segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O carapau de Ipanema

Um homem nasce, cresce, copula e morre, numa existência passageira, patética e absurda como a de qualquer outro animal. Tom Waits tem toda a razão quando disse um dia que os homens não são outra coisa senão macacos com dinheiro e armas. Sim, é verdade, a história da humanidade não é mais do que a sucessão de lutas impiedosas, cruéis e sem qualquer sentido entre símios oriundos de clãs rivais. E quem pensar que o admirável mundo gadjet do século XXI, com os seus inúteis brinquedos de plama e fibra óptica que nos impingem e nos enrabam todos os dias através da mega-televisão LCD-HD que temos lá em casa de não sei quantas polegadas compradas a não sei quantas prestações, alteram um milímetro que seja a nossa primitiva e animalesca natureza, basta pensarmos nos corpos que todos os dias são desmembrados e esventrados e estropiados no Afeganistão e no Iraque com o contributo do nosso bondoso e fraterno Nobel da Paz e com a cumplicidade cobarde e conveniente de todos nós, para percebemos que continuamos a ser a mesma besta iníqua e grosseira que sempre fomos e sempre seremos.
E, contudo, a história da humanidade não é nada disso. Mais do que a história da nossa bestialidade, a nossa história é sobretudo a história das sucessivas tentativas de esconder a nossa bestialidade. A história da arte escondendo a nossa boçal mortalidade. A história do amor escondendo a permanente pressão do sémen para se descarregar.
Em 1962, um macho de seu nome Jobim e outro de seu nome Vinicius, bebiam calmamente uma cerveja gelada na esplanada do Bar Veloso, quando uma fêmea atraente, bamboleando as suas ancas pelas ruas quentes de Ipanema, provocou neles uma descarga intensa de testosterona. Estes homens podiam ter sido honestos com a boçalidade intrínseca da sua natureza e vociferarem qualquer coisa como "é carapau, lambia-te toda, minha mula mamalhuda". No entanto, estes homens cultos e sofisticados, que se deliciavam a beber gin tónico e ouvir Cool Jazz nas varandas dos seus apartamentos em Manhatan, optaram pela hipocrisia da arte e do amor e disseram um para o outro: olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina, que vem e que passa, num doce balanço, a caminho do mar ...

domingo, 18 de outubro de 2009

Vodka Orange

Agora que passou a febre das eleições, o PSD abandonou a guerra fria e entrega-se alegremente à guerra civil. Eu acho bem. Não sou como aqueles hipócritas que dizem que querem "um Sporting forte, para termos um futebol competitivo". Não,  a verdade é que, como benfiquista, quero ver Sporting e Porto (especialmente este) no pior estado possível, e enquanto cidadão de esquerda o mesmo se aplica ao PSD.
Uns defendem que o PSD deve chumbar o orçamento. Outros que se deve abster. Ninguém se lembra de dizer é que ainda não há orçamento ou sequer projecto de orçamento, portanto é um bocado prematuro falar nisso.
Depois, Manuela Ferreira Leite cada vez se parece mais com aquelas tias velhas, porque ninguém a quer lá por casa mas faz questão de não se ir embora. Depois aparece o apoiante do Marcelo; depois o do Passos Coelho; depois o próprio Passos Coelho, qual emplastro da política portuguesa, qual adolescente masturbatório viciado em porno; qual...enfim, vocês percebem a ideia.

No PSD discute-se tudo. Mas não se discute nada do que é mais importante. Isto é, a ideologia. Aquela pequena questão de "o que raio queremos que o país venha a ser".
Discute-se estilo: se deve ser mais ou menos agressivo, mais ou menos mediático, mais ou menos jovem.
Não se discute se deve ser mais liberal, mais conservador, ter mais consolidação ou estímulo económico, etc.

O PSD volta a mostrar, para quem tivesse dúvidas (mas ainda há alguém?!), que não tem ideologia, pura e simplesmente, pelo que não tem grande coisa a discutir neste campo. O que interessa é o poder, porque sem ele o PSD é um saco de gatos que não serve para nada a não ser para fazer ruído.

sábado, 17 de outubro de 2009

Coisas lindas

Mantendo a senda do futebol, podem dar asas à nostalgia, aqui.

Estão lá todos os equipamentos, desde o Nápoles de Maradona ao Benfica de Eusébio.

Destaco a linda camisola da Argentina, o Torino dos anos 40, o meu Benfica com a Shell estampada.

Quem se atreve a julgar Deus?

Let's face it, Maradona é uma grande merda de treinador. A equipa não joga a ponta de um corno, os jogos são miseráveis, etc, etc. Eu sei, e isto é triste para mim, que levo a selecção argentina no coração, e é assim desde que vi, em campo, um pequeno génio que me mostrou que futebol pode ser mais do que gajos a tentar meter a bola numa baliza.
Com esta selecção, toda a magia está no banco. E essa magia tem três nomes: Diego Armando Maradona. Não interessa o que se passa dentro do campo, de facto pouco se passa dentro do campo. Não me interessa. Ver Diego, no banco, vibrando, gritando, reclamando, aplaudindo, vivendo o futebol como Deus quis que ele vivesse, é tudo o que preciso.

Depois das declarações de Maradona quando conseguiu o apuramento, dizendo aos jornalistas que "só vos tenho a dizer que continuem a chupá-la bem", o mundo civilizado ficou chocado. Os jornalistas argentinos crucificaram-no - o que é compreensível - , a Fifa abriu um inquérito, e todo o pensamento politicamente correcto do mundo se apressou a bater no senhor.
É claro que Diego fez pior a seguir, já que veio pedir desculpas, mas com um twist: pediu desculpas apenas às mães e às mulheres de todo, pela linguagem que utilizou.
Diego é assim. Ele sabe que o mundo da bola é um mundo de homens, de sangue, suor e lágrimas. Feito de dureza, lesões, desilusões, injecções, fé, dor e, de vez em quando, de glória. Diego sabe que, ao pedir desculpa às mães e às mulheres, está realmente a foder com a cabeça dos bem pensantes idiotas que acham que na bola há igualdade. Não há. Mas há respeito, mesmo que seja o respeito paternalista pelas mulheres.
Eu criticaria qualquer treinador que dissesse o que ele disse. Acontece que mais ninguém é Diego, mais ninguém é o mítico 10 estampado na alma. Se há alguém que o pode dizer, que pode dizer tudo o que quiser no mundo místico da bola, é Diego. 

Como diria Diego, "continuem a chupá-la bem".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Depois do maior pão com chouriço do mundo...

...Portugal choca a Humanidade com outro record.

Neste caso o autor foi João de Deus Pinheiro. O antigo ministro de qualquer coisa já era detentor de um record, o de deputado europeu que menos fez, mas agora fez melhor.
O senhor, que foi cabeça de lista do PSD em Braga, tomou posse ontem, juntamente com todos os outros deputados. Mas ele, ao contrário do resto daquela carneirada desgraçada, saiu do parlamento meia hora depois, acabadinho de renunciar ao cargo. Qual Fernando Santos despedido na primeira jornada após empatar com o Leixões, Deus Pinheiro foi deputado menos de meia hora.
Dizem-me que o senhor alegou motivos de saúde para a renúncia, fenómeno que estranhamente não o afectou aquando da campanha. Agora sai, o PSD ficou com o lugarzito garantido para lá meter um boy, e Deus Pinheiro lá vai à sua vidinha.
Pode agora dedicar-se à sua verdadeira paixão, algo que ele substituiu por algo de verdadeiramente útil desde, mais ou menos, 1962: o golfe, ou como dizem os ricos como ele, o "gólfe".
Como se vê, pela imagem desta belíssima edição da revista "Golf Executivo", o senhor defende que, e passo a citar, "O golf é terapia para vidas agitadas".

Assim é, de facto. Bom descanso, caro deputado. Perdão, ex-deputado.
Para quem é meio voto basta
O jackpot de uma democracia seria o poder ser exercido directamente por toda a gente. No entanto, a democracia directa enfrenta dois grandes obstáculos filosóficos: (1) uma reunião de conselho de ministros com dez milhões de pessoas na mesma sala acabaria demasiado tarde, e um gajo depois já não chegaria a casa a tempo de ver a bola; (2) muitos portugueses que são excelentes nos seus ofícios (seja na carpintaria, no banditismo, na advocacia ou na subsídio-dependência), desperdiçariam o seu talento natural, tornando-se políticos medíocres.
Para superar estas dificuldades, alguém extremamente esperto e preguiçoso inventou uma versão simplex da democracia, a que chamou democracia indirecta ou representativa. A ideia é tão simples como engenhosa: (a) o povo continua a ser soberano mas, como isso dá muito trabalho, delegam-se as chatices em políticos que os representam; (b) os representantes têm a maçada de elaborar programas políticos, os representados votam no programa que gostam mais ou que detestam menos, e os representantes comprometem-se a cumprir o programa prometido, para os representados não se sentirem enganados.
Ora toda esta interessante geringonça política funcionaria na perfeição se não houvesse constantes avarias neste último mecanismo: os representantes enganam frequentemente os representados. Os exemplos são muitos pelo que citarei apenas quatro: (1) o Guterres prometeu que não subiria as propinas e subiu-as; (2) a Ferreira Leite prometeu uma trinta linhas de TGV quando estava no governo e fez do combate ao TGV a sua principal bandeira quando passou para a oposição; (3) o PS prometeu que iria malhar no reaccionário Código de Trabalho do Bagão Félix e depois aprovou um Código de Trabalho ainda mais reaccionário; (4) o Santana Lopes prometeu sempre que não era parvo e ao longo da sua longa carreira política não cumpriu uma única vez o seu compromisso.
Qual é então a causa desta avaria técnica das democracias modernas e como consertá-la? Julgo que a origem é a seguinte: "os incentivos dos representantes para mentir aos representados são maiores do que os incentivos para falar verdade", pelo que a reparação consiste em "calibrar os incentivos". O meu grilo falante diz que não, que os representantes já têm os incentivos adequados para não mentirem: o medo dos representados se sentirem mais tarde enganados e não votarem neles uma segunda vez. Mas o meu grilo nunca percebeu nada de política, pelo que lhe escapou por completo os seguintes contra-argumentos: (a) para os representantes, mesmo uma só vitória não repetida já é suficientemente recompensador, desde que se imprima um ritmo rápido no processo de clientelismo, tráfico de influências e saqueamento do estado; (b) com doses massivas de propaganda, é possível retocar as mentiras e fazê-las passar por verdades; (c) os representantes sabem que a maior parte dos representados acham que os representantes são igualmente mentirosos, pelo que a mentira perde qualquer valor discriminativo.
Como criar então nos representantes incentivos mais alinhados com os interesses dos representados? Na minha opinião, seria através da seguinte e estrambólica engenharia política: (1) dever-se-ia criar uma entidade independente com a função de avaliar os representantes quanto à percentagem de promessas que foram cumpridas; (2) os votos teriam uma ponderação em função da respectiva classificação. Desta forma, um voto num partido que nas legilslaturas anteriores só tivesse cumprido metade das suas promessas, só valeria meio voto. Para quem é, meio voto basta. E o medo de uma desvalorização abrupta da cotação de um voto no mercado eleitoral seria o poderoso incentivo que falta ao nosso sistema político.
Se a minha estapafúrdia alternativa não resultar, não faz mal. Há sempre a possibilidade de suspender a democracia por alguns semestres.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Os sociais democratas também se abatem

