Tremam Ímpios Infiéis!!!
O Papa Adolfo I... perdão Bento XVI, está-me a desiludir, está no cadeirão há já dois dias e ainda não reinstaurou a Santa Inquisição.
Para quando as chamas da Salvação das fogueiras da Santa Inquisição no Terreiro do Paço??? Aqui o gang do Vodka Atónito está desejoso de as saltar.
Volta Torquemada que estais perdoado.
quinta-feira, 21 de abril de 2005
quarta-feira, 20 de abril de 2005
Amnésia prolongada
No debate de hoje sobre o aborto, na Assembleia, houve vários fenómenos que me divertiram. Um deles foi a Teggy Caeiro, que para além de assuntos do mar e de artes e espectáculos (e presumivelmente um ou outro felatio estratégico), também percebe imenso de abortos e quejandos, talvez devido à convivência prolongada com Telmos Correias, Nunos Melos e companhia.
Mas gostei sobretudo do discurso da ex-soviética Zita Seabra, que reclamou para si a responsabilidade da elaboração da lei espanhola (!) sobre o assunto.
Numa intervenção digna de Bagão Félix, só faltando o jingle bells e as benzeduras, a Zita Cuja defendeu a férrea aplicação da lei actual.
Mas vale a pena recuar no tempo, até ao ano da graça de 1982, e revisitar um discurso proferido pela mesma senhora, em plena Assembleia da República, que discutia então exactamente o mesmo assunto.
"A verdadeira alternativa que se coloca aqui hoje (...) é se vão continuar a morrer mulheres nos hospitais portugueses, diariamente, nos meandros do aborto clandestino, nesse sórdido negócio a que a lei põe termo".
Pois.
No debate de hoje sobre o aborto, na Assembleia, houve vários fenómenos que me divertiram. Um deles foi a Teggy Caeiro, que para além de assuntos do mar e de artes e espectáculos (e presumivelmente um ou outro felatio estratégico), também percebe imenso de abortos e quejandos, talvez devido à convivência prolongada com Telmos Correias, Nunos Melos e companhia.
Mas gostei sobretudo do discurso da ex-soviética Zita Seabra, que reclamou para si a responsabilidade da elaboração da lei espanhola (!) sobre o assunto.
Numa intervenção digna de Bagão Félix, só faltando o jingle bells e as benzeduras, a Zita Cuja defendeu a férrea aplicação da lei actual.
Mas vale a pena recuar no tempo, até ao ano da graça de 1982, e revisitar um discurso proferido pela mesma senhora, em plena Assembleia da República, que discutia então exactamente o mesmo assunto.
"A verdadeira alternativa que se coloca aqui hoje (...) é se vão continuar a morrer mulheres nos hospitais portugueses, diariamente, nos meandros do aborto clandestino, nesse sórdido negócio a que a lei põe termo".
Pois.
Da Juventude Hitleriana à Máfia do Vaticano
Agora que elegeram o RatMickey como novo papa, multiplicam-se os "apelos" a que ele "siga os passos de abertura" dados pelo seu antecessor, JP 2.
Eu sei que vivemos numa era demasiado mediatizada, e que agora o JP é a Princesa Diana, que também era uma santa, e coisa e tal.
Esta lavagem de conduta do JP, que o transforma agora num reformista e impulsionador de todas as coisas boas, é algo de que nem o mais poderoso Tide era capaz.
Sim, o RatMickey vai seguir "os passos de abertura" do JP 2, tais como a proibição absoluta do uso do preservativo, da eutanásia e do aborto, sejam quais forem as circunstâncias.
Habemos papam! Viva a Sida!
Agora que elegeram o RatMickey como novo papa, multiplicam-se os "apelos" a que ele "siga os passos de abertura" dados pelo seu antecessor, JP 2.
Eu sei que vivemos numa era demasiado mediatizada, e que agora o JP é a Princesa Diana, que também era uma santa, e coisa e tal.
Esta lavagem de conduta do JP, que o transforma agora num reformista e impulsionador de todas as coisas boas, é algo de que nem o mais poderoso Tide era capaz.
Sim, o RatMickey vai seguir "os passos de abertura" do JP 2, tais como a proibição absoluta do uso do preservativo, da eutanásia e do aborto, sejam quais forem as circunstâncias.
Habemos papam! Viva a Sida!
terça-feira, 19 de abril de 2005
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Ajuda Jornalística
Com a contratação do médio Lucho Gonzales, por parte do FCP, resolvi dar uma ajuda aos génios das redacções dos jornais da bola e sugerir de antemão umas manchetes:
"Exibição de Lucho"
"Gonzales puxou o luchtro ao adversário"
"Speedy Gonzales atropela Sporting"
No caso de lesão do jogador:
"Gonzales luchou-se"
Com a contratação do médio Lucho Gonzales, por parte do FCP, resolvi dar uma ajuda aos génios das redacções dos jornais da bola e sugerir de antemão umas manchetes:
"Exibição de Lucho"
"Gonzales puxou o luchtro ao adversário"
"Speedy Gonzales atropela Sporting"
No caso de lesão do jogador:
"Gonzales luchou-se"
sexta-feira, 15 de abril de 2005
Parem os frigoríficos e soprem-me lá para o olho que acabaram de me lançar meia toneladita de areia em cima!!
Camarada!
Inscreve-te já no curso de Formação Autárquica, organizado pelo PSD de Cascais, que contará com a presença de ilustres oradores como Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Mota Amaral, António Borges, António Capucho e Isaltino Morais.
Tudo porque, conforme adiantou há dias o presidente da secção de Cascais, Carlos Carreiras, a «incompetência pode causar tantos prejuízos numa autarquia como a corrupção».
São Laranjas, Senhor.
Camarada!
Inscreve-te já no curso de Formação Autárquica, organizado pelo PSD de Cascais, que contará com a presença de ilustres oradores como Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Mota Amaral, António Borges, António Capucho e Isaltino Morais.
Tudo porque, conforme adiantou há dias o presidente da secção de Cascais, Carlos Carreiras, a «incompetência pode causar tantos prejuízos numa autarquia como a corrupção».
São Laranjas, Senhor.
quinta-feira, 14 de abril de 2005
A Saga de Sacana Lopes XVI ou O Não-Tabu
Sim, lamento mas está de novo na hora de bater no nosso saco de pancada preferido.
Qual Nero de gel na cabeça, Santana toca lira enquanto a Câmara de Lisboa arde.
Os jornais dão conta de uma verdadeira purga que tem ocorrido nos últimos dias, com demissões de pessoas próximas de Carmona Rodrigues, muitas vezes apenas porque foram ou não foram a determinado jantar de apoio. Desde que Santana chegou à Câmara, com as suas já famosas assessoras, que o organismo era o seu feudo, movido ao sabor de interesses partidários e cunhas mais ou menos evidentes.
Mas agora, que Carmona parece ter finalmente perdido o medo, Santana perdeu a cabeça, ou a que ainda lhe restava por baixo do lenço colorido a la Berlusconi.
E agora o senhor também tem um tabu. Depois de passar a vida a imitar o Cabeçudo da Rotunda, o menino guerreiro imita agora o Cavaco, o adamastórico devorador de bolo-rei.
Santana também queria ter um tabu, e por isso disse agora que já tomou uma decisão quanto a uma eventual recandidatura à CML. Tomou a decisão, mas não a diz.
O que ele não percebe é que ele, de facto, não tem um tabu, tem é areia dentro da mona. Um tabu só o é enquanto alguém se interessar, o que de facto não acontece.
Obviamente ele não será candidato. Se o fosse, aí sim morreria politicamente para sempre, e Marques Mendes teria muito que explicar, já que Carmona Rodrigues é claramente o melhor candidato, ainda que vá perder.
Santana tem apenas uma hipótese: a de ir para longe, para bem longe, fazer com que as pessoas se esqueçam do desastre que foi desde que teve finalmente o poder.
E depois, quando quiser voltar, tem duas hipóteses: ou muda de estilo, perdendo a sua única força, ou volta quando o seu estilo estiver de novo na moda, o que felizmente vai demorar ainda muito tempo.
Neste momento, Santana está moribundo, mas parece estar a esforçar-se ao máximo para se enterrar de vez.
Ainda assim, pressinto que voltaremos a falar nele, porque A SAGA DE SACANA LOPES voltará!!!!
Sim, lamento mas está de novo na hora de bater no nosso saco de pancada preferido.
Qual Nero de gel na cabeça, Santana toca lira enquanto a Câmara de Lisboa arde.
Os jornais dão conta de uma verdadeira purga que tem ocorrido nos últimos dias, com demissões de pessoas próximas de Carmona Rodrigues, muitas vezes apenas porque foram ou não foram a determinado jantar de apoio. Desde que Santana chegou à Câmara, com as suas já famosas assessoras, que o organismo era o seu feudo, movido ao sabor de interesses partidários e cunhas mais ou menos evidentes.
Mas agora, que Carmona parece ter finalmente perdido o medo, Santana perdeu a cabeça, ou a que ainda lhe restava por baixo do lenço colorido a la Berlusconi.
E agora o senhor também tem um tabu. Depois de passar a vida a imitar o Cabeçudo da Rotunda, o menino guerreiro imita agora o Cavaco, o adamastórico devorador de bolo-rei.
Santana também queria ter um tabu, e por isso disse agora que já tomou uma decisão quanto a uma eventual recandidatura à CML. Tomou a decisão, mas não a diz.
O que ele não percebe é que ele, de facto, não tem um tabu, tem é areia dentro da mona. Um tabu só o é enquanto alguém se interessar, o que de facto não acontece.
Obviamente ele não será candidato. Se o fosse, aí sim morreria politicamente para sempre, e Marques Mendes teria muito que explicar, já que Carmona Rodrigues é claramente o melhor candidato, ainda que vá perder.
Santana tem apenas uma hipótese: a de ir para longe, para bem longe, fazer com que as pessoas se esqueçam do desastre que foi desde que teve finalmente o poder.
E depois, quando quiser voltar, tem duas hipóteses: ou muda de estilo, perdendo a sua única força, ou volta quando o seu estilo estiver de novo na moda, o que felizmente vai demorar ainda muito tempo.
Neste momento, Santana está moribundo, mas parece estar a esforçar-se ao máximo para se enterrar de vez.
Ainda assim, pressinto que voltaremos a falar nele, porque A SAGA DE SACANA LOPES voltará!!!!
Os parolos
A Casa da Música foi, finalmente, inaugurada!
Por favor, não se emocionem tanto. É certo que esta é uma obra indispensável num país rico e excedentário, que faz palpitar o coração de todos os portugueses à sua simples menção, mas tenhamos um pouco de calma.
A Casa, que por acaso até é bem gira, tinha abertura prevista em 2001, já que a sua construção teve como pretexto o Porto Capital da Cultura 2001. Passou a capital da cultura, passaram os anos, passaram os dirigentes, passaram os milhões e milhões que nós todos andámos a gastar com a brincadeira.
O custo inicial era impressionante: 40 milhões de euros. Agora, com as obras e as contas finalmente fechadas, ficou por uns míseros 100 milhões. 20 milhões de contos, coisa pouca.
Tudo isto é um escândalo.
E, afinal, tudo parece estar bem. Os parolos dos Media portugueses fazem telejornais em directo da Casa da Música, nos jornais não há outras manchetes (salvo a honrosa excepção do nosso caro 24 Horas), tudo afinal está bem porque é hora de festa.
Tudo isto só é possível por se passar na mui nobre cidade invicta, em que o caciquismo ainda faz lei e todos comem a sua parte. É assim em todo o país, só que lá é um pouco mais. Lisboa, os centralistas de Lisboa, têm um sentimento de superioridade ao contrário, ou seja, como estão sempre a ser atacados pelos tripeiros, sentem que têm de pedir desculpa por respirar e que nunca, mas nunca, têm o direito de criticar seja o que for.
Gostaria de saber onde estão agora as vozes nortenhas que se levantaram aquando do absurdo esbanjamento da Expo 98, em que mais uma vez ameaçaram pegar em lanças para acabar com o favorecimento da capital.
Mais uma sala de espectáculos é bom. Se é bonita e funcional, melhor. Mas alguém tem que ser responsabilizado por este e outros despesismos inadmissíveis.
E talvez seja finalmente a hora de repensar os luxos a que os incorrigíveis portugueses se continuam a dar, num país em que as pensões são de miséria e há cada vez mais gente a dormir na rua.
A Casa da Música foi, finalmente, inaugurada!
Por favor, não se emocionem tanto. É certo que esta é uma obra indispensável num país rico e excedentário, que faz palpitar o coração de todos os portugueses à sua simples menção, mas tenhamos um pouco de calma.
A Casa, que por acaso até é bem gira, tinha abertura prevista em 2001, já que a sua construção teve como pretexto o Porto Capital da Cultura 2001. Passou a capital da cultura, passaram os anos, passaram os dirigentes, passaram os milhões e milhões que nós todos andámos a gastar com a brincadeira.
O custo inicial era impressionante: 40 milhões de euros. Agora, com as obras e as contas finalmente fechadas, ficou por uns míseros 100 milhões. 20 milhões de contos, coisa pouca.
Tudo isto é um escândalo.
E, afinal, tudo parece estar bem. Os parolos dos Media portugueses fazem telejornais em directo da Casa da Música, nos jornais não há outras manchetes (salvo a honrosa excepção do nosso caro 24 Horas), tudo afinal está bem porque é hora de festa.
Tudo isto só é possível por se passar na mui nobre cidade invicta, em que o caciquismo ainda faz lei e todos comem a sua parte. É assim em todo o país, só que lá é um pouco mais. Lisboa, os centralistas de Lisboa, têm um sentimento de superioridade ao contrário, ou seja, como estão sempre a ser atacados pelos tripeiros, sentem que têm de pedir desculpa por respirar e que nunca, mas nunca, têm o direito de criticar seja o que for.
Gostaria de saber onde estão agora as vozes nortenhas que se levantaram aquando do absurdo esbanjamento da Expo 98, em que mais uma vez ameaçaram pegar em lanças para acabar com o favorecimento da capital.
Mais uma sala de espectáculos é bom. Se é bonita e funcional, melhor. Mas alguém tem que ser responsabilizado por este e outros despesismos inadmissíveis.
E talvez seja finalmente a hora de repensar os luxos a que os incorrigíveis portugueses se continuam a dar, num país em que as pensões são de miséria e há cada vez mais gente a dormir na rua.
terça-feira, 12 de abril de 2005
Escape
Mais de 150 mil veículos fogem todos os anos à inspecção.
Não se percebe o porquê de tanto melindre. Na última vez que reparei, não constava na rotina automóvel o exame à próstata.
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Mais de 150 mil veículos fogem todos os anos à inspecção.
Não se percebe o porquê de tanto melindre. Na última vez que reparei, não constava na rotina automóvel o exame à próstata.
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
O avental
A Maçonaria Portuguesa, esse bando de ricaços malfeitores, depositou hoje num banco um dossier com os nomes e dados de 3600 informadores e colaboradores da PIDE. Não é difícil perceber por que razão tal documento foi parar às mãos dos senhores, nem por que razão o chefe da pandilha, um tal de António Arnaut, diz que tudo fará para impedir a sua divulgação. Diz o senhor que muitos ex-agentes da PIDE estão ainda vivos, pelo que tudo deverá ficar no segredo dos deuses, em nome "da paz social".
Este país anda há muito tempo a brincar à paz social, coerente com a palhaçada da revolução sem sangue.
Sim, faltou sangue. E faltou que todos os filhos da puta que andaram a fazer broches ao Salazar e famílias amigas fossem desmascarados, e julgados a sério, ali numa praça de touros bem conhecida.
Foi por isso, pela falta de apuramento da verdade e consequente penalização dos culpados, que muitos deles, sobretudo os mais ricos e bem colocados, puderam voltar à ribalta, disfarçados, e se passeiem alegremente entre nós, continuando a sugar o sangue aos portugueses. Seja na banca, no Estado ou nalguns partidos, eles ainda andam aí.
E agora aparece este documento, bem guardadinho no banco, para não fazer ondas.
Pela verdade histórica e pela correcção, pelo menos em termos de opinião pública, da inércia do passado, todos nós temos o direito de saber, mas mais particularmente aqueles que sofreram às mãos da polícia do regime.
Mas não creio que ao PS convenha chatear a Maçonaria, portanto........
A Maçonaria Portuguesa, esse bando de ricaços malfeitores, depositou hoje num banco um dossier com os nomes e dados de 3600 informadores e colaboradores da PIDE. Não é difícil perceber por que razão tal documento foi parar às mãos dos senhores, nem por que razão o chefe da pandilha, um tal de António Arnaut, diz que tudo fará para impedir a sua divulgação. Diz o senhor que muitos ex-agentes da PIDE estão ainda vivos, pelo que tudo deverá ficar no segredo dos deuses, em nome "da paz social".
Este país anda há muito tempo a brincar à paz social, coerente com a palhaçada da revolução sem sangue.
Sim, faltou sangue. E faltou que todos os filhos da puta que andaram a fazer broches ao Salazar e famílias amigas fossem desmascarados, e julgados a sério, ali numa praça de touros bem conhecida.
Foi por isso, pela falta de apuramento da verdade e consequente penalização dos culpados, que muitos deles, sobretudo os mais ricos e bem colocados, puderam voltar à ribalta, disfarçados, e se passeiem alegremente entre nós, continuando a sugar o sangue aos portugueses. Seja na banca, no Estado ou nalguns partidos, eles ainda andam aí.
E agora aparece este documento, bem guardadinho no banco, para não fazer ondas.
