domingo, 23 de janeiro de 2011

Second Life

Numa das eleições da nossa história em que, previsivelmente, a abstenção seria maior, nada melhor do que dificultar a vida aos casmurros dos eleitores que decidiram ir votar. Esses malandros, que insistem em ter uma palavra a dizer acerca do futuro do país, estavam a pedi-las!

Ora aí está.
Por todo o país, houve bronca.
Porquê?
Por causa do Cartão do Cidadão.
Essa maravilha da tecnologia portuguesa, primo do Magalhães e sobrinho do carro eléctrico, não só não serve para nada como conseguiu dar barraca na única ocasião em que tínhamos de o tirar do bolso.
O que aconteceu foi uma brutal confusão à volta do número de eleitor. O Cartão do Cidadão, que faz tudo qual Bimby dos documentos pessoais, não traz o número de eleitor. E quem foi votar só com o Cartão do Cidadão…lixou-se.
Noutros casos, o problema foi que, ao tirar o Cartão do Cidadão com o código postal da residência actualizado, as pessoas acabaram por ficar noutro local de voto. O problema é que ninguém lhes disse nada, e só perceberam hoje.
Por último, estavam disponíveis três maneiras de saber a merda do número de eleitor: internet, chamada telefónica e por sms. Sendo que, durante horas, nenhum dos sistemas conseguiu dar resposta aos imbecis que quiseram mesmo votar.
Eu próprio vi, no meu local de voto, uma fila de 50 pessoas no gabinete de apoio, para que soubessem onde votar. Nesse gabinete, o que se havia era um senhor ir à internet para descobrir a informação, sendo que o site…borregou. E assim se manteve pelo menos entre as 15 e as 17 horas.
Mais giro ainda foi, com o site bloqueado, haver um link que dizia “Ajude-nos a melhorar”. Cliquei e…não funcionava. Mais palavras para quê?
Muita gente virou costas e se pirou, algo que eu próprio presenciei (a minha mãe só não fez o mesmo porque insisti com ela para que aguentasse e votasse).
E é claro que já vieram as vozes tecnocráticas do regime socrático defender que a culpa é das pessoas, que não verificaram antecipadamente se tinha havido mudanças. Ou seja, a responsabilidade é dos próprios facínoras viciados em votos. Brilhante.
Os sistemas são construídos tendo em atenção quem os vai usar, em teoria. E quem iria usar este não era o Sócrates, o Bill Gates ou o Zé Magalhães. Eram os tugas, muitos deles idosos, que não podem/sabem aceder à internet ou mandar um sms. Quando a abstenção é um problema desta dimensão, votar tem de ser fácil, acessível, intuitivo. Não se pode dizer “tu és info-excluído, portanto não tens direito a votar”.
O problema é sempre o mesmo, e vem da obsessão de Sócrates de tornar este país “modernaço”, nem que tenha que nos matar a todos pelo caminho. Como sempre, é fogo de vista, um brilharete para dizer que fez algo, sem haver uma estrutura de base que o suporte, que torne a coisa realmente útil e utilizável quando é preciso. É, como de costume, construir a casa pelo telhado.
Há eleições com intervalos de anos. O que raio andou a malta a fazer durante este tempo, para isto dar agora esta barraca? Comissão Nacional de Eleições e Ministério da Administração Interna, que raio andaram a fazer? Temos milhares de portugueses tecnicamente impedidos de votar e ninguém se demite?
No mundo de Sócrates, todos vestem Armani e têm pelo menos um iPad, um iPhone, um GPS, três Magalhães e um Tamagotchi. Como tal, nunca lhe passou pela cabeça que os seus cidadãos não tivessem, todos, ido à internet saber qual era, agora, a sua mesa de voto. No mundo de Sócrates não há velhos, nem pobres, nem sem-abrigo. E nunca há falta de rede Wi-fi.

Sócrates vive no Second Life.
Aos seus olhos somos avatares, e não cidadãos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eh pá...



E vale a pena visitar o site oficial do coelhinho.

Por que raio vou votar em Fernando Nobre

Confesso que não sei muito bem.


Mas pronto, vou tentar explicar, porque isto talvez seja útil para mim.

Basicamente, como tantas vezes, é um processo de exclusão de partes.

Como tal, vamos por partes.

Começando por Cavaco, acho que não é preciso dizer muito. Mas bora lá.
O político no activo há mais anos na política, que diz que não é político. O impulsionador do nosso actual modelo económico, que deu o resultado que está à vista. E que agora diz que não tem nada a ver com isto. O tipo que se acha mais honesto que todos, embora tudo mostre o contrário. Um tecnocrata provinciano, sem cultura, sem mundo, sem qualquer lampejo de rasgo, de emoção, de nada. Em terra de cegos, quem tem meio olho é rei, e só isso justifica a sua popularidade, que diz muito do nosso país. O gajo que, durante cinco anos, permitiu a Sócrates destruir paulatinamente este país, e nada fez. E que agora ameaça que “agora é que é”, agora no segundo mandato é que vai trabalhar. Eu andei-lhe a pagar durante cinco anos para fazer o quê?
Depois há o Alegre. Uma fraude, um hipócrita, um cobarde pseudo-corajoso, que passou a vida a mamar na teta do PS e do poder, fingindo não ter nada a ver com aquele regabofe. Um tipo que não percebeu que, ao aceitar e pedir o apoio do PS, hipotecou qualquer hipótese de ser levado a sério por quem quer mudar alguma coisa. Defende o Estado Social, mas o PS mostrou ser o maior inimigo do Estado Social. Aparece como o regenerador do regime, como um candidato de “ruptura”, mas não é possível resolver a contradição entre isto e o facto de ser do PS, apoiado pelo PS, sustentado pelo PS. Os analistas já estão a culpar a associação ao Bloco pelo fracasso de Alegre. Mas estão a ver mal as coisas. A culpa do fracasso não é do Bloco, que nunca teria um candidato próprio com mais votos do que Alegre vai ter. A culpa é do PS e do próprio Alegre.
Chico Lopes é uma desilusão. Ainda pensei que pudesse haver o “efeito Jerónimo”: aparecer um gajo desconhecido mas cujo carisma natural pudesse entusiasmar. Mas não. Lopes é um gajo do aparelho, só. Não é mais nada, porque enquanto indivíduo não consegue mobilizar nada nem ninguém. Muito fraquinho. Dar-lhe o meu voto seria dizer ao PC “proponham um gajo qualquer, tanto faz, que eu dou-lhe o meu voto”. Mas eu prezo mais o meu voto do que isso. E quem acha que eu não vou pensar e dar-lhe o meu voto por ‘default’ está enganado.
Souto Moura nem sei bem o que anda para ali a fazer.
O Coelho é muito divertido e ainda bem que concorreu. Sempre animou as coisas.
E resta o Nobre. Como já disse, de cada vez que o homem fala fica mais perto de perder o meu voto. Por isso, e tendo em atenção o panorama alternativo, optei por não o ouvir. Basta-me saber que nunca mamou da política, que fez a sua vida e o seu percurso, que tem sensibilidade social e que, nisso, meteu mesmo mãos à obra. Só isso faz com que fique a milhas de distância dos outros todos. E acredito, sinceramente, que seja um homem livre e bem intencionado. E, neste momento, isso basta. Quando toda a gente diz mal dos partidos, creio que será uma boa mensagem que Nobre tenha uma boa votação. Para mostrar aos partidos que têm de mudar, que não é suficiente continuarem a agir da mesma maneira e oferecer-nos as mesmas más alternativas de sempre.
Domingo lá botarei a cruzinha. Para perder, mais uma vez.
Sem problemas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Show me the money

Cavaco Silva, esse animal, diz que "uma segunda volta seria demasiado dispendiosa para o país".

De facto, a democracia às vezes tem destas chatices.

Semântica

Traficantes ocultam gás-pimenta no ânus.

Depois disto, a expressão "Pimenta no cu dos outros é refresco" acaba de adquirir todo um novo sentido.

PS - gosto muito da parte da notícia em que um senhor da polícia diz "os reclusos brasileiros têm muito esta mania".
Pois.

Só temos o que merecemos...

...e ainda nos queixamos.

Se ainda dúvidas houvesse:

Cavaco Silva um homem do povo.

Pateta Alegre, o bardo invertebrado, último defensor da democracia e do povo, mas que não lhe toca porque a plebe nojo lhe mete, o verdadeiro cão gordo e velho que lambe qualquer mão que lhe dê um belo prato de comida, mas nada de bofes nem arroz trinca.

Fernando Nobre, é uma grande surpresa de facto, o quão what the fuck ele é, devia de ter continuado lá longe no ultramar a ajudar aonde as desgraças e as doenças acontecem.

As cinzas do Carlos Castro na sarjeta em Nova Iorque.

O Cabeça-de-Cotonete, o Costinha e o enforcado Paulo Sérgio.

A Lyonce Viiktória.

Os Scolaris, os Carlos Queirozes.

Os BPPs e os BPNs.

Os quinhentos gajos, que como o Bastardo disse e bem mandam nesta merda.

O José Manuel Coelho, o Jorge Coelho e a casa de férias do Cavaco na Coelha.

De que nos queixamos?

Estes Lusos são loucos!!!

Obviamente

Bebé de Luciana e Djaló chama-se Lyonce Viiktórya.

Presidenciais: A grande questão a que ainda ninguém deu resposta

O Fernando Nobre anda bêbado ou ele é mesmo assim?