Caros camaradas do tasco, gente sadia de esquerda a quem muito saudavelmente o capitalismo vos mete nojo, ajudem-me. Fiz trinta e dois anos há pouco tempo e pareço estar a desenvolver todos os sintomas de me estar a transformar num social democrata.

Vejamos então quais são os meus terríveis sintomas.

1. Deixei de defender revoluções. Considero que em democracia a única via legítima para caminharmos para uma sociedade mais justa é a via política não violenta, nomeadamente através do voto. Uma revolução só é legítima quando as vias políticas não violentas são proibidas, como sucede numa ditadura. E mesmo assim, a violência de uma revolução só é legítima se servir de rápido estádio de transição para um regime em que a violência não possa ser utilizada novamente como método de confronto político. Esse regime tem um nome, chama-se democracia. Desta forma, condeno e desprezo tudo o que sejam acções violentas de extrema esquerda, desde o partir montras em nome da luta contra a globalização capitalista, até destruir campos de milho transgénico em nome dos alegados perigos dos produtos geneticamente modificados. Detesto a violência. A violência só é legítima como legítima defesa contra a violência, ou seja, quando não é possível defendermo-nos da violência por outra forma que não seja uma defesa violenta (fui claro, não fui?).

2. Deixei de ter uma concepção optimista sobre a natureza humana. Se bem que admita que o ser humano tenha alguma propensão para a cooperação e para o altruísmo, o ser humano possui igualmente uma enraizada tendência para a competição e para o egoísmo. Esse lado perverso da natureza humana deve ser sempre tomado em conta em qualquer sistema político. Ou seja, em sociedade e em economia, os incentivos importam. Deve é haver o cuidado para os incentivos individuais estarem alinhados com o bem público. O que, é claro, sabemos que muitas vezes não acontece.

3. Deixei de defender economias tendencialmente estatizadas. A perda de eficiência é demasiado grande, e o poder totalitário conferido ao estado sobre os cidadãos é demasiado grande. Também me oponho, evidentemente, a um mercado livre desregulado. A liberdade extrema do mercado é um paradoxo porque destrói a própria liberdade: a liberdade dos pobres, dos desempregados, dos excluídos, daqueles que não têm nada a não ser vender a sua força de trabalho. Por isso, defendo uma economia mista, em que: (a) a maior parte da economia seja de mercado; (b) esse mercado deve ser fortemente regulado para garantir a concorrência e minimizar os riscos sistémicos para o bem público; (c) que haja uma forte redistribuição da riqueza através de impostos regressivos, em que os mais ricos pagam mais impostos para redistribuir sobre os mais pobres; (d) que haja um estado social que garanta serviços públicos de saúde e educação universais e gratuitos, e uma segurança social pública baseada na solidariedade intergeracional e interclassista; (e) que os monopólios naturais e os sectores estratégicos como o petróleo, a água e electricidade sejam monopólios do estado e não monopólios privados; (f) que haja um banco público forte que, através da redução das taxas de juro, obrigue a concorrência privada a acompanhar esta redução, especialmente em tempos de crise económica.

4. A democracia parlamentar não tem que ser, necessariamente, um braço armado da burguesia. Se forem criados os incentivos correctos (que passam, na minha opinião, pelo financiamento dos partidos ser exclusivamente público, para acabar com a promiscuidade entre financiamentos privados e contrapartidas políticas a esses interesses privados), a assembleia da república (e as eleições que a legitimam) é o palco por excelência da construção e avanço da democracia. Se a esquerda perde no parlamento, tem que aceitar humildemente a decisão soberana do povo. "É a vida".

5. Desconfio das massas e das acções de rua. Partilho de uma ideia oriunda da direita de que o mais importante para um correcto funcionamento de uma sociedade é o correcto funcionamento das suas instituições. Se forem criados os incentivos certos para que funcionem bem a assembleia da república, o governo, a presidência da república, os tribunais, as empresas, os sindicatos, as comissões de trabalhadores, etc., etc., a sociedade tenderá a funcionar bem. Confiar na psicologia espontânea das massas é um grave erro. As massas não costumam ser criaturas muito racionais e ponderadas.

Pois é, caros companheiros atónitos, como veêm o meu prognóstico clínico é extremamente reservado. Os sintomas já são de tal forma graves que já me situo na extrema direita do bloco de esquerda. Por isso, é que vos peço, encarecidamente, a vocês que ainda são gente sã e lúcida que defende a ditadura do proletariado e o extermínio benigno da burguesia exploradora, para me abaterem agora, a sangue frio, como quem abate um cavalo doente, última e derradeira oportunidade para evitar a continuação do meu deslocamento político para a direita, primeiro para a extrema esquerda do PS, depois para o centro, depois para a ala direita do PS, para por fim acabar no PSD em jantares no Eleven, em companhia do Pacheco Pereira e da Zita Seabra. Abatam-me já, camaradas, antes de ser tarde de mais.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um voto em branco não passa disso mesmo, um voto em branco

Numa manobra de diversão para distrair a atenção dos leitores em relação à retumbante derrota do BE (que não pode ser explicada unicamente pela difícil penetração de um partido recente no difícil jogo das autárquicas, mas que também radica, em parte, na sua cultura sectária de anti-poder), quero-vos falar de um dos vencedores da noite: os 41% de eleitores que se abstiveram. Devo dizer que não tenho qualquer simpatia pela causa que abraçaram. A mensagem que os abstencionistas implitamente estão a transmitir com a sua decisão em não votar (sim, também é uma escolha) é que não acreditam na democracia, e que devem ser os outros a decidirem por elas. Ora, continuo a acreditar que a democracia é o pior sistema com excepção de todos os outros, pelo que não me quero excluir do processo de tomada de decisão em relação à questão política, por excelência: em que direcção é que queremos levar o nosso estrambólico e macambúzio rectângulo?

Devo também dizer que tenho muito mais simpatia pelo voto em branco. O seu subtexto é até bastante simpático: "revejo-me na democracia, por isso faço questão de ir votar em vez de ir coçar a micosa para o Algarve, mas acho que todos os partidos políticos existentes são demagogos e populistas, colocando o seu interesse corporativo acima do interesse público." Ora, há um grande fundo de verdade nesta mensagem: apesar de muitas excepções honrosas em todos os quadrantes políticos, um partido é, por definição, uma máquina que precisa de ceder sempre à demagogia para sobreviver no feroz circo político (onde vale tudo menos fazer corninhos no parlamento). Contudo, acho que os problemas inerentes do voto em branco superam em muito essa sua virtualidade. E quais são esses problemas?

Em primeiro lugar, o voto em branco é extremamente pobre em termos de transmissão de informação. Além de ser um statement para pressionar os partidos para a diminuição da sua demagogia, o voto em branco não dá mais sinal em nenhum em relação ao rumo que Portugal deve seguir. Ao contrário do que sucede com os outros votos, não se sabe se um voto em branco é de esquerda ou de direita, se é liberal ou conservador, se é favor de mais estado ou menos estado, se em casos de haver um dilema entre eficiência e equidade, devemos optar pela eficiência ou pela equidade, etc., etc.. Ou seja, um voto em branco é um enorme desperdício: a riqueza de ideias que potencialmente um votante em branco tem sobre o país não cabe no seu voto, transbordando quase tudo para fora dele.

Em segundo lugar, e estando estreitamente relacionado com o argumento anterior, o voto em branco é muito inconsequente: não só não ajuda nada em relação à escolha de um rumo para o país, como mesmo o propósito de pressionar os partidos para se tornarem menos populistas é, julgo eu, totalmente ineficaz. Mesmo que se atinja um dia a utopia de 70% de votos em branco, julgo que os partidos não mudarão porque a natureza intrínseca do jogo político não permite essa mudança.

