segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Eles & Nós

O meu amigo Ricardo é um gajo engraçado. Conhecemo-nos há mais de quinze anos, fomos colegas de turma, íamos andando à porrada dentro da sala de aulas, depois descobrimos que ambos gostávamos de Xutos e ficámos amigos. É um tipo engraçado e um leitor assíduo deste blog (dos poucos que nos restam) e é também o gajo que faz de emplastro nos meus posts, basta eu escrever para ele vir comentar e dizer que não tenho razão nenhuma. O que é óptimo. Porque ele pensa nas coisas. Porque ele pensa, e isso é raro.
Há quinze anos atrás, estávamos exactamente no mesmo sítio, eu e ele. Politicamente de esquerda, ingénuos, curiosos pela vida, um pouco medrosos, também. Foi ele o primeiro a achar que havia algo de literário em mim, no que eu dizia, no que eu pensava. Talvez estivesse enganado, mas a verdade é que me deixei convencer, e escrever é hoje em dia tamanha parte da minha vida que, de uma forma ou de outra, lhe devo, à sua fé ou ao seu mau julgamento, uma parte importante do que sou.
É raro falarmos. Ele diz que vai sabendo de mim pelo que escrevo aqui, e talvez o que escrevo aqui revele mais do que eu pensava.
Há 15 anos estávamos em perfeita sintonia. Passávamos horas na casa dele, a jogar computador (Offroad e Double Dragon), ou às voltas com o Trivial (o cabrão é bom a ciências, o verde). Lanchávamos (ele metia um tabuleiro por baixo quando comia bolachas, já aprendeste a comer bolachas sem te babares, meu cabrão?!) e a mãe dele fazia cara feia quando eu ficava lá horas, porque ele tinha que estudar. Ouvíamos música, que ele apanhava do irmão mais velho, e foi ele que me mostrou os Doors, a Janis, o Jimi Hendrix, os Pixies, os Nirvana e muitas outras bandas que foram a banda sonora da minha adolescência e que ficaram, para o bem e para o mal, na minha vida.
Há 15 anos atrás estávamos no mesmo sítio.
Agora ele está casado, tem dois filhos, amaciou e é feliz.
Eu não tenho filhos, sou feliz à minha maneira, mas tenho cada vez mais esta puta desta inquietação que vai resvalando para o cinismo e para a crítica desequilibrada.
Tínhamos um colega de turma, um puto cheio de papel, que tocava piano e vivia numa vivenda gigante ao pé de onde veio a passar a autoestrada e onde nós fazíamos as festinhas da turma. Onde vivi uma das noites mais felizes da minha então tenra vida, quando, no final da festa, beijei finalmente a rapariga de quem gostava, e vim a pé para casa (5 kms a meio da noite e eu era uma criança, seria impensável hoje em dia), como se pisasse nuvens. E o dono da casa, que falava baixinho e tocava piano, não era mau rapaz, mas eu nunca consegui confiar nele. Sempre tive, e continuo a ter, preconceito de classe. Não confio em gajos de monograma na camisa, políticos, empresários, patrões, ricos em geral.
Há um nós e há um eles. Havia então e continua a haver. Hoje em dia algumas coisas estão diluídas na minha cabeça, já não é uma questão de dinheiro, apenas. Há os filhos da puta e há os outros, e podem ser ricos ou pobres, mas eu na altura não sabia. Há os que querem liderar, os que querem enriquecer, os que querem "progredir". E pior que tudo, há os que querem fazer os outros "progredir", evangélicos do Portugal modernaço do Sócrates, do Durão, do GPS e do computador Magalhães. Todos com algo a ganhar, e a perder.
E penso que, 15 anos depois, já não estou no mesmo sítio. Cada vez menos esperançoso, cada vez menos lírico, cada vez mais cínico e desencantado e cada vez mais farto de poses e filhos da puta.
E percebo que, apesar da distância percorrida, levado apenas pela vida, estou muito longe de onde estava há 15 anos e de onde o meu amigo Ricardo ainda está, rodeado das suas teses e boas intenções.
Mas percebo também que, no dia em que isto rebentar, é ainda e espero que será sempre ao lado dele que estarei, contra os outros, contra eles. Porque os valores estão lá, o desejo está lá, o coração está lá, ainda e apesar de tudo.
Talvez eu seja cada vez menos um dos "nós"; mas sei que nunca, nunca na vida serei um "deles".
Ainda há esperança

O Cigano voltou. Enquanto o Quaresma voava para Milão para encantar os papalvos dos italianos com a sua trivela (que qualquer puto de cinco anos faz a jogar à bola na praia), o outro, o verdadeiro Cigano Mágico voltava ao convívio de nós, simples mortais.
Está aqui, continua bom, e até tem um link todo catita para este tasco infecto.
Fazias falta, e se não fosses tripeiro até perdia a cabeça e te mandava um abraço.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Bate Leve, Levemente,
Será Santana?
Será Gente?
Portas não o é certamente,
que Portas não...

"Em praia de Albufeira
Um político masturbador

Um conhecido politico da nossa Praça e forte apreciador de corpos bronzeados não perde uma oportunidade de dar uma olhadela pelas inúmeras beldades deitadas no areal da nossa “Copacabana”. Passeia-se pela praia, escolhe a “presa”, estende a toalha, deita-se ao lado, a poucos metros, abre o jornal e ao mesmo tempo deita um olhar erótico à beldade, Após a leitura pousa o matutino encima da barriga, mete a mão dentro do calção de banho e começa a apertar o pescoço ao “macaquinho”, As beldades deitadas ao lado apercebem-se que o jornal começa a subir e a descer e que ali existe um acto masturbador camuflado. Mesmo uma tara sexual. Algumas senhoras incomodadas com a situação já têm apresentado queixa na Delegação Marítima contra este apreciador da beleza feminina. Os nadadores-salvadores também já conhecedores deste ritual vão estar de olho nele já na presente época balnear. No meio deste quadro marítimo-erótico as beldades inglesas que se cuidem porque o macho latino anda à solta.

Vasco Barreto - Albufeira"

(in a Avezinha, jornal algarvio - Secção: Correio)

Obrigado Camarada Vasco!!!

domingo, 7 de setembro de 2008

Justiça

Tenho acompanhado razoavelmente a campanha para a presidência norte-americana. Obama continua o seu caminho, adorado na Europa e dividindo ao meio os americanos.
Na convenção republicana, McCain apresentou a sua vice-presidente. É Sarah Palin, que veio trazer à campanha republicana o elemento que faltava num discurso "Deus-Pátria-Família" que está já a ter sucesso nas sondagems (2% de diferença, favorável a Obama, quando era de 8% há pouco mais de uma semana).
Todos os ataques a Obama dizem mais dos republicanos do que do candidato republicano. Odeiam Obama porque fala bem (é um falso bem falante), porque fala em retirada do Iraque e não em vitória no Iraque (é um pussy que odeia os soldados e ama os talibans), porque é amado na Europa (e como tal, não pode ser um bom americano).
Quando este ponto foi falado na convenção, McCain quase cuspiu a palavra "Europa", com um desprezo que mostra bem a sua mentalidade. Todo aquele show de God Bless America é do mais transparente que existe. Mostra como essa gente é perigosa para todo o mundo e para os EUA.
Estou convencido de que um povo que vota duas vezes em George W. Bush, depois de tudo, é um povo que não vai eleger um negro e vai dar a vitória a um Texas Ranger alucinado e acabado.
De qualquer forma, e mais do que nunca, os americanos vão ter o que merecem.
She's back! Is she, really?!....

Depois de uma hibernação de 37 anos, Manuela Ferreira Leite falou. Saiu da gruta, desceu do alto da sua montanha, e veio espalhar a verdade a todos nós, pobres camponeses à procura de luz e caminho.
O que ela disse? Bem, eu ouvi o discurso, mas foi de tal forma oco e vazio de conteúdo que já não me lembro muito bem. Perdoem-me, mas a sapiência da senhora não pode ser transmitida por intermediários.
Nenuma ideia nova, nenhuma que a distinga do PS.
Fez uma crítica interessante, à mediatização da política e à máquina comunicacional do PS. Neste último ponto, tem toda a razão. O PS é o Governo que mais investiu nesta máquina, no controlo das notícias, na pressão encapotada sobre os jornalistas, no 'timing' ao segundo da altura em que se revelam novidades (no preciso momento em que o Executivo está sob pressão devido a qualquer notícia que lhe é desfavorável).
Diz a nossa dama de ferro que falará quando for importante, e não quando qualquer soundbyte faça correr os jornalistas para a sua porta. Tem toda a razão. No entanto, pela gestão que tem feito dos momentos em que considera importante falar, mostra que não tem um filtro minimamente competente para tomar esta decisão.
O problema de Manuela Ferreira Leite é outro. Acha-se demasiado boa, demasiado superior, para estar na política à portuguesa. Faz as coisas com enfado, a contragosto. Eu até a percebo, embora não a ache metade do que ela se acha.
Ela esquece-se é que estamos em Portugal. É esta a política que temos, e ela não tem hipótese de ganhar, nem sequer de perder graciosamente, se se recusar a ver a realidade. Ainda por cima, como líder de um partido sem ideologia, a intervenção mediática ganha o dobro da importância. Já que não há nada para dizer, é importante dizer esse nada muitas vezes (veja-se o que faz o PS).

Sócrates está confortável. A sua maioria absoluta depende apenas dos votos que a esquerda lhe poderá retirar.
Verão Azul

Há quem pense que, devido às férias parlamentares e ao êxodo para o Allgarve de todos os políticos nacionais, a política faz-se de Setembro a Junho. Eu não concordo. Aliás, apesar do alívio que é não levarmos com a verborreia parlamentar durante alguns mesitos, é nos meses de Verão que podemos identificar os elos perdidos no ADN dos diferentes partidos.
Os partidodo eixo do poder, ou seja, de direita nas suas várias formas (CDS, PSD e PS) fazem as universidades de Verão. Mais do que doutrina ou ideologia, que não têm, aquilo serve sobretudo para os iupis ambiciosos das Jotas poderem estar, cara a cara, com os gajos que lhes vão arranjar emprego em pouco tempo. Mostram-se, trocam a praia por uns escritórios abafados, e procuram impressionar os Ângelos Correias deste mundo.
Na esquerda, é diferente. O PC tem a festa do Avante, uma belíssima tradição à qual já compareci algumas vezes. Entre bons comes e bebes, iniciativas culturais e bons concertos, e alguma política (nunca assisti ao discurso). É claro que é preciso uma grande dose de tolerância para aturar os freaks dos cães, a malta vestida de sarapilheira e o geral tom de ingenuidade e parvoíce política que perpassa o Estado. Mas, na verdade, as intenções até são boas e louváveis e concordo com a esmagadora maioria delas. É uma questão de forma, de tom, de registo. É bastante irritante, mas há que desligar o complicómetro à entrada.
O Bloco é o mais divertido. Como bons esquerdalhos que são, fazem um acampamento de Verão. Este ano, a coisa ficou ainda mais estranha que o habitual. Aqui vem um resumo fantástico do que por lá se passou, mas deixo-vos aqui um trecho:

Em cada manhã, os diferentes workshops culturais foram acontecendo: percussão, artes murais, teatro do oprimido, andas e animação de rua, construção de vacas magras, massagens, raggajam. Estes foram espaços de descontracção, de desmecanização do corpo mas também das ideias. No último dia, à noite, foram apresentados os resultados de algumas das oficinas, com um espectáculo de djambés e harmónica, com uma exposição de stencil e uma sessão de teatro-fórum sobre violência doméstica.