Pela verdade histórica e pela correcção, pelo menos em termos de opinião pública, da inércia do passado, todos nós temos o direito de saber, mas mais particularmente aqueles que sofreram às mãos da polícia do regime.
Mas não creio que ao PS convenha chatear a Maçonaria, portanto........
domingo, 10 de abril de 2005
sexta-feira, 8 de abril de 2005
Laranja fora de prazo
Começa hoje o congresso do PSD, que promete ser tão animado com o um jogo do FC Porto. Duas figuras eternamente de segunda linha se degladiam, sabendo que serão líderes a prazo. Quem quer que ganhe, liderará o PSD na (espera-se longa) travessia do deserto, só para ser destronado por alguém mais forte, quando cheirar de novo a poder.
Na edição de hoje do DN, o jornal faz um inquérito aos dois candidatos, que parcialmente vou transcrever.
1: Mulher que aborta deve ser julgada?
Luis Marques Mendes: A lei do aborto que existe em Portugal é, no essencial, equilibrada.
Luis Filipe Menezes: Nunca.
2:Casamento entre homossexuais. A favor ou contra?
LMM: Contra.
LFM: Sou a favor da igualdade de direitos, em eventuais uniões de facto.
3: Já experimentou drogas?
LMM: Não.
LFM: Nunca.
(e depois queixam-se que o eleitorado não se identifica com os políticos.......)
4: Um homem também chora?
LMM: Também.
LFM: As lágrimas são um fluido natural e lubrificador. Só por doença alguns não as têm. Mas esses podem vir a sofrer de úlcera da córnea.
?!?!?!?!?!?!!?!?!?!!?!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!????????????!!!!!!!!!
Começa hoje o congresso do PSD, que promete ser tão animado com o um jogo do FC Porto. Duas figuras eternamente de segunda linha se degladiam, sabendo que serão líderes a prazo. Quem quer que ganhe, liderará o PSD na (espera-se longa) travessia do deserto, só para ser destronado por alguém mais forte, quando cheirar de novo a poder.
Na edição de hoje do DN, o jornal faz um inquérito aos dois candidatos, que parcialmente vou transcrever.
1: Mulher que aborta deve ser julgada?
Luis Marques Mendes: A lei do aborto que existe em Portugal é, no essencial, equilibrada.
Luis Filipe Menezes: Nunca.
2:Casamento entre homossexuais. A favor ou contra?
LMM: Contra.
LFM: Sou a favor da igualdade de direitos, em eventuais uniões de facto.
3: Já experimentou drogas?
LMM: Não.
LFM: Nunca.
(e depois queixam-se que o eleitorado não se identifica com os políticos.......)
4: Um homem também chora?
LMM: Também.
LFM: As lágrimas são um fluido natural e lubrificador. Só por doença alguns não as têm. Mas esses podem vir a sofrer de úlcera da córnea.
?!?!?!?!?!?!!?!?!?!!?!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!????????????!!!!!!!!!
segunda-feira, 4 de abril de 2005
Nã dá pá
Duas postas abaixo, o meu caro co-blogger Idle Consultant avançou com a hipótese de Santana Lopes se candidatar para Papa.
Infelizmente há questões de incompatibilidade que não lhe permitem chegar ao cargo. É que o homem já é um cristo.
P.S.: Triste vida a nossa, que à força da lei da rolha do Sócrates temos que reciclar o Santana e de quando em vez o Mexia para dar porrada. Tal tá a moenga hãn.
Duas postas abaixo, o meu caro co-blogger Idle Consultant avançou com a hipótese de Santana Lopes se candidatar para Papa.
Infelizmente há questões de incompatibilidade que não lhe permitem chegar ao cargo. É que o homem já é um cristo.
P.S.: Triste vida a nossa, que à força da lei da rolha do Sócrates temos que reciclar o Santana e de quando em vez o Mexia para dar porrada. Tal tá a moenga hãn.
sexta-feira, 1 de abril de 2005
quarta-feira, 30 de março de 2005
Weekend tropical
O Santiago Alquimista promete-nos duas noites de boa onda, sexta e sábado.
Na sexta, é o concerto dos promissores Los Cubos, e na noite seguinte os sempre saudosos (das colónias e não só) Irmãos Catita.
Los Cubos:
Apesar de se chamarem LOS CUBOS, de tocarem «ritmos calientes», e de serem citados pelo Habanero, rejeitam o rótulo de "banda de salsa" pela simples razão de fazerem uma música mais abrangente que os seus camaradas cubanos – chegando mesmo a infiltrar-se na onda Nuyorica, com um cheiro misto de Ipanema e de arraial minhoto!
Não esquecer que a maior parte dos alfacinhas não sabe o que é um arraial minhoto, muito menos Salsa – sobretudo depois dessa explosão aberrante que dá pelo nome de latin mix. De Ipanema conhecem vagamente uma garota de sovacos perfumados, e nunca ouviram os nomes August Darnell ou Funkapolitan, chegando mesmo a pensar que Nuyorica é um jogo japonês sucessor do Tamagoshi.
Enfim: eis LOS CUBOS envoltos no ambiente de mistério que gera todos os mitos e apaixona multidões. Pela descrição da Polícia Judiciária, estamos perante perigosos agitadores de plateias, que finalmente vão ser apanhados em flagrante por quem se queira divertir à grande e goste de música verdadeiramente nova.
A judite aconselha os interessados a comparecer no Teatro Santiago Alquimista no dia 1 Abril, com roupas de festa, próprias para dançar ritmos calientes! Viva a folia!
Quanto aos Catitas, não é preciso dizer nada. A não ser que moi-même faz anos no Sábado e poderá ser encontrado no Alquimista, a partir da meia noite, bebendo uma piña colada e equilibrando um abacaxi na testa.
O Santiago Alquimista promete-nos duas noites de boa onda, sexta e sábado.
Na sexta, é o concerto dos promissores Los Cubos, e na noite seguinte os sempre saudosos (das colónias e não só) Irmãos Catita.
Los Cubos:
Apesar de se chamarem LOS CUBOS, de tocarem «ritmos calientes», e de serem citados pelo Habanero, rejeitam o rótulo de "banda de salsa" pela simples razão de fazerem uma música mais abrangente que os seus camaradas cubanos – chegando mesmo a infiltrar-se na onda Nuyorica, com um cheiro misto de Ipanema e de arraial minhoto!
Não esquecer que a maior parte dos alfacinhas não sabe o que é um arraial minhoto, muito menos Salsa – sobretudo depois dessa explosão aberrante que dá pelo nome de latin mix. De Ipanema conhecem vagamente uma garota de sovacos perfumados, e nunca ouviram os nomes August Darnell ou Funkapolitan, chegando mesmo a pensar que Nuyorica é um jogo japonês sucessor do Tamagoshi.
Enfim: eis LOS CUBOS envoltos no ambiente de mistério que gera todos os mitos e apaixona multidões. Pela descrição da Polícia Judiciária, estamos perante perigosos agitadores de plateias, que finalmente vão ser apanhados em flagrante por quem se queira divertir à grande e goste de música verdadeiramente nova.
A judite aconselha os interessados a comparecer no Teatro Santiago Alquimista no dia 1 Abril, com roupas de festa, próprias para dançar ritmos calientes! Viva a folia!
Quanto aos Catitas, não é preciso dizer nada. A não ser que moi-même faz anos no Sábado e poderá ser encontrado no Alquimista, a partir da meia noite, bebendo uma piña colada e equilibrando um abacaxi na testa.
E gosto das holandesas.......
Eu gosto da Europa. Gosto de viajar na Europa, da comodidade dos euros, de não ser preciso um papel especial para andar de um lado para o outro.
Mas não sei se gosto da Constituição Europeia. Não sou contra nem a favor, apenas não sei de que raio de trata.
Isto a propósito dos referendos que, por essa Europa fora, se vão fazer a partir de agora.
A França, esse eixo central do velho continente, está a braços com um problema muito simples: nas sondagens, o Não lidera, e cada semana que passa ganha terreno. Os analistas explicam que esse Não nem sequer tem muito a ver com a Europa, mas sim com problemas internos, nomeadamente económicos, pelo que as pessoas usam o Não como sinal de protesto contra os políticos.
Estão no seu direito, como é óbvio. Mas agora coloca-se uma questão: que fazer, se a França disser que não?
A Constituição fará sentido sem um dos seus principais impulsionadores? Por que razão devem os portugueses, ou os espanhóis, ou quaisquer outros, vincular-se a um documento que não obrigará em nada um dos principais países da União Europeia?
Pois é. A questão, afinal, é mais complicada. E vai mais longe.
Por que carga de água nos vêm perguntar isto agora, se nunca o fizeram antes em relação a seja o que for que tenha a ver com a Europa?
O Não é uma tentação. É a tentação de dizer "vou lá meter a cruzinha no Não e ver como os gajos se desembrulham agora". Eu próprio me sinto tentado, embora admitindo que não me sinto nada informado.
O problema é que os senhores que mandam fazem estes referendos apenas como uma formalidade. Se fossem mais que isso, não haveria problema algum em que a França dissesse que não, porque haveria um plano B. Mas os senhores que mandam, em Bruxelas e em cada um dos países, nunca pensaram em semelhante coisa, preferindo ao debate sério fazer referendos para dar à coisa uma aparência de desígnio popular, que não é e muito dificilmente virá a ser.
Não gosto que tratem os meus concidadãos, portugueses e europeus, como idiotas, yes-men para o que os políticos bem entendem. Não admito que, depois de décadas a tomarem decisões por mim, finjam que me dão uma oportunidade para decidir seja o que for, porque é mentira.
Fico à espera que me esclareçam, porque entretanto o Não folclórico e hipotético me parece cada vez mais tentador.
Eu gosto da Europa. Gosto de viajar na Europa, da comodidade dos euros, de não ser preciso um papel especial para andar de um lado para o outro.
Mas não sei se gosto da Constituição Europeia. Não sou contra nem a favor, apenas não sei de que raio de trata.
Isto a propósito dos referendos que, por essa Europa fora, se vão fazer a partir de agora.
A França, esse eixo central do velho continente, está a braços com um problema muito simples: nas sondagens, o Não lidera, e cada semana que passa ganha terreno. Os analistas explicam que esse Não nem sequer tem muito a ver com a Europa, mas sim com problemas internos, nomeadamente económicos, pelo que as pessoas usam o Não como sinal de protesto contra os políticos.
Estão no seu direito, como é óbvio. Mas agora coloca-se uma questão: que fazer, se a França disser que não?
A Constituição fará sentido sem um dos seus principais impulsionadores? Por que razão devem os portugueses, ou os espanhóis, ou quaisquer outros, vincular-se a um documento que não obrigará em nada um dos principais países da União Europeia?
Pois é. A questão, afinal, é mais complicada. E vai mais longe.
Por que carga de água nos vêm perguntar isto agora, se nunca o fizeram antes em relação a seja o que for que tenha a ver com a Europa?
O Não é uma tentação. É a tentação de dizer "vou lá meter a cruzinha no Não e ver como os gajos se desembrulham agora". Eu próprio me sinto tentado, embora admitindo que não me sinto nada informado.
O problema é que os senhores que mandam fazem estes referendos apenas como uma formalidade. Se fossem mais que isso, não haveria problema algum em que a França dissesse que não, porque haveria um plano B. Mas os senhores que mandam, em Bruxelas e em cada um dos países, nunca pensaram em semelhante coisa, preferindo ao debate sério fazer referendos para dar à coisa uma aparência de desígnio popular, que não é e muito dificilmente virá a ser.
Não gosto que tratem os meus concidadãos, portugueses e europeus, como idiotas, yes-men para o que os políticos bem entendem. Não admito que, depois de décadas a tomarem decisões por mim, finjam que me dão uma oportunidade para decidir seja o que for, porque é mentira.
Fico à espera que me esclareçam, porque entretanto o Não folclórico e hipotético me parece cada vez mais tentador.
terça-feira, 29 de março de 2005
Coitadinho, ninguém lhe mexia!.........
Falemos agora do nosso amigo Pedro Mexia. Na sua crónica no DN, o intelectual versou sobre o tratamento cinematográfico dado ao sexo explícito, chegando à conclusão de que "ninguém sabe filmar o acto sexual".
Mas, mais importante que tudo isto, está na confissão que encima a sua crónica, em que o intelectual Mexia dá algumas pistas sobre o que o tornou assim.
"Aos dezasseis ou dezassete anos vi pela primeira vez sexo explícito no cinema (em situação etariamente irregular). Foi no Fórum Picoas, e logo com o célebre Império dos Sentidos".
Que maroto, o Mexia! A ver o Império dos Sentidos! Em situação etariamente irregular! Ganda maluco!
Ó meu caro Mexia!
Homem que é homem aos 16 anos já consumiu metade do conteúdo de uma sex-shop de tamanho médio, já papou qualquer coisita e, sobretudo, não perde tempo a ver merdas como o Império dos Sentidos!
Tivesse vossemecê deleitado os olhos no "Banana e Chocolate", esse clássico de Ilona Staler, dita Cicciolina, e talvez agora conseguisse mijar de pé.
Assim, nada a fazer. Lamento.
Falemos agora do nosso amigo Pedro Mexia. Na sua crónica no DN, o intelectual versou sobre o tratamento cinematográfico dado ao sexo explícito, chegando à conclusão de que "ninguém sabe filmar o acto sexual".
Mas, mais importante que tudo isto, está na confissão que encima a sua crónica, em que o intelectual Mexia dá algumas pistas sobre o que o tornou assim.
"Aos dezasseis ou dezassete anos vi pela primeira vez sexo explícito no cinema (em situação etariamente irregular). Foi no Fórum Picoas, e logo com o célebre Império dos Sentidos".
Que maroto, o Mexia! A ver o Império dos Sentidos! Em situação etariamente irregular! Ganda maluco!
Ó meu caro Mexia!
Homem que é homem aos 16 anos já consumiu metade do conteúdo de uma sex-shop de tamanho médio, já papou qualquer coisita e, sobretudo, não perde tempo a ver merdas como o Império dos Sentidos!
Tivesse vossemecê deleitado os olhos no "Banana e Chocolate", esse clássico de Ilona Staler, dita Cicciolina, e talvez agora conseguisse mijar de pé.
Assim, nada a fazer. Lamento.
LX Soundsystem
Ontem à noite tive o privilégio de assistir, à borlix, a um óptimo concerto na Aula Magna, oferecido pela CM de Lisboa.
A primeira parte coube aos Hipnotica, que estão agora mais jazzy do que há uns anos, e bem melhores, diga-se. Recomendo o último álbum, Reconciliation. Boa surpresa, ideal para uma noite de conversa e cigarros.
Depois vieram os Clã. E pronto, os Clã não sabem dar um mau concerto. Casa cheia, bom ambiente, grande garra. Numa altura em que o fruto da época são Toranjas e Britneys, um concerto dos Clã é um luxo.
Um único reparo: concerto em que não se pode beber nem fumar lá dentro?!......
Ficou a música, e a boa iniciativa da Câmara Municipal, que nos deu a semana passada concertos gratuitos de Pluto e Ena Pá.
Ontem à noite tive o privilégio de assistir, à borlix, a um óptimo concerto na Aula Magna, oferecido pela CM de Lisboa.
A primeira parte coube aos Hipnotica, que estão agora mais jazzy do que há uns anos, e bem melhores, diga-se. Recomendo o último álbum, Reconciliation. Boa surpresa, ideal para uma noite de conversa e cigarros.
Depois vieram os Clã. E pronto, os Clã não sabem dar um mau concerto. Casa cheia, bom ambiente, grande garra. Numa altura em que o fruto da época são Toranjas e Britneys, um concerto dos Clã é um luxo.
Um único reparo: concerto em que não se pode beber nem fumar lá dentro?!......
Ficou a música, e a boa iniciativa da Câmara Municipal, que nos deu a semana passada concertos gratuitos de Pluto e Ena Pá.
Journal Of An Idle Consultant
VI. Homem-Morcego
Sexta-feira, são quase sete da tarde é hora de despir o fato de macaco de idle consultant e de regressar ao meu covil secreto e vestir a farda de Homem-Morcego, pois duas noites de combate a uma semana de trabalho assim o exigem.
Nove menos dez, ainda fiz pouco mais de metade do caminho de regresso a casa. A culpa é de um choque em cadeia com seis viaturas na auto-estrada, com direito a capotamento e uma viatura totalmente carbonizada. Segundo a rádio, dois ou três feridos em estado considerado muito grave e um morto. Entraram com o pé errado no fim-de-semana.
Dez na noite, só tenho tempo para mudar de roupa, lavar a tromba, besuntar os sovacos com desodorizante e apanhar o primeiro táxi rumo à tasca aonde costumamos encontrar-nos todas as sextas-feiras para jantar e fazer uma corrida alcoólica contra o tempo, afinal a próxima segunda-feira é já ali ao virar da esquina.
A ementa de sexta-feira é invariavelmente a mesma imperiais, tremoços, mais imperiais, bitoques e outras iguarias similares, mais algumas imperiais, contar anedotas porcas, falar mal dos patrões, clientes, vizinhos e amigos ausentes - "mais quatro imperiais, se faz favor " - sobremesas, cafés, digestivos e cigarrinhos, eventualmente mais uma ou outra imperial e a continha.
É quase meia-noite e o nosso grupo desloca-se para o nosso próximo poiso habitual, uma tasca com um quarto do tamanho da primeira, aonde a cerveja em garrafa e os tremoços imperam. A noite avança e já entramos no sábado. "Quem é que quer mais uma Super?" Creditamos álcool no nosso fígado à mesma velocidade estonteante com que debitamos asneiradas e conversas mais ou menos sérias sobre artes, politica, eutanásia, futebol e outros assuntos correntes.