Dito isto, continuo a achar (apesar de não poder ser um bom juiz em casa própria) que o melhor voto é um voto no partido que cada um considere o mal menor, depois de ponderar as vantagens e desvantagens de cada um deles. Eu sei que não é uma visão muito romântica da política (e não era essa a visão que eu tinha há dez anos atrás) mas, parafraseando a grande política dos nossos tempos, Manuela Ferreira Leite, "é a vida". Um voto em branco não passa disso mesmo, de um voto em branco.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E pronto, estamos despachados

Agora que já recuperámos das festas de arromba a que todos fomos na noite passada, festejando os resultados das eleições (loooooooooongo bocejo) autárquicas, vamos ao deve e ao haver.
Desta vez, não ganharam todos. O Louçã, um bocado a contragosto, lá assumiu que o Bloco não conseguiu cumprir os objectivos. Isto, em linguagem de noite de eleições, é tipo o discurso do zarolho que treinava o Setúbal, depois da goleada na luz.
Todos os outros ganharam, ou pelo menos dizem que sim.
Eu confesso que, numa leitura para além dos números, a grande vitória foi do PS. Depois de quatro anos de Governo, uma tareia nas europeias e uma vitória suada nas legislativas, o PS aguentou-se muito melhor do que eu esperava. Para mim, foi o grande vencedor da noite, mostrando que o tuga gosta mesmo disto.
O PSD ganhou nos números, mas pouco mais. Foi uma vitória de Pirro, ganhando com um penalti inventado no último minuto, contra o Atlético do Cacém.
A CDU voltou a mostrar a força autárquica e recuperou algum do respeito perdido com as eleições anteriores.
O PP é, nestas eleições, praticamente irrelevante, fruto sobretudo de andar no bolso da gabardine do PSD nas autarquias.
O Bloco mostrou que ainda tem que comer muita papinha para ter a influência nacional que muitos julgam.

Outros factos curiosos avulsos:

- Isaltino esmagou. Sei que fez obra, vivi lá perto muitos anos. Mas quem o elegeu que nunca mais se atreva a abrir a boca contra os políticos ou a qualidade da democracia. De facto, esta é, em última análise, aquilo que os cidadãos dela fazem.
Adorei o seu discurso de vitória, criticando os compadrios do sistema partidário, quando toda a gente sabe que só não concorreu pelo PSD porque o partido não quis.

- Elisa Ferreira e Ana Gomes, os dois melhores momentos da noite. Duas girls boçais armadas ao pingarelho, que foram castigadas, e bem. Às vezes o povo não é totalmente estúpido.

- António Costa ganhou, mas borrou-se todo pelo caminho. Com esta vitória, e a maioria da CML, assegurou o seu lugar de candidato do PS a primeiro-ministro, daqui a 4 anos. Mark my words. Costa é provavelmente o tipo menos carismático do mundo. É um chato calculista, incapaz de qualquer tipo de mobilização, de emocionar ou inspirar seja quem for. Mas isso nunca impediu ninguém de ganhar, em Portugal. É o produto perfeito do aparelho, e anda há anos a ser preparado, e a preparar-se, para ser líder.

- Santana perdeu, mas deu luta. Ganhou fôlego para levarmos com ele, noutra coisa qualquer, daqui a uns anitos. Gostei muito de ver a fronha do Pedro Granger, tristinho, coitado, a ouvir o discurso do Santana. Já agora, o gajo faz tantos anúncios da Worten, não há um cabrão de um frigorífico que lhe caia em cima da mona?!

Sufragar por aí!

Após cada período de sufrágio, o dia seguinte devia de ser refexão, feriado nacional que é para a malta reflectir bem nas merdas em quem votaram.

Concordamos contigo, Rodrigo. É consideravelmente melhor

Manuel Pinho, ontem, em directo para a SIC:"Já dei os Parabéns ao Dr. António Costa, e quero deixar-vos aqui uma pequena surpresa... Foi o meu pai que assistiu ao nascimento do Dr. António Costa...Obrigado".

Depois desta relevantíssima nota, a emissão seguiu para estúdio, onde o Rodrigo Guedes de Carvalho referiu simplesmente: "E perante esta declaração de Manuel Pinho, não posso deixar de referir que foi o meu pai que assistiu ao nascimento da Bárbara Guimarães".

Ah, e tal, mas ganhámos...

Diz que hoje houve uma coisa importante, tipo eleições e assim, mas apetece-me falar de bola, já que o meu retiro em terras albicastrenses me vedou o acesso a internet mas não aos quatro canais da praxe.
No mais merdoso de todos eles, deu um jogo da bola, da equipa de todos nós e de mais alguns brasileiros.
Fiquei contente por termos ganho, é óbvio, e a coisa até foi mais ou menos justa. Mas o resultado não conseguiu esconder que algo de muito errado se passa com a equipa do inefável professor queiroz.
Houve vários problemas, alguns dos quais passo a enumerar:

1 - Duda. Que raio de ideia passou na cabeça do professor para achar que aquele tipo é jogador para a selecção? Uma tremideira do caraças, um buraco gigante a defender. Lá fez um centro para golo. Uau.

2 - Eduardo. Fez de boneco de feira quando levou com um remate e, depois, tentou fazer de Ricardo quando saiu da baliza à puta maluca. Não vale metade do Quim. E é pior que o Patrício.

3 - Bosingwa. Estava anestesiado? Nada de rasgos, nada de jeito.

4 - Deco. Ele lá tentou, mas não conseguiu segurar uma bola e todas as fintas lhe saíram longas.

5 - Ronaldo. Tentou enquanto deu, mas continua muito longe de ser na selecção o jogador influente que é nos clubes. Querem fazer dele um herói e um santo porque torceu o tornozelo a jogar à bola.

6 - Nani. Quando lhe meterem um cérebro naquela mona, será um bom jogador.

Excepções positivas: Pedro Mendes, claramente o jogador mais inteligente em campo; Liedson, pelo golo e por suar mais a camisola que muitos tugas de gema; Bruno Alves, esse cabrão azeiteiro, que é um senhor jogador; e Simão, que fez uma bela jogatana mas continua a ser um panilas.

Sem saber ler nem escrever, vamos estar no Mundial, e ainda bem.

Mas esta equipa joga toda desconjuntada, aos repelões, sem um pingo de fio de jogo colectivo.

A selecção joga como uma orquestra soaria se eu me vestisse de maestro e a fosse dirigir. Eles sabem tocar, portanto de vez em quando alguém acerta.

Mas isso não dá para tudo.
 

domingo, 11 de outubro de 2009

Atão mas isso faz-se?!

Um tipo já não pode ir para o meio do mato, olhar para as árvores e churrascar alarvemente, que dão logo um nobel à queima-roupa. Ainda por cima o da paz, que juntamente com o da literatura são os únicos que interessam. Depois de saber do nobel do obama, ainda pensei que tivessem dado o da literatura ao pepetela, que estes suecos gostam muito de pretos (vide desmond tutu, vive ximenes belo, que é assim a atirar para o escurinho). É como as suecas, dizem-me, que adoram um belo pau de cabinda mas, descansam-me, também apreciam um tipo a atirar para o latino em rasca, como eu.
Afinal, quem ganhou o nobel dos livros foi, espantem-se, alguém de quem nunca ninguém ouviu falar, e isto inclui boa parte da família da autora. A senhora chama-se Hertha Muller, diz que é uma romeno-alemã e, segundo a agência Efe, é uma narradora do desamparo e voz das minorias alemãs que vivem nos países da Europa central.
Tá bem, pronto.

PS - quanto ao Bobama, não tenho nada contra. Até aqui, tudo o que fez foi falar, mas falar bem, e isso já é alguma coisa, vindo do homem mais poderoso do planeta. Mais do que o que fez, cheira-me que este prémio é mais uma forma de prender o Bobama ao seu discurso de paz e, simplesmente, de bom senso. Agora fica um bocado difícil o gajo bombardear o Irão, digo eu...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um blog não serve para isto

Raviolli, envio-te, directamente do Sobreiro Bar, um abraço de parabéns. Daqueles valentes. À bêbado dopado.
Por falar nisso, não se arranja por aí uma torta Dan Cake e uma garrafanita de moscatel?

Também já me tinha lembrado disso

Pedro Santana Lopes é o melhor presidente da Câmara de Lisboa desde o Marquês de Pombal”.
Sousa Cintra (sóbrio e sem se rir), ontem, para um microfone da SIC.

Entre os limoeiros


Nos próximos dias, Little Bastard e senhora estarão na aldeia de Vale da Pereira, lá para os lados de Castelo Branco. Silêncio, verde, aguardente, tranquilidade e bons livros na bagagem. Melhor só se tivesse um cão e a casa uma aparelhagem que tocasse essa cena moderna chamada Cd.

Peace.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O PP é o PNR dos pequeninos

O PNR é honesto: assume-se como fascista, pouco inteligente e xenófobo. O PP é hipócrita: disfarçado de direita democrática, o PP impõe a mesma agenda de extrema-direita, alegando que em tempo de crise não podemos permitir a entrada e a legalização de mais imigrantes. A não legalização dos imigrantes que cá residem significa que os mesmos podem continuar a ser explorados por entidades empregadoras sem quaisquer escrúpulos. Além das vantagens humanistas, a legalização dos imigrantes contribuiria para a sua integração na economia não paralela, sendo um factor benéfico para a sustentabilidade da nossa segurança social.

O PNR é verdadeiro: assume que não gosta de pobres e que a pobreza deverá ser erradicada através do extermínio dos pobres. O PP é falso: disfarçada de direita moderna, quer acabar com o Rendimento Mínimo Garantido, porque os malandros dos pobres não querem é trabalhar. Esta bandeira é profundamente classista. Existe fraude nos processos de RSI (cerca de 15%), assim como existe fraude nos subsídios às empresas e nos subídios agrícolas. A existência de fraude é algo transversal a todas as classes sociais. Mas ao PP só interessa estigmatizar os pobres, esses preguiçosos que enganam o estado para ganharem a exorbitância de 187,18€ por mês.