Um luxo

Há uns dias não resisti e comprei a última edição da Mojo.
Quando dou comigo a pensar que a Blitz até é uma bela revista (e é, pelos padrões nacionais), aparece-me sempre uma Mojo, uma Q ou uma Uncut, que me mostra o que é uma publicação exemplar, feita por gente que, no mínimo, ama tanto a música como eu. Na Blitz, infelizmente, os tipos que escrevem estão mais empenhados em mostrar que sabem imenso de música e que são muito interessantes, mas não têm o calor e o carinho que vejo, por exemplo, na Mojo.
A edição deste mês tem como tema principal o Neil Young. Para além de um cd de homenagem ao grande "Harvest", com bandas diferentes a fazerem covers das músicas, traz uma bela entrevista com o homem himself e uma lista das 50 melhores músicas dele, escolhidas e comentadas por outros músicos.
Não concordo com algumas das escolhas, como aconteceria sempre (a número 1 é "After the Goldrush"), mas é um prazer ler o que músicos como Thurston Moore ou Stone Gossard interpretam das suas músicas preferidas. De qualquer forma, deixo aqui o meu número um em termos de Neil Young. É preciso tempo para a ouvir, deixar assentar, divagar. Mas vale a pena.

"Cortez, the Killer", do album "Zuma".

Forte com os fracos

Esta história dos sindicalistas detidos seria risível se não fosse grave.
Obviamente houve um excesso de força na repressão...na repressão de quê, pensando bem? De uma tentativa de invasão de São Bento? De um ataque a Sócrates, que nem sequer estava em Lisboa?
Não se percebe muito bem.
A não ser que os senhores polícias disseram que "daqui não se passa" e pumba, houve uns tipos que passaram e pronto, lá tiveram as autoridades que dar na corneta a esses perigosos facínoras.
Tudo é estúpido, mas as porraditas, de tão ridículas e inadmissíveis que são, até as aceito. Quem as apanhou teve a honra de levar a protestar contra esta merda de Governo, e isso é bastante bom.
Mas o pior que tudo é a detenção por "crime de desobediência", que é só o crime (?) mais burocrata e pussy que existe. Tipo "eu mandei para ali e tu não foste, seu malandro".
Não sei bem o que aconteceu. Se os ânimos se exaltaram e os senhores polícias se deixaram levar pela ânsia de malhar em sindicalistas, esses perigosos comunas. O que sei é que isto é muito triste num país que está na situação em que nós estamos.
Quando toda a gente devia era estar na rua a agredir ministros e a partir merdas a sério, esta é a resposta à "célebre serenidade" do povo português. Não só somos mansos como, da única vez em que dois gatos pingados metem o pé para lá do risco, tunga, presos e com porrada no lombo.

Ainda mantenho a esperança de que a malta acorde e leve isto ao próximo nível. E aí quero ver o senhor geninho sinaleiro, de bloco de multas na mão, a tentar acusar milhares de pessoas dessa coisa gravíssima chamada "desobediência".

Descubra as diferenças

TUNÍSIA


                                                                   SÃO BENTO

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cara de Pau

Manuel Alegre diz, a propósito da mais que previsível vitória de Cavaco Silva, que há "o risco de o país resvalar para formas de autoritarismo".

Queria só recordar ao senhor Manuel Alegre que este senhor aqui abaixo é seu apoiante e secretário-geral do seu partido.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Caro (E)leitor

Caro (E)leitor.
Você sabia que hoje é o seu dia?
É verdade. Descobri hoje que as segundas-feiras são “Dia de contacto com o eleitor”, para os deputados da nossa brilhante nação. Ou seja, é um dia em que a AR está às moscas, só às moscas, porque a merda não está lá. Não está lá porque, naturalmente num dia colado ao fim de semana, está em “contacto com o eleitor”. É claro que, para um senhor deputado, contactar o eleitor pode ser, por exemplo, tomar o pequeno-almoço com a sua esposa. Por exemplo.
Eu cá, eleitor como vós, não me lembro de ser contactado por qualquer deputado. E, na verdade, não acho que me deva queixar. Imaginem que me calhava o Zé Lello.

Seja como for, caso se lembrem de mim numa das próximas segundas-feiras, deixo aqui a sugestão de quem me deve contactar: a deputada comunista Rita Rato ou, em caso de impossibilidade desta, enfim, vá lá, a Ana Drago. Não me mandem a Teggy Caeiro! Repeat: NÃO ME MANDEM A TEGGY CAEIRO!

Compreensível ou intolerável?

Tendo em atenção que não tenho uma noite minimamente decente no último mês e meio, fará de mim mau pai referir-me à minha filha como "A Chuckie"?

A ver se ninguém se lembra de mim...

Eh pá, não dá para o aguentar mais um bocadinho?... (II)

Bettencourt pede demissão da presidência do Sporting.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eh pá, não dá para o aguentar mais um bocadinho?...

Alberto João Jardim já teve alta hospitalar.

Já não bastava o Coelho....

O socialista semi-frio

Como tantas vezes tem acontecido, Manuel Alegre vem com uma boa intenção e acaba a dizer um disparate.
Agora foi a desertificação do interior do país. Considero, como ele, que este é um dos problemas mais perigosos e injustos com que nos deparamos. Ele falou, e bem, desta questão.
Divergimos é, totalmente, na solução.
Disse hoje o senhor que mudou de ideias e está na altura de se repensar a regionalização. Não há nada de errado em mudar de ideias. Aqui, o problema está mesmo na regionalização.
Não é possível e é até muito perigoso tomarmos qualquer decisão sem estarmos conscientes, sempre, de que estamos em Portugal. Portanto, uma boa ideia só o será depois de pensarmos como será feita em Portugal, e os seus méritos continuarem a superar as suas desvantagens.
Ora num país como Portugal, a regionalização seria, só, um jackpot de 300 mil créditos para se instalar toda uma clique de boys, dinossauros, caciques e seus seguidores, dar-lhes poder e dinheiro, e assim condições para se fortificarem numa torre de corrupção por muitos e bons anos.
É claro que temos de resolver a aberração da desertificação do interior de um país pequeno, em que tudo é perto, o que torna a situação ainda mais estúpida.
Mas para isso não é preciso regionalização.
Basta o partido do senhor Alegre deixar de fechar escolas e hospitais a torto e a direito, e deixar de torrar o dinheiro todo em merdas que não servem para nada, e investir algum dele no interior (e não é estradas, caralho, já há estradas que cheguem!).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

E agora...

...para algo de completamente assustador.

Melhor que a Ana Badalhoa, só a sua filha, com o magnífico nome de Índia (sim, tipo o país) Malhoa.
Diz que também é cantora (sim, há quem diga que a mãe é cantora e não apenas modelo de calendários de pneus) e que vai lançar um disco (para o lixo? para o espaço? a esperança permanece).
Quem está à espera de ver uma mini-slut, só ficará parcialmente desiludido. Será que já fez a primeira tatuagem na bunda?

O meste e os discípulos, com Dylan e Hendrix sorrindo de longe

Tenha a bondade de m'auxiliar

E pronto, lá enganámos mais uns tótós que compraram a nossa dívida. Coisa pouca, 1,25 mil milhões de euros, o nosso fix semanal.
Há que dizer que pagámos muito, mas menos do que se chegou a temer. É excessivo clamar vitória, como fez Sócrates, mas nas actuais circunstâncias foi uma prestação digna. Empatámos 0-0. Esperava-se pior.

A questão, no fundo, é bem simples:
Estamos a pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro a uma taxa de 6,7% ao ano. Tendo em atenção que o nosso PIB, a nossa "riqueza", não cresce mas sim diminui, isto dificilmente pode ser visto como uma boa notícia.
A verdade é que nós podemos continuar a financiar-nos a este custo ainda por muitos meses. A consequência é, nos próximos anos, pagarmos um balúrdio em juros (ainda mais do que o balúrdio que já pagamos). Por outro lado, há a possibilidade de recorrermos ao fundo de estabilização europeia e ao FMI. Estes emprestam-nos dinheiro a taxas de juro ligeiramente mais baratas (na melhor das hipóteses) mas, em troca, sucedem duas coisas: é o descalabro da credibilidade económico-financeira de Portugal, assustando potenciais investidores durante alguns anos; e temos de aceitar o tratamento de choque que eles exigem para nos emprestar dinheiro. Ora perante a austeridade que já estamos a sofrer na pele, isto seria desagradável, digamos assim.

A questão é que o FMI só vem se nós pedirmos. Mais concretamente se Sócrates pedir. Mas Sócrates nunca na vida - só em último caso - aceitaria perder a face desta maneira, sair do poder pela porta pequena, como o tipo que nos meteu nas garras do FMI. Acontece que ele já nos arruinou, que é o que interessa, o FMI acaba por ser apenas um detail, uma questão de honra ou desonra para Sócrates. Para nós pode ser mais um dildo com picos pelo cu acima.
Mas chegará o ponto em que estaremos a pagar ainda mais do que pagamos actualmente. E aí a questão é de uma simplicidade chocante: ou continuamos a financiar-nos a preços altíssimos, que nos vão foder à bruta durante três gerações; ou recorremos ao FMI, financiando-nos mais barato mas passando por um processo mais duro de ajustamento no curto prazo.

Acontece que Sócrates só obrigado aceitaria este último cenário. Preferirá arruinar-nos durante décadas, até porque não vai ser ele a pagar.

PS - Adorei ver, um dia antes, Alegre exultar com os números do défice anunciados pelo Pinócrates mas depois, curiosamente, a recusar-se a comentar a projecção de recessão para o nosso país, da autoria do Banco de Portugal

PS2 - Depois da emissão de hoje, Cavaco não resistiu. O homem não pode mesmo ver ninguém brilhar mais que ele, e fez questão de vir, indirectamente, desvalorizar os resultados, dizendo que é importante é saber quem comprou a dívida. Um comentário desnecessário deste grande homem de Estado...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mera coincidência

Tentei evitar, durante cinco anos, mas hoje o meu gato perdeu as bolas.

E não, não teve nada a ver com o Carlos Castro.

