!!!

A parte melhor é que só foi detectado porque foi atropelado por um camião e teve que ser conduzido a um hospital!

Quirida, istô grrávido

Tudo aponta para que o Brasil venha a registar um baby boom este ano.
É só reparar no nº considerável de cidadãos brasileiros com atraso no reatar do campeonato.
Boa Onda

Contra todas as expectativas, a Women On Waves teve um sucesso colossal na Ásia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Prémio "E se quiserem um brochezito também se arranja"
Vai para Manuel Monteiro, que numa só penada, leia-se entrevista, admite a independência da Madeira e fazer uma aliança de poder com o PS ou com o PSD.
O verdadeiro vermelho
Lendo o fantástico 24 horas, descubro que Jerónimo de Sousa é um fanático adepto do Benfica.
Este tipo faz-se.....
A incompetência Duracell
Qual coelho da Duracell, a incompetência e os disparates no PSD não páram, e duram, duram, duram..........
Depois da parvoíce incompreensível da nova paixão com o PPM, que já faz vítimas internas entre os milhares de boys laranjas, o novo ano conheceu mais dois episódios que deviam fazer o bébé corar de vergonha.
Primeiro foi o "Caso Pôncio Monteiro", o troglodita tripeiro que, só por esse motivo, a sua presença em qualquer lista de qualquer partido seria um disparate. No entanto, o PSD consegui fazer ainda melhor...., perdão, pior.
Sacana Lopes conseguiu que o troglodita rejeitasse o lugar de número da lista por uma terra qualquer para os lados da Galiza, e ainda que o dito troglodita ameaçasse que está "a perder a paciência com o PSD". Fabuloso.
E agora o cartaz, magnífico espécime da arte piroseiresca do novo PPD/PSD/PPM/PT (e CDS/PP), tantos pês para levar no cu à mesma.
A leganda do cartaz reza "Ninguém fez mais por Portugal", e por cima as figuras de Cavaco, Durão, Balsemão, Sá Carneiro e Sacana Lopes, estes dois juntinhos, de certeza por coincidência.
Nem vou entrar aqui pela desfaçatez do bébé Sacana em achar que fez alguma coisa "por Portugal", a não ser enterrar-nos ainda mais na merda e, há que admiti-lo, proporcionar incontroláveis gargalhadas diárias aos portugueses com sentido de humor e barriga cheia.
O mais giro ainda foi Cavaco o ter mandado dar uma volta, recusando-se a ser utilizado nesta glorificação bacoca e ridícula.
Decididamente, parece escrito nas estrelas que Sacana Lopes não tem mesmo queda para a coisa.
A incompetência pressentida antes confirmou-se depois com a sua indigitação para PM, apenas para continuar a mostrar-se em toda a sua magnífica extensão.
Agora que já não pode fazer mal a ninguém, Sacana Lopes promete continuar a garantir-nos muitos e bons episódios de puro gozo, e reduzir-se finalmente à sua insignificância pessoal e política.
Política de Rabo na Boca

(via messenger)

fatchary@work says:
sabes que é que é o namorado do Sócrates?
jolino says:
nope
jolino says:
conta lá
fatchary@work says:
o Diogo Infante, uma amiga aqui da chefe mora no mesmo prédio que ele
jolino says:
eh
jolino says:
lôque lôque
jolino says:
não pode
fatchary@work says:
nunca se sabe, mas é divertido...
jolino says:
mas é desconfiança ou é mesmo
fatchary@work says:
sabes como é que são estas cenas
fatchary@work says:
mas é perfeitamente possível
jolino says:
só fico um bocado naquela... o diogo infante era moço para escolher melhorzito
jolino says:
pensava que era mais inteligente
fatchary@work says:
ficam fofinhos
fatchary@work says:
já viste o outdoor do PSD?
jolino says:
já
jolino says:
los amtadores
jolino says:
matadores
jolino says:
o cavaco já mandou tirar
fatchary@work says:
parece uma versão rasca dos Cães Danados
fatchary@work says:
e o Sá Carneiro sempre em destaque
fatchary@work says:
e o Santana com a mesma importância com o Cavaco
jolino says:
eh eh
jolino says:
o durão bem lá atrás
fatchary@work says:
acho que foi esse aspecto que o Cavaco não gostou
jolino says:
e claro, o super herói cá à frente
fatchary@work says:
não percebo o mito do Sá Carneiro, o Cavaco, quer se goste ou não, fez realmente muito por Portugal... agora o Sá Carneiro a única coisa que fez foi tornar-se o JFK português...
fatchary@work says:
... sem baía dos porcos
jolino says:
a única coisa que fez foi morrer
jolino says:
e comer a Snu
fatchary@work says:
até tinha bom aspecto
fatchary@work says:
sempre é melhor que comer o Diogo Infante
jolino says:
podes crer

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

AVISO DE PROCEDIMENTO LEGAL

De acordo com o artigo 69 do Código Penal, este blog encontra-se penhorado pelos credores do blogger Idle Consultant, mediante a dívida de jogo (leia-se Lerpa), álcool e drogas, contraída por este último no passado fim de semana.