O PNR é sincero: defende a existência de uma autocracia repressiva, em que a Polícia fala justiça pelas próprias mãos, sem recurso a paneleirices de tribunais e estados de direito. O PP é mentiroso. Disfarçado de direita responsável, o PP quer aumentar o número de polícias (quando Portugal é dos países da União Europeia que melhor racio polícias/habitantes tem), substituindo o estado social pelo estado penal, criminalizando a pobreza e, na sua paranóia securitária, diminuir as liberdades e garantias dos cidadãos.

Nas próximas eleições autárquicas a Lisboa, não voto na hiprocrisia, mas sim na política de verdade. Nas próximas eleições, eu voto PNR.
Finalmente em Portugal

Os violinos de Chopin.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Caim mata Abel, Abel mata Caim

Existe uma maioria de esquerda no Parlamento: PS, BE e CDU coligados transcenderiam em muito o patamar da maioria absoluta, podendo assegurar um governo estável de coligação. No entanto, o sectarismo empedernido da esquerda (em que nenhum dos três partidos está inocente) torna este cenário impossível. O PCP e o PS não se entendem por razões históricas: o PREC foi sobretudo uma luta de poder entre Cunhal e Soares, tendo ganho este último, o que o PCP nunca perdoou. O BE não se entende com o PS principalmente porque o BE tem uma cultura irresponsável de anti-poder (não quer sujar as mãos no lodo sujo do poder) e porque quer demagogicamente capitalizar o descontentamento com o governo. Apesar de, pela parte do PS, haver provavelmente uma atitude um pouco mais favorável a entendimentos com o BE, é também certo que a progressiva viragem ideológica do PS à direita não facilita em nada essa convergência. O PCP e o BE não se entendem por causa de uma cultura sectária de ambos (apesar de, cada vez mais, o BE ser mais favorável a uma convergência de ambos, enquanto o PCP se mantém irredutivelmente só). E quem é que ganha com a divisão descerebrada da esquerda? A direita, evidentemente. E quem é que perde com esta guerra fratricida entre irmãos desavindos: os desempregados, os pobres, o estado social. Caim mata Abel, Abel mata Caim.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Disco da minha vida V

E agora, depois de Doors, Xutos, Pulp e Led Zeppelin, esta nossa pequena saga entra no jazz.


Gosto bastante de jazz, tenho bastantes discos, mas não posso dizer que perceba muito do assunto.

Quero falar-vos de um dos primeiros albuns de jazz que tive, e que acabou por servir como porta de entrada para esse mundo, estranho ao princípio, mas muito absorvente pouco depois.

Falo de "Sunday at the Village Vanguard", pelo Bill Evans Trio. Gravado, como todos os discos de jazz daquela altura, num único dia, numa única sessão com vários takes alternativos. Neste caso, foi gravado ao vivo no Village Vanguard, em Nova Iorque, a 25 de Junho de 1961. Não sei nada do sítio, mas entre as músicas e nos momentos mais calmos pode ouvir-se o barulho de copos e de talheres. E, enquanto isso, três grandes músicos no palco iam fazendo alguma da melhor música alguma vez feita. E, entre as músicas, os comensais brindam a banda com tímidos e desinteressados aplausos, não sabendo que, de facto, estavam a presenciar história.

O trio era composto por Bill Evans, o grande pianista, Paul Motian, na bateria, e Scott La Faro, no contrabaixo. Nada de instrumentos de sopro, nenhum som a rasgar, tudo muito soft, elegante e sensível.

Às vezes, parece música de piano bar, mas a melhor música de piano bar que alguma vez ouvi.

Para além da enorme qualidade do disco, outro facto significativo foi que La Faro, um revolucionário do baixo, morreu poucos dias depois deste concerto, creio que num acidente de automóvel. Foi uma grande perda para o jazz, e este disco funciona um pouco como o seu testamento. Saíram dois discos deste concerto: este e outro, igualmente fabuloso, o "Waltz for Debby". Este último é talvez melhor ainda, porque mais variado e lírico, mas o alinhamento de "Sunday at the Village Vanguard" foi escolhido de forma a incluir as músicas com melhor prestação de La Faro, como uma homenagem.

Foi-me oferecido tinha eu talvez uns 15 anos, por um idiota que era namorado da minha melhor amiga. O tipo tinha a mania que era esperto, e gostava de se armar em cromo do jazz. Era um merdas, mas a verdade é que, em dois aniversários, me ofereceu dois grandes discos: este e "Mingus, Mingus, Mingus", do contrabaixista Charles Mingus, dois discos que me acompanham de perto até hoje.

É um disco perfeito para inúmeras ocasiões. Ouvi-lo com atenção, de phones, como estou a fazer agora; como "cama musical" para um jantar e converseta com amigos; como acompanhamento de um bom livro, quando lá fora está frio e chuvoso.

Há muitos anos atrás, eu e uns amigos fizemos uma férias nos Açores. Ficámos em casa do pai de uma amiga nossa, uma casa excelente na Terceira. Dormimos em sacos-cama na garagem mas, em compensação, tínhamos à disposição uma piscina fantástica, um frigorífico sempre atestado de Carlsbergs fresquíssimas, e um rádio portátil com leitor de cds. E quantas noites passámos nós à beira da piscina, a conversar e a jogar cartas, ao som deste disco. Uma noite com bons amigos, o céu estrelado por cima, e Bill Evans no rádio. Estava bastante deprimido nessa altura, mas a verdade é que, quando penso nessas férias, vem-me um feeling positivo, e vem-me a lembrança dessas noites, e deste som. Só deixou marcas boas, portanto.

Tenho mais uns quantos discos de Bill Evans, mas destaco particularmente um: “From left to right”, em que ele alterna um piano clássico com um piano eléctrico. É o melhor som para acordar na boa, e para adormecer.

E as boas notícias são que qualquer um destes discos existe na lojas decentes, e a preços ridiculamente baixos. Se isto vos disse qualquer coisa, façam um favor a vocês próprios e comprem-nos. Se gostarem deles metade do que eu gosto, vai valer a pena.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Alerta! Alerta!

Por favor, pensem bem antes de andar com isto para baixo.

A sério.

Pensem muito, muito bem.

Se acabaram de comer ou pensam fazê-lo nas próximas 48 horas, fechem este site AGORA.

A sério, nós não gostamos de fazer mal às pessoas.

Não queremos dar pesadelos aos nossos visitantes.

Mas às vezes acontece.

Considerem-se avisados.

Here goes:























Eu avisei.
Já agora, se se quiserem rir um bocado, força no botão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um dos benefícios do mp3

É eu não ter caído na tanga dos bloggers bem pensantes e da imprensa especializada, e não ter comprado os albums de La Roux e Little Boots.
Graças ao mp3, pude ouvir estes dois pedaços de poia fumegante, algures entre Lady Gaga (vómito) e Ace of Base (duplo vómito) e com um toque quase impercetível de Mika (triplo vómito, caganeira e suicídio).
Parece que, de repente, a pop de merda passou a ser boa.
Eu aceito que digam bem de coisas boçais como U2, porque "ah e tal, são os U2". Mas irrita-me que o nível de exigência tenha descido tanto que, de repente, cagalhões básicos como La Roux e Little Boots sejam apontados como vanguarda seja do que for.
Não basta um nome cool e um penteado freak para se ter qualidade.

Era só isto.

PS - Green Day nem precisei de sacar para saber que é merda, como o anterior.
Curtia quando eram putos e faziam músicas básicas de 2,5 minutos. O pior foi quando decidiram que queriam ser relevantes, dar lições de moral ao mundo e fazer albuns conceptuais, com letras pseudo-profundas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chinese Democracy

Tremo sempre quando vou comprar cigarros e peço um Português amarelo, com medo que me sirvam o Paulo China.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

30 anos, milhares de vidas


Sábado à noite, fui um dos 40 mil privilegiados que puderam assistir a um grande, grande concerto dos Xutos.
Sim, eu sei, tal como toda a gente já vi dezenas de concertos dos Xutos. Mas, na verdade, não ia a um já há alguns anos, e confesso que estava com saudades.
E o concerto deste sábado foi, de facto, muito especial.
Porque foi a comemoração dos 30 anos de carreira da mais importante banda portuguesa de todos os tempos (goste-se ou não), porque o estádio estava cheio, porque a banda está (ainda e sempre) em forma. E porque, naquele relvado e naquelas bancadas, estavam milhares de fãs a sério, que foram celebrar e acarinhar o grupo que serviu de banda sonora a tantos momentos marcantes das nossas vidas.
Mais do que admiração ou devoção, o que se viu naquele estádio foi, sobretudo, empatia e carinho, entre palco e público. Em três horas de concerto, as músicas que mais me tocaram foram algumas das minhas velhinhas preferidas: Prisão em Si, Esta Cidade, Enquanto a Noite cai, só para mencionar algumas. Tinha um bilhete a mais e, à última da hora, ainda tentei convidar o Amarelo. Ficámos amigos, há mais de 15 anos, exactamente por, na secundária, sermos ambos fãs de Xutos. Não o vejo há algum tempo, e teria sido um reencontro bonito, os dois a curtirmos tudo aquilo. Mas enfim, um gajo que, ao sábado à noite, tem o telemóvel desligado às 10 da noite, acaba por ter o que merece.
Mais do que a banda, quero falar do público. Vi malta de 60 anos, e crianças, muitas crianças. Vestidas a rigor, de t-shirt e braços em X, às cavalitas dos pais, que eventualmente se terão apaixonado ao som daquelas músicas. Foi bonito de ver todo o respeito entre o público, unidos por algo em comum, o que se passava no palco e se tem passado ao longo dos últimos 30 anos.
E os Xutos são isto. É o bitoque, não tem nada que enganar, e nunca falha.
No fim, quando as crianças já dormiam no colo dos pais (alguns alcoolizados), todos saímos dali felizes, e conscientes de termos presenciado algo histórico, e de termos participado na celebração de algo que nos une a todos.
Todos estão de parabéns: Kalu, Cabeleira, Tim, Zé Pedro, Gui, os excelentes e emocionados convidados (entre eles Camané e Pacman) e, de forma igual, todos os fãs dos Xutos.
E, pelo que vi nas bancadas, o legado da banda está bem vivo, naqueles pequenos braços cruzados dos milhares que, pela primeira vez, foram a um concerto de rock.