"Alguém que faça o filtro."
Quase duas da manhã, o comboio já vai em velocidade excessiva e não há travão de emergência que o pare. A quantidade de asneiras por segundo supera já em seis vezes o máximo recomendado pela Comunidade Europeia.
"É pá... Granda cú!"
"Faz lá isso." - Bilhetes para o carrossel da selva para todos. Mais rápido, mais alto, mais... Uíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn!!!
Três da manhã a tasca já está fechada e a procissão há muito que saiu do adro, nós ficamos para trás. O grupo começa a dispersar-se, uns com a desculpa do sono, de que a semana foi cansativa, outros nem por isso.
Os ébrios que resistem vão para o Buraco. O Buraco é um daqueles sítios que mais se parece com a casa da nossa avó pelas festas do Natal, cheia de parentes afastados e mais ou menos conhecidos, a quem se atiram camarões cozidos à testa, depois do bacalhau com grão e de umas garrafas de tinto, antes de se abrir os presentes. Só que com boa música.
Excepto às vezes, quando a música é depositada nos pratos à pázada com a delicadeza do coveiro da junta de freguesia, e o ambiente parece o da festa da mangueira do regimento de sapadores bombeiros. Andam todos ao mesmo. Andamos todos.
Há que passar às medidas extremas, vodkas com qualquer coisa e shots de outra coisa qualquer. O álcool e a música provocam estranhos movimentos na mais variadas partes dos nossos corpos, há quem chame a isso dançar, outros a doença de Parkinson.Cinco da manhã o DJ mata a festa. Debandada geral.
Está na hora de ir para o recato do lar, ou o que não mata engorda e vamos dar um pulinho "à da disco". É só um pulinho, daqui para acolá, a discoteca está ao rubro e a abarrotar. Pé na boca. Está quase tão difícil arranjar uma bebida como pão para a boca na Etiópia, os movimentos de Parkinson acentuam-se e os olhos estão embaciados pelo álcool, fumo, barulho das luzes, e não há gaja por muito mais fashion que esteja com o seu top reduzido e barriguinha lisa que os desembacie.
Sete e tal da manhã, acho eu. O sol já vai alto.
Chamem o INEM.
VI. Homem-Morcego
Sexta-feira, são quase sete da tarde é hora de despir o fato de macaco de idle consultant e de regressar ao meu covil secreto e vestir a farda de Homem-Morcego, pois duas noites de combate a uma semana de trabalho assim o exigem.
Nove menos dez, ainda fiz pouco mais de metade do caminho de regresso a casa. A culpa é de um choque em cadeia com seis viaturas na auto-estrada, com direito a capotamento e uma viatura totalmente carbonizada. Segundo a rádio, dois ou três feridos em estado considerado muito grave e um morto. Entraram com o pé errado no fim-de-semana.
Dez na noite, só tenho tempo para mudar de roupa, lavar a tromba, besuntar os sovacos com desodorizante e apanhar o primeiro táxi rumo à tasca aonde costumamos encontrar-nos todas as sextas-feiras para jantar e fazer uma corrida alcoólica contra o tempo, afinal a próxima segunda-feira é já ali ao virar da esquina.
A ementa de sexta-feira é invariavelmente a mesma imperiais, tremoços, mais imperiais, bitoques e outras iguarias similares, mais algumas imperiais, contar anedotas porcas, falar mal dos patrões, clientes, vizinhos e amigos ausentes - "mais quatro imperiais, se faz favor " - sobremesas, cafés, digestivos e cigarrinhos, eventualmente mais uma ou outra imperial e a continha.
É quase meia-noite e o nosso grupo desloca-se para o nosso próximo poiso habitual, uma tasca com um quarto do tamanho da primeira, aonde a cerveja em garrafa e os tremoços imperam. A noite avança e já entramos no sábado. "Quem é que quer mais uma Super?" Creditamos álcool no nosso fígado à mesma velocidade estonteante com que debitamos asneiradas e conversas mais ou menos sérias sobre artes, politica, eutanásia, futebol e outros assuntos correntes.
"Alguém que faça o filtro."
Quase duas da manhã, o comboio já vai em velocidade excessiva e não há travão de emergência que o pare. A quantidade de asneiras por segundo supera já em seis vezes o máximo recomendado pela Comunidade Europeia.
"É pá... Granda cú!"
"Faz lá isso." - Bilhetes para o carrossel da selva para todos. Mais rápido, mais alto, mais... Uíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn!!!
Três da manhã a tasca já está fechada e a procissão há muito que saiu do adro, nós ficamos para trás. O grupo começa a dispersar-se, uns com a desculpa do sono, de que a semana foi cansativa, outros nem por isso.
Os ébrios que resistem vão para o Buraco. O Buraco é um daqueles sítios que mais se parece com a casa da nossa avó pelas festas do Natal, cheia de parentes afastados e mais ou menos conhecidos, a quem se atiram camarões cozidos à testa, depois do bacalhau com grão e de umas garrafas de tinto, antes de se abrir os presentes. Só que com boa música.
Excepto às vezes, quando a música é depositada nos pratos à pázada com a delicadeza do coveiro da junta de freguesia, e o ambiente parece o da festa da mangueira do regimento de sapadores bombeiros. Andam todos ao mesmo. Andamos todos.
Há que passar às medidas extremas, vodkas com qualquer coisa e shots de outra coisa qualquer. O álcool e a música provocam estranhos movimentos na mais variadas partes dos nossos corpos, há quem chame a isso dançar, outros a doença de Parkinson.Cinco da manhã o DJ mata a festa. Debandada geral.
Está na hora de ir para o recato do lar, ou o que não mata engorda e vamos dar um pulinho "à da disco". É só um pulinho, daqui para acolá, a discoteca está ao rubro e a abarrotar. Pé na boca. Está quase tão difícil arranjar uma bebida como pão para a boca na Etiópia, os movimentos de Parkinson acentuam-se e os olhos estão embaciados pelo álcool, fumo, barulho das luzes, e não há gaja por muito mais fashion que esteja com o seu top reduzido e barriguinha lisa que os desembacie.
Sete e tal da manhã, acho eu. O sol já vai alto.
Chamem o INEM.
segunda-feira, 28 de março de 2005
Assim a malta deixa de ir à bola
“Reconhecido poliglota, o Santo Padre costuma desejar Feliz Páscoa de Ressurreição em mais de meia centena de idiomas, o que não conseguiu fazer este ano, apesar de o ter tentado, com o cardeal Angel Sodano a substitui-lo nessa tarefa”.
Ao menos, devolvam o preço dos bilhetes.
ps: Poupando-me de pesos na consciência e de ímpetos justiceiros de algum dos meus (grandes) amigos católicos, direi que a forma como este assunto tem sido tratado pela comunicação social me choca um pouco. Por quatro razões:
- A primeira, pelo destaque que lhe é dado;
- A segunda, pelo modo selvagem como é acompanhado, sempre na expectativa canina de ver se o Papa “está apto para Domingo” como se de um futebolista se tratasse;
- A terceira, por legitimar toda a legião de descrentes ou, mesmo, de católicos não praticantes a opinar através de veredictos esclarecidos como “Ah, o Papa devia era renunciar” ou “O homem tá é agarrado ao poder”, escorregando inevitavelmente a conversa de café até outras sentenças eclesiásticas como a já clássica “A igreja tem é que mudar. Os padres deviam poder casar e as mulheres também ser ordenadas ”;
- A quarta, já não me lembro. (ó Deus, faz de mim um intelectual!)
“Reconhecido poliglota, o Santo Padre costuma desejar Feliz Páscoa de Ressurreição em mais de meia centena de idiomas, o que não conseguiu fazer este ano, apesar de o ter tentado, com o cardeal Angel Sodano a substitui-lo nessa tarefa”.
Ao menos, devolvam o preço dos bilhetes.
ps: Poupando-me de pesos na consciência e de ímpetos justiceiros de algum dos meus (grandes) amigos católicos, direi que a forma como este assunto tem sido tratado pela comunicação social me choca um pouco. Por quatro razões:
- A primeira, pelo destaque que lhe é dado;
- A segunda, pelo modo selvagem como é acompanhado, sempre na expectativa canina de ver se o Papa “está apto para Domingo” como se de um futebolista se tratasse;
- A terceira, por legitimar toda a legião de descrentes ou, mesmo, de católicos não praticantes a opinar através de veredictos esclarecidos como “Ah, o Papa devia era renunciar” ou “O homem tá é agarrado ao poder”, escorregando inevitavelmente a conversa de café até outras sentenças eclesiásticas como a já clássica “A igreja tem é que mudar. Os padres deviam poder casar e as mulheres também ser ordenadas ”;
- A quarta, já não me lembro. (ó Deus, faz de mim um intelectual!)
quinta-feira, 24 de março de 2005
Sugestão para o fim de semana pascal
De partida para o prolongado fim de semana, deixo aqui como sugestão o blog de um bom amigo bastardiano.
Enjoy.
www.pomboincontinente.blogspot.com
De partida para o prolongado fim de semana, deixo aqui como sugestão o blog de um bom amigo bastardiano.
Enjoy.
www.pomboincontinente.blogspot.com
quarta-feira, 23 de março de 2005
Os Primeiros Danos
Com a vitória do PS nas legislativas morre um dos meus blogs favoritos: O País Relativo.
Há, como argumentam no derradeiro post, o cansaço inerente à manutenção de um blog à séria, mas haveria, também, a partir de agora, que perder muito do sentido crítico face ao actual governo que apoiam.
Morre de pé.
Com a vitória do PS nas legislativas morre um dos meus blogs favoritos: O País Relativo.
Há, como argumentam no derradeiro post, o cansaço inerente à manutenção de um blog à séria, mas haveria, também, a partir de agora, que perder muito do sentido crítico face ao actual governo que apoiam.
Morre de pé.
segunda-feira, 21 de março de 2005
Journal Of An Idle Consultant
V. Idle Consultants flutuam a 11.000 pés de altitude
Uma casca de limão está afogada num martini rosso prostrado à minha frente. Nove e um quarto, invariavelmente estão todos atrasados. "Ainda bem que marquei o jantar para as oito e meia." Um a um, a sós ou acompanhados pelas suas namoradas, esposas ou engates de curta duração, os meus colegas idle consultants vão chegando para o jantar de comemoração da partida de um colega para uma temporada de consultoria nas américas.
Raramente nos encontramos fora local de trabalho, excepto em ocasiões especiais como esta ou em escassos casamentos e alguns funerais. Quase sempre um idle consultant morre antes dos trinta e cinco anos, nunca de morte natural, a maior parte das vezes devido a acidente de viação, outras vezes por consumo excessivo de anti-depressivos, estupefacientes, doenças infecto-contagiosas, práticas sado-masoquistas ou eventualmente suicídio.
Um quarto para as dez, já cá estamos todos... os dezasseis.
Por entre martinis, caipirinhas, imperiais, um vodka martini "shaken not stirred", queijinhos de cabra e estaladiças tostas barradas com manteiga de alho, eles vão discutindo sobre as suas magníficas viaturas turbo diesel alemãs e sobre qual o melhor atalho para se deslocarem daqui para acolá, de ali para além e vice-versa, enquanto elas palram acerca dos filhos que querem vir a ter, de lojas, da última moda e outras coisas imperceptíveis que se confundem com o barulho que está no restaurante.
Peço um bitoque. Um bitoque não engana. Um bitoque é sempre um bitoque em qualquer restaurante, tasca ou casa deste país. É como um velho conhecido que nunca nos desilude, que nos acompanha num copo ao balcão de um qualquer bar quando estamos sós e com o qual debatemos sobre a importância do fio dental no rabo desta ou daquela gaja.
Sinto o meu espirito abandonar o meu corpo e elevar-se até ao nível das luzes fluorescentes do tecto. Qual super-herói de banda desenhada que observa o corrupio dos vultos nas ruas, do terraço de um edifício gótico numa noite de lua cheia, observo os acontecimentos à mesa. O meu corpo apático, essa cápsula carnal momentaneamente desprovida de qualquer vida interior, reage às estórias e piadas que contam, ora com esgares de sorriso, ora com sonoras gargalhadas. Tudo automatizado e com um timming tão perfeito que até pareço participar no jantar.
Observo-me degustar o bitoque em largas garfadas enquanto sorvo longos goles do tinto da casa. Começo a ficar ébrio, as faces rubrorizam-se, da minha boca começam a saltar para a mesa piadas fáceis e por vezes ordinárias. Ninguém fica chocado. Os gajos também estão embriagados cada um tentando ser mais engraçadinho do que o outro, as gajas encontram-se refugiadas na sua fortaleza de futilidades. Nada as pode atingir. Tenho calor, não sei se é provocado pelo tinto da casa ou pela proximidade das luzes fluorescentes do tecto. Talvez ambas.
Mais um copo de tinto. Seis copos de tinto depois, perdigotos da minha boca voam atingindo os mais próximos.
O empregado deposita um café à minha frente. Abençoado sejas. Bebo o café de um só trago, com um choque de realidade o meu espirito é atirado abruptamente de encontro ao meu corpo. Estou meio tonto. Pago a minha parte da conta, guardo o maço de tabaco, telemóvel, a carteira e levanto-me. As pernas pouca ou nenhuma força têm.
Despedimo-nos uns dos outros fazendo votos que este encontro se repita brevemente. Faço figas.
Chamo um taxi e debito ao taxista o que se assemelha a uma morada... a minha morada espero eu. Entre uma espécie de dois dedos de conversa com o taxista, percorremos a cidade. Chego a casa. São e salvo. Pelo menos por esta vez.
V. Idle Consultants flutuam a 11.000 pés de altitude
Uma casca de limão está afogada num martini rosso prostrado à minha frente. Nove e um quarto, invariavelmente estão todos atrasados. "Ainda bem que marquei o jantar para as oito e meia." Um a um, a sós ou acompanhados pelas suas namoradas, esposas ou engates de curta duração, os meus colegas idle consultants vão chegando para o jantar de comemoração da partida de um colega para uma temporada de consultoria nas américas.
Raramente nos encontramos fora local de trabalho, excepto em ocasiões especiais como esta ou em escassos casamentos e alguns funerais. Quase sempre um idle consultant morre antes dos trinta e cinco anos, nunca de morte natural, a maior parte das vezes devido a acidente de viação, outras vezes por consumo excessivo de anti-depressivos, estupefacientes, doenças infecto-contagiosas, práticas sado-masoquistas ou eventualmente suicídio.
Um quarto para as dez, já cá estamos todos... os dezasseis.
Por entre martinis, caipirinhas, imperiais, um vodka martini "shaken not stirred", queijinhos de cabra e estaladiças tostas barradas com manteiga de alho, eles vão discutindo sobre as suas magníficas viaturas turbo diesel alemãs e sobre qual o melhor atalho para se deslocarem daqui para acolá, de ali para além e vice-versa, enquanto elas palram acerca dos filhos que querem vir a ter, de lojas, da última moda e outras coisas imperceptíveis que se confundem com o barulho que está no restaurante.
Peço um bitoque. Um bitoque não engana. Um bitoque é sempre um bitoque em qualquer restaurante, tasca ou casa deste país. É como um velho conhecido que nunca nos desilude, que nos acompanha num copo ao balcão de um qualquer bar quando estamos sós e com o qual debatemos sobre a importância do fio dental no rabo desta ou daquela gaja.
Sinto o meu espirito abandonar o meu corpo e elevar-se até ao nível das luzes fluorescentes do tecto. Qual super-herói de banda desenhada que observa o corrupio dos vultos nas ruas, do terraço de um edifício gótico numa noite de lua cheia, observo os acontecimentos à mesa. O meu corpo apático, essa cápsula carnal momentaneamente desprovida de qualquer vida interior, reage às estórias e piadas que contam, ora com esgares de sorriso, ora com sonoras gargalhadas. Tudo automatizado e com um timming tão perfeito que até pareço participar no jantar.
Observo-me degustar o bitoque em largas garfadas enquanto sorvo longos goles do tinto da casa. Começo a ficar ébrio, as faces rubrorizam-se, da minha boca começam a saltar para a mesa piadas fáceis e por vezes ordinárias. Ninguém fica chocado. Os gajos também estão embriagados cada um tentando ser mais engraçadinho do que o outro, as gajas encontram-se refugiadas na sua fortaleza de futilidades. Nada as pode atingir. Tenho calor, não sei se é provocado pelo tinto da casa ou pela proximidade das luzes fluorescentes do tecto. Talvez ambas.
Mais um copo de tinto. Seis copos de tinto depois, perdigotos da minha boca voam atingindo os mais próximos.
O empregado deposita um café à minha frente. Abençoado sejas. Bebo o café de um só trago, com um choque de realidade o meu espirito é atirado abruptamente de encontro ao meu corpo. Estou meio tonto. Pago a minha parte da conta, guardo o maço de tabaco, telemóvel, a carteira e levanto-me. As pernas pouca ou nenhuma força têm.
Despedimo-nos uns dos outros fazendo votos que este encontro se repita brevemente. Faço figas.
Chamo um taxi e debito ao taxista o que se assemelha a uma morada... a minha morada espero eu. Entre uma espécie de dois dedos de conversa com o taxista, percorremos a cidade. Chego a casa. São e salvo. Pelo menos por esta vez.
sexta-feira, 18 de março de 2005
Duelo ao sol
Segundo o NY Times, Bono Vox era um dos candidatos preferidos a ser o próximo líder do Banco Mundial. Isto é um completo disparate, mas para o remediar o tântrico Sting já ameaçou a edição de dois novos discos por ano, caso não seja ele o escolhido.