Um mau serviço

A campanha tem sido fraquinha, mas tão fraquinha como a campanha só a prestação da grande maioria da nossa comunicação social. Depois de semana e meia a martelar frenetica e desconexamente a palavra BPN, com perguntas ridículas e absurdas e sem ir ao ponto, temos outro exemplo da imaturidade, de idade e intelectual, dos nossos jornalistas políticos.
Manuel Alegre disse, ontem à noite que, perante a situação dos juros da nossa dívida, aceitaria que Cavaco Silva interrompesse a campanha para fazer contactos institucionais com outros chefes de Estado, se este assim achasse conveniente. Disse duas coisas: que compreenderia se Cavaco o fizesse e que, caso isto acontecesse, também ele suspenderia as suas acções de campanha.
Eu até nem achei a ideia má de todo, achei uma boa jogada de Alegre, meter a bola no campo de Cavaco e dar um estilo de homem de Estado.
Mas quais foram os títulos dos jornais e noticiários seguintes?
"Alegre pede suspensão de campanha", "Alegre quer campanha suspensa", etc, etc.
Ou seja, conseguiram fazer da frase de Alegre - que compreendia e apoiaria se Cavaco o decidisse fazer - uma aparente demonstração de fraqueza, tipo "ele está tão desesperado que até quer que o Cavaco suspenda a campanha".
Não foi inocente. Não digo que foi para prejudicar deliberadamente Alegre, acho que foi apenas para ter um título mais forte, mais sexy.
Mas as palavras são poderosas, importantes e sensíveis, e os jornalistas deviam saber isto melhor do que ninguém. Se não sabem, são incompetentes. Se sabem e fizeram isto, são desonestos.

Foi (mais) um mau serviço.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Boa semana, malta!

Para começar a semana, nada como partilharmos o momento sempre mágico da primeira moca de uma criança.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

2011

De acordo com todos os prognósticos, o ano de 2011 vai ser uma merda.
Se é para estar triste e miserável, que a minha banda sonora seja esta.

O meu fado preferido na voz da enorme Amália.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Wikilegre

Segundo a Wikileaks, o que dizia, em 2009, o grande esquerdalho Alegre ao embaixador norte-americano, acerca da pseudo-intenção de se separar do PS e fazer um partido realmente de Esquerda?

"One of the old lions of the left wing of the Socialist Party, Manuel Alegre, is often said to want to form his own party in rebellion against the centrist-drifting PS. He tells us privately that is not the case, although he would not rule it out publicly just yet".

Ah, valente!

Kids

A campanha atingiu um nível que nem eu, pessimista por natureza, esperaria.
Estamos ao nível da birra e da parvoíce de crianças no jardim-escola.
Começou tudo com o Cavaco e o BPN, que considero relativamente irrelevante perante a única questão que interessa nesta campanha: vão ou não mandar o Sócrates borda fora?
E isto já era foleiro, sobretudo porque, até agora, ninguém teve a coragem de fazer a acusação: Cavaco foi beneficiado com um ganda negócio em troca de favores políticos que terá prestado a Oliveira Costa.
Porque ou estamos a falar disto, e tem de se assumir, ou então nada disto interessa. É especulação, barulho, culpa por associação, etc. Eu odeio o Cavaco e adoro vê-lo em apuros e fodido da vida por se sentir apertado. Mas isto está a ser parvo.
Mas conseguiu ficar mais parvo, quando a Teggy, aquela deputada do PP que era para ser secretária de Estado do Mar e acabou na Justiça, veio falar do Manuel Alegre e do BPP. Que ele não podia falar porque "deu a cara pelo BPP", outro banco envolvido em polémica, porque contribuiu com um texto literário para uma campanha publicitária do banco.
Para a opinião pública, isto é o que fica: "O Alegre fala das trafulhices do Cavaco no BPN mas ele também anda metido nas trapalhadas do BPP". É isto que fica, e serve o objectivo de desviar as atenções do caso Cavaco/BPN.
Mas isto é a verdadeira desonestidade. Ele prestou um serviço, e foi pago por isso, numa época em que ninguém sabia das trafulhices dentro do BPP. Não tinha acções, não tinha lá amigos políticos, nada. É o equivalente a ter ido lá pintar uma parede e ter sido pago por isso. Mais nada.
É claro que ele é um idiota e conseguiu enterrar-se todo, ao dar 3 explicações no mesmo dia, enredando-se em contradições. Mas já a própria insinuação é de um baixo nível intelectual que me choca.
A ideia é simples: mete-se Cavaco e BPN na mesma frase, ou Alegre e BPP na mesma fase, e isso chega para sujar, para enlamear.
Qualquer dia é o Passos Coelho ou o Sócrates que é um bandalho porque comeu um pastel de nata no café ao lado do BPN.

Descemos, colectivamente, ao nível mais baixo da nossa vida política. Todos: eleitores, candidatos, jornalistas.

Estamos todos alegremente a discutir o nada, o nada fabricado em gabinetes de gestores de campanha e consultores de comunicação, que sabem como é fácil lançar temas que, se pensarmos bem, interessam muito pouco.

Caminhamos alegremente para o abismo, mas com muito circo pelo caminho.

Ah, e no dia em que andámos nesta brincadeira, os juros da dívida nacional ultrapassaram os 7%, trazendo no ar um cheirinho a FMI.

Isto é que assustar a clientela!!!

Isto aqui no Vodka é quase uma empresa familiar, com tratamento personalizado.
Como tal, queria dar as boas-vindas ao senhor Norberto Castro, que passou a seguir este nosso estimado blog. Apesar de, na sua fotografia, dar uns ares ao Rei Ghob, merece ser bem recebido como todos os outros misfits que aqui habitam.
Disponha.

Sim, isto é verdade

Este país, se não existisse, tinha de ser inventado.
Ora então diz que foi criada uma autoridade toda xpto e mais ou menos independente para fiscalizar duas coisas: as obras públicas/parcerias publico-privadas e as contas públicas. É uma coisa tão independente que, como é habitual, o PS indicou um gajo para a primeira área (Oliveira Martins) e o PSD para a segunda (António Pinto Barbosa).
Este Pinto Barbosa ficou, assim, encarregue de chefiar a comissão para criar a entidade que vai fiscalizar as contas públicas. Até aqui tudo bem.
Até que o Públicou noticiou, hoje, que este reputado professor de Economia /Finanças, foi durante 10 anos presidente do conselho fiscal do BPP. Ou seja, era a sua função fiscalizar a actividade do banco e certificar as suas contas. E este senhor, em 10 anos, não conseguiu detectar nenhuma das inúmeras trafulhices do João Rendeiro, num caso que acabou com a primeira falência de um banco português em, pelo menos, 20 anos.
Ou seja, andamos à procura de um gajo muita bom para fiscalizar as contas do Estado português, de forma a que tudo seja confiável, transparente e à prova de bala. E o que arranjamos? O gajo que, durante 10 anos não foi capaz de encontrar nada de errado no BPP. Ah, 10 anos durante os quais a sua função era...ver se havia alguma coisa de errado com o BPP.
Porreiro, pá.

Isto vem tudo do mesmo problema original.
Há no máximo 500 gajos que, em Portugal, mandam nesta merda toda. Advogados, gestores, deputados, "professores", assessores, consultores. Vivem à sombra dos partidos e do Estado, e vão arranjando poiso nesta e naquela empresa, neste ou naquele instituto, neste ou naquele ministério. Mesmo os tipos como Pinto Barbosa, professor universitário conceituado, acaba por sucumbir, aceitar uns cargos porque sim, porque dão dinheiro e pouca chatice. No caso do BPP, não vou ao ponto de dizer que ele sabia das trafulhices. Mas mostrou, no mínimo, ser um incompetente. O problema é que só há 500 gajos, e muitas empresas e institutos. Portanto eles vão rodando uns com os outros (veja-se o caso do Mário Lino, que é agora presidente do conselho fiscal dos seguros da CGD ou de Manuel Pinho, que anda a dar aulas nos States patrocinadas pela EDP e de quem se diz poder vir a ser o próximo presidente da CGD). Eles vão rodando e, na verdade, não estão nos cargos para fazer seja o que for. Estão para não chatear e encher os bolsos, e depois trocam. Este senhor não terá sido criminoso, mas terá sido pouco sério no seu trabalho. Estava lá para papar o salário, e mais nada. E como este há os outros 500.

Este país vive manietado e dominado por esta pseudo-elite, de Varas e Dias Loureiros, de cargo em cargo, de incompetência em incompetência, de nada em nada. Mas sempre enchendo-se bem, e a gente a pagar.

Não há gente boa em Portugal? Há, e muita, e muito boa. É a geração mais qualificada de sempre em Portugal, e que trabalha por 500 euros e a recibos verdes. E nunca na vida vão ter uma vida digna ou um cargo de responsabilidade onde possam demonstrar as suas capacidades e fazer a diferença em prol de todos nós. Porque os lugares estão todos ocupados por estas nulidades, que dia a dia vão cavando cada vez mais o fosso onde nos querem enterrar.