Os activistas das Panteras Rosas tiveram ainda um papel crucial na dinamização do Espaço Sexualidades, durante o tempo livre, em que diversos workshops e debates tiveram lugar, desde brinquedos sexuais à transexualidade.


Pois.
O Bloco situa-se, no nosso espectro político, na área que, em teoria, mais facilmente deveria cativar o meu voto. Mas a minha baixa tolerância à idiotice levou-me a não votar no BE nos últimos anos. E a coisa parece estar a ficar pior.

Quanto ao PCTP, fizeram um campo de treino semelhante aos do Hamas, com prática de armas de fogo, tiro ao fascista e lições de carpintaria e metalurgia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Deslavado.net



O Alvim a viver 7 dias sem tecnologia??? SO WHAT?

Eu gostava era de ver o Alvim a viver 7 dias com shampoo... isso sim!!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Elementar, meu caro Watson

Francês suspeito de mater líder de "Os Mosqueteiros".

Richelieu volta a atacar.

sábado, 30 de agosto de 2008

A Rebeldia iPhone

A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way.
Depois de anos a apanhar bonés, percebeu que a melhor maneira de combater a morangada da TVI era...imitar. É lógico. Era inevitável.
Depois de 20 minutos a ver a nova série (o que me provocou uma crise de cólicas da qual só um dia depois começo a recuperar) sinto-me preparado para uma análise.
Bora lá.
A fórmula é a mesma nos dois canais. Aqui fica a receita:

1 - Pitas boas. Muitas, quanto mais descascadas melhor (as séries de verão são, naturalmente, as melhores, porque eles vão todos juntos para a praia).
2 - Gajos "estilosos". A coisa divide-se em dois: há aqueles que têm quase 30 anos mas fazem de adolescentes, e depois há os que são mesmo adolescentes. Estes últimos são aqueles que se levam a sério enquanto "actores". O requisito essencial para qualquer gajo que entre nestas séries é ter um penteado ridículo.
3 - O Rebelde Way tem gajas do norte. Fazem de gajas daqui, mas aquele sotaque é fodido de perder. Fica ridículo, mas as gajas são boas.
4 - Nos Morangos, a palavra "pessoal" é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases "Eh pá, pessoal!", no início de cada conversa, ou então "Bora lá, pessoal", antes do início de qualquer actividade.

Agora vamos à bosta que a SIC acabou de parir, com pompa, circunstância, varejeiras e mau cheiro.
Chama-se Rebelde Way. Cool, man! O slogan dos Morangos era "Geração Rebelde", mas a inspiração deve ter vindo de outro lado, de certeza. O que me irrita na poia da SIC é que os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué rebeldes. São bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.
Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?
É claro que isto são pormenores com as quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objectivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.
Há uns tempos vi, no largo do carmo, um bando de aí uns 15 putos e pitas, vestidos à dread com roupinha acabada de comprar na Pepe Jeans. Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós.
Com novelas de putos "rebeldes", feitas por "actores" cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cu ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa.
Os tomates.
A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos.
E depois estas séries vão retratando "problemas sociais da juventude", afagando a consciência de quem "escreve" aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool.
Mas esta merda enoja-me.
Exercício dispensável de futurologia que me pode garantir ser gozado à grande daqui a umas horas

Acho que hoje somos capazes de encavar os tripeiros.

sábado, 23 de agosto de 2008

Desaparecidas em combate

Pode parecer disparatado, mas tenho a desconfiança de que, quando conseguirem encontrar a Manuela Ferreira Leite, a pequena Maddie estará com ela.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Portugal dos pequeninos

E pronto, parece que é desta que a malta não ganha medalha nenhuma nos jogos olímpicos. Este certame é, na verdade, um acumulado de momentos bastante aborrecidos, com duelos de badminton, lançamento de várias coisas e que, este ano, está a ser dominado, em termos de atenção mediática, para um dos desportos mais chatos de todos os tempos, a natação.
Eu cá até gostava dos JO nos 80´s, quando ainda havia no ar um restinho de guerra fria e eu torcia pelos russos contra os americanos. Hoje em dia nem isso há.
Voltando aos tugas.
Zero medalhas, provas de merda, críticas à arbitragem (já há apito dourado no judo?), enfim, o costume, desde que os tugas deixaram de ser um povo de lingrinhas desgraçadinhos que se matavam todos nas horas vagas para correr maratonas de 40 km e provas de ciclismo de 200 km. Agora há playstations, e 50 canais de televisão, e pornografia acessível, à borla, na internet. Isto, quer queiramos quer não, altera um bocado as prioridades da malta. Mas ouve-se os atletas tugas, e algo não bate certo no seu discurso. É tudo "estou contente, bati o meu record pessoal", "dei o meu melhor, já foi bom competir com os melhores do mundo", etc, e depois ficam em último. Os portugueses são os campeões mundiais do desportivismo, os únicos que levam à letra a história do "o que interessa é participar". A não ser que sejam os Jogos sem Fronteiras, claro, porque nessa merda Santo Tirso ou Loulé não deixavam os cabrões dos suíços e dos san marinenses chegar nem perto do primeiro lugar.
É uma questão de mentalidade. Vamos para lá pedir desculpa por existirmos. Eu compreendo. A sério. Os outros são muita bons, vivem para aquilo, têm condições fabulosas para treinar. E nós somos tugas, "lamento incomodar, mas acha que me deixa correr aqui na pista 4? Eu não incomodo ninguém, nem vão perceber que eu estou aqui, brinquem lá a essa coisa das medalhas, eu só vou correr aqui um bocadinho para aparecer na televisão".
É-me absolutamente indiferente que a gente traga ou não medalhas, muito francamente. Mas, para quem torce por aquilo, talvez seja altura de começar a perguntar porquê.

PS - Francisco Obi-Coelho, esse grande sprinter nigeriano ali da zona de Serpa, vai abandonar a carreira. Foi bom enquanto durou. Que tal hipotecarmos o país e naturalizarmos o Phelps?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A Tasca do Adriano



Ontem a SIC exibiu a reportagem "especial" feita no El Bulli, considerado por muito boa gente o melhor restaurante do mundo. O que temos na foto é qualquer coisa como beterraba caramelizada e mais não sei quê.

Chocou-me particularmente uma parte da reportagem em que se constatava que o chefe Ferran Adrià tinha que meter do seu bolso, todos os anos, cerca de 600 mil euros para colmatar o buraco feito pelo desperdício de comida. Todos os dias chega comida ao restaurante e além das ervilhas amolgadas que não passam na inspecção e das ostras defeituosas?! que não tem direito a desfilar na passerelle, toda a comida que sobra não é aproveitada para o dia seguinte. Uma coisa que sempre me fez confusão é a comida que se desperdiça nos restaurantes, um restaurante só é bom se servir uma dose para uma pessoa que dá para dez e da qual se come duas colheradas e o resto, muitas vezes, vai para o lixo.

Não sou um fundamentalista da ecologia, mas numa altura em que o planeta e a carteira estão cada vez mais nos ais e que até está na moda ter uma consciência ecológica, pergunto-me se não faria sentido campanha de sensibilização ou mesmo medidas concretas para minimizar este problema. Porque não meter a ASAE a avaliar o nível de desperdício nos restaurantes? Não é por mim, é pelos outros!

Será que também não devia ser um factor a ter em conta na eleição do melhor restaurante do mundo? Ou só o que interessa é a descobrir a nova maneira de acelerar as partículas do açúcar, de modo a obter um caramelo ionizado que se verte por cima de uma cama de espargos gelificados por azoto líquido?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Um bom trabalho

Como passo a vida a dizer mal, e o blog precisa de desanuviar em tempo de crise, aqui vai uma coisa boa. A série da RTP "Conta-me como foi" tem tudo. Um óptimo elenco, um bom trabalho de pesquisa, bons textos, e aquela inocência que nos lembra o país que nós já fomos, no mau que se foi embora e no bom que se perdeu. É um bom trabalho, e provavelmente a melhor série da televisão portuguesa nos últimos 20 anos.
Enquanto a maior parte dos canais prefere apostar no fácil e barato - morangadas e malucos do riso com gajas de bikini e piadas mais velhas que o cagar de cócoras - é refrescante ver a RTP cumprir, ainda que esporadicamente a sua missão.
Um exemplo.

O Homem

Morreu Isaac Hayes. O autor de "Shaft", "Soulsville", "Out of the ghetto" ou "Black Moses". Um tipo muito talentoso que mostra aos meninos que andam pela MTV aos saltos, em clips de gajas de bilha à mostra e carros bimbos, o que é o poder e o valor da música negra.

Respect.

domingo, 10 de agosto de 2008

VIVA PORTUGAL

Há uns posts atrás, escrevi acerca do StarTrackers, aquela cena que serve supostamente para estimular o "Talento Português". Recebi uma mensagem, através desse sistema, que gostaria de partilhar convosco. É de um tal de Ricardo Diniz, que é o velejador de que falei nesse outro post. Façam-me o favor de ler o que vem abaixo.

Star Power Request:
Volta ao mundo por PORTUGAL
Posted by: Ricardo Diniz
O meu nome é Ricardo Diniz e sou, entre outras coisas, velejador solitário. Desde os 8 anos que sonho com o objectivo de fazer a volta ao mundo à vela sozinho. Desde então que me dedico todos os dias a reunir as condições necessárias para aprender e atingir.

Com muito esforço pessoal e financeiro conseguimos trazer para Portugal uma regata de volta ao mundo! Trata-se da primeira competição do género a começar e acabar em Portugal e uma fantástica oportunidade para Portugal se promover e posicionar num mercado global com valores de tecnologia, inovação e qualidade.

Esta regata, a Portimão Global Ocean Race, precisa de ter um velejador de Portugal. Faz sentido. É o que todos esperam. É consistente com o mar que fez de Portugal o País dos Oceanos. O barco será um formidável e relevante veículo de promoção de Portugal.

Os padrinhos do meu projecto são Luís Figo e Catarina Furtado.

Precisamos de €1M.

Ideal Scenário Budget Breakdown:
Stage 1 - €450k o mais depressa possível para comprar o barco e iniciar as obras de adaptação, encomendar velas novas e muito, mesmo muito material. Até a comida tem de ser já encomendada.
Stage 2 - €100k até 25 de Agosto para activar a equipa em terra, comunicações satélite para partilhar a viagem com escolas e imprensa e muitos outros pormenores.
Stage 3 - €50k até 12 de Outubro - LARGADA! - Contas finais a pagar a fornecedores.
Stage 4 - €380k até 10 de Abril 2009 - Comunicações, equipa em terra, logística, manutenção, velas novas, etc

Durante a viagem será dado seguimento ao Projecto Escolas que já desenvolvemos desde 1996. Milhares de crianças irão aprender geografia, história e matemática seguindo o pequeno veleiro à volta do mundo. A própria organização da regata tem um programa educativo impressionante. Queremos também reforçar a iniciativa MIL ao MAR, para levar o máximo número de crianças a conhecerem o mar de perto, à vela.