Sting, tou contigo. Tudo menos mais música de merda (isto também serve para ti, ó Bono).
Segundo o NY Times, Bono Vox era um dos candidatos preferidos a ser o próximo líder do Banco Mundial. Isto é um completo disparate, mas para o remediar o tântrico Sting já ameaçou a edição de dois novos discos por ano, caso não seja ele o escolhido.
Sting, tou contigo. Tudo menos mais música de merda (isto também serve para ti, ó Bono).
Journal Of An Idle Consultant
IV. Terapia
Um rasgo de felicidade enche-me as faces. Uma maravilha! vou-me repetindo até à exaustão, no interior do utilitário citadino com o aquecimento avariado.
Eis duas das vantagens de se trabalhar nos subúrbios:
- Uma: viaja-se sempre em sentido contrário ao do trânsito;
- Duas: não somos supostamente tão infelizes como os outros.
Uma maravilha! Só tem o que merecem! Repito-me até sentir uma certa náusea. Confesso gostar desta certa má disposição que sinto no estômago. A infelicidade dos outros pode ser por vezes cá um bálsamo. Já é Outono, a negra noite desce sobre nós cada vez mais cedo. Não háque enganar... os médios acesos das viaturas e os rostos apáticos dos seus condutores no regresso aos seus palacetes suburbanos adquiridos a trinta anos, definitivamente não enganam. Pelo menos assim tão de repente não enganam. Poucas coisas me devem fazer sentir melhor do que imaginar que as desgraças dos outros são piores que as nossas.
Gosto de ir ao final do dia a supermercados nos bairros bem da cidade. Duas a três vezes por semana cruzo a cidade rasgando o escuro manto outonal que a cobre. Escolho um supermercado de uma qualquer cadeia de um grande grupo económico. Entro. A iluminação branca fluorescente reflectida no chão de mosaico branco, nas paredes e expositores cremes, adquire um estranho tom acolhedor, quase uterino , uma espécie de deitar no divã do psiquiatra. A introspecção é obrigatória. Lentamente, como que ausente, percorro os corredores do supermercado. Soja, seitã, tofú. Alimentação para pseudo-iluminados Zen. Mais valia comerem cartão, sempre deve ser mais saboroso!. Picanha, peitos de peru, costeletas, orelha de porco. Sinto que alguma saliva se vai formando debaixo da minha língua. Corredor dos lacticínios. Leite gordo. Meio gordo. Magro. O relaxamento é total. movo-me tão lentamente que pareço estar a deslocar-me para trás.
Passo por uma família bem. Pai: perto dos quarenta, cabelo escuro puxado para trás à força de três camadas matinais de gel, a perder cabelo velozmente, casaco azul escuro com botões dourados e brasão ao peito e a pele ligeiramente bronzeada pelos passeios de fim de semana no pequeno iate do sogro. Mãe: trinta e poucos anos, loura de cabelos lisos pelos ombros, cara inchada do stress provocado pela empregada da Europa de Leste que apenas domina seis ou sete mil vocábulos em português, anca de quem foi abandonada pela beleza aquando do nascimento do terceiro rebento. Os rebentos: todos louros, um de uns prováveis oito anos corre velozmente para a secção das bolachas e chocolates, os outros dois, gémeos de trêsanos quais pequenos duendes de jardim agridem-se mutuamente provocando a ira dos pais. Sorrio.
Corredor das bebidas espirituosas. Enquanto percorro o corredor, vou tocando com as pontas dos dedos nas garrafas de whisky, gin e vodka. Que toque agradável. Escolho duas garrafas do melhor vodka russo e vou pagar. Numa das caixas um jovem casal de namorados, ambos de boas famílias discutem em alto e bom com a pobre da empregada, por qualquer coisa do género como o facto de esta ter colocado o pacote de bolachas digestivas da menina no mesmo saco de compras em que estavam os ovos.
À minha aproximação a porta automática do supermercado cede-me a passagem. Cá fora um vento frio e pequenas gotas de chuva que caiem sobre os pára-brisas dos automóveis estacionados aguardam-me.
Respiro fundo.
A vida pode não ser um mar de rosas, mas é pelo menos uma lata de mão de vaca com grão. Não cheira bem. Não sabe bem. Mas ao menos alimenta!
IV. Terapia
Um rasgo de felicidade enche-me as faces. Uma maravilha! vou-me repetindo até à exaustão, no interior do utilitário citadino com o aquecimento avariado.
Eis duas das vantagens de se trabalhar nos subúrbios:
- Uma: viaja-se sempre em sentido contrário ao do trânsito;
- Duas: não somos supostamente tão infelizes como os outros.
Uma maravilha! Só tem o que merecem! Repito-me até sentir uma certa náusea. Confesso gostar desta certa má disposição que sinto no estômago. A infelicidade dos outros pode ser por vezes cá um bálsamo. Já é Outono, a negra noite desce sobre nós cada vez mais cedo. Não háque enganar... os médios acesos das viaturas e os rostos apáticos dos seus condutores no regresso aos seus palacetes suburbanos adquiridos a trinta anos, definitivamente não enganam. Pelo menos assim tão de repente não enganam. Poucas coisas me devem fazer sentir melhor do que imaginar que as desgraças dos outros são piores que as nossas.
Gosto de ir ao final do dia a supermercados nos bairros bem da cidade. Duas a três vezes por semana cruzo a cidade rasgando o escuro manto outonal que a cobre. Escolho um supermercado de uma qualquer cadeia de um grande grupo económico. Entro. A iluminação branca fluorescente reflectida no chão de mosaico branco, nas paredes e expositores cremes, adquire um estranho tom acolhedor, quase uterino , uma espécie de deitar no divã do psiquiatra. A introspecção é obrigatória. Lentamente, como que ausente, percorro os corredores do supermercado. Soja, seitã, tofú. Alimentação para pseudo-iluminados Zen. Mais valia comerem cartão, sempre deve ser mais saboroso!. Picanha, peitos de peru, costeletas, orelha de porco. Sinto que alguma saliva se vai formando debaixo da minha língua. Corredor dos lacticínios. Leite gordo. Meio gordo. Magro. O relaxamento é total. movo-me tão lentamente que pareço estar a deslocar-me para trás.
Passo por uma família bem. Pai: perto dos quarenta, cabelo escuro puxado para trás à força de três camadas matinais de gel, a perder cabelo velozmente, casaco azul escuro com botões dourados e brasão ao peito e a pele ligeiramente bronzeada pelos passeios de fim de semana no pequeno iate do sogro. Mãe: trinta e poucos anos, loura de cabelos lisos pelos ombros, cara inchada do stress provocado pela empregada da Europa de Leste que apenas domina seis ou sete mil vocábulos em português, anca de quem foi abandonada pela beleza aquando do nascimento do terceiro rebento. Os rebentos: todos louros, um de uns prováveis oito anos corre velozmente para a secção das bolachas e chocolates, os outros dois, gémeos de trêsanos quais pequenos duendes de jardim agridem-se mutuamente provocando a ira dos pais. Sorrio.
Corredor das bebidas espirituosas. Enquanto percorro o corredor, vou tocando com as pontas dos dedos nas garrafas de whisky, gin e vodka. Que toque agradável. Escolho duas garrafas do melhor vodka russo e vou pagar. Numa das caixas um jovem casal de namorados, ambos de boas famílias discutem em alto e bom com a pobre da empregada, por qualquer coisa do género como o facto de esta ter colocado o pacote de bolachas digestivas da menina no mesmo saco de compras em que estavam os ovos.
À minha aproximação a porta automática do supermercado cede-me a passagem. Cá fora um vento frio e pequenas gotas de chuva que caiem sobre os pára-brisas dos automóveis estacionados aguardam-me.
Respiro fundo.
A vida pode não ser um mar de rosas, mas é pelo menos uma lata de mão de vaca com grão. Não cheira bem. Não sabe bem. Mas ao menos alimenta!
quinta-feira, 17 de março de 2005
quarta-feira, 16 de março de 2005
segunda-feira, 14 de março de 2005
O agradecimento
Numa cerimónia quase secreta, Paulo Portas aproveitou o último dia de mandato para condecorar 12 personalidades. Entre elas estava o ministro das Finanças, António Bagão Félix.
O sentido de oportunidade de Portas revelou-se fantástico, não apenas por ser o último dia do seu mandato mas porque foi também nesse dia que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, Portugal regressou oficialmente à recessão económica.
Muito obrigado, Bagão, pelo bom trabalho.
Numa cerimónia quase secreta, Paulo Portas aproveitou o último dia de mandato para condecorar 12 personalidades. Entre elas estava o ministro das Finanças, António Bagão Félix.
O sentido de oportunidade de Portas revelou-se fantástico, não apenas por ser o último dia do seu mandato mas porque foi também nesse dia que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, Portugal regressou oficialmente à recessão económica.
Muito obrigado, Bagão, pelo bom trabalho.
Journal Of An Idle Consultant
III. Cafeína
O verdadeiro idle consultant bebe entre quatro a seis cafés por dia. O mínimo obrigatório são: um café ao sair de casa, outro a meio da manhã entre as dez e meia e as onze e meia da manhã, um a seguir ao almoço e outro a meio da tarde.
Como se de um ritual maçónico se tratasse, cumpro diária e religiosamente a minha quota-parte de consumo diário de café. Tarefa árdua e extenuante, mas obrigatória, para que os sentidos estejam sempre alerta e permitam reagir prontamente a qualquer solicitação e aos milhares de informações que são despejados todos os segundos no monitor do meu computador. Guerras, inovações tecnológicas, convulsões políticas, quedas da bolsa, tudo passa diante dos meus olhos a velocidade vertiginosa qual carrossel da selva. Há que estar atento!
Todo o santo dia presto a vassalagem a essa espécie de rei tirano medieval do século XXI a quem chamam de Máquina de Café Automática. Prostro-me diante dela e em troca de dois cobres, ela com a sua magnificência e delicadeza frias do metal e plásticos da sua armadura encarrega-se de me dar tudo o que necessito, cafeína e mais cafeína. Por vezes qual cobrador de impostos indisposto leva-me mais do que as duas moedas de cobre. Vilanagem!. Apetece-me desafiá-la para um duelo ao nascer do sol, atrás da sala de reuniões. Sem testemunhas.Confesso no entanto que os seus botões e luzinhas, me intimidam... Tenho medo é um facto.
Muitas foram as noites em branco que passei a orquestrar a minha solene e doce vingança. Já pensei em envenená-la com pequenas moedas do Congo Belga, atacá-la com um extintor, abrir-lhe a sua enorme bocarra e obrigá-la a engolir neve carbónica até começar a vomitar capuccinos pela ranhura das moedas ou até pensei em desligá-la da corrente.
Não consigo. Sou um fraco! Mais uma vez me encontro curvado em sinal de obediência perante o monstro, enquanto retiro com todas as precauções mais um café das suas entranhas. Tenho medo que me arranque um braço e me perfure o baço. Tiro o café da sua boca, o monstro não me mordeu, nem me cuspiu, faço o caminho de regresso ao meu lugar. Sinto no meu pescoço duas luzinhas vermelhas que me seguem, um calafrio percorre-me a espinha, sento-me na minha cadeira e por cima do monitor lanço-lhe um olhar fulminante.Ela vê-me. Odeia-me. Não faz mal. O sentimento é reciproco.
III. Cafeína
O verdadeiro idle consultant bebe entre quatro a seis cafés por dia. O mínimo obrigatório são: um café ao sair de casa, outro a meio da manhã entre as dez e meia e as onze e meia da manhã, um a seguir ao almoço e outro a meio da tarde.
Como se de um ritual maçónico se tratasse, cumpro diária e religiosamente a minha quota-parte de consumo diário de café. Tarefa árdua e extenuante, mas obrigatória, para que os sentidos estejam sempre alerta e permitam reagir prontamente a qualquer solicitação e aos milhares de informações que são despejados todos os segundos no monitor do meu computador. Guerras, inovações tecnológicas, convulsões políticas, quedas da bolsa, tudo passa diante dos meus olhos a velocidade vertiginosa qual carrossel da selva. Há que estar atento!
Todo o santo dia presto a vassalagem a essa espécie de rei tirano medieval do século XXI a quem chamam de Máquina de Café Automática. Prostro-me diante dela e em troca de dois cobres, ela com a sua magnificência e delicadeza frias do metal e plásticos da sua armadura encarrega-se de me dar tudo o que necessito, cafeína e mais cafeína. Por vezes qual cobrador de impostos indisposto leva-me mais do que as duas moedas de cobre. Vilanagem!. Apetece-me desafiá-la para um duelo ao nascer do sol, atrás da sala de reuniões. Sem testemunhas.Confesso no entanto que os seus botões e luzinhas, me intimidam... Tenho medo é um facto.
Muitas foram as noites em branco que passei a orquestrar a minha solene e doce vingança. Já pensei em envenená-la com pequenas moedas do Congo Belga, atacá-la com um extintor, abrir-lhe a sua enorme bocarra e obrigá-la a engolir neve carbónica até começar a vomitar capuccinos pela ranhura das moedas ou até pensei em desligá-la da corrente.
Não consigo. Sou um fraco! Mais uma vez me encontro curvado em sinal de obediência perante o monstro, enquanto retiro com todas as precauções mais um café das suas entranhas. Tenho medo que me arranque um braço e me perfure o baço. Tiro o café da sua boca, o monstro não me mordeu, nem me cuspiu, faço o caminho de regresso ao meu lugar. Sinto no meu pescoço duas luzinhas vermelhas que me seguem, um calafrio percorre-me a espinha, sento-me na minha cadeira e por cima do monitor lanço-lhe um olhar fulminante.Ela vê-me. Odeia-me. Não faz mal. O sentimento é reciproco.
sexta-feira, 11 de março de 2005
quarta-feira, 9 de março de 2005
Falta de assunto
(via messenger)
Ana Raquel - Olááá!
Raviolli_Ninja - Çá Vá?
Ana Raquel - Ah oui...
Raviolli_Ninja - Qué contas?
Ana Raquel - Rien de rien. Tout na même...
Ana Raquel - Coma a lêsme...
Raviolli_Ninja - Lêsmes nã se comem, só los escargotes.
Raviolli_Ninja - Se bem que davam menos trabalho a comer...
Raviolli_Ninja - Mas era a desgraça da indústria dos alfinetes.
(via messenger)
Ana Raquel - Olááá!
Raviolli_Ninja - Çá Vá?
Ana Raquel - Ah oui...
Raviolli_Ninja - Qué contas?
Ana Raquel - Rien de rien. Tout na même...
Ana Raquel - Coma a lêsme...
Raviolli_Ninja - Lêsmes nã se comem, só los escargotes.
Raviolli_Ninja - Se bem que davam menos trabalho a comer...
Raviolli_Ninja - Mas era a desgraça da indústria dos alfinetes.
terça-feira, 8 de março de 2005
O bom exemplo
Numa fábrica de Arcos de Valdevez, encontramos o bom exemplo.
A Confecções Afonso, têxtil, pertence a um grupo de empresários alemães, que pretendem deslocalizar a produção para a República Checa, onde os salários são mais baixos, e a exploração mais fácil.
Depois de uma reunião normal, para tratar de assuntos correntes, os empresários alemães voltaram à fábrica nessa mesma noite, começando a retirar clandestinamente o material da empresa.
Uma das funcionárias notou a estranha movimentação, alertando as colegas e posteriormente a GNR.
À frente da barreira humana, Conceição Pinhão, gerente da fábrica, assalariada como as outras 97 mulheres que ali trabalham.
Sempre apelando à calma, "para continuarmos com a razão do nosso lado", a gerente deixou a GNR fazer, por uma vez, o seu trabalho. As máquinas ficaram, os empresários desapareceram para sempre, deixando salários em atraso mas também os equipamentos de produção.
Conceição Pinhão não desistiu. Tomou conta da fábrica e todas as trabalhadoras continuaram em actividade.
Pagou três meses de salários em atraso, negociou com clientes, fornecedores e com a Segurança Social, e as encomendas não páram de chegar.
Graças a esta auto-gestão, 98 postos de trabalho foram salvos.
Uma história esperançosa e verdadeira, no dia internacional da mulher.
Numa fábrica de Arcos de Valdevez, encontramos o bom exemplo.
A Confecções Afonso, têxtil, pertence a um grupo de empresários alemães, que pretendem deslocalizar a produção para a República Checa, onde os salários são mais baixos, e a exploração mais fácil.
Depois de uma reunião normal, para tratar de assuntos correntes, os empresários alemães voltaram à fábrica nessa mesma noite, começando a retirar clandestinamente o material da empresa.
Uma das funcionárias notou a estranha movimentação, alertando as colegas e posteriormente a GNR.
À frente da barreira humana, Conceição Pinhão, gerente da fábrica, assalariada como as outras 97 mulheres que ali trabalham.
Sempre apelando à calma, "para continuarmos com a razão do nosso lado", a gerente deixou a GNR fazer, por uma vez, o seu trabalho. As máquinas ficaram, os empresários desapareceram para sempre, deixando salários em atraso mas também os equipamentos de produção.
Conceição Pinhão não desistiu. Tomou conta da fábrica e todas as trabalhadoras continuaram em actividade.
Pagou três meses de salários em atraso, negociou com clientes, fornecedores e com a Segurança Social, e as encomendas não páram de chegar.
Graças a esta auto-gestão, 98 postos de trabalho foram salvos.
Uma história esperançosa e verdadeira, no dia internacional da mulher.