Aníbal, o Santo

E pronto, não há nada a fazer.
Por incrível que pareça, a campanha eleitoral para a presidência fica marcada, até ao fim, pelo BPN.
Bom, tendo em atenção que, até então, a campanha morna tinha sido marcada por assuntos da competência do Governo e não da presidência, até, se calhar, faz sentido.
No fundo, a presidência, na concepção que esta malta do centrão tem da coisa, não serve para nada. Uns recados, umas advertências à porta fechada, umas paradas militares, uns discursos encriptados e uns bolos-reis. Pouco mais, nada de realmente importante.
Há apenas um ponto importante: se o FMI vier, mandam o Sócrates com o caralho ou não?
É só isto que interessa, na verdade, e não vi nem Alegre nem Cavaco responder directamente a esta questão. Por motivos que, em ambos os casos, se compreendem perfeitamente.
Para mim, esta história do BPN/SLN e do Cavaco interessa muito pouco. Não houve crime nem indícios disso, apenas um negócio fajuto que lhe deu, e à sua filha, muito dinheiro a ganhar.
O que aconteceu é simples, e passo a explicar.
Em 1999/2000, Cavaco e a filha compraram acções da SLN, dona do BPN, que era o seu maior activo. A compra foi feita tendo como contraparte Oliveira Costa, na altura presidente do banco e da SLN. Dois anos depois, as acções foram vendidas de volta à SLN, por um preço mais de 100% superior ao da compra. Como a SLN não é cotada, não há um valor de mercado que sirva de referência aos títulos em causa. Portanto, teve que haver uma avaliação específica de quanto valiam as acções. Para haver um cabal esclarecimento da questão, tudo se resume a saber quem avaliou as acções e com que critérios. Se calhar a valorização faz sentido. Mas não sabemos nem nunca vamos saber.
Aquilo que é claro é que as acções foram vendidas baratas e compradas de volta caras. Ora isto é má gestão da SLN. A não ser que a contrapartida deste negócio fossem favores, influências, etc, etc. Foi isto que aconteceu, como aconteceu com Dias Loureiros e outra malta do PSD. Não sendo possível provar o que foi dado em troca, tudo se resumiu a Oliveira Costa dar aos amigos alguma guita a ganhar, em prejuízo da sua própria empresa, com os resultados que mais tarde se vieram a saber. No fundo, a questão não será necessariamente criminal, mas sim de mostrar as negociatas feitas entre bons e velhos amigos. Questão que adquire importância porque suja a imagem pseudo-imaculada do Santo Aníbal.
Cavaco cometeu um erro crasso que, não fosse a ausência de rivais e a vantagem que tem, lhe podia ter custado a reeleição. Confrontado com o caso BPN por Manuel Alegre (que diga-se, percebeu bem que não tinha grande coisa a dizer pelo que fez uma insinuação muito vaga e a contragosto), atacou a gestão actual do BPN. Que está lá a trabalhar, praticamente de borla, para resolver o problema que os amigos do Cavaco criaram, e que vai custar 5 mil milhões de euros a todos nós. Mas a coisa fez barulho mas passou, no fim de semana de fim de ano. O outro erro monstruoso foi Cavaco voltar a falar no assunto na segunda-feira, na Madeira (não sei se são os ares, mas é impossível a qualquer gajo do PSD naquela área não se transformar num débil mental). E aí, ao reintroduzir o tema BPN na campanha, quando não tinha necessidade de o fazer, enterrou-se ainda mais.
A imprensa, nomeadamente a política, vive para as campanhas. E as campanhas fazem-se de casos e de soundbytes. Como esta campanha estava morta à partida, com um vencedor antecipado, andava tudo desesperado por um caso, nem que fosse um fait-diver. E Cavaco serviu-o de bandeja, embora seja um caso que só o pode penalizar. Como resultado, metade dos jornalistas do país está, neste momento, a tentar levantar podres sobre o BPN e tentando ligá-los a Cavaco, como forma de alimentar as não sei quantas páginas diárias de jornal sobre a campanha. O Público trouxe a lume que vários antigos responsáveis do BPN, alguns suspeitos de muita merda, fazem parte da comissão de honra do candidato Cavaco Silva. Não é crime, mas fica mal, porque o colam aos amigalhaços de outros tempos. E isto é só o princípio, acreditem. A minha única dúvida é se os directores de jornais vão ter os tomates de publicar mais lixarada. Porque os jornalistas vão encontrar coisas, isso é seguro, mesmo que tudo não passe de insinuações vagas e que não incriminem directamente Cavaco. Mas nestes casos, a insinuação basta para fazer mossa. Não acredito é que os directores dos jornais, sabendo perfeitamente que a reeleição de Cavaco é inevitável, estejam dispostos a comprar uma guerra de anos com o presidente.
Hoje, Alexandre Relvas veio reagir à "campanha suja" que liga Cavaco ao BPN. E disse uma mentira descarada: que Cavaco já explicou tudo cabalmente, nos debates televisivos. Ele podia dizer tudo, ou até simplesmente que Cavaco não tem que responder. Que foi um investimento privado quando não era titular de qualquer cargo político, que declarou a mais-valia e pagou os impostos, etc, etc. E que, como tal, não é um assunto presidencial ou legal, pelo que não tem que explicar nada. Mas não. O senhor Relvas e o senhor Cavaco vão pelo caminho da mentira, de que este último já esclareceu tudo. O que é absolutamente falso.
Mais, se ele quer esclarecer, repito, basta dizer coisas simples: quem avaliou o preço de compra e o preço de venda, e como se justifica esta súbita valorização. Só isto. Não tem de o fazer, mas pode fazê-lo, se não tiver nada a temer. Não pode é dizer que tudo é claro e está explicado.
Cavaco, nesta campanha, está a demonstrar ser exactamente o contrário do que tenta passar. Diz que não é político, mas é o político português no activo com mais anos de exercício de altos cargos. Finge-se de conciliador mas é agressivo e mal encarado. Fala nos pobrezinhos mas despreza Fernando Nobre e Xico Lopes quando este o faz, como se o Santo Aníbal tivesse o exclusivo do tema. E, sobretudo, perde completamente as estribeiras quando é questionado, confrontado ou contrariado, bem ao estilo do nosso velho conhecido...Sócrates.
Porque Cavaco não conhece o conceito de candidato. Acha inadmissível que um presidente em funções tenha de andar no meio do povo a distribuir bandeirinhas. E que tenha que debater com borra-botas como Defensor Moura ou Chico Lopes ou qualquer um dos outros. E que tenha, imagine-se a desfaçatez, de responder a perguntas dos jornalistas.Ele é o tipo mais honesto que todos. Os outros são todos má moeda.
Ele queria uma campanha vitoriosa, laudatória, calminha e caladinha como ele sempre foi. Um ritual de incenso e folhas de palmeira, com a multidão a cantar hosanas ao Santo Aníbal. É um arrogante de merda, que não consegue, pura e simplesmente colocar-se ao mesmo nível que qualquer outro ser. Ele está genuinamente repugnado por ter sequer de disputar estas eleições.
Vai ganhar, claro, mas finalmente deixou cair a máscara. Esta parvoíce do BPN serviu, ao menos, para isto.

PS - acho imensa piada muita malta do PSD vir agora queixar-se da campanha suja, quando fizeram o que fizeram com o Sócrates. E acho muita piada à malta do PS, como a insuportável Edite Estrela, que vem atacar Cavaco com a história do BPN, depois de ter rasgado as vestes com as "inaceitáveis insinuações" contra Sócrates. Que, lembremo-lo sempre, eram muito mais graves e fundamentadas que esta história do BPN, abalando seriamente os princípios básicos do Estado de Direito. Se esta merda funcionasse, Sócrates não teria sido só demitido: estava preso.
Enfim, estão bem uns para os outros.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vá, parem lá com isso que o BPN não é tema da campanha!

2010

Para muita gente, o ano que passou foi para esquecer. Ano de crise, mais um ano de crise. Mas, na vida de cada um de nós, as vitórias e derrotas que fazem a nossa existência vão, sempre, para além disso.
Para mim, 2010 foi um ano de uma generosidade sem fim. Foi o ano em que mudei de casa com a minha mulher, em que estivemos, juntos, melhor que nunca. Foi o ano do meu Benfica campeão, numa época vivida intensamente, no estádio. Foi o ano em que a minha mãe encontrou alguma da paz de espírito que tanto merece. Foi o ano em que finalmente acabei de escrever o livro que iniciei há quatro longínquos anos. E foi o ano que me trouxe a minha Alice, a nossa filha que nos conquista a cada dia que passa.
Sim, foi um ano desmesuradamente generoso. E eu tenho consciência disso, e sei o quão afortunado tenho sido. Não o dou por adquirido, nunca. Quero estar consciente, e agradecido, da sorte que tenho.

Que 2011 vos traga a mesma paz e a mesma felicidade.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reflexão do reveillon

Se o nosso corpo é o nosso templo, o meu alberga um culto satânico.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Foi pena

Fechadas as candidaturas aceites, o grande Candidato Vieira voltou a ficar de fora. Foi pena, pá.
Mas, como até aqui, serás sempre o meu presidente.
Disseste que só desistias de fosses eleito. Como tal, não desistas, senhor presidente!

Man...

...eu podia perdoar-te seres um merdas, seres um falso livre do PS, um burguês armado ao revolucionário, um capacho do Sócrates, etc, etc.
Podia perdoar-te quase tudo.
Menos o que se passou hoje, que foi tu conseguires levar um baile de 15-0 de uma nulidade intelectual como Cavaco Silva.

Como se dizia no meu bairro: "Olha, fode-te!".

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ground Zero

A esmagadora maioria dos ministros deste Governo é má, ainda pior que o seu medíocre líder. Mas há uns que, para além de maus, são idiotas.
É o caso de Rui Pereira.
Para quem não sabe, diz que é ministro da Administração Interna. E é um senhor que acha que todos são parvos, tal como todos os membros do governo acham que todos os portugueses são parvos (e são, meteram-nos lá). E este senhor acha também que não tem que falar ou dar esclarecimentos sobre os assuntos da sua responsabilidade política. Depois da rábula dos blindados, que eram "essenciais para a segurança dos cidadãos", e que vinham para a cimeira da Nato e ainda não chegaram, agora já não queremos essa merda para nada. Como passou o prazo da entrega, já não são essenciais para nada. O Estado denunciou o contrato, e bem, embora obviamente nunca devesse ter sequer feito a encomenda. E agora o senhor acha que não tem nada que responder sobre este assunto.

Hoje, pela décima-quinta vez na última semana, recusou-se de novo a falar. Foi a uma iniciativa qualquer absolutamente irrelevante, mas insistia que ali só falava naquela coisa irrelevante que ninguém sabe, nem ele, o que é.