Apelo à rede para me ajudarem a atingir este objectivo com os vossos donativos, contactos e sugestões. O ideal seria termos um Title Sponsor que nos ajudaria, desde já, a comprar o barco e a fazer as alterações necessárias para ele aguentar bem a volta ao mundo. Precisamos comprar tempo e aproveitar cada dia ao máximo. Enquanto isso acontece iriam entrando outros parceiros bem como donativos individuais. No entanto, seguindo a sugestão de muitos Strackers, apenas com os vossos donativos é possível atingirmos o bolo total.

Confesso que não estou habituado a fazer este tipo de pedidos individuais, daí ter focado todos os nossos esforços nos últimos 12 anos na busca de parcerias corporativas. Mas aceitei o pedido do Tiago Forjaz para fazer este apelo à rede, e olhando para o feedback recebido até agora, acredito que poderemos estar prestes a fazer história de uma forma absolutamente notável.

O nome de cada pessoa e empresa que apoiar este projecto será colocado no casco do barco e no nosso site, como forma de agradecer e reconhecer o vosso contributo.

Nota curiosa: Um velejador do Canadá teve sucesso numa iniciativa semelhante com cerca de 5000 donativos. Até deu para construir o barco de raiz, num budget total muito superior ao nosso: www.spiritofcanada.net.

Se o Canadá consegue, nós também conseguimos.
Conto com o vosso apoio para levar mais longe o nome de PORTUGAL!
Ricardo Diniz


Well, well, well.
Por onde começar? Adoro tudo. Adoro o tom, o esquema, os objectivos. Aliás, acho que não devem ser só os gajos do StarTracker a ajudar. Também nós todos devíamos fazê-lo. Afinal, ele só precisa de um milhão! Um milhãozito! Para comprar um barquito! E é tudo em nome de Portugal! Para promover Portugal!
De facto, esta coisa promove bastante o Talento Português. E que maior talento português existe do que enganar o próximo com um esquema manhoso? Na verdade, esta rede está claramente a cumprir os seus objectivos.
Há gente com uma lata fabulosa.
E há otários para tudo.
Jornalismo de Sarjeta

O Expresso, esse jornal que faz gala de ser um semanário sério, continua a descer o nível. Na ausência de notícias, faz capa inteira com o primo do Leyrielton, ou Sidneilson, ou lá como se chama o assaltante do balcão do BES que levou um balázio da bófia. O Expresso é o jornal que os portugueses leem pela mesma razão que comem bitoque, porque sim. Dá estilo ir à bomba lavar o carrito e trazer o Expresso, para estarem informados. O nível deste semanário anda a descer há vários meses, mas agora a vergonha parece ter acabado de todo. Esse senhor que morreu é irrelevante. Se tivesse vivido mereceria tal destaque? O seu primo teria uma citação gigante na capa do Expresso? Qual é a informação relevante que têm para o leitor? Nada. É só cavalgar a onda da merda mediática. Dá menos trabalho do que procurar notícias, que era o que deviam estar a fazer.
Por outro lado, o DN continua o seu caminho em direcção ao esgoto. Uma revista que publica às sextas, a Notícias TV, está cheia de fotos de gajas em topless e do cu da Carolina Patrocinio (não nego os seus atributos). Já o nome da revista me parece estranho, já que notícia não tem nenhuma. É mexericos, morangada, namoros e desamoros. Tudo bem, porque esse meio das novelas à portuguesa alimenta-se do fenómeno, numa relação toma lá/dá cá em que todos beneficiam. Para o meu gosto é uma merda mas, para além disso, às vezes vai-se longe demais. Há algumas semanas publicaram umas fotos de Santana Lopes, na praia, com duas gajas novas. Num texto a atirar para o malandrote, dizia-se que era evidente a proximidade de Santana com uma delas, e terminava dizendo que Santana tinha passado toda a tarde "em boa companhia...", e acabava assim, com os três pontinhos marotos.
Azar dos azares, a moça é filha do Santana.
Ele escreveu uma carta ao DN, protestando e com razão, no meu entender. Terminou a sua missiva dizendo que "por estarmos na silly season não se criou o direito de escreverem silly things".
E tem razão.
O director da Notícias TV, com quem por acaso trabalhei há uns sete anos, respondeu, dizendo que não fez nada de mal, que não é incorrecto dizer que Santana passou a tarde em boa companhia, já que a passou com a filha. É uma resposta de uma criança de 5 anos, porque o senhor "jornalista" sabe muito bem o que foi implicado naquela peça em que, mais uma vez, o foco foi o rabo da menina que mostrou muita intimidade com Santana, a filha.
Mais, o "jornalista" volta à carga e diz o seguinte: "Por estes dias, o Algarve está cheio de gente ilustre que o leitor bem conhece. De Margarida Vila-Nova a Rita Ferro Rodrigues. De Rita Pereira a Pedro Granger. Todos são figuras públicas e todos sabem que atrás de cada toldo há um jornalista; que atrás de um poste há sempre um fotógrafo; que atrás deles próprios há sempre uma boa história".
Permita-me discordar. Atrás dos toldos não há jornalistas, há estagiários e tarefeiros de merda que mais não fazem que mexericar na vida dos pseudo-famosos da TV; não há sempre uma boa história, aliás não há história nenhuma. São fotos de gente na praia, a sair de festas. E vocês escrevem, e chamam-se jornalistas. Vivem de merda, como as moscas. E se há muitos que se alimentam disso, como todos os nomes que o "jornalista" cita no seu texto, isso não implica que o vosso trabalho seja mais relevante, ou que possam dar-se ao luxo de o intitularem de jornalismo.
É merda.
O sentido é cada vez mais descendente na comunicação social portuguesa. E só vai ficar pior.
FYI

Parece que Cavaco Silva já explicou por que razão se recusou a ir à inauguração dos jogos olímpicos de Pequim. Está chateado com uma cena qualquer sobre o estatuto territorial das Berlengas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A televisão portuguesa, esse pequeno balde de pus

Parece que a next big thing é uma mini-série da SIC chamada "A vida privada de Salazar". Parece que é Diogo Morgado, o canastrão que gosta de plagiar merdas, quem vai fazer o papel do ditador. Na revista Notícias TV desta sexta-feira, apareceram fotos do tipo caracterizado a la Salazar, e o meu único pensamento foi "Are you fucking kidding me?!", assim, em inglês, tem mais força para expressar uma singela mistura de asco, repugnância, cólicas e estupefacção. Procurei incessantemente essas imagens na net para meter aqui, mas infelizmente não encontrei (embora isso tenha evitado que este blog descesse ainda mais o nível), pelo que se alguém encontrar algum link, trate-o com cautela e envie.
E que mais?
Ah, é verdade, parece que entra a Soraia Chaves. A fazer de gaja que o Salazar comeu ou queria comer, o que é compreensível. Esta grande "actriz" continua a sua fulgurante carreira, o que não espanta dadas as suas mamas perfeitas.
Mais ainda, é claro que, Salazar ou não Salazar, a Soraia e as outras moçoilas que entram, "actrizes" da morangada, tinham de aparecer em cenas "íntimas". Claro, faz todo o sentido. Salazar, cenas íntimas, Soraia Chaves, abacate, é evidente, faz todo o sentido.

PS - não descobri a foto do Salazar/Morgado, mas descobri um fantástico blog dedicado a esse "actor"/modelo da La Redoute. Está aqui, e as sequências têm títulos como "200 Segundos Marcantes", "Cenas Incríveis de Desespero" e, o meu preferido, "Santiago confronta Rodrigo (na prisão)". Vale ainda a pena ler a entrevista publicada no blog, que tem alguns dos seguintes excertos:

Qual é a pergunta que nunca lhe fizeram, e que gostava de responder?
Não sei… para já responder a perguntas, gosto de conversar, há várias conversas que eu gostava de ter com as pessoas, e as conversas não são identificáveis.

Existem semelhanças entre o Santiago [personagem desempenhada pelo "actor" numa novela qualquer] e o Diogo Morgado?
Muito poucas, semelhanças a nível de personalidade, não, mas há algumas características físicas, algumas atitudes.

E qual era um sítio de sonho para passar férias?
Ontem o Sérgio dos Anjos falava-me na Costa Rica, e ele falou tão bem, tão bem, que eu comecei a projectar-me na Costa Rica.


ENJOY!
Respect

Sócrates e Cavaco combinaram, entre eles, que nenhum compareceria à abertura dos jogos olímpicos, na China. Não revelaram o motivo, não vale a pena chatear os chineses. No entanto, aposto que isto tem a ver com o respeito dos governantes portugueses pelos direitos humanos.
Só pode.

Eat shit, Mr. Geldoff!
Coisas que me irritam III

Eu gosto de publicidade. Gosto muito. Especialmente na televisão, gosto mais do que da esmagadora maioria dos programas. Mas há uma coisa que me irrita muito: são os anúncios que tentam lançar modas ou, sobretudo, lançar termos. Há muitos exemplos, mas acabei de ver dois na televisão, ambos à volta dessa importação milagrosa chamada caipirinha.
Um é a "Caipi com Bacardi", a outra é o "Caipirão".

1 - O anúncio da Bacardi tem como slogan "Caipi? Só com Bacardi!". Caipi. Sim, Caipi, um diminutivo pseudo-cool para os tipos que saem para as discotecas do Montijo. Ninguém diz Caipi. Ninguém vai alguma vez chegar ao balcão e pedir uma Caipi, o barman vai pensar que o tipo é gago. E não gosto que os publicitários inventem palavras para mim que eu, como o cão do Pavlov, vou repetir quando for gastar os meus euros em qualquer coisa estúpida.

2 - O Caipirão não é tão grave, porque eles efectivamente "inventaram" uma coisa, uma bebida. Mas, mesmo que se goste daquilo, é um bocado ridículo pedir um caipirão.

Dica para os publicitários: metam gajas boas nos anúncios. Isso basta.

domingo, 3 de agosto de 2008

Baby, I'm back

A ciência política não é uma coisa exacta. Não consigo vislumbrar como o Obama e o McCain estão estatísticamente empatados na corrida para Presidente dos Estados Unidos. Há quem me diga que é por causa do racismo. Discordo. Até os racistas dizem que o trabalho é bom para o preto.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Coisas que me irritam II

Aquele truque dos empregados de mesa fingirem que não nos vêem. Como é que é possível que, num restaurante com 100 metros quadrados, cinco empregados consigam andar a cirandar alegremente, por entre trinta pedidos diferentes, sem ouvirem um ou virarem a cabeça para qualquer dos clientes?
Andarão eles assim tão absortos?
O seu trabalho é simples: ir às mesas perguntar o que os clientes querem, ir à cozinha pedir, e depois trazer. How fucking hard can it be?
Mas não, eles estão sempre a contemplar alguma coisa no chão, ou no outro lado da sala, e estão tão concentrados que nada ou ninguém os pode tirar daquela espécie de transe.
É o seu trabalho ouvir os clientes, olhar para ver se alguém levanta a mão (e faz o ridículo gesto de pedir a continha), ou seja o que for. Eles estão lá para isso! Não fazerem isso é como um piloto de fórmula um se esquecer de meter as mudanças.
Acreditem, meus amigos, é técnica. É de propósito. É uma xico-espertice transversal a 90% da classe profissional dos empregados de mesa. Ninguém é tão distraído assim.
E esta merda, entre outras, irrita-me.
Coisas que me irritam

Aqueles sites (ou blogs, é a mesma merda) em que um gajo faz return, ou carrega naquela seta para voltar para trás, ele finge que vai obedecer, e depois abre de novo a mesmíssima página. O blog do Markl, por exemplo, é assim, não sei se o objectivo é ter mais pageviews, ou para que raio serve a não ser irritar as pessoas. E também me irrita aqueles blogs em que abres e abre logo uma janela a oferecer um iPhone. Eu não quero essa merda para nada.
Dr. Spock in Campo Pequeno

Realizou-se ontem um jantar, no Campo Pequeno, de uma espécie de associação chamada Star Trackers. A ideia é, basicamente, incluir talentos portugueses por esse mundo fora, como forma de, eventualmente, mostrar que, afinal, somos os maiores.
No encontro de ontem, o Spock de serviço foi Cavaco Silva, o mesmo que, minutos antes, tinha deixado o país suspenso, na abertura dos telejornais, para anunciar que estava com uma cólica. No encontro, dizem-me, falaram várias pessoas, entre elas um velejador que já deu a volta ao mundo sozinho. Uma amiga que esteve presente contou-me que se emocionou com os relatos dele, e que aquilo deve ser muito difícil. A minha resposta, naturalmente cínica, foi: "eu trabalho 12 horas por dia a aturar atrasados mentais. Foda-se, emociona-te comigo, se fazes favor, e não com um betinho que anda de barquito". Pois.
O Cavaco incentivou os Star Trackers a continuarem o bom trabalho, a mostrarem que é possível atingirmos a excelência.
E é aqui, sobretudo, que isto me causa alguma confusão.