Os maus exemplos
Os operários da Opel da fábrica da Azambuja estarão em greve na quinta-feira. É um direito seu, consagrado constitucionalmente, mas a empresa já veio dizer que essa greve pode originar a perda dos postos de trabalho. Isto apesar de, de acordo com a lei fundamental, a greve não poder servir de base a despedimento, por se tratar do legítimo exercício de um direito.
O que se está a passar com a Opel é sintomático do estado a que chegámos.
O grupo diz que tem de fechar fábricas. Como tal, coloca as fábricas europeias (Polónia, Alemanha, Espanha, Portugal, etc) a competirem entre si. Sobreviverão aquelas "que se mostrarem mais flexíveis", ou seja, que aceitarem menos direitos e menos salário, e se possível trabalhando mais. Trabalhadores contra trabalhadores, para o enriquecimento de outros, os donos.
Depois dos inúmeros exemplos que já tivemos em Portugal, será que é este o tipo de investimento estrangeiro que queremos? Será que faz sentido continuar a aceitar tudo e mais alguma coisa, tornarmo-nos "competitivos", para receber investimento que só quer aproveitar baixo custo de mão de obra?Competitivo não é dizer sim a tudo, mas os políticos ainda não perceberam.
Entende-se, sempre tiveram e terão o salário garantido, sem precisar de renegociar horários de trabalho ou sequer de sujar as mãos.
Se no primeiro caso falamos de uma multinacional, falemos agora da Portugal Telecom.
A empresa anunciou recentemente que duplicou o seu lucro em 2004, para 500 milhões de euros. No mesmo dia, anunciou que vai cortar mil postos de trabalho.
Os investidores aplaudem a falta de escrúpulos, a empresa diverte-se, o Estado assobia para o lado.
Os trabalhadores, esses, continuam a ser carne para canhão, nada mais.
Os operários da Opel da fábrica da Azambuja estarão em greve na quinta-feira. É um direito seu, consagrado constitucionalmente, mas a empresa já veio dizer que essa greve pode originar a perda dos postos de trabalho. Isto apesar de, de acordo com a lei fundamental, a greve não poder servir de base a despedimento, por se tratar do legítimo exercício de um direito.
O que se está a passar com a Opel é sintomático do estado a que chegámos.
O grupo diz que tem de fechar fábricas. Como tal, coloca as fábricas europeias (Polónia, Alemanha, Espanha, Portugal, etc) a competirem entre si. Sobreviverão aquelas "que se mostrarem mais flexíveis", ou seja, que aceitarem menos direitos e menos salário, e se possível trabalhando mais. Trabalhadores contra trabalhadores, para o enriquecimento de outros, os donos.
Depois dos inúmeros exemplos que já tivemos em Portugal, será que é este o tipo de investimento estrangeiro que queremos? Será que faz sentido continuar a aceitar tudo e mais alguma coisa, tornarmo-nos "competitivos", para receber investimento que só quer aproveitar baixo custo de mão de obra?Competitivo não é dizer sim a tudo, mas os políticos ainda não perceberam.
Entende-se, sempre tiveram e terão o salário garantido, sem precisar de renegociar horários de trabalho ou sequer de sujar as mãos.
Se no primeiro caso falamos de uma multinacional, falemos agora da Portugal Telecom.
A empresa anunciou recentemente que duplicou o seu lucro em 2004, para 500 milhões de euros. No mesmo dia, anunciou que vai cortar mil postos de trabalho.
Os investidores aplaudem a falta de escrúpulos, a empresa diverte-se, o Estado assobia para o lado.
Os trabalhadores, esses, continuam a ser carne para canhão, nada mais.
Journal Of An Idle Consultant
II. Alegremente caminhamos para o abismo
Encontro-me sentado no meu posto de trabalho, são dez e meia da manhã e pela terceira vez este mês não há internet. Não sei o que passa lá fora no mundo exterior, ou se sequer ainda existe mundo exterior.
Será que as promessas de guerra, atentados à bomba e assassinatos políticos do fim de semana passado se estão a concretizar?
É quarta-feira. Aqui no buraco tudo continua impávido e sereno, como se o mundo lá fora não existisse. Levanto os olhos por cima do monitor do computador e perscruto até onde a vista alcança o escritório, dezenas de computadores e cabecinhas de idle consultants atrás destes. Nada os perturba, nem sequer o facto de a qualquer momento, tudo poder terminar, de forma inversa ao final de uma qualquer telenovela sul-americana... Sem um final feliz.
Gostava de ter uma AK-47 ou uma outra qualquer arma semi-automática na gaveta dos meus pertences. Poderia assim, de vez em quando, subir para cima da minha secretária e gritar: Sua cambada de consultores amorfos! Não sabem que estamos àbeira do abismo?. Eles não responderiam, ou porque não sabem ou porque não se importam. Escolheria um idle consultant aleatoriamente, faria pontaria à sua pequena e oca cabeça e dispararia um único tiro certeiro que o atingiria na nuca e espalharia uma pasta levemente cerebral sobre o seu monitor. Provavelmente ninguém daria por nada, apenas e eventualmente a empregada de limpeza no dia seguinte que se encarregaria de raspar o cadáver do soalho e jogá-lo no lixo juntamente com as resmas de fotocópias mal tiradas e folhas que a impressora não soube imprimir. O monitor seria limpo e reluzente aguardaria pelo próximo consultor. Dizem que abater alguém por trás écobardia... eu gosto de lhe chamar misericórdia.
De repente as massas amorfas começam a movimentar-se e pelo escritório ecoa de que o carrinho da comida está láfora à espera... são onze horas. Olho para as miniaturas de janelas que se encontram junto ao tecto do escritório e vislumbro um céu cinzento e ameaçador... já não sei se estamos em Setembro ou se já caímos no abismo.
II. Alegremente caminhamos para o abismo
Encontro-me sentado no meu posto de trabalho, são dez e meia da manhã e pela terceira vez este mês não há internet. Não sei o que passa lá fora no mundo exterior, ou se sequer ainda existe mundo exterior.
Será que as promessas de guerra, atentados à bomba e assassinatos políticos do fim de semana passado se estão a concretizar?
É quarta-feira. Aqui no buraco tudo continua impávido e sereno, como se o mundo lá fora não existisse. Levanto os olhos por cima do monitor do computador e perscruto até onde a vista alcança o escritório, dezenas de computadores e cabecinhas de idle consultants atrás destes. Nada os perturba, nem sequer o facto de a qualquer momento, tudo poder terminar, de forma inversa ao final de uma qualquer telenovela sul-americana... Sem um final feliz.
Gostava de ter uma AK-47 ou uma outra qualquer arma semi-automática na gaveta dos meus pertences. Poderia assim, de vez em quando, subir para cima da minha secretária e gritar: Sua cambada de consultores amorfos! Não sabem que estamos àbeira do abismo?. Eles não responderiam, ou porque não sabem ou porque não se importam. Escolheria um idle consultant aleatoriamente, faria pontaria à sua pequena e oca cabeça e dispararia um único tiro certeiro que o atingiria na nuca e espalharia uma pasta levemente cerebral sobre o seu monitor. Provavelmente ninguém daria por nada, apenas e eventualmente a empregada de limpeza no dia seguinte que se encarregaria de raspar o cadáver do soalho e jogá-lo no lixo juntamente com as resmas de fotocópias mal tiradas e folhas que a impressora não soube imprimir. O monitor seria limpo e reluzente aguardaria pelo próximo consultor. Dizem que abater alguém por trás écobardia... eu gosto de lhe chamar misericórdia.
De repente as massas amorfas começam a movimentar-se e pelo escritório ecoa de que o carrinho da comida está láfora à espera... são onze horas. Olho para as miniaturas de janelas que se encontram junto ao tecto do escritório e vislumbro um céu cinzento e ameaçador... já não sei se estamos em Setembro ou se já caímos no abismo.
segunda-feira, 7 de março de 2005
A birra
O CDS/PP, vexado com a nomeação de Freitas do Amaral como ministro do próximo governo PS, retirou da parede da sua sede a fotografia do dito senhor, enviando-a para o Largo do Rato, quartel-general dos ditos socialistas.
Não é a primeira vez que uma coisa destas acontece. Freitas tinha já sido esquecido pelos populares em congressos, mesmo no simbólico encontro deste ano no Palácio de Cristal. Manuel Monteiro foi outro dos esquecidos, mas creio que deste eles se esqueceram mesmo, não foi por mal.
Para um partido que fala à boca cheia dos trotskistas a um ponto dos democratas-cristãos, este ritual estalinista é absolutamente hilariante.
Não é apenas a reescrita do passado, a revisão em que estes senhores são tão bons, depois da rábula do R da Evolução de Abril. O PP é, verdadeiramente, uma galinha sem cabeça.
Esta acção não passa de uma birra, demonstrativa do carácter de um partido para quem a palavra democracia apenas lhes serve quando estão no poder, e para meter o eleitorado queque com medo dos perigosos esquerdistas.
Sem Portas, o PP não existe. Aliás, sem Portas, o PP nunca existiu, seja nos bastidores ou sob os holofotes.
Este momento de completos mau-perder e desnorte dos direitinhas é um cenário longamente sonhado.
Apreciemos então cada delicioso momento deste moribundo partido.
Do poder à cova.
RIP.
O CDS/PP, vexado com a nomeação de Freitas do Amaral como ministro do próximo governo PS, retirou da parede da sua sede a fotografia do dito senhor, enviando-a para o Largo do Rato, quartel-general dos ditos socialistas.
Não é a primeira vez que uma coisa destas acontece. Freitas tinha já sido esquecido pelos populares em congressos, mesmo no simbólico encontro deste ano no Palácio de Cristal. Manuel Monteiro foi outro dos esquecidos, mas creio que deste eles se esqueceram mesmo, não foi por mal.
Para um partido que fala à boca cheia dos trotskistas a um ponto dos democratas-cristãos, este ritual estalinista é absolutamente hilariante.
Não é apenas a reescrita do passado, a revisão em que estes senhores são tão bons, depois da rábula do R da Evolução de Abril. O PP é, verdadeiramente, uma galinha sem cabeça.
Esta acção não passa de uma birra, demonstrativa do carácter de um partido para quem a palavra democracia apenas lhes serve quando estão no poder, e para meter o eleitorado queque com medo dos perigosos esquerdistas.
Sem Portas, o PP não existe. Aliás, sem Portas, o PP nunca existiu, seja nos bastidores ou sob os holofotes.
Este momento de completos mau-perder e desnorte dos direitinhas é um cenário longamente sonhado.
Apreciemos então cada delicioso momento deste moribundo partido.
Do poder à cova.
RIP.
quinta-feira, 3 de março de 2005
Journal of an Idle Consultant
I. Dormência
Segunda-feira...
Oito menos dez, a mini-micro-aparelhagem faz click, o som em volume reduzido do programa matinal da rádio acorda-me meia-dúzia de neurónios... poucos, inúteis e perfeitamente dispensáveis. Ignoro o clickda mini-micro-aparelhagem, o programa matinal em geral e o mundo em particular.
Oito e dez.... oito e treze, diz o apresentador lá do outro lado rádio. Ele lá deve saber. O alarme do telemóvel, inicia o seu toque num crescendo sonoro, no mínimo irritante... e qual pára-quedas de emergência, resgata-me para a realidade, impedindo de me estatelar no sono profundo. Quatro outros neurónios despertam. Está reunido o número mínimo necessário à execução dos procedimentos básicos do desligar o alarme do telemóvel, sair da cama e higiene diária.
Primeira dificuldade do dia. Por opção estratégica, o telemóvel encontra-se afastado do raio de acção dos braços, não vá um qualquer reflexo despropositado inibi-lo de incumbir a sua missão matinal. O telemóvel encontra-se algures debaixo da cama, com um movimento de torção do corpo e jogando o braço direito tento alcançar o aparelho... não o encontro. Nada sinto. Tento com o braço esquerdo e também nada acontece. Dois neurónios despertam e segredam-me: Tens os dois braços dormentes!. Devia ter desconfiado, afinal nem sequer consegui torcer o corpo para chegar à beira da cama. Devo estar na mesma posição há pelo menos 5 minutos. Oito horas e vinte e sete minutos, confessa-me o senhor da rádio. Pela quarta vez na vida, desde que me lembro, sinto-me totalmente incapacitado, paralisado, qual super homem tetraplégico. Tento fazer retornar a força e o movimento aos braços, com vigorosos e desesperados movimentos de olhos e contorcendo o nariz, o sangue recomeça a fluir novamente nos membros superiores.
Num ápice rebolo para a beira da cama e tacteio velozmente por baixo desta. Encontro finalmente o sacana do telemóvel que ainda não se calou. Amordaço-o e amaldiçoo-o. Silêncio...
Vinte para as nove diz o chato da rádio. Até parece que lhe perguntei alguma coisa. Merda!!!, digo eu que entro às nove da manhã e ainda levo no mínimo trinta minutos de caminho até ao trabalho.
Tenho que ser rápido, preciso dum duche... gelado. Devia de ter pago a conta do gás na semana passada. Bem feita! Para a próxima já não te esqueces... digo isto há três anos e quase todos os meses é sempre a mesma coisa. Com os testículos mirrados e ainda com as costas húmidas regresso apressadamente ao quarto para envergar a farda imposta pelo rígido dress code da idle consultancy. Visto os boxers e calço as meias - post-it mental: estes eram os últimos boxers e meias lavadas, lavar tudo logo à noite - visto as calças, a camisa e ponho a gravata com o nó Windsor que não é desfeito já há três meses - ou será que são seis meses? Não me recordo.
Noticias das nove na rádio. Dizem-me que um comboio descarrilou na Nicarágua, setenta e sete ou setenta e oito mortos, não sabem precisar. Sorte a deles que já não tem que entrar às nove. Pego no casaco, dirijo-me para o carro. Distância aproximada: noventa metros.
A trinta e cinco metros do carro passo pela porta do café. Indeciso, paro e penso se entro para tomar um café e comprar cigarros ou se sigo directo para o trabalho. Com um cafézinho a viagem faz-se melhor. Entro! Afinal, já estou atrasado mesmo, que diferença farão mais cinco minutos, peço o café e os cigarros, bebo café e pago a conta. No rádio do café passa uma merda qualquer da Céline Dion esta gaja nunca mais morre! alguém diz que são nove e dezanove. Já não suporto a história das horas. Sigo para a viatura.
Allegro ma non troppo... Reparo na loura jeitosa que se atravessa à minha frente, mama e rabo rijos, deve ter dezasseis anos no máximo... talvez quinze.
Último semáforo antes da auto-estrada... Auto-estrada. Todos os aselhas do mundo que vão atrasados para o trabalho atravessam-se à minha frente, mais as lesmas das escolas de condução. Hoje apanhei com três deles. Nunca baixar dos cento e quarenta é o lema, dezoito quilómetros depois e menos de cinco minutos de caminho, saio da auto-estrada, menos de três quilómetros me separam do purgatório. Consigo estacionar o carro a três edifícios de distância do trabalho, últimas passadas apressadas e finalmente a porta.
Nove horas, quarenta e nove minutos e onze segundos... Pico o ponto!
I. Dormência
Segunda-feira...
Oito menos dez, a mini-micro-aparelhagem faz click, o som em volume reduzido do programa matinal da rádio acorda-me meia-dúzia de neurónios... poucos, inúteis e perfeitamente dispensáveis. Ignoro o clickda mini-micro-aparelhagem, o programa matinal em geral e o mundo em particular.
Oito e dez.... oito e treze, diz o apresentador lá do outro lado rádio. Ele lá deve saber. O alarme do telemóvel, inicia o seu toque num crescendo sonoro, no mínimo irritante... e qual pára-quedas de emergência, resgata-me para a realidade, impedindo de me estatelar no sono profundo. Quatro outros neurónios despertam. Está reunido o número mínimo necessário à execução dos procedimentos básicos do desligar o alarme do telemóvel, sair da cama e higiene diária.
Primeira dificuldade do dia. Por opção estratégica, o telemóvel encontra-se afastado do raio de acção dos braços, não vá um qualquer reflexo despropositado inibi-lo de incumbir a sua missão matinal. O telemóvel encontra-se algures debaixo da cama, com um movimento de torção do corpo e jogando o braço direito tento alcançar o aparelho... não o encontro. Nada sinto. Tento com o braço esquerdo e também nada acontece. Dois neurónios despertam e segredam-me: Tens os dois braços dormentes!. Devia ter desconfiado, afinal nem sequer consegui torcer o corpo para chegar à beira da cama. Devo estar na mesma posição há pelo menos 5 minutos. Oito horas e vinte e sete minutos, confessa-me o senhor da rádio. Pela quarta vez na vida, desde que me lembro, sinto-me totalmente incapacitado, paralisado, qual super homem tetraplégico. Tento fazer retornar a força e o movimento aos braços, com vigorosos e desesperados movimentos de olhos e contorcendo o nariz, o sangue recomeça a fluir novamente nos membros superiores.
Num ápice rebolo para a beira da cama e tacteio velozmente por baixo desta. Encontro finalmente o sacana do telemóvel que ainda não se calou. Amordaço-o e amaldiçoo-o. Silêncio...
Vinte para as nove diz o chato da rádio. Até parece que lhe perguntei alguma coisa. Merda!!!, digo eu que entro às nove da manhã e ainda levo no mínimo trinta minutos de caminho até ao trabalho.
Tenho que ser rápido, preciso dum duche... gelado. Devia de ter pago a conta do gás na semana passada. Bem feita! Para a próxima já não te esqueces... digo isto há três anos e quase todos os meses é sempre a mesma coisa. Com os testículos mirrados e ainda com as costas húmidas regresso apressadamente ao quarto para envergar a farda imposta pelo rígido dress code da idle consultancy. Visto os boxers e calço as meias - post-it mental: estes eram os últimos boxers e meias lavadas, lavar tudo logo à noite - visto as calças, a camisa e ponho a gravata com o nó Windsor que não é desfeito já há três meses - ou será que são seis meses? Não me recordo.