Vejam bem este vídeo, que infelizmente não é a versão integral, e digam-me lá se este senhor não tem, claramente e com urgência, de ser internado...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Bons exemplos

Neste mundo de downloads gratuitos, cada vez compro menos cds, como toda a gente. Mas a verdade é que até tenho comprado mais coisas em português, o que se explica facilmente: não se encontra facilmente na net; normalmente são mais baratos; e um gajo sempre ajuda um camarada tuga.
Nas últimas semanas comprei o "Romance/Hardcore" dos Corações de Atum, o "Nada a Esconder" dos Tara Perdida, "Are you ready for the blackout" dos X-Wife, "Casa Ocupada" dos Linda Martini, "Madrugada" dos Peixe:Avião e "Deve Haver" de Nuno Prata.
Para além da vitalidade que se vê no aparecimento de boas bandas portuguesas, ouvindo pelo menos estes três últimos nomes, pode ver-se quão grande foi a influência dos grandes Ornatos Violeta, dos quais Nuno Prata foi baixista. Música (quase toda) feita em português, feita de forma não básica, inspirada, dura e doce. Enfim, coisas boas para ouvir, ou redescobrir.

Deixo-vos um tema do óptimo disco do Nuno Prata. Custa 11 euros na Fnac. E vale muito a pena.



PS - JP Simões prepara-se para editar novo disco. Se for tão bom como "1970" será uma compra segura.

Como foder completamente uma boa ideia

Em Portugal só há duas maneiras de fazer as coisas: ou se perde o tempo todo em estudos exaustivos e acaba por não se fazer nada, ou se avança porque sim, sem pensar bem as coisas, e dá merda.
O nosso amigo António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, parece ser partidário desta segunda via.
Vem isto a propósito de, ontem, eu ter passado duas horas entalado num engarrafamento monstro na cidade de Lisboa. Sim, num domingo à tarde.
Eu explico, depois de ter percebido.
Parece que há uma coisa que é a "Corrida de São Silvestre", uma prova de atletismo que, em todo o mundo, se disputa nas primeiras horas de cada ano. Ou seja, logo à seguir à passagem de ano. Em todo o mundo? Não, porque duas irredutíveis aldeias lusitanas - Lisboa e Porto - decidiram que este ano já não era assim: era a dia 26 e à tarde. E mai nada. Infelizmente não choveu.
Atenção, eu acho a coisa um bocado apalhaçada, mas não tenho nada contra. A malta quer correr no centro da cidade? Tá-se bem, força nisso.
Mas já me incomoda um bocado isso me ter feito perder duas horas dentro do carro, a mim e a milhares de pessoas. Tudo por uma simples razão: ninguém avisou que a via mais central e importante de Lisboa ia estar cortada para uns tipos de calças de lycra darem umas corridas. Não só ninguém avisou como, nas ruas à volta, não havia qualquer sinalização. Ou seja, um gajo tinha de cair que nem um patinho na armadilha, de onde só conseguia sair duas horas depois. Se soubesse teria ido de metro, algo que faria se fosse dia de semana ou se soubesse que iam paralisar a cidade desde o Marquês até ao rio.
No meu caso, desci do Príncipe Real até à Alexandre Herculano, para depois atravessar a Avenidade da Liberdade. Mas esta estava fechada, pelo que mandaram milhares de carros para a rua lateral, que só tem uma via. Mais genial ainda, ia-se descendo obrigatoriamente a rua e...éramos obrigados a subir para a Praça da Alegria, que me levou de volta ao ponto de partida, o Príncipe Real. Tirando o facto de eu ter perdido duas horas, entretanto.
Na Avenida da Liberdade eu até vi polícias. Estavam a guardar os cones que tapavam a avenida, para o caso de alguém os queres roubar. Quando, num tom obviamente pouco calmo, perguntei que raio de merda era aquela e se não teria sido melhor avisar os condutores, o senhor polícia zangou-se comigo porque eu não estava a circular!
Eu queria circular, caralho! Eu queria circular para casa! Mas durante duas horas obrigaram-me a circular, a um à hora, num percurso que inevitavelmente me levou ao mesmo sítio!
Desde que chegou à Câmara, António Costa destacou-se por três coisas: tentar equilibrar financeiramente a autarquia (indo aos bolsos à malta), foder ainda mais o trânsito e a cabeça aos condutores (esses criminosos!) e, por último, parvoíces tipo dia sem carros/Red Bull Air Race e coisas assim.
Nas cidades civilizadas também há corridas. E dias sem carros. E concertos na rua, e animação e tudo e tudo e tudo. Isso é bom. Mas também há competência, que é coisa que claramente falta na Câmara de Lisboa. Era simples: era avisar. Mas os senhores estavam demasiado ocupados a descer a rua aos saltinhos, para aparecer na fotografia.
Isto não surpreende vindo deste xamussas. Um tipo que ganhou a Câmara assente na ideia de trazer mais habitantes para a cidade e cuja primeira medida, já eleito, foi aumentar brutalmente todos os impostos (directos e indirectos) que incidem sobre os munícipes. Ele gosta é de circo e palhaçada. E de fingir que faz. A eficiência não é impossível, nem sequer é difícil. É só pensar um bocadinho nas coisas, senhor presidente da Câmara.

Já agora, achei muita piada aos grandes e saudáveis desportistas que, terminada a bela corridinha, se apressaram todos a entrar nos seus automóveis (!) estacionados na zona da Baixa, provocando outro engarrafamento monstro. É bem feito.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Choque de Naftalina

Anda pela Sic Radical um programa de humor chamado "Gente da Minha Terra", da autoria deste tipo aqui ao lado, que parece que tem a barba desenhada a caneta de feltro. O rapaz chama-se Rui Sinel de Cordes, embora eu ao pesquisar na net lhe tenha chamado Rui Cordel de Sines (honest mistake).
Quem já viu o programa, sabe o que o espera: o senhor anda pelo país, visitando localidades, e gozando alarvemente com elas. O que me parece um óptimo ponto de partida para um programa de humor, ou de qualquer outro tipo.
Acontece que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (a bafienta ERC) recebeu uma série de queixas de gente que, só pode, se leva demasiado a sério e se considerou ofendida pelas declarações proferidas no programa. Num deles, piadas de mau gosto sobre o Rui Pedro (a criança que desapareceu há uma data de anos) e sobre as vítimas de Entre-os-Rios. Noutro, sobre os Açores, focou o estereótipo de que naquele arquipélago as mulheres são todas horrorosas, abunda a violência doméstica e que na ilha Terceira há uma concentração anormalmente alta de homossexuais.
Por tudo isto, vem a ERC dar razão às queixas, recomendando à Sic Radical que se abstenha de emitir episódios que ofendam a dignidade humana, etc, etc (a decisão pode e deve ser consultada aqui, é hilariante).
Acontece que a própria ERC, que emprega centenas de tipos pagos com o nosso dinheiro e que na prática serve para muito pouco, cai numa (aliás, várias) contradição muito interessante. Diz que ofende a dignidade do povo da Terceira dizer que lá são todos paneleiros, mas depois acusa o programa de ter um tom homofóbico. Ou seja, diz que o programa dá uma visão negativa da homossexualidade, o que é errado; mas quando isso se aplica a alguém, está mal, porque aparentemente é ofensivo dizer-se que alguém é homossexual. Meus amigos, vamos lá a ver se a gente se entende. Se a ERC considera ofensivo dizer que alguém é homossexual, não estará a própria ERC a ser discriminatória e preconceituosa, e como tal a praticar aquilo que critica?
Mas enfim, esta é apenas mais uma decisão absurda da ERC. É uma espécie de comité bafiento e pidesco, que não faz o que deve fazer (por exemplo, controlar como deve ser o cumprimento da programação anunciada ou os tempos de publicidade ou as perigosíssimas relações entre os media e o poder económico) e se dedica quase exclusivamente a fazer de guardião dos bons costumes. Basta lembrar a decisão de obrigar ao cancelamento da pronografia gratuita na TV Cabo, algo que, de uma penada, fez retroceder a democracia portuguesa uns 15 anos.
O problema de "Gente da Minha Terra" não é ser ofensivo, que até é. E é parvo, estúpido, imaturo, preconceituoso, etc, etc, tudo coisas que fazem boa comédia.
O problema do programa é não ter piada nenhuma.
Suspeito que algumas piadas até podiam ter piada, se fossem ditas/contadas por outra pessoa. O rapaz esforça-se e tal, mas sempre num estilo de puto estúpido que acaba por não agarrar o espectador. Eu acredito sempre que este tipo de humor negro, parecido com o do Bruno Nogueira, por exemplo, deve ser complementado com um tom auto-depreciativo, o que ajuda o espectador a não ficar com a ideia de que está ali um merdas que se acha melhor que toda a gente.
O programa não tem piada, e é apenas mais um exemplo da série de coisas que apareceram depois do boom dos Gato Fedorento. Com a valiosa excepção dos "Contemporâneos" (que também gozava, e bem, com muita coisa) e do Aleixo, tudo o resto que apareceu foi um bocado merdoso. Alguns tinham boas ideias e falhavam na concretização, outras tinham até produção mas falta de material humorístico. Já agora, o Unas sempre foi uma merda, não é de agora.
Mas não ter piada não é crime. Vejo um genial programa como o Daily Show e sei que, se fosse neste oásis de desenvolvimento que é Portugal, a ERC já teria mandado fechar. Porque quer defender a moral e os bons costumes, dos quais acha que é representante, apesar de não ter mandato para isso. Até o nome do seu presidente - Azeredo Lopes - cheira a velho, a naftalina, a Estado Novo.  Há quantos anos os senhores da ERC não mandam uma foda bem dada? Talvez ajudasse...
Para concluir, apenas uma pergunta: como se pode acusar este programa de ofender a dignidade humana e não dizer nada de "Tardes da Júlia", Fátimas Lopes, Gouchas e essas merdas, em que tudo é exploração de tragédia e boçalidade?
Se calhar porque, apesar disso, esses programas servem para perpetuar a ideia de um povo português "pobre mas honrado", "de brandos costumes", "pequenino mas trabalhador", etc, etc. Valores que a ERC, na sua bolha temporal, tanto preza.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Magic the Gathering

As pessoas acusam-me de ser cínico por não cair na patranha da magia da paternidade, de que tudo passou a ser lindo, de que sou uma pessoa totalmente diferente, blá blá blá.
É um bocado lixado focar-me nisso quando hoje, às 9h30 da manhã e depois de mais uma noite em branco, estava na farmácia a levar uma lição sobre as diferenças entre uma sonda anal e um clister.
E mais espectacular ainda: quando finalmente cheguei a casa, a xavala tinha finalmente acabado de se cagar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quase que se consegue ver o comprimidinho debaixo da língua


Foto de Daniel Rocha (Público), observada a partir daqui.