1 - Aquilo é suposto ser uma rede de talento, mas parece-me ser mais um lobby disfarçado. Se és da rede, és cá dos nossos, let's do a deal. Típico, portuga, mas muito pouco modernaço, mesmo que através da Internet.

2 - Stars, talento, etc. É preciso um gajo ser um bocado armado ao pingarelho ou ter algumas profundas necessidades de afirmação para ser agarrado a esta coisa. Caguem nisso.

3 - Na prática, isto mais não é que a transposição do conceito parolo nacional de que o que está lá fora é que é bom. Adoramos os tuguinhas que se dão bem lá por fora, para mostrarem a raça dos tugas! Os que vão lá para fora, sobretudo os que vão para trabalhos mais qualificados, entristecem-me, na sua grande maioria. Falam em coisas como progressão, carreira, capacidade, blá blá blá. Deixar o melhor país do mundo (copos baratos, sol, gajas cada vez mais giras e o Benfica) para "investir na carreira" é coisa que me faz um bocado de confusão. Se fodessem mais e trabalhassem menos, aposto que isso passava rapidamente.

4 - É outra forma do discurso do Sócrates e de muitos opinion-makers de, como diz Pedro Lomba no DN, defenderem que "o país precisa" disto ou daquilo. Qualificação, esforço, sacrifício, qualidade, produtividade e etc e tal. Pois, e aquilo de que as pessoas precisam? Será isto irrelevante? Isto não é mais que conversetas de "Compromisso Portugal", de empresariosecos e futuros patrões que nos embalam com estas merdas enquanto continuam a encher os bolsos. Eu não estou em corrida alguma para fazer de Portugal um país moderno. A minha corrida é para viver da forma mais feliz possível, e são coisas muito, muito diferentes.

PS - Eu até sou membro do Star Trackers, fruto de um convite de um amigo. Já passei pelo site algumas vezes, mas aquele roxo mete-me um bocado de impressão. E o conceito de Hi5 para tótós e gajos muita talentosos dá-me vontade de rir. Começou por ser uma coisa para Portugueses Talentosos Que Dão Cartas no Estrangeiro, mas agora o nível está a descer, se até eu lá estou. Quem sabe, um dia seremos maioritários. Então, em vez de merdas pomposas no Campo Pequeno com o Cavaco, teremos piqueniques oficiais ali para os lados de Aljezur, bem regados com medronho.
Ainda há esperança.
Continuem o bom trabalho. Portugal precisa de vós.

domingo, 27 de julho de 2008

A Dúvida

Os ciganos - ou os membros da comunidade de etnia cigana - que bazaram da Quinta da Fonte, não querem lá voltar, querem novas casas e ameaçam, se tal não acontecer, fazer uma grande manifestação nacional de ciganos. Começo agora a perceber a demora do Quaresma em ir para o Inter, não deve querer perder o evento.
E já agora, se a manifestação não funcionar, vão fazer o quê? Greve?
Não, por favor, não, isso o país não aguentaria...
Minho ou fenómeno do Entroncamento?

Ali para acima do Mondego, há um estranho mundo. Para além da concentração de azeiteiros e parolos ali na zona do Porto, as coisas estão a ficar ainda mais maradas lá mais para cima.
Primeiro foi esta belíssima ideia:

E não é que este ano, os parolos do Vitória lá de cima e os seus rivais (?) do Sporting de Braga, tentaram - mas não conseguiram, claro - fazer pior.
Vide exemplos em baixo.



E agora este:


Sou só eu, ou os gajos do Minho andam a beber água marada?
A forma sobre a substância

João Cravinho cometeu a ousadia, mais uma vez, de criticar a proposta contra a corrupção aprovada recentemente pelo PS. Disse o senhor que a legislação abre as portas à corrupção e que, em alguns casos, vamos ter "juízes em causa própria", o que, digo eu, me soa um bocado a...corrupção.
Enfim.
Esqueçamos por um momento que Cravinho está no Banco Europeu de Investimento a gozar o seu tacho, e que gosta de armar em Manuel Alegre mas continuar a mamar na teta. A verdade é que ele tem razão.
O que me traz aqui é a fabulosa reacção do PS. Perante as críticas concretas de Cravinho, a resposta oficial do PS é a seguinte: "o Partido Socialista não recebe lições de combate à corrupção do engenheiro João Cravinho". E pronto.
Ah, ok, se é assim estamos conversados.
Nem uma palavra acerca das críticas concretas, nada, zero.
Shame on you, Mr. Cravinho, que te atreves a dizer mal do sacrossanto PS!
Esta resposta, aliás, não deve ter demorado muito tempo a criar. Foi a mesma que deram a Manuel Alegre, ao PC e ao BE para aí umas 50 vezes, relembrando todos os portugueses distraídos que "o PS não recebe lições de esquerda de ninguém".
Ficamos bastante mais descansados.
Mas, na verdade, o Cravinho deve estar parvo. Por que carga de água havia o PS - ou qualquer partido entrincheirado historicamente na máquina do poder - de aprovar uma lei anti-corrupção eficaz?
Mr. Cravinho, goze lá o seu tachinho e deixe de ser inconveniente.
Dr. Jekyll & Mr. Corrupto

Freitas do Amaral, que era considerado o senhor mais douto do mundo, pronunciou-se sobre a cóboiada do conselho de justiça da FPF. E o que disse o ex-fascista? Que a reunião era válida - logo tornando lei as condenações a Pinto da Costa e Boavista - e que boa parte do sistema de justiça desportiva em Portugal deve ser bem investigada.
Ora bem.
O que é engraçado é que tanto o Boavista como o FCP vieram - claro está - atacar a decisão, lembrando que é "apenas a opinião de uma pessoa". Indeed. Acontece é que, quando foi anunciado que o caso seria entregue a Freitas do Amaral, nenhuma destas partes se mostrou contra. Ou seja, se a decisão é desfavorável, é apenas uma opinião. Mas não seria sempre "apenas a opinião de uma pessoa", qualquer que fosse o sentido da decisão?
Pois.
E já agora ouçamos o senhor Gonçalves Pereira, o tal presidente suspenso do conselho de justiça que tinha tudo feitinho para safar Pinto da Costa e Boavista: "Isto não é um parecer, é uma autêntica descoberta científica. O Direito é uma ciência que, tal como todas as outras, evolui, por isso talvez estejamos perante uma dessas inovações". E agora ouçamos o senhor logo depois de Gilberto Madaíl ter anunciado que ia entregar o caso a Freitas: "tem um percurso de vida e uma dignidade que aprendi a respeitar".
Estaremos perante um caso de dupla personalidade, ou de pura e simples cara de pau?

sábado, 26 de julho de 2008

Salvem o cigano

Pois é.
Depois de aparentemente ter insultado todos os ciganos do mundo e de me ter inadvertidamente metido numa discussão acerca da Quinta da Fonte, agora tenho de dar razão a quem defende esta etnia discriminada e perseguida.
Acabaram com o Cigano Mágico.
Para quem não sabe do que estou a falar, é o segundo link para blogs alheios, ali do lado direito (não vale a pena clicarem lá agora, porque, como eu disse, ele foi exterminado). Por acaso, o link até tá mal metido, sinal de que eu não sou o único vodkiano que sofre de intolerância aos ciganos. Mas agora, nem sequer inserindo a morada certa, se chega a lado algum. Aparece uma mensagem do blogger, a dizer que na sei quê, o blog já não consta.
Filhos duma ganda puta.
Para quem não conhece, o Cigano Mágico é uma personagem mítica que ocupava o topo de um solitário e poético lugar chamado Mastros ao Alto. Com o único defeito de ser um tripeiro sem vergonha, era um dos tipos que ainda me fazia perder tempo com esta treta dos blogs. É o autor da frase que eu gostaria de ter inventado, qualquer coisa como "quando compro um caderno não escrevo logo nele. Deito-lhe cerveja por cima, mando-o ao chão, deixo-o na merda. Para começarmos em pé de igualdade".
E agora foi-se.
Se foram os pretos da Quinta da Fonte, não sei. Se calhar foi só um suicídio cibernético, como já tinha ameaçado fazer.
De qualquer das formas, caro Cigano, se me estás a ler: volta. Tu tás lá.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Entradote de Ouro

João Pinto, o menino de ouro, pendurou as chuteiras. Aos 36 anos, é o fim da carreira de um jogador que, independentemente do clube de cada um, marcou uma época no futebol português. Eu, como benfiquista, idolatrei-o, naquelas épocas em que João Pinto levava a equipa às costas e era a minha única esperança de algo surpreendente, por entre uma floresta de Kings, Paulos Pereiras, Pringles e Tauments de pacotilha.
Pessoalmente, o João Pinto nunca chegou a ser o meu jogador preferido. No Benfica, o meu grande ídolo de infância era o grande Vítor Paneira e, de certa maneira, o Isaías, o profeta. Fora do Benfica, o meu grande ídolo era o Paulo Futre, o do penteado ridículo e do Porsche amarelo, o jogador que, em forma, foi o mais entusiasmante que alguma vez vi jogar (alguém disse que Futre era o único jogador que conseguia fintar quatro italianos numa cabine telefónica).
Já João Pinto era uma coisa diferente. Para mim, ele era esperança. E, na medida do seu talento que nunca chegou - na minha opinião - perto dum Rui Costa ou dum Figo, sempre fez, por nós, o que pôde.
Aquele 6-3 fez por uma geração de benfiquistas aquilo que, desde os tempos dos Diamantinos, dos Nénés, dos Valdos e dos Carlos Manuéis ninguém conseguiu fazer. Deu-nos a dignidade, e um título que, depois daquele Verão quente, precisávamos mais do que nunca.
Foi injustiçado pela troupe de Gilberto Madaíl, que conseguiu fazer dele o bode expiatório para tudo o que correu mal na Coreia-Japão. Tal como Vítor Baía, claramente o melhor guarda-redes português dos últimos 15 anos, teve um passado brilhante de dedicação às várias selecções, e foi injustiçado, politicamente, pelo escorregadio Madaíl.
João Pinto, o verdadeiro artista. O Menino de Ouro.
Obrigado pela magia.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Grande Esgalho do Pessegueiro, em Stereo