Noticias das nove na rádio. Dizem-me que um comboio descarrilou na Nicarágua, setenta e sete ou setenta e oito mortos, não sabem precisar. Sorte a deles que já não tem que entrar às nove. Pego no casaco, dirijo-me para o carro. Distância aproximada: noventa metros.
A trinta e cinco metros do carro passo pela porta do café. Indeciso, paro e penso se entro para tomar um café e comprar cigarros ou se sigo directo para o trabalho. Com um cafézinho a viagem faz-se melhor. Entro! Afinal, já estou atrasado mesmo, que diferença farão mais cinco minutos, peço o café e os cigarros, bebo café e pago a conta. No rádio do café passa uma merda qualquer da Céline Dion esta gaja nunca mais morre! alguém diz que são nove e dezanove. Já não suporto a história das horas. Sigo para a viatura.
Allegro ma non troppo... Reparo na loura jeitosa que se atravessa à minha frente, mama e rabo rijos, deve ter dezasseis anos no máximo... talvez quinze.
Último semáforo antes da auto-estrada... Auto-estrada. Todos os aselhas do mundo que vão atrasados para o trabalho atravessam-se à minha frente, mais as lesmas das escolas de condução. Hoje apanhei com três deles. Nunca baixar dos cento e quarenta é o lema, dezoito quilómetros depois e menos de cinco minutos de caminho, saio da auto-estrada, menos de três quilómetros me separam do purgatório. Consigo estacionar o carro a três edifícios de distância do trabalho, últimas passadas apressadas e finalmente a porta.
Nove horas, quarenta e nove minutos e onze segundos... Pico o ponto!
terça-feira, 1 de março de 2005
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Fight Diver de fim de semana
A partir de 1 de Março, as vacas suíças estarão proibidas de consumir cannabis, para além do que também vai acontecer com os cidadãos propriamente ditos. Parece que há lá umas pastagens valentes e apareceram vestígios de THC no leitinho de algumas milkas, por isso toca a proibir.
É caso para dizer: meus amigos, deixem jogar o Mantorras!...
A partir de 1 de Março, as vacas suíças estarão proibidas de consumir cannabis, para além do que também vai acontecer com os cidadãos propriamente ditos. Parece que há lá umas pastagens valentes e apareceram vestígios de THC no leitinho de algumas milkas, por isso toca a proibir.
É caso para dizer: meus amigos, deixem jogar o Mantorras!...
Já reparou........
....que o Nuno da Câmara Pereira será deputado na nova legislatura? E que, para além desta besta quadrada, o PSD garantiu mais um lugar aos monárquicos e dois ao Partido da Terra?
Alto preço a pagar por um chavão, para provar que o PPD/PSD fazia parte de uma "plataforma política que abrange a sociedade civil", ao estilo da coligação militar de Bush, que de alargada não tinha nada.
Já se fala, inclusivamente, de que o PPM poderá criar o seu grupo parlamentar, ao estilo d' Os Verdes, o que faria tanto sentido como o Trapatoni ir tirar o Cartão Jovem.
Ganda Santana. Obrigado por tudo e volta sempre.
....que o Nuno da Câmara Pereira será deputado na nova legislatura? E que, para além desta besta quadrada, o PSD garantiu mais um lugar aos monárquicos e dois ao Partido da Terra?
Alto preço a pagar por um chavão, para provar que o PPD/PSD fazia parte de uma "plataforma política que abrange a sociedade civil", ao estilo da coligação militar de Bush, que de alargada não tinha nada.
Já se fala, inclusivamente, de que o PPM poderá criar o seu grupo parlamentar, ao estilo d' Os Verdes, o que faria tanto sentido como o Trapatoni ir tirar o Cartão Jovem.
Ganda Santana. Obrigado por tudo e volta sempre.
Prémio Melão da Semana
Vai para o estratosférico José Mourinho, que levou um banho de bola em Barcelona e voltou a demonstrar o seu grande fair-play, ao acusar (sem grande convicção, diga-se de passagem) o treinador do Barça de pressionar o árbitro.
Depois do episódio com a camisola do Rui Jorge, em que pediu a Pinto da Costa para o deixar sair de Portugal, parece que também a Europa é demasiado mesquinha para o genial português.
Vai para o estratosférico José Mourinho, que levou um banho de bola em Barcelona e voltou a demonstrar o seu grande fair-play, ao acusar (sem grande convicção, diga-se de passagem) o treinador do Barça de pressionar o árbitro.
Depois do episódio com a camisola do Rui Jorge, em que pediu a Pinto da Costa para o deixar sair de Portugal, parece que também a Europa é demasiado mesquinha para o genial português.
O mal habituado
António Vitorino já avisou. O Governo não vai ser feito na comunicação social, e acrescentou: "Habituem-se!".
Começa mal, o Xôr Vitorino. Quanto à sua afirmação, nada de errado, o estranho seria o contrário.
Já o tom arrogante com que o disse e o momento escolhido- a noite da vitória e em pleno festejo da primeira maioria absoluta do PS- são de uma grande falta de oportunidade.
Vitorino faz-me lembrar um daqueles emigras pato-bravo, que vão para o estrangeiro, fazem fortuna e voltam para a terrinha ao volante de um mercedes amarelo a mandar ares de superioridade.
Para quem já foi falado para tudo, e acabou por ser uma figura de bastidores no PS, Vitorino arrisca-se a ser o José Dominguez do PS, "passando ao lado de uma grande carreira".
António Vitorino já avisou. O Governo não vai ser feito na comunicação social, e acrescentou: "Habituem-se!".
Começa mal, o Xôr Vitorino. Quanto à sua afirmação, nada de errado, o estranho seria o contrário.
Já o tom arrogante com que o disse e o momento escolhido- a noite da vitória e em pleno festejo da primeira maioria absoluta do PS- são de uma grande falta de oportunidade.
Vitorino faz-me lembrar um daqueles emigras pato-bravo, que vão para o estrangeiro, fazem fortuna e voltam para a terrinha ao volante de um mercedes amarelo a mandar ares de superioridade.
Para quem já foi falado para tudo, e acabou por ser uma figura de bastidores no PS, Vitorino arrisca-se a ser o José Dominguez do PS, "passando ao lado de uma grande carreira".
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
O reforço que faltava
Luis Filipe Menezes, o laranja que nunca ganhará nem à moeda a sul do Mondego, quer ser líder da nação(zinha) laranja.
Ele, o Manuel Cajuda da política portuguesa, que está sempre a meter-se em bicos de pés a ver se alguém se lembra dele para treinar uma equipa grande (a gente até se lembra, só que ele é mesmo uma merda).
Quando ouvi dizer que Luis Filipe Menezes se ia candidatar à liderança do PSD, lembrei-me de muitas coisas.
Lembrei-me da sua já histórica falta de coluna vertebral, lambendo os tomates a qualquer líder à espera de lhe dar a facada nas costas.
Lembrei-me do seu oportunismo básico ao tentar colar-se ao FCP por interesses pessoais.
Enfim, lembrei-me da sua completa falta de carácter, tão grande que até consegue sobressair no meio do laranjal.
E depois lembrei-me da sua bela frase, num dos últimos comícios de Santana, no Porto: "Aqui será o início do Tsunami laranja!".
E aí lembrei-me que um gajo com tamanha falta de gosto e de escrúpulos seria um grande contribuinte para o nosso blog.
Luis, man, o convite tá feito. Aqui é de tsunamis para cima, carago!
Luis Filipe Menezes, o laranja que nunca ganhará nem à moeda a sul do Mondego, quer ser líder da nação(zinha) laranja.
Ele, o Manuel Cajuda da política portuguesa, que está sempre a meter-se em bicos de pés a ver se alguém se lembra dele para treinar uma equipa grande (a gente até se lembra, só que ele é mesmo uma merda).
Quando ouvi dizer que Luis Filipe Menezes se ia candidatar à liderança do PSD, lembrei-me de muitas coisas.
Lembrei-me da sua já histórica falta de coluna vertebral, lambendo os tomates a qualquer líder à espera de lhe dar a facada nas costas.
Lembrei-me do seu oportunismo básico ao tentar colar-se ao FCP por interesses pessoais.
Enfim, lembrei-me da sua completa falta de carácter, tão grande que até consegue sobressair no meio do laranjal.
E depois lembrei-me da sua bela frase, num dos últimos comícios de Santana, no Porto: "Aqui será o início do Tsunami laranja!".
E aí lembrei-me que um gajo com tamanha falta de gosto e de escrúpulos seria um grande contribuinte para o nosso blog.
Luis, man, o convite tá feito. Aqui é de tsunamis para cima, carago!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Long live the king
Hunter S. Thompson, ou como eu gosto de lhe chamar, "o máiór", suicidou-se ontem, na sua casa nas montanhas do Colorado.
Thompson, de 67 anos, matou-se com um tiro na cabeça, pondo um triste fim a uma vida de escrita, drogas, curte, alcool e uma crítica social que não encontra paralelo.
Descobri os seus escritos há uns anos, quando um antigo namorado da minha irmã, na altura preso, me enviou um dos seus livros quando descobriu que eu tinha começado a escrever.
Era uma grande colectânea de cartas, chamada "Proud Highway", e é uma das mais deliciosas coisas que já li.
Fiquei agarrado, e fui comprando lá fora os livros que não existem cá dentro, consumindo quase tudo o que consegui encontrar. Descobri então a vida deste homem, jornalista por acidente, escritor e alcoólico por militância, rebelde e genial por natureza.
Foi o inventor do que chamou de "Gonzo Journalism", um estilo muito próprio que colocava o jornalista no lugar central, como protagonista, cagando de alto para a pseudo-objectividade desse ofício.
As suas crónicas sobre a campanha presidencial norte-americana de 72, salpicadas pelas suas ressacas e por inúmeros esquemas para arranjar as drogas mais estranhas, são um marco na história da cobertura política por jornalistas.
Sempre foi um marado, "bigger than life", e agora matou-se.
Hoje beberei um copo por ele.
Recomendo qualquer livro dele, mas especialmente "Proud Highway: the fear and loathing letters vol.1" e "Fear and Loathing in Las Vegas", disponível em Portugal.
Long live the gonzo king.
Hunter S. Thompson, ou como eu gosto de lhe chamar, "o máiór", suicidou-se ontem, na sua casa nas montanhas do Colorado.
Thompson, de 67 anos, matou-se com um tiro na cabeça, pondo um triste fim a uma vida de escrita, drogas, curte, alcool e uma crítica social que não encontra paralelo.
Descobri os seus escritos há uns anos, quando um antigo namorado da minha irmã, na altura preso, me enviou um dos seus livros quando descobriu que eu tinha começado a escrever.
Era uma grande colectânea de cartas, chamada "Proud Highway", e é uma das mais deliciosas coisas que já li.
Fiquei agarrado, e fui comprando lá fora os livros que não existem cá dentro, consumindo quase tudo o que consegui encontrar. Descobri então a vida deste homem, jornalista por acidente, escritor e alcoólico por militância, rebelde e genial por natureza.
Foi o inventor do que chamou de "Gonzo Journalism", um estilo muito próprio que colocava o jornalista no lugar central, como protagonista, cagando de alto para a pseudo-objectividade desse ofício.
As suas crónicas sobre a campanha presidencial norte-americana de 72, salpicadas pelas suas ressacas e por inúmeros esquemas para arranjar as drogas mais estranhas, são um marco na história da cobertura política por jornalistas.
Sempre foi um marado, "bigger than life", e agora matou-se.
Hoje beberei um copo por ele.
Recomendo qualquer livro dele, mas especialmente "Proud Highway: the fear and loathing letters vol.1" e "Fear and Loathing in Las Vegas", disponível em Portugal.
Long live the gonzo king.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Absolut
PS – Vencedor sem esforço. Sem programa. Sem brilho. Com muitos, muitos votos. Sem uma menção à palavra esquerda nos vários discursos do líder triunfante.
Sentimento dominante: “Consegui”
Dúvida pungente: E agora?
Desafio emergente: Formar governo. Começar a revelar uma ou outra medida... Era capaz de não ser má ideia.
PSD – Santana Lopes é, sem dúvida, um lutador, mas correu rodeado de realidade. A sua. Só podia perder.
Sentimento dominante: Cagandatareia!
Dúvida pungente: O Prof. Cavaco avança ou não avança?
Desafio emergente: Varrer o Santana.
CDU- Jerónimo de Sousa transformou em votos dez dias de boa imprensa. Tem grande mérito pessoal. Pena que (grande parte d)essa boa imprensa insistisse exclusivamente na humanidade e autenticidade do candidato, desvalorizando o mérito e a consistência do programa eleitoral.
Sentimento dominante: Estamos satisfeitos, mas o governo do PS que não durma.
Dúvida pungente: Há quantos anos não crescíamos?
Desafio emergente: Manter o élan do Jerónimo e evidenciar a qualidade dos novos deputados.
BE – Pula de três para oito deputados (e só por azar não consegue mais dois ou três) e concretiza o seu grande objectivo: o aumento significativo de mandatos. Indo contra muitas sondagens, mantém-se como quinta força, mas é a aquela que mais cresce em termos relativos.
Sentimento dominante: Somos bons.
Dúvida pungente: Será sempre a subir?
Desafio emergente: Manter, agora com mais peso institucional, o registo anti-sistema.
CDS – Adivinhava-se a queda. Mais um guerreiro derrotado pela realidade, agora e a cores. Portas deu muito ao partido, pouco ao país. Acaba engolido na esquizofrenia do Ministro Portas e do Paulinho das Feiras.
Sentimento dominante: Onde é que estávamos com a cabeça para andar a pedir 10%?
Dúvida pungente: Em que corpo renascerá Paulo Portas?
Desafio emergente: Arranjar um novo (ou uma nova) líder.
PS – Vencedor sem esforço. Sem programa. Sem brilho. Com muitos, muitos votos. Sem uma menção à palavra esquerda nos vários discursos do líder triunfante.
Sentimento dominante: “Consegui”
Dúvida pungente: E agora?
Desafio emergente: Formar governo. Começar a revelar uma ou outra medida... Era capaz de não ser má ideia.
PSD – Santana Lopes é, sem dúvida, um lutador, mas correu rodeado de realidade. A sua. Só podia perder.
Sentimento dominante: Cagandatareia!
Dúvida pungente: O Prof. Cavaco avança ou não avança?
Desafio emergente: Varrer o Santana.
CDU- Jerónimo de Sousa transformou em votos dez dias de boa imprensa. Tem grande mérito pessoal. Pena que (grande parte d)essa boa imprensa insistisse exclusivamente na humanidade e autenticidade do candidato, desvalorizando o mérito e a consistência do programa eleitoral.
Sentimento dominante: Estamos satisfeitos, mas o governo do PS que não durma.
Dúvida pungente: Há quantos anos não crescíamos?
Desafio emergente: Manter o élan do Jerónimo e evidenciar a qualidade dos novos deputados.
BE – Pula de três para oito deputados (e só por azar não consegue mais dois ou três) e concretiza o seu grande objectivo: o aumento significativo de mandatos. Indo contra muitas sondagens, mantém-se como quinta força, mas é a aquela que mais cresce em termos relativos.
Sentimento dominante: Somos bons.
Dúvida pungente: Será sempre a subir?
Desafio emergente: Manter, agora com mais peso institucional, o registo anti-sistema.
CDS – Adivinhava-se a queda. Mais um guerreiro derrotado pela realidade, agora e a cores. Portas deu muito ao partido, pouco ao país. Acaba engolido na esquizofrenia do Ministro Portas e do Paulinho das Feiras.
Sentimento dominante: Onde é que estávamos com a cabeça para andar a pedir 10%?
Dúvida pungente: Em que corpo renascerá Paulo Portas?
Desafio emergente: Arranjar um novo (ou uma nova) líder.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Eleições
No Domingo, vou votar, como habitualmente.
Devo confessar que ainda não sei em quem, não por cinismo de achar que não serve de nada e todos eles são maus, apenas porque não sei, de entre dois partidos, aquele que merece mais o meu voto.
Mas isso não é, agora, o mais importante.
O importante é que vai ser feita alguma justiça, às mãos dos votantes.
Justiça porque esta direita vai ser finalmente despejada do poleiro, mais ainda do que pela vitória do PS, que nada de relevante, por si só, mudará.
É importante que o país dê este sinal, de que está farto. A esquerda irá subir, o que muito me agrada, embora considere que não se pode falar de uma viragem do país à esquerda. Viragens destas já vi muitas, e em larga medida não querem dizer nada a não ser o desejo de penalizar quem lá está.
Mas, ainda assim, é de extrema importância a derrota da direita.
Desta direita puritana e mesquinha, que se mascara de popular para enganar o povo com gravatas pretas e lágrimas de crocodilo, tratando o povo como idiotas, como sempre fizeram.
O povo é burro? Sim, em boa parte. Mas a postura do poder deveria ser de tentar alterar isso, e não apenas tentar tirar partido desse facto, como os três partidos do eixo do poder estão a fazer.
É preciso correr com esta direita. A sua derrota será a derrota da estratégia de terra queimada, do marketing barato, do boato, da manipulação, do choradinho do menino guerreiro e da virgem santíssima.
Não quero o meu país governado por santanetes, advogados e gestores. Não quero o meu país governado pelos 10 por cento mais ricos, que fingem, em campanha, compreender e amar o povo, mas que têm como único objectivo a manutenção dos seus sujos privilégios.