Rock on!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Prémio "Best Product Placement"

Direitinho para a Comissão Nacional de Eleições por montar mesas de votos num stand de automóveis.

Debacle

E pronto, está feito.
O Socras ganhou, apesar de ter perdido uma batelada de votos. Aliás, o PS foi o único partido a descer.
A Ferreira Leite perdeu claramente e é a grande derrotada da noite. Saindo das europeias, Sócrates estava em KO técnico. Começou a campanha, Sócrates levou uma básica demão de marketing, e Ferreira Leite enredou-se em gaffes e parvoíces, numa campanha sem capacidade de resposta perante a bem oleada máquina socialista.
O CDS e o BE são o grandes vencedores destas eleições, sobretudo o primeiro, que passou a ser o terceiro partido mais votado. Acho que esta subida faz todo o sentido, porque o discurso de Portas encontra natural eco em muita gente insatisfeita no nosso país. Apesar de ser um partido que eu desprezo ideologicamente, considero que é bom para a democracia portuguesa este reforço. É um partido com uma ideologia própria e diferente de todos os outros, e é importante que existam opções para que os eleitores escolham. E a democracia é isto.
O Bloco deu mais um salto e parece-me que ainda não bateu no tecto do que pode crescer. Vamos agora ver qual a sua relevância, no parlamento. Na óptica de diversidade, é também muito importante.
A CDU, na qual votei, também subiu, mas claramente mostra que tem dificuldades em dar saltos e, em termos de votos, encontrar correspondência à grande influência social que felizmente ainda tem.
O povo falou. Respeitemos. Mas quem votou pela manutenção deste estado de coisas, que não se venha depois queixar. Enganado uma vez acontece; ser enganado duas vezes é burrice.


PS - as várias emissões televisivas foram de uma mediocridade que, confesso, até a mim me surpreendeu. Sempre as mesmas caras, a bonecada de um lado para o outro, sempre as mesmas opiniões dos mesmos gajos, os sorrisinhos tácticos, um universolo parolo, medíocre e provinciano. Nem uma opinião que se aproveitasse, nenhum golpe de asa. Uma noite sem chama, sem gás, sem magia, sem arte, sem um pouco de anarquia. Nada. A televisão é a montra que nos mostra um país fascinado pelo dinheiro, pela vaidade e pela ambição de poder. Somos um país de parolos liderados por um exército de iupis.

domingo, 27 de setembro de 2009

Crime e Castigo

Portugal gosta




Portugal merece

On Sale

A diferença entre o Sócrates e o Steven Seagal é que há momentos em que este último quase parece credível, enquanto arranca a cabeça a cinco gajos com um único rotativo.

No Future

A diferença entre a JS e beber uma garrafa de absinto em 20 minutos é que quando bebo absinto consigo parar de vomitar passadas duas horas.

White noise

A diferença entre a JS e um centro de emprego é que quem vai a um centro de emprego tem pelo menos de fingir que quer trabalhar.

Reacção após ouvir o discurso do Sócrates no Altis III

Qualquer sítio em que se ouçam as letras JS é bom para fazer um atentado à bomba.

Reacção após ouvir o discurso do Sócrates no Altis II

O Altis parece ter as condições acústicas e de frequência ideais que fazem dele um bom alvo para um atentado à bomba.

Reacção após ouvir o discurso do Sócrates no Altis

É oficial.O Sócrates é um cona de sabão.

Work Hard, Play Hard

Angela Merkel assegura reeleição e anuncia coligação com FDP

Porra, o Sócrates ainda agora ganhou e já fechou a coligação...

sábado, 26 de setembro de 2009

Voto de sábado

Eu amanhã voto é nestes gajos
















O que infelizmente me vai impedir de desfrutar da companhia destes gajos (mas vai valer a pena).


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dá-se-me assim a sensação que sou homem para no domingo votar nestes gajos


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Futuro risonho

Jaquim diz:
Coméqué?
fizeste sucesso no blog

Manel diz:
pois!
catano
três comentários!

Jaquim diz:
a malta quer é abardinanço

Manel diz:
claro!
para falar de coisas sérias estão as pessoas importantes e sisudas

Jaquim diz:
sim, que ganham alguma coisa com isso

Manel diz:
mas eu tb sou uma nódoa e ninguém me dá cargos importantes..

Jaquim diz:
pois, devias ter entrado para uma jota
perdeste demasiado tempo com a jola

Manel diz:
é, pó centro de emprego do rato
mas preocupo-me mais com ratas

Grandes males, pequenas soluções

Na hipótese de haver alguém a escutar o que o Presidente diz, não seria uma atitude preventiva dar a Cavaco Silva algum bolo-rei?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coisas que fazem um gajo sentir-se velho e desencantado

No quiosque ao pé do trabalho.

eu: boa tarde. Era um Português Suave, por favor

a rapariga: diga?

eu: um Português Suave.

A mão dela deambula em direcção aos maços de tabaco, vagamente na direcção certa. Ainda tenho esperança, mas sou obrigado a ceder quando ela, em desespero de causa, agarra num maço vermelho.

eu, suspirando e sentindo-me ridículo e velho por ser do tempo do Português Suave: era um Português dos amarelos.

E lá se deu a transacção. Valeu a pena? Não creio.

Rock on, Fátima Lopes

Por estes dias, no novo programa da Fátima Lopes, uma emocionada senhora cega cantava.
Custou-me que ela não visse que desafinava imenso.

1...2... Experiência... Som!

Técnico etilizado a mudar as pilhas ao blog. Voltamos a emitir dentro de momentos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pois, diz que é coiso por causa daquilo

É só para dizer ao homem do estupefacto amarelo que pode voltar, está perdoado. Depois de um merecido (e implorado por alguns leitores) período de quarentena, creio que pode voltar sem receio. A malta está com saudades de ter alguém a quem insultar, e isso faz de mim um alvo. Não gosto disso.
Portanto volta.
Moderadamente, mas volta.
Um postzito por dia, de preferência sem paneleirices.
Pronto, com uma ou outra paneleirice, vá, mas só de vez em quando.
Mas só um por dia, como o Actimel. Diz que ajuda as defesas, mete um tipo dentro de uma bolha e ajuda a cagar.

PS: e vocês outros calões, que dizem que não escrevem porque têm coisas supostamente importantes como cirroses e filhos, toca a contribuir.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Little Bastard em versão astrólogo

A menos de uma semana das eleições, isto é o que eu acho que vai acontecer.

Sócrates ganha, mais folgado do que as sondagens indicam. Aposto numa vantagem de uns 5% sobre o PSD. Depois forma governo sozinho, fazendo acordos pontuais com BE e CDS, à vez.

Os portugueses, mais uma vez, vão mostrar que só sabem viver no centrão, que é exactamente o monstro que lhes tem comido a liberdade e os recursos económicos (já para não falar dos recursos culturais, se calhar os mais preciosos, porque a falta de cultura só prolonga este estado de miséria espiritual e económica).

Sócrates vai ganhar porque é um político profissional no que isso tem de mais nojento, oportunista e repugnante. Depois de cinco anos de governação ultraliberal, assustou-se com as europeias e agora é só falar de esquerda, quando a verdadeira esquerda há muito que não está no seu partido. Fez um banho de marketing ainda mais básico que as pseudo-revoluções sonoras e estilísticas da Madonna. E, poucos meses depois, os tugas vão cair na esparrela. Fala de esquerda, mas o PS é um partido subserviente face ao privado. Não porque se submeta a ele, mas porque faz questão de o controlar, numa teia de favores mútuos. A diferença entre isto e a esquerda estatizante é que o Sócrates pôs o PS a mandar em tudo o que há neste país. O PS, não o Estado, eles estão-se bem cagando para o Estado. (Já agora, gostei muito de ler a notícia de que uma ordem superior veio ordenar a anulação de multas de trânsito passadas a condutores de carros de campanha do PS).

Este PS é um polvo asfixiante e eu acho, sinceramente, que as coisas seriam, neste aspecto, menos más com Ferreira Leite. Talvez por ser uma política inábil, que ainda acredita no Pai Natal e que são as ideias que ganham eleições, acredito que não iria tentar controlar tudo desta forma. E eu sinto na pele, todos os dias, a corrupção do polvo socialista, que através de directores de jornais que tem no bolso polui a mente dos leitores com informação escolhida a dedo.

O meu voto, como em várias eleições anteriores, vai para Jerónimo de Sousa e para a CDU. Tranquilamente e sem dúvidas de qualquer espécie.
E, entre os que podem ganhar, espero que ganhe Ferreira Leite.

E isto, para uma pessoa que nunca votou à direita do PC, diz muito do que penso acerca de Sócrates e da sua corte de parasitas inúteis e de ego inchado.