Estava de férias quando, aparentemente o velho circo desceu à cidade. Leonard Cohen e Lou Reed em Lisboa, nas mesma noite. Não vi outra grande carcassa, o Bob Dylan, mas dizem-me que foi um secador descomunal; apanhei o Neil Young, e redescobri a fé no Rock n' Roll.
Não fui nem ao Cohen nem ao Lou Reed. Dito isto, aqui vai uma opinião de alguém que só os conhece dos discos.
O Cohen é um tipo realmente talentoso, mas praticamente conseguiu arruinar uma carreira à pala dos piores arranjos alguma vez vistos na história da música, superados apenas pelos arranjos dos primeiros albuns do Jorge Palma. E é um chato do caraças. Talentoso, mas muito, muito, chato.
Já o Lou Reed é um arrogante de merda. Também tem talento, mas nem de perto nem de longe o quanto ele acha. Comporta-se como se todo o mundo lhe devesse beijar os pés, apesar de não fazer um album de jeito desde Transformer (já lá vão mais de 30 anitos).
Depois, não faltaram as queixas, de "como é possível estes senhores estarem agendados para a mesma noite?", meu deus!!
Isto, se calhar, é sinal de que a capital da metrópole está a começar a ser um bocadinho menos periférica, ainda que não menos parola.
E, é claro, todos os intelectuais deste calhau à beira do charco bateram grandes píveas com os senhores. Estão no seu direito. Eu, calhau que sou, preferi ver o Estoril- Benfica C. São opções.
Lellada ou Little Bastard, o facho

Estava ausente, de férias, quando o faroeste saiu à rua, algures em Loures. Desde então já ouvi de tudo: a culpa é de uns, de outros, do Governo, da Câmara, de nós, do aquecimento global. Já não tenho é saco para o discurso do politicamente correcto e dos coitadinhos. Lamento.

1 - afinal os outros que não brancos também são racistas. É refrescante sabê-lo.
2 - a polícia serve para apanhar gajos que andam aos tiros. É suposto ser esse o seu trabalho, serem especializados, terem meios, etc. Neste caso, HÁ UM VÍDEO de gajos aos tiros de caçadeira, e nada. Foram ouvidos dois, e saíram em liberdade. Fantástico.
3 - Os ciganos já não querem aquelas casas. Querem outras. Noutro sítio. Presumo que melhores. Também eu. Eu também não gosto dos meus vizinhos, mas foda-se, cometi o erro estúpido de suportar, eu mesmo, a minha casa. Que tanso!
4 - Um dos ciganos, com ar anafado, levou os jornalistas num tour pela sua casa delapidada. Mostrou os espaços vazios de onde lhe roubaram o PLASMA, a PLAYSTATION, o DVD, a OUTRA PLAYSTATION. Não há direito, de facto. O facto de os senhores viverem do rendimento mínimo e terem um património melhor que o meu não parece ter causado qualquer estranheza.
5 - Alguns dos que reclamam uma nova casa nem sequer deviam ter a anterior, que simplesmente ocuparam.
6 - Realojar as famílias ciganas noutro lugar significa duas coisas: dar-lhes uma casa à qual, muitos deles, não têm qualquer direito; e significa a cedência ao racismo. O argumento de que não podem voltar porque os pretos os vão matar até poderia fazer sentido, mas o Estado não pode ir nessa cantiga. Isso seria o Estado demitir-se, mais uma vez, da sua responsabilidade, de assegurar a segurança para todos os cidadãos, de todas as origens. É simples. Tem que ser feito.

Li num lado qualquer uma ideia interessante. Se a pobreza e a exclusão justificam totalmente o recurso ao crime e ao tiroteio na via pública, por que raio não vemos mais gente a fazê-lo? Não faltam pobres e excluídos, cada vez mais, em Portugal. Recuso a ideia lírica da esquerda de pacotilha de que a Sociedade, esse monstro, é culpada de tudo, e tudo deve a quem, na verdade, apenas a pretende parasitar. É altura de, caso a caso, analisar as coisas. O que já não serve é a cantiga de que não há emprego, logo há a desculpa para haver crime. Para pessoas não qualificadas - a esmagadora maioria daquele bairro - não falta emprego, é só andar na rua e ver os anúncios nas montras. Pois, mas isso não paga os plasmas e as playstations, não é?
Deixemo-nos de brincadeiras.

E agora, bring it on...
Serviço cívico

Afinal, ler o Público sempre nos diz coisas interessantes. Na página 13 (curioso número, como diria o outro), surge um anúncio da responsabilidade da Assembleia Municipal de Lisboa, com o seguinte conteúdo: "Convocatória. Leva-se ao conhecimento dos Srs. Deputados Municipais, que a Sessão Extraordinária iniciada no dia 15 de Julho de 2008 prosseguirá no próximo dia 22 de Julho pelas 15 horas, no Fórum Lisboa - Avª de Roma, nº14, com a restante Ordem de Trabalhos. Assembleia Municipal de Lisboa, em 15 de Julho de 2008", e depois assinado por A Presidente, Paula Teixeira da Cruz.
Well, well, well.
Não sei o que gosto mais: se a bizarra utilização de maiúsculas, se a preocupação em referir que a reunião interrompida decorreu em 15 de Julho de 2008 - não fosse pensar-se que tinha mais anos.
A minha dúvida é a seguinte: estes senhores, estes Deputados Municipais, não têm...sei lá...um e-mail? Um telemóvel, um iPhone, até? A Assembleia Municipal não sabe onde eles estão? Serão assim tantos e tão fugidios? E depois há a hipótese, rebuscada, é certo, de os Senhores Deputados, ao menos unzinho, não tenham comprado hoje O Público. Sei que só uma conspiração monstruosa levaria a que tal acontecesse, mas ainda assim é possível. Então os Senhores Deputados faltariam à Reunião? E se o quiosque fechou, o dono de férias, etc? Meu Deus, o Horror!
Este anúncio, que até não é grande, é coisa para ter custado uns euricos, digo eu...
Mas enfim, eles lá saberão o que fazem. Como os impostos municipais e as multas da polícia municipal são baratuxos, tá-se bem.
Gastem à vontade. Prossigam.
O Público

O Público é o meu jornal preferido, basicamente porque é o único empenhado em fazer diferente do que todos os outros estão a fazer. Ainda assim, há diferente e há diferente. Nos últimos tempos, tenho visto vários exemplos de um mau trabalho. Por um lado são as incompreensíveis opções editoriais - vide Ypsélon, ou que raio é, dedicado à oferta cultural no Allgarve (like I give a fuck) - por outro são as gralhas. Textos que começam e não acabam, paginações artísticas que ficam incompreensíveis, etc. E depois há os títulos, aquelas cenas em cima das notícias, que é suposto dizerem alguma coisa às pessoas que compram o matutino. Na edição de hoje (página 4), aquilo que está no sítio do título diz assim: "Caos do minifúndio do mundo rural paralisa a ZIF da Beira Serra". Se alguém perceber What the fuck o senhor André Jegundo (assina a peça) está a falar, levante a mão. Pois, bem me parecia.
Para o senhor Jegundo, auguro um grande futuro na burocracia da função pública. Nas Finanças, por exemplo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Faíscas

Na noite de domingo, como saberão, arderam dois prédios em plena Avenida da Liberdade. É só a avendida mais cara de Lisboa, em termos de preço do metro quadrado e onde se encontraram as lojas pretensamente mais exclusivas. O prédio onde começou o incêndio estava devoluto, vazio, abandonado, servindo de local de pernoita a alguns agarrados e sem abrigo. Há 4.600 edifícios devolutos em Lisboa, que dariam para a habitação de 25 mil pessoas. Só na avenida da Liberdade, são 65 km quadrados de espaço devoluto. Os bombeiros estiveram bem (foi impressionante vê-los a arriscar a vida empoleirados no edifício em chamas), as autoridades responderam depressa.
Mas o problema está lá, e é uma bomba relógio. Não apenas pelos incêndios, que qualquer dia se poderão tornar um problema pior, mas sim pelo que o centro da cidade (e não apenas o centro) vive, ou não vive. Ninguém lá mora. Há lojas, escritórios e prédios vazios, a cair de podre. Continuamos a expulsar pessoas para a periferia, esvaziando a cidade (parece um museu, só trabalha em horário de expediente), provocando em Lisboa e nos arredores engarrafamentos gigantes, com os custos associados ao nível da poluição, do tempo perdido e do dinheiro gasto em combustíveis por quem acha que fica muito mais barato ir morar para o subúrbio.
A resposta tem sido básica: taxar, a preços exorbitantes, o estacionamento em Lisboa, e a construção de cada vez mais estradas que tragam as pessoas, nos seus carros, para dentro de Lisboa.
A terceira travessia sobre o Tejo, cuja utilidade, de facto, desconheço por completo, vai trazer mais 2.500 carros por dia para a cidade, e isto não parece estranho a ninguém. A resposta é sempre penalizar quem traz o carro, os contribuintes, sacar-lhes mais umas massas. Quanto a resolver o problema, e fazer de Lisboa uma cidade realmente moderna, nem uma ideia.
Foi um só prédio, mas foi mais que isso.
Lisboa está devoluta.
Pormenores

O futebol português está a dar as últimas. O último episódio, que não deixa saudades, teve como protagonistas o Conselho de Justiça da Federação, que envolveu um ditador, um golpe de Estado, intervenção internacional e, quiçá, exílio no exterior.
Parece que o Presidente do CJ pretendia, na reunião que decidiria sobre os recursos de Boavista e Pinto da Costa, impedir um dos membros de votar, por incompatibilidade. O truque era simples, bem esgalhado, e típico dos tempos da Camorra, que tem dominado o futebol português desde os anos 90. Afastado o senhor incompatível (por causa de uma treta irrelevante que ainda ninguém percebeu), o presidente do CJ sabia que a decisão ficaria empatada, 3-3. E ele, como presidente, tem voto de qualidade, ou seja, desempata. E iria desempatar a favor de Boavista e Pinto da Costa, depois de, há vários meses, andar a pressionar os restantes membros do CJ para não chatear os seus amiguinhos. O senhor presidente do CJ, por acaso vereador da CM de Gondomar, presidida por Valentim Loureiro, não achou que ele próprio teria pelo menos uma incompatibilidadezita, nada, estava limpo como um lençol de água. É claro. Importava era afastar quem não cedera às suas pressões. Acontece que os membros do CJ se revoltaram, suspenderam o tipo e, à sua revelia, deliberaram. Confirmaram a condenação de Pinto da Costa e do Boavista. Não foi um episódio dignificante, mas nunca poderia ser, porque este é o último estertor do sistema que, do norte do país, controlou todo o futebol português nas duas últimas décadas.
O Porto já esfregava as mãos de contente. Juntou à pressa o seu processo ao do seu presidente, certo de ter tudo armadilhado com a decisão encomendada do CJ. Saiu-lhe o tiro pela culatra, porque finalmente alguém foi capaz de dizer basta e desmascarar esta cambada de corruptos.
Agora discute-se direito. Vejo nos jornais e na televisão grandes doutores em futebol falar de artigos e de alíneas, procurando nas entrelinhas encontrar qualquer argumento jurídico que reverta a decisão, para depois soar os tambores como mais uma grande vitória de Pinto da Costa.
O que não entendo é como toda a gente escolhe esquecer o conteúdo das escutas que todos nós conhecemos, e que provam sem margem para dúvida os esquemas de Pinto & Valentim. Falam de cabalas contra o Porto, coitadinho, e que o Benfica, esse monstro, está por detrás de tudo. Podem fazer as interpretações que quiserem, o resultado final pode ser qualquer um, nada pode mudar aquilo que toda a gente sabia e que agora, de uma vez, não deixa margem para dúvidas: Porto e Boavista compraram árbitros. E, apesar disso, só se ouvem vozes a defender os meninos, a falar de direito, a chorar pela morte do futebol português. Muitos são os mesmos que, em colunas de opinião ou aos microfones da televisão, faziam lindos discursos pela limpeza e moralização do futebol. Agora, que o sistema que lhes deu de mamar e o azul que lhes corre nas veias está ameaçado, esquecem tudo isso. Falam de alíneas, e de artigos.
Como se isso importasse, no desporto.
Aconteça o que acontecer, está tudo cá fora. Mesmo que se safem com alguma tecnicalidade jeitosa, está tudo cá fora. É uma questão de tempo até se desmoronar por completo. Vivemos demasiado tempo no meio da podridão.