Quero um governo de pessoas que trabalham, que sabem o que é a vida. Que sabem das dificuldades em criar uma família, pagar as contas, estudar à noite e aproveitar as promoções da TAP para viajar ao estrangeiro. Quero um governo de gajos que não têm barcos e não fazem propaganda de serem, ou não, católicos.
Quero um governo de pessoas, comuns como nós, e não de tecnocratas impotentes com filhos betos, que estão nas jotas para serem iguais aos papás, continuando o roubo das últimas décadas.
Quero um governo que saiba falar de felicidade, e não apenas de défice, que saiba falar de alegria, e não apenas de sacrifício, que saiba falar de ganas de viver, e não apenas da sobrevivência de tachos e privilégios.
Chega de betos, tias, santanetes, advogadozinhos a lamber os beiços. Isso não é Portugal, é apenas o cancro que anda a comer Portugal.
Espero que se confirme o cenário que previ: a vitória do PS SEM maioria absoluta, e a subida de Bloco e CDU; que o PPD/PSD (filhos da puta!) tenha 30 por cento no máximo e que o PP não seja a terceira força política; e, se ainda houver brindes, gostava de ver o Garcia Pereira na assembleia e o Manuel Monteiro a cantar no metro.
Boas eleições, caros atónitos.
No Domingo, vou votar, como habitualmente.
Devo confessar que ainda não sei em quem, não por cinismo de achar que não serve de nada e todos eles são maus, apenas porque não sei, de entre dois partidos, aquele que merece mais o meu voto.
Mas isso não é, agora, o mais importante.
O importante é que vai ser feita alguma justiça, às mãos dos votantes.
Justiça porque esta direita vai ser finalmente despejada do poleiro, mais ainda do que pela vitória do PS, que nada de relevante, por si só, mudará.
É importante que o país dê este sinal, de que está farto. A esquerda irá subir, o que muito me agrada, embora considere que não se pode falar de uma viragem do país à esquerda. Viragens destas já vi muitas, e em larga medida não querem dizer nada a não ser o desejo de penalizar quem lá está.
Mas, ainda assim, é de extrema importância a derrota da direita.
Desta direita puritana e mesquinha, que se mascara de popular para enganar o povo com gravatas pretas e lágrimas de crocodilo, tratando o povo como idiotas, como sempre fizeram.
O povo é burro? Sim, em boa parte. Mas a postura do poder deveria ser de tentar alterar isso, e não apenas tentar tirar partido desse facto, como os três partidos do eixo do poder estão a fazer.
É preciso correr com esta direita. A sua derrota será a derrota da estratégia de terra queimada, do marketing barato, do boato, da manipulação, do choradinho do menino guerreiro e da virgem santíssima.
Não quero o meu país governado por santanetes, advogados e gestores. Não quero o meu país governado pelos 10 por cento mais ricos, que fingem, em campanha, compreender e amar o povo, mas que têm como único objectivo a manutenção dos seus sujos privilégios.
Quero um governo de pessoas que trabalham, que sabem o que é a vida. Que sabem das dificuldades em criar uma família, pagar as contas, estudar à noite e aproveitar as promoções da TAP para viajar ao estrangeiro. Quero um governo de gajos que não têm barcos e não fazem propaganda de serem, ou não, católicos.
Quero um governo de pessoas, comuns como nós, e não de tecnocratas impotentes com filhos betos, que estão nas jotas para serem iguais aos papás, continuando o roubo das últimas décadas.
Quero um governo que saiba falar de felicidade, e não apenas de défice, que saiba falar de alegria, e não apenas de sacrifício, que saiba falar de ganas de viver, e não apenas da sobrevivência de tachos e privilégios.
Chega de betos, tias, santanetes, advogadozinhos a lamber os beiços. Isso não é Portugal, é apenas o cancro que anda a comer Portugal.
Espero que se confirme o cenário que previ: a vitória do PS SEM maioria absoluta, e a subida de Bloco e CDU; que o PPD/PSD (filhos da puta!) tenha 30 por cento no máximo e que o PP não seja a terceira força política; e, se ainda houver brindes, gostava de ver o Garcia Pereira na assembleia e o Manuel Monteiro a cantar no metro.
Boas eleições, caros atónitos.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
There´s a Starman
Assisti, hoje, às oito da manhã, na RTP, a uma reportagem sobre o desemprego no nosso país.
Enquanto eram apresentados os tristes números, passavam aquelas imagens recorrentes de transeuntes a circular pelas ruas de Lisboa com um ar meio activo, meio melancólico. Portugueses.
Entre estes, uma cara conhecida: a do Xôr Raviolli Ninja.
Vais longe, Miúdo!
Assisti, hoje, às oito da manhã, na RTP, a uma reportagem sobre o desemprego no nosso país.
Enquanto eram apresentados os tristes números, passavam aquelas imagens recorrentes de transeuntes a circular pelas ruas de Lisboa com um ar meio activo, meio melancólico. Portugueses.
Entre estes, uma cara conhecida: a do Xôr Raviolli Ninja.
Vais longe, Miúdo!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Mete nojo!
Mesmo que não tivesse razões de sobra para não votar Santana, depois de ter visto ontem a figurinha a aparecer no debate com gravata preta já é razão suficiente.
Para mim demonstra como o Sr. Lopes faz tudo para ganhar votos mais uns votos.
Epá, é que nem a Maria Beata do Portas se lembrou de tal coisa.
Mesmo que não tivesse razões de sobra para não votar Santana, depois de ter visto ontem a figurinha a aparecer no debate com gravata preta já é razão suficiente.
Para mim demonstra como o Sr. Lopes faz tudo para ganhar votos mais uns votos.
Epá, é que nem a Maria Beata do Portas se lembrou de tal coisa.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
A Saga de Sacana Lopes XV (?)
Sacana Lopes, o bébé que tarda em crescer, escreveu uma missiva aos portugueses abstencionistas. Como ele sabe quem são esses eleitores é um mistério, e não nos atrevemos sequer a especular nesse domínio.
Sacana pede aos portugueses que vão votar, de forma a que se possa "fazer frente aos poderosos".
Diz ele que "Portugal precisa do seu voto de justiça" e acrescenta que, se os malandros dos abstencionistas não lerem a carta, farão "o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses".
Sacana compreende os portugueses. Diz ele que "você não costuma votar, e não é por acaso".
O bébé queixa-se de"alguns poderosos a quem interessa que fique tudo na mesma", mas diz que isso não pode ser!
"Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema", diz o Sacana, que até compreende o povo perseguido.
"Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários", diz ele, antes concluir pedindo o voto dos portugueses, "por favor!".
Sem comentários.
Sacana Lopes, o bébé que tarda em crescer, escreveu uma missiva aos portugueses abstencionistas. Como ele sabe quem são esses eleitores é um mistério, e não nos atrevemos sequer a especular nesse domínio.
Sacana pede aos portugueses que vão votar, de forma a que se possa "fazer frente aos poderosos".
Diz ele que "Portugal precisa do seu voto de justiça" e acrescenta que, se os malandros dos abstencionistas não lerem a carta, farão "o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses".
Sacana compreende os portugueses. Diz ele que "você não costuma votar, e não é por acaso".
O bébé queixa-se de"alguns poderosos a quem interessa que fique tudo na mesma", mas diz que isso não pode ser!
"Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema", diz o Sacana, que até compreende o povo perseguido.
"Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários", diz ele, antes concluir pedindo o voto dos portugueses, "por favor!".
Sem comentários.
BE ( não confundir com Boa Educação)
Frei Louçã continua a deixar marcas da sua indelével superioridade moral.
Depois de, em pleno debate televisivo, ter confrontado Paulo Portas com a sua falta de hábitos reprodutivos, voltou hoje à carga, ainda que numa versão claramente mais light (Não amoleças, Francisco!!).
A vítima foi este gajo.
Frei Louçã continua a deixar marcas da sua indelével superioridade moral.
Depois de, em pleno debate televisivo, ter confrontado Paulo Portas com a sua falta de hábitos reprodutivos, voltou hoje à carga, ainda que numa versão claramente mais light (Não amoleças, Francisco!!).
A vítima foi este gajo.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
Ele continua a dar-nos música
Em: www.luisdelgado.net
PS: Com o agradecimento ao sempre atento Karlo Vasco.
Em: www.luisdelgado.net
PS: Com o agradecimento ao sempre atento Karlo Vasco.
Finalmente!
Michael Bolton, esse grande senhor da canção romântica, fará a sua estreia nos palcos portugueses a 10 de Março, no Casino Estoril.
Esperam-se temas deliciosos do seu 22º albúm (verdade!), bem como algumas pérolas perdidas dos BlackJack, banda heavy-metal que o ex-guedelhudo liderou, em início de carreira.
Michael Bolton, esse grande senhor da canção romântica, fará a sua estreia nos palcos portugueses a 10 de Março, no Casino Estoril.
Esperam-se temas deliciosos do seu 22º albúm (verdade!), bem como algumas pérolas perdidas dos BlackJack, banda heavy-metal que o ex-guedelhudo liderou, em início de carreira.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
Notas soltas sobre a campanha (ou os mais e menos do aterro sanitário)
Muitos menos, apenas dois mais, aviso já, que a gente não está aqui para dizer bem.
Menos 1 - Os jotas. Os irritantes jotas. Todos os jotas são irritantes, mas os mais irritantes de todos são os do PP e os do PSD, com os seus cabelos e vestuária de beto, entrando em comitiva numa fábrica que felizmente cheira a suor. Guardo algumas recordações que qualquer dia me levarão a comprar uma caçadeira: os cânticos futeboleiros da JSD, na sua presença no exterior do estúdio do debate; o seu comportamento na campanha de rua de ontem, em Loulé, Faro e Setúbal, já que de cada vez que pressentiam um início de crítica ao bébé Santana desataram a gritar slogans, para abafar a voz do povo e ficar bem na televisão.
Menos 2 - Paulo Portas mostra que gosta do povo trabalhador ao visitar uma fábrica. Acontece que marcou a visita para quando os trabalhadores já tinham saído. Sempre se evitam chatices.
Menos 3 - A questão Cavaco, com base na pseudo-notícia do Público. Quando mais tempo se perde com estas merdas, menos se discutem os verdadeiros problemas.
Menos 4 - Toda a campanha do PSD. Desde o menino guerreiro à tarde informal de Santana com a imprensa, aos outdoors e aos boatos, passando pelos Falcons e pelo discurso à novela venezuelana. O PSD transformou-se no escarratório da política portuguesa.
Menos 5- O tom cada vez mais moralista de Francisco Louçã.
Menos 6 - A péssima representação de Paulo Portas e do PP, que merecia um "razzie" por falta de talento. Fingem pose de Estado e apelam ao levantamento popular; são parceiros do PSD mas não perdem uma oportunidade para os criticar, dizendo sempre que nunca os apanharão a criticar os laranjas.
Mais 1 - Os tempos de antena do BE. Hilariantes.
Mais 2- Jerónimo de Sousa. Anunciado como o coveiro do PCP, ganha em toda a linha na comparação com os medíocres adversários. Será a boa surpresa destas eleições.
Siga a banda.
Muitos menos, apenas dois mais, aviso já, que a gente não está aqui para dizer bem.
Menos 1 - Os jotas. Os irritantes jotas. Todos os jotas são irritantes, mas os mais irritantes de todos são os do PP e os do PSD, com os seus cabelos e vestuária de beto, entrando em comitiva numa fábrica que felizmente cheira a suor. Guardo algumas recordações que qualquer dia me levarão a comprar uma caçadeira: os cânticos futeboleiros da JSD, na sua presença no exterior do estúdio do debate; o seu comportamento na campanha de rua de ontem, em Loulé, Faro e Setúbal, já que de cada vez que pressentiam um início de crítica ao bébé Santana desataram a gritar slogans, para abafar a voz do povo e ficar bem na televisão.
Menos 2 - Paulo Portas mostra que gosta do povo trabalhador ao visitar uma fábrica. Acontece que marcou a visita para quando os trabalhadores já tinham saído. Sempre se evitam chatices.
Menos 3 - A questão Cavaco, com base na pseudo-notícia do Público. Quando mais tempo se perde com estas merdas, menos se discutem os verdadeiros problemas.
Menos 4 - Toda a campanha do PSD. Desde o menino guerreiro à tarde informal de Santana com a imprensa, aos outdoors e aos boatos, passando pelos Falcons e pelo discurso à novela venezuelana. O PSD transformou-se no escarratório da política portuguesa.
Menos 5- O tom cada vez mais moralista de Francisco Louçã.
Menos 6 - A péssima representação de Paulo Portas e do PP, que merecia um "razzie" por falta de talento. Fingem pose de Estado e apelam ao levantamento popular; são parceiros do PSD mas não perdem uma oportunidade para os criticar, dizendo sempre que nunca os apanharão a criticar os laranjas.
Mais 1 - Os tempos de antena do BE. Hilariantes.
Mais 2- Jerónimo de Sousa. Anunciado como o coveiro do PCP, ganha em toda a linha na comparação com os medíocres adversários. Será a boa surpresa destas eleições.
Siga a banda.
Pública inocência
Leio vários jornais por obrigação, mas o Público é o meu jornal preferido.
Mas desta vez, estampou-se, com a história de Cavaco Silva.
A manchete rezava "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates" e agitou dois dias de campanha, em que não se falou de nada de relevante.
Abrindo o jornal, a notícia ocupa nada menos que uma página inteira. Leio, leio, leio, e em nenhum sítio se percebe de onde saiu a informação que possa sustentar o título da manchete. Não só não há fonte, ainda que fosse não identificada ou "pessoa próxima de", como tudo o que se refere ao título é uma especulação pegada.
Diz o Público que Cavaco sempre foi defensor das maiorias absolutas. Diz ainda que Sócrates é o único em posição de conseguir. Logo, um mais um são dois, e "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates".
E quem diz isto? Não Cavaco, que não foi tido nem achado na notícia; não alguém próximo de Cavaco, que possa saber o que ele quer; não um porta-voz político de Cavaco, que não aparece citado em lugar algum.
Quem o diz é o próprio Público, ou as jornalistas que escreveram a notícia, quiçá na posse das capacidades adivinhatórias do falecido professor Zandinga.
Como está escrita, a notícia só pode ser uma de duas coisas: ou pura incompetência ou uma notícia encomendada. Nada mais.
No dia seguinte ao estouro da bronca, o Público volta à carga, procurando desmentir o desmentido de Cavaco, sim, claro, porque se há alguém que sabe o que Cavaco pensa é o Público, ainda mais que o próprio!
Recuando ligeiramente, o Público precisa que aquilo é o que Cavaco pensa mas não pode dizer. Ah!
Já hoje, três dias depois de um erro infantil ou uma missão política, o Público finalmente dá a mão à palmatória. Reconhece que "fez uma má escolha do título de capa ao optar pela expressão "aposta em", expressão ambígua a meio caminho entre o "prevê" e o "apoia".
Esta é a pior desculpa de todas as possíveis. Em vez de reconhecer que fez uma notícia incompetente ou um frete (este último que nunca poderia admitir), tenta distrair a atenção com a expressão utilizada, que é tudo menos inocente.
Quem sabe como são feitos os jornais em qualquer parte do mundo, e sobretudo com temas quentes, sabe que aquele título foi ou deveria ter sido discutido até à exaustão, e não é um erro inocente a utilização daquela palavra "aposta".
Não foi mais que uma cedência à tentação de fazer um título mais "sangrento", que chamasse mais a atenção, como qualquer pasquim de quinta categoria.
Depois de ter feito manchete com uma opinião, a pseudo-vitória de Santana no debate, o Público volta a dar um tiro no pé.
Infelizmente acontece a todos, mas o mais grave de tudo é a lentidão e renitência demonstrada pela direcção do jornal em admitir o erro. Evidente e grave.
Leio vários jornais por obrigação, mas o Público é o meu jornal preferido.
Mas desta vez, estampou-se, com a história de Cavaco Silva.
A manchete rezava "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates" e agitou dois dias de campanha, em que não se falou de nada de relevante.
Abrindo o jornal, a notícia ocupa nada menos que uma página inteira. Leio, leio, leio, e em nenhum sítio se percebe de onde saiu a informação que possa sustentar o título da manchete. Não só não há fonte, ainda que fosse não identificada ou "pessoa próxima de", como tudo o que se refere ao título é uma especulação pegada.
Diz o Público que Cavaco sempre foi defensor das maiorias absolutas. Diz ainda que Sócrates é o único em posição de conseguir. Logo, um mais um são dois, e "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates".
E quem diz isto? Não Cavaco, que não foi tido nem achado na notícia; não alguém próximo de Cavaco, que possa saber o que ele quer; não um porta-voz político de Cavaco, que não aparece citado em lugar algum.
Quem o diz é o próprio Público, ou as jornalistas que escreveram a notícia, quiçá na posse das capacidades adivinhatórias do falecido professor Zandinga.
Como está escrita, a notícia só pode ser uma de duas coisas: ou pura incompetência ou uma notícia encomendada. Nada mais.
No dia seguinte ao estouro da bronca, o Público volta à carga, procurando desmentir o desmentido de Cavaco, sim, claro, porque se há alguém que sabe o que Cavaco pensa é o Público, ainda mais que o próprio!
Recuando ligeiramente, o Público precisa que aquilo é o que Cavaco pensa mas não pode dizer. Ah!
Já hoje, três dias depois de um erro infantil ou uma missão política, o Público finalmente dá a mão à palmatória. Reconhece que "fez uma má escolha do título de capa ao optar pela expressão "aposta em", expressão ambígua a meio caminho entre o "prevê" e o "apoia".