Vergonha Mínima Nacional

Há coisas que, de tão previsíveis, perdem a pouca piada que poderiam, hipoteticamente, ter.
A novela do salário mínimo parece um daqueles enredos da TVI, em que desde o princípio já se percebeu o fim mas eles lá vão enchendo o chouriço, com voltas e reviravoltas de enredo que não convencem ninguém. Infelizmente, nesta novela do Governo, há a Helena André em vez das mamas da Rita Pereira ou de qualquer moranguita de 15 anos.

Isto vinha a ser preparado há muito tempo. Perante os sinais que se avolumavam, os cabrões dos jornalistas tiveram a ousadia de fazer o seu trabalho e perguntar repetidamente aos ministros se seria mantido o COMPROMISSO FORMAL de aumentar o salário mínimo para os 500 euros. Todos eles fugiram à questão, atiraram areia para os olhos da malta, enfim, fizeram o que esta malta xuxa está habituada a fazer, tratar todos como idiotas. Para o desfecho que se conhece hoje. O salário mínimo nacional aumenta uns generosíssimos 10 euros, um luxo. E fica 15 euros abaixo do que estava acertado por toda a gente: sindicatos, patrões, governo.
Tudo normal, portanto.
Há várias coisas que merecem ser salientadas neste dia de mais um episódio negro de política "socialista".
Em primeiro lugar a total ausência de Sócrates. Como tem sido cada vez mais comum, ninguém o viu, deixando Helena André e Vieira da Silva a entreterem o pagode com a velha rábula de "quantos ministros são precisos para mudar uma lâmpada/enrabar o povo".  
Depois, a postura tradicionalmente corajosa da UGT. Depois de um devaneio extremista no apoio à Greve Geral, vem agora assinar tudo, dizer que não faz mal, é na boa. E João Proença, esse gnomo da floresta, tem a desfaçatez de dizer, hoje, que "valeu a pena fazer a Greve Geral". Indeed.

Depois, a inefável Helena André. Esta senhora, que nos tempos de juventude/espinha dorsal era uma feroz sindicalista, está feita uma grande ministra xuxalista. Consegue negar todas as evidências, anunciar a morte com um sorriso, cagar com cheiro a malmequeres. Hoje apareceu, toda contente, a dizer que o Governo mantinha o compromisso de atingir o salário mínimo de 500 euros em 2011, tentando com uma vergonhosa questão de semântica fingir que não tinha quebrado um compromisso. Mais uma vez, os inconscientes dos jornalistas perguntaram que raio isso quer dizer. E a senhora, toda abespinhada com a irreverência das questões, lá veio dizer que, até Outubro, isso ia acontecer. Não vou sequer perder tempo a dissertar sobre o valor da palavra de qualquer dirigente xuxalista. Quero apenas reter o ar de satisfação com que ela disse isto, qual "Santa's Little Helper" obesa, ficando indignada por o seu anúncio não ter levado, no mínimo, ao lançamento de foguetes e a um ou outro peidinho de emoção. Agora vai ao cu ao povo, ao contrário do que tinha dito, e promete dar a pomadinha até Outubro. E esta merda deste povo mal-agradecido ainda faz cara feia?!

Por último, o boss dos patrões, cujo nome me escapa. Omitiu qualquer explicação sobre o motivo pelo qual é incomportável para uma empresa gastar mais 15 euros mensais nos salários mais baixos dos seus trabalhadores. Ainda bem que omitiu. A única coisa que digo é: se uma empresa arrisca falir se pagar mais 15 euros mensais aos seus trabalhadores que menos recebem, então que abra falência. Chega de chantagem e de palhaçada. 
Veio explicar o senhor que, nos últimos anos, o salário mínimo nacional aumentou 18%, e que a produtividade não beneficiou dessa melhoria. Voltamos à velha questão. Em todo o mundo, os portugueses são vistos como bons trabalhadores, e em todos os ramos, dos mais simples aos mais qualificados. Ou seja, não temos uma predisposição genética para a falta de produtividade. Mas cá não há produtividade. Será que é porque cá os "patrões" são portugueses, mais preocupados em comprar o novo Mercedes do que em fazer a sua empresa crescer sustentadamente?
Tudo isto, da parte dos patrões e do governo, é apenas a prova que faltava - se é que faltava - de qual o modelo que se pretende para Portugal e para os portugueses. O modelo dos salários baixos, da chantagem sobre os trabalhadores, das falinhas mansas e dos pseudo-compromissos nacionais que aproveitam sempre aos mesmos.

Este é o mundo de Sócrates, esse grande "socialista". Que tem sonhos molhados com o capital. Que vive num mundo de Ruis Pedros Soares, Varas e Mexias, em que os amigos são pagos a peso de ouro, explorando aqueles que, no dia a dia e no contacto com os clientes, trabalham no duro para encher o cu a umas dúzias de CEO's, tipos tão geniais, mas tão geniais que ninguém lhes pega sem ser por favor político. Sócrates, esse pacóvio armado em gestor, vê os de baixo como uma massa homogénea e sem rosto, cujo único papel é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Porque, na sua visão mesquinha e provinciana, quem dá valor acrescentado, quem é realmente bom, são os seus amigos CEO. Esses sim, precisam de tudo, coitadinhos. 
Os outros são uma coisa apenas: carne para canhão.

Ainda haverá quem não queira ver?...

Sporting Clube os Belenenses

E a solução é...José Couceiro.

Para quando algo de verdadeiramente revolucionário, tipo o Norton de Matos?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Fraco Consolo

A minha filha não tem mau-feitio. Apenas herdou a personalidade do pai.

Desnecessário é...

...os Simply Red anunciarem o fim da banda.

Pelo que vi ontem



Ainda não será desta que a minha fantasia sexual de votar em branco se concretiza.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Wiki-Waka

Anda tudo maluco com o Wikileaks. Com as histórias, os fait-divers, os processos do Assange, etc.
A minha posição é simples: estou a adorar e acho tudo muito bem.
Vamos por partes.
No que toca à correspondência consular da rede norte-americana, ou seja, dos seus embaixadores com a casa-mãe em Washington, há ali de tudo: tricas, irrelevâncias e bombas noticiosas de inegável interesse público.
A primeira coisa que me surpreendeu foi ver que, afinal, os embaixadores e quejandos afinal fazem qualquer coisa. Eu pensava que eles era só mamar, dar um cocktail por ano e estava feito. Afinal não. Eles lêem jornais, estabelecem contactos e depois reportam ao governo norte-americano. Já é refrescante saber que fazem alguma coisa, ainda que sirvam para muito pouco. E depois esforçam-se a escrever. Aquilo que me surpreende é que haja alguém, nos states, interessado em ler que o Alegre é um "dinossauro esquerdista" ou que o Cavaco é assaltado por espasmos incontroláveis de cada vez que está na mesma divisão que um bolo-rei. Eu gosto de ler estas palhaçadas, mas acho que é tempo perdido de quem as escreveu e de quem as divulga.
Mas depois há o resto. Os voos da CIA (isto tá tão mal contadinho....), o caso BCP-Irão, etc, etc. Coisas muito relevantes e das quais não saberíamos se não fossem estas "fugas".
Anda muita malta, como o Portas, acenando com o argumento de que os documentos são confidenciais e que a sua divulgação é um crime. É a mesma coisa que com as escutas do Apito Dourado ou do Sócrates a fazer trafulhices. Defendo o que sempre defendi: divulgação total e eles que se fodam.
Uma coisa é a vida privada, e aquilo que se liga exclusivamente a isso. É irrelevante institucionalmente e não merece ser devassada. Outra coisa são assuntos de inegável interesse público, no sentido em que acarretem, ou devam acarretar, uma responsabilização política ou ética/social por parte de titulares de cargos de interesse público.
Como já disse muita vez, a violação do segredo de justiça tem um grande condão: coloca os humildes na mesma posição que os poderosos, no que toca ao fundamental acesso à informação. São incontáveis os casos de Varas, Pintos da Costa, Paulos Pedrosos e Fátimas Felgueiras que tiveram acesso a informação privilegiada, e que com isso beneficiaram. Não vejo ninguém ir atrás disso. Mas quando a violação do segredo de justiça se destina a colocar todos no mesmo ponto de acesso à informação, cai o Carmo e a Trindade. E isto não aceito.
Eu quero saber. Não por curiosidade, não por voyeurismo. Mas porque há muita gente no mundo com muito poder, que ganha muito dinheiro e que tem uma vida muito mais fácil que 99,9% dos outros habitantes. No mínimo, a sua actuação tem que ser transparente e tem que ser conhecida. Porque se não conseguem exercer a sua actividade de forma limpa e clara, que saiam e dêem a vaga a outros.
O mundo anda há demasiado tempo a ser comido à bruta por uma pseudo-elitezinha de merda que vai sempre escondendo a sua mediocridade e o horror do seu comportamento atrás de segredos e regras burocráticas, que não têm, na maior parte das vezes, outro objectivo que não seja perpetuar os cargos, as mordomias e a pouca-vergonha.
Divulguem tudo. Doa a quem doer.  