Que todos votemos, na suave convicção de que o nosso voto vale tanto como o de todos os mentecaptos que vão perpetuar este reinado parolo de mediocridade.

domingo, 20 de setembro de 2009

Helpdesk

Sim, eu estou consciente que este blog está com um aspecto de anos 80, se nos anos 80 já existissem blogs.
Eu explico.
Bom, o tasco estava com uns problemas técnicos, basicamente com uns erros na página e era impossível ler os posts mais antigos (mesmo de há duas semanas).
Eu, que tirei o curso de direito e trabalho em jornalismo, achei que conseguia resolver a coisa.
As boas notícias são que resolvi a questão dos post mais antigos. Agora, todo o brilhante arquivo de seis anos de Vodka está novamente disponível.

As más notícias são que fodi completamente as últimas alterações, com as imagens bonitas, os links actualizados e a votação em curso.

Por isto, peço desculpa.

Aproveito para pedir a qualquer uma das almas caridosas que sabem mexer nisto, nomeadamente ao Idle Consultant, que veja se sabe como meter o tasco todo bonito outra vez (no blogger dizem que fica tudo gravado, mas não sei se acredito).

Bom, era isto.

As minhas desculpas, mais uma vez.

sábado, 19 de setembro de 2009

O disco da minha vida IV


1969. Os hippies estavam a dar as últimas, e o som inglês começava a tomar conta. Depois dos Beatles e dos Stones, uns anos antes, os sons mais pesados dos Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabath começavam a anunciar o que se seguiria, nos anos 70.
1992. Um puto do subúrbio recebe uma cassete mal gravada que muda a sua vida.
Estamos a falar dos Led Zeppelin, essa banda de hard-rock e blues com as letras mais parolas do mundo (dragões e o camandro) e o maior feeling que alguma vez saiu de um poderoso PA.

Todos os albums dos LZ são bons, exceptuando talvez os dois últimos, "Coda" e "In through the out door".
O "Led Zeppelin II" foi o primeiro deles que conheci, o que talvez explique o facto de, ainda hoje, ser o meu preferido da banda. Como aconteceu com tantos outros discos e bandas, foi o rapaz do estupefacto amarelo quem mo mostrou, de entre o espólio de música fixe do seu irmão mais velho. Na altura, eram os Doors que estavam a dar, mas os LZ eram diferentes. Todos queriam ser o Jim Morrison, ninguém queria ser alguém dos Zepp, pela simples razão que ninguém sabia quem eles eram. Era uma banda, uma verdadeira banda, e o som, a música, eram tudo o que era importante. Os quatro membros da banda eram de um poder incrível, individualmente, mas ultrapassava tudo quando estavam juntos. Um som intenso, coerente, surpreendente, poderoso.
E, num momento em que toda a gente começou a querer ser alternativa, ninguém sabia quem eram os LZ. Eram uma relíquia dos anos 70, um comboio-expresso chegado do passado a meio da noite. Eram, enfim, rock n roll como nunca conhecera, e como nunca soubera que era possível existir.
É, de todos os discos deles, o mais completo, aquele no qual todos os membros têm os seus momentos brilhantes e espaço para o mostrar, dentro do som coerente da banda. É também a primeira vez que uma band de hard-rock mostra o que era possível fazer no estúdio. A produção é suja mas fabulosa, com ecos, reverb, feedback, tudo e mais alguma coisa. Em resumo, uma viagem de montanha-russa de rock e blues, com toda a energia de uns AC/DC, mas com 10 mil vezes mais criatividade.

É o disco de Whole Lotta Love, que abre o album, mas todas as músicas são excelentes. Destaco a drogada "The Lemon Song", com Robert Plant a bombar na harmónica, a relaxada "What is and what should never be", a histórica Moby Dick com John Bonham a mostrar por que razão foi o melhor baterista rock de sempre, bem, todas as músicas, realmente.

Não me apaixonei, não sofri, não encontrei subitamente o meu lugar na vida com este disco. Não foi preciso nada disso para, ainda hoje, ser um dos discos da minha vida. Era acerca do som, e sempre foi acerca do som.
Um dia, levava a cassete no walkman, tinha calçadas as botas que eu achava que pareciam de cowboy. A descer a rua, a caminho da escola, senti-me um homem. E ouvir este disco, em alto volume, leva-me ´lá outra vez.

Ramble On!!
O sentimentalismo online

Esta conversa é absolutamente real. Todos os nomes foram alterados para proteger a identidade de idiotas e vítimas. O mencionado Bacamarte fica com esse nome, até porque não sabemos o seu nome verdadeiro.


Manel diz:
estou mais morto que vivo

Jaquim diz:
atão, man?

Manel diz:
adivinha, tens duas hipóteses

Jaquim diz:
ressaca?

Manel diz:
trabalho, caralho
antes fosse

Jaquim diz:
eh pá, isso é pior

Manel diz:
então, que contas?

Jaquim diz:
sabes de quem é que eu me lembrei hoje?

Manel diz:
nopes

Jaquim diz:
do Bacamarte!

Manel diz:
xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Jaquim diz:
lembras-te do bacamarte?
vi um gajo igual a ele na rua

Manel diz:
nem me lembro já da cara dele

Jaquim diz:
barba e gadelha

Manel diz:
a catarina conseguia descer bem baixo

Jaquim diz:
sim

Manel diz:
o baluarte do caralho do CALA-TE FODA-SE!!!!!!!!!!!

Jaquim diz:
ehehehehehe

Manel diz:
pópópópópópó.
estive na polux na sexta feira passada, umas festarola bem gira
cheia de teengrelo
mas estava sozinho, restou-me encostar ao balcão e foder-me alarvemente ,

Jaquim diz:
na polux?
mto bom

Manel diz:
sim, todos bêbedos.. eu ainda perguntei lá a uma gaja «que festa é esta?»É DE TODA A GENTE!!!!!
fiquei por lá uma hora e picos

Jaquim diz:
boa boa

Manel diz:
e tu?

Jaquim diz:
como foste lá parar?
eu ando a morrer em pé

Manel diz:
estava a ver aquelas festas do TODOS na mouraria, acabou

Jaquim diz:
e decidiste ir ver o que se passava na academia

Manel diz:
pois

Jaquim diz:
o bacamarte era um ganda manso
não foi o gajo que pagou umas férias à catarina, em malta, e nem lhe saltou para a cueca?

Manel diz:
isso!!!!!!!!!

Jaquim diz:
ahahaha
que categoria

Manel diz:
as gajas são fodidas

Jaquim diz:
e a catarina a querer papar a viagem e fingir que aquilo era perfeitamente natural

Manel diz:
e papou ou não papou?

Jaquim diz:
ela papou a viagem. ele pagou e não papou um caralho

Manel diz:
olha, a única vez que me pagaram uma viagem tive que foder todos os dias

Jaquim diz:
ela de papo para o ar, na piscina
LOL

Manel diz:
e não me importei

Jaquim diz:
pois!

Manel diz:
imagino o gajo, a doerem-lhe os tomates

Jaquim diz:
e a bancar

Manel diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHHAHAA

Jaquim diz:
e ela a ver o mar e a ler anais nin

Manel diz:
ai o amor

Jaquim diz:
torna um gajo idiota

Manel diz:
o amor dura até um gajo se vir

Jaquim diz:
mas há aqueles que já são idiotas à partida
no caso dele, ainda está apaixonado

Manel diz:
eu batia uma p+unheta para a cara da gaja qiue me fizesse isso

Jaquim diz:
LOL
ela a dormir descansadinha e pumba!

Manel diz:
cumshot facial à revelia

Jaquim diz:
hehehehe
seria demasiado mau eu meter isto no blog?
mais disfarçado que o habitualmente?

Manel diz:
diz que hidrata, querida

terça-feira, 15 de setembro de 2009

I see dead people

Hoje não consegui ver os Gatos com a Manuela Ferreira Leite. Dentro do estilo, preferi ver um filme de mortos-vivos no AXN. Mas no fim fiquei desiludido. O penteado da velha era mais scary do que o da zombie.
Mas vi o primeiro, com o Pinócrates. Perante as perguntas marotas e bem esgalhadas do Araújo Pereira, o Sócrates ia respondendo com campanha, mel e piadas secas, em doses iguais.
O único problema do Primeiro Ministro em participar em coisas destas é a sua completa ausência de sentido de humor. É um bocado o fenómeno do Balboa ser jogador da bola e o Abrunhosa ser cantor.
Acontece.
Coisas que a Humanidade devia resolver antes de pensar em ir a Marte

1 - As dores de cabeça

2 - O período

3 - A correcta interpretação da lei do fora de jogo (se está atrás da bola, está em jogo)

4 - A calvície

5 - O Cláudio Ramos

6 - Limpar o cu. Já repararam que, tirando a folha dupla e o papel às cores, a Humanidade limpa o cu da mesma maneira há séculos? Não conseguiremos encontrar uma maneira mais eficiente de o fazer?

Marte pode esperar. Tal como o TGV. Os items acima? Há que resolvê-los.

domingo, 13 de setembro de 2009

A verdadeira cara de pau

É sempre bom ver que anda por aí alguma preocupação acerca do que o Benfica pode fazer esta época.

Agora vem o "professor" Jesualdo Ferreira falar de um caso referente ao ano passado, em que um observador do jogo Benfica-Nacional foi suspenso por, alegadamente, ter omitido factos ocorridos no túnel do estádio da Luz.

Vem o senhor professor dizer agora que "gostaria de saber o que foi omitido" nesse relatório. Pois, também eu gostaria de muita coisa, nomeadamente que Jesualdo Ferreira se calasse bem caladinho, porque o clube onde está tem mais telhados de vidro do que qualquer outro em Portugal.