Quanto ao Porto, uma última ironia: em 80% dos títulos conquistados não teriam precisado destes esquemas para nada. Mas a tentação do caciquismo nortenho foi mais forte.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Logo agora que o Governo nos anda a comer à bruta...



...querem acabar com a louça das Caldas?!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

É desta que os fodemos a todos


Balboa confirmado no Glorioso!
Diário de dois benfiquistas angustiados

Johnny diz:
No pongolle!

Kowalski diz:
no me gusta al pongolle

Kowalski diz:
mi piace el ratito microli

Johnny diz:
balboa confirmado...

Kowalski diz:
o rocky?

Johnny diz:
no o Javier

Kowalski diz:
me gusta microli & aimar

Kowalski diz:
no me gusta ruben amorim & pongolle

Kowalski diz:
no connosco el pongolle

Johnny diz:
tiens qui tiener calma

Kowalski diz:
tengo calma hace muchos años, compañero de desgracia

Johnny diz:
ainda vamos tener un gran equipo

Johnny diz:
o not

Kowalski diz:
los galactivos del LFV

Johnny diz:
no el orelhas no poude tocar en lo equipo

Kowalski diz:
solo hace mierda

Johnny diz:
si

Kowalski diz:
oreja no piesca nada de ballon

Johnny diz:
mas tengo confianza em Rui

Johnny diz:
el maiestro!

Kowalski diz:
el maestro ha sido gran papado con cebolllita

Kowalski diz:
a ver lo que hace

Kowalski diz:
si traz lo aimar

Johnny diz:
o cebollita es un mercênário! cabron!

Kowalski diz:
pesetero!

Johnny diz:
e vai tener um tumor en los cojones!

Kowalski diz:
dos!

Kowalski diz:
el moreto dice que quiere volver

Johnny diz:
vai ah cagar!

Kowalski diz:
a cagar mui lejo!

Kowalski diz:
si me dan microli y aimar, soy contento

Johnny diz:
comier mierda!

Kowalski diz:
me cago en ceboliita

Johnny diz:
mui contento no pequeño bombardiêro

Johnny diz:
és lo mejor!

Kowalski diz:
enseñar a lo cardozo como jugar a la pelota

Johnny diz:
cardozo solo tiene que hacer o gol

Kowalski diz:
y lo hace bien!

Johnny diz:
de culo, de tolan... pueco mi importa

Johnny diz:
el micollo tiene que le dar los gols a marcar!

Kowalski diz:
si

Kowalski diz:
y partir los rins a los defensas, coitaditos

Johnny diz:
si coitaditos!

Johnny diz:
a ber...

Johnny diz:
jo sigo mui tranquilo...

Johnny diz:
no passa nada

Johnny diz:
que se fuda los media desportivos

Kowalski diz:
tiengo mucho miedo

Kowalski diz:
MUCHA CAGUFA

Johnny diz:
pior que este año no puede ser

Kowalski diz:
es dificil

Johnny diz:
e ao mienos no tenemos que ouvir lo orejas

Kowalski diz:
bueno, vamos a salir a ganar

Kowalski diz:
cojones

Johnny diz:
assi lo espiero

Johnny diz:
tenemos que despaxar los cranquios

Johnny diz:
todos...

Kowalski diz:
los luis felipes e zoros

Johnny diz:
si todos

Johnny diz:
ponelos en la sanitia e puchar lo toclismo... lol
As maravilhas do MSN

Johnny diz:
amanhã vou ver a ana moura

Johnny diz:
a jeitosa do fado!

Kowalski diz:
essa mouta levava uma prachada

Kowalski diz:
pranchada

Johnny diz:
10€

Johnny diz:
levava

Johnny diz:
não podia era cantar muito ao pé de mim...

Johnny diz:
engasgava-se logo!

Johnny diz:
lol

domingo, 22 de junho de 2008

Primeira e última lição, Sr. Costa

Aquele que foi o melhor jogador do Glorioso na última época vai para o FC Porto. Nada de especial, apenas este facto. A coisa não é estranha, já aconteceu algumas vezes, mas desta parece que custa mais.
Em primeiro lugar, porque a estratégia do Benfica para a próxima época está a conseguir ter menos lógica estratégica que em qualquer das épocas anteriores, o que eu achava impossível ou, pelo menos, muito, muito difícil.
E ora aí está.
Ruben Amorim, um queque que tem medo da bola, Jorge Ribeiro, um camionista, e depois uns franceses da segunda divisão, um argelino que joga não sei onde, e pouco mais.
Depois, porque esta é a primeira temporada a ser preparada por Rui Costa, e não se está a ver nada de melhor, o que é no mínimo curioso. É verdade que foi buscar um treinador que, à partida, promete, mas jogadores é só merda. Ainda não despachámos o camião de cancros que lá temos no balneário, só comprámos bosta, e ainda oferecemos o nosso melhor jogador ao Porto.
Dizem que o Rodriguez tinha tudo apalavrado com o Benfica e que, à última hora, quis o dobro. Diz também que o senhor queria tudo limpo, receber através de uma offshore, o que é ilegal em Portugal. E diz que apareceu o Porto a dar isto e ainda mais, e que ele lá foi.
Para Rodriguez, um agradecimento pelo trabalho na última época e um desejo para o futuro: que tenhas um tumor nos tomates, hijo de puta.
Para o Senhor Rui Costa, um simples alerta: bemvindo ao futebol português. Deixa de ser menino, porque no actual clima Benfica/Porto acabaste de dar mais uma machadada na nossa auto-estima. Abre a pestana e depressa, porque cometeste um erro que o Sr. Veiga nunca cometeria. Já chega de o Benfica servir de olheiro do Porto, ir buscar jogadores em negócios ruinosos e depois o Porto os aproveitar. Basta. Basta de incompetência.
Quanto ao Porto, tudo certo. Se esse clube consegue corromper os árbitros, ser condenado, assumir que o fez ao não recorrer, e acabar a ser defendido por meio país como se estivesse a ser vítima de uma terrível conspiração, é óbvio que burlar o fisco português não tem mal nenhum.
Sr. Costa, acorde para a vida. Queremos títulos.
A não ser que a estratégia seja, finalmente, retirar ao nosso presidente qualquer veleidade de dizer que temos uma equipa fabulosa. Com a merda de plantel que temos, quero vê-lo a dizer isso sem se rir.

Saudações benfiquistas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O BODE EXPIATÓRIO II




É verdade. Não há volta a dar-lhe. Não vale a pena dizer que o Quim se lesionou, blá blá blá. Toda a gente sabe que o Scolari iria sempre apostar no Ricardo. A culpa não é do frangueiro lagarto, mas nem com o fim da sombra de Quim (via lesão), Ricardo conseguiu ganhar confiança. Dos 3 golos que levámos dos alemães, dois foram culpa, pelo menos parcialmente, dele. Então o último, aquele que acabou com o jogo, teria sido hilariante, se não nos tivesse acontecido a nós.
Toda a gente só se lembra dos penaltis e do jogo com a Inglaterra. Mas, se pensarem um bocadinho, lembrar-se-ão que, na final contra a Grécia, perdemos com um golo igualzinho ao último contra a Alemanha. Custou-nos o Europeu. Espero que tenha a dignididade de levar aquela vozinha de panasca para o raio que o parta e abandone finalmente a Selecção.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O BODE EXPIATÓRIO I




Agora que se vai embora, é tempo de balanço, que não será feita agora. Agora é tempo de o criticar, de lhe bater, de mandar vir, porque realmente fez muita merda.
Sobretudo no que toca ao treino e à táctica, que infelizmente são coisas importantes num treinador.
Saímos do Europeu com duas derrotas e duas vitórias, uma competição que, em termos de jogadores, tínhamos condições para ganhar. A equipa contra a Suíça foi um equívoco, porque minou a confiança dos jogadores e lhes retirou a possibilidade de fazer mais um jogo em conjunto (a equipa A). Há uma competição destas de dois em dois anos, e ele está a tentar fazer descansar jogadores?! Pronto, lixou-se e lixou-nos, uma vez que a poupança acabou por sair cara. Portugal entrou em campo, contra a Alemanha, encolhido, com medo, a ver como paravam as modas. Portugal jogou como sempre joga, seja contra a Itália ou contra San Marino, o mesmo modelo, a mesma táctica, tudo igual. A Alemanha surpreendeu-nos pela positiva, porque o seu treinador tem mais de meio neurónio. Equipa mal montada, a nossa, e substituições fabulosas. Gostei sobretudo de quando nós, a perdermos por 3-1, tirámos o Nuno Gomes para metermos o Nani, esse grande ponta de lança. Acabámos a mandar bolas para a área, e o Postiga fez o que pôde. Lamento, mas não é admissível estarmos a perder, num jogo a eliminar, e acabarmos apenas com um avançado em campo. Chamem-me antiquado, mas é assim.
Scolari sai, e ainda bem. Com a sua mentalidade pequenina nunca nos levaria onde podemos ir, ao lugar mais elevado.

Duas notas sobre jogadores: Deco tentou levar a equipa às costas; Ronaldo fez um Europeu medíocre. Os grandes jogadores têm de aparecer quando são precisos, e não quando querem.
O ENCAVADO

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O preconceito via messenger II

Kowalski diz:
O público tem uma foto mto ternurenta de duas fufas idosas a beijarem-se

:: f r e d :: diz:
eu vi isso ontem nas noticias, nos EUA, né?

:: f r e d :: diz:
cadavéricas, sugadinhas, mas é bonito

:: f r e d :: diz:
como será eu elas passam os serões...?

:: f r e d :: diz:
a jogar à bisca lambida?

Kowalski diz:
ahahahaha

Kowalski diz:
"ó querida, deixa-me tirar-te as meias de descanso"

:: f r e d :: diz:
apetece-te algo, lquerida...? um clister?