Esta é a pior desculpa de todas as possíveis. Em vez de reconhecer que fez uma notícia incompetente ou um frete (este último que nunca poderia admitir), tenta distrair a atenção com a expressão utilizada, que é tudo menos inocente.
Quem sabe como são feitos os jornais em qualquer parte do mundo, e sobretudo com temas quentes, sabe que aquele título foi ou deveria ter sido discutido até à exaustão, e não é um erro inocente a utilização daquela palavra "aposta".
Não foi mais que uma cedência à tentação de fazer um título mais "sangrento", que chamasse mais a atenção, como qualquer pasquim de quinta categoria.
Depois de ter feito manchete com uma opinião, a pseudo-vitória de Santana no debate, o Público volta a dar um tiro no pé.
Infelizmente acontece a todos, mas o mais grave de tudo é a lentidão e renitência demonstrada pela direcção do jornal em admitir o erro. Evidente e grave.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
BE - Esquerda Moderna, Xofisticada e Doxinha
“Pretendemos destruir o actual sistema capitalista-imperialista e lançar as bases do socialismo em Portugal não apenas por adesão afectiva ou ideológica ou por obrigação moral por sermos de “esquerda”, mas também porque compreendemos a realidade”
”O programa revolucionário integra “claims” bem precisos: expropriação dos grupos monopolistas; nacionalização dos principais meios de produção, circulação e troca; monopólio estatal do comércio externo; planificação democrática da economia; democracia socialista para as amplas massas e repressão concentrada sobre os capitalistas e os seus aliados armados; dissolução do exército de caserna e dos corpos especiais de repressão policial...”
”Trata-se de um programa que só é sacado em palavras-de-ordem para as amplas massas em situações revolucionárias”
"O “programa de transição” elaborado por Trotsky em 1938 procura elevar as massas do seu nível de consciência imediato até à tarefa da tomada do poder. Aparecem aqui os “piquetes armados”, “o controlo operário da produção”(...) o “governo operário e camponês” ou os “sovietes””.
“O PCP afastou-se definitivamente do objectivo da revolução socialista e, como corolário lógico do seu jogo institucional no parlamento e nas câmaras, construiu um perfil de gestor de esquerda do sistema capitalista”
"Os eixos políticos para a acção são as palavras-de-ordem mais adequadas ao nível de consciência das massas no contexto de conjunturas bem determinadas. Apenas coincidem com o programa histórico em situações revolucionárias, mas podem perfeitamente coincidir com “claims” de transição e são normalmente “claims” democráticos, económicos, mínimos e parciais. Os exemplos são inúmeros, podendo ir desde as campanhas do Bloco “pelo fim do sigilo bancário” e “pela despenalização do aborto” até aos “piquetes armados” em certas situações pré-revolucionárias”.
Estas pérolas foram retiradas de do site da Ruptura/FER - www.rupturafer.org - grupo cuja totalidade dos membros integra o Bloco de Esquerda, “impulsionando o debate político e a sua construção”.
“Pretendemos destruir o actual sistema capitalista-imperialista e lançar as bases do socialismo em Portugal não apenas por adesão afectiva ou ideológica ou por obrigação moral por sermos de “esquerda”, mas também porque compreendemos a realidade”
”O programa revolucionário integra “claims” bem precisos: expropriação dos grupos monopolistas; nacionalização dos principais meios de produção, circulação e troca; monopólio estatal do comércio externo; planificação democrática da economia; democracia socialista para as amplas massas e repressão concentrada sobre os capitalistas e os seus aliados armados; dissolução do exército de caserna e dos corpos especiais de repressão policial...”
”Trata-se de um programa que só é sacado em palavras-de-ordem para as amplas massas em situações revolucionárias”
"O “programa de transição” elaborado por Trotsky em 1938 procura elevar as massas do seu nível de consciência imediato até à tarefa da tomada do poder. Aparecem aqui os “piquetes armados”, “o controlo operário da produção”(...) o “governo operário e camponês” ou os “sovietes””.
“O PCP afastou-se definitivamente do objectivo da revolução socialista e, como corolário lógico do seu jogo institucional no parlamento e nas câmaras, construiu um perfil de gestor de esquerda do sistema capitalista”
"Os eixos políticos para a acção são as palavras-de-ordem mais adequadas ao nível de consciência das massas no contexto de conjunturas bem determinadas. Apenas coincidem com o programa histórico em situações revolucionárias, mas podem perfeitamente coincidir com “claims” de transição e são normalmente “claims” democráticos, económicos, mínimos e parciais. Os exemplos são inúmeros, podendo ir desde as campanhas do Bloco “pelo fim do sigilo bancário” e “pela despenalização do aborto” até aos “piquetes armados” em certas situações pré-revolucionárias”.
Estas pérolas foram retiradas de do site da Ruptura/FER - www.rupturafer.org - grupo cuja totalidade dos membros integra o Bloco de Esquerda, “impulsionando o debate político e a sua construção”.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
O grande debacle
Falando mal e depressa, o debate foi uma bela merda.
Dito isto, vamos alegremente escarafunchar na merda em que está transformada (há anos, e não só com esta campanha) a política portuguesa.
Sem dúvida alguma, Sócrates ganhou.
Santana apreceu acabrunhado, tímido, amorfo, num modelo que não favorecia o seu show-off de bébé na incubadora. Apareceu, numa palavra, derrotado.
Sócrates apareceu algo nervoso, sem conseguir explicar nada de nada, como é habitual. Esteve agressivo, mas permitiu em demasia que Santana fingisse que não tem nada a ver com o estado em que está o país.
Nada de fundamental se debateu, as respostas saíram decoradas e inócuas mas, sejamos sinceros, ninguém esperava outra coisa dos dois protagonistas.
Gostei de vários momentos, nomeadamente quando Santana, apertado por uma interpelação de Sócrates, lhe disse "eu respondo, eu respondo mas não me aponte o dedo". Parecia um puto da primária, no claro sinal de quem não tem argumentos para debater o fundamental, atacando a forma como é questionado.
Gostei também do ênfase dado por Santana quando falou nas promessas do choque fiscal do PSD, nas últimas eleições, quando disse que "o que Durão Barroso prometeu" foi tal e tal. Logo depois, atirou para cima da mesa com números aprendidos à pressa, dizendo que "nós fizemos", e aí eram números dos últimos três anos, não apenas de Durão Barroso. Elucidativo.
Gostei ainda de quando Santana, dizendo que não suportava boatos e queria acabar com isso se dedicou a habilmente enumerá-los, metendo ainda a martelo a questão da posição de Sócrates sobre o casamento homossexual.
Por último, fartei-me de rir quando Santana se desculpou com o nível da campanha, alegando que isso é feito nos EUA, "mas se o Engº Sócrates prefere a política portuguesa.........". Eu prefiro, mas isso sou eu, que não percebo nada disto.
Tirando o tom demasiado agressivo, no cômputo geral Sócrates foi melhor, quando lhe bastava empatar.
Ia caindo para o chão a rir quando vi hoje em alguns jornais que Santana ganhou. O Público justifica esta opinião (!), como principal manchete de primeira página, com o facto de Sócrates ir à frente, e como tal haver expectativas mais altas quanto ao seu desempenho.
Não é apenas mentira, é a análise mais idiota que ouvi nos últimos tempos.
Sócrates entrou a ganhar, bastava-lhe manter o resultado. Para Santana, o debate seria inútil ao não ser que ele obtivesse uma vitória claríssima. E ele perdeu.
Quatro notas finais:
1- A hilariante comitiva da JSD, que armou arraial à porta dos estúdios, equipados com os seus penteados à beto (talvez contra o frio) e do grito de guerra PPD!, com a música do grito futeboleiro do Glorioso SLB. Grande nível.
2- A opinião de Luis Delgado, o único dos oito comentadores da SIC Notícias a defender que Santana tinha ganho o debate.
3- A resposta a Delgado do gajo do clube de jornalistas, também na SIC Notícias.
Delgado: "Ninguém, nem um jornalista, nem um cameraman, nem um primeiro-ministro, ninguém pode ser avaliado com base em quatro meses de trabalho".
Outro Gajo: "Pois, mas eu diria que ninguém pode fazer em quatro meses tantos disparates como fez Santana Lopes".
Vai buscar!
.4- Na sondagem telefónica (a pagar 60 cêntimos) feita na Sic Notícias, 65 por cento dos telefonantes deram a vitória do debate a Santana Lopes.
Grande aquisição, para o PPD/PSD, do computador utilizado por Mourinho noutra célebre e limpíssima votação.
Falando mal e depressa, o debate foi uma bela merda.
Dito isto, vamos alegremente escarafunchar na merda em que está transformada (há anos, e não só com esta campanha) a política portuguesa.
Sem dúvida alguma, Sócrates ganhou.
Santana apreceu acabrunhado, tímido, amorfo, num modelo que não favorecia o seu show-off de bébé na incubadora. Apareceu, numa palavra, derrotado.
Sócrates apareceu algo nervoso, sem conseguir explicar nada de nada, como é habitual. Esteve agressivo, mas permitiu em demasia que Santana fingisse que não tem nada a ver com o estado em que está o país.
Nada de fundamental se debateu, as respostas saíram decoradas e inócuas mas, sejamos sinceros, ninguém esperava outra coisa dos dois protagonistas.
Gostei de vários momentos, nomeadamente quando Santana, apertado por uma interpelação de Sócrates, lhe disse "eu respondo, eu respondo mas não me aponte o dedo". Parecia um puto da primária, no claro sinal de quem não tem argumentos para debater o fundamental, atacando a forma como é questionado.
Gostei também do ênfase dado por Santana quando falou nas promessas do choque fiscal do PSD, nas últimas eleições, quando disse que "o que Durão Barroso prometeu" foi tal e tal. Logo depois, atirou para cima da mesa com números aprendidos à pressa, dizendo que "nós fizemos", e aí eram números dos últimos três anos, não apenas de Durão Barroso. Elucidativo.
Gostei ainda de quando Santana, dizendo que não suportava boatos e queria acabar com isso se dedicou a habilmente enumerá-los, metendo ainda a martelo a questão da posição de Sócrates sobre o casamento homossexual.
Por último, fartei-me de rir quando Santana se desculpou com o nível da campanha, alegando que isso é feito nos EUA, "mas se o Engº Sócrates prefere a política portuguesa.........". Eu prefiro, mas isso sou eu, que não percebo nada disto.
Tirando o tom demasiado agressivo, no cômputo geral Sócrates foi melhor, quando lhe bastava empatar.
Ia caindo para o chão a rir quando vi hoje em alguns jornais que Santana ganhou. O Público justifica esta opinião (!), como principal manchete de primeira página, com o facto de Sócrates ir à frente, e como tal haver expectativas mais altas quanto ao seu desempenho.
Não é apenas mentira, é a análise mais idiota que ouvi nos últimos tempos.
Sócrates entrou a ganhar, bastava-lhe manter o resultado. Para Santana, o debate seria inútil ao não ser que ele obtivesse uma vitória claríssima. E ele perdeu.
Quatro notas finais:
1- A hilariante comitiva da JSD, que armou arraial à porta dos estúdios, equipados com os seus penteados à beto (talvez contra o frio) e do grito de guerra PPD!, com a música do grito futeboleiro do Glorioso SLB. Grande nível.
2- A opinião de Luis Delgado, o único dos oito comentadores da SIC Notícias a defender que Santana tinha ganho o debate.
3- A resposta a Delgado do gajo do clube de jornalistas, também na SIC Notícias.
Delgado: "Ninguém, nem um jornalista, nem um cameraman, nem um primeiro-ministro, ninguém pode ser avaliado com base em quatro meses de trabalho".
Outro Gajo: "Pois, mas eu diria que ninguém pode fazer em quatro meses tantos disparates como fez Santana Lopes".
Vai buscar!
.4- Na sondagem telefónica (a pagar 60 cêntimos) feita na Sic Notícias, 65 por cento dos telefonantes deram a vitória do debate a Santana Lopes.
Grande aquisição, para o PPD/PSD, do computador utilizado por Mourinho noutra célebre e limpíssima votação.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005
Indiana Guedes
Por debaixo daquela capa de gentleman com ar de atrasado mental, Nobre Guedes é um ranger. Não do Texas, mas talvez da Arrábida.
Hoje, o senhor ministro Nobre Guedes passou-se completamente da cabeça e apelou ao levantamento da populaça de Coimbra, para "impedir" a entrada de José Sócrates na cidade, devido à sua defesa da co-incineração.
Para o Indiana Guedes, que apenas imaginamos a comer scones e no cu, ainda estamos na Idade Média, e temos que fechar as portas da cidade para manter a peste à distância. Pede levantamento popular, que a malta pegue nas forquilhas e vá queimar, não lixo, mas bruxas, o satânico Sócrates.
Isto é poesia pura, e é lindo ver que a direita, por baixo da sua capa de pseudo-seriedade de Estado, não consegue evitar mostrar a sua verdadeira natureza fascistóide e ridícula.
Como simples exercício de "Descubra as diferenças", é favor comparar as declarações de Indiana Guedes com as do "estadista" GI Portas, afirmando que "o PP marca a diferença, com uma campanha pela positiva".
Fantástico....
Por debaixo daquela capa de gentleman com ar de atrasado mental, Nobre Guedes é um ranger. Não do Texas, mas talvez da Arrábida.
Hoje, o senhor ministro Nobre Guedes passou-se completamente da cabeça e apelou ao levantamento da populaça de Coimbra, para "impedir" a entrada de José Sócrates na cidade, devido à sua defesa da co-incineração.
Para o Indiana Guedes, que apenas imaginamos a comer scones e no cu, ainda estamos na Idade Média, e temos que fechar as portas da cidade para manter a peste à distância. Pede levantamento popular, que a malta pegue nas forquilhas e vá queimar, não lixo, mas bruxas, o satânico Sócrates.
Isto é poesia pura, e é lindo ver que a direita, por baixo da sua capa de pseudo-seriedade de Estado, não consegue evitar mostrar a sua verdadeira natureza fascistóide e ridícula.
Como simples exercício de "Descubra as diferenças", é favor comparar as declarações de Indiana Guedes com as do "estadista" GI Portas, afirmando que "o PP marca a diferença, com uma campanha pela positiva".
Fantástico....
GI Portas
Quando pensamos que a pouca-vergonha desta campanha não pode ir mais longe, vai.
Gi Portas, o tipo que não foi à tropa mas adora os antigos combatentes, enviou para a casa destes uma carta de pura campanha eleitoral. Faz o choradinho do costume, apelando ao sentimento, e relembra o enorme esforço feito na atribuição de pensões a quem "defendeu a pátria".
Para isto, apetece sugeri-lo a ir mamar um ganda nabo, mas isso provavelmente torna-lo-ia feliz.
Um governo em gestão, em pré-campanha que é campanha de facto, gasta o dinheiro de todos nós na sua suja progressão pessoal.
Até os próprios combatentes, alguns saudosos do velho Ultramar, denunciaram esta manipulação.
A pouca vergonha é tão grande que até os cegos a vêm.
Quando pensamos que a pouca-vergonha desta campanha não pode ir mais longe, vai.
Gi Portas, o tipo que não foi à tropa mas adora os antigos combatentes, enviou para a casa destes uma carta de pura campanha eleitoral. Faz o choradinho do costume, apelando ao sentimento, e relembra o enorme esforço feito na atribuição de pensões a quem "defendeu a pátria".
Para isto, apetece sugeri-lo a ir mamar um ganda nabo, mas isso provavelmente torna-lo-ia feliz.
Um governo em gestão, em pré-campanha que é campanha de facto, gasta o dinheiro de todos nós na sua suja progressão pessoal.
Até os próprios combatentes, alguns saudosos do velho Ultramar, denunciaram esta manipulação.
A pouca vergonha é tão grande que até os cegos a vêm.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005
Sprint
Numa altura em que a produtividade continua na ordem do dia, nada como um Governo que dá o exemplo. Depois de dois anos a coçar a micose, o ritmo de aprovação de legislação por parte do Governo duplicou (!!!) desde que este entrou em gestão.
Para além das urgentes entradas de (ainda mais) boys & girls, há que fechar dossiers nas mais variadas áreas, para que quem vier a seguir não lhes possa estragar os planos.
Será do Guaraná?
Numa altura em que a produtividade continua na ordem do dia, nada como um Governo que dá o exemplo. Depois de dois anos a coçar a micose, o ritmo de aprovação de legislação por parte do Governo duplicou (!!!) desde que este entrou em gestão.
Para além das urgentes entradas de (ainda mais) boys & girls, há que fechar dossiers nas mais variadas áreas, para que quem vier a seguir não lhes possa estragar os planos.
Será do Guaraná?
terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
Adivinha quem quer voltar
Isaltino Morais está farto de ser um comum mortal e ter de trabalhar para viver. Assim, voltou a anunciar que está a planear o regresso ao seu habitat de nidificação natural, a presidência da Câmara de Oeiras.
O tio do sobrinho taxista milionário disse hoje que ainda não tem apoios oficiais, mas afirma que não duvida de que o PSD estará com ele nesse regresso.
Acho que ninguém duvida.
Isaltino Morais está farto de ser um comum mortal e ter de trabalhar para viver. Assim, voltou a anunciar que está a planear o regresso ao seu habitat de nidificação natural, a presidência da Câmara de Oeiras.
O tio do sobrinho taxista milionário disse hoje que ainda não tem apoios oficiais, mas afirma que não duvida de que o PSD estará com ele nesse regresso.
Acho que ninguém duvida.
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