Gostaria só de salientar algumas coisas:

1 - É interessante ver a obsessão do Porto e do senhor professor com o Benfica. Isto não surpreende, vindo de um clube cujos adeptos festejam golos com cânticos contra o Benfica, mesmo que estejam a jogar contra o Leixões (deve ser da cor, fazem confusão). Isto foi num jogo entre o Benfica e o Nacional, num campeonato ganho pelo Porto. Qual a necessidade de estar a tentar espalhar agora a confusão?

2 - No jogo em causa, o Benfica foi escandalosamente roubado em casa. Anularam-nos o golo da vitória em cima da hora, por pretensa mão de Miguel Vítor, que estava caído no chão e de costas para a bola. Esse roubo de igreja surgiu num momento em que o campeonato estava ainda quente, e foi mais um dos episódios que contribuiram para afastar o Benfica da corrida, como o célebre jogo das Antas e do penalti fantasma.

3 - Alegadamente, a questão do túnel tem a ver com Nuno Gomes, que se terá dirigido ao senhor ladrão daquele jogo de modos menos próprios. Mas é preciso relembrar que Nuno Gomes levou jogos de suspensão e multa. Para além disso, está longe de ser um titular. Que raio de vantagem acha Jesualdo que o Benfica tirou de todo esse episódio?

4 - Para terminar, quero só salientar a cara de pau desse senhor, infelizmente benfiquista desde pequenino. Insinuar qualquer favorecimento ao Benfica num jogo em que fomos miseravelmente roubados e o Porto, indirectamente, beneficiado, só pode ser falha de memória fruto da idade.
E, não nos esqueçamos qual foi o clube condenado por comprar árbitros, há bem pouco tempo. Se calhar falta-vos um bocadinho de moral para falar, não?...

sábado, 12 de setembro de 2009

Vamos experimentar

"Não vás agora à casa de banho porque acabei de fazer um Lello de todo o tamanho".

Sim, na mouche.
Realpolitik

Em entrevista recente ao DN, o xulo socialista José Lello, secretário nacional do PS e especialista, há anos, em parasitar o Estado e não fazer nenhum e viver à grande, foi questionado acerca dos negócios de Portugal com a Líbia, a Venezuela, Angola, etc. No que toca aos direitos humanos, o senhor deu-nos uma lição de socialismo moderno à moda de Sócrates, afirmando que "podem dizer o que quiserem, mas o que interessa são os negócios".

Muito bom, de facto.

O que pensará a sua amiguinha Ana Gomes disto, ela que há uns anos lançou um ataque violentíssimo contra o Público por este ter publicado um anúncio, pago, a uma empresa de Kadafi?

Há três pessoas (há mais) que me irritam solenemente no PS. Ana Gomes, Lello e Santos Silva, o inquisidor-mor.

São aquelas pessoas que ninguém percebe o que fazem mas estão sempre lá, e com uma flexibilidade dorsal assinalável. Também gosto muito do Vitalino Canas, que tem com os anteriores em comum o facto de ver tudo através de óculos rosa, como quando comenta os discursos de Cavaco Silva e os consegue transformar em mensagens de apoio ao Governo.

Adiante.

Serve isto para dizer que, a partir de hoje, vou substituir a palavra cagalhão pela palavra Lello.
Creio que também funcionará com Ana Gomes, Vitalino ou Santos Silva.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O povo é quem mais ordenha

A duas semanas das eleições, a votação para Primeiro-Ministro que fazemos no Vodka vai renhida. Liedson lidera destacado, enquanto Carolina Patrocínio sofre claramente do facto do seu nome não vir acompanhado de uma foto dela, de trás, na praia do Gigi.
Louçã vai em último, e mesmo os seus votos têm de ser descontados do entusiasmo do Amarelo que, qual Mourinho utilizando o computador das Antas, está a tentar influenciar a votação.
Recebemos ainda 34 votos numa opção não prevista, um tal de Pepe, e tudo isto nos últimos dois dias. Recebemos igualmente 114 votos negativos no Professor Queiroz.
Com tanto cambalacho (palavra que, creio, estou a escrever pela primeira vez na minha vida), isto mais parece as eleições no Afeganistão.
Enfim, se é bom para o Bobama, também terá de servir para nós.
Betty frígida

A Joana Amaral Dias faz-me alguma confusão. É daquelas que só podia ser do Bloco, tal o pedantismo pseudo-intelectual que exsuda. Sofre do mesmo problema que todas as gajas giras e minimamente inteligentes que têm algum tipo de pretensão intelectual: exagera na atitude de "sou muito mais que uma gaja boa, também sou brilhante". Isto é sempre irritante, mas é um bocado mais irritante quando a gaja em causa é bastante menos brilhante e inteligente do que pensa ser. E este é claramente o caso.

Disse a senhora, ao DN, que considera "lamentável" o aproveitamento que Francisco Louçã fez do convite que o PS fez à menina. "O facto de Francisco Louçã ter colocado esse convite e as suas implicações políticas - as que Louçã viu nesse convite - nas primeiras páginas, não me agradou".
A menina parece esquecer-se foi que foi ela quem colocou a bola em movimento, nomeadamente avisando discretamente a TVI do convite que lhe fora feito, apenas e só por desejo de protagonismo. O problema foi que o tiro lhe saiu pela culatra, e a sua brincadeira egocêntrica lhe fugiu do controlo, ganhando proporções não previstas.

O problema da Joana Amaral Dias é que, na verdade e por mais que ela se esforce, o seu palminho de cara ainda é o que de melhor a senhora tem.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mania das grandezas
Ontem de manhã, na minha barriga, diferentes gases oriundos de facções políticas rivais digladiavam-se entre si numa luta intestina, provocando-me uma dor de barriga filha da puta e fazendo tanto barulho que quase pareciam trovões. Alguns minutos depois, uma enorme trovoada abatia-se sobre a cidade de Lisboa.



Santa Trindade
Há três coisas chatas que um gajo pode contrair: sífilis, empréstimos e matrimónios.

Parvoíce

Hoje, depois de tomar banho, descubro horrorizado que sou igual ao Partido Socialista: assim como o PS malhava no Código de Trabalho de Bagão Félix quando estava na oposição e depois fez um Código de Trabalho ainda mais à direita quando foi para o governo, também eu resisto sempre à ideia de entrar na banheira antes do duche, e resisto sempre à ideia de sair da banheira quando já estou no duche.



Governabilidade
Na actual conjuntura económica, é essencial garantir a estabilidade política através da ilegalização temporária dos partidos à esquerda do PS e à direita do PSD.


Coerência
Sempre que me esqueço de limpar a areia da minha gata, quando o bicho repara que estou na cama sem meias prestes a adormecer, rasga-me sempre um bocado do meu pé com as suas garras afiadas como quem corta um pouco de cartolina com um chizato, e eu juro que ouço os seus bigodes a rirem-se baixinho. Quando, pelo contrário, limpo a areia, ela faz exactamente a mesma coisa. É por isso que eu sempre preferi os gatos aos cães.


Manhã Submersa
Todos os dias preciso de encontrar sempre uma boa razão para sair da cama. A razão de hoje foi que estava mesmo à rasca para mijar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Declaração de interesses: Sempre votei BE e antes PSR

A propósito do debate de ontem, tenho a dizer que eu, tal como o Sócrates, estive a ler atentamente o programa eleitoral do BE, tendo descoberto que este partido propõe o abastecimento público de haxixe canalizado em todas as casas e reivindicando a homossexualidade mínima garantida- obrigação de todo o cidadão de perpetrar pelo menos uma pequena prática homossexual por ano, sendo que serão providenciados benefícios fiscais generosos para taxas de bichanice superiores a 30 marotices diárias.
Mau gosto

Enquanto a pandemia da gripe A não acabar, vou fechar-me numa cave no Cacém só com víveres e criancinhas.
Asfixia democrática - a sequela

A única vez que vi o Sócrates despenteado foi quando o encontrei num outdoor em Monsanto cheio de ramos desgrenhados em cima da cabeça.
Video killed the radio star

Ainda hão de um dia conseguir explicar-me porque é que quando um locutor de rádio entrevista um organizador de um ciclo de cinema queer, o locutor de rádio gagueja sempre.
Ainda há pedaços da nossa infância que ainda não nos foram arrancados

Qualquer frase que começe por "porque eu ainda sou do tempo" faz-me sempre lembrar, não sei porquê, o Euládio Clímaco.
Darth Vader strikes again

Grande parte dos problemas do país advêm do facto de em 1910 Portugal ter escolhido implantar uma república em vez de umas enormes mamas de silicone, especialmente nas costas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Big Brother is watching you

Muito se tem falado na asfixia democrática e na tentativa de controlar a imprensa. Eu, que trabalho há quase 10 anos na área, posso dar-vos apenas a minha experiência: nunca vi um governo tão manipulador da comunicação social, tão obcecado com o que se diz dele, com tantos directores de jornais nas mãos.
E tão ou mais grave do que isto é o que se tem visto por estes dias: assessores de imprensa do Governo, pagos pelo dinheiro dos nossos impostos, a trabalhar em pura e simples campanha eleitoral. Telefonando aos jornalistas quadrilhando sobre o que disse a Ferreira Leite, tentando influenciar os artigos, e negando dados oficiais com o único argumento, algumas vezes assumido, que em altura de campanha não divulgam dados que possam ser utilizados pelos partidos da oposição. São dados públicos e oficiais, escondidos apenas porque as conclusões não são famosas para o governo.
Gente que trabalha para o Estado, paga com o nosso dinheiro, mas que nada mais fazem que o trabalho sujo do partido que está no poder, num regabofe sem fronteiras.
Digam o que disserem. Eu sinto na pele o que o Sócrates faz. E quem sofre é, sobretudo, o leitor, que supostamente se quer informado.
I took her to a supermarket, I don't know why, but I had to start it somewhere, so I started there

Até hoje, sempre que numa caixa de supermercado coloco a minha filha no tapete rolante das compras e pergunto pelo preço da boneca, nunca nenhuma operadora de caixa se riu.
Não é só o Little Bastard que tem o direito a escrever posts sobre situações nonsense passadas em concessionárias da Galp

- Boa tarde, bomba 1 e estes palmiers, se faz favor.
- Tudo junto ou separado?
- Tudo junto.
- Tem cartão de pontos?
- Não.
- Quer aderir?
- Não, obrigado.