Kowalski diz:
Tchiiiiiiiiiii
O preconceito via messenger I

Kowalski diz:
O público tem uma foto mto ternurenta de duas fufas idosas a beijarem-se

Kowalski diz:
não quero ser preconceituoso, mas

Kowalski diz:
era desnecessário

O Ímpio e Infiel Inspector Rôla diz:
credo

O Ímpio e Infiel Inspector Rôla diz:
ca noijo

Kowalski diz:
pois

Kowalski diz:
ainda bem que foste tu que disseste
Kowalski diz:
tu é que és o preconceituoso cabrão

O Ímpio e Infiel Inspector Rôla diz:
pois sou

Kowalski diz:
eu limitei-me a constatar o óbvio

O Ímpio e Infiel Inspector Rôla diz:
fufas.. só novas e boas

Kowalski diz:
é o fim das fufas enquanto mito sexual

Kowalski diz:
exactamente

O Ímpio e Infiel Inspector Rôla diz:
ehehhe

Kowalski diz:
novas, boas, e abertas a novas experiências
A verdade

Nunca fui gajo de fazer promessas. A mim próprio fiz uma única, a que teria sucesso enquanto escritor antes dos 30, a idade que tenho agora. Eu tinha 22. Antes disso, o meu coração partiu-se, e desde então tenho a cabeça cheia de livros e folhas mortas. Desde lá escrevi três livros, dois deles rejeitados, à vez, por cinco editoras.
Pior que tudo, olho para o que fiz, que me saiu das veias, e penso se serei capaz de voltar a aprisionar aquela intensidade, aquela, em muitas circunstâncias, absoluta verdade comigo mesmo e que só nos livros sai.
Penso, também, que se calhar não valho a ponta dum corno, na única coisa em que defini para mim próprio, aquilo que me faria chegar lá, para além das 12 horas de trabalho por dia, que pagam a conta da mercearia. Sem saber bem como, sou realmente bom nesse trabalho que paga a mercearia, apesar de o ter sempre encarado como algo para fazer e ganhar dinheiro enquanto ninguém descobre o quão genial eu sou. E se, ironia das ironias, eu for apenas um gajo que faz bem o seu trabalho, e não tenha um pingo de talento literário? E se, finalmente, perceber que tudo aquilo que sempre procurei para mim próprio não passa de uma fraude, e que não passo, na verdade, de um funcionariozinho competente?
É nestes momentos que vem a dúvida, em relação a tudo o que fiz e a tudo o que sou.

Estou cada vez mais cínico, e não era para aí que eu queria ir.
I love "The Jews"

Estou finalmente em casa, depois de mais um dia daqueles em que a ironia me impulsiona a exclamar, em alta voz, "mais um dia espectacular, pá!".
Ouço "Lookout mountain, lookout sea", o novíssimo álbum dos Silver Jews, e acho que vale a pena acreditar.
Descobri os Jews, AKA David Berman, há talvez ano e meio, com o seu disco anterior, uma coisa sublime em forma de rodela de plástico chamada "Tanglewood Numbers". Foi nesse álbum que descobri como a música pode ser boa e fodida, e melhor por isso mesmo. Berman, um tipo que passou a vida a tentar livrar-se de vários vícios, não perdeu o vício de fazer canções com o nome de "Sometimes a pony gets depressed". No mesmo álbum, a faixa que o abre dá pelo nome de "Punks in the beerlight", e tem um dos momentos mais poéticos que já ouvi alguma vez. Ela canta, insistentemente "If it gets really, really bad...", "If it gets really, really bad...", assim, com uma urgência de quem diz, "se alguma vez as coisas ficarem demasiado desesperantes e tudo parecer perdido....", e ele limita-se a responder, naquela voz grave de quem está cansado de tudo "let's not kid ourselves: it's really, really bad".

Fui à Fnac comprar o novo álbum, mas não há. Há Tonis e Micaeis Carreiras em barda, Kizomba Brasil e Luis Represas, mas não há o novo álbum dos Silver Jews (na do Chiado há o "Tanglewood Numbers", a 18 euros!). Vim para casa e saquei da net.
Ainda não tenho o livrinho, o cd bonitinho, mas por hoje já posso ouvir David Berman.
Good enough for me.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

So Long, Big Phil

É claro, depois de dois excelentes jogos, cá está o profeta da desgraça a dizer mal da Selecção e do intocável Scolari.
Pois.
Há duas coisas que me estão a fazer muita confusão em relação ao treinador de todos nós. Vamos por partes.
Em primeiro lugar, esta saída para o Chelsea. O timing do anúncio foi absolutamente desastroso, isso parece-me óbvio. Depois de dizer que os jogadores só podiam pensar na selecção, e só no fim do Euro tratar da vidinha, é fabuloso ele vir fazer exactamente o contrário. Depois, é gritante a diferença de actuação em relação ao que aconteceu no Euro 2004. Aí, tinha contactos com o Benfica, mas assim que a notícia saiu veio armar-se em virgem ofendida e dizer que, no Benfica, nunca! Só a selecção interessava, e o resto tinha o simples intuito de destabilizar. Pois, os tempos mudam, e as divisas também.
Por falar em divisas, Scolari teve o desplante de dizer que, nos últimos 15 dias, o presidente da federação andou a correr as capelinhas à procura de um patrocinador que cobrisse a oferta do Chelsea. "Infelizmente não foi possível", explicou, muito pouco pesaroso, o bom do Scolari, esse tuga do Rio Grande do Sul. Que o troglodita do Madaíl não se tivesse cansado, digo eu, talvez tivesse saído desta novela com um ar um bocadinho menos ridículo. Toda a gente sabe que "it's all about the money". Mas, muito sinceramente, não era preciso esfregar-nos o nariz na merda, desta maneira. Depois de tanta santinha do Caravaggio, de tanta bandeirinha na janela, depois de tanta emoção a trautear o hino dos canhões a marchar, lá vem o vil metal estragar esta fabulosa "love story". Como diz o bom povo português, "ele a mim nunca me enganou", e não era preciso esta historieta do Chelsea.

A segunda coisa que me está a irritar foi o jogo contra a Suíça. Já o defendi, inclusivamente aqui no tasco, que Scolari teve o mérito - graças em boa parte aos nossos grandes jogadores - de nos aproximar das melhores selecções do mundo, mas não foi nem será capaz de nos levar ao topo, onde podemos estar. Ele continua a ver Portugal como um país de padeiros, mulheres de bigode, adoradores de Roberto Leal, desgraçadinhos muito agradecidos por ele, do país do futebol, nos ter levado até onde não tínhamos ido, excepto no tempo do Deusébio.
O jogo com a Suíça foi como um tratado sobre a psique de Scolari. Tacanho, de mentalidade pequena, medroso, incapaz de decidir no momento que separa os meninos dos homens. Era um jogo a feijões? Era. Era para ganhar? Obviamente que sim. Era, em certa medida, um dos jogos mais importantes do torneio. Era o jogo mais ansiado pelos emigrantes portugueses radicados na Suíça, que todos os dias têm de servir à mesa dos comedores de chocolate e adoradores de cucos. Era uma questão de orgulho, era uma questão de dignidade básica. Mas tudo isso Scolari matou, com o calculismo muito pouco latino de quem já estava apurado e resguardava as estrelas para outros campeonatos. Concordo inteiramente com a equipa que montou, de início. Talento não falta, na nossa equipa, e também eu queria ver jogar os quaresmas, os velosos, os migueis, os meireles. A verdade é que, tirando o Nani, ninguém mostrou pedalada para roubar o lugar de quem jogou os dois primeiros jogos. O Quaresma continua mais interessado em mostrar-se do que em ajudar a equipa, e só não foi para a rua porque não calhou. O Veloso não soube desbloquear o jogo nacional, e em termos defensivos não se viu, embora tenha dado à equipa uma nova capacidade de passe longo. O Meireles andou perdido, não se viu. O Miguel fez disparates o jogo todo. O Postiga tentou bater o recorde mundial de foras de jogo, e deixou o Nuno Gomes e a sua bandelete mais tranquilo. O Bruno Alves não consegui matar ninguém, e como tal não serviu para nada. Ah, e o Ricardo foi igual a si próprio, um mijas kamikaze.
O problema não foi a equipa principal. Os jogadores não estão entrosados e até correram, não foi esse o problema. O problema foi, no início da segunda parte, perceber-se claramente que a Suíça - país conhecido pelo ski e pelo curling - estava a ganhar o domínio do jogo, e que com uma ou duas mexidas na equipa Portugal limpava-lhes o sebo num instante. Mas Scolari mostrou, nesse momento, que não queria ganhar o jogo. Que se lixe a honra, que se lixe o nome, que se lixem os emigrantes que pagaram para ver a selecção treinar. Se para ganhar o jogo fosse preciso meter titulares com nervo e capacidade de decisão, então era preferível que perdêssemos. Foi essa a mensagem que passou para dentro do campo, enquanto a equipa se afundava por entre os equívocos do futebol suíço. E foi por isso que perdemos.

Scolari vai para o Chelsea, e eu sou daqueles que acha que ele não dura até ao Natal. Treinar um clube como o Chelsea, em Inglaterra (se ele acha que a dócil imprensa portuguesa é dura, que espere para ver), é mais difícil do que acertar uma pera num sérvio parado, e nem isso ele conseguiu. Quero vê-lo a convencer o Balack a rezar à senhora do Caravaggio, ou o Drogba a curtir ao som do Roberto Leal.

Viva a selecção nacional.
Depois de o ver demolir metodicamente o Scolari, eu digo...





RUI SANTOS À PRESIDÊNCIA!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Jogador sem técnica, mas muito Raçudo


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Face the music

Finalmente, uma boa notícia relativa ao futebol português. O Porco, perdão, o Porto, afinal não vai à Liga dos Campeões. Ooooooohhhhhhhh, que pena.
A coisa adquire uns toques de justiça divina (aquela que, diz o azeiteiro presidente nortenho, há de o absolver), até porque o Porto só se enterrou porque se armou em xico-esperto, e não recorreu da condenação por corrupção. O raciocínio foi lindo: perdemos seis pontos, mas temos mais de 20 de vantagem; como tal, bora não recorrer, perdemos os seis pontos nesta temporada - em que não fazem falta - e evitamos arrastar o processo e arriscar começar a próxima época com seis pontos a menos.
Muito bom. Gosto muito do facto de, para o Porto, ser considerado culpado de corrupção desportiva, ser irrelevante, irrelevante ao ponto de não se darem ao trabalho de recorrer. É típico. O que interessa são os resultados, os métodos que se lixem. Acontece é que, ao não recorrer, o Porto tacitamente assumiu que era culpado. E agora acha muito estranho a Uefa vir penalizá-los.
Hoje ouvi muita coisa, de adeptos tripeiros irados: a culpa é da Federação, da Uefa, que anda a perseguir o Porto, e do Benfica, claro, para um tripeiro até o aquecimento global é culpa do Benfica, sintoma daquele complexo de inferioridade que nenhuma montanha de troféus parece conseguir diminuir. Ouvi também a expressão "o Benfica só ganha na secretaria". Duas coisas: 1 - o Benfica não ganhou nada; 2 - o Porto foi condenado oficialmente - e tacitamente admitiu tê-lo feito - por corrupção desportiva, que é só a coisa mais grave que se pode fazer em qualquer desporto. Da última vez que vi, comprar árbitros, isso sim, é que era ganhar na secretaria. Ou em algum sítio mais escondido ainda.
Também gostei muito de o Porto estar confiante num desfecho favorável do recurso, por ter "relações privilegiadas" com um dos juízes. De facto, não aprendem, e depois acham estranho.
Os adeptos tripeiros andam loucos a queixar-se de uma cabala, a mandar vir com tudo e com todos. Mas não foi o Porto quem andou a comprar árbitros? Não é suposto isso ser assim mais ou menos a atirar para o proibido? Foi o Benfica que comprou os árbitros para o Porto? Foi a FPF? Foi a Uefa?!
O Porto está numa situação complicada, da qual ainda se poderá salvar por via dos recursos. Mas está nessa situação por sua única e exclusiva culpa. Porque tem um presidente e uma direcção corrupta e porque tem advogados xicos-espertos e de merda.
Pelo que fez na última época, o Porto merecia estar na Champions? Claro que sim.
Se o Benfica lá for, só vai fazer merda? Muito provavelmente.
Mas é bom ver, por uma vez, o estilo mafioso e trauliteiro ser penalizado a sério, e isso não se faz com seis míseros pontos.
Para a história fica um clube pela primeira vez condenado por corrupção desportiva. E por mais taças que conquistem, para o verdadeiro adepto, essa mancha não sairá nunca.