Cara de Pau

Há várias qualidades que, em teoria, são exigíveis a um primeiro ministro ou a um governo. Competência, por exemplo. Honestidade. Transparência. Responsabilidade.
Pelo menos isto.
Vem isto a propósito das últimas movimentações de Sócrates e sus muchachos no que toca à lei laboral,algo muito bem lembrado pelo camarada Papousse. Tal como tinha já escrito, assim que se começou a falar nesta matéria percebemos todos que algo estava errado e que, de uma forma ou de outra, nos iam foder outra vez. Sócrates esteve em Bruxelas e de lá, da Comissão Europeia, veio a informação de que Portugal ia "flexibilizar" as leis laborais, Ora já sabemos o que isto quer dizer, que nos vão "flexibilizar" a espinha. Mas Sócrates disse logo, já em Portugal, que nada disso. Naaaaa, estamos é a olhar para as regras laborais de forma a estimular o emprego, em várias vertentes.
Ora o que aconteceu?
Só isto: a primeira alteração conhecida é a fixação de montantes máximos de indemnização em caso de despedimento de trabalhadores. Será isto uma medida de estímulo ao emprego? Ou será mais uma medida de estímulo ao desemprego?...
Mais uma vez, temos este cenário: conversa, conversa, conversa, eufemismos e digressões verbais. Mentiras descaradas. A gente pergunta uma coisa, eles respondem outra, arranjam nomes técnicos e parvoíces, sem dar nunca uma resposta clara. E depois vêm as medidas, e aqui temos.
Eu gostava de ter um governo competente. Eu gostava de ter um governo honesto. Eu gostava de ter um governo que falasse a verdade, falasse claro e respondesse ao escrutínio público.
Gostava, no mínimo, de ter um governo que não fizesse de mim parvo todos os dias do ano.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Auto-promoção barata

De borla, aliás.
Se olharem para uma coisita ali à direita vêem que o Vodka existe desde o ano da graça de 2003. Já não é feito insignificante um blog sem tipos conhecidos aguentar-se tanto tempo, nesta época em que o facebook e merdas parecidas ficou com o monopólio do bitaite. Eu sou assim. Gosto de cassetes e discos de vinil. E gosto de blogs.
Feito mais significativo é este ano de 2010 ser o segundo ano mais prolífico da história deste blog, em número de posts, superado apenas por 2004, ano em que muita malta escrevia aqui. Mas não vou lamentar-me. Para mim, o Vodka ter um ano tão forte como este, em termos de produção, é prova suficiente de vitalidade. Sei que quantidade não é qualidade, mas enfim, qualidade nunca foi coisa em que a gente tenha realmente apostado.
Aos nossos queridos leitores, um obrigado pela companhia.

A Rede Social

Algumas coisas são simplesmente erradas.

Error

Cada vez gosto mais da minha mulher. Nunca a vi providenciar mamadas a este ritmo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Twin Peaks

Aqui há dias tive uma discussão interessante com um amigo, acerca da novela da TVI que ganhou um Emmy, ou um Grammy ou um Gremlin nos EUA. Dizia ele que parecia impossível, que a novela era uma merda, etc, etc.
É claro que a discussão interessante não é, obviamente, esta, mas sim as mamas da Rita Pereira.
Tão revoltado estava o meu amigo com o prémio que só à minha menção das belas mamas da menina ele se atirou de cabeça num daqueles discursos de que as mamas, aquelas belas tetas, são falsas.
Foi isto que ele disse. São falsas.
A discussão terminou da única maneira possível, comigo a chamá-lo de bicha. Não o queria fazer, mas não tive qualquer hipótese. Eu sou um gajo, portanto perante a pergunta "mamas verdadeiras ou mamas falsas" a minha resposta só poderá ser "depende das mamas", "que raio isso interessa" ou "sim, mande vir".
As gajas usam muito este argumento, que as mamas, ou o resto, é falso. As mulheres, esses seres que conseguem gastar guita a um ritmo que desafia os computadores da Nasa em toda a merda que as possa tornar mais atraentes. Atenção, eu não me queixo disto. Prefiro a beleza artificial ao horror ou banalidade natural. Elas gastam em maquiagens, calças que lhes fazem melhor rabo, soutiens que puxam as mamas para cima, cinturas descaídas e o camandro, metade das coisas nós nem sabemos bem descrever. Tudo certo. Mas como podem gajas que tudo fazem para melhorar o que a natureza lhes deu depois virar-se contra as que compram mamas? Bom, a explicação até é simples...
Quanto ao prémio, eu tenho uma teoria. São os cabrões dos americanos, que querem tanto convencer toda a gente que são fabulosos que decidiram escolher uma ganda poia como o melhor da selecção do resto do mundo. Tipo "vejam bem esta merda de Portugal, e isto é o melhor que se fez em todo o mundo! Excepto nos EUA, claro".
Eu acho bem o prémio. Só acho mal é não ter havido um prémio para a Rita Pereira. Se uma merda de uma novela da TVI, que nunca vi e cujo nome desconheço, merece um galardão, não me digam que a menina não merecia uma distinção individual, um premiozinho que fosse.
Aliás, dois prémios, um para cada mama.

ps - aquele tipo lá atrás não é o Bairrão, presidente da TVI? para onde estaria ele a olhar, para a grande qualidade da produção do seu canal?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Man...baza!

Há duas semanas que ando um bocado afastado de tudo. Mas agora, ao ver as notícias, não posso deixar de me espantar com a extraordinária força da inércia, ou seja, a inabalável capacidade da nossa vida política em mudar absolutamente nada.
Ouço o Sócrates falar, e não acredito que, anos e anos de trafulhices, mentiras e incompetências depois, ele lá continue alegremente a fingir que ainda é um primeiro ministro com qualquer tipo de autoridade. E parece convencido disso, o que só comprova a minha velha teoria de que este senhor sofre de graves distúrbios de personalidade.
A Comissão Europeia diz que Portugal se comprometeu a flexibilizar as leis laborais, o que já de si é extraordinário tendo em atenção que somos um país de salários miseráveis e com a maior percentagem de precários da Europa. Mas Sócrates diz que não, que não combinou nada, só quer fazer uns ajustes.
Depois de tudo, querem acreditar em quem? Quantas mais provas são necessárias?
José Sócrates é o Manuel Subtil da política portuguesa. Barricou-se no Governo, mas não tem qualquer saída airosa possível.

Estado de espírito após mais uma noite em branco

sábado, 11 de dezembro de 2010

Clueless

Descobri agora, através do Público, que quando na preparatória eu chamava maricas ao único miúdo que não jogava à bola estava a praticar "Bullying Homofóbico".
É sempre bom finalmente poder meter um nome aos nossos preconceitos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Uma pena e venha o futuro

Foi com muita, muita pena que soube do fim oficial dos Da Weasel.
Para mim são, apenas, a melhor banda portuguesa a surgir nos anos 90, juntamente com os Ornatos e, a alguma distância os Clã, de quem não gosto especialmente mas que são muito bons no que fazem.
A primeira vez que os vi ao vivo foi em 1998, numa Queima das Fitas, em Coimbra. Asseguraram a primeira parte de um mítico e muito aguardado concerto dos Violent Femmes, num pavilhão quente e a abarrotar de gente. Estava lá para ouvir os VF, pelo que confesso que não prestei muita atenção à Doninha. Na memória ficou-me um som bastante mau e um puto multado magrinho, de cabeça rapada, a rapar furiosamente.
Voltei a vê-los várias vezes, e os Da Weasel, em palco, foram sempre, sempre bons.
Tenho todos os seus discos, e continuo a revisitá-los. Para mim são uma das poucas bandas portuguesas que conseguiu, de facto, misturar estilos e ser sempre competente, estimulante, e cool. O meu disco preferido é o "Podes fugir mas não te podes esconder", que inclui a música abaixo, "Mata-me de novo". Serviu-me de banda sonora, há muitos anos atrás, a uma fase difícil mas muito interessante na minha vida.
Todos os membros da banda são tipos realmente talentosos, e acredito que muitos deles voltarão a fazer boa música, e não necessariamente nos subgrupos que têm actualmente. E eu vou estar atento.
Mas tenho muita pena.

Post Office

Como qualquer pessoa normal com menos de 80 anos, só vou aos correios quando tenho de ir. O que acontece talvez umas três vezes por ano. Hoje, que tinha que mandar uma papelada por causa da licença de paternidade, e lá fui eu, já com os envelopes preparados. Só faltava meter selo e empurrar para as bocarras das entregas. Tudo coisas que, julgava eu, conseguiria fazer sem necessidade de intervenção humana para além da minha.
Acontece que, ao contrário do que sucedia até há poucos meses, esta estação dos correios, perto da Estefânia, deixou de ter máquina de selos. Antes, era chegar lá, meter a carta na balança, escolher se é normal ou azul (agora há um verde mas não sei para que serve), meter o dinheiro e pronto, saía o selo. Agora não. Agora tive que estar na fila, atrás dos velhos e desocupados desta vida, para chegar ao balcão e dizer: quero mandar estas três cartas. Algo que eu podia fazer sozinho até há poucos meses.
Perante a minha insistência, o senhor do balcão (os gajos do balcão não são tecnicamente carteiros, pois não?) lá me explicou. A retirada da máquina de selos foi decisão, não explicada, da administração. Pus-me a puxar pela cabeça, e veio a razão: é que assim, se não queremos estar na fila, temos que comprar aqueles envelopes dos correios já com selo, que são bastante mais caros. Um tipo que traga os seus próprios envelopes e só queira a merda de um selo, tem de esperar na fila. Neste caso, 20 minutos de espera.