(é neste momento que a senhora se desmancha a rir na minha cara e, muito irónica, diz)

- Com certeza.

(faço o pagamento, regresso ao meu carro, ponho o pé no acelerador e fujo o mais rápido que consigo daquele lugar sinistro)
O mais difícil num post é sempre o título

Quando ando pela rua detesto que esteja repleta de decotes porque retiram a minha disponibilidade para estar atento ao mundo.
Peter Pan morreu atropelado pelo 81

Um homem só se torna verdadeiramente adulto quando um gajo: (1) deixa de comer macacos do nariz; (2) deixa de fazer batota no monopólio; (3) passa a dizer sempre "foda-se" em vez de asneiras de substituição ridículas como "fónix" ou "fogo"; (4) deixa de olhar para os piços dos amigos nos urinóis públicos.
Common people

Sempre me irritou o facto de não existir nos supermercados uma caixa excluxiva para pessoas amarelas.
Do outro lado do espelho

Sinto que só me olhei verdadeiramente ao espelho quando vi o meu filho pela primeira vez a comer macacos do nariz.
Mania da perseguição

Hoje de manhã, quando eu ia a tirar um chocolate de uma caixa de bombons, uma corrente de ar filha da puta deitou de propósito a merda dos chocolates todos ao chão.
Eu voto Ferreira Leite

Eu sou a favor dos direitos das mulheres. Quando a minha mulher passa a ferro faço sempre questão de ler livros da Virginia Woolf.
Eco-Cinismo

Só há uma solução para salvar o nosso planeta da catástrofe ecológica: permitir que todos os países possam aceder ao subdesenvolvimento.
Única frase do lateral esquerdo do Fluminense com a qual eu concordo

"Às vezes um charuto é apenas um charuto" (Freud)
Ora aqui vai algo que o Morrisey e o Woody Allen nunca escreveram só porque nunca se lembraram

Para dormirmos todos os dias oito horas por dia perdemos a oportunidade de viver coisas idiotas e sem sentido durante um terço das nossas vidas.
Não é só o Tarantino que tem o direito a fazer exercícios esquisitos de história virtual

Ainda bem que eu não nasci no século catorze porque não sei como conseguiria sobreviver sem óculos nem latas de atum.
Mais uma corrida, mais uma viagem

Sempre que está uma fila demasiado grande na farmácia, recorro sempre ao velho truque de começar a tossir e a perguntar à pessoa à minha frente se o Tamiflu tem comparticipação.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Conclusões óbvias após uma visita ao Cinecartaz do Público


1 - Eu sou claramente um gajo que pesquisa filmes por sala, e não por filme

2 - Não há uma puta duma sala decente nesta cidade que passe o filme do Tarantino na sessão da meia-noite.

Era isto.
Os problemas complicados têm sempre soluções simples

Pedi numa reprografia para fotocopiarem um livro. Inicalmente, responderam-me que não era permitido a cópia integral de um livro. Mas depois pensaram um pouco melhor e disseram: "Fazemos assim. Hoje copiamos metade do livro e amanhã copiamos a outra metade". No dia seguinte, antes de dormir, deleitei-me com a leitura da cópia integral do último romance da Margarida Rebelo Pinto.
Tradução: "Cum caralho, até o Américo Amorim é umas grandessíssima puta"

"A prostituição é unicamente uma expressão particular da prostituição geral dos trabalhadores, e porque a prostituição é uma relação que inclui quer a pessoa prostituída quer a pessoa que prostitui- cuja baixeza é ainda maior- então o capitalista também está incluído nesta categoria" (Karl Marx)
Para uma resposta à crise

Deve haver um contrato social em que o rico partilhe dos ganhos do crescimento e o pobre partilhe também os custos das crises.
Já não se fazem democratas como antigamente

"Não percebo estas escaramuças acerca do uso do gás. Sou muito favorável ao uso do gás venenoso contra tribos incivilizadas" (Winston Churchill)
O cliente tem sempre razão

Se encontrar noutro lado um post mais irrelevante do que este garantimos a devolução integral do seu conteúdo.
Excerto da minha autobiografia não autorizada

Estou na cama. O despertador toca mas não me apetece mexer-me para desligá-lo. Já não tenho sono mas também não tenho qualquer vontade de me levantar da cama. O despertador continua a tocar como uma ambulância. Uma luz branca entra pelos poros dos estores. Tenho vontade de mijar. A ideia de carregar com o meu corpo amarelo até à casa de banho faz-me dores de cabeça. Quem aguentou a noite toda pode aguentar mais um bocadinho. A cama está quente, o ar está frio. Enterro-me nos lençóis como se fosse um morto. O barulho do despertador está longe, muito longe. É bom ficar parado. Não fazer nada. Não pensar em nada. Como se estivesse a olhar para uma televisão desligada. E sinto um líquido amarelo e quente espalhando-se pelos lençóis.
Excerto da minha biografia não autorizada

Confesso que não me orgulho nada de ter vendido a minha filha por quinze euros e cinquenta só porque já não tinha dinheiro para comprar o último álbum dos Artic Monkeys.
Excerto da minha biografia autorizada

Quando a minha mãe estava grávida, tinha o hábito um pouco desagradável de comer peças de roupa sempre que se sentia nervosa. Sempre pressenti que isso pudesse ter estado de alguma forma relacionado com o facto de eu ter nascido já completamente vestido com um pequeno estupefacto amarelo.
Um país de felizes e competentes burocratas

Um homem (eu) entra numa estação de serviço. Escolheu aquela, da Galp, em detrimento de uma mais pequena, de bairro, porque esta só vende gasolina e velas, e não tem tabaco.
O homem entra pela porta que diz "Entrada", apesar da porta que diz "Saída" ser muito mais perto e ir dar directamente ao balcão, que é o seu destino. O homem não consegue evitar sentir que aquilo é estúpido, mas obedece à mesma porque da última vez que fez o contrário teve uma discussão de meio minuto com um mentecapto vestido de laranja.
Para chegar ao balcão, tem de fazer uma gincana digna dos antigos jogos sem fronteiras, por entre os dvd's de filmes de merda, os pacotes de batatas fritas, as revistas cor de rosa e os ambientadores de carro em forma de pinheiro. Finalmente chegado ao balcão, aproxima-se um serzinho vestido de laranja, com ar de enfado por estar a ser incomodado.
- Boas.
- Boa tarde. Diga.
- É a bomba 5 e um camel, se faz favor.
- Não temos camel. Só temos camel azul.
E aí o homem recorda outra discussão, tida numa BP cerca de um ano antes. Olha para trás do mentecapto e vê, no expositor, alguns belos maços amarelos de camel.
- Então isso que tem aí atrás é o quê?
- É camel, mas é do expositor.
Engraçado como as coisas estúpidas se repetem, quase da mesma forma.
- Então mas tem aí um, dois...seis maços de camel. Não pode tirar um?
- Não, não podemos. Mas temos camel azul.
- Deixe estar obrigado. Mas para que serve ter o tabaco aí se não o vende?
- É do expositor.
- Mas o expositor serve para expor o que há, certo?
- E normalmente há, mas hoje não. Estamos à espera.
- Deixe-me ver se percebi. Haver há, mas não pode vender porque está no expositor. E está aí para mostrar que há.
- Sim.
- Mas não há.
- Não. Agora não, estamos à espera.
O homem, ainda não calejado o suficiente para deixar de se surpreender com a estupidez humana, abana a cabeça e sai a rir-se. E sai pela "Saída".
Análise política

Mais que subir umas escadas cheias de berlindes em patins em linha (sem nunca antes ter experimentado este meio de transporte) para ir para a sala de voto votar no PSD, o que é verdadeiramente imprudente é um gajo peidar-se quando está com diarreia.
É com estas que se vê como George W Bush tinha uma grande classe

Há políticos republicanos a acusarem o Presidente Americano de querer matar os idosos referindo-se à proposta de estender a comparticipação do Estado às consultas de cuidados paliativos. Barack Obama já respondeu: "Prometo não desligar o ventilador de nenhuma avó".
Pequeno intervalo para publicidade

Todas as pessoas, por mais inteligentes que sejam, têm sempre qualquer coisa de idiota dentro de si. A arte dos publicitários está em conseguirem estabelecer contacto com essa qualquer coisa.
Ouçam um bom conselho do vosso amigo vermelho

De forma a evitar o contágio da gripe A, a organização da Festa do Avante aconselhou todos os consumidores de Haxixe a lavarem as mãos sempre que a mesma ganza rodasse por mais de vinte e sete bocas desconhecidas.
Ouçam um bom conselho do vosso amigo amarelo

Aconselho veementemente a todos os frequentadores deste blog a nunca andarem no 13 (em direcção à estação de comboios de campolide) no dia seguinte a terem misturado no vosso estômago delicado duas caipirinhas com uma garrafa de vinho branco.
Divulgação Científica

A comunidade científica descobriu recentemente que a credibilidade de uma afirmação de um político expressa vinte dias antes de um acto eleitoral é exactamente a mesma da afirmação de uma pessoa que, por se encontrar muito mal-disposto por ter bebido em demasia no dia anterior, jurar que nunca mais vai beber na vida.