domingo, 1 de junho de 2008

The Great Rock n' Roll Circus

Rock in Rio. Dia de toquios hoteis, just girls e docemania. Por entre as brumas do algodão doce das crianças que, no meu tempo, não teriam felizmente comparecido (50 euros para veres esses paneleiros dos toqios hotel? vai trabalhar, malandro!, era o que responderia se tivesse filhos e algum mo pedisse), surge a maior banda portuguesa de todos os tempos.
Sim, eu sei.
Não é 'fashion' gostar dos Xutos, é aquilo que toda a gente diz, que gosta dos Xutos. Mas, neste caso, ainda bem. Porque os Xutos, para o bem e para o mal, têm um pouco de cada um de nós. São gajos normais, sem vedetismos, que andam nesta merda há muitos, muitos anos, sempre com muita estrada, sempre em cada santa terrinha, sempre a tocar, sempre lá. As vendas não os pararam; os unplugged não os tornaram velhos; o sucesso não os matou, mas andou lá perto.
Cresceram, lutaram, tiveram putos, divórcios, perdas familiares, sucessos e fiascos, e andam aí, de peito feito, dignidade, e muito rock nas veias.
"O fim do mês já cá está outra vez e nós sempre a esticar", "Dia se São Receber", são músicas simples, feitas há anos, mas que tocam a toda a gente, sobretudo em tempo de crise. É essa, para mim, a grande qualidade dos Xutos e a razão da empatia que têm com o público. Falam de coisas reais, do trabalho, de autocarros, de dúvidas, de dificuldades.
Eu, que não sou nada nacionalista e tenho a mania que sou diferente, gosto dos Xutos pela mesma razão que gosto do Benfica. Porque, apesar de tudo, tenho um enorme carinho pelo povo português, esse merdoso desgraçado que anda a ser enrabado há décadas e décadas, mas que mantém a boa alma que faz a diferença.
Força Xutos. 30 anos não são nada.

PS - pelas directivas comerciais da grandessíssima bosta que é o Rock in Rio, os Xutos foram obrigados a tocar de dia, e antes dos Tokyo Hotel, uma merda de boys-band de alemães (hello, Scorpions) cheios de estilo à morangos armados em maus. Os Xutos sofreram a ingomínia de, perto do final do seu set, serem confrontados com gritos infantis que exigiam os Tokyo Hotel. É fruto do festival que é e da mudança dos tempos, em que os putos acham que mandam alguma coisa (bitaites, no mínimo, o que já é muito) e fruto desta geração de pais bananas que por aí andam.
Os Xutos reagiram como sempre fizeram, com a música.
Que grande concerto!

sábado, 31 de maio de 2008

EU NÃO VOU

E pronto, tá tudo histérico com o Rock in Rio.
E, ao contrário do que diz o slogan da coisa, eu cá não vou.
Olhando para o cartaz, que se espalha por uma meia dúzia de dias, até há coisas que não me importaria nada de ver - Amy Winehouse (vi na televisão e parti-me a rir com a moca da senhora), Kaiser Chiefs, 2manydjs, Metalica ou Xutos - mas está tudo cuidadosamente empacotado entre camadas e camadas de merda cheia de moscas - Rod Stewart, Ivete Sangalo, Alejandro Sanz, Tokios hoteis e morangadas.
O Rock in Rio não é um festival, é a Disneylândia. É o Noddy on Ice mas sem gelo. É uma matiné numa discoteca para cotas. É uma merda, francamente.
Tal como os U2 são a banda preferida de toda a gente que não gosta de música, o Rock in Rio é o festival de quem não gosta de concertos.
Concerto é uma coisa simples: música e cerveja, e que se possa fumar à vontade (sim, o histórico Coliseu também merece toda a crítica aqui, qualquer dia um tipo tem de se benzer à entrada e não pode entrar de ténis). Festival em que um gajo não se arrisque a levar com um copo de cerveja na mona não me interessa.

PS - E já agora, por que carga de água é que, com o Rock in Rio, há metro até às três da manhã e não sei quantas ruas cortadas para facilitar as deslocações? E os outros festivais, não merecem?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ambiente

Estas coisas são por modas. Primeiro vieram as famílias, as mães trabalhadoras. Depois todos os trabalhadores, que deviam ter um ginásio dentro das empresas. Depois as empresas gay-friendlies, modernaças. Com creche. Cafetaria a preços reduzidos. Horários normais para que as pessoas possam desfrutar da vida pessoal. Massagens gratuitas feitas por gajas boas.
Eu não acredito nisto. Vocês, empresas? Como puderam chegar aqui? Vocês não se preocupam com as pessoas, not really?! Ou, se se preocupam, têm um emprego para mim?
Enfim.
Vem isto a propósito da moda dos últimos anos. É o ambiente. A natureza. A preservação. Os ursos e os castores. E as árvores, sobretudo as árvores. As empresas passaram a incluir aquelas coisas muito importantes nos mails, aquele "não imprima este mail se não tiver mesmo de o fazer". Metem-me nojo.
E agora sim, vem isto a propósito da redução do gasto de papel. As companhias aéreas acabam de abolir "o bilhete em papel", em benefício do "bilhete electrónico". Dizem eles que, para além de pouparem no custo (e não me parece que baixem o preço das viagens, mesmo que admitam que estão a ter menos custos) estão a poupar o ambiente! Tão queridos!
Pois.
Mas esquecem-se que esse tal de bilhete electrónico é assim um nome finex/simplex para não dizer nada. É que a malta continua a ter de usar um papel com coisas lá escritas, só que imprimimos em casa. E acho que o papel de casa também vem das árvores.
E depois há os xicos-espertos saloios.
É o caso do metropolitano de Lisboa. Inventaram recentemente uma coisa muito à frente, que é um cartão (a sério, é um cartão mesmo feito, literalmente, de cartão), que é recarregável, e não exige bilhete. Sobre isto, algumas coisas: a) quando a malta se esquece de levar o tal do cartão (comigo são 50% das vezes), uma viagem só de ida custa 1,25 euros, face aos 75 cêntimos anteriores; b) as máquinas de leitura são uma merda tão grande que, por várias vezes, me foi exigido, para sair da estação, o comprovativo do carregamento do cartão.
E, acertaram, esse comprovativo é um papel, que é legalmente obrigatório o passageiro levar consigo sempre que faz uma viagem. Ou seja, acabaram os bilhetes em papel, mas não o papel. É só um bocadito mais xunga e o novo sistema sempre ajuda a sacar mais uns cobres aos ricaços que andam de transportes públicos.
Quando uma empresa se arma em ecológica e tenta ser o Bono ou o Sting, a coisa dá para o torto. Alías, basta ver os últimos cinco albuns destes meros exemplos para perceberem o que quero dizer
.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Li o "Rio das Flores"...e não desgostei!

Ah, poisé, bébé.
Fui de férias e, depois de acabar o stock de livros "bons" que tinha levado, eu cedi. Peguei no calhamaço e, deus me perdoe, comecei a ler.
E Miguel Sousa Tavares é esperto, tenho de reconhecer isso.
É, basicamente, o que os gajos chatos chamam de romance histórico. Há uma história "micro", por assim dizer, uma família alentejana ao longo de várias gerações; e depois há a história "macro", das mudanças da Europa e do Brasil na primeira metade do século XX. A habilidade do Sousa Tavares está em entrelaçar ambas as narrativas, prendendo a atenção do leitor com os dramas, os amores e desamores das personagens enquanto as faz cruzar os acontecimentos mais significativos da história daquela altura. Eu sei, é um bocado estranho um agricultor de Estremoz ter vivido, de viva presença, a guerra civil espanhola, a ascensão de Hitler, a França dividida e a ditadura nascente no Brasil, para além de, é claro, Salazar e o Estado Novo. Mas, em algo de tão inverosímil, o autor até se safa bastante bem. A parte histórica, bastante pesquisada e mostrada de forma sucinta e interessante, é muito bem conseguida. Aprendi bastante, e esse é, de longe, o grande trunfo do livro, dar informação, simples e bem explicada, sobre factos históricos, muitos deles pouco conhecidos dos leitores, como eu.
Depois vem o problema, com a história "micro". É tudo básico, linear mas a armar ao complexo, unidimensional a fingir-se de profundo. E depois, acima de tudo, há o estilo da escrita. Sem chama, sem estilo, sem garra, sem personalidade. O seu estilo de romance está algures entre o classicismo chato e insosso de Júlio Dinis e os belos livros da Condessa de Ségur, destinados à dona de casa e aos pré-adolescentes bem comportados. Mas essa é, presumo, a ideia. Complicar, dar estofo e dimensão à escrita, requer talento literário e, além disso, arrisca alienar os leitores mais "simples", digamos assim. E assim lá se ia o campeão de vendas.
De qualquer das formas, não dei o meu tempo por perdido. Aprendi bastante e deu para perceber que, com uma boa dose de verve ou talento literário, Miguel Sousa Tavares poderia ter conseguido escrever um livro realmente bom. Assim, limitou-se a escrever um livro interessante, e acessível.
Não acredito que escritores "light" roubem leitores a escritores a sério, como os Lobo Antunes ou os Gonçalos Tavares deste mundo. Limitam-se a ir buscar leitores que não o eram, que não têm hábitos nem critério. Desta forma, prestam um serviço muito importante à cultura portuguesa, acrescentam leitores. E talvez quem leia uma Margarida Rebelo Pinto não vá a seguir comprar um Truman Capote, mas isso talvez aconteça com escritores como Sousa Tavares. Não é tarefa pequena, ou insignificante.

"Equador", o romance anterior de Miguel Sousa Tavares, vendeu mais de 300 mil cópias. "Rio das Flores", o último, teve uma primeira edição de 100 mil exemplares.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sim, já sei, vai para o Sporting e pela selacção não acerta um passe para a frente. Mas se eu mandasse na taberna do Benfica, entregava já a camisola 10 ao 4 da fotografia. Já.



Contrato de cinco anos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Frase da jornada

"O futebol tem muitas peripécias!"
Fernando Chalana, aka O Pequeno Genial