Deve ser isto que eles chamam eficiência. Deve ser isto que eles explicam por "preparar a empresa para a privatização". Eu chamo-lhe prestar um mau serviço.
Porque uma estação dos correios não é uma barraca da feira da Praça de Espanha, a vender canecas, cachecóis de futebol e livros de autoajuda/Júlio Magalhães.
Infelizmente parece.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mind Games

Com um recém-nascido há poucos dias em casa, o essencial, venho a descobrir, é não perder a calma.
Nos primeiros dias a minha filha estava aparentemente a passar-se; eu fingia estar bem mas estava preocupado que a minha mulher se passasse; ela fingia estar bem mas estava preocupada que eu me passasse. Ou seja, no fundo, a estabilidade do lar dependia da nossa capacidade em manter um bom bluff.
Tendo em atenção que a felicidade desta casa depende, em larga medida, do estado de espírito da minha senhora, digamos que a expulsão de um tal de Nemias dos "Ídolos" foi recebida entusiasticamente por toda a família.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

9

Há uns anos atrás, a SIC Radical era o melhor canal da televisão nacional. Tinha comédia, muita comédia, que é algo que, francamente, me apetece sempre ver, seja a que hora for. Na sua maioria, era parva e divertida, o que é a melhor combinação possível.
Infelizmente, nos últimos anos, parece-me que o canal se descaracterizou, à medida em que ia apostando mais em produção própria, na sua grande maioria coisas não apenas amadoras (o que não é grave) mas intragáveis (vide qualquer coisa feita pelo Unas). A sua comédia agora é apenas parva, e isso não tem piada nenhuma. Qualquer um pode ser um idiota, mas um idiota com piada é um privilegiado e uma benção.
Mas agora anda a dar um programa do cacete. "No Reservations" é, acreditem ou não, um programa de culinária. Em que tudo interessa, tudo, incluindo a culinária. O segredo está no autor/apresentador: Anthony Bourdain, ex-chef e crítico gastronómico, que é só um dos tipos mais talentosos de sempre a fazer televisão. Quem nunca viu, faça o favor de espreitar. O facto de o melhor programa da Radical (reposições sempre agradáveis de Seinfeld e South Park não contam) ser um programa de gastronomia é que já é mais estranho. Fica um cheirinho, de uma noite bem regada de Bourdain, em Paris.

A Voz da Experiência

Ter um filho aumenta exponencialmente a necessidade de pilhas. Para aí umas 30, de tamanhos diferentes.
Ah, e não comprava pilhas há uma data de anos. Elas sempre foram caras pa caraças ou agora são um produto de luxo?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Varanda

Entre as vantagens/desvantagens de se morar num bairro típico de Lisboa é, quer queiramos quer não, fazermos parte de uma vida colectiva com os nossos vizinhos. Estava eu, há pouco, a fumar um cigarro na varanda de trás (ah poisé, agora acabaram-se os cigarros indoor), quando disparou, no andar de baixo, o stereo dos meus vizinhos. São uma série de putos, eventualmente estudantes, e a selecção sonora incluiu Green Day dos tempos do Dookie, Offspring e Nada Surf. Ao todo, foram uns 15 minutos de uma espécie de compilação de college rock, que me levou direitinho aos meus 15 anos.
Para qualquer adolescente, a música é, só, a coisa mais importante. Ou devia ser.
Parágrafo.
Quando eu era puto, a música não era só tudo: era uma forma de identificação. Era uma forma de descobrir quem era, quem queria ser, de que lado queria estar. Os meus amigos pertenciam a dois grupos: a malta que jogava à bola, e aí aparecia de tudo, e os gajos que gostavam de música. Quando eu era puto, todos os que gostavam realmente de música gostavam de boa música. Não havia ninguém realmente apaixonado pelos U2, ou pelo Michael Jackson. Quem gostava profundamente de música procurava algo que soasse a autêntico, a sofrido, a verdadeiro, a diferente. Tinha amigos fanáticos de Mão Morta, de Pop DellArte, de Young Gods e de Sonic Youth. Outros fanáticos de Doors, Janis Joplin, Hendrix, Cream e Led Zeppelin. Quando apareceu o grunge, todos os que estavam envolvidos com a música entraram alegremente a bordo. Entre a comunidade heterogénea dos amantes de música, todos começaram a ouvir e a trocar cassetes de Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden. Pela mesma altura, Green Day, Faith no More, Cypress Hill, Censurados, Guns ou Body Count entraram também nos walkman.
E a verdade é que, chegados à escola, procuravamo-nos uns aos outros, para saber o que se andava a ouvir, se já tinham a cassete que queríamos, se dava para gravar. Havia o nós e havia o eles. Porque não era apenas música. Para mim, simplesmente não era possível ser realmente amigo de um fã hardcore de Dire Straits, por exemplo. Porque, nessa altura, a música era uma forma de estar na vida. E ou querias descobrir ou querias pastar, e eu tinha um orgulho febril em estar entre os primeiros. E foi a música que me fez sobreviver à Escola Secundária de Carcavelos, e que ajudou a moldar quem fui e quem sou hoje.
Obviamente, há muito deixei de ser tão sectário em relação às pessoas. Mas a verdade é que, de todos os meus amigos - mesmo aqueles que fiz já a trabalhar - não creio que haja um que, na adolescência, fosse fã de U2 ou de Dire Straits ou de Madonna.
De alguma forma, a matriz ficou. E a vida sabe o que faz.
Vejo a música que se faz hoje em dia, e tenho alguma pena dos putos. Não sei que raio de música de revolta andam eles a ouvir. E é essencial para qualquer puto decente ouvir música de revolta, do contra, que questione, que lute. Um puto que ouve Katie Perry ou Kings of Leon vai ser, quando crescer, um conformadinho de merda. Pode ser bem sucedido, habituado ao menor denominador comum do mainstream, mas terá uma grande tendência para ser um gajo bastante aborrecido.
Espero, no fundo, que eu não saiba nada sobre os putos de hoje, e que eles andem, de facto, a ouvir coisas boas e diferentes. Não é preciso Dead Kennedys ou Tara Perdida. Mas algo que os faça buscar, procurar e encontrar-se.
Boa semana, minha gente.

 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Para desanuviar

Há mais de 15 anos, a MTV passava música, e mostrou-me uma coisa estranha e excelente.

sábado, 4 de dezembro de 2010

News Update II

Quando completo a segunda noite sem dormir a ponta de um corno, o meu coração pensa sempre naqueles queridos papás e mãmãs que dizem "disfrutem agora desta fase, porque eles crescem muito rápido".
Deviam ser fuzilados.
Todos.
Mas primeiro torturados com várias horas ininterruptas a ouvir o Greatest Hits dos HIM, entrecortado pelos gritos da minha filha.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

News Update

E pronto, a Alice já cá está. Passou pelo habitual mau bocado, mas a sua mãe foi um bravo soldado, e cá estamos. Nasceu segunda-feira, e desde então a coisa tem sido uma sucessão bastante rápida de resolução de problemas de curto prazo. Coisas básicas, tipo fralda-mamar-dormir, ou o choro desesperado que, como veio, já se foi. Enfim, o costume, segundo dizem.
É claro que a minha filha é linda, e isto é dizer muito de uma miúda que nem cabelo tem. A única outra rapariga que merecia o adjectivo linda mesmo sem cabelo era a Nathalie Portman num filme qualquer, e que apesar disso continuava 'clearly doable'.
Mas estou a divagar.
Desde segunda que não sei de notícias, nem sequer de futebol. Todo o tempo "livre" é dedicado a uma actividade que alguns humanos gostam, chamada "dormir".
Ou seja, voltarei, mas não sei quando.
Estamos cansados, mas felizes.

Carry on.

Como diria o outro: São grandes homens

A miserável argumentação que, ontem na AR, sustentou os votos contra a proposta de tributação de dividendos não merecerá aqui qualquer replicação, digamos, substantiva. Há espaços próprios, e gente mais séria, para o efeito.Não contem comigo para trabalho tão digno.

O que me leva a escrever um número considerável de palavras (face ao que neste blogue digito) é o expediente da abstenção tomado por alguns deputados do PS na esperança de manter viva a áurea de esquerda moderna que ostentam, garantindo, em simultâneo, o objectivo essencial da respectiva turba parlamentar: o chumbo da tributação de um imposto sobre os dividendos antecipados.

A matéria em discussão e votação não se prestava a meias tintas. Chocam, por isso, mais do que os votos contra, as abstenções de Miguel Laranjeiro, João Galamba e Miguel Vale de Almeida.

O caso de Miguel Vale de Almeida seria, à primeira vista, o mais perturbador, mas a realidade mais actual regista, olhando à sua performance, que a esquerda pôde apenas contar com os seus préstimos em combates na área, digamos, dos costumes - casamentos entre paneleiros do mesmo sexo, ivêgês, e afins mais ou menos anticlericais – o que, não sendo despiciendo, parece, ainda assim, poucochinho para um fundador de um recente partido de esquerda (trata-se, recordo, de um dos criadores do Bloco de Esquerda).
A sua abstenção, assim como dos outros dois camaradas, aparecerá aos olhos dos mais incautos como um exercício, ainda que leve, de irreverência e inconformismo, mas, na prática (e, queiramos ou não, a prática tem nestas coisas capital importância) apenas contribuiu para inviabilizar a proposta do PCP, salvaguardando os interesses de quem, além de rechear os bolsinhos com muitos e muitos euros, costuma encher imoralmente a boca nos Prós e Contras e SIC Notícias desta vida em clamores por cargas maciças de austeridade sobre quem trabalha e sobre quem menos tem. Tudo em nome da pátria, confiando que a fórmula proclamada, de tão antiga quanto liberal, revele o caminho da redenção.
Conforme a fotografia o documenta: é esperar